quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma crónica por Anónimo da Silva

Anónimo da Silva, in disciclopedia.org
Há Migueis que são Lima, outros serão Silva, alguns Costa, esporádicos Queiroz - com aristocrático zê - e até um Punho de Ferro, estimado freguês da Tasca, que aparece pouco, dada a sua propensão para ter problemas com a lei. Mas nenhum brilha como um astro. Só o Tavares. Em volta dele, orbitam todos os Migueis da História. Que digo? Nada disso, em torno de tão brilhante estrela, gravita a História, ela mesma.

É evidente que isto é mais do que suficiente para provocar muitas e intensas invejas. Olha, eu por exemplo, invejo muito consciente e desavergonhadamente o facto de o Tavares poder viver de escrever. É claro que a Margarida Rebelo Pinto também consegue. E o Gustavo Santos. Invejo-os a todos, mas alivia-me saber o Miguel em tão boa companhia. 

Isso e o facto de ser bastante mais bonito que ele, já se sabe. Oh sim, sim, há aquela questão do nariz, da batata, da penca enfim. Mas isso é perfeitamente secundário quando comparado com o olhar mortiço do Miguel, aqueles olhos de lagarto à beira da sesta são, de certeza, um turn off muito maior do que a perspetiva de ter o meu nariz - cheio de personalidade, diga-se! - a deslizar pela pele, enquanto a língua...

- Hey, kesta merda? Vamos lá ter calminha que a Primavera já passou, oh velhadas! Para além de que te fica muito mal estar a tecer considerações dessa natureza sobre as pessoas. Isso é baixo e vil. Olha que belo argumento, esse de ter ojolhos assim  ou assado, sim senhor... 

De facto, é verdade. É indecente. Desancar uma figura pública - ainda mais quando é A figura pública - por aspetos da sua natureza física, é baixo. Se fosse o Herrera, compreendia-se. Se fosse chamar "cobardes anónimos" a pessoas que assinam com o próprio nome, aceitava-se. Se fosse, vá, descrever como cagalhões flutuantes num esgoto, uma série de pessoas que não se faz ideia quem são, tudo bem. Peço desculpa, excedi-me. Já o Miguel não, por quem sois. O Miguel pode. Deve! E ai de quem lhe apontar o dedo, esses tristes ignorantes sem classe para chegar ao primeiro patamar de inteligência do grande Sol. A dormir.

É certo que nenhum dos sujeitos que o Miguel insulta, alguma vez foi para uma televisão abrir a sua alma, o que nos dá um grau de certeza bastante grande acerca do profundo desconhecimento que o Miguel tem sobre esta malta. Pelo contrário, qualquer parvo - eu, por exemplo! - pode ter a certeza que conhece melhor o Miguel do que o Miguel ao parvo. A mim, portanto. Poijé, poijé Miguel, isto de ser o Sol não tem só coisas giras. Olha, para começar, a malta nota que ser contra as redes sociais - e o que eu as adoro! - é apenas um soundbite quando, ao mesmo tempo, nos desunhamos para aparecer em todo o lado, sob as mais diferentes perspetivas. É preciso ganhar a vidinha, bem sei. Mesmo que agora 500 euros já não seja dinheiro para ti.

Seja como for, oh Rei Sol, desta vez - uma e única ou uma e última, já não sei - vou dispor-me a perder tempo, a perder paz de espírito e a suportar o nojo de encarar de perto o rosto da insídia, da calúnia, da absoluta miséria moral. Que não da inveja, pois que já estabelecemos quem é que aqui inveja. E não é o Miguel.


...

A triste realidade é que o Miguel não dá uma para a caixa. Mente, generaliza e revela um desconhecimento profundo da matéria sobre a qual discorre. O que não é, em si, um problema. Eu cá farto-me de fazer isso. Só que não faço de conta que em mim habita a verdade suprema, nem me irrito quando me mostram que disse uma quantidade industrial de disparates, nem me dou um ar superior, olhando com desprezo os insignificantes, com os meus olhos mortiços de lagar...ops.

Vejamos, o Miguel começa por desancar o FCP por contratar treinadores no mesmo patamar que o Braga. O que não só é verdade, como sai reforçado com o retorno do Zé ao Minho. O que é mesmo, mesmo, mesmo estúpido, é que, depois de ter tocado nas escolhas de Mourinho e Villas Boas, o Miguel considere isto deprimente. Aliás, a roupa que lhe veste é mesmo a do "foda-se, é isto que temos? Isto não é o meu porto. Ponham ojolhos nos outros pá!" O Miguel escamoteia que o tricampeão nacional se fez de treinadores contratados ao...Braga e ao Guimarães. Nem lhe passou pela cabeça questionar-se de onde apareceu Leonardo Jardim. E o seu predileto Marco Silva. Ou que CV tinham. E têm. Está claro que o Braga não é o Estoril, essa potência do fintabol Mundial. E nem vale a pena comparar o clube da Costa do Sol com o Valência. 

O que é verdadeiramente deprimente, Miguel, é começares já a tirar o corpinho da refega. És um cobardolas, devias cobrir-te de anonimato.

Depois vai e desata a insultar toda a gente que alguma vez escreveu um post onde quer que tenha sido. A opinião é livre, nada contra. Epá, isso quer dizer que a minha também é, certo Miguel? Uma chatice. E aqui começa a mentira. Oh Miguel, até eu que não assino a Dragões Diário - temos tantas coisas em comum hein? Havíamos de jantar um dia destes pá. Seu doido. - sei quem é o tipo que produz aquilo. É que ele assina! Com o nome dele, vê lá tu.

Aliás, muitos dos teus cobardes anónimos são tudo menos anónimos. Não dá jeito nenhum, poinão? Eu cá, chamo-me mesmo Silva. E quando for convidado para programas de TV, até digo o nome completo e a data de nascimento. Até lá, tens que comer o lombo de que tanto gostas e roer ojóssinhos, meu querido. 

E digo-te mais, qualquer dos bloggers mal cheirosos - alguns a desancarem o FCP mais que tu. Pronto, ok, tanto como tu. - sabe mais de futebol, a flutuar num transe de alprazolam, do que tu depois de leres as edições todas de "A Bolha" desde abril de 1974. Alguns fazem-te mesmo parecer o Varela, em termos de agilidade. Mental.

