quarta-feira, 1 de julho de 2015

Je suis Tony!


É evidente que a culpa é minha. Desta maldita propensão para a inveja mesquinha do sucesso alheio. Bem sei que não é nada exacerbado, felizmente, mas preferia ser diferente. Não me dizer de tudo o que é abdominal masculino definido e cabelos bem tratados, pronto, cabelo apenas basta, que deve ter orgulho em ser maricas. Não desejar secretamente, ainda que apenas por um instante e depois outro, maior, de arrependimento, que todos os Jaguares que não são meus expludam misteriosamente. Eu não tenho Jaguar nenhum. Não embirrar só porque sim - mesmo que depois elabore complicadas, completas e, go figure!, quase sempre lógicas explicações - com malta que tem sucesso a fazer o que eu acho que também podia fazer. Mas não fiz. Não faço. Quando ponho isto assim, acho-me um tipo execrável. Preferia não o ser. Enfim,  vou continuar a acreditar que alguma coisa compensa isto ou que não é tanto ou que é normal e somos todos. E ir fazendo diferente sempre que conseguir ser assim lúcido perante mim. That is not the man i want to see.

Como esta é uma altura tão boa como outra qualquer, começo já por pedir desculpa ao Tony. Por não lhe ter dado o crédito suficiente, provavelmente porque desatou a ter um sucesso tão desmedido que me irritou. Nunca é tarde e aqui estou a penitenciar-me. A epifania deu-se no outro dia, ao volante, quando uma estação de rádio, à qual muito agradeço, embora não me lembre do nome, passou a canção "CORAÇÃO PERDIDO". Depois desta experiência, a minha perspetiva acerca da música popular portuguesa mudou completamente, bem como a importância que nela atribuía ao artista em apreço. Eu explico, como se isso vos interessasse:

Até aqui, o lugar que julgava que os homens tinham neste género não me agradava por aí além. Era como se fossem todos uns alarves que querem é pimba pimba e não conseguem alinhar duas frases seguidas. Para além de que há certos e determinados padrões que devia ser proibido existirem em camisas. Ou então uns tipos meio híbridos, com men boobs pronunciadas, que se choram amargamente por gajas perdidas. Quanto muito, meros palhaçoides, úteis para animar umas festarolas, mas limitados a rimas brejeiras e insignificantes. Não que se pudesse esperar mais de um lampião. Mesmo neste terreno mais primitivo, largamente batidos pela exuberância de qualquer pacote.

Reparem, não é que a minha vida não pudesse prosseguir medianamente feliz com este estado de coisas, que podia. Mas não sei pá, faltava qualquer coisa. Mesmo o grande Graciano, paz à sua alma imortal, o máximo que conseguiu foi bater o recorde Mundial de gente morta na mesma canção. Ainda que se vislumbrasse por ali uma centelha de relevância, tratava-se de um assunto sazonal. Pese embora a discussão geográfica que pode gerar o facto de Benavente estar em Espanha.

Enfrentemos os factos, as gajas dominam. Tanto pelo lado do esnobanço descarado, género ah e tal deves pensar que és uma grande merda, pois não vales um caralho. Como pelo lado da atualidade, dos dos avanços tecnológicos, mas sempre a arrastar o gajo pela lama. Foram gajas a chamar a atenção para o problema das famílias monoparentaisdas partilhas e da regulação do poder parental. Em todas as situações quem é a besta? O gajo! Até ao cumulo do desplante de fazerem parecer que somos nós que temos uma despensa cheia de pulgas. E era nisto que eu acreditava, influenciado pelos media e pressionado pela sociedade. Enfim, o vulgar e tão atual comedor de palha.

Mas agora tudo isso mudou. E a ti o devo Tony. À tua coragem de, num Mundo destes, dizeres claramente que a tipa anda a rondar-te a porta, mas tu queres mais é que ela se encha de moscas. É que te estás a cagar tão de alto, que ela até pode pensar que morreste, a ver se tu te importas. É lindo pá! Dizeres-lhe nas fuças que não passa de uma vaca interesseirona, que foi atrás do guito e agora anda a ver se te saca batatinhas. Mas não! Bem pode choramingar que é em ti que pensa que tu não estás nem aí. Caraças, é de homem escarrapachar que afinal não é bem o amor e assim que as move. A ver se não escolheu antes a linda casa. E o amor, onde fica o amor? Pois contigo, Tony. E agora já não partilhas. Tooooooooooma! Embrulha! Ela continuará sempre a voltar, em busca desse calor que não há dinheiro que compre. Oh well, there´s nobody home! 

Ah valente, numa única canção arrasas o mito e devolves-me a alegria da masculinidade. Obrigado Tony.


...

- Olha meu querido, isso é tudo muito lindo. Mas repara, o que fica subentendido no OFICIAL é que a cena se dá com o pianista. Paaaaaaaaaa, até o Tony concordará que com aquela espécie de poupa ou lá o que é, fica difícil a moça ver grande futuro na relação deles, né? E depois...bem, cala-te boca.

- Mas cala-te boca o quê? Agora dizes! É o quê?

- Eu acho que ela lhe ronda a porta para tirar a limpo se o gajo ainda tem coragem de usar aquela camisinha salmão! Como fazemos com aquele vizinho do bairro antigo, lembras? O que lavava o carro de pullover rosinha...

- Eu não faço nada disso, nego! E tu estás é à rasca por eu ter descoberto o Tony. Sabes o que te digo? 

- O quê meu lindo? - Diz no tom mais doce, enquanto agarra numa manta e na minha almofada...

- Que é provável que tenhas RAZÃO. - E puxo-a pelos glúteos até estar colada a mim.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Season of the silly




De um lado da Circular outra, porque segunda faz sempre pressupor que há uma antes, vivem-se os tempos da Inquisição e da caça às bruxas. Ferro, fogo, lágrimas e cheiro a carne queimada e carne gangrenada e, de uma forma genérica, a podre. Intenso. Do outro lado da estrada, reabrem-se os poços virtuais dos quais se julgava terem encontrado os respetivos fundos. Desde a multifacetada Illona Staller que não havia noticia de algo tão profundo. Às malvas a contenção, o novo modelo, a formação e tutti quanti. Reconvertem-se à pressa os berçários, já instalados, em bunkers, tal é a quantidade de bombas anunciada.

Entretanto, a Norte, gozam-se dias de Sol, em soberbos escaldões amansados por águas tépidas, enquanto se aguarda tranquilamente que passe a silly season e recomece o carrossel de emoções. Tranquilamente recostados nas almofadas de um trabalho sereno e em progressão, embalados pelo balançar suave do barco em águas calmas, de continuidade, por oposto à turbulência das mudanças bruscas e mal-enjorcadas. Certo?

- Oh Silva, mude lá de metáfora que já estou a ficar sonolento...

Errado! Quer dizer, maijomenos certo, aparentemente, para quem trabalha, mas completamente ao contrário para quem bitaita. Andamos entre o cataclismo, o purgatório e o fim do Mundo em cuecas. Por motivos vários, cada qual menos relevante que o anterior e, seguramente, de maior interesse que o seguinte. Afinal, não somos menos que esses malandros da Capital. Se eles podem andar entretidos, nós também podemos. Aliás, não só podemos, como arranjamos maneira de nos entreter muito mais e muito melhor que eles. Pimbas, embrulhem Mouros!

