quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Notas para uma Psicologia da Ignorância

Dale Ruff / Springfield Union News

A proibição do incesto é, reconhecidamente, a base da sociedade. Costumamos chamar-lhe família. Não só resolve os problemas da consaguinidade, como obriga a malta a conviver com outras gentes e tal. Senão podia bem dar-se o caso de ficar tudo fechado em casa a ver os novos episódios dos X-Files. Mães, pais, avós, primos e irmãos. Sem que se soubesse bem quais eram o quê a quem. E ainda menos de quem era a responsabilidade de dar a papa aos tolinhos.

A Sociedade é uma coisa importante para as pessoas. Vá que nenhum homem é uma ilha - nem o Demis Roussos foi, embora tivesse perímetro para isso. Acontece que se me ponho a pensar nestas coisas sociais, chego sempre à conclusão que o verdadeiro alicerce de tudo é mesmo o individuo. O fulano, pronto. E na base dele, a ignorância.

Era mai'bonito, confesso, se agora discorresse sobre as maravilhas da curiosidade, o fogo de partir à descoberta do que não se conhece. Enfim, da ignorância como ignição do imenso incêndio da alma. E de facto, esse será um tipo. Mas a que conta, mesmo, mesmo, mesmo, é mais trivial. Sendo que também não é a ignorância de ser burro. 

Ignoramos, ponto. E é disso que vivemos. Ignorar permite-nos manter a zona de conforto e permite aos outros pensarem melhor acerca daquela coisa que poderia, eventualmente, retirar-nos de lá. Como se lhes disséssemos: Olha pá, vou fazer de conta que não percebi isso, de modo a que possas fazer de conta que não o disseste/fizeste/provocaste. E assim, poderemos continuar tranquilamente a fazer o que quer que estivéssemos a fazer. Que não era isso, digo-te já. 

É ajuizado o outro aproveitar esta oportunidade. Caso contrário, é provável que venha de lá um molho de bróculos: Ai sim? Ai ele é isso? Então pega lá isto tudo de volta e mais uma tonelada de coisas chatas para ti. Ou vais ignorá-las? Não que isso possa resolver o problema inicial, está claro. Mas nem esse é o objetivo. O que se procura é que o outro fique com tanta coisa para resolver, ele próprio, que não tenha tempo nenhum para voltar a pensar na questão que levantou. Que nos era desconfortável. E, por isso, optámos por ignorar. Nem que seja à custa de tanto trabalho.

Também é frequente ignorarmos sem esta resma de considerações associadas. Uma ignorância mais superficial, talvez, mas igualmente eficaz. Podemos fazê-lo num duplo sentido:

a) Deixamos no ar aquela sensação de 'evespensarketenhopaciênciapressetipodmerda. Mas de forma polida, sem provocar nenhum confronto. A existir, terá sido o outro a iniciá-lo, normalmente com a onomatopeia "mastutásmaignorar?". E nós, plácidos e serenos, ou ofendidos e em surpresa, respondemos: Eu? Mas estamos a aparvalhar, é? O que foi, diz lá? Seja qual for o motivo desta ignorância, passou a ser demasiado pequeno/parvo/mesquinho para fazer sentido. Se não fosse, não teria passado tão despercebido, certo? Resta ao outro a vergonha e o ressentimento. Ao um sobra o tempo que não terá que despender a pensar num assunto para o qual, claramente, não tem solução/resposta/interesse. Resolvido.

b) Opta-se pelo estado mais puro da ignorância. O sou surdo, ceguinho e tapado como uma porta. Nem ouvi. Não vi, não reparei. Não entendi. Esta é uma atitude, antes de mais, profundamente altruísta. Todo o nosso esforço está concentrado no outro. Em dar-lhe a oportunidade de não nos maçar. Eu fazconta que não oiço, tu fazconta que não deste um piu. Resolvido.

Não menos importante é a auto-ignorância. Aliás, é até a mais importante de todas as formas de ignorância. Ignoro-me. Ignoro as partes de mim que me não são assim tão convenientes em cada momento. Ignoro que tenho uma ganda penca e gozo com ajorelhas do Herrera.

- Quem tem uma grande o quê, Silva?

- Tinto, senhor Monteiro da Silva?

