quarta-feira, 6 de julho de 2016

O post(e) falhado do xôr Silva



Naturalmente, o tema do dia é a Seleção de Portugal, que joga uma meia-final do Campeonato da Europa. Já nos aconteceu isto antes, mas poucas vezes, pelo que é, sem dúvida, um assunto importante. É por isso que eu decidi publicar hoje um post sobre o FCP B. Pá, há sempre um paspalho que tem a mania de ser diferente e tal, armado em intelectual de esquerda vanguardista, de negro, óculos redondos, gola alta. Dass, com o calor que tem estado, haviam era de ter pena de mim.

Maaaaaaaaaaaaas, vá, não resisto a meter a colher. Sou danado para meter, que hei-de eu fazer? A pessoa lê os jornais e ouve as rádios e vê as...espera, não vejo nada, não vou inventar. O que interessa é que me parece que anda toda a gente confusa. Deve ser por causa do Brexit e da sanção prisão de ventre.

- Sanção o quê, Silva? Prisão de ventre? - E eu a julgá-lo distraído com as suas listas.

- Sim, Senhor Monteiro da Silva, prisão de ventre. É a sanção que dá cólicas a toda a gente, mas que não há meio de alguém a cagar.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Parece que a malta se baralhou e pensa que vai jogar contra a França, que está em casa, ou contra a Alemanha, que manda na casa de toda a gente. Pá, não. É o País de Gales. Vocês nunca foram putos e jogaram à bola na rua? Estes é que são os tais dos três pontos, tájabêrohnão? É uns moços que só estão bem é a atirar a bola pró quintal do velho. Depois o filhadaputa rasga-as com uma faca. Pena os Galeses não lhe acertarem com a bola naquela cabeça caquética. Mas com um estoiro de força. Cabrão.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Não há motivo para alarme. mesmo já tendo visto o FCP perder no Dragão com o Arouca e com o Tondela, na mesma época,

(Pausa para cabeçada na secretária. Não pá, na mesa. Coitada da mulher, lá tem alguma culpa?)


posso afiançar-vos que se trata de um jogo fácil. Desde logo, o adversário está habituado a jogar com uma coisa oval, que nem bola é. É uma espécie daquelas naves espaciais que se levava para a praia, com umas pegas e uns fios e assim. Vocês sabem o que é. Não? Como não? Não são do tempo de quem? Ai a merdinha já... 


Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Por outro lado, têm a mania de jogar com as mãos. Ora bem, toda a gente sabe que as mãos são para meter atrás das costas, senão é penalty. A menos que sejamos o Renatinho, condição na qual as mãos podem ser metidas nas trombas do adversário. Portanto, presumo que aos 20 minutos já estejamos a ganhar trêzazero e a jogar contra unjoito Galeses. 

Está claro que temos que ter atenção aos lançamentos de linha lateral. Nisso são perigosos, com aquela tática de se pegarem unjaojôtros ao colo. É um bocado apanascado, mas lá que chegam maijalto, lá isso chegam. Vá que em vez de apanharem o melão à mão, comme d'habitude, um se lembra de lhe dar com a testa. Ainda é golo, se o poste do Patricio estiver desconcentrado. Depois é o cabo dos trabalhos para levar o jogo para os penalties

Portanto, é melhor darem uma de Schauble e irem logo avisando os tipos que a vida lhes vai correr muito mal. Nem vale a pena estarem com grandes esforços, só se cansam e no fim dá merda. E ele a cagar. Sanções. A menos que alguém lhe enfie uma rolha pelo entrefolhodolhodocu acima. Se alguém o levantar, eu ofereço-me. É que não posso fazer esforços à conta de duas hérnias e coiso.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola. É como vos digo, nada temos a temer. Basta jogar na descontra, sem pressão, que eles acabam por revelar como são fraquinhos. Nem o médio de abertura dos gajos joga! Era o que mais faltava, a Seleção Nacional de Futebol perder contra uma equipa de Râguebi. Estaijabrincar comigo, poistais? Era só para me assustarem, poijera? 

Ou para poderem ganhar o vosso, à conta de análises e contra-análises e crónicas e o caralho voador kusfoda, pois foi? E eu que pensava que não se podia ser mais circense do que vocês todos já tinham feito. Ah, mas desta vez esmeraram-se, abriram novos horizontes, ultrapassaram o espaço, a última fronteira. Desta vez meteu um microfone submarino, posteriormente resgatado e transformado em peça de museu, com direito a redoma e tudo; desta vez tivemos um Presidente na Zona Mista de um jogo de futebol. Da próxima vez, acreditem no que augura o Silva.

Era sobre o jogo de mai'logo isto. E tudo o que eu queria dizer é que acho que vamos ganhar cincazero, pois claro!


...

Tenho a certeza que era sobre uma coisa interessante, isto. Ah, pois, os B. Infelizmente, já não tenho mais tempo agora. Mas fica prometida a posta e vai ser espetacular. Lembrem-se que eu sou o gajo que anteviu um País cujo Presidente apareceria numa flash interview no fim de um jogo de futebol. Não têm como duvidar do que aqui se escreve.

- Na! Jyst kidding, dde? - E manda um chutão pás couves. 


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Soundtrack to nostalgia: Como é que sabes Mike?

domingo, 3 de julho de 2016

Resumo da Semana: Happy endings



Toda a gente gosta de finais felizes. Mesmo quando a pessoa saiba que ressuscitar o bastardo morto dá cabo da história toda, acaba por se lixar para isso em favor da possibilidade de um final feliz. É certo que os intelectuais e os especialistas em cinema, por exemplo, valorizam muito os finais trágicos. São mais realistas, dizem eles. E é pena que o Mundo e a Vida nos ensinem isto. O mais normal deviam ser finais a la Cinderela, em que a gaja boa fica com o seu Príncipe - bem feito que há-de ser panasca, todo musculoso e cheio de cabelo e coragem e assim, mariconço; e as gajas más e feiosas, mas jeitosinhas de mamas, ficam pela rua da amargura, a precisarem de consolo. Ou a afogarem a sua maldade invejosa entregando-se à lascívia da turba normalóide. Olé.

Está claro que há finais felizes um tanto dúbios. Quando a pessoa está numa casa de massagens em Banguecoque e a massagista tem metro e oitenta e cinco, por exemplo. É sempre melhor ficar com a marquesa mais perto da porta, por segurança, não vá o happy ending sair-lhe pela culatra. Quer dizer, entrar, o que parece ser bastante pior. Não obstante, temos por aí uma série de grandes especialistas em Pessoa que recordam sempre o mui célebre "primeiro estranha-se, depois entranha-se", a propósito deste tipo de desancontecimento. Já se sabe, o happy end de uns é as hemorróidas de outros.

- Oh, que parvinho, Silva. Sempre com essas brincadeirinhas. Vá por mim, estranha-se as primeiras vezes que se entranha. Mas depois, já a pessoa está apta a ser entranhada a torto e a direito, de quatro e três em pipa. - E pisca-me o olho, sorridente. Credo.


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Quem acredita cada vez menos num final feliz para o filme cujo guião ajudou a escrever, é Mr. Johnson. Ah e tal, não devias andar a brincar com coisas sérias, como o Brexit. Balelas, digam lá se isto não é melhor que o GoT? O tipo andou semanas a mentir ao povo em autocarros, apoiado pelo seu fiel escudeiro. Só que isto é uma guerra de famílias e, portanto, a coisa pode sempre descambar num red wedding.

Mas lá está, não deixa de ser bem feito para aquela espécie de Trump de pacotilha, com sotaque chique. E por isso, de uma enviesada maneira, é uma espécie de final feliz. Incha.

Há um cheiro cada vez mais forte de que isto está apenas no inicio. É um filme que já promete umas quantas sequelas. Para já, apreciemos este "Brexit - A confusão Inicial".