No topo da lista, temos logo o Emplastro Gate, que motiva bloguistas, adeptos, comentadores, enfim, a Nação  em geral. Como isto se tem arrastado e não há meio de se saber se o tipo vem ou não para Norte, já há quem tenha passado à segunda fase: Se vem ou não, já não importa. O que importa é se houve ou não proposta. Aliás, não é uma dúvida. Houve! É seguro. E isso, só por si, é arrastar o brasão abençoado pela lama.

Claro que, vendido por um camião de dinheiro o Danilo, precisamos de um defesa direito. Claro que um dos problemas apontados o ano passado é que tínhamos malta demasiado nova, sem experiência no nosso Campeonato, precisávamos de gente com raça e experiência e, vá, alguma qualidade, que dá sempre jeito. Claro que o Emplastro, para além de uma besta do tamanho do rabo do Pedro Henriques, - pronto, ok, estou a exagerar um bocadito, coitado do Emplastro - também é, provavelmente, o melhor defesa direito a jogar por cá, depois daquele que despachámos para Espanha. Claro que, ao que se sabe, nos propomos investir uns 16 milhões para que o tipo venha jogar para aqui nos próximos quatro anos. Até pode ser que um dos quatro seja mais de pré-reforma que outra coisa. Um desastre!! Nem de propósito, publica-se hoje uma entrevista que parece que prova que se tens a Mística certa, então primeiro tratas dos papeis da reforma, ou de renovar o contrato ou lá como chamam a isso, e depois dizes o que te der na telha. Afinal, ninguém leva isso a mal aos velhinhos. Maldito Emplastro, desastre!

Desastre porque podíamos arranjar melhor por menos dinheiro? Não. Porque não tem as características que andamos um ano inteiro a dizer que faziam falta? Não. Porque não o vamos vender por outro camião de dinheiro? Sim, isso mesmo, mas é só uma das razões, dizem os indignados. Muitos dos mesmos que gritarão, porque já gritaram, gritam e não há nenhum motivo que os leve a parar de gritar - e bem, já agora! - acabou-se a margem, agora é ganhar ou ganhar, já! O dinheiro não é tudo! Quer dizer, excepto no caso do Emplastro...

Ah, mas essa não é a questão, explicam-me condescendentes. A questão é o sangue azul, a mística. Antes de mais, quero aqui deixar claro que não conheço essa senhora. No entanto, assim às primeiras, acho que deve ser boa, boa, boa. Se não três vezes boa, então deve ser uma puta. Pá, desculpem lá o preconceito e isso tudo, mas é o que penso de uma gaja que aparece nas conversas todas a propósito de tudo e mais alguma coisa. Por um lado, parece que é o anjo salvador. Ela e o seu eterno mais que tudo, o ADN. por outro, diz que é por não parar em casa que andam os homens todos a alucinar e umas quantas mulheres também. 

Portanto, o Emplastro não é místico. Pior que isso, é! Mas é dos da mística do demo. Porque aprendemos a vê-lo a defender a camisola que veste, e que detestamos!, a encarnar o horrendo espírito que aquele invólucro da cor do Inferno representa. Porque já se sabe que a família do tipo era toda lampiona, desde os tempos em que o Gaspar Ramos andava embarcadiço com os Descobridores Espanhóis. Certo? Errado! O anormal aterrou no Colombo, como podia ter aterrado em Vénus. Poderá ser que defende a dama com que se deita, independentemente da sua cor? Não nos interessa, desta vez... Porque o que nós aplaudimos mesmo, é quando raptamos malta íntegra. Como por exemplo, deixa cá ver, o Moutinho. Que soberbo jogador, que magnifico profissional, que portista dos quatro costados. Tudo verdade, não ironizo. Sendo que era do sportém desde canino e passou uma série de tempo a choramingar que queria ir embora do clube onde estava. Choramingou, bateu o pé, fez birra e cara feia, até nós, qual UNICEF, o resgatarmos. Assim mais coisa menos coisa, como um tal de Martinez com alcunha de dança nos tem feito ano após ano.

- Epá, oh Silva, nem fales nesse individuo! Acabaram os gajos que suam a camisola, que comem a relva, que detestam os adversários e não os abraçam quando levam na corneta. Onde estão os jogadores que os outros odeiam só porque são nossos? Agora anda tudo aos beijinhos. Não há homens como antigamente. Esses não tinham preço...

Ou então custam 16 milhões por quatro anos...

Mas este é o factor agregador: Todos contra o Emplastro! Emplastro na rua já! O Emplastro cheira mal! Mas também há o que nos separa e divide. No canto da direita, de calção castanho, a malta que acha que vamos direitinhos para a segunda divisão.

- Eu não quero ser ranhoso, mas achas mesmo que é com Licás e Josués que isto se faz? Ou Oliveiras e Andrés, é a mesma treta! Sai meia equipa, os melhores, claro, e é com esta malta que isso se resolve? Onde anda o guito de tanta venda? Eu digo-te Silva, anda nos bolsos dessa chusma que por lá paira. E depois ficas aqui tu, e fico aqui eu, a ver ojoutros cheios de gás: Ele é Coentrão, Mitrovic, Markovic e itches em geral; ele é o Ruyz e para lá estar o Juses, alguma coisa lhe prometeram. E não são como nós pá, não os viste vender Williams, nem Adriens, nem Coisos. Ninguém, na verdade! Mais um aninho à seca, é o que te digo...

É engraçado que estes são muitos dos que clamam pela Mística e pelo ADN, que cerraram fileiras contra o FC Oporto, com tanto espanhol que metia nojo. Acho até alguma graça às lágrimas que vertem pelos Casemiros e Olivers da vida. Ah, mas tranquilos, que já se apontam baterias ao Kinder - masparakékestegajoservepa? nãochegavajáumAdriancarago? - e ao guarda redes que não é preciso para nada, até o nosso problema ser não ter um redes com categoria para o FCP. 

Mas a alegria é infinita. No canto da esquerda, de calção branquinho com detalhe azulinho cueca, temos os gestores de tal brilhantismo, os treinadores de tão elevado calibre, enfim, fulanos que é do melhor que o Mundo tem, incluindo as crianças. Estes, não só vendiam mais uns quantos, como eram Campeões do Mundo com o plantel dos iniciados. Ou lá perto. 

- Defesa direito? Ricardo e Vitor Garcia. Defesa esquerdo? Rafa. Centrais? Lichocoisovsky, Reyes, Indi e maijakele miúdo do Rebordosa, muito bom. Avançado? Gonçalo, claro! André, claro! Bombakar, para a Taça da Liga. Médio criativo? Para quê? Com o Leandro e o Chico Ramos não precisamos de mais ninguém. Formação, mística, garra, adn, portistas a sério! Era como começar um jogo com Baia, João Pinto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Murça; André, Jaime Pacheco e Oliveira; Jaime Magalhães, Seninho e Gomes. Quereis melhor?

Daqui a um mês estão agarrados às caixas de comentários dos blogues a sério, a exigir a Champions e a agoirar mais um ano de seca. Sim, agoirar! Ah infiéis, eu também lá estarei para vos atormentar.