Prossegue o Miguel, agora defendendo o seu mais precioso bem: O seu Portismo. Mais relevante para ele que o dinheiro. A bem da verdade, diga-se que ficou por aqui. Não teve o desplante de dizer que releva mais o Portismo que o status. Menos mal. Pessoalmente, acho que o Miguel é tão Portista quanto ele quiser. Quero que safoda. Que classe, hein?

Um primo do Senhor Monteiro da Silva também amava acima de tudo a mulher com quem casou. E amou-a todos os dias das suas vidas, até que ela acabou por morrer. Numa vez que lhe bateu com força a mais. Ou talvez tenha sido só ela que foi ficando moída da pancada e já aguentava menos. Mas lá que a amava, disso ele nunca teve duvidas.

O que é mesmo mau é o Miguel achar que os outros são todos assim meio burros. Tipo malta das redes sociais e tal. Vai dai, permite-se a ser bestialmente desonesto. Ao nível intelectual. Como se fosse impossível haver quem lá chegasse. Ao nível intelectual do Miguel. Desonesto. Oh Miguelito, mas é claro e evidente que te fartaste, deves fartar e fartarás de fazer vida à conta do FCP. Mas estamos a brincar? Eu não sei se precisas ou precisarás, estou-me perfeitamente a cagar para isso. Tenho é a certeza que te deu um jeitaço. Ou escreves à borla em "A Bolha"? E escreves sobre o quê mesmo? Aceitar tostões do teu clube não é apenas por via direta, certo? A menos que te paguem em robalos. Olha, não eras o primeiro.


...

Em resumo, depois de descobrirmos que vivemos num país nada centralista, razão pela qual todas as queixas do FCP são meros estratagemas da Administração da SAD para continuar a chular o clube; ficámos agora a saber que o MST é o maior e mais bom Portista de toda a História. Só não é o mais bonito.

E bem, és o Sol que permite a Vida. Provavelmente, em dias alternados, és também a água. Portanto, é evidente que te pouparás à leitura destas pobres linhas. Não tem mal nenhum, uma vez que também não é propriamente para ti que as escrevo. É para os que, ao contrário dos lagartos sonolentos ao Sol, ainda conseguirem levantar as pálpebras.

Por outro lado, não estou livre que o teu coleguinha de carteira passe por cá e te vá fazer uma queixinha conveniente, poi'não? Pfff, bufo.

Subscreve este pobre de espírito a feder a esgoto,

Anónimo da Silva 

Anónimo da Silva opta por escrever as suas crónicas na ortografia nova, só para não ser confundido com um Miguel qualquer. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Principios Gerais de Hortifruticultura: O figo



Eu gosto de figos. O facto é assinalável, uma vez que eu passo pela fruta direitinho ao cimbalino (estive bem, poistive Jorge?). Não posso sequer dizer que isto seja uma convicção, pois que não se dá tampouco o caso de não gostar de fruta. Não é, portanto, um desgosto. É uma espécie de indiferença. Queres esta maçã? Não. Se calha dar-lhe uma dentada, até me sabe bem. E esta pêra? Idem. E um pêssego? Na. Mas se pensar no som que faz quando está no ponto, a despegar-se a metade do caroço, inteira, caramba, afinal gosto de pêssegos. Mormente carecas. E sumarentos, de deixar o braço da pessoa todo peganhento. Mas lá está, não me dou ao trabalho de ir buscar a peça e me dispor a comê-la, seja a fruta qual for. Excepto pelas bananas - mas acho que isso me vem com o sangue - e os figos. Uma ou outra papaia, muito espaçadamente.

Curiosamente, o figo não é um fruto. É um receptáculo de centenas de pequenos frutos a que vulgarmente chamamos sementes. É por isso que eu acho que por cada figo que como, compenso as centenas de peças de fruta que havia de ter comido. E estive a lixar-me para isso. Digamos então que o figo é um falso. Fruto. 

Apesar disso, gosto de figos. De todas as variedades. Por exemplo, o pingo de mel, com a sua cor esverdeada. Gosto quando têm aquele aspeto fresco e lisinho. De preferência com umas gotículas a deslizarem-lhe pela pele. A pessoa atira ajunhas à coisa e abre-a a meio, para revelar o interior rosado e húmido, apetecível. E tão docinho, nhami. Também aprecio bastante aquela variedade preta, de interior quase vermelho. O contraste da cor da pele com o fogo da polpa atrai-me. E sabe a figo, ainda por cima. De cair de boca e lambuzar-se a pessoa.

Trata-se, de facto, de um fruto que remete para um Universo imagético muito sugestivo. Feminino, ao nível da genitália. Vaginas, pois. Tinha que ser falso. E frágil. Poijé, poijé, o figo é um fruto muito frágil, pelo que a sua conservação em boas condições é muito difícil. Que é como quem diz, apodrece depressa. Ou se come assim que se tem a oportunidade ou é melhor não voltar a pensar nisso.

Em suma, o figo em boas condições é uma delicia, seja lá qual for a variedade. Se deixarmos passar um bocado, ainda tem bastante encanto, madurinho e seguro de si. Mas lá está, quando se dá por ela, está podre. Já não se aconselha a ingestão. Digamos que, passado o tempo em que o figo é figo na sua plenitude, cumprindo aquilo para que se plantou, tudo o que lhe resta é ser uma reminiscência de...vagina. Concluímos então que o Figo é um conas.


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Como já vimos, nem todos os Figos são verdes. A bem da verdade, devo confessar que esses até são os que menos me afligem. Que um lagarto goze comigo, eu até percebo. O que me lixa mesmo - e já terão reparado que não deixo passar - é quando uns supostos azuis e brancos se armam em Figo. Fazem-me logo lembrar maçãs podres. Acho sempre melhor deitá-las fora, ou cortar-lhes a parte apodrecida.

A um e outros, aqui fica uma pequena atualização, a bem do seu conhecimento geral e no intuito de os poupar a figuras tristes:

O FCP ainda não ganhou no bilhar. Isto porque as competições nacionais não terminaram. Nas internacionais, perdemos a final da Taça da Europa. No entanto, é verdade que o Clube tem dominado a modalidade cá no burgo. Aliás, como acontece com a Natação Feminina. Parece-me mal discriminar.

