domingo, 8 de maio de 2016

Domingo B para tótós (Atualizado: Já está!)



Hoje jogam os B. Por norma, há posts na Tasca nestes dias, depois do jogo. Hoje faço questão que seja diferente. É antes do jogo.

Antes, porque este jogo não vai mudar nada, nem decidir o que quer que seja. O FCP B vai ser Campeão da Liga de Honra. Que foi? Cada um chama-lhe o que quiser! A mim ninguém paga para fazer publicidade. E anúncios à borla é a maior praga da história da Humanidade. Acreditem.

A grande expetativa à volta do jogo de hoje, é saber se vamos dar uma ajudinha para mandar os lampiões B para a terceira divisão. Yet another, porque já lhes ganhámos este ano. Opá, era lindo!

De resto, tenho lido e ouvido tanto disparate acerca deste jogo, e desta equipa, nos últimos dias, que não consigo ficar calado. Then again, tenho alguma dificuldade em praticar essa modalidade do silêncio. Felizmente. Já viram o que era perder-se a minha versão do Disposable Heroes, no chuveiro? É tão poderosa que nem se notam os pregos do Lars. Para além de que não troco a letra, como o Hetfield no bideócliper que vos deixo. Claro que conto com o meu gato nos backing vocals. O tom desesperado do miar do animal é uma vantagem, por comparação à fraca prestação do Kirk.

Adiante, os adeptos do FCP tiram-me do sério vezes de mais. É porque tenho o rastilho curto, talvez; ou a mania de que sou o dono da verdade, possivelmente; mas seja pelo que for, no fim do dia dá igual: Irrita-me!

Desde pérolas como "Porra pá, é uma vergonha. Então não podiam pôr os putos a jogar no Dragão? Aquilo enchia, era uma festa..." F.C.Festas at his best. Saibam que a média de espectadores no Estádio de Pedroso é de 516! Mas uma vez que podemos ir fazer uma festinha, caramba, o Dragão é pequeno. Até porque esta é que é mesmo a equipa do FCP. Isto é ser Porto. É da B que eles são mesmo, mesmo, mesmo adeptos. Desde pequeninos.

Mas consta que estarão 8.000 indefectíveis apoiantes em Gaia, mai'logo. Nada contra, pois claro. Eu não estarei, como não estive em nenhum dos outros jogos - fica já dito. Acho até bem que a malta lá vá, mostrar aos miúdos que o povo está com eles. Assim ganhem. Porque de outra forma, lá estarão os 500 verdadeiros, no próximo "jogo grande" dos B. 

Não fico incomodado que uns 6000 dojoito não faça ideia quem são os jogadores, mas fico aperreado quando noto que todos eles acham que estes meninos é que deviam ser o FCP A no próximo ano. Não fazem ideia, não pensam, não querem saber. Por consequência, irritam-me! Mas tudo o que lhes peço é que não assobiem os passes errados. Epá, para isso fiquem em casa. Ou vão ao Dragão no Domingo que vem...

É este peculiar sentido de Portismo que põe o Dragão a assobiar em peso o líder da Liga a sério, porque não joga o André. Ao mesmo tempo, pouco tempo depois, até concorda que se deve emprestar o rapaz a um clube do meio da tabela, mas com bom futebol, para ele amadurecer. Que clube do meio da tabela - isto é, entre o 8º e o 12º, por aí - é que tem um bom futebol, já seria discutível; mas metam lá nessas cabeças duras que craque não se empresta. Olha, os calimeros, há muito anos, planeavam emprestar o Futre ao Portimonense. Sabem o que aconteceu?

Por fim, mas não por menos, Luis Castro. Quem foi lendo os "Domingos B" aqui pela Tasca, saberá que não morro de amores pelo senhor. E continuo na mesma. É por isso que acho graça à caterfa de gente que agora declara o Castro muito bom, sim senhor e tal. Onde estavam há um ano? Ai, espera, já tínhamos equipa B nessa altura? 

Reconheço ao treinador o mérito de, em três anos, ter colocado uma equipa B em lugares de subida duas vezes. É muito bom. Ainda mais, sendo Campeão numa delas. Mas desconto a quantidade de "às" que usamos há dois anos. Assim como tenho claro qual foi a grande diferença do ano passado para este. Nem toda mérito do Luis. Mas isso são contas de outro rosário.

Sim, fica prometido - ou ameaçado - um balanço da época B. Agora, com a vossa licença, vou ver se somos Campeões antes do almoço. Sim, sim, pode acontecer. Não sabiam? A sério?

Oh well, façam uma grande e bonita festa, cumprimentem os miúdos, apareçam na TV, mas depois, por favor, deixem-se estar caladinhozisugadinhos. Or else...


...

Soundtrack to bulshit: Or else...


...

JÁ ESTÁ! YES, WE ARE! (menos para quem quiser acreditar que vamos perder por dozazero...)

Bem-vindo à 1ª Liga, Grupo Desportivo de Chaves!

E só naquela, quem é o PRIMEIRO Campeão Nacional de Futebol em 2015/16? Ah poijé! O Melhor é sempre o Melhor! Mesmo nas lonas :)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um pedido de desculpa à Mafalda

Faço, com grande sinceridade, um ato de contrição: Desculpa Mafalda. 

No disparate de ontem, terei menosprezado a tua nudez, enquanto manifestação do teu sentimento de felicidade e paz interior. Pensando bem, eu também vivo grande parte dos meus momentos mais felizes todo nu. E acabo por atingir uma grande serenidade algum tempo depois. Umas cinco horas. Ou dois minutos. Uma delas.

Mas eu sei que não levaste muito a sério. Afinal, só mesmo um gandaparvo menosprezaria a tua nudez. E não te reconheceria essa capacidade transcendente de influenciares, assim nua, os homens do teu tempo. E uma série de mulheres também.

Curvo-me - mas respeitosamente - a teus pés descalços. Aqui tens um humilde parvo, que mesmo estando perfeitamente a lixar-se para as tuas mamas ao léu, reconhece - por força da evidência - que o teu statement marca uma época. 

Mais que isso, arvoro-me em purista da tua corrente, em defensor da fé Primordial, no advogado do mafaldino descascanço. E berro: Plágio! Tragam as pedras, tentam copiar a profetiza. Blasfémia!

Porquê? Ora...
...

Amanheço demasiado cedo e desconto isso às cinco mil primeiras coisas que me vêm à tola. Mas a malta que faz notícias não se pode dar a esse luxo. Vai dai, é porque deve ser verdade. Espera, os familiares confirmam. É mesmo!