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Ainda nos meandros Europeus, e depois de ter defendido que esta era uma oportunidade para uma Europa coesa e blablabla, só me apetece fechar o paraplégico no canil do Ramsey Bolton. Como o velhote tem mobilidade reduzida, punha-se lá este a empurrar. Ou a levá-lo ao colo, para o paralelismo ser maior.  Foda-se, se não era de lhe ter dado a paralisia na língua em vez das pernas.

No entanto, é curioso reparar que as declarações são sempre prestadas a media Alemães. Numa de: Esses preguiçosos do caralho já vão ver o que os espera, a ver se não abrem a pestanola. Nós somos mauzões e vamos tratar-lhes da saúde até aprenderem a comportar-se como gente. Nada temam, generosos contribuintes de nome Schmidt, não deixaremos os Silvas extorquirem o vosso rico dinheirinho. 

Depois aparecem aqui na Tasca e bebem um tinto do Douro, aparecem no Douro e bebem um Porto, aparecem na Capital e comem uma nata, no Porto e arrotam tripas pela noite da baixa. Vão de mamocas ao léu molhar os pés nas águas tépidas do Sotavento, ficam sem a carteira, mas têm o Zézé para as besuntar de creme de cenoura e assim. E pronto, lá lhes passa isto de serem agarrados à nota. Final feliz. 

Há uns anos, no meio de um Portugal vs Alemanha em shots de tequilla com sal e limão - que nenhum dos intervenientes sabe como acabou - disse ao Hans:

- Epá, tens que compreender. Imagina que trabalhavas naquele prédio mesmo em frente da praia. A partir de abril, a tua vista da janela era a areia branca cheia de gajas bem boas de mamas à mostra. Ficavas lá a trabalhar, kéjbêr? - E ele, um tipo aparentemente normal, com uma namorada com um nome impronunciável - acho que era Schaublaurenz ou assim - respondeu:

- Prrimeirro acabava o trrabalho. Depois ia a correrr parra a prraia. - E eu concluí:

- Lá está, Hans, uns nascem para trabalhar, outros nascem para foder. Porque havemos de complicar e contrariar a natureza? Just keep sending the money. - E brindámos com o tricentésimo  shot que as raparigas, por que milagre não se sabe, tinham conseguido ir buscar ao bar.

Agora que penso nisso, será que o gajo se chamava Hans? Ou seria Wolfgang? Nop, era mais novo que isso e parecia saber andar...


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Por cá, o sentimento é contraditório. Por um lado, temos o nosso amigo Centeno - eleito o Ministro com ar mais pascácio da História - a desconfiar do final feliz que andou a anunciar ao Mundo. Vai-se a ver, meus caros, e feitajascontas, isto não vai bater lá muito certo. Depois admiram-se que venham os Wolfgangs desancar a malta.

Por sorte, o nosso vendedor de flores favorito veio logo colocar os pingos nos is. Ah ganda Tó! É isso mesmo, meu mariola. Agora acreditar em previsões, em fantasias, em disparates. Nada disso, a realidade é que dita as regras. A menos que a realidade não sirva  muito bem os nossos propósitos. Altura em que lançaremos mão de uma resma de previsões. 

Desde que acabe bem para o António, o Costa está contente. Pois.


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Nuestros hermanos provaram que têm mais piada que nós. Não só deixaram tudo maijómenos na mesma à segunda, como ainda arranjaram maneira de botar a malta a rir-se à descarada nas trombas do moço de rabo de cavalo. Não sei quem é que me fez lembrar. Ai espera, sei pois!

No fim do dia, com tanta volta e reviravolta, ainda vão acabar os castelhanos com a megageringonça expectável desde dezembro de 2015. Se tiverem o jogo de cintura do nosso Primeiro e aquilo funcionar, revezando a liderança, arriscam-se os Espanhóis a ter estabilidade não por quatro, mas por quarenta anos. Resta saber se isso será um final feliz.

De todo o modo, é engraçado descobrir que há países em que é preciso ganhar as eleições para se governar. Modernices.


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Olha, por exemplo na Áustria. Aparentemente, o tipo da extrema direita radical vai ter uma nova oportunidade de chegar ao poleiro. Sabemos que isso são péssimas noticias quando a amiga da Catarina fica contente com o sucedido. Pronto, está bem, talvez não sejam amigas do peito, mas não se importavam nada de ver as sequelas do "Brexit - A confusão Inicial" juntas.

Pior que isso, é que todos nos lembramos do que sucedeu da última vez que os proletários votaram em massa num tipo de direita radical, com um cabelo à mete nojo. Pois lembramos? Não tem um final feliz, este tipo de história.


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Em Istambul e em Bagdade o Mundo continuou a explodir na promessa vã de setenta virgens. É certo que levamos isso menos a sério do que se for Paris ou Londres. Bem, Londres agora parece que é mais longe. 

Um atentado em Bagdade não é uma grande novidade e Istambul... Istambul já é quase lá em Bumpólis ou Rebentólândia ou lá onde fica isso das Arábias.

Mas o que diz de nós que 130 almas nos doam menos se estiverem em Bagdade do que em Paris? Que somos os primeiros a comprovar a tese radical de que somos infiéis nada preocupados com a sorte dos escolhidos de Deus? 

Não quero ser hipócrita e por-me aqui a berrar que para mim a dor é igual. Não é! E sinto uma certa vergonha por isso. Por esse triste final me fazer chorar mais ou menos, consoante a sua geografia. E vocês?

A propósito disto, o Lápis ensaiou uma explicação. Faz-me sentido, mas... não chega para apagar o meu desconforto. E lembro-me do ágape do mr.fighter. Estou tão longe.


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Por falar em Paris, andam por lá piores que estragados à custa dos Portugueses. E não é das porteiras. Eu cá acho uma delicia. Nada melhor que um bando de Franceses chauvinistas à beira de uma embolia à nossa conta. Sim, porque mete nojo ganhar à Croácia aos 117 minutos, com um paio descomunal. De homem é ganhar à Albânia e à Roménia nos últimos cinco minutos, empatar com a potência Suiça e andar a tremer contra a incrível Irlanda. Diabos me carreguem se não sou, pela segunda vez neste campeonato, Islandês.  

Já acho mais estranho que por cá o discurso não seja muito diferente. Os nossos sempre brilhantes analistas, não sentem propriamente nojo da Seleção - não vá a malta limpar aquilo e eles ficarem fora da festa - mas do que gostaram mesmo, mesmo, mesmo, foi do esplendorosótástico Alemanha vs Itália. Que maravilhoso espetáculo tático. Já o Portugal vs Croácia, meh, fraquinho. Se aquilo é o melhor do Mundo, vou ali e já venho.

O que se sabe é que faltam dois episódios para isto acabar e, dê lá por onde der, já ninguém pode dizer que foi um flop. E eu cá estou convencido que vai ser um happy end à grande e à Francesa. Tooomaaa! 


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O Maicon devia pedir desculpa ao Professor Jesualdo Ferreira. DU-VI-DE-Ó-DÓ que o homem tenha metade da culpa da bela bosta em que te tornaste, moço. Triste fim.


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Se pensar bem nas coisas, consigo entender porque é que uma pessoa não pode competir com um espertófone ou um PC. Somos muito mais desinteressantes. Passam-se menos coisas na pessoa do que no Facebook.

O resultado é que as pessoas se estão a perder, de algumas formas. E há estudos que já demonstram que os putos estão a deixar de ter certas competências sociais. Como por exemplo, a capacidade de entender a linguagem corporal ou o tom do discurso do seu interlocutor. Quando postos face a face.

Mas mesmo giro, é quando se ofendem os sociais redistas. Veja-se o Rui Sinel de Cordes, que é um tipo que, como calculam, admiro basto. É, aliás, dos meus humoristas preferidos. O "Gente da minha terra" é das melhores coisinhas que se produziram para TV. Por tuta e meia.

Acontece que o Ruizinho é moço para brincar com atentados, deficientes, gostos sexuais, raça, enfim, com tudo, de uma maneira muito crua. Com palavrões e tal, quando lhe dá. Não sei quem me parece... 