Ah, majé de bola que se trata, não é? Os tais três anos de míngua, de abismo, de fundo do fundo. O tempo em que só ganhamos no Bilhar. Afinal, vai-se a ver, nem isso. Triste sina, fado fatal. Seja.


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Os Juniores A do FCP sagraram-se Bi-Campeões Nacionais. No triénio que agora se conclui, o outro Campeão foi o Braga. Os Juniores B disputam nesta altura a Fase Final do respetivo campeonato. Os anteriores Campeões são o Vitória de Guimarães e o 5LB. Todos sabemos quem ganhou a Cenadochinês LigaPro. Sendo que nas duas épocas anteriores, o FCP B tem um 13º e um 2º Lugar.

Se quisermos ser inclusivos, poderíamos dizer que o Andebol também tem uma bola. E ganhámos 2 em 3 campeonatos deste triénio. Olha, o Basquete também se chama bol. Fomos Campeões em todos os campeonatos em que participámos nas ultimas três épocas. Apesar de mais pequena, a bola do Hóquei também é redonda. Zero! Nada para amostra. Nem uma Supertaça do Fonseca. E por fim - alvíssaras - aquele desporto que mete várias bolas e tão do agrado do conas. Digo, do Figo. Epá, ganhámos uma porrada de títulos. Até cansa escrever.

Para um péssimo mandato, assim visto de cima, nem parece mal. Só que estes títulos são como um espetacular sistema de ensino gratuito e universal. É a melhor raiz para um futuro radioso e para a alegria do Povo. Mas se depois os fantásticos médicos que forma, mal ganham para comer ou, em ganhando, não têm lá muito para comer, a coisa não funciona. É Cuba. É uma raiz que vai dar uma trampa de uma figueira famélica, em vez de um pomar verdejante. Ops, desculpas. Azulbranqueante.

O solo é bom, as sementes estão testadas, o sistema de rega funciona, os lavradores são competentes e o modelo de distribuição já deu provas. Só precisamos de uma gestão atenta e de um capataz de qualidade. É agora! É agora? É? Agora?

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Soundtrack for 16/17: Gonna be wild!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Bonecos. E outras dificuldades de adaptação.

Belo boneco. Gosto.

A mai'nova embirra com a minha roupa. Do alto da sua púbere sapiência, olha-me com uma certa condescendência filial e decreta amiúde: Essa roupa não é para a tua idade. Acho que tem razão, muitas vezes, mas não lhe ligo nenhuma. Para mal da sua vergonha.

É certo que me considera pré-histórico e também está claro, na sua douta opinião, que existem trajes que se coadunam melhor à minha provecta idade. Acho que é peles de tigres-dente-de-sabre e mamutes e assim. Não, não é da Idade do Gelo, que isso não mete vampiros e lobisomens, Deuzalivre. Bonecos são coisas para a menina que ela já não é, dentro daquela cabeça de ervilha mirrada. Menos para exigir um mimo no Dia da Criança. Estupidez adolescente, sim; parva é que nunca!

Mas se me ponho a pensar nas coisas, concluo que, de facto, já vivo há um zilhão de anos. Vou no segundo século, na quinta década, na enésima mudança de paradigma social, na bilionésima fase da parvoíce Humana. A ser simpático. E uns vinte treinadores.

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Venho lá tão de trás que, à data e local do meu inevitável nascimento, não havia TV. Só já na Metrópole me puseram em frente do aparelho: Carregas ali e isto acende. Clique. Chuva. É isto? Não se pode dizer que perceba a maravilha de uma engenhoca que dá uma luz branca cheia de marimbondos. Alguma praga? Haviam de se pôr a pau com o milho e a mandioca. Não, estúpido! São 3 da manhã, isto só começa às 6 da tarde.

Sim, a televisão tinha horário. Conseguem imaginar coisa mais absurda? Tirando a eventualidade de não existir internet, está claro.

- Mas como é que vocês viviam? - Bate com a mão na testa.

- Tínhamos descoberto o fogo há pouco tempo. Achávamos aquilo o máximo...

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Pousado numa terra distante onde, pelos vistos, a tecnologia avançara de modo tresloucado - ao contrário da indústria do refrigerante, pois era impossível encontrar uma Coca-Cola - ainda tive que lidar com a diferença da língua. Como já devia ser velho à época, não foi assim tão imediato perceber o que as pessoas me diziam. E ainda menos explicar-lhes o que eu queria.

Se um tipo lhes pedia uma chuínga, ficavam a olhar uns prójôtros, feitos parvos. Achavam graça quando a pessoa, não gostando de se constipar, dizia que ia calçar as sapatilhas. E não pareciam ficar felizes quando, à pergunta "Gostas?", se era simpático e se respondia, como um bom menino, "Maningue". Também ninguém se deu ao trabalho de querer entender. Chiconhocas!

Ainda demorei a encaixar termos como "pastilha elástica", "ténis", "bastante/muito" ou "preguiçoso". Pareciam-me menos adequados e tão desengraçados. Com falta de sal. Ou açúcar.

O mais confuso, however, foi mesmo decifrar os colegas de escola. Para além de não saberem o que era uma Fanta, passavam a vida a falar de bonecos. Viste os bonecos? Tens TV para ver os bonecos? O pai comprou-me um livro de bonecos. Ui, um catálogo, pensava eu. É que um boneco era...um boneco. Até um me ter dado um calduço e explicado: Bonecos animados, retornado palerma. Chapéus há muitos.

Era um bom miúdo, esse. Apesar da mania dos chapéus que não sei de onde lhe vinha. Uma tara, por certo. Uma desgraça ter acordado sem a cabeça, um dia. Ainda por cima cortada à catana, uma arma pouco vista na Brandoa. Pfff, estava-se mesmo a ver, com a quantidade de pretos que práístá. São retornados ou refugiados ou lá o que são. É tudo da mesma cepa: Gentinha.

Lá acabei por entender que "boneco" é uma palavra que dá para tantas coisas, que o melhor é esclarecer sempre o que querem dizer com ela. E ao longo dos milénios de vida - tantos que, se deixar a catraia escolher-me a roupa, há pessoas que me tratam por senhor, na rua - fui mantendo este cuidado, com assinalável sucesso. Parece uma coisa de nada, mas não é. Ora atentem.