- Oh Silva, diga lá, é quem?

- Está a sair Berto, deixa só derreter o queijo.

- Silva, aqui, aqui. - Acena com o braço. - Estava você a dizer que... - Interrompo:

- Que são trêjeuros e bintecinco. E é muito rápido, ohfaxabôr!

Digamos que - ainda que inconscientemente, de forma não deliberada - ignoramo-nos de modo a podermos reivindicar. A verdade é que se antes de pedirmos/reclamarmos/protestarmos o que seja, fizermos um auto-exame acerca do que é podre em nós, permaneceríamos calados. E ressentidos por não dizermos. E furiosos com o nosso ressentimento. Culpa de alguém, que não nós, naturalmente. Basta ignorar que fui eu que me calei para poder expiar a minha fúria em alguém que me calou.

A merda é ter noção disto. Escrevem-se posts sem piada nenhuma e sem ponta por onde se lhes pegue, se calhar. No fundo, é um disparate pegado, mas tem boa intenção. O que queria dizer é que a ignorância é uma coisa boa. Que nos permite viver tão felizes quanto possível. Quiçá, roçar o Éden.

- Aquela do Clube de Xetrip, Xilva? Xeu ganda maluco! A Eden, munta boa.

- O Éden, Berto. O!

- 'Ochpoij, xe não ximporta, traga a minha continha. Kinda tenho que pachar no Banco. Xempre a correr, xempre a correr... 

Atente-se em São Mateus: "Bem-aventurados os pobres de espírito, que deles é o Reino dos Céus". Existem duas interpretações para a frase. Ou bem que se refere aos tolos, ou então aos ignorantes, no sentido de burros. Usamos a expressão para ambos e está despachado o problema. À luz desta Psicologia da Ignorância, a coisa pode ganhar um sentido terceiro: Os pobres de espírito são, na verdade, os que ignoram tudo o que os pode desviar do caminho. São os conformistas mais abnegados. Deles o Reino dos Céus.

O que Mateus quer - mesmo! - dizer, é que o Reino dos Céus será dos humildes. Dos que aceitam que há coisas que não podemos, nem é suposto, compreender. Um Mundo invisível para lá da nossa inteligência. Que os orgulhosos tomam por medida da inteligência Universal. O Reino dos Céus é dos crentes, portanto. Não dos tolos, nem dos burros, nem da malta que assobia para o ar, nem dos que são lestos a apontar, antes que os apontem. Imaginem uma placa à porta do Reino dos Céus que diz "Para sócios apenas". É maijómenos isto. Ignorantes.


...

- Tájaber Pedro? Não te dizia? Irra, mais à vossa teimosia. Um gajo não se pode lembrar de tudo. Queria ver se existisses desde sempre e para sempre, se te lembravas de tudo. Dass. 

- Tem razão, Senhor. - Corado. - Peço, em meu nome e de toda a equipa, mil perdões. Sempre entendi assim. E depois, já se sabe, o Mateus...


- Pá, tábem, deixa lá isso agora. Trata é de devolver essa malta toda ao Magalhães Lemos e assim, que já não tenho paciência para tolinhos. Eu Me perdoe, credo.

...

Soundtrack to ignorance: Honesty is my only excuse...


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

1 conferência de imprensa, 2 sms e 3 gargalhadas no Jardim da Celeste




Précoiso a posteriori

O que aparentemente é um paradoxo, trata-se de facto de mera honestidade. Dá-se o caso de ter escrito estes primeiros e curtos parágrafos, em jeito de aviso, depois de concluído o post, postscriptum incluído.

Na verdade, segue-se uma posta bastante infantil. Mete canções de fazer rodinhas, sms com emoticons, péssimas piadas e a Bota Botilde. Tudo coisas que remetem para crianças, portanto.

- Ena Silva, que subtil, credo! - Bate com a testa no balcão.

... 

...Complicado, muito complicado. Mas estivemos bem. Isto não é o trabalho de um homem só. Perdemos todos, mas acho que estamos de parabéns, ainda assim. Eles tentaram explorar as nossas costas, mas a equipa reagiu bem a isso. Subiu coordenada, no tempo certo e isso poupou-nos uns quantos calafrios. Tivemos problemas em parar os laterais deles, mas nunca virámos a cara à luta. Sobretudo na direita, a coisa desequilibrou-se algumas vezes. Mas a equipa teve a capacidade para evitar problemas de maior, mesmo no último momento de cada lance. Infelicidade no golo, nada a fazer. Foi pena, até porque conseguimos enervar bastante o adversário. Para não dizer inimigo, que parece que soa mal...