Como é que um gajo destes amua e faz birrinha e escreve isto, é para mim um autêntico mistério. Para mais, com aquele finalzinho ressabiado do "Oh, fiquem praí, seus montes de merda. De qualquer maneira, não me merecem". Oh Ruizinho, quem vai à guerra, dá e leva, rapaz.

- É como ir às machagenjabanguecoijo, poijé Xilva? 

Mas vamos adaptar-nos e vai acabar bem. Ou então não...


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Soudtrack to happy endings: #yourlife

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A auto-elegia de Blimundo Silva (por ocasião da sua morte)



Austera, foi a palavra que, muito anos depois, o então pequeno Bonifácio encontrou para descrever a casa mortuária onde se velou, de corpo quase sempre ausente, seu pai. A memória apagou-lhe as grandes janelas rasgadas sobre o vale, por onde o Sol de um verão de São Martinho serôdio troçou das invernosas vestes. 

De resto, a nudez das paredes, com um crucifixo único cravado logo acima do caixão, em muito se devia à exigência do próprio morto por ser: Proíbo-vos de pendurarem quadros de Santos ou os próprios Pobres Coitados. Encarregar-me-ei de vos tornar as noites em pesadelos do Além se o fizerdes. Para além de que eu próprio os retirarei à paulada antes de me morrer. Assim disse Blimundo Silva, na hora de acertar a jorna com as carpideiras que o haveriam de chorar.

De igual maneira, mandou retirar as cadeiras e os bancos corridos. E só não conseguiu desinstalar a modernice do ar-condicionado, porque o senhor Presidente da Junta lhe bateu o pé: Oh homem, você não está bom da cabeça. Então depois de três quermesses para arranjar o dólar para o instalar, ia agora arrancá-lo por sua causa. Era o que faltava. E digo-lhe mais, até deve dar mais gosto morrer nestes tempos, que está sempre o ambiente temperado na sala. Nem precisam as carpideiras de capotes, nem se transpira o cadáver. E riu-se. Depois deu-lhe duas palmadinhas nas costas e perguntou-lhe se tudo corria bem. Haja saudinha, que é o que é preciso.

Tirando as profissionais, que muito bem laboraram na opinião de toda a gente, estavam convidadas as pessoas que se esperariam. Um ou outro menos próximo, com um ar mais espantado. Afinal, não é todos os dias que o futuro falecido nos convida para o velar. Ainda para mais quando, ao chegar, se repara que tudo está no sitio: O caixão no centro, abaixo do crucifixo; as flores, em quantidade razoável, em volta: Mimosas da berma das estradas, gerberas, algumas estrelícias, ramos de margaridas e malmequeres, muitas rosas - duas eram brancas; o último circulo desta concentricidade composto por almas, umas chorosas, outras nem tanto; só falta mesmo o corpo de Blimundo dentro do seu fato de madeira. Aberto.

Não se pode dizer que a chegada do morto tenha provocado uma grande comoção, até pelo receio de que tais manifestações o irritassem. Não fosse o desgraçado enervar-se no dia da sua morte. Ou pior, decidisse adiar para outra ocasião. As pessoas têm as suas vidas e elas muito raramente se compadecem das mortes. 

Ainda assim, houve murmúrios e duas ou três fungadelas mais sonoras, quando aquele homem alto e bem composto de carnes, mas não flácidas, desfilou pela sala no seu fato de cerimónia completo. Fraque de abas de grilo e sapato bicudo de verniz incluídos. Destoava o caixote de madeira na mão, daqueles antigos, da fruta, que já nenhuma mercearia utiliza. Sendo que as próprias mercearias já não se utilizavam à época.

Caminhou em dez passos bem medidos até aos pés do seu caixão, trocando olhares e semi-sorrisos com quem as vistas se cruzavam. Pousou o caixote e trepou-lhe para cima, improvisando daquela forma menina o último palco da sua velhice. Ele, um moço de meia idade. 

Olhou em volta, nas costas apenas a parede crucificada, e assentiu com a cabeça. Aguardou um momento, para que as carpideiras baixassem o tom da choradeira. Pigarreou e estendeu muito bruscamente os braços, com as palmas das mãos para cima. A sala silenciou-se na metralha das primeiras palavras, como que disparadas em rajada da sua boca, naquele tom grave que todos conheciam:

- Estas as minhas mãos. Que vos tocaram, que vos roubaram, pois que guardo nelas tudo quanto pude tirar de vós. Não o que quis, mas o que me foi possível e me deixastes.

Estas as mãos que te decoraram os traços do rosto, de modo que nos dias sem ti te pude desenhar no ar. As mãos que se moldaram ao teu seio, a medo, em ondas de luxúria contida, não te fosse magoar. E que te marcaram as nádegas assim que assumiram, de si para consigo, a posse da tua pele. Com estas nos abraçámos sôfregos e nos despedimos derrotados pelas distâncias que jurávamos encurtar. As mãos que nos demos em passeio e em medo de nos perdermos.

Estas as minhas mãos. - E olhou-as. - Com que vos embalei e vos atravessei estradas e baloicei num pneu pendurado numa árvore, à beira de um rio feliz. As mesmas que se apertaram até ter unhas nas palmas, do susto do vosso sofrimento. Grandes nas vossas, pequenas para tanto que vos amei e vos quis ver florir. As mais belas das criações que, só por sorte, pude reclamar para mim.

Ah as minhas mãos, que com enxadas lavraram e com penas rimaram. Construíram sem jeito, alterando as paisagens serenas, e destruíram supostos obstáculos nos nossos múltiplos caminhos. Sinto-as para sempre a baterem nos meus joelhos numa gargalhada, assim como se fecham eternamente num punho que me segura as lágrimas.

É este o meu legado em vós. O que vos deixo é só a memória do tempo que nos escorreu entre os dedos. E as coisas. - Deixou cair, por fim, os braços já dormentes. - As coisas que, mãos nas mãos, deixámos ao Mundo, para que ele se recorde de nós. Grãos.

Do bolso de dentro do casaco, tirou uma folha que desdobrou. Exibiu-a:

- Estas as minhas palavras. Com elas fareis nada. 

Uma brisa suave intrometeu-se pelas frestas das portas pesadas, rodeou o pedaço de papel, pegou-lhe como se de mãos se tratasse e levou-o pela janela entreaberta, flutuando por cima do vale, para lá do monte, sabe-se lá para onde.

Blimundo Silva subiu do caixote ao caixão. Deitou-se, tendo o cuidado de manter as abas do fraque impecavelmente esticadas por debaixo do seu traseiro. Baixou a tampa e fechou-a por dentro. 
  

domingo, 26 de junho de 2016

Resumo da semana: K.I.S.S. Europa

...mas depressinha ohfaxabôr...


O meu avô Alvarim sempre me disse: Oh morcom, a simplicidade é uma coisa muito complexa. A bem da verdade, diga-se que o velho estava enganado. A simplicidade é uma coisa muito difícil, mas nada complicada. Acontece que vai dar ao mesmo.

Acredito que nascemos maijómenos puros e, portanto, simples. Mas desde o berço que nos ensinam a complicar. Porque a Civilização sobrevive à custa de mamar na complexidade. Epá, o bebé está a chorar. Ou quer mama, espertalhão, ou está todo cagado. 

Nanana, temos aqui este aparelhómetro que interpreta o tom do berreiro. Já veremos o que nos está a dizer o rebento. Nanana, deixá-lo chorar, tenho aqui um livro de um notável pedófilo que ensina que não devemos acreditar em tudo o que as crianças berram. São muito esquivos, os petizes. Hã? Ah, não, é pedopsiquiatra, desculpa. Ufa.

Quem não tem aquele colega de trabalho para quem tudo o que envolve as suas tarefas é basto complicado? Ui, isto não é assim tão simples. Era bom, era. Então achas que basta enfiar documentos na destruidora de papel e já está? E alinhar as folhas? E garantir que as farripas ficam todas do mesmo tamanho? E carregar no botão do destroy no momento certo? Não meu amigo, isto é mais complicado do que parece. Ainda quero ver o que fazem se eu meter baixa. Espera, deixa-me fazer um like na foto da minha vizinha.