Luaty Beirão iniciou um novo protesto. Está novamente em greve de fome. Digo já que não percebi exatamente o motivo, mas estou solidário. Porque tenho a certeza absoluta que tem uns cinquenta mil belos motivos para protestar. Não vivesse ele numa ditadura mal encapotada, corroída pelas térmites da corrupção até às fundações. Assim uma espécie de fintabol Português.

Sobrevive, a dinastia, à força de ter conseguido - deixemos por agora os comos - a paz. O que não sendo pouco, também não é tudo.

Para além da fome, o Luaty também aposta no silêncio. Não fala, pimbas. É capaz de ser bem vista esta espécie de psicologia invertida: Toda a gente quer ouvir o que tem para dizer um gajo que não fala! Para além de que reduz substancialmente a possibilidade de dizer disparates. 

Olha eu se fosse mudo. Era um tipo formidável.

E ainda...nudez. Hã? Nudez. Pardonnez?! Nudez. O cachopo recusa-se a vestir o trapinho que for. Epá, um sarong. Na, demodé. Uma parra. Na, demasiado católico. Nu, mesmo.

E pronto, eis como a pessoa pega num ato cheio de significado, mais do que justificado, e o transforma num disparate. Pá, oh Beirão, é estúpido, mano. Vês que aparece logo um parvo como eu que, em vez de fazer eco das tuas inúmeras razões, se centra na parvoíce.

Deve haver um motivo para o Luaty estar todo nu. Deve querer dizer alguma coisa com isso, já que não abre a boca para falar. E nem para comer. Mas ninguém quer saber. Isto é, imagino alguns a elogiarem basto o gesto, só porque sim: 

Ah suprema rebeldia. Oh magnífico postal da desobediência pacífica. Ena, um Lennon do tempo moderno. E africano, yummi. Não lambas as beiças, Katy. Vá que ao que come o moço não deve estar lá muito turbinado.

- Olhe Xilva - E afinfa meia sande de bolinhos de bacalhau de uma vez - Cá pra mim, quem não é pra comer, não é pra trabalhar. Ainda por xima nu. Icho não é protexto, é lanjiche. Ah, de papo pro ar a bronjear as pendênxias...

O Berto pode ser desbocado, mas a culpa deste tipo de argumento não é dele. É do desnudo. Porque havia de se lembrar disto este rapaz?

Ora cá estou eu, em pelota para dar maior força às minhas razões. Só assim, nu, poderá o Mundo perceber quão desesperado está o meu Povo. Ou então é só porque gosto da brisa a dar- me nas partes baixas. Foda-se.

Olha, eu cá também sou assim. Também acho que toda a gente me leva mais a serio quando tiro a roupa. Acho que é medo de levarem com o barrote nas trombas. Deve ser por isso que se riem. É dos nervos. E do cagaço.

Oh well, may the force be with you, moço com apelido de licor. Só não estou a ver onde vais guardar o sabre de luz. Mas hey, cada um sabe de si. Credo.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Resumo da semana: Estiva.

Acho que é gamada ao "Publico"

Os estivadores do Porto de Lisboa - é giro reparar na quantidade de cidades que têm em si um Porto! - estão em greve. Uma greve de estivadores é uma coisa que apela basto ao meu espírito preconceituoso: Imagino um bando de gajos cheios de cicatrizes e tatuagens, encostados a uma parede, a fumar tabaco de enrolar enquanto coçam os tomates e fazem a vida negra a tudo o que é gaja que calhe em passar. Espera, vai-se a ver isso é uma claque da bola. Oh well...

Confesso que prestei alguma atenção ao caso e devo desde já anunciar que estou solidário. Até costumo embirrar com Sindicatos, dada a sua propensão carreirista, mas o discurso da malta da estiva convenceu-me. 

Nem uma vez se puseram com tretas acerca da forma correta de carregar com um contentor, ou da perigosidade de descarregar um monte de caixas ou assim. Lixaram-se para a importância social do transporte da banana e dos componentes para a indústria automóvel. Não desancaram a falta de formação técnica de supostos substitutos e nem dissertaram sobre as inúmeras competências requeridas para enfiar dois bochechos nas trombas de um marinheiro armado ao pingarelho. Ou seja, não inventaram.

A que propósito estão os estivadores em greve? Simples: Os operadores arranjaram uma empresa que fornece braços musculosos a 500 mocas. E assim sendo, ninguém tem por que pagar 1000 mocas pelo mesmo tipo de músculo. Não estando - e muito bem - esta malta disposta a trabalhar o mesmo para receber metade, resta-lhes não trabalhar de todo. A ver se os misters percebem a falta que lhes fazem. Pimbas, bem feito! É que bem vistas as coisas, este pessoal está em clara desvantagem em relação a outras artes, no campo da paralisação. Vejamos:

Os suinicultores arranjaram um banzé do catano. Foram para a Gare do Oriente assar porcos e isso tudo. O que é bastante bom para granjear a simpatia do transeunte. A ver se não fico logo mais receptivo a perceber o ponto de vista do protestante, depois de me enfiar uma sande de porco no espeto nas mãos. À borla. Pois claro que fico.

Já o estivador não pode recorrer a este artificio. Vão fazer o quê? Levar contentores para o Terreiro do Paço e alugar aquilo à hora a casais desesperados? Podia funcionar, sim, mas era arriscado.

- Oh Leandro, olha aqui tu na capa do Lixo da Manhã. A entrar para um contentor de mãos dadas com a tua vizinha do quinto direito. Xinapá...

A Ana Avoila pode ameaçar a população inteira com a sua voz estridente e supremamente irritante: "Não paro de berrar até fazerem o que eu quero, é que não paro mesmo, querem apostar?" Epá, sou o primeiro a assinar o que ela quiser!

E um estivador pode fazer o quê? Ameaçar que não manda piropos a mais nenhum marinheiro efeminado? Que não enfia duas palmadas no rabo às nossas mulheres, mesmo que as apanhem a jeito? Não resulta.

Já se sabe que podiam organizar-se em pelotão e invadir o gabinete da tutela e arrebentar as trombas a uns quantos dirigentes. Isso podiam. E aposto que o fariam com grande competência. Mas se em força acredito que estariam à altura, que isto de carregar e descarregar contentores - em parecendo que não - dá um caparro do caraças; quando se chega à questão do material bélico disponível, o G.O.E. e o Corpo de Intervenção levam grande vantagem.

Vai daí, é assim mesmo. Quem quiser que descarregue as suas próprias bananas. Olha, quem é capaz de ficar feliz é o Orelhas. Que se não dá para transportar a coca nas caixas de banana Chiquita, pode ser que volte à mó de cima a utilização do belo do pneu. Está tudo controlado pelos lampiões, credo!


