Já toda a gente falou do jogo de terça-feira, para a Liga Badajoz. Portanto, podemos despachar isso muito depressa:
Primeira parte equilibrada. Gracias San Iker...de novo. Viram como o Pedro pensou "Ai foda-se, não podia antes ser o Fabiano?"
O golo do FCP é uma canção: Abre com um fundo clássico, de sinfonia, mas há lá atrás uma fúria que se percebe. A crescer. Aperta-se instantâneo o coração, mesmo sem querer. E no segundo seguinte, o Casey Grilo enfia uma patada no pedal e a pele do bombo quase estala. Entra uma guitarra distorcida, o pescoço ganha vida. Ai se eu tivesse cabelo... Foda-se, gosto dos golos do FCP. E das canções dos Kamelot.
Depois, o anti-clímax blablabla, mais uma bela segunda parte, quase ao nível daquela. Quase. Mas bem, em que mês é que íamos nessa altura? Ena, que crescidos que estamos. Vitória, penalties blablabla. There we go, esta é a nossa competição e este o nosso palco.
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Acontece que esta parece mesmo ser a grande questão do momento: O FCP de Lopetegui não liga nenhuma à Liga Elvas. Parece haver um alargado consenso neste postulado, na sua generalidade. Que não no detalhe, claro. Para uns é a atitude, para outros a motivação, para outros apenas qualquer coisa para dizer na falta de um empate ou de uma derrota para desancar o Espanhol. Ainda na terça-feira ouvia algumas opiniões, que valorizo bastante e respeito ainda mais, e também elas coincidiam neste ponto. Pus-me a pensar: Caraças Silva, o que é que tu não kerjéber? E descobri! Nada. Só não acho isso.
Defendi antes do inicio desta época que estávamos a construir uma equipa para Badajoz. E mantenho. Este FCP está talhado para a Europa. O que é magnífico! Deixemo-nos de tretas, acham mesmo que se formos capazes de jogar ao nível dos grandes estamos a diminuir as nossas chances de ser Campeões de Portugal? Really?
- Blablabla, então porque não somos? Então porquê a diferença entre sexta e terça? Entre Elvas e Badajoz? E traz-me um pires de caracóis e um fino, muito rápido ohfaxabor! - Diz o Anónimo, no seu tom pouco simpático para com o tasqueiro.
Enfim, já se sabe que empregado é lixo e há que manter as distâncias. Percebe-se o moço. E tento, no meu pobre português, na minha dificuldade em articular dois conceitos seguidos, apesar mesmo do meu substancial analfabetismo fintabolístco - que nem fintabol sei dizer e um campo nunca vi - e sempre, mas sempre, de costas para a TV, desenhar uma espécie de opinião acerca do tema. Which follows.
(Desculpem o Francês, mas estive demasiado tempo emigrado num bidonville... Isso mesmo, a servir finos e pires de caracóis.)
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Posse, controlo, equilíbrio, intensidade, ataque, golos na baliza deles, nenhum na nossa. Isto é o que eu acho que é o nosso jogo. É isto que eu vejo, umas vezes explanado quase em full potential, outras em potência. O facto é que o FCP, neste ano e pouco de Lopetegui, está sempre mais perto de ganhar do que de perder ou empatar. Tirando o blitzkrieg, não me lembro de ter sido inferior a quem quer que seja.
Isso é normal para 95% dos jogos. É claro que seremos sempre, por mais desligados que estejamos, melhores que o Moreirense ou que o Nacional. Mas eu estou a incluir aqui o Bayern e o Chelsea, como o Basileia e o Shaktar, o Bate e o Kiev, em casa ou fora. Excepto na nossa Alésia. Deste ponto de vista, é tinto estarmos em Elvas ou Badajoz. Entramos para ganhar, para dominar e sim, fazemo-lo quase sempre e consistentemente. Independentemente de quem jogue e de quem rode.
Mas há diferenças, é claro que há. Desde logo, este estilo depende de algumas coisas que, manifestamente, não controlamos:
a) De ter uma equipa disposta a jogar connosco.
Em Elvas não há. Estão enfiados lá nos últimos trinta metros, prontos para nos enfiarem umas pauladas. No máximo, estão dispostos a correr desenfreadamente, dois ou três, para a frente. De vez em quando apanham-nos a dormir ou a plantar lírios no imenso jardim do nosso meio-campo.
Isto é efetivamente dramático para o estilo de jogo do FCP. Porque a posse e o carrossel servem para abrir espaço. Ora, se 10 tipos ficam apenas quietos a ver-nos passar e repassar, não há espaço que abra. É que por eles, tudo bem! Podemos ficar nisto o jogo todo. É pois necessário recorrer a outras armas, nas quais somos piores. Treinamos menos, estamos menos aptos a utilizá-las bem. Ainda que eu pense que estamos a melhorar neste aspeto.
Apostar em ser demolidor - e seremos, mas não como objetivo primário - contra a matemática do pontinho (vai Vassalo!), seria, do meu ponto de vista, construir um plantel diferente e bastante menos capaz de ser o que somos... em Badajoz. Há que manter o foco no modelo e conseguir comer o Danoninho.
b) Ter um campo onde se possa jogar.