E é disto que vivem os comentadores, os analistas, os políticos, os especialistas em geopolítica, em relações internacionais, os diplomatas, o Nuno Rogeiro, os estrategas de uma maneira geral e os gurus da comunicação, de modo particular. Vivem de complicar. Porque se fosse simples, eles não eram precisos para nada. 

É claro que os maiores culpados somos, como sempre, nós, comuns ignorantes. Não pela ignorância, que em si é o melhor que o Mundo tem, mas pela avidez com que os ouvimos. E nos predispomos a acreditar, sem questionar, que nada é tão simples como parece. E se for?

...

Vai por aí uma complicação do caraças à pala do Brexit. De uma maneira geral, todos os espertos estão de acordo: É o fim do Mundo em cuecas. Ai espera, não, é só da Europa em ceroulas. Quer dizer, desta Europa. Qual? Uma qualquer, sei lá eu. Não foi sobre isso que pediram o comentário. Se era para pensar, ficava mais caro, ok? Basicamente está tudo perdido, terminado, acabado. Para nós, porque para os Grandes Bretões está maravilhoso, pois claro. Soa assim um pedacinho estranho, não?

Eu, que sou burro, não consigo compreender. Deixa lá ver, a Grã-Bretanha nunca foi parte do Euro, exceptuou-se a tanta regra, nomeadamente deveres - que dos direitos não se exceptuava de nenhum - e agora aqui d'el Rei que se pôs ao fresco? Portanto, a Velha Albion mudou-se de um sitio onde nunca morou e está tudo em pânico porque a casa vai ficar vazia? Oh Silva, isso é demasiado simplista.

Vou então pela matemática:

1 - 27 > 28 - 1, é uma proposição falsa ou verdadeira?

Opá, isso não é assim tão simples. Depende de quem é o um. Vejamos, se forem 27 cegos tetraplégicos contra o Rooney, é verdadeira. 

E porque é que ninguém vê o Kroos, o Pogba, o Buffon,o Iniesta, foda-se pá, o Ronaldo, o Modric, o Hazard, contra o Bale? Sozinho.

Porque para ver o lado menos negro das coisas, não precisamos de comentadores, analistas e especialistas. Quanto pior o cenário, mais as pessoas os querem ver, ouvir e ler. Mais falta fazem os queridos fazedores de opinião - e de cera - que nos esclarecerão, do alto da sua original sapiência.

Deixem-se de merdas, não tem que ser uma grande hecatombe e é muito provável que a Albion se sinta muito mais Velha do que a Europa que decidiu abandonar, pobres de nós. A menos que desatemos a complicar e a fazer o jogo de quem passa a querer que as coisas nos corram muito mal. Para se justificar. Na sua miséria.

Para além do mais, é bem feito para o David. O Referendo não foi mais do que uma artimanha para suster o crescimento do UKIP e se alapar ao lugar. Depois foi correr para Bruxelas, arranjar um acordo mal amanhado que, basicamente, punha o UK ainda mais fora da União do que já estava e começar a fazer campanha. Qual Tsipras a prometer lutar contra a austeridade, depois de ter assinado o acordo mais austero de que há memória.

É tão simples olhar para os resultados.

Muito interessante reparar como a Grã-Bretanha procura ignorar os problemas que se arranjou. O Remain só ganhou, e muito expressivamente, em três zonas: Londres, Irlanda do Norte e Escócia. Ena, quando será o próximo referendo pela independência da Escócia? Eh lá, e se a Irlanda do Norte, tão integracionista, não quiser mesmo nada deixar de ser Europa? Como o seu vizinho de baixo. Quanto vale Londres numa eleição legislativa?

É igualmente muito interessante reparar que o Leave é tanto mais expressivo quanto mais subimos no escalão etário. É verdade que a Albion está tão Velha quanto a Europa, daí a vitória dos velhos Imperialistas. Mas é inexorável que morram primeiro os mais velhos. Quanto tempo demorará a Grã-Bretanha a querer voltar à União? O tempo suficiente para ter saído? Ou será até antes?

Por fim, tenho a certeza que nos esperam tempos muito divertidos. Vai ser catita ver a Catarina, o Jerónimo, a Marine, o Norbert, todos no mesmo coro.  

Resolver a Europa de uma maneira estupidamente simples só implica dois passos:

1. Referendar em todo o lado, para saber quem fica e quem vai.
2. Se sobrar Europa Unida, levar o projeto a sério e até ao fim. Ou seja, aos Estados Unidos da Europa. 

Porque esse é o caminho. O único. Mas eu sou um simples Federalista. Está claro que terei o maior gosto em debater com qualquer de vós as questões da Soberania e do Orgulho Nacional e dos Afins e de toda a espetacular Série de Balelas, em verde e vermelho. Curiosas as cores, não?

Sim, é uma magnifica oportunidade de sermos uma Europa solidária, coesa, una na sua diversidade e, finalmente, retomarmos o lugar que estamos obrigados a ter na História. Sem tretas desta vez. 

...

A propósito de Europa, Portugal já vai nos quartos de final do Euro. Sem ganhar um jogo que seja nos 90 minutos. E a mim que mimporta. Ontem ganhámos com um piço tal, que já anda tudo à procura da antítese da Lei de Murphy. Vamos chamar-lhe, por ora, o Postulado Santos:

" Se fizeres praticamente tudo mal, o resultado final será bom. Graças a Deus. "

O facto de existirmos como Nação ao fim de 1000 anos, ajuda a provar a bondade da tese, passo o exagero. Mas analise-se o lance que nos deu a vitória contra o Boavista, ou o Moreirense ou lá quem eram os gajos:

O espetacular Renato arranca com a bola, no ressalto de uma bola ao nosso poste, sem oposição. Tendo jogado menos que os outros e possuindo uma notável, diga-se, capacidade física, vai por ali fora. Falha o tempo de passe. Demora. Demais. Está quase ao colo do Nani quando lhe dá a bola. Menos mal que, desta vez, não falhou um passe simples. O Nani já não sabe o que fazer e opta pela solução mais simples: Vai já um biqueiro daqui e seja o que Deus quiser. Mas bica mal, pelo que a bola, em vez de ir para a baliza, vai direitinha ao Ronaldo. A quem basta metê-la dentro da baliza. Mas acerta antes no guarda-redes, pelo que a bola ressalta direitinha à cabeça do Quaresma, que faz golo. A 30 centímetros da linha, felizmente, ou ele tentaria uma trivela de bicicleta. Hosana!

Estou contente com isto e acho que devíamos estar todos. Porque a frustração, neste caso, só pode existir por manifesta falta de simplicidade. Estamos entre os 16 melhores, com belas hipóteses de passarmos aos últimos 8. E já despachámos uma das boas equipas do torneio. 

Ah, majé tudo pobrezinho. Ah, majocapitão devia de ser o meu tio Arnaldo e não aquele arrogante. Ah, majoRenatinho devia de jogar sempre, mesmo nojintervalos. Ah, majocaralhokiosfoda maijósdisparates. 

Porquê complicar? Está a correr bem. Sejam simples e enfrentem a realidade, não é preciso inventar. O xôringinheiro pode dizer o que quiser. O PML, na senda de ser o mais fofinho de todos os que são tripeiros - para dentro e para fora - pode indignar-se o que lhe apetecer pela ausência do Sanches. Compliquem à vontade, como se acreditássemos.

Nós, os simplórios, só temos que olhar para a equipa que começou o último jogo:

Patricio - Disseram Courtois? Buffon? De Gea? Opá, Casillas? Neuer? Lloris? Baía?
Cedric - Ouvi Sagna? Azpilicueta? Rose? João Pinto?
Pepe - MotM
Fonte - Quem? Piqué? Hummels? O suplente Mangala? Chielini? Jorge Costa?
Raphael - Este faz-se, mas não viram ali o Alaba, não? O Evra? Ok, é melhor que o Nuno Valente.
William - Nainggolan, Kanté, Khedira, Fernando, Danilo? Ora, Ruben Neves!
Adrien - Oh c'mon...
João Mário - Vê-se logo que é do Porto, mas... Pogba, Modric, Kroos...
André Gomes - Em que lugar? À esquerda? Oh, para isso até o Tarik.
Nani - Muller, Payet, Sturridge, Bale, etc, etc... André?
Ronaldo - Oh yeah! Afinal temos um! UM!