...

A nossa Bárbara Norton de Matos foi repreendida numa rede social por um autarca. Em resposta a uma queixa que a própria fez, em igual sede, acerca do comportamento de um Policia do dito município. Já se sabe que deveríamos gastar algum tempo a, mais uma vez, analisar as consequências de termos tornado isto das redes no espaço (in)formal de coabitação da espécie. Mas isso não tem interesse nenhum. É mau feitio meu. E alguma vergonha alheia também. Até porque, neste caso, há coisas muito mais importantes!

Então mas porque é que a Bárbara não havia de poder estacionar o seu carrito onde lhe estava a dar jeito? Porque é proibido? Nananana, não me venham com essa! Até pode ser, mas ela está grávida de alguns 15 meses. Não acredito que continue a ser proibido para pessoas na sua condição. É que nem os doentes respeitam! 

- Oh amigo, gravidez lá é doença?

Ok, não será. Mas a rapariga tem pouca mobilidade. Se não querem saber dos doentes, ao menos tenham dó dos paralíticos. É assim que querem contribuir para o aumento da natalidade, é? Felizmente a moça não estava só. Em seu auxilio saiu o próprio progenitor. Da Bárbara, que da criança to be diz que é outro. 

- E enfiou dois bochechos nas fuças do policia, certo?

Que disparate! Então mas o Luis é algum estivador ohquê? Sacou do Iphone, clicou furiosamente e arrumou a questão com um definitivo "Incha porco, vai já para o Facebook". Oh well, sou eu que estou errado e sou um embirrante de primeira. Trata-se apenas da evolução da espécie, pois claro. De outra forma, como se explicaria que esse fosse o espaço preferido do Bruninho para arrotar a sua patanisca? 


...


INTERLÚDIO: Gandhi todo nu

Eu não sei quem é a Mafalda Matos, porque sou velho, certamente. Caso contrário, poderia bem ter andado a puxar lustro ao golfinho à pala da moça, salvo seja e desculpem a porcaria. Que digo? Porra pá, desculpem. Mesmo. Cachalote. Quais golfinho, quais carapuça.

Se não conhecem, eu apresento

(Claro que era a Mafalda. Que pensaram? Credo!)

Exatamente, a Mafaldinha é essa cachopa desnuda da fotografia que ela própria fez questão de partilhar com o Universo. Porque é que alguém o faria? PelamordaSanta, para passar uma mensagem de paz espiritual e desapego material, está claro! Havia de ser para chamar a atenção, uma vez que de outra maneira ninguém lhe liga nenhuma, kéjber?

Se vocês fossem mesmo meujamigos, seriam visita regular da minha hiperativa página no FB. E poderiam ver a foto que vou postar hoje: Silva esplendorosamente descascado. Quer dizer, as partes que cabem numa foto sem grande angular. Qual nariz? Ai o caralho! 

Mas reproduzo o texto desse meu post: 

"Nu pela Paz e pela Natureza e pelo fim da fome no Mundo e por tudo de bom para as criancinhas e para os gatinhos fofinhos e cãezinhos simpáticos e todos os bichos de maneira geral e plantas também e haja saúdinha kéuképreciso."

Incha Mafalda! Olha, um conselho, 'miga: E dedicares-te à estiva?


...

Tudo corre bem ao Trump. Não bastava ser candidato a Presidente da maior potência Mundial, sobretudo no que toca ao nível de iliteracia social - ao ponto de fazer corar de vergonha um adolescente - ainda por cima começa a ver as suas hipóteses de ganhar mesmo as eleições a aumentarem significativamente.

- Naaa! Há mais gente a apoiá-lo?

Pelo Contrário. Há gente desta a declarar-se contra. Um gajo pensa logo duas vezes. Era metê-los a todos os três num contentor e enfiá-lo numa balsa deslargada ao largo da Líbia. Não deve ser complicado de carregar. E nem de naufragar. 

Fura-se a balsa, pelo sim, pelo não.


...

Eu sei que vocês todos acham que eu tenho qualquer coisa contra as redes sociais. E não tenho. Ok, tenho umas coisinhas. De mau.

Mas, por exemplo, considero fantástico que, hoje, possamos tornar uma imagem num ícone de forma tão rápida e tão marcante. Sobretudo quando usamos esse poder para o bem.

O que me custa é que se fique pela espuma. Dói-me que os media a sério sejam um mero reflexo, em vez de serem a fonte do que circula, sem rédea, pela ciberlândia. Pelo menos, devia ser-lhes assacada a responsabilidade de irem mais fundo, para lá do que é imediato. Pessoas, é para isso que servem! E enquanto não o entenderem, continuarão condenados à morte. Na verdade, acho que já morreram e sabem-no. Cambada de incompetentes preguiçosos.

A imagem acima é forte e é importante e faz uma declaração: You shall not prevail! Again! Mas é igualmente importante - e já não imediatamente visível - o que decorreu da imagem.

- Bateram na mulher? Os porcos nazis bateram na mulher? Esses paneleiros de um cabrão!

Não, fizeram muito pior: Deram-lhe um breve, mas eficaz, empurrão e prosseguiram. Como se faz a uma mosca ou a uma formiga. Siga. Hoje, é essa a relevância que tem quem não se consegue calar. A da formiga. 

É tempo de nos lembrarmos. De tudo. E mais ainda da quantidade de chatices que milhões de formigas conseguem causar. Somos milhões? Hey, formigas, alô?!

Lá está, há gente para a qual nenhum ato carregado de simbolismo terá significado. Mas se os levarmos para um beco escuro - SEM MEDIA - e lhes atiçarmos mil estivadores ociosos, pode ser que a coisa faça plim! Ou a cabeça pum! Tanto me faz. FIlhosdumagandaputa.


...  

É preciso pensar que em tempos de tanta incerteza, a constância ganha grande importância. Não somos animais talhados para a mudança, isso é cientifico. Mudar é assustador e ninguém gosta, por muito que proclamem que sim.

É pois com grande alegria que a Tasca verifica que há coisas que nunca mudam

Abençoada força progressista que resgataste o meu País das garras da austeridade. Ou vais resgatar em breve, dá no mesmo. Por força da tua política reformista de índole radicalmente socialista, em que as pessoas - o Povo! - vêm primeiro e são, por fim, mais que números em folhas de cálculo de tecnocratas de pila pequena. Frustrados que descarregam o seu complexo de inferioridade genital nos nossos parcos ordenados. Veja-se os estivadores.