- Conferência do Vingada, Silva?

- Do Jorge Ferreira...


...

Zé,

O Herrera vai falhar passes fáceis. Não é um prognóstico, é uma lei da vida. Se insistires em jogar em 4-2-3-1, com ele no 2, ele vai falhar mais perto da nossa baliza. Ou achas que o tipo acorda bonito um dia destes? Para te fazer o jeito... ;)

Silva,

Ainda não lhes decorámos as fuças. Disse que jogava o médio mexicano ao lado do preto grandalhão, para meter sangue novo, e trouxeram-me aquele. Bem que estranhei ajorelhas... Pensamento positivo pá, podíamos ter metido o Imbula também. LOL :)


...

Eu fui ao Jardim do Atlântico
Giroflé-giroflá
O que foste lá fazer?
Giroflé-flé-flá
Fui lá saber do Marega
Giroflé-giroflá
E dum tal José Sá
Giroflé-flé-flá

E para que kéjesses tipos?
Giroflé-giroflá
Para dar cabo da mona ao Bruninho
Bahahah-ah-ah


- Oh Silva, isso são duas gargalhadas apenas!

...


Postcoiso

Sabe quem sabe que até gosto do Moussa. Deve ser por causa da Moussa de Chocolate da Licas. Bem boa. A moussa. 

(Que má piada, dass! Majolha,  ks'afoda, é segunda-feira, queriam o quê? Ao menos não ando a dar cabo de entrevistas dojamigos a canais internacionais, como unjyôtros, coño. A inveja é uma coisa muito feia. E a nossa camisola cinzenta de há uns quinhentojanos também...)

De todo o modo, preferia que não tivesse caído lesionado aos 30 minutos do jogo de ontem. 

Mas o mais importante, é que é uma contratação - como a do Conan - para agora. Gente que está cá, que não precisa de adaptação, que sabe das manhas do campeonato e dos manhosos que nele pululam. Se derem para mais do que agora, pues encantados

Não desistimos, not just yet.

E só cá por coisas, para quem se sentir tentado a entoar a lengalenga do "ah não, nada de desculpas com o árbitro, patati patata, idapanharnorealentrefolhodolhodocu", pensem lá qual seria a diferença - PARA ESTA EQUIPA - de entrar na segunda parte a ganhar por dois. 

Baía para o Ferreira e sus muchachos, que foram os moços que melhor desempenharam o seu papel ontem. Ou há dúvidas que aquele era o seu papel? 

- E o Marcelo pá?

- Bahahahahahahahaha.

Eu disse que eram 3 gargalhadas.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A casa da Misericórdia é ceguinha de todo.




Um jornal decidiu dar destaque ao facto de os putos andarem a trocar o almoço por apostas no Placard. Não será uma novidade grande para quem não está em coma, mas convenhamos que entre isso e a campanha para as presidenciais, percebe-se o critério editorial. E saúda-se!

Acho que cada um deve cuidar dos seus, mas sei bem o que é este vício do jogo metido no corpo de uma criança. A minha mai'nova, por exemplo, que é agarrada às apostas. No entanto, aprendeu à custa de muito gelado e muita goma não comidos que há que saber controlar o bicho. 

Apostar sim, nada de fundamentalismos, mas só quando sabemos à partida que vamos ganhar. Tomou consciência disto entre os quatro e os cinco anos - maijómenos - na sequência de uma série de apostas perdidas, com o respetivo custo em guloseimas. Ainda por cima, fez-lhe bem à saúde. Não serei apenas o melhor Percidente da história, como já sou um Pai exemplar. Porreiro, pá.

Convenhamos que a miúda havia de ser burra como uma casa, pobrezinha. A quem é que lembra embarcar em apostas como: Aposto que te consigo fazer rir; ou aposto que o Pai Natal é do FCP? Enfim, parece-me que está mais esperta, pelo que tenho evitado apostar com ela.