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Imaginem o seguinte boneco:

Reunião do Conselho

Cenário e personagens: Sala de reuniões; os membros do Conselho dispõem-se em torno da mesa. O Presidente do Conselho senta-se à cabeceira.

- Caros, vamos lá tratar da escolha. Todos darão a sua opinião livremente, mas com ordem. Seguimos os ponteiros do relógio. Começas tu, anda lá.

- O Marco - Gera-se burburinho na sala. Uns abanam que sim, outros acenam que não. O Presidente impõe silêncio apenas com o olhar. Retoma a palavra.

- Um boneco animado, portanto. Que vive no estrangeiro. Mas num porto, menos mal. Agora tu. - Aponta para o seguinte.

- O Paulo. - Obtém a mesma reação da sala. Mais curta agora, pois todos se apressam a olhar o topo da mesa.

- Muito bem, outro boneco. Desta vez, um carteiro simpático. Gosta de gatos, teremos que ponderar longamente acerca dessa sua queda para os felinos. - Faz um sinal com a cabeça para o seguinte.

- O Leo... - O Presidente interrompe:

- Irra, que mania com os gatos! Qual leo? O Simba? Acho piada ao Simba, é ternurento. E o Pumba? Epá, parto o coco a rir com o Pumba. Melhor que o Nemo. - A sala ri com a referência a outro Presidente. Faz- se silêncio, para que o manda-chuva conclua:

- Ora bem, uma vez que estamos todos de acordo, fica o Espírito Santo. Apazigua-se a malta religiosa e não ficamos assim tão longe de Jesus. Siga.

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Como sabem, as conversas aqui na Tasca primam pela objetividade, pela síntese, pela imparcialidade e pela factualidade. Not!

Por isso, declara-se desde já que o Nuno é, de entre os atuais treinadores do FCP, o melhor do Mundo. Incha Julen! Para imparcial, não está nada mal hein?! 

Portanto, mesmo que a SAD te abandone aos cães em todas as derrotas - se houverem, o que é pouco provável - não desesperes Herlander, aqui encontrarás o teu banco ao balcão, o teu copo de três e umas lamparinas bem assentes sempre que mereceres. Sobretudo, aqui terás um cúmplice. Um gajo que se atirará aos que atirarem contra ti.

Mas confesso que não tenho ideia nenhuma do que nos vens oferecer. Pega lá a dose habitual de factualidade, pimbas. Digo, pumbas. Desconheço-te. Espero que me ganhes e estou predisposto a ser conquistado. Salvo seja, seu magano. Ou seja, tábua rasa do que passou. Quem tem que aprender que tenha aprendido. E tu, que tenhas apreendido. A mim interessa o que vem agora. O depois. O melhor que está sempre para vir.

Aqui não se assobia e não se desconfia. Parte- se de peito aberto. Contigo. Mas olha que era igual se não fosses tu. Vai dai, nada de ficares todo babado e vaidoso. Perde e apanhas!

...

- Ena, Silva, já ouvi dizer que tens um treinador novo. - Beberica o café, com os olhos claros levantados para mim.

- Bola? A sério? - Estranho.

- É. Afinal, uma moça às vezes fica sem saber o que fazer a tipos tapados. Há gajos tão tótós... Quem sabe se eu perceber de bola, aconteça eles perceberem-me a mim. - Pisca o olho.

- Hã?

- Nada, nada. Deixa lá, tótó! 

- Hã?

- Pois. É um rapaz assim meio careca e de barba rala, já um pouco grisalha, não é?

- É. - Recebo os cêntimos do café e limpo o balcão à volta da chávena.

- Gosto do género. Um boneco. - Desce do banco e sai. Acena um xau já da porta, sem se voltar.

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Nota: No decurso da elaboração deste chorrilho de disparates, nenhuma criança foi decepada à catanada. Este facto também não aconteceu em nenhuma outra altura, tendo por interveniente o agora autor - um vosso criado. No máximo, umas murraças naquelas fuças e um pontapé no cu. Incha, para aprenderes a não te meter com o preto. Estúpido do caralho.

- Dass, Silva. Isso ficou-lhe hein?

- Não sei do que está a falar. E despache-se mazé, que eu tenho que fechar.

- Pfff, ganda cromo!

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Soundtrack to dolls: A diablo swinging...


terça-feira, 31 de maio de 2016

Cartas aos pontos

Cartas apreendidas em 5 minutos...


Parece que entra amanhã em vigor a chamada "Carta por Pontos". É uma espécie de arcade: Um gajo tem tantas vidas e por cada cagada que faz, lá perde uma. Quando chegar a zero, pumbas, quinou. Tem que meter mais moedas.

Eu cá acho que é uma bela ideia. Mas é claro que tinha que vir um político estragar a minha positividade em relação à coisa, salvo seja. Depois queixam-se do mau feitio. Como se houvesse alternativa. Ora fuoda-se!

Então veio o xôr Secretário de Estado da Administração Interna, Doutor Professor Engenheiro Fulano de Tal, explicar ao povo como isto agora é que vai ser. E diz:

- Ora bem, um tipo que passe por um acidente e não preste auxílio a eventuais vítimas, catrapuz, perde logo 6 pontos. Pior que o Farense! Vai ele e, no dia seguinte, chateado com isto, afoga a mágoa no tintol. É catado a conduzir bêbado como um cacho. Catrapimba, mais 6 pontos à vida. Tipo tripeiros no apito d'oiro, quando a nossa justiça funcionava e a bola era um mar de corrupção. Cristóvão, Cristóvão, lagarto. Aí está como se fica sem créditos, digo, Carta, em apenas dois dias.

Sim senhor! Brilhante! Deixa cá ver, portanto, se em dois dias seguidos a pessoa tentar assassinar, por omissão ou ativamente, uma série de outros indivíduos, pumbas, fica sem carta. Ai que bem feito. Toma que já almoçaste, meu cafajeste. 