Mas ao mesmo tempo nos tranquilizas, amansando a nossa ansiedade pelos amanhãs cantarolantes com esta certeza de um cheiro novo. Para a trampa do costume.


...

Soundtrack to stowage: Obviously...

terça-feira, 3 de maio de 2016

Godspeed


É bem verdade que um tipo deve ter algum cuidado com os disparates que diz. Um pouco de ponderação não tira a piada a nada e ajuda as pessoas a comportarem-se num patamar mais elevado. E consequente. 

E depois há pessoal que é de tascas. Às tantas salta-lhes a rolha do pipo - salvo seja! - e lá se vai o fazconta co galheiro... 


...

É um case study da Economia a Depreciação do plantel azul e branco. É que nem o Dracma seria capaz de acompanhar. Veja-se:

Até janeiro, o plantel do FCP era o mais caro, o de maior investimento, o plantel de sonho escolhido a dedo pelo Basco mauzão. Um sorvedouro para os depauperados cofres da Nação Portista, para fazer a vontade ao badameco. Desde logo, continha um extremo - Espanhol, pois claro! - que nem no banco do Aljustrelense tinha lugar; um suposto Ferrari que mais parecia um mata-velhos com o escape roto; e uma estrela da Pedra e Rola metido a modelo fotográfico, que para além de receber o salário só servia para encher o Instagram do Sérgio Oliveira.

Advento: Espanhol despachado ao pontapé; seguido, em direção a vários destinos, dos 3 moços acima. Chegam dois avançados e um guarda-redes.

O plantel do FCP é uma miséria de proporções bíblicas. Houve zonas do Biafra mais ricas - e bem nutridas - que determinados setores do nosso plantel. Não há treinador que resista a este bando de pernas de pau. É assobiar a SAD, que assobia para o lado e desanca o...Basco. 

Ora aí está a Teoria da Depreciação do Capital em todo o seu esplendor. Para o lado que dá jeito.

Depois vem um atrasado mental numa roda de amigos e diz: Foda-se pá, sofremos mais golos em meia dúzia de jogos do que no resto do ano, puta que pariu o campino. 

Ui, o traste! O saudosista fascisóide! Ide buscar o alcatrão e as penas, ide. Pois se toda a gente sabe que isso acontecia porque não passávamos do meio campo: Bola para trás, para o lado, para o outro, bocejo, para trás. 

Era por isso que não sofríamos golos. E na maior parte das vezes lá ganhávamos, como se contasse para alguma coisa. Agora ao menos corremos para a frente, qual estouro de Gnus em pleno cio. E passamos a bola na direção da baliza certa e levamos golos na baliza errada e todos os que não deixavam entrar assim tantas bolas parecem a equipa de voleibol da República Centro-Africana. Nos Jogos Paralímpicos. 

E porquê? Porque o camurso do Basco deu com isto em pantanas. E vai daí os moços nem sofrer golos como deve de ser sabem. Se calhar estavam à espera que o Zé fizesse milagres e eles não piorassem substancialmente. Pfff.

O zénite da coisa é quando as correntes se juntam e assistimos a uma espécie de epifânia da Lógica Aristotélica:

O outro tinha jogadores soberbos. Com esses, tinha que ganhar a toda a gente, enquanto a movimentação da equipa deixava réplicas dos grandes pintores cubistas sobre o relvado. Ora, é sabido que isso não acontecia. Talvez uma natureza morta ou outra - ainda assim, com reservas - porventura um arremedo da pior fase de Dali, não mais do que isso. Buuu, buu, vergonha. 

Este tem uns vinte anões vestidos em fatos de Zé Colmeia. E é com esses que queriam que o homem fizesse alguma coisa? 

Como os mesmos? Então e o Tello? E o Imbula? E como marcar um golo ao Tondela sem o Osvaldo? Aaaaaah, poijé, disso ninguém fala. Pobre Zé. Colmeia.


...

Proponho hoje a fundação de uma nova corrente do saber: A Vãos'afoderamaijáslérias. 

Já sei que não fica muito no ouvido, mas tem um apóstrofo. O que lhe dá logo um ar exótico e modernista. Para além de que as coisas que ficam no ouvido ou são canções do Tony ou é cera. Ou mosquitos. Uma vez entrou-me um mosquito numórelha. Fazia cá um zumbido, credo.

Esta coisa caracteriza-se pela aplicação da Honestidade Brutal à bola. Diga-se que é a primeira aplicação da Teoria HB que pode fazer algum sentido. Todas as outras conduzem, inevitavelmente, a um monte de merda que não lembra. 

Oh experimentem lá ser brutalmente honestos com os vossos mais que tudo. Ou com os vossos patrões. Ou com o cabrão do gajo do bufete que nem uma porra de um cimbalino de jeito consegue tirar. Naaaa, era eu a brincar. Não experimentem!

Mas na bola, mormente no caso do FCP, podemos. Ele é o seguinte:

Esta época foi uma bela merda. O Espanhol, depois do Rio Ave, não tinha mais caminho. Porque andaram um ano e meio a cavar-lhe uma sepultura do tamanho das quatro vias da A25 para Vilar Formoso. Ele próprio deu umajóras à escavação, pro bono. Mais tarde ou mais cedo lá cairia. Foi em janeiro. Godspeed. 

Não havia porra de plano nenhum para substituir o tipo e tivemos que nos contentar com o Zé errado. Esse fez o favor de vir. Pelo seu ar inocente, até acreditava que não vinha para fazer de churrasco. Que era capaz de escapar às chamas e assim. Só que não é. Godspeed.


...

Resta ganhar a Taça, seja como for. Ponham o Silva a ponta de lança - sim, eu. Não o André, que isso está muito visto. - a Cremilde a dar a palestra e o Lucho a fazer a equipa. Mas é preciso ganhar! 

E depois entregar a Taça ao Zé e deixá-lo passear com ela em volta do campo de Oeiras. E aplaudirmos todos contentes e muito e entusiasticamente. 

A seguir, baixamos - alguns - ajórelhas e acenamos - olhos no chão, humildes- enquanto um grupo de sábios nos explica que o Zé ganhou mais em seis meses que o Inominável em ano e meio. Acrescentaremos, para gáudio da plateia, que até acaba por ganhar mais que o Jergo Juses. Gerar-se-à alguma tensão, pois que os sábios se ressentirão um pouco do ataque ao seu Profeta. Mas deixarão escapar um sorriso amarelecido da sua bem tratada dentadura Portista.

Por fim, diremos, brutalmente honestos: Agora acabai lá co'a puta da palhaçada. Metam mazé o campino a pastar chocas e arranjai um treinador em condições. Já fomos enrabados que chegue, carago! Godspeed.