Por falar em casas, a Santa Casa da Misericórdia comunicou que desconhece em absoluto o assunto. Nunca viu. Pois claro! Então não? Toda a gente sabe, mas não a Santa Casa. O que faz todo o sentido. Já vos disse que as casas são burras. E cegas também. Acho que é por isso que contribuem para a ACAPO, as misericórdias.

Bem sei que se diz que ojolhos são as janelas da alma. Mas creio que nisto das vistas, não se aplicam as propriedades da adição e da multiplicação. Ou seja, a ordem dos fatores conta à brava. Quero eu dizer que ojolhos podem ser janelas, mas não há notícia de que ajanelas sejam ojolhos das casas. Logo, é muito natural que a Casa da Misericórdia não veja os putos em fila a entregarem-lhe o dinheiro do almoço. 

Faz sentido, certo? Está bem que é Santa, mas há limites para a Santidade. Parece que ver o que todos sabem é um deles. Tipo corno, vá.

Ou então é só mais uma Instituição, ainda que extraordinariamente meritória, a fazer de conta que somos todos o José Angel.

- Espanhóis?

- Cepos.

...

- Silva, Silva, tss, tss. Mas que interesse é que isto tem? Ao menos o Baia e a Fernandinha e o que isso tem feito à pena de tanto Portista ofendido com a moça. Que não com o moço. Artigos, reflexões, coisas de interesse. Agora, palhaçadas com a Misericórdia? Porque os miúdos não sei que mais? Quais miúdos, pá? Os dojôtros. Estou bem ralado com isso...

- Pois, desculpe lá oh freguês. Mas que quer? A história da relevância da trica entre um balizeiro e uma Brasileira... Epá, não consigo ter mais piada que essa malta junta.

...

- Oh Pedro! - Chama, entusiasmado.

- Diga, Senhor. - Esbaforido,

- Ca pipa de massa, moço.

- Como, Senhor?

- No Placard! À pala do Famalicão! Pimbas. - Faz a coreografia do "É o bicho", do Iran Costa.

- Mas, Senhor, já sabe à partida que vai ganhar...

- Aaaah, as minhas apostas favoritas. - Dá as costas para sair. Lembra-se:

- Ah, é verdade. Lembra-me de instalar unjolhos na Santa Casa da Misericórdia. Acho que anda a ver bastante mal.

- Com certeza, Senhor.

- Olha lá, sabias que o Nicolau é tripeiro?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Eu é que sou o Percidente! (Inclui Resumo da Semana sem querer.)



Venho informar, em primeira mão, que o próximo Presidente é Eu.

(Aplauso pouco convicto, mas generalizado)

Não pá, do FCP.

(Vaias furiosas)

Cheguei a esta conclusão, de qualquer forma brilhante, depois de gastar algum tempo a ler comentários em noticias sobre o FCP nos media. E também em blogues. E em transcrições de programas de TV. Ficaram a faltar-me as redes sociais, mas o médico disse-me para ter atenção ao estômago. Deduzi que era ao meu.

Diz que ainda tenho que ser sufragado, mas anima-me a esperança que isso não seja uma coisa que magoe. Não sei porquê, mas imaginar que me sufragam faz-me lembrar um bando de pigmeus de rebarbadoras em punho. Preparados para me fazerem um peeling. E eu cá receio bastante que me lixem a peeling.

Seja como for, é uma mera formalidade. Pelo que estamos perante um prognóstico depois do jogo. As minhas promessas eleitorais são apenas duas e completamente imbatíveis:

1. A malta envolvida nas decisões da equipa principal de futebol será:

Presidente Executiva: Myley Cyrus. É novinha, farta-se de dizer baboseiras, tem bom ar e diz que "lembe" bem. Sim, terei uma Presidente Executiva. Porque tenho uma Tasca para gerir e o meu cargo no FCP não será remunerado. Não estou cá para me servir, como uns e outros, corja, pfff.

ComunicaçãoBruno de Carvalho. Words are very unnecessary.

Treinador: A eleger por voto direto de todos os associados e simpatizantes do FCP.

Plantel

GR - Courtois, Stegen, Neuer e outro escolhido pelo Vitor Baia. 

DD - Dani Alves, Zabaleta, mais um a eleger por voto direto de todos os associados e simpatizantes do FCP.