- Sabe que mais, tasqueiro? Você é sempre a mesma coisa. Desanca para a esquerda e para a direita e é muito raro comprometer-se. A sua opinião, para depois o virmos nós desancar, está onde? Parece os Bloquinhos, oh caraças! Você é contra, pronto. A favor do que seja, ninguém sabe, só se sabe que é contra... Vá bardamerda homem. E dê-me um pratinho de dobradinha de choco, que lá nos petiscos não falha, valha-lhe a Santinha.

...

Telegráfico:

Jackson: vá para onde quiser desde que fiquem cá 35 milhões. Em dinheiro apenas ou dinheiro mais Oliver (siiiiiiiiiiiiim!). De outra maneira, deixa-te estar descansado Cha Cha Cha Rolando. Isto sem agradecimentos prévios, nem ódios posteriores. Os funcionários são contratados para funcionar. Este funcionou bem.

Maxi: sou fraquinho no FM, pelo que entre 12 milhões mais ordenados por um moço do Torino que não conheço (para o bem e para o mal); e 16 pelo Emplastro... É para ganhar já! Certo?

Sérgio Oliveira: tenho tido wet dreams com este tipo no lugar do Herrera. No nosso meio-campo! Panascas do caralho! Eu nem conheço o Herrera! É só o Lopetegui agarrar no moço... Oh, deixem-se de cenas, javardos pá!

Pione Sisto: estou só? mais alguém está a pensar em 2017/18? Ou será que o puto tem netos? Mas bem, eu também gostava do Iturbe...

...

  

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tablas rondatas tontos calimeros, tetas rabioskis. E uma lista.


- ... E o tipo acabou ali, entalado entre os que supostamente comandava, e que queriam que ele os safasse mas à maneira deles; e os outros, que sempre tinham sido o inimigo, mas que agora pareciam estar dispostos a ajudar o gajo a salvar-se, assim ele os salvasse também. - Aproveito a pausa para interromper:

- Dois finos tão gelados que corariam o Chico Buarque. Já vejo que também são seguidores do GOT.

- Do quem? Vai pró sportem esse? - O da mesa ao lado intromete-se:

- Não Silva, acho que estão a falar do António Costa, ou assim...

- Se você se metesse na sua vida é que era bonito, não?! - Responde a sorrir e com voz de fadinho de cuspir pro lado o segundo conversadeiro. - Quero lá saber do Costa pá!

O primeiro retoma o fio:

- Cambada de ignorantes. Estávamos a discutir a questão Grega... - Faz-se-me luz:

Oh no! They killed Jon Snow. Bastards!!!


...

- Sande Club e uma imperial, que aqui não servimos finos, tulipas ou príncipes a mouros lampiões. - E pisco-lhe o olho.

- Pois sim, está muito bem. E também vai deixar de servir cacau quente e mousse de chocolate, que me faz lembrar a camisola do FCP e deixa-me mal disposto. - E ri-se de mim. Ou para mim, o que no caso vai dar ao mesmo. Uma transeunte do outro lado do passeio prende a minha atenção por um instante: 

- Uiui, olhe quem ali vai. A sua amiguinha imaginária...

- Oh Silva, você deixe-se disso que ainda alguém o ouve. Olha que parvoíce! Mal cumprimento a rapariga. - Ajeita-se na cadeira da esplanada, repentinamente desconfortável. - A moça é simpática e educada e eu retribuo de igual forma. Nada mais, pelo amor de Deus.

- Mas é evidente, meu caro. Estava mesmo a meter-me consigo. Até porque, sejamos sinceros, é muito boa rapariga, mas é feia como a traseira de um acidente ferroviário. - Exagero para o provocar. Os olhos dele perdem-se por um instante no contorno cada vez mais pequeno no fundo da rua. Suspira inadvertidamente:

- Aiai, ainda nem tive tempo para saber se é feia ou bonita. Mas com aquele rabo, para mim é linda! E você é muito esperto, como o assunto não lhe convém, põe-se a desviar. Mas a mim não me leva. É uma camisola feia, muito feia, ai que feia!

- Não tem emblema?

- Hein?! Claro que tem emblema, olha que disparate...

- Oh, então para mim é linda! - Fim de conversa.

...

Um papel esquecido na mesa do Senhor Monteiro da Silva.

Misteriosos Desaparecimentos

* Voo MH370
* SS Waratah
* Bruce Jenner
* Maioria do Senhor Costa
* Cachecol do Senhor Varoufakis
* Vergonha na cara da Senhora Teixeira da Cruz
* Crimeia

Dobro a folha para lha devolver mais logo. Tenho que googlar SS Waratah...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Gastronomias pendentes



...Arre homem, é um ingrediente como outro qualquer. É assim que o devo encarar. Confesso que me mete algum asco, nesta figura grande e aparentemente carnuda. É maior do que eu estava à espera. Muito maior que as rãs que costumávamos mortificar naquele lago ao pé do campo da bola de Santo Eloy. Selvagens. Nós e as rãs.

Diz que isto tem umas partes venenosas, acho que é a pele. Fica já decidido que não haverá pele tostadinha e estaladiça. Antes de o esquartejar tenho que o esfolar com afinco. Portanto, as receitas de aves não se vão aplicar. Assado no forno parecia uma boa opção, bolas!

Sushi! Deve dar para fazer sushi. Sashimi disto não parece mal. E misturado num temaki, ninguém vai saber que lá está sequer. Só que eu não sei fazer sushi, raisparta! Vamos lá explorar esta ideia de o morfar assim mais em cru. Posso muito bem juntar-lhe uma cebolinha, umas azeitonas e alhos, um belíssimo azeite e pumbas, Punheta disto! Toda a gente gosta de Punheta, salvo seja. Ou então picá-lo e fazer um molho tártaro de estalo. Talvez opte por ser mais chique. Uh, que atual, ceviche para celebrar a Copa América; uh, que tropicaliente, a usar receitas do Thaiti; uh, que fino, carpaccio. Basta marinar o bicho com umas especiarias e bastante limão.

Também deve dar para fazer sopa. Deixo os olhos a boiar no caldo, a la Indiana Jones, eheheh. Ou misturo-o na Sopa de Peixe. Boa! Canja! Canja sai sempre bem! Será que tem muita gordura? Porra de ingrediente, caraças. 

Bom, deixemo-nos de tretas, se for para ser há que o engolir e pronto. Não vale a pena estar para aqui com grandes considerações. Vai na volta até é bom. Mas mete tanto nojo, chiça...

A primeira coisa que me tira do torpor é o barulho da mão dele a bater no balcão, mesmo no meio do jornal, pum! Só depois os meus neurónios se dignam a descodificar o berro:

- SILVA! Está a dormir de olhojabertos homem? Já lhe pedi uma sande de rojão umas três vezes. Não me diga que não há, que lhe sinto o cheiro daqui. Foi a patroa que fez, diga-me que sim. E acorde! Ainda está a sonhar? - Pum, outra bordoada no balcão

- Hum? Não, não, estava aqui a ver o JORNAL...

...

Há pouco tempo, uma freguesa, a mais querida das, da Tasca disse que eu parecia o Mr. Sibley, que é um tipo feio que dói, o que muito me magoou. Esta personagem está habituada a engolir um grande sapo. Ainda magoado, apresto-me a cumprir o meu aparente destino. Mas já se sabe, na Tasca é em modo gourmet...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A sapatilha na cremalheira



As tardes têm horas mortas, de duas de treta pura. 