Se não abris ojolhinhos, ligo ao meu tio que produz ananases nojaçores.

E grita um lá do fundo:

- Epá, oh Silva, eu tenho um primo que é dono de uma empresa de materiais de construção.

- E isso é fruta? Que tem isso que ver com ananases?

- Gravilha. 

Abençoada conjugação.


...

Parece que jogámos no sábado. E provámos dos nossos ananases. Ouch! Godspeed.


...

Entre o fim deste post e carregar em "Publicar", o Ranieseiro ou Peseirini ou lá como se chama o moço, foi campeão de Inglaterra. Com o Leicester. E eu penso: Oh moço, mas tu kéjber kera melhor... Naaaaa, not!

...

Soundtrack to brutality: Angry again.



quinta-feira, 28 de abril de 2016

Resumo da semana: Uma conspiração de estúpidos.



Um estúpido lembrar-se de atirar um cão de uma ponte é algo maijómenos expectável. Que seja tão estúpido que se lembre de filmar a cena, também não é propriamente uma surpresa. Neste ponto, nada mais natural do que desatar a partilhar a habilidade nas redes sociais. Porque é apenas uma estupidez. Pena tenho que o cão não lhe arrancasse um braço à dentada.

Custa-me um pedaço não ter ficado de cara à banda com a reação pronta de uma chusma de outros estúpidos: Insultaram o tipo do bungee sem elástico, provavelmente ameaçaram-no, crucificaram o gajo. De tal maneira que o moço teve que sair de fininho da dita rede social, pela esquerda baixa, e a agência que supostamente lhe tratava da  suposta carreira se apressou a esclarecer: Epá, nós não temos nada com isso. Não atiramos cães de lado nenhum. Que coisa estúpida, credo.

Como calculam, nos dias que correm, um tipo destes estar out da rede é pior do que um comunista ser degredado para o Tarrafal em 1968. Pobre estúpido, morreu lá no sítio onde a vida, de facto, acontece: Aquele em que nada é real.

Agora, os que o degredaram não me irritam menos. Pode ser da velhice, que me torna rezingão, ou do raisparta de feitio, que me faz ser contra. Mas não consigo evitar imagina-los a ver um vídeo semelhante, desta vez com um pai babado a fazer o filhote saltar para a água e nadar até à margem: Olha aqui Katy, olha. O puto do Adelino é o máximo. Destemido, o catraio. E que bem que nada, para a idade. Like.

Olha, a mim já me atiraram com uma velha, nas escadas de uma estação de comboios. E era a descer, chiça. Bem feito que falharam. Ou então foi a senhora que caiu, coitada. Mas desconfio.

Não tenho nada contra os tarados dos animais - subtil hein?! Acho que há taras muito mais estranhas. E sem representação parlamentar. 

Por exemplo, uma vez conheci um sujeito que era doido por maracujás. Quem queria vê-lo era no supermercado, na zona da fruta, a fazer festas aos maracujás, a cheirá-los, tudo com um ar bastante lúbrico. E já se sabe que o maracujá nem sequer interage com a pessoa. Está claro que não existem registos de ter atirado os ditos de cima de uma ponte. O que é bom, porque parece que o maracujá não sabe nadar. Yo.

Devia haver uma Fundação da Estupidez disposta a financiar aqui o estúpido - um vosso criado. Investigaria a forma como as redes sociais se constituíram como um espaço de partilha, de caráter terapêutico. Permitindo, pelo exemplo, a catarse da populaça. Através da amplificação - e glorificação - da estupidez humana.

...

INTERLÚDIO: Aviso

Os maluquinhos dos bichos escusam de vir moer-me a paciência. Tenho um gato com nome de cão e um cão com nome de astro. São membros de pleno direito da família e gosto tanto deles como eles de mim. 

O que quer dizer que se me chateiam, atiço-vos as feras sem hesitar. Sempre vos quero ver a correr à frente daquelas dentuças afiadas e garras cheias de tártaro. Ou talvez seja ao contrário. Vejam lá não se baldem de alguma ponte.

...

Um estúpido decidiu enfiar um balázio num cão. O dono do cão não se ficou e fez um escarcéu do camandro. Nas redes sociais, pois claro. De estúpido não tem nada.

O que vale a pena reter é a indignação generalizada com dois detalhes:

* Um tribunal condenou o caçador de cães a pagar uma multa de montante praticamente igual a uma outra, ao pagamento da qual obrigou o dono do animal. Por injúrias.

* O juiz desancou o injuriador por ter humanizado o bicho e ter feito a vida negra ao estúpido da arma. E por lhe ter chamado "assassino" e lhe ter atiçado uma matilha de estúpidos sociais.

O que deixam passar em claro, no meio da espuma, é o facto mais parvo de todos: O processo decorreu, creio que por escolha da acusação - o lado do cão - ao abrigo da Legislação Patrimonial. Quer dizer que se partiu do princípio que o bicho era património. E havia sido danificado. Isto porque a pena máxima neste caso é bem superior à que poderia ser aplicada se o enquadramento fosse a muito festejada Lei dos Mau Tratos. 

É giro que não venha a malta dos bichinhos para a rua. Mas pensar dá um bocadinho de trabalho. Pior, não proporciona nenhuma selfie fofa. No máximo, dá uma estátua de um gajo musculoso. Todo nu. Malditos gregos.

Vai dai, não sejam estúpidos. Se precisarem absolutamente de disparar contra alguma coisa - sei lá, podem ser obrigados a jantar com o Bruno de Carvalho, ou a passar a tarde a ouvir conferências de imprensa do Rui Vitória, ou serem designados para escutar todas as mágoas do Lopetegui, ou assim - nunca se esqueçam: É melhor disparar contra uma vaca do que contra um psiché. Dá menos cana e sempre se aproveitam os bifes.

- Icho é uma generalijachão extúpida, oh Xilva.

- Hã?

- Não há nenhuma evidênxia de que todajajvacaj tenham um pechiché.

...

O Presidente da Polónia veio de passeio cá à terrinha. Diz que correu tudo muito bem, apesar de estarmos perante um estúpido que defende o fecho de fronteiras. Porque o refugiado é um bicho que havia de ser atirado de uma ponte. Digo, de um viaduto, que as pontes tendem a ter água por baixo.

- Bem, isso dos refugiados tem muito que se lhe diga. Não posso deixar de simpatizar quando ele diz que podem pôr em causa o nosso estilo de vida católico.