Pode alguém ser quem não é? Pode! Olha, estes já vão nos quartos e prontos a somar! Até porque a seguir vêm os Polacos e eu tenho contas a ajustar com um deles. Blöd

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Keep it simply stupid? No, keep it stupidly simple! Como o Ronaldo perante um microfone da CMTV.

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Soundtrack to Europa: Vai lá Ronaldo...e devolve o micro ao cachopo. 



   

domingo, 19 de junho de 2016

A Licas e o Cristiano. Afinal havia outro.



O meu mal é nervos. Não é maneira de falar, é mesmo assim. Aqui há atrasado, um médico até me disse: Oh homem, o seu mal é nervos. Foi-se a ver, tinha duas costelas partidas a perfurarem-me um pulmão. Mas lá por isso, o doutor não deixou de ter razão. Eu estava mesmo nervoso. Até tinha dificuldade em respirar.

O problema não está no efeito estufa e no aquecimento global. Pode ser que advenha das hormonas da carne de frango, ou da pegada ecológica de belos nacos de vitela solteira, ou do efeito cancerígeno dos fertilizantes do agrião - em si, supostamente anticancerígeno, é pena o fertilizante - mas eu tendo, cada vez mais, a concordar com a Licas: A questão dos nervos é derivada das pessoas.

Vocês não conhecem a Licas, mas a moça tem uns rankings espetaculares: A segunda melhor mousse de chocolate do Mundo, ex aqueo. Mas é muito mais regular que a concorrência. No arroz de pato, é líder incontestável. Só uma estalagem em pleno Caramulo, conseguiu alguma vez aproximar-se do arroz de pato da Licas. E foi há tanto tempo que já nem na RTP Memória se lembram. 

Para além disto, como se fosse pouco, é de grande consistência culinária de um modo geral, destacando-se ainda no cheese cake, onde ombreia com os melhores. Isto era a propósito de quê? Ah, pois, das pessoas. É da fome.

A Licas defende que o grande problema do Universo é que não habitam nele apenas os seres que ela própria tenha escolhido. E se condescende no caso dos animais e das plantinhas e das pedrinhas e dos calhaus e assim, quanto toca a pessoas é muito drásticas: Puta que os pariu, foda-se. 

Isto é ela, não sou eu, bem entendido. Eu cá nem conheço a mãe da maior parte dos indivíduos que a cachopa inclui na lista "Nem mereces o ar que respiras".

Eu discordo. Acho que a Licas exagera. Penso que é bem catita a diversidade e tenho sempre a esperança que o próximo seja o Humano que vem salvar a Humanidade. Apesar disso, confesso que as pessoas me enervam. Depois venho descarregar para aqui, irritando a pobre clientela que procede a desancar-me, o que me enerva. 

Razão tinha o doutor. Agora costelas, tá bem tá.

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Tanta léria por causa do Euro, que até era suposto não ter direito a mais post nenhum na Tasca. Mas afinal havia outro, porque estou basto aperreado. Vou fazer de conta que sou um conhecido e reconhecido opinador Portista na imprensa vermelha, podem escolher o que quiserem, e vou por partes.

1. 

Estou a gostar muito do Euro. Primeiro porque gosto de qualquer coisa que me proporcione um mês inteiro com dois a três jogos, a sério, por dia. Se se cruza com a Copa América e eleva o número para quatro a cinco então, ui, só me sobra mesmo tempo para os orgasmos. E para o trabalho, pois claro, queridos patrões anónimos. 

Depois, porque tenho visto jogos bem interessantes. Tenho mesmo gostado do nível médio. Pouco tédio, algumas semi-surpresas, uma ou outra verdadeira surpresa, emoção qb e futebol bastante aceitável. 

Por fim, porque as minhas seleções parecem todas bem lançadas para continuarem em prova. A saber, por ordem de preferência, Portugal, Inglaterra e Espanha. Claro que não me admiro nada se tivermos uma final Itália vs Alemanha. E também estará muito bem assim.

2.

O folclore à volta da nossa equipa enerva-me, já se sabe. Primeiro, somos os maiores da nossa rua, depois somos os piores do Mundo, para voltarmos a ser o arroz de pato da Licas e, logo de seguida, a zurrapa tinta que vende a concorrência da Tasca. E estamos apenas a falar de bola, let alone o chinfrim mediático que já me dá para rir, a bem da minha rica saudinha.

Ora vamos lá ver meus amigos. Depois do primeiro jogo,  disse que aquele teria sido o mais complicado desta fase. E mantenho. Ontem correu bastante melhor, contra uma equipa supostamente mais forte. Penso que o jogo mais fácil para nós é o próximo. Porque a Hungria joga como a Áustria, mas tem menos qualidade. Quero cá saber do que dizem os resultados. 

Portanto, ao contrário da Nação de carpideiras, acho que está a correr bem. Se me perguntarem se Portugal devia ganhar à Islândia, eu acho que sim. E a Holanda também, twice. E à Áustria? Também. Como a Suécia e a Rússia. Agora, o que não pode ser escamoteado é que, de facto, merecemos ganhar ambos os jogos. Ainda melhor que isso, não perdemos nenhum deles. Ai agora temos que ganhar o último? What's new pussycat?

Em favor da minha tese, remeto para os respetivos jogos. Estivemos bem melhor contra os Austríacos do que contra os limpa-neves. Sendo que eu acho que, dadas as características das partidas, não estivemos nada mal em nenhuma delas. A menos que fossemos aquela equipa que - por alma de quem? Credo! - parece que se decidiu, por decreto, que somos. Aha, por fim, um novidade para vocês, gatinhos: Não somos! Nunca fomos. Vai daí, parem lá de fazer figuras tristes que me enervam.

Ou seja, estou convicto que ganhamos tranquilamente, se mantivermos o nível, à Hungria e nos apuramos sem chatice. Espero que connosco passe a Islândia e que a Áustria fique em último. Irritam-me equipas para quem o empate não serve e que passam o jogo todo a defender. Era o que faltava serem eles a ganhar a Taça de Portugal. Nos penalties. Filhos da puta.

3.

Habituados a comer palha, os tugas dançam a música que lhes derem. Somos os melhores do Universo. Ai espera, somos uns bandalhos, não valemos nadinha. E de quem é a culpa? De quê? 

De sermos os maiores, é da malta que comenta na TV. De sermos os piores, é do Cristiano Ronaldo. Que também é o maior, até sermos um lixo. É um pedacinho esquizofrénico, mas se calhar os Povos são todos assim. Agora, que me enerva, enerva.

Caríssimos, se vocês não conhecem, eu apresento-vos: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro

Provavelmente, que houve muitos que não vi jogar, o melhor jogador Português de futebol de todos os tempos. Os números servem para muita coisa, é certo, mas com aquela consistência, não enganam. Sim, este é o nosso He-Man.

E vai daí, tem que jogar sempre. Sempre! Esteja bem ou mal disposto, vai ser o melhor na mesma. Portanto, é deixarem-se de merdas ohfaxabôr. Porque é basto estúpido desancarem o moço. Correm um risco elevadíssimo de terem que engolir tudo no momento seguinte. Ainda pior, posso muito bem apanhar uma camada de nervos quando vos vir a festejarem, quais Carmelitas à beira da defloração, uma vitória que o rapaz nos tenha arranjado. Olha, não era a primeira vez.

Estou muito confiante pela equipa e também porque temos um dos três melhores jogadores do Mundo. Outro é Messi e dou um de barato para quem gostar de acrescentar malta, só para ser diferente. Se gosto da pessoa ou não, nem interessa para o caso. O jogador é imprescindível na equipa. Qualquer equipa. Por isso, calma, calma, ele está aqui. É nosso. Ainda bem.