- ... Não gramo de desportos sem bola! Quer dizer, até posso gostar, mas é de uma maneira errada. Por exemplo, gosto de ver patinagem no gelo. Mas estou sempre a torcer para que alguém se esbardalhe, para basta irritação da cara metade. Ela aprecia as piruetas de um ponto de vista estético. Cá para mim está é a apreciar os moços. O que é bastante injusto, uma vez que as moças são praticamente acabadas de largar os cueiros e têm o peito mais liso que o Senhor Monteiro da Silva.

- Isso é na Ginástica, acho eu. Mas o que raio tem isso que ver com a conversa? Estávamos a falar do preço da bicla nova aqui do brasuca...

- Um disparate profundo estarem a gastar os poucos euros que têm nessas coisas. Bebam vinho que vos faz melhor. Ou joguem qualquer coisa que tenha bola e golos e assim.

- Num é prá jogá não, Seu Siuva. É pêlo êxêrcicio né?

- Esquece lá isso! Por principio, não tenho nada contra marmanjos que se depilam, vestem lycra bastante justa e ganham calo no rabiosque. Sou um tipo bastante tolerante e razoavelmente openminded. Mas não consigo compreender o objetivo.

É como a moda de desatar toda a gente a correr que nem uns doidos. Nada de confusões, eu também corro. Se vier alguém atrás de mim ou se estiver atrasado para apanhar a carreira de Santa Maria da Feira e isso. Ponham o cão do vizinho desmandado a querer ferrar-me e logo veem porque é que me chamam o Usain da Murteira. Mas para nada? Não entendo. 

É que mesmo no Atletismo, se repararem, há o "Tiro de Partida". Quer dizer, os gajos só correm porque os neurónios lhes dizem: Dasss, ouviste aquilo? Foi um tiro, caraças! Raspa-te já daqui antes que te acertem... Nada de ah e tal, vou ali dar uma corridinha, só porque sim, sem ser para chegar depressa a lado nenhum, nem tão pouco para fugir de coisa alguma e ainda menos para escapar à policia ou à malta do Magalhães Lemos, que de facto devia era andar atrás destes doidos perigosos. Nada disso, é porque faz bem à Saúde! Faz, faz, então não faz? Sobretudo em janeiro, quando cai aquele granizinho bom ou em dezembro, a meter as patas nas poças todas e a ficar com os butes bem encharcados. Nada melhor que uma pneumonia para um gajo ficar rijo como um pero.

Mas se querem insistir, encantado da vida. No entanto, parece-me que deviam evitar ajuntamentos e horários em que as pessoas normais andam na rua. Acham mesmo boa ideia porem-se a correr no passeio à frente do Mercado em dia de...mercado? A sério que não são as couves transgénicas que estão a aluar. Nem sequer é o peixe de aquicultura que quer dominar o Mundo e desatou a saltar das sacas das velhinhas e a traçar-lhes a perna. É mesmo por causa dos vossos encontrões. E aviso já, se me voltam a bufar e a fazer cara feia por não sair da frente, enfio-vos um par de lambadas com um talo de couve galega. 

- O homem anda de bicicleta, irra! Não corre! - Há um laivo de irritação no tom, claro, mas nada que se compare com o do olhar. Gosto disso!

Outros que tais. Aliás, piores. Olha querida, são cinco da manhã e uma vez que não tenho que ir bulir já me apetece levantar ainda é de noite. Vais cavar batatinhas no quintal? Naaaaaaaaaa, vou andar de bicicleta! Sim, porque tenho dejanos de idade e o que eu gosto mesmo é de andar de bicicleta. Para além de que faz bem à saúde. 

Pimbas, lá está a confusão de novo. Como não fazem ideia nenhuma do conceito de "fila indiana", estes arriscam-se ainda mais que os outros a darem cabo da saudinha que tanto apreciam. Então mas como é que hei-de pedalar no meu lindo veículo de duas rodas, sem motor, numa Estrada Nacional? Na cunbersa com os outros lunáticos da minha estirpe, é evidente! Aí está algo que é difícil fazer em fila, uns a cheirar os traseiros aos outros. Uma pessoa para falar com outra, mandam os mínimos da educação que o faça, pelo menos, lado a lado. Se o assunto concerne três ou quatro, pois não há nenhum problema, ocupa-se a via por inteiro e já está. Afinal, as estradas fizeram-se para poder haver a Volta a Portugal, certo? Senão eram para quê? Para esses sacos de colesterol automobilizados passearem as suas panças? Naaaa, não pode ser! 

Só podem ser tolinhos. Paaaaa, vocês nem pára choques têm, nem um capacete à homem, como os das motas. Nada! No máximo uma daquelas cenas que parece uma rede pós rolos da minha avó. Que é que vos vai na cabeça rapazes, hein? Porventura enquanto pedalam pensam: Olha, lá vem um. Deixa-me ziguezaguear furiosamente à frente dele. Deve pensar que a estrada é dele, o porco. Vou já aproveitar para ensaiar uma fuga inolvidável deste pelotão imaginário, bem pelo meio da via. Pumbas, ninguém me agarra, já oiço a multidão. Ou então vou ali falar com o Gelson e o Nalgas, nós os três lado a lado, irmãos do pedal, coisa linda. E se este me acertar é muito bem feito para ele! Vai-se a ver caio mal, bato com a cabeça no lancil do passeio e fino-me que é para aprenderes, automobilista de um cabrão. 

Se ao menos fossem gajas de Ermesinde...


...

Ele está à espera à porta, com um cigarro já no filtro entre os dedos. Apanha um dos sacos que carrego. Diz:

- Bom dia Sô Silva. A abrir mais tarde hoje, hein?

- Mercado. Demorei uns vinte minutos a lá chegar por causa das bicicletas. E mais uns quantos a mais a voltar, por ter ficado a ajudar uma senhora que foi atropelada por um tipo a correr. Sem matricula. Até acho que, no meio da confusão, acabei por trazer uma couve galega que não é minha...

- Pois... - E põe-se a assobiar uma melodia familiar. 

- Onofre, é uma bica, sim?


...

PS. Com abraços para o compadre Zé, bicicletista assumido e atleta de uma maneira geral; beijos apertados para a mais velha e as suas (nossas) corridas; e desculpas generalizadas a todos os que acabarem por se ofender de alguma maneira com a catarse.
Há poucas possibilidades de eu abrir a porta para cima de vocês quando nos cruzarmos na estrada. 
Ah, e o aceno não é Olá, é Sai da Frente. Depressa. :)

domingo, 14 de junho de 2015

Prato do Dia: Catharsis Pie (com batata doce)



Aviso já que não estou a gostar nada da maneira como isto se está a desenrolar na minha cabeça. Passo os dias a explicar a toda a gente - na verdade a mim, mas acho que tem passado despercebido - que é tudo magnifico e extraordinário e coisas. E é mesmo, está claro. Mas não me tem parecido nada disso. A mim. Para mim. Raios, a casa é minha, posso ser egoísta até onde eu quiser. Estamos entendidos?

- Oh Silva, barafuste o que lhe apetecer, homem. Mas a malta já almoçava, se não se importasse muito...