De facto, a Polónia, esse exemplo de país católico. Sobretudo após determinada limpeza étnica, que o purgou de outras religiões igualmente perigosas, hein? 

Mas a verdade é que não preciso de ser tão incorrecto e inconveniente. Basta assinalar a diferença entre a nossa, por vezes apenas suposta, tolerância - aquela que fica bem ao lado das fotos de chinchilas adoptadas por ursos polares pernetas e assim - e o despontar do espirito Polaco.

Xinapá, confundirem os nossos com árabes muçulmanos é tramado, não é? Pois não, não é. É só tão estúpido como o resto.

...

Um jornal foi perguntar a uma manada de lampiões qual jogador preferem para determinada posição. A escolha era feita entre um Dragão e um Calimero.

Wadafuck??? A sério? Mas porque recarga de água quereria eu saber da opinião desta gente acerca disto?

Espera, já sei! Foram ouvir uma série de estúpidos sobre uma estupidez de todo o tamanho! Afinal, faz sentido: Lugar aos especialistas. E capa. Também fez capa, valha-nos São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.

...

- Agora, agora. - Excitado.

- Senhor, isto é uma estupidez. - Hesita.

- Despacha-te, olha o timming. Anda, anda. - Aos pulinhos.

- Olhe que ainda se magoa a mulher.

- Não sejas estúpido, Pedro. Eu trato disso, despacha-te. Agora, caraças. - Grita-lhe.

Puxa a alavanca.

- Ora foda-se, falhámos. A culpa é tua. Tinha que ser quando eu te disse. Porra pá! Oh, oh, olha pákilo, ainda passa o fulano por bom samaritano. Raios! - Chuta uma nuvem.

- Senhor, a velha tem o mindinho a apontar para o lado errado... - Preocupado.

- Ela que não aponte, que é feio.

- É estúpido fazer isto às pessoas, Senhor. - Ousado.

- Bah, não é como se a tivesse atirado de uma ponte, poi'não?

...

Soundtrack to stupidity: Hey stoopid!

...

Um livro, com uma vénia: Uma conspiração de estúpidos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

EXCLUSIVO: A TascaTV entrevista Maria Clara



- Ora biba, cara Maria. Ou prefere Clara?

- Maria, pela simplicidade.

- Fica Clara, por razão do meu mau feitio. Obrigado por ter escolhido a TascaTV para a sua primeira entrevista, após os desinfelizes acontecimentos recentes . Já assim de chofre: O Toni é homozigótico, quer dizer, homensexual ou isso? Panascóide, pronto.

- Vejamos, estatisticamente, é complicado dizê-lo. Por um lado, segundo o próprio, foi para a cama com mais homens do que mulheres. Por outro, isso não quer dizer que tenha ido mais vezes com eles do que com elas. Aliás, se eu for a média, então não há hipótese nenhuma, ganham as gajas. De longe. Digamos que eles podem ser em maior número enquanto visitantes únicos, mas elas dão dezazero nas páginas vistas. - Cruza as pernas e sorri.

- Sim, mas devia ser uma coisa mecânica, desinteressada... - Provoca.

- De todo! De entre os que conheci, incluindo o cabrão que apanhei com ele na minha cama, o Toni é, a boa distância, o que sabe mais da poda. - Endireita-se na cadeira.

- Raios. - Desiludido. - Mas o facto é que o matrimónio não foi ainda dissolvido. Porque não aceita falar com o homem?

- Isso não é bem assim. Na confusão da separação, acabei por não me despedir dos canários. Liguei-lhe umas três vezes para tentar ir lá a casa dar um xauzinho aos bichos. E ele nunca atendeu. Não mudei de número e ele não me voltou a ligar.

- O meliante, hein? Era maltratada, pois era? - Chega-se para a frente, interessado.

- Nunca. O Toni sempre foi um doce. É também por isso que lhe guardo, ainda hoje e apesar de tudo, um grande carinho.

- A sério? - Revê as notas. - Mesmo que ele tenha dito que você deu de frosques cheia de medo, qual bota de elástico quadrada?

- Bem, não é como se tivesse outras opções. Mas no fundo, eu até queria ficar. Mais por ele, que se estava mesmo a ver que se ia afundar. Não foi possível.

- Porque não conseguiram engravidar. Esse era o vosso grande problema, certo?

- Oh, mas estivemos tão perto. E eu sentia que este ano é que emprenhava. Uma mulher não se engana nestas coisas. - Baixa o olhar, tristonha.

- Sim, sim, deixemos as lamechices. Quem não podia consigo eram os amigos dele, diz que...

- Uns anormais. Sempre a buzinarem aos ouvidos: A gaja não presta, a gaja não fica cheia, a gaja é feiosa, becabecabeca, estavas melhor com outra. E continuam! Ainda hoje, a culpa de ele estar pior do que antes parece que é minha. Enfim, ele também lhes ampara o joguito. Mas digo-lhe, tenho pena de vê-lo assim, barbado e bisonho.

- Ao menos tem os amigos. Acha que são todos panascas?

- Vai-se a ver... Mas não, acho que são só estúpidos. Mesmo os bem intencionados. Não me vou pôr a insultá-los.

- Raisparta! Álcool, violência, detalhes porcos da intimidade, flatulencias? Qualquer coisa. Por favor?

- Nada. Um tipo inteligente, culto, muito criativo. - Sai-lhe um risinho. - Mas a parte da criatividade guardo para mim. Olhe, pergunte aos amiguinhos íntimos, quem sabe...

- Foi acusada de gastar as economias em coisas inúteis e fúteis, que nunca se usaram, algumas.

- Tretas. Para já, a arte valoriza. Depois, tinham que contrabalançar com as preciosidades que fui desencantar no sótão da avó. Ah poijé bébé.

- Corrupção? - Ela abana a cabeça, negativa. - Já sei! Droga! - Ela ri-se. - Oh, está bem. Fica assim. Acho que os media conseguem fazer alguma coisa disto...

Apagam as luzes do estúdio.

...

Ele entra em passo acelerado, esbaforido. Fala-me muito alto:

- Xinapá Silva! A entrevista da gaja foi um estrondo. Caraças!

- Você viu?

- Eu não. Mas está tudo nos jornais. Olhe para isto. - Abre as primeiras páginas, uma a uma:

" Maria Clara:
O Toni é tão panasca que dá pena! "

" Maria Clara arrasa o paneleiro "

" Tenham dó do Toni!
Clara deixa mensagem de compaixão"

- E a sua cabeça, o que pensa?

- Que é muito bem feito que se venham a saber as verdades. A ver se o larilas não engana maizagente. Pobre moça.