4.

Estou perfeitamente a lixar-me para as guerrinhas de clubes que por aí vão. Danei-me se o Danilo joga ou não joga. Desculpem lá, isso fica para mais tarde. Não simpatizo particularmente com o xôringinheiro, mas não o tenho visto a ser assim tão subserviente como o querem pintar. Mas também vos digo, se for preciso meter o avô do Idrisa Sambu em campo para os postes do adversário se desviarem, epá, sou todo a favor. Vocês sabem de quem eu estou a falar.

Outra coisa é a pouca vergonha dos media. Lá está, um monte de pessoas a enervarem-me. A vocês também irritam? Pois. No fim do dia, a culpa é nossa que perdemos tempo a ouvi-los. 

Quer dizer, vossa. Eu não lhes ligo nenhuma. É que não me posso enervar, por recomendação médica.

...

Oh Lima, esta é fácil. Dá lá música ao Povo.




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Direito de Resposta

Ao abrigo do Direito de Resposta, previsto na Lei de Imprensa, aqui se publica, a pedido da Sporting Clube de Portugal - Futebol SAD, o seguinte comunicado:

COMUNICADO N 345.273/16

Na sequência dos disparates emitidos ontem por determinado órgão de desinformação, cujo nome começa por T e acaba em V e tem ascaT no entretanto, vem esta Sociedade esclarecer:

1. O Exmo. Senhor Presidente do SCP, Senhor Burr... digo Bruno do Cara...digo Bruno de C., assim é que é, não é ex-badocha, pois que nunca foi, não é e não será badocha. Em tempos teve um problema de inchaço abdominal, qual balão, provocado por uma condição de saúde, à conta de abusar da chispalhada à Transmontana, com bastante repolho. Nada mais que gases, portanto. 

Com a intervenção do Dr. Cid, José, reputado Transmontanólogo, foi possível implantar-lhe um pipo. Assegurando assim a libertação do ar em excesso e permitindo ao Presidente do SCP assumir a sua atual forma menos arredondada.

Aos órgãos de comunicação exige-se rigor. Pelo que é lamentável assistir a um ataque soez e pejado de rancor, cujo fito único é apoucar a esplendorosa, porque magnificente (alô xôr Lima), obra que tem levado a cabo tão magnificente, porque esplendoroso, homem. 

A pequenez e perfídia de tais atos definem os seus autores. E quando se diz pequenez, vê-se logo que não é de determinado nariz que se fala. Lipoaspira lá isto, pimbas!

2. Na mesma peça é insinuado que o SCP se terá limitado a ganhar a Supertaça Cândido de Oliveira na época 2015/16, para a qual foi qualificado pela vitória de Marco Silva na Taça de Portugal da anterior época desportiva.

Como fica evidente, trata-se de mais uma falsidade. Para alguns, como por exemplo o tal de S a acabar em A com ilv pelo meio, parece que tudo é válido para esconder os seus próprios fracassos. Ainda que seja à custa da verdade.

Para esclarecimento de todóMundo, vem esta Sociedade declarar que o SCP é o único Clube no Mundo a conseguir ganhar 4 (QUATRO) Campeonatos do seu País na mesma época. E foi na de 2015/16, que ainda não terminou. Portanto, ninguém está livre de ver o SCP ganhar mais doijótrês títulos.

3. Mais informa esta SAD, que não mantém, manteve, ou tem interesse em manter, qualquer tipo de negociação com vista à venda dos Direitos Desportivos do futebolista Mantorras. Deixem jogar o homem!

O SCP, pela mão do seu lipoaspirado líder, prova, uma vez mais, que é o maior e mais bom de todos. E de todas.

Viva a Maria José Valério, Viva o Burr...digo Bruno do Cara...digo BdC, pronto, Viva o SCP.

Administração da Sportblablabla

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- Ora pronte, quem é o máior agora, quem é? Embrulharas e iras buscar, tasqueire dum cabreste. Tretacampeão! E só num ane.

- É tetra, estúpido.

- Pois, treta. E não é estúpide, é campeão. Nem falar sabes. - Estala a língua e engole a pastilha.

Triste sina ter nascido taberneiro. Havia era de criar um blogue, dass.

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NOTA IMPORTANTE: Porque vivemos tempos estranhos no Planeta e os estúpidos parecem ganhar terreno, que fique claro que todos os disparates acima são ficcionados. Ainda mais claro: É tudo a brincar, não recebi nenhum comunicado da SCP, SAD, nem pretendo que alguém tome o texto acima como sendo tal. Deusmalivre.

Ah, e também não tenho nada contra a Indústria da Lipoaspiração. Muito pelo contrário, já sugeri a uma série de pessoas que utilizassem os seus serviços. Sem ganhar comissão.

E era capaz de simpatizar com o Mantorras. Se ele não fosse lampião.

- Falta o Cid, pá!

- Oh, um gajo que usa capachinho e tem um olho de vidro e tira fotos todo nu, quando diz coisas daquelas vê-se logo que é a brincar. Ele percebe-me, aposto.

Ufa...

quinta-feira, 16 de junho de 2016

EXCLUSIVO: A TascaTV na zona mista

Sempre que ponhojóculos, é esta confusão...

A TascaTV recebeu, pela primeira vez na sua curta - mas espetacularmente brilhante - história, uma credencial para estar na zona mista de um grande evento desportivo. Foi aqui um corrupio, a ver quem é que se afiambrava à viagem e aos mini-croquetes e à possibilidade de enfiar uma lambada ao Nuno Luz e assim. Claro que não vou dizer qual foi o certame.

Depois de discutirmos democraticamente a questão, num ambiente de grande cordialidade e abertura, em que as diversas opiniões e argumentos foram analisados de forma construtiva, com os vários elementos da equipa a cooperarem no esforço conjunto de chegar à melhor solução, decidi que ia eu. Quer dizer, decidimos. É isso.

Mas estou muito arrependido. Afinal, a mais que tudo tinha razão. Lá por a Zona ser Mista, não significa que haja gajas. Tipo Sauna Mista ou Equipa Mista. Um grande desconsolo. Enfim, uma vez que lá estava, fica o registo do trabalho feito.


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Palmadão nas costas. Viro-me para enfiar um sopapo nas fuças do engraçadinho, mas detenho-me. Por medo de apanhar uma infeção nos nós dos dedos. Mantenho o profissionalismo:

- Ena, olha o ex-badocha e atual Presidente do clube que ganhou tanto como o FCP do Fonseca. Não o sabia por cá.

- Eu estou em todólado, meu amigo.

- Seu amigo será o senhor seu tio. E siga, que me está a conspurcar o plano, ohfaxabôr.

- Nem pensar. Antes de botar faladura, daqui não saio, daqui ninguém me tira. Olhe que eu já podia ter vendido um jogador por 80 milhões.

- Ena, o Renatinho também é do xportém?

- Nada disso. - Penteia o cabelo com as mãos. - E nem pense que vou dizer quem é. Descubra, que é para isso que se paga a si próprio.

- Kercásaber. Estou-me nas tintas. Andor. - Vou empurrando a besta para fora do plano. Ele finca o pé.


Oh sim, a gente lembra-se...

- De certeza que não quer? Pense lá bem. Anda toda a gente a pensar que é o Estrangulador, mas não é, lalalalala - Sapateia. Eu interesso-me:

- Por 80 milhões, aposto que era o Mário às cavalitas do Argelino, mais o Adrien de bónus.

- Também não, lalalala... - Interrompo:

- Voltas a sapatear e levas um bochecho nas trombas. Desanda mazé daqui, já disse que não estou interessado, dass. - Ele chega-se mais um pouco, olha em volta, cochicha:

- Olhe, por ser um tipo tão divertido - é uma barrigada de riso sempre que passo no seu estabelecimento - vou confessar-lhe por quem eram os 80 milhões. - Pisca-me o olho.

- E depois pões-te a mexer?

- Prometido. - Faz a cruz com os dedos e beija-a.

- Então diz lá. 