Comedores de um cabresto, só pensam em comida. As pessoas estão bem é a enfardar. Nasce-lhes um rebento, pumbas, enfardam para comemorar. Morre-lhes um velho, ai que grande tristeza - lágrimas, lágrimas - mas o avô não pode aqui estar o dia todo sem comer. Espere lá que vou ali à Tasca buscar-lhe um panadinho ou assim. E traz-me um copo de três, filha querida. Tinto.

- Eu acho que vou almoçar a outro lado...

Bah, deixem-se estar. O empadão está só a corar um bocado.

Se quisermos ser muito honestos, é um empadão bastante normal. Nem se percebe o buzz à volta disto. Na Tasca gosta-se de carne e, por isso, mesmo sendo o elemento mais previsivel do prato, tem-se o cuidado de o comprar de boa qualidade e inteiro. Manda-se picar duas vezes.

Para começar, salteiam-se cogumelos shiitake num fio de azeite, com umas folhinhas de tomilho. Junta-se uma cebola média e uns dois ou três dentes de alho. Depois a carne, até tomar cor. Já sei que não é preciso tanta. Mas só sei fazer esta quantidade e não fui eu que mandei a frieira para a Muçulmânia ou lá onde fica aquilo. Agora sobra, pois sobra, fazer o quê? Oxalá fique cheia de remorsos pela comida que atiramos ao lixo. Sal e pimenta, naturalmente.

Agora é começar a acrescentar tomate como se o Mundo acabasse amanhã. Na Tasca, poupa-se na polpa engarrafada e tritura-se do pelado. Umas oito colheres do segundo para três ou quatro do primeiro. Água para ter molho. Conversamos daqui a uns quinze ou vinte minutos.

- Oh Silva, se fizer esparguete dá Bolonhesa, não?

É este tipo de abrunho que me tira do sério. Quem lhe espetasse uns puñetazos, a modos como se fosse o banco de suplentes do Restelo, é que era uma pessoa como deve de ser. Um tipo a dar-se ao trabalho de partilhar a melhor Pie do Universo conhecido e a besta a falar em Bolonhesa. É claro que isto de ser a melhor não está certificado por nenhuma organização independente. A bem dizer, neste momento, nem por uma dependente. Que acho que já não vai fazer parte do próximo IRS, a estúpida. É indecente fazer isto a uma pessoa, depois de uma resma de anos a contribuir para o reembolso, deixa-me assim na mão. No entanto, contínua a não ser Bolonhesa, seu anormal.

É preciso fazer puré. E o truque é fazê-lo com batatas doces. Um quilo e umas cem ou duzentas gramas, para oitocentas de carne. Pode ser novecentas. 

- Ah, então é esse o segredo?

É chamarem-lhe o que vos apetecer. Se puré de batatas vos parece a oitava maravilha, vocês la saberão. Tristes vidas, chiça. O que é importante, é não acrescentar às batatas esmagadas mais que duas ou três gemas de ovos, para lhe dar a corzinha que está agora a ganhar no forno. A carne em baixo, as batatas em cima e rapa o tacho. Ou enraba o gajo, conforme tenham aprendido a música. Quero lá saber.

- Boa tarde senhores. Qué frô?

Olha, monhé dum cabrão, tu e os teus primos ponham-se finos com a miúda. Tajóbir bem? Não a tratem nas palminhas não, se querem ver eu a cair-vos em cima, seus filhos da puta cheios de dólares...

- E eu.
- E eu.
- E eu.
- Até eu, Silva.

É a Tasca inteira, infiéis. Pior que os Cavaleiros do Apocalipse! Tenham muito medo e comportem-se. E vocês, aproveitem que está pronto. 

Não volto a fazer esta porra até vires cá para a comer, estás a ouvir? Merda para isto.

...

Soundtrack to Katharsis (reader discretion advised...muito. E desligar os aparelhos da Casa Sonotone também.)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Enjoy the silence.



- Que é isso, miúdo? - É certo que sei que é uma espécie de jarrão branco, com uma tampa, decorado com o que parecem ser flores azuis e uma espécie de pássaros. A pergunta é mais o que raio está o puto a fazer com isto aqui.

- É um jarrão, Silva. Quase, quase igual... Acho que nem se nota a diferença. - Responde enquanto analisa bem de perto a peça. Cheira-me a esturro.

- Ora, isso vejo eu, obrigadinho. Mas porque recarga de água andas com isso para trás e para a frente? A mãe não sabe disso, pois não?

- Claro que não! - Diz ele. E aperta o seu precioso pedaço de cerâmica contra o peito. - E não vai saber, combinado?

- Xiii, temos história. Conta lá isso...

- Oh Silva, se visses ontem... A bola vinha redondinha. Foi cá um tiraço à entrada da sala, tau! Sem deixar tocar no chão, direitinha ao ângulo da porta da varanda. Lindo! - Os olhos brilham, suspendendo a preocupação por momentos.

- Ouch! Pumbas, direitinha mas é ao jarrão chinês made in Caldas. - Sinto a palma da minha mão acertar-me na testa.

- Não pá. Isso foi o ricochete no reposteiro. Merecia ter entrado, mas esbarrou em cheio na barra...

- Na trave do reposteiro...

- Pois, mesmo na quina. E catrapumbas, ressaltou para o vaso que a avó deu... - Volta-lhe a sombra de receio.

- E ninguém deu por ela ainda?

- Não! - Alegra-se. - Apanhei os caquinhos todos. A mãe quando chegou vinha ao telefone. Devia estar a discutir com o Sonkaya da vez. Depois apareceram os avós e ela ainda estava ao telefone. A avó abanou a cabeça e disse "ai minha querida filha" e o avô disse mais alto, por causa do aparelho dos surdos que ele usa, sabes Silva?, "não fui à bola com aquele tipo. O outro, o turco, ao menos era simpático". E eu estava à espera para contar do jarrão. Mas aí a mãe desligou e disse ao avô que ele não tinha nada que fazer comentários. A avó suspirou que era melhor tratar de fazer qualquer coisa para o jantar, a mãe ficou logo cheia de dores de cabeça e o avô pegou em mim e levou-me para o treino.

- Moita carrasco sobre a jogatana dentro de casa. Muito lindo isso, meu menino.

- Oh Silva, não tive oportunidade. Quando voltei, pensei que ia ser do bom e do bonito. Mas a avó já tinha os pratos prontos. A mãe comeu pouco e disse que a chefe dela devia era casar com o novo Sonkaya, que estavam bem um para o outro. A avó repetiu "ai minha querida filha", o avô abanou a cabeça e eu comi tudo até ao fim, para não repararem em mim. A mãe deu-me um beijo porque ia descansar e que amanhã, quer dizer hoje, estás a perceber Silva?, íamos os dois ao cinema. A avó colou na novela, o avô já estava a adormecer no sofá...

- Uma sorte hein?

- Pois, acho que sim. Andava tudo aos gritos e às turras uns com os outros e nem deram por mim. Então eu pensei que hoje podia era passar na loja do Senhor Ibrahim e ver se ele tinha um igual. E tinha, Silva. Quase igual. - Admirou a coisa abraçado a ela, com um sorriso de alívio. - Acho que passa. 

- Não sei se posso compactuar com essa mentirinha, puto. - Cresço para a minha idade.