- Ai, em que ficamos? Você passou o tempo todo a falar mal da rapariga! Agora virou?

- Errr...não é bem isso. Haviam de perder os dois. Bem feito. Buuu, buu,  vergonha!

E sai muito corado, com o seu molho de jornais debaixo do braço.

...

O Senhor Monteiro da Silva mostra-me yet another das suas listas:

Lista de rabos escondidos POR uma entrevista:

* Sol e praia em Faro
* Cristóvão a caminho do circo
* Um poleiro só, para dois pintassilgos.
* Datas de finais ou finais datadas

- Não xe perxebe nada dechas xuas lijtach, Xenhor Monteiro da Xilva. Xá não lhe bajtava falar de uma maneira tão 'xtranha...- Arenga do balcão.

- Oh, alfacices, Berto. - Diz-lhe condescendente.

O outro encolhe ojombros e engole de uma vez o seu croquete. Com um fio de mostarda.

...

Private message: Alô, alô, não há croquetes. Esgotaram, acabaram, kaput. Faxabor de repor o stock...


quarta-feira, 20 de abril de 2016

A minha estrela


Porra pá, estou fartinho de conferências de imprensa e flashes coisos e isso tudo. Ainda nem começou a sério esta porra e já deito estes gajos todos por ojolhos, fuoda-se. Olha aquele, olha, o panasca da bolha. Deve estar para escrever lindas coisas sobre nós, deve. Ui, os gajos da Cofina também andam por cá? Tipo abutres, filhasdaputa. Oh well, tem que ser. E o que tem que ser tem muita força. Majosdentes não me vêem!

- Boa tarde. Primeira pergunta. Sim, tu aí ao canto.

- Mister, como está a correr a pré-época da sua estrela?

- Bem, obrigadinho. Como já deve ter reparado, se não for completamente tapadinho. Está mais solto, o drible já lhe sai com facilidade, o remate cada vez mais afinado e o arranque poderoso. Já se sabe que isto com os jogos ainda melhora, mas para amostra está espetacular. 

- Próxima pergunta. O óculinhos ao fundo.

- Oh mister, garante a titularidade da estrela?

- Pois claro. Até porque, bem vistas as coisas, não há mais ninguém para aquele lugar. Depois, mesmo que houvesse, vá que é o melhor do Mundo. Como se não bastasse, o meu amigo sabe muito bem que é uma escolha minha para o plantel. E se não sabe, havia de saber. Que é também para isso que lhe pagam. Digo eu.

- Next. O tipo do cabelo à mete nojo, mesmo aqui à frente.

- Não lhe parece que dar essa garantia pode até desmotivar a estrela?

- E à sua mãezinha não lhe terá parecido um desperdício ter dado à luz? É só uma pergunta, por curiosidade. Majolhe, deixe-se estar descansadinho, que ninguém aqui se desmotiva. Desde logo porque o moço gosta tanto do Clube quanto eu. Depois, porque o gozo que lhe dá ver ratazanas como o meu amigo a voltarem para os seus buracos húmidos e escuros, é motivação que chegue para mais uns trintanos. É isto.

- Obrigado meus senhores. E desculpem lá qualquer coisinha.


...

E pronto, é isto que eu penso da sucessão de entrevistas do Presidente do FCP ao canal do clube.

Por outro lado, fiquei com uma estranha sensação de: Epá, mas quem é que lá estava antes? Quem é que autorizou a implementação de uma política de curta permanência e rapida valorização de ativos, que agora vamos reverter? Quem é que pactuou com uma comunicação pelos vistos pouco agressiva, que agora vamos mudar? 

Vou tomar isto como um "Ora merda, saiu cocó. Bora lá tratar de fazer de outra maneira para não dar mais merda". Parece-me lindamente. Sobretudo porque o tipo que vai à frente desta falua é o melhor que podíamos desejar: Jorge Nuno Pinto da Costa.


...

- E se metesses a falua pelo real entrefolho do olho do cu acima?

- Hein?! Tás parvo? Kéjber um sopapo nas bentas que te biro, carago?

- Não é falua, é rabelo!

- Ops...

quinta-feira, 14 de abril de 2016

As escolhas esclarecidas



Ele fala-me no seu tom pausado, escolhendo as palavras, adequando-as à penumbra da Tasca, nesta nossa hora de últimos a sair. Escuto-o debruçado nos nossos copos de vinho tinto, como se fosse uma homilia. 

...

Deu dois passos lentos no corredor. Reparou na terra das plantas humedecida no ponto perfeito e, instantaneamente, o cérebro fê-lo ouvi-la a cantarolar-lhes, a falar-lhes como se fossem pequenas fadas ou queridos animais de estimação. Deslizou a palma da mão por uma grande folha de uma Planta de Borracha, suspirou baixinho. Depois encheu o peito de ar e entrou na sala, contornando o amontado de malas e mochilas no hall de entrada.

Reparou que estava ainda descalço quando sentiu a maciez do tapete felpudo nas plantas dos pés. Quis manter o ar enfurecido, ou magoado, ou lá o que fosse a cara que era suposto ter naquela situação. Mas honestamente não saberia dizer, depois dos pés naquele chão tão familiar, que raio se leria no seu rosto. Tristeza, isso era certo.

Ela estava sentada na beira do sofá grande. As mãos entre os joelhos, os olhos entre a parede em frente e a grande janela rasgada à direita. Cheirava bem. Ela, a sala, o corredor, a casa toda, a vida toda. Um cheiro que não notava todos os dias, mas que agora o abraçava e lhe fazia lembrar as camisolas grossas de lã do Inverno, acabadas de lavar. E corridas descalços pelo enorme corredor, com saltos perigosos para aquele mesmo sofá. Num tempo em que não haviam malas empilhadas à porta. A água brotou dos olhos, uma onda em direção ao odor perfeito daquela vida. Acabada.

Passou por ela num passo rápido e endurecido pela fúria que queria ter. Planou perante as prateleiras dos livros. Devia tirá-los todos, metê-los em sacos, levá-los dali. Aos livros e às suas capas cobertas da camada exata de pó que as protege mas não lhes rouba o cheiro a papel. A que se acumula por um numero certíssimo de dias, nem mais um. Todos, não deixar nenhum. Como se os livros pudessem contar a história, encerrar a dor, testemunhar a culpa. A que ele não podia ter. 