Oh xôr Secretário do Coiso, salvo seja, epá, não! A personagem automobilizada em causa, deve ir de cana logo no primeiro dia. Dentro, prá choldra, pá pildra, bater com os costados no cárcere, enrabado no chuveiro, táberohnão?! A carta é completamente irrelevante nesse cenário. Até podia ir de triciclo. Sem selim. Deusmalivre.

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Mas a ideia é boa. Aliás, tão boa que devia ser alargada a outras áreas. Por exemplo, havia de se criar uma Carta do Portista por Pontos.

Um gajo, para poder dizer que era Portista, tinha que ter créditos na Carta. Senão, vinha de lá o Aboubakar e o Indi e faziam de conta que estavam no chuveiro do cárcere. Com o Portista infrator. 

Espera, é capaz de ser mal visto. Assim de repente, ainda ficávamos sem uma série de adeptos. Só para se apanharem com os moços no banho. Bolas, eu a ver se lhes dava alguma utilidade.

Oh well, independentemente da penalização, seria um método catita. Suponhamos, um palhaço que entrasse na panelinha para queimar qualquer EVENTUAL futuro treinador do FCP - epá, não sei, digamos que fazendo eco numa TV de notícias especulativas que tendem a colocar em causa uma suposta escolha da Administração, sem referir qualquer fonte - e, ainda assim, se afirmasse Portista, perdia logo uma carrada de pontos. Se, ainda por cima, acrescentasse da sua lavra o fantasma da comissão - putakepariu! - lá se ia o resto dos pontos.

E pronto, deixava o palhaçoide de se poder afirmar Portista. Porque seria evidente para todos que não o seria. Que não o é!

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Desafortunadamente, cumpre-me o espinhoso dever de informar a freguesia que acaba de ser caçada a Carta de Diretor Desportivo ao xôr Baia. 

(Lágrimas, lágrimas)

Ai catraio, catraio, não mandas uma para a caixa. Credo.


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- Oh Pedro, isto do MST faz todo o sentido. Acho muito bem! Não o sabia devoto, que interessante. - Cofia as barbas.

- Como, Senhor? De que se trata? O Tavares devoto? Muito estranho.

- Das divisões e comissões e o catano. Espero bem que seja mesmo verdade.

- Ai sim, Senhor? Não o sabia interessado no assunto.

- Tudo o que é religião é do meu interesse, meu menino.

- Religião, Senhor? - Espantado.

- Pois claro. O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

(Raisparta o Lápis que, foi-se a ver, já tinha feito esta laracha! Vénia, nesse caso.)

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A driver's soundtrack: Faster...



sexta-feira, 27 de maio de 2016

Resumo da semana: Porrada, molho e batatada.



A malta da estiva anda a dar cabo da cabeça ao Costa. Depois o tipo entra em stress e descarrega no stock de chamuças da Tasca. Que, diga-se, é cada vez mais reduzido, à conta de dificuldades de abastecimento de caril de qualidade.

Eles bem dizem ao pessoal para ir alancar com as mercearias e os moldes para a metalurgia e assim, mas eles tákieto, habituaram-se à malandrice e não há quem os convença. Ainda por cima, o Costa está entalado entre a pilha de nervos e a geringonça, que é uma espécie de tripé. Acontece que dois dos três pés não podem deixar de apoiar o proletário em luta. Ainda mais se ele se assemelha a um guarda-fatos com mau feitio. Tá bonito tá, tudo para estragar o pastel ao homem.

Ontem, depois de uma festinha que deu cojamigos, lá me dizia o António, a meio da última chamuça:

- Assim não dá, Silva. KerécuAméricosafoda. O Jéjé que ponha o gajo na ordem. E a Catarina que vá mazé de weekend para Bruxelas, à da Marisa, e vá melgar o Rangel ou assim. Ou aquela gentinha se põe a carregar o belo do contentor às costas, ou isto vai a mal.

- Ui, requisição civil? Vai dar molho no cais.

...

O nosso Donale "O Estúpido" já tem garantida a nomeação. Para aqueles que duvidavam que a maior potência Mundial tivesse uma elevada percentagem de anormais com atrasos cognitivos relevantes, aí têm. Resta saber se se concentram do lado Republicano, ou se estão dispersos por todáparte. Eu cá tenho medo. Não é receio, é cagufa mesmo.

De qualquer maneira, vai ser engraçado assistir a uma campanha deste bando de estúpidos contra uma gaja. Apoiada por um preto. Cá pra mim, estão a fazer de propósito para enervarem o homem.

Giro mesmo, era se a Clinton arranjasse um vice Hispânico. Ou Asiático. Olha, podia ser o Costa! A carga de batatada que ia dar...

...

Já o atual ocupante da Casa Branca, foi a Hiroshima. A primeira visita de um Presidente dos E.U.A. à cidade que os... E.U.A. limparam do mapa em 1945. Aparentemente, fizeram-no para evitar que a porrada velha prosseguisse. Consta que o discurso começou com uma pergunta: Porque estamos aqui?

E é bem visto. Afinal, porque estamos aqui? Não tínhamos já mandado isto pró galheiro aqui há atrasado? PelamordeDeus, chatos do caraças. 

Ainda assim, o Obama vai encontrar-se com alguns sobreviventes e o ato em si, na sua globalidade, representa um efetivo reconhecimento de que não foi uma coisa lá muito bonita. Como quem diz, xiiiii kejber kakilo rebentava mais do que dizia na embalagem? Ops...

Para lá do politicamente correto, ninguém me tira da cabeça que os sobreviventes têm uma secreta esperança que o homem pise cocó de cão num passeio qualquer. Tipo eu com o Peseiro. 

...

O mais entusiasmaste poeta lusófono contemporâneo, tem performances agendadas para os Coliseus. É verdade, o autor de estrofes como:

"Ela é linda sem makeup
Ela é perfeita e quando se deita
Não precisa de makeup
Ela é linda é, ela é linda sem makeup"

ou

"Ela é linda, ela é special
Ela passa pelas outras tipo battle
Quando ela passa, ela sabe o que faz
Fica impossível não olhar pra trás"

Que força, que espontaneidade, que acabada parvoíce. A liberdade linguística, a rebeldia da sintaxe, os signos de um perfeito analfabruto. Já para não irmos à maravilha da temática: O encanto feminino, o poder da sedução, o profundo disparate sem ponta por onde se lhe pegue.