- Era  pelo Mantorras!


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Os mini-croquetes, em contrapartida, não eram nada maus. Até me ia engasgando com um, à conta de outra palmada nas costas. Irra, que mania. Era outro Bruninho.

- Atão Silva, vai um futevólei? Meu magano.

- Olha, olha, o calmeirão desajeitado. Cumékié, temos partido muita cabeça ao pontapé?

- Oh, deixa-te disso pá. Uma coisinha de nada. Maricas, chiça.

- Oh mêirmão, diz que ias voltar ao FCP e afinal acabas no quinto dos infernos de Itália? Cá por mim, já sabes, ficas lá muito bem...

- Ora, foi por minha escolha. Ach'maizengraçade Cagliari do que Palermo, tájaberohnão? - E ri-se, o palerma.

- Deixa lá ver se percebi. Preferes jogar para não descer de divisão por um clube Italiano, em vez de lutares para ser Campeão no FCP. É suposto eu acreditar nisso, certo?

- Pois claro.

- Ena, so much pelo ADN hein?

- Quê? Vai jogar o Adrien? Fosga-se, então se calhar eu também jogo. Nesse caso, é melhor ir andando ou ainda perco a palestra. Somos Porto, Silva.


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Mas não perdia, que atrás dele, a fugir com o pescoço ao colarinho, vinha o xôringinheiro. Porreiro pá. Ah, não, não era esse, era o outro. Os jornalistas todos a esticarem-lhe os microfones e o caraças. E o Nuno Luz também.

- Desculpem lá senhores, mas primeiro é para a Tasca. Não vá o tipo lembrar-se de me desancar. Diga lá, oh Silva.

- Vai mudar a equipa, mister?

- Pois, lá terá de ser. Mas acho que basta uma modificação...

- Já sei, já sei, tirar o Danilo. - Reviro ojolhos.

- Isso ainda não sei. Só sei quem é que entra...

- Já sei, já sei, o Renatinho... - Re-reviro ojolhos. A turbe mediática rejubila, há palmas, abraços, lágrimas. O Nuno Luz engravida subitamente.

- Na. - Balde de água fria. O Luz aborta espontaneamente. - De facto, precisamos de gajos rápidos, muito rápidos, super rápidos.

- O Rafa?

- Mais rápido ainda.

- O Usain Bolt?

- Na. O gajo que anda a comer a Rita Pereira.


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Pra mim basta, pensei eu. Já estava de saída quando esbarro com o Presidente e o Primeiro, meio perdidos.

- Viva Excelências. Ainda por aqui?

- Epá, ainda bem que o encontramos, Silva. Você é que é o tipo ideal para nos ajudar.

- Pois claro, disponham.

- Parece que nos enganámos. Diz que isto é a Zona Mista...

- E é mesmo. 

- Tájaber António, não te disse? Bem me parecia que não era aqui o Festival da Tosta Mista de Trajouce! Merda de GPS pá! - O outro esconde-se debaixo de um guarda-chuva.


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Nota séria:

Tem-se brincado com o Presidente, aqui na Tasca. E mantenho que há limites que não devem ser ultrapassados, como isso de andar a dar boleias e o camandro. Entretanto, deparei-me com isto.

Passo por cima - qual Islandês a um Português - dos aspetos relacionados com a ausência de segurança. Quero crer que estaria garantida, de forma muito discreta. Afinal, trata-se da mais importante figura da Nação. Mesmo contando com o filho da Dolores.

O que gostaria, muito sinceramente, de destacar no pequeno filme, para além do à vontade e da, acredito, genuína bonomia do nosso Presidente, é aquele abraço. Porra, aquele abraço vale um milhão de votos! Vale todos os votos.

Porque a cachopa o abraçou como se fosse um avô. E foi retribuída na mesma moeda. Raismapartam se não é isso que espero do meu mais alto representante: O carinho que inspira nos seus - mesmo os mais "desligados" - a sensação de segurança de ter alguém que realmente se importa, que ouve. E abraça de volta. Seja preciso esfarrapar a camisola pelo País, por este avô, eu dou! E a cachopa também.

Não me importa se o zuca maravilhado vai, mais tarde, ter a sensação de ter estado na Parvónia. Se a nossa Parvónia fosse isto, só isto e sempre isto, seria um Parvo muito feliz.

Thumbs up, Mister President! 

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Soundtrack to Mr. Luz, by kind appointment to Mr. LimaWho dafuck?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Resumo da Semana: Arraial


AVISO
Isto é coisa para demorar.
Vejam lá, não se ponham a ler em horário de expediente.
Ainda vão dizer que a culpa do défice é da Tasca. Credo.

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Os feriados e os Santos Populares e o camandro, destrocam-me os neurónios todos e às tantas já não sei a quantazando. Fico com a cabeça em água, mais pareço o Peseiro a ver o Tondela a jogar no Dragão. Perdido de todo.

Mas desconfio que não sou só eu. Olho para o Mundo e é tudo um enorme arraial sem controlo. É pena que no fim da noite não apareça a policia e meta a Humanidade toda no Torel. Pobre Torel.

Seja como for, diz que hoje ainda não é sexta-feira. Pois eu protesto! Se não é, havia de ser. E não há-de ser por mim que vão descobrir que não é. Eu cá não sou acusa-cristos!


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Lá mais para o fim do mês, Lisboa recebe o já tradicional Arraial Pride. Quer dizer, espero que os senhores da ILGA - e as senhoras também e os maijómenos ibidem - me perdoem de juntar a palavra "tradicional" a um seu evento. Olha, era pior se tivesse escrito "o muito conservador Arraial Pride". 

Não se assustem que não vou aparvalhar com a malta LGBT. Pelo contrário, posso mesmo, para descanso dos espíritos, dizer que, se pudesse, até ia ao arraial. É certo que era mais por causa do L. E de um ou outro T que enganam bastante bem. Mas conta à mesma, não?

É por isso que o meu avô Alvarim dizia sempre: Primeiro, amandaslhajunhas aos tomates. Se não desatarem a falar mai'fininho, podes continuar a chamar-lhes Maria. 

Como conselho, não se pode dizer que fosse mal intencionado. Não vale é a quantidade de bofetadas que a pessoa apanha. Bolas, aparvalhei, pois foi? Raios. Só que é mesmo isso que me parece mais correto: Não ceder. 

Isto a propósito disto, pois claro. O pior que poderia acontecer à escória que perpetra este tipo de atentado, é não servir para nada. Brinco da mesma maneira, encaro com o mesmo coração aberto a comunidade que, por esta vez, foi o alvo. Solidário, naturalmente, mas com a mesma compaixão e igual raiva que me provocaria qualquer acontecimento semelhante. Nem mais, nem menos, nem diferente. 

Pena tenho que não tenham conseguido enfiar o animal à força num wc do local, de forma a explicar-lhe, na prática, as maravilhas da sodomia. E daí, talvez não fossem necessárias grandes explicações.

Não se pode é atirar para debaixo de bandeiras arco-íris a facilidade com que se anda armado nos EUA. E o que dizer do aproveitamento politico de uma tragédia como esta? Chega a ser irónico que o preconceito cavalgue um ataque de puro preconceito. Ria-me, se não me desse vontade de chorar. Ou de fugir, ainda não decidi. Esta outra besta, agarra numa manifestação de ódio para instigar mais ódio. 

Para que me decidisse a emigrar para Marte, ainda faltava que viesse falar alguém ligado ao cobarde que entrou num local onde se divertiam pessoas desarmadas, munido de armas para as matar - pelas costas, umas quantas. Compreendo que a família do dito cujo, carcará sanguinolento, esteja, também ela, em choque. Filho é filho, mesmo que seja filho da puta. Diz o senhor seu pai que Deus é que sabe.

Caros amantes - porque amam, certo? - das religiões Monoteístas, decidam-se! Ou Deus é isso tudo que apregoais há milénios ou não existe. Se for, como é que podem achar que tem tempo, ou paciência, para se preocupar com a opção sexual de cada um?  