Sempre corajosa, ela dobrou as pernas debaixo do rabo - ele percebeu apenas pelo som - e afastou os cabelos para os ombros. Aprestava-se a quebrar o silêncio. Ele pensou em gritar-lhe que se calasse, mas ela ainda não tinha dito nada. Pensou em começar a atirar livros pela janela, para que ninguém falasse. Mas conseguia ver os pequenos pés perfeitos, as plantas a serem assento dos glúteos, sem nunca olhar para ela. E por qualquer motivo, isso impedia-o de se mexer. Ouviu:

- Se em alguma outra altura quiseres... - Hesitou, como quem sabe que nestes momentos só existem palavras erradas, mas não tivesse remédio senão dizer algumas. - Se quiseres, podemos conversar. Ou não. Já não posso pedir mais desculpas.

- Não tens que pedir mais. Aliás, até te agradeço que não voltes... - Hesitou, como quem sabe que o tom da próxima palavra denunciará a imensa mentira que esconde. Ia dizer "a falar comigo", mas só se lembrava de "a fazer isto". Como se fosse possível ainda abrir a porta que os deixasse escapulir. Encontrar uma dimensão onde nada tivesse acontecido. Ou acontecendo, ninguém soubesse e eles não se importassem.

- Sim, sim, já sei, agradeces que não fale contigo. - Pousou os olhos no tapete persa em volta da mesa de café.

- Raios te partam. Como pudeste? - Murmurou de olhar fixo nas lombadas. - Não quero acreditar que me fizeste isto.

- Não me faças explicar do principio. - Suplicou-lhe. - Não é como se não me envergonhasse. E depois, que diferença faz repetir a mesma história infinitamente? Voltas atrás?

- Eu? - Gritou-lhe. - Eu volto atrás? - Mais alto.

- Sai. Não vale a pena continuarmos a gritar.

- Sabes o que és, sabes?

- Sim, sei. Sou puta!

- E dizes isso assim? - Incrédulo ou desesperado, não se consegue definir. - Mas és mesmo. É isso mesmo: puta! - E deixou de ser importante que escondesse as lágrimas. Chora agora como o menino perdido que sempre foi. De medo, de raiva e da imensa dor da humilhação.

Ela levantou-se, em três passos ficou atrás dele. Abraçou-o assim e ele não teve força para a repelir. Ela disse-lhe baixinho:

- As putas também amam. E eu amo-te. A ti e à nossa vida. Como não sei se alguma vez te poderei voltar a dizer isto, digo-te agora: Queiras ou não, és o homem da minha vida. Mesmo que isso não te sirva para nada.

- Não serve. Como pode? Como é que podes dizer que me amas? Fodes com quem te paga e amas-me a mim?

- Amo. E só fodo com quem paga muito e não me enoja demais. - Ele sentiu as costas da camisa a encharcarem-se das lágrimas dela.

- É isso amar-me?

- A ti? Sim. Não gosto nada é dos nossos ordenados.

Então souberam que as malas nunca passariam da porta e que os livros permaneceriam quedos nas suas prateleiras.

...

Eliminou minuciosamente os vestígios das lágrimas, menos os olhos inchados. Ensaiou até um sorriso, mas pareceu-lhe demasiado falso para poder dar ares de confiante. Bateu a porta do quarto e caminhou apressada pelo corredor, ao som dos saltos de madeira no soalho de cerâmica. Evitou com alguma graciosidade os cacos de vidro e as molduras ainda espalhados pelo chão. Encaixou com um movimento simples o necessaire na asa da mala grande, encostada à porta da rua. Da cozinha sobrevinha um cheiro a café velho e a torradas queimadas.

Entrou na sala para ir buscar o casaco negro e lembrou-se dos livros. Pegou num saco grande de plástico, esquecido no meio dos pedaços do espelho partido em cima do tapete de pelo alto. Passou por ele, sentado no maple das leituras, como se fosse uma rajada de vento e procedeu a esvaziar as prateleiras. Completamente. Tossindo no meio de uma nuvem de pó. Podia senti-lo enquanto se levantava. Adivinhou que vinham palavras e antecipou-se:

- Nem vale a pena abrires a boca. Deixa-me despachar isto, que já aqui estou há mais tempo do que queria. - Disse-lhe, de frente para ele, com o olhar duro que lhe saía com tanta facilidade.

- Isto não devia ser assim - Balbuciou.

- Ai não? Então devia ser como? Diz lá, anda, estou a achar imensa graça.

- Tu sabes que és a mulher da minha vida. Não há nada que tenha mudado isso.

- Olha que interessante. - Sorriu irónica. - Eu sou a mulher da tua vida, muito bem. É pena é não ser o homem, não é? - Estalou os dedos furiosos. - Epá, pois é, isso é que é mesmo uma grande pena.

- Já te expliquei isso. - Derrotado. - Não precisas ironizar, nem fazer piadas com a situação... - Ela interrompeu-o, aos berros:

- Piadas? Mas tu pensas que eu acho piada a isto? Para além de tudo, és completamente estúpido? - Sentiu que a seguir ia voar um livro, desejou que lhe acertasse em cheio na cabeça. Mas ele apanhou-o no ar.

- Pára com isso. Escuta-me, pode ser?

- Não, não pode ser. Era a minha cama, era o meu amigo. - O indicador a bater-lhe no peito - Consegues perceber isso? Não, não consegues. Vai-te foder, grande filho da puta.

- Não te amo menos por isso. - Ela deu uma gargalhada já muito próxima de lunática. - Ouve, é mesmo isso. Aliás, sabes que és a única mulher que eu amo. Serás sempre. - Os olhos marejaram-se-lhe, inapelavelmente. - Não quero partilhar a minha vida com mais ninguém, só contigo. Nunca te faltei, nunca te falhei, não concebo que possamos deixar cair o nosso Mundo. 

- Ai não? Mas era tãããããooo fácil. Bastava que não andasses enrolado com ele. Diz lá, quantos eles é que foram? É que eu vi, não é como se pudesses inventar uma história qualquer, pois não?

- Mesmo assim, nunca foi uma ela. Só tu. Mas... - Coça a cabeça. - É verdade que há coisas que não me podes dar. E de que eu preciso. Não é como se eu escolhesse, entendes? - De mãos abertas, em perfeito desespero.

Ela deixou cair o saco dos livros. Precipitou-se para a entrada, passou por ele como a mesma rajada de vento e saiu da sala. Voltou atrás, de cabeça baixa, quase calma. Disse-lhe da porta:

- Olha, meu querido, vai levar no cu, sim?

Então ele soube que iria.

...

- Pois, estranhas histórias, Senhor Monteiro da Silva, mas é mais ou menos isso...

- Pois é, Silva. Sejam quais forem, são sempre melhores as escolhas esclarecidas. Até as que se fariam de qualquer maneira, por mera fé...