Infelizmente, devo fazer um reparo a este jovem Pessoa. Ia tudo tão bem, porque havias de plagiar a Floribella? Isso não é bonito. Ou como é que se explica isto?:

"Eu não tenho um tostão
Mas tenho amor no meu coração
E se eu te pedir a tua mão
Vai ser com um anel feito de cartão"

Epá, é descarado! Com que então és pobre em ouro mas rico em sonhos, hein? Mais! A Janinha que saiba que nome arranjaste e logo vês em que bela alhada te meteste. Ai rapaz, rapaz.

Sabes que mais? A moça que passa sem makeup, em vez de te partir o pescoço com um anel de cartão, havia era de te enfiar uma murraça nos cornos.  Tipo Brienne. A ver se te acordava os neurónios. Credo.

...

O xôringenheiro do penta - que também é o único treinador que conseguiu perder dois campeonatos com o Jardel a marcar mais de 40 golos - deu uma entrevista ao Porto Canal. E voltou a inovar. 

Questionado sobre porque não convocou o André, respondeu:

- Eu??!! Eu não convoquei o André? Desculpe lá, mas há aí qualquer coisa que não bate certo. O que quer dizer com eu não convoquei o André?

- Atão poinão! Leva antes o cepo do Eder.

- O Eder??!! Tájabrincar! Eu nem jogo com ponta de lança. Vou meter dois avançados móveis, rápidos, com boa desmarcação, que possam cair nas alas, tenham técnica, concretizem bem e saibam combinar com os médios. Um deles é Madeirense, senão tenho a D. Dolores à perna. Deus me livre.

- E o outro era o André!

- Qual André?

- O Silva.

- O Silva joga à bola?

- Não pá! O André Silva!

- Ah, esse. Pois que não sei, não conheço. Uma vez até combinei ir ver o moço, mas deu-se o caso de o Peseiro ter lixado aquilo tudo.

- Por um jogo? Foi por isso que não o convocou?

- Vamos lá ver, não fui eu que não o convoquei. Tudo somado, quem não quis o rapaz foi o Peseiro. A culpa é dele, está claro. Se não era darem-lhe uma carga de porrada, hein?! Campino dum cabrão, pá.

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Soundtrack to Friday: Beat'em now!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Obrigado! E um PS para o Lápis. (Atualizado: Comunicado do FCP)




Não sei quem terá sido o brilhante estratega, mas desde já quero agradecer-lhe: Pá, obrigado suíno. Estamos perante uma espécie de Helton a apanhar Sol, e bonés, no Vale do Jamor. Por aqui, fique desde já dito, o jornal "A Bola" é o primeiro destaque, positivo, da época 2016/17 do nosso FCP. Agarrou numa notícia do DN, que se lembrou primeiro, e deu-lhe palco, tornando-a incontornável. Obrigadinho meninos, muito, muito obrigado. Honestly.

Estou certo e seguro que a ideia dos moços era dar mais palha aos burros, meter mais lenha na fogueira, encher de pontapés quem está no chão. Mas lá está, às vezes só queres que a bola não entre na tua baliza e vem de lá um trio de vacas espantadas - vénia ao Anónimo - e arranjam maneira de fazeres um golo. E porque é que eu acho que é esse o caso? Porque as hipóteses são poucas e todas convergem no mesmo sentido: União e Responsabilidade. Por fim, no fim, União e Responsabilidade.

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Hipótese 1

A questão é um mero rumor, utilizado para escarafunchar as feridas provocadas por três anos de seca extrema. A intenção é meter mais areia na engrenagem e dividir definitivamente a Nação Portista. De bónus, pode ser que ainda se arranjem chatices na Administração.

Pumbas, oportunidade de ouro para o FCP fazer um brilharete. E é tão fácil. Já sei que vai andar toda a gente a pedir rapidez na resposta e é já. Ontem, ohfaxabôr! A mim não me interessa assim tanto se é hoje ou daqui a uma semana. Claro que prefiro que seja depressa, mas o mais importante é a forma.

Perante este autêntico penalty, se a Administração está de facto coesa e pronta para a briga, basta meter chicha lá dentro. É que nem guarda-redes lá está. Veja-se:

Apresentação do treinador do FCP para a próxima época, seja ele quem for - incluindo o Peseiro, Deus me valha. O Presidente, o Antero e o Reinaldo. Os dois primeiros apenas bastariam, mas a bem da congruência, para mim era ótimo que fossem os três. Afinal, o Presidente disse que no futebol ele decidia, consultando os outros dois. Apenas eles! 

E pronto, de uma penada estava respondida a questão de quem decide e influencia, quem é que treina e esclarecido o nível de compromisso e coesão da Administração. Acrescentava-se um discurso virulento contra quem quer dividir o FCP, exortava-se a Nação Mais Forte à união e vivia-se um momento intenso de Portismo. Call to arms. À custa d'A Bolha. Lindo!

O tempo importa-me menos, porque não podem ser estas noticias a apressar decisões ou negociações. Espero que se saiba já quem é o timoneiro, novo ou antigo. Mas se não se sabe, não se precipitem decisões por pressão externa. No entanto, ainda não estar claro seria mau sinal.

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Hipótese 2

Trata-se de um facto verdadeiro. Existe uma profunda divisão, impulsionada pela interferência de um tipo que não tem nada a ver com o FCP. Tirando ser adepto. Se calhar.

Pumbas, não há remédio senão por tudo em pratos limpos. Das duas uma, ou o Presidente enxota o filho pródigo, porque considera que isso é o melhor para o Clube - e é!; ou o Presidente enxota o suposto delfim, por convicção de que é na família que se encontra o devido conforto e o melhor conselho.

Na primeira possibilidade, voltamos ao teatro da "Hipótese 1" e é uma festa. Na segunda, fica claro para toda a gente de quem é a responsabilidade da escolha e quem temos, efetivamente, que avaliar a cada passo. Espero que possa, neste cenário, haver à mesma condições para conseguir a União. Porque a batalha será árdua. Mas creio que passaria a ser a batalha de um homem só. Mais o seu rebento.

Either way, seria tudo claro. O que é fantástico, menos para a malta que se diverte apenas a dizer mal e a levantar suspeitas e o catano. A ironia de ser A Bolha a dar cabo da vida a gente desta é deliciosa. Lindo! 