Nem a dimensão, nem o estado da relva são despiciendos para o nosso futebol. Digam o que disserem, eu acredito que o sucesso do nosso estilo depende em boa parte da intensidade. E intensidade não é, para mim, apenas a maneira como se mete o pé e se distribuem bochechos à esquerda e à direita. Tão importante quanto isso, é a forma como o passe se passa. A velocidade a que a bola rola, a tensão com que roda de pé para pé. Sem pinchos. E sem conseguir rolar devidamente sobre 10 centímetros de relva. Certo, Osvaldo?
E vamos construir campos novos a toda a gente para sermos campeões? Era uma ideia, mas parece-me um pouco demorado. Em Moreira de Cónegos começámos, creio eu, a ver parte da solução desse problema. Vamos aliar números à competitividade e, quando não vai lá a bem, partimos para a violência e o esmagamento. Não vai funcionar sempre e não, nunca será o nosso estilo. Começaremos sempre por procurar jogar como se o campo fosse direito e o adversário também quisesse ganhar.
c) Ser competitivo e não menosprezar ninguém.
Tanto se irritam com as antevisões de Lopetegui. Chamam-lhe medroso ou - como ouvi terça-feira, duas cadeiras ao meu lado, DOIS MINUTOS de jogo - cagão! Todos os adversários são perigosos - e não são? - todos belas equipas, com armas para nos fazerem a vida negra. É tudo verdade! A mensagem está correta: Abram a pestanola que os tipos das camisolas esquisitas fodem-vos!
Concedo neste ponto: O ano passado tardou a passar isto para os jogadores. Depois, parece que entenderam e voltaram a esquecer-se. Ou então já não interessava, acharam que tinham perdido. Estamos bastante melhor. Muito, creio eu, por força de um André que são dois, do Danilo, de mais minutos para o Ruben, do Maxi e... oh sim!... do Iker! No lugar do Helton! Competitividade a crescer, menosprezo a descer. Claro que isto se paga com menos cavaquinho no balneário e menos sorrisos nas flashes. Oh well, life sucks...
Apesar disso, ainda longe da perfeição. Tenho cá para mim que se o Iuri Medeiros tivesse o cabelo parecido com o Sideshow Bob, tinha ido ao chão no lance do primeiro golo do Moreirense. Seria: Ai merda, este Willian se continua ninguém o agarra. É que te fodo já aqui.
Assim, foi mais: Ihihih, espera aí que o André já te fica com a bola...não, o Danilo...ah espera, vais tabelar com esse palhaço, então é o Marcano...não, o André outra vez e ainda saímos a jogar...ai o caralho... Não Vassalo, não é justo que falte!
Tudo isto são requisitos claros para se estar em Badajoz. Mas está longe de ser a média em Elvas. Mas funcionar pior, não quer dizer não funcionar de todo. E volto a lembrar que o ano passado faltaram 3 pontos no campeonato do colinho. E que desses, já recuperámos 2 este ano.
Mas esqueçam, em Elvas o Brahimi nunca passará pelo defesa lateral para encontrar o central a dobrar. Passará sempre pelo extremo, depois pelo médio de cobertura, a seguir pelo segundo trinco que vem compensar, depois, eventualmente, o lateral, até ser mandado contra os placares de publicidade por um dos três centrais.
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Malta atira-me com o Villas Boas, de quem gosto, claro. Pelas vitórias e pelo Portismo, apesar das Libras Boas.
Eu também sonho em meter a gaja boa que mora lá em casa e a Angelina Jolie na cama comigo. Mas se me pagassem o suficiente, ia antes ver uma revista do La Féria ao Rivoli. Se os sonhos têm preço, imaginem as cadeiras...
Isto dito, gostava de recordar que AVB não se mediu contra o calibre Champions. Nunca. Não por escolha, mas porque lá não estávamos. E quando era para estarmos...desandou! Falta-me saber, embora desconfie que pudesse gostar.
Também me berram que o Vitinho, que defendi sempre, apesar de algum sono, resgatou dois campeonatos às garras do 5LB.
Ainda hoje me irrita que, por vezes, a meio daquela tainada com a Angelina e a outra ainda mais boa, me apareça o Liedson a entregar a bola ao Kelvin e viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm-meeeeeeeeeeeeee. Desculpem lá, coisinhas lindas. Eu vou fumar pá varanda.
Isto dito, ainda ando a ver se me livro daquele pesadelo recorrente com o Apoel e outros semelhantes.
E por que raio passam sempre por cima do Jesualdo nestas análises? Porque será?
- Ou seja (tambores), desde Mourinho! Sim, é isso mesmo que eu estou a dizer: Desde Mourinho que não vejo um Céu tão azul. Você não se engasgue com os caracóis, homem. Quer que lhe dê umas porradas nas costas?
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Confessem, os 3 que leram até aqui (como vês, não houve mais piadas com a Angelina, meu amor), vocês andaram o post todo a cantarolar isto!
Sabem porque é que o Paco se chama Bandeira?