Então mas se tem um Universo inteiro para gerir, se tem que ser omnipresente, omnisciente e, provavelmente, omnívoro, como é que se vai pôr a mandar bitaites sobre o que cada um gosta de fazer na cama? Deus tem muito mais com que se preocupar, do que andar a ver quem é que sodomiza quem e a propósito do quê qual lambe qual pedaço a qual. Acho até que quando disse "Ide e multiplicai-vos", tinha um sorriso maroto nos lábios.

Tomai o exemplo de Santo António, padroeiro de tudo e mais alguma coisa e dos namorados. Vão lá ver se se deu ao trabalho de definir "namorados". Ele queria lá saber disso. São pessoas que se enamoram, apenas.

Está pois decidido, logo a seguir aos Santos, apanho o primeiro OVNI e adeujohvaitimbora. Espero que em Marte não discriminem indivíduos azuis e brancos. Mas com a lagartagem, nunca se sabe.


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O Senhor Monteiro da Silva, contou-me há dias uma linda história que convosco partilho:

"O BUFÃO

Naquele tempo, o Povo olhava de soslaio a realeza e os nobres e os padrecos e os banqueiros. Olhavam de soslaio para tudo, como se fossem endemicamente vesgos. 

Na Corte, no entanto, a festa era farta como a mesa. Entre o cinzentismo do protocolo e da intriga política, brilhava o Bufão. A todos fazia rir e de todos era amigo, no seu jeito desprendido. Mas não se pense que era um bobo pouco instruído. O Bufão era sábio e o seu humor inteligente com os literatos e boçal com a plebe.

Para caírem nas boas graças do Povo, Rei e Corte atiravam para a frente o Bufão em tudo o que era aparição pública. Ouviam-no cantarolar que a Realeza era boa, mas o povo era melhor; que a Nobreza se esforçava, mas o Povo é que fazia a Nação; que o Clero sabia onde era o Céu, mas no Povo é que estava o Paraíso. 

A tudo sorriam diplomáticos, pois que a ralé muito se animava com tais ditos. Por outro lado, todos se compraziam de forma genuína com a sagacidade e à vontade do Bufão. Talvez não lhe tivessem propriamente estima, mas toleravam-no bastante bem, dada a sua função inócua. Ainda por cima, o Povo sabia melhor quem era o Bufão do que qualquer outra figura do Estado. E apreciavam-no acima dos outros. 

Um dia, o Rei adoeceu de morte. Para tragédia, nenhum descendente tinha sido parido, pois que ele frequentava o Arraial Pride e, ao tempo, as leis ainda eram muito estritas no que dizia respeito à adopção de crianças. Em grande alvoroço, a Corte tratou de se reunir para deslindar um sucessor, antes que o Reino vizinho tomasse conta dos quintais. E dos arraiais. Como não chegassem a nenhuma conclusão, decidiram que outro remédio não havia que perguntar ao Povo por quem se poria em armas.

E o Povo escolheu o Bufão. Que muito se riu."

Ficam assim arrumadas as comemorações do 10 de junho, onde quer que se tenham dado. Aliás, o Presidente e o Primeiro andam num arraial permanente. Quem os quer ver, é cortar um bidão ao meio, por-lhe uns pés, encher o papo do bicho de carvão, tapá-lo com uma grelha e atirar-lhe umas sardinhas para cima. Em menos de um fósforo, aparece a comitiva Presidencial. E o Primeiro à boleia, está claro.

Há bobos que não são nada parvos.


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Pelo Porto, já cheira a São João. Pelo menos a julgar pelo arraial que já fazem Portistas à volta do FCP:

O jogador que chega sem custar nada, não presta. Bom, bom, bom, é o que não vem. O que se paga, é caro. Devia de vir aquele que custa menos. Só se percebe se for um defesa, mas que marque golos como o Messi. Muitos ou bonitos? Os dois, senão é um fiasco. 

A camisola só pode ter dua'riscas, mas não eram essas riscas. Eram outras, mai'bonitas. Ai credo, que agora há uma que tem estrelas, mais valia ser em castanho. E corrompe as cores do emblema, lá se vai a Mística. Isto não é o meu Porto. Razão tem o MST e a SAD é uns maus e o Lopetegui cheira mal de uma verruga.Ora, tenham dó. 

Menos mal que, com tanta distração, se vão esquecendo de desancar, preventivamente, o treinador. E ele anda feliz e contente, como um jovem catraio a tirar selfies na escola nova. Espero que se deixe de redes sociais e se agarre aos livros. Vai ser um ano trabalhoso moço, tens que botar corpo.


...

Entretanto, há noticias de que o bailinho da Madeira agendado para ontem foi interrompido, como se de um coito se tratasse, por um estouro de limpa-neves.

Por acaso, não acho que tenha corrido assim tão mal. Não só já vi preliminares bastante piores, como estou convicto que se tratava da dança mais complicada desta fase. Os próximos parceiros são mais ao nosso estilo de dança em bicos dos pés. 

Estes eram uns moços altius, fortius cumócaracius, loirus e jeitosius. Tipo Arraial Pride - Bodybuilder's Edition.


...

Determinada a comemorar em grande os Santos, uma senhora montou, literalmente, uma festa na praia. E levou uma criança. Para a praia, até fazia sentido. Para a festa, não tem jeito nenhum. Meteu-se numa série de problemas, o que é muito bem feito para ela. 

Mas a mim, parece-me que anda tudo tão bêbado como a senhora eventualmente estaria. Vejamos:

Uns filmaram aquilo, para partilhar numa rede social, naturalmente. Seguramente estavam preocupados em denunciar a situação, apostados em proteger a pobre catraia. Not

Foi puro voyeurismo, contra o qual não tenho nada, desde que não se partilhe com o Mundo logo de seguida. Estes parvóides arriscam uma pena três - TRÊS! - vezes menor do que a tipa a cavalo. E até aposto que não foram ameaçados de morte por ninguém. O que se compreende, uma vez que no processo nenhum animal fofinho foi prejudicado.

Para que isto acontecesse, foi necessária a prestimosa colaboração de um senhor. Já que se levantou um processo, com arguidos e tudo, o gajo foi metido ao barulho. Como testemunha, pois claro. Afinal, que culpa tem o homem? Era preciso levantar o pau e ele conseguiu. Ganda garanhão, é assim mesmo, uma dá-se sempre. Havia de passar por maricas, não? Era o que mais faltava.

A questão da criança não é da conta dele, já que não é pai da dita cuja. E isso de proteger as crianças não é uma obrigação de todos, é só das mães. Espero que ele testemunhe contra a gaja, a ver se ela aprende. A puta. Que pariu esta gente toda, credo.

Já estou a vê-lo:

- Olha aqui, olha Martins. - Espertófone em punho.

- Xinapá, espetáculo! Espera, és tu, meu cabrão! - Espantado.

- Eheh, pois claro pá. Quem é o maior, quem é?

- Tens cá uma sorte, fosga-se. Oh Antunes, anda cá ver este gajo. Está no Youtube e tudo. 

...

No âmbito do arraial que é o País, estamos a ponto de organizar uma quermesse para a CGD

Oh xôr Ministro, não era melhor pedir uns trocos à ADSE? Resolvia-se a coisa em casa, sem meter estranhos ao barulho e tal...

...

Um grande arraial de pancada merecia o senhor Lebedev. Não se pode suspender o fulano pelas pernas, qual pena, e deixar um bando de cossacos dar-lhe com um pau? Cravado de cavilhas. Grandes e pontiagudas.

Há Uber para Marte? 


... 

- Senhor, o que fazemos com isto do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Mandamos outra praga ou assim?

- Hã?

- O casamento, Senhor. Pessoas do mesmo sexo...

- Oh Pedro, kercásaber disso. Tenho aqui um trilhão de estrelas a pedirem transferência para a Constelação do Dragão. Do que se haviam de lembrar, irra. Olha, terem sexo já é muito bom. Aproveitem enquanto levanta. É isso que eu acho. Dass!


...

Soundtrack to arraial: Olhóbalão.