- Vá lá Silva! Gastei quase todas as moedas do meu mealheiro. Que mal tem? Fica lá o vaso, ou jarro, ou lá o que é isto, à mesma. 

- Não é lá muito honesto, pois não?

Ele pensa. Levanta a tampa e volta a pô-la no sítio. Encosta a cabeça ao jarrão. Olha-me:

- Oh Silva, estavam todos a falar ao mesmo tempo, sobre as coisas deles e os problemas e quem era bonzinho e quem era mau como às cobras. Achas que devia ter interrompido e chamado a atenção para mim? Assim eles trataram das chatices deles, eu tratei da minha. A coisa fica lá no lugar onde estava a outra, a avó não fica triste, a mãe não se arrelia e ainda vou ao cinema! Os Vingadores, espero que seja para ver os Vingadores...

Calo-me. Passo o pano no balcão, só pelo hábito. Penso na Scabia a sussurrar enjoy the silence, recito de cor take the time just to listen/ when the voices screaming are much too loud, penso que aquela criança não é minha e, por isso, posso ser sincero, já que não me pesa o fardo de ter que a educar. Ou então isto é educá-la, não sei. Digo:

- Fica entre nós puto. Quando os adversários se engalfinham uns com os outros, é inteligente estar caladinho e tratar da nossa vidinha...

...

Faz uma festa na cabeça do cachopo, estende-me um aperto de mão firme, sorridente e suado, dá uma palmada no balcão, enquanto se senta e metralha palavras, sem pausas para diferenciar assuntos:

- Venha de lá um 3 Marias estupidamente gelado que caloraça Que é isso que aí tens rapazola É engraçado a minha velhota havia de gostar de um desses Oh Silva, então e o Jesus uma confusão aquilo hein?

- Não faço ideia, amigo. 

- Você não faz ideia? Era a primeira vez! Desembuche praí que eu gosto de o ouvir. Que me diz?

- Nada. Calo-me e oiço. Shhhh...

domingo, 31 de maio de 2015

A Taça da Liga é E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R!




Caros Vocês,

Eu andava enganado. Olá se andava. Tirando duas finais que o FCP jogou, e perdeu!, nunca tinha prestado atenção a esta coisa da Taça da Liga. Quer dizer, acho a sua piada aos jogos que o Porto faz, pela oportunidade de ver jogar a nossa equipa B+. Nem é bem a B, nem chega a ser a A. Assim a modos que uma gaja que nem é tão boa que se lhe queira saltar para cima, nem mete tanto nojo desse ponto de vista que nos apeteça ir tomar copos com ela e abrir-lhe a nossa alma.

Mas isso era tudo. Via o Quintero ser dos melhores em campo do nosso lado, o Ricardo fazer o lugar do Reyes na lateral direita e estava despachada a Taça da Liga. Até que na sexta feira, dia 29 de maio do ano da Graça do Senhor de 2015, a minha opinião passou a ser a que está expressa no título acima.

Não é que tenha visto o jogo entre o 5LB e o 5 Funchal e Benfica, não. Dado disputar-se à mesma hora, sensivelmente, o clássico entre o Royal Buthan Army FC e o Druk Pol FC, para a Liga do Butão, escolhi o jogo mais importante e perdi o dos dois Benficas. Para minha felicidade, no entanto, pude seguir via rádio o Pós-Match. Se alguma de vossas excelências pôde experienciar o mesmo, queiram fazer-me o favor de confirmar, ou desmentir, os considerandos que seguem. Mas façam-no MESMO, a bem da minha sanidade.

Primeiro facto interessante: O meu rádio dessintonizou-se misteriosamente e saltou da Antena 2 - sim, eu oiço música barroca enquanto vejo equipas do Butão a jogar à bola, porquê? - para a TSF. Acho que alguém tinha marcado um golo contra dez, por isso presumi que fosse o Benfica de Lisboa. Era. 

O Costa Monteiro diz qualquer coisa como "bem, eu antes já tinha dito que estava acabado e enganei-me, por isso não vou é dizer nada!". WOW! Foi preciso esperar até à final da Taça da Liga para ouvir o tipo gaguejar qualquer coisinha de jeito! Caladinho é quando tu acertas mais Monteiro, pensava ele com os seus botões. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Mas tu queres ver que há um je ne sais quoi nesta coisa da Taça da Liga, Silva?

Resisti uns minutos mais, mas acabei por voltar à referida emissora, já o jogo tinha acabado. Vem o João Diogo, jogador Madeirense, como as espetadas em pau de loureiro, para abrir as flash interviews. Diz o João: Ah e tal, ficámos com dez e foi mais difícil. Mas cada jogador do Marítimo (5FB) dobrou-se... 

Espeeeeeeeeeeeeeera, afinal isto da bonomia, da descontração e relaxe desta competição, torna as coisas interessantes. A malta fica com as palavras a saltarem-lhes para a honestidade. Mas olha João Diogo, não foi só neste jogo. Vocês andaram a dobrar-se nos jogos contra o 5LB todo o ano, rapaz. Já nem deve doer, nem nada...

Entretanto, interrompem do relvado, que a Taça da Liga dá para tudo, e abrem o microfone para o árbitro da partida, Carlos Xistra. E diz o jovem, ainda ofegante: paaaa, não foi por mim que o 5LB ganhou e o Coiso perdeu...

Eu gosto de ver um profissional assumir os seus erros. Acho que é meio caminho andado para não os voltar a cometer. Mas que diacho Carlos, foi uma má noite, deixa lá isso. Já provaste em tantas outras a tua qualidade. Não é por desta vez o 5LB não ter ganho por tua causa que te tornas o pior árbitro à face da terra. Vá lá, vá lá - palmadinha, palmadinha - verás que ainda vais proporcionar muitas vitória aos milhafres. É levantar a cabeça e continuar a trabalhar.

Logo de chofre, entra o treinador insular, Ivo Vieira, e declara: Sim senhores, viemos cá para participar da festa e foi isso mesmo que fizemos. E dignificámos o nome deste e daquele e blabla cliché cliché. 

Ok, um pedacinho cinzento o Ivo e não trouxe nada de novo. Afinal, serem cabeçudos do Benfica não é propriamente novidade. Em menos de um fósforo já é a segunda vez. Olha, o Diogo disse maijomenos o mesmo e teve bastante mais piada.

Os vermelhos não devem ter dito nada de jeito, uma vez que não me recordo de terem aparecido nos intervalos destas personagens. Em compensação, os comentadores, relatadores, técnicos de som, tratadores de relvados e tutti quanti, rejubilavam com o décimo troféu mais que brilhantemente ganho pelo Jergo Juses. 

Não sei se sabem, mas o meu avô Alvarim era marceneiro. Para além de me ter deixado um gosto muito particular por lápis de forma sextavada, que nunca mais vi, é possivel que me tenha inculcado este gosto pela aritmética simples. E então pus-me a fazer contas: Dez títulos em seis anos,não chega a dois por ano. Tendo em conta que nos últimos dois enfardou seis, deixa mesmo um para cada uma das épocas anteriores. Sendo que cinco - C-I-N-C-O! - dos dez, são Taças da Liga... Se calhar é só por ser bastante faccioso, que sou. Mas desconfio que não se tinha aguentado seis anos na Invicta, o mais fantabulástico dos treinadores do Universo conhecido e algumas partes do desconhecido também. 