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Há uma terceira hipótese. Mas recuso-me a ponderá-la. A menos que me obrigue, Senhor Presidente.

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PS. O primeiro, segundo e último responsável por todas as decisões da Administração do FCP é o Presidente. Ontem, hoje e nos próximos quatro anos (por acaso acho que serão dois, mas isso são outros quinhentos). Nenhuma duvida quanto a isto e creio que concordamos. 

Assim como mantenho a plena convicção de que é exatamente por isso que deve estar onde está: No topo da estrutura. Onde começa e acaba a Responsabilidade.


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18.00H

O FCP reagiu. Fê-lo de forma rápida, e vamos aceitar que esclarecedora, reafirmando a nula importância de Alexandre Pinto da Costa, a liberdade de pensamento no seio da Administração e o compromisso quanto à coesão da mesma, uma vez definido o caminho.

Como está claro no que antes aqui se disse, não seria desta forma que eu o faria. Creio mesmo que se tratou, antes de mais, de responder depressa, mais do que aniquilar o assunto e fazer dele um degrau do que se espera seja a nossa escalada de volta ao topo. Mas desconheço, evidentemente, os constrangimentos e os detalhes em torno das decisões, que podem impedir que elas sejam anunciadas neste momento. Tudo bem, digamos que assim também não está mal.

Uma coisa, no entanto, me preocupou. Há ali a utilização de um futuro que me deixa de pé atrás. "...Do salutar confronto de ideias sairá uma política...". Honestamente, fico preocupado se ainda não existe uma definição inequívoca de qual é a política "que por todos será executada sem quaisquer dúvidas ou constrangimentos". É só uma maneira de dizer, não é gente? A esta hora, todos vocês sabem muito bem o que há a fazer, pois sabem? Aliás, já estão a fazê-lo há algum tempo, pois estão? Ou estamos a acordar já atrasados?

Pelo contrário, e apesar das zonas cinzentas do comunicado, fico muito agradado por constarem as "assinaturas" dos quatro Administradores. Todas abaixo e submetidas à do Presidente. Afinal, o homem que terá que indicar o caminho que os outros seguirão, sem dúvidas ou constrangimentos.

Outro ponto a favor: A terceira hipótese não se chegou a colocar. Não houve um ensurdecedor silêncio, culminado com...nada.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Falar claro (Links do André corrigidos)



Eu gostava de dizer que foi bonita a festa, pá. Que, independentemente do resultado e de quem levou a passear o caneco, o cunbíbio é que conta e a partilha de Portismo e a Paixão. E o Capela e o Xistra, já agora. 

É evidente que isso é tudo maijómenos verdade. Mas nunca aquela estrada se fez tão longa. Nunca o sorriso me tinha saído tão amarelo. E adoeci do ar condicionado. Uma viagem tão má, que cheguei a temer que abria a porta de casa às quinhentas da manhã e dava de trombas com a minha mãe, em pé no corredor, a dizer baixinho: "Isto é que são dez da noite, hã?". E procedia a enfiar-me duas lambadas. À segunda, por norma, já não acertava. Desvio-me bem de caraças. E também me safo a correr.

Apesar de tudo, sinto que devo falar claro, para não sobrarem dúvidas:

A) Não há treinador que resista a dois golos daqueles. Daquilo, o Zé não tem culpa nenhuma. E nem comecem com a lengalenga sobre quem escolhe os guarda-redes e blabla. Sabem bem que toda a gente - tirando o Tavares - achava lindamente que fosse o Helton a jogar. Aliás, quantas vezes, até ontem, andaram a defender que o Espanhol não vale um chavo e coitado do moço da viola e assim? Incluindo o Tavares.

Portanto, o Zé não ficou pior ontem, por ter perdido. Já era mau em antes.

B) Quando defendi que JL tinha chegado ao fim da linha , fi-lo por achar que as tropas dele já não queriam pelejar ao seu lado. Vi tudo a ser feito à risca, como definido antes, mas sem alma nem querer. E isso não chegou para ganhar ao Rio Ave.

Ontem, conseguimos perder contra uma falta de comparência. Alguém viu os gueverreiros do Fonseca no campo? Na, isso eram pequenos estrumpfes cor-de-rosa plantados à entrada da área. Eu avisei para não exagerarem nos cogumelos. E ganharam-nos. Sem sequer precisarem de aparecer.

C) Diz que fui violento com o Josuézito. Até se pôs o catraio lavado em lágrimas e tal. Aposto que eram de mágoa de ver o FCP derrotado. 

O que tem que ficar claro, é que o Josué fez muitíssimo bem em atacar o aparador estilo Luis XV que ontem jogou a central. Fez ainda melhor em tirar-lhe a chicha e em espetar com ela dentro da Casa dos Frangos do Vale do Jamor (Música ao Vivo aos Domingos). Era o que faltava, jogar - e jogou porque pode - e fazer-se de esquisito.

Nem sequer me venham com a história da incompetência da SAD e rebéubéu. Existem regulamentos, cumpram-se. Não sejamos nós a arranjar as chico-espertices para os contornar. Nem a calar a denúncia quando vemos os outros a fazê-lo. Hey Salin, tass?

Portanto, não façam de conta que a culpa do segundo golo é do Antero ou do PdC. Pior ainda, não me tomem por parvo. Quem perde aquele tempo a ser substituído está cheio de ADN, sim. Mas não é nosso. Enrabe-se.

D) Ui que descobriram a pólvora! Por aqui já a tínhamos descoberto há uns tempos. Mesmo quando era seca. Quando mais parecia uma bicha-de-rabear. E, sobretudo, sem ser porque me caiu no goto. Fui convencido. Mas não foi ontem!

Felizmente já se tinha feito a convocatória, hein xôringenheiro? Ufa, alargue lá a gravata, safou-se de boa.