Ainda a fazer a prova dos nove destas minhas adições, ouço a inconfundível voz do pastor desse grande rebanho - que é assim uma espécie de manada, mas com ovelhas. - vermelho. E o que diz o Juses? Pois que o Marítimo desta vez entrou mais agressivo, ao contrário do último jogo. Provavelmente usaram os jogos anteriores para aprender e desta vez deram mais luta, os maganos. O futuro ao meu Pai pertence e oh adeus oh vai-te embora. Foi.

Poooooooooooooooois claro. Então mas não é evidente que os jogos do campeonato, contra o 5LB, servem precisamente para que as equipas possam preparar a final da Taça da Liga? À partida já se sabe que lá encontrarão o hoje bicampeão nacional. Só não aproveita quem não quer! Depois é só participar na festa e dignificar o nome e levantar a cabeça e deixar boa imagem e irem todos para o transatlântico de putas que os pariu! É que não têm outro nome, chiça.

Não me posso enervar depois de jogos da Liga do Butão. Por isso desliguei o rádio e arrisquei a TV. Pumbas, nem de propósito, dou de trombas com o Carlos Guardanapo, emérito Presidente do 5FB. Para quem perdeu a Europa e mais a Taça da Liga, estava bastante sorridente. Eu também fico com aquela cara quando o FCP ganha. E se fosse Presidente do Atlético Aradense e perdesse trinta e dois a zero contra a equipa C do FCP, ficava na mesma. Ia mudar apressadamente de canal - nota mental: assinar canais pornográficos em breve, para ter alternativas reais a esta pouca vergonha. - quando oiço o homem...(SURPRESA!)... queixar-se do árbitro! 

Pronto, deu-me um mal de riso tal que a família teve que me mangueirar, como se faz aos cães quando ficam presos, a ver se não me finava de riso. Até soltei umas pinguinhas e tudo. Sim, eu sei que devia ir ao médico, por causa da idade e assim. Mas tenho receio que o doutor me tome por um jogador do Marítimo, me dobre e me enfie o dedo no rabo. Credo! 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A ronda das mesas e o pano voador



- Copo de três e sande de torresmos. Era tinto, não era?

- Sim, tinto, claro.

- Que ar abatido homem. Deixe lá isso, para o ano há mais. - Não evito um sorrisinho parvo, como tantos que tenho recebido nos últimos tempos.

- Não seja cruel, Silva. Sei lá se temos outra hipótese desta. E você parece todo contente. Tem alguma coisa contra o presunto?

- Contra o presunto, nada. Aliás, se for à terrinha, traga um. Prometo que o preparo de dez maneiras diferentes, entre ovos, ervilhas e um bacalhau de truz, de modos que até a tristeza lhe passa. Mas sim, confesso que não fiquei nada chateado.

- Não percebo, prefere ter de ir à Madeira mais uma vez? Era bem feito que perdesse!

- No momento em que o seu treinador disse que o Chaves era o 5LB da Segunda Liga, passei a torcer pelos outros todos. Madeirenses incluídos!

- Oh... - E avia o tinto de um golo só, em vez dos três. Hat-trick portanto.

- Mas olhe que pensando bem, o homem tinha razão. São mesmo o 5LB wannabe. Pumbas, arrasados aos 90 + 2! - Embrulha outro sorriso parvo!

- Foi aos 90 + 3. Traga-me outro, seu anti-transmontano primário.

- 90 + 2, 90 + 3, Kelvin, Ivanovic, Tondela, é tudo derrotas do 5LB.


...

- Abatanado, ovos com cogumelos e malagueta, sumo de laranja e panquecas. Estamos com fome, coisinha linda.

- Deixe-se de lérias, seu maroto. Já sabe que daqui não leva nada. - Distende os lábios berrantemente vermelhos, vincando as rugas das bochechas. - Estou a aproveitar, já não sei quanto tempo mais vou poder pagar o seu pequeno almoço especial. Acha mesmo que ainda podem cortar-me a pensão? Esse Coelho e mais o amigo dele, o indiano da Câmara, ou lá o que seja, são uns grandes malvados. Se o meu rico marido fosse vivo havia de lhes dizer das boas...

- Não sei, minha querida. É ano de eleições, vai ver que não cortam nada tão cedo. Se calhar nem precisam de cortar depois, não pense nisso. - Minto-lhe piedosamente.

- Deus o oiça.- Benze-se e beija o dedo.

- Mas olhe, se cortarem, ofereço-lhe o pequeno almoço especial da casa uma vez por semana. Resolvido?

- Combinado! Eu pago-lhe com umas coisinhas que fui sabendo por aí, acerca de um passarinho novo que ronda a casa da sua amiguinha dos olhos claros. - Pisca-me o olho e eu sossego.

...

- Quer que ponha a sua bica em cima de um dos molhos de papel? Ou deixo no chão? E a meia torrada? Enfio-lha pelas goelas abaixo ou vai arranjar um espacinho na mesa?

- Irra, que você é chato! - Amarrota umas quantas folhas e abre uma nesga de superfície de madeira sob a resma de papel. - Bote aí, pronto!

- E então, avanços?

- Começa a fazer sentido, Silva. Acho que isto é um continuum e não peças soltas. Preciso de algum tempo mais.

- Tempo não lhe falta, avôzinho. A menos que bata a bota no entretanto, claro. - Dou-lhe uma palmada nas costas.

- Não tenho planos para morrer, meu caro. Mas nunca se sabe se não somos apenas habitantes de um grão de pó no casaco de um ser desmesuradamente maior que nós. E às vezes, sacode-se o pó da roupa...

- Isso é que é colocar as coisas em perspetiva hein? So much for the meaning of life.

- Oh, deixai-vos estar preocupados com as vossas coisas transcendentalmente importantes. Como a cor das pessoas, a sua inclinação sexual ou quem devem tramar a seguir no emprego. No fim do dia, pode ser que vos nasçam filhos. Aí começarão a perceber um bocadinho da verdade.

- Você é um lírico. E vou mas é tratar de vida, que isso dos filhos irrita-me. Parece que nascem já aflitos para se porem a mexer...

...

Grita o transmontano, lá do fundo:

- Oh Silva, parece que o seu clube contratou outro Espanhol!

- Ai sim, quem é? - Berro-lhe de volta.

- Acho que é o Kinder. Diz que vai ser uma bela surpresa e já jogou no Real.

- Quais Kinder pa! Chama-se Bueno, sua besta.

- Kinder Bueno, Mars, Pintarolas, é tudo chocolate. - Desata a rir enquanto bate com a mão no joelho.

Voa o pano húmido de limpar as mesas...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Finalmente! Gajas escocesas todas nuas.




Há dias em que tenho pena que a minha psicóloga esteja de baixa psiquiátrica. E tenha mudado o número de telefone. De cidade também, aparentemente. Sinto falta que me diga que não tem mal nenhum, logo que não desate aos tiros a pessoas, coisas ou animais. Agora que penso nisso, reparo que nunca se referiu a plantas e minerais. Que terá a mulher contra as pedras e os arbustos?