Para dentro, que se lembrem todos: Craque não se empresta! Nem se protege como se fosse uma gaja boa, mas quebradiça. Nem se escolhe a "altura certa" para lhe "dar minutos". Nem se assobia o treinador por não fazer a vontade aos meninos. Craque deste nível, põe-se a jogar. E agradece-se.

domingo, 22 de maio de 2016

Viagem na minha terra (Atualizado a verde de Monção) (Re-atualizado:Seca extrema) (Re-re-atualizado: Intervalo) (Re-re-re-atualizado no fimdos 120)

Estavam com saudades, poistavam? Eu também não. A ausência deve-se ao extraordinário - e para vocês inatingível - facto de...como dizer?...ter cenas e coisas para fazer. A vida, percebem? Haviam de arranjar uma, em vez de se porem a ler blogues parvos. Acho que iam gostar.

Mas para quem está absolutamente empenhado em perder tempo precioso aqui, espero que tenham muitos anos de vida. De modo a que não venham a pensar: Fuoda-se pá, tinha feito melhor em esgalhar uma, em vez de ter estado a aturar o Silva. Se alguém não está a compreender a mútua exclusividade das situações, espero que seja gaja. Se não for, por favor não me informe. Tenho um estômago quase tão sensível como a psique do Aboubakar.

Estou a caminho de Oeiras, na esperança de trazer para casa o primeiro caneco deste ano.

- E único!

Pois. Isto das pré-épocas baralha-me. O que interessa é que vou de excursão, à conta de um amigalhaço que me safou in extremis de ficar em casa descansado, com a família, a comer rojões quentinhos e a alinhar garrafas de verde de Monção. Dependendo do resultado, posso muito bem ter que enfiar um banano no tipo.

Para já, está tudo a correr muito bem. Tirando o facto de isto ser uma camioneta para anões. A julgar pelo espaço para as pernas.

Mas pronto, a malta está animada e parece tudo muito bem organizado. Muito embora tenha acabado de passar por casa. Parece-me estúpido fazerem-me andar para trás e para a frente a esta hora da manhã. Podiam muito bem ter parado à minha porta, carregado o farnel, dado comida ao gato, posto o cão a mijar, posto o lixo ao lixo e tirado um café ao menino. Entretanto eu ia-me levantando. Enfim, talvez não tenham noção de que vai aqui uma estrela. Ou então estão a cagar-se para mim.

Olhem, tenho que ir. Arrancámos há uns dez minutos e temos que parar. Para café e assim. Credo. Vou dizendo coisas ao longo do dia. Enquanto estiver sóbrio e tiver bateria. Ou então não.

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Orda bibão. Son duas medos um quardo. Cubete de rojão e um lidro de berde debois, debo dzêrbos que chiguei. Son e salbo.

Pordecá a festa bai de bento em coiso. Tirando o axepeto do modorista estar com garrafa e meia dabanço. Majeu bou reduzir a diverença. E é já.

Num sei purquékesta malda da moirama fez dois campos da bola. Aliás, padece ké tudo a doberar! Coisas. 

A cunfia está em máximos histeóricos. Eu, pordixemplo, acabo dapostar que ganhamos cincazero. Com terês golos do Berahimi. Majáduvidas?

Até já. Fui. Puuuoooooorrrrrtoooo!

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O problema é que falta uma hora para isto começar e está um calor fodido. As cervejas e o verde estão lá fora e eu estou já a torrar num topo do municipal da Cruz Quebrada. Filha da puta de sorte.

Felizmente há um argelino a zelar pela minha sorte. Tajóbir oh filhadaputa de mouro?

A propósito, deixa cá ver se o Pesudo não se lembrou de me foder de vez. Salvo seja.

Anyway vai Puoooooooorrrtoooooo!

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Ao intervalo, estamos a esmagar o Braga por 0 a 1. Sim senhor, um belo Braga de ataque, como o que jogou contra lampiões e lagartos: Todos ao ataque, fechadinhos lá atrás. Como de costume.

Eu não tenho dúvidas. A culpa é do Lopetegui. E do Casillas! E minha, pois claro. Felizmente temos o Helton. E assim, pode ser que marquemos cinco na segunda parte. Oxalá.

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Seja qual for o resultado desta merda destes penalties, vou mandar um SMS:

Zé,
Obrigado. Agora, põe-te nas putas! Leva contigo o Josué. Pelo caminho, enraba-o com uma navalha de barbeiro.
Abraço.

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A quem por azar tenha acompanhado o relato deste dia, muito obrigado. Só não o digo de viva voz porque...já não tenho voz.

Sempre Porto.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O Tempo da janela



Deve ter passado muito tempo desde o último cigarro nesta janela. Não que estranhe o local, nem a sua paisagem imutável. Tudo permanece familiar, mesmo o facto de saber o cenário muito menos bonito do que o vejo. É quase certo que uso um sentido diferente da visão, neste lugar. Ainda que mantenha uma sensação de prolongada ausência.. 

A verdade é que está escuro e os esparsos candeeiros públicos não iluminam mais que a rua estreita. Nem tenho a certeza que se veja sequer o tanque, embora eu repare nele. Porque sei onde está, como está. Improvavelmente estando, tantas Luas refletidas nas suas águas paradas depois. Ou terá sido ontem?

Uma parte de mim, fora deste casulo - eu, a janela, o brilho do cigarro a queimar - sabe quanto tempo foi: A volta completa de um planeta imperfeito à estrela que o consumirá. É apenas uma questão de contar os dias. Em centenas para estas fugazes criaturinhas, em milhares de milhões para os astros imponentes. 

Ai mas passou tanta vida neste curto ano. Tanta que não a consigo dizer toda. Falta ajustar contas: Sei que esmurrei um velho instantâneo no espelho; abracei-o para que nos pudéssemos confortar, assim abandonados à sorte um do outro. E os braços não caíram e as gargalhadas não se calaram. Contigo ou por ti. Sem quereres, por mera natureza de seres mais que apenas humana. Sem saberes ou acreditares.

Fecho as portadas da janela, encerro o ano. Prometo-me que amanhã, tu ainda a dormir, voltarei a abri-la e o tanque e o mato alto e a roupa a corar me darão os bons dias. Estará Sol e eu terei os óculos postos. Passou tanta vida pelos meus olhos que se gastaram.

Por cada degrau da escada íngreme, descido de olhos fechados, uma promessa de Eternidade: Na tua mão, pode passar a vida que for pelos meus anos. Tudo o que me for roubado me será devolvido em dobro. Obrigado.


...

Soundtrack to a night at the window: Therapy.