Vem isto a propósito das eleições no Reino Unido, há umas semanas valentes. Mais concretamente aos resultados na Escócia. Vocês não se lembram, mas aqui há atrasado fartei-me de bitaitar acerca do referendo Escocês, que terminou com a vitória do  Não à independência. Uns parcos meses depois, as eleições legislativas definem, também, a composição do parlamento local. E o que aconteceu? Desapareceram praticamente todas as forças politicas, exceto...os independentistas. Nestas alturas, sinto a mente como se fosse um jogo, em cassete, do ZX Spectrum, a entrar. Faz o mesmo barulho irritante e vejo tudo às riscas amarelas e pretas, como se as calças do Mathias Jabs me tivessem tomado o lugar da retina. Credo! E navego:

" - Hey! Mas o que vem a ser isto?! - Diz ele, com o telefone dela na mão. - Um sms badalhoco do Coiso para ti?! Não tinhamos já resolvido isto?

Ela atira os cabelos ruivos para trás e semi-sorri, um pouco incomodada. Mais pela invasão do que pela indignação. Põe as mãos na cintura e diz convicta:

- Na na, meu menino. Eu disse-te que ficava em casa, contigo. Mas nunca te prometi que deixava de me enrolar com o Coiso.

- Ai! Então e o carro novo, as férias, o cartão de crédito ilimitado, o seguro dentário e tutti quanti? Bolas, foste tu que escolheste. E agora isto? Merda pa! - Atira o telefone para cima da cama, com mais resignação do que violência.

Ela aproxima-se, com o seu andar bamboleante, a calhar, por aí. Pega-lhe nas mãos e coloca-as na sua cintura. Ele sente as curvas perfeitas da anca e a textura da pele lisa. Sente-lhe o cheiro, a um tempo doce e selvagem. Ela mordisca-lhe o pescoço e diz baixinho:

- Ora querido, mas é claro que quero isso tudo. E sei bem que só tu me darás tudo aquilo de que preciso. Não te preocupes  dear, eu não vou a lado nenhum.- Cola-se a ele. Deixa os seios apertarem-se contra o peito dele. Ele choraminga, enquanto a mão passa por baixo da saia e testa a firmeza suave de um gluteo:

- Até os pelos púbicos rapei por tua causa...

- Ainda bem love, eram horriveis. E podias usar um kilt de vez em quando, hein? - Lambe ao de leve o lóbulo da orelha e suspira quando sente a mão dele no interior da coxa. Ele sussurra:

- E o Coiso? - Ela responde num gemido:

- O Coiso já usa. Adoro!"

O Sean Connery é que a sabe toda.

...


- Oh sôr Silva, e as gajas nuas? É sempre a mesma porra, chiça!

- Ah, pois. Depois ela foi tomar banho. E embora não se pudesse já ver, existe uma forte possibilidade de que estivesse toda nua.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Melão DOC ou o bálsamo imanente




Dói-me a cabeça e tenho o estômago a desembrulhar-se num novelo de enchidos em vinha d'alhos que juro que não comi. Quer dizer, tanto quanto posso jurar. Fazemos assim, juro até às duas da manhã. Depois disso, só ligando para casa para perguntar. E agora não me apetece, nem é assim tão importante, certo?

Há uns 30 anos que não ressacava assim, pelo que me dizem aí pelo Mundo cibernético. Apesar de as contas da minha idade, e os pedaços de memória que começam a despontar por entre a bruma de etanol, me dizerem que é praticamente impossível que isso seja verdadeiro, percebo o alcance da graçola e confesso que me faz sorrir. Às vezes, é dos lugares mais inauditos que nos chega conforto. E que fina ironia proporcionarem-nos alívio e ânimo, enfim, forças renovadas para prosseguir, quando o que queriam, mas mesmo!, era juntar uma achinha à fogueira que nos assa. Talvez seja azia apenas. Tenho que ir conferir o inventário das farinheiras.

Embora tenha a perfeita noção de que a minha cabeça tem, hoje, Denominação de Origem Controlada de Almeirim, já a caminho de melancia, parece que me pesa muito menos. Uma parte disto deve-se ao que me fizeram rir a maioria dos lampiões que cá vieram molhar o bico até agora. Um virou-me um abraço e pegou-me ao colo. Outro apareceu muito cedo com um Nenuco, a dizer que o cachopo só estava bem era ao colo e tapadinho com uma mantinha protetora. Mais aquele que proclamou bem alto que ele, no máximo, é heterocampeão, que isso dos Bis só se for de maçã. Têm sido bastante civilizados, mesmo que cada olhar me diga "Incha Silva, embrulha porco". Oh well, é pouco mais ou menos o que lhes faço tantas vezes. Só que eu é em bonito.

A PDI também ajudará qualquer coisinha, é verdade. É diferente comparar uma derrota no futebol com fugir pela escada de incêndio enquanto se apertam as calças; ou com o rol de coisas más a sério que a Vida nos oferece enquanto se prolonga. Cada macaco ganha o seu galho, com calma e estupidez natural. 

Melhor que tudo, é que acabo de perceber que o verdadeiro bálsamo para esta minha dor - que dói, dói pois - vem de dentro. Como sempre, é nos meus que encontro a paz.

(- É a azia, Silva. Ou o refluxo. É assim a modos que um ardor, não é? Quer que vá buscar um balde?)

Mas é que é mesmo verdade. É o sorriso contrário ao meu, que vou notando em alguns azuis e brancos, que me faz estar a ter um dia melhorzinho. O facto de um punhado destes, ou menos que isso, estar genuinamente satisfeito, tanto como qualquer lampião ou - será possível? - até mais, relativiza-me por completo a frustração. Caraças, afinal podia estar bem pior. Podia estar contente! Quase - e neste quase leiam o respeito que teimo em guardar por quem, mesmo que muito de vez em quando, se crê portista. - feliz! Por não ter sido o Porto a ganhar... Raios, que triste fado o deles!


...

- Pegue lá um Gaviscon. E um copo de vinho, antes que fique seco.

- Que é feito dos bons velhos Rennie?

- Estes vêm em saquetas e tal. É para chupar como os outros, mas engolem-se melhor. - E ri-se, pois claro. Outro é menos paciente e menos subtil:

- Falas muito, e às vezes bem, mas dar o braço a torcer, tá quieto! Não tarda estás outra vez a gritar aqui d'el Rei que os estão a levar ao colinho... Calimeros tontos tripeirus melonis, hein? - E ri-se igualmente.

- O colinho está lá, não há como esconder, nem vale a pena tentar. E o manto também, é mais que evidente. E não é novo, nem pensar. Até já tem borbotos e tudo.

- Ah, que alivio. Estava a ver que tinhas, sei lá, crescido...

- Mas também te digo, seu lampião inchado, com andor incluído, perdeste este campeonato em dois jogos. Como o do Kelvin. Nós é que não estivemos lá para o ganhar...

- Oh sim, sim, o jogo na Catedral e a falta de sorte em casa e blabla. Tem juízo moço...

- Nop. Na Madeira e em Belém. Quatro pontos, Porto Campeão. E aconteceu, só que deixámos que desacontecesse.

- A diferença entre as boas e as grandes equipas...

- Brindo a isso.

- Obrigado, Silva. Não precisas de dizer, ficamos pelo brinde e poupo-te a palavra.

- Grazie. Mas olha que vamos a caminho...