DE - Alaba, Jordi Alba, mais um a eleger blablabla.

DC - Hummels, Piqué, Kompany, Otamendi, mais dois pelo método do costume.

MD - Busquets, Vidal, Kroos e aquele miúdo do Paço de Arcos. Dos juniores.

MC - Iniesta, Pogba, Modric, Fabregas, mais um através do voto dos de sempre.

MO - Messi, James, Reus, Muller e o Tó Maneta do Arrentela. Muito rápido, o Tó.

PL - Suarez, Lewandovsky, Benzema e um sobrinho de uma ex-glória do FCP. Pode ser primo.

ED - Ronaldo, Neymar e um elemento de uma minoria étnica. Pode ser o Quaresma.

EE - Bale, Hazard, e alguém que trabalhe bastante. Olha, a Érica Fontes, por exemplo.

Esquema Tático: Decidido através da contagem de likes na página do FB do clube, de entre os esquemas propostos pelo treinador.

Esta gente vem toda à borla e a trabalhar para o vocalista dos U2, pelo que nem salários teremos que pagar. Têm direito à diária na Tasca do Silva, exclusivamente ao jantar, desde que acompanhados pelo Team Manager, Octávio Machado. Que se encarregará de os acompanhar a casa e aconchegar-lhes os lençóis.

2. O processo decisório na gestão do clube será:

O Presidente não tomará porra de decisão nenhuma! Se era para isso, tinham que me pagar. Olha a lata hein?! 

Para cada questão, será aberto um concurso entre os sócios e adeptos do FCP. O vencedor decidirá. Os concursos terão por base a rede social Instagram e desafiam o adepto, e o sócio também, a partilhar uma foto sua no Estádio do Dragão, envergando EXCLUSIVAMENTE a camisola chocolate do FCP. Meus bombonzinhos. Ganha a foto com mais visualizações, pelo que é bem possível que algumas decisões estratégicas incluam a obrigatoriedade de os sócios adquirirem discos da Ana Malhoa e assim. 

Em caso de empate, de dúvida ou se a opção implicar ver cenas de sexo tântrico envolvendo o Sting (hey michael!), o caso será decidido pelo think tank do clube, composto por gente que reflecte (pun intended) como deve de ser.

...

A opinião é livre, o país é democrático, cada um pensa pela sua cabeça. Os que pensam, pois claro. Mas mesmo os outros, estão legitimados a dizer o que muito bem lhes aprouver. Até eu. 

Eu sentia-me ofendido se me dissessem: Sabes Silva, tu és um moço catita, mas estás senil de todo. Por isso, vou correr com umas pessoas que aqui andam e dizer-te com quem te podes dar. É para teu bem, oh velho dum cabrão, que nem escolher companhias já sabes. Depois de limpinha a fralda, podes sentar-te aí no cadeirão e ser o patriarca da casa, para as visitas cumprimentarem. 

Ora, vão pró caralho sim? Obrigadinho por tomarem conta de mim, mas era preferível chamarem-me logo corrupto e aldrabão e sabujo. Mais respeitoso também. Pensam vocês de que?

...

A pedido de várias famílias ou então por ordem da patroa, uma delas, não quero deixar de abordar um tema fraturante, e basto atual, da nossa sociedade: A polémica entre o Baia e a Fernandinha. Está bem assim, docinho?

A coisa resume-se de uma maneira simples: Vai o Baia e arranja um tacho na CM TV - concorrente direta da Tasca TV, mas para mai'reles - e diz ISTO. A Fernandinha toma as dores do marido e pimbas, RESPONDE. De acordo com a nova linha de gestão descrita acima, a Tasca foi ouvir a malta. É um fartote:

- Pra mim, a culpa é do Pinto da Costa. Se não sabe enfiar umas lambadas à Brasileira para ela ficar sossegadinha, não pode ser Presidente.

- Eu cá, entre o Baia e a Fernandinha, também me casava com ela. Até porque detesto que me arranhem o pescoço com as barbas.

- Ninguém me tira da ideia que ela está a ver se não perde a subvenção vitalícia.

- O senhor faça o favor de me respeitar, sim? Não vê que estou num velório? Ainda por cima a chover. Capaz de me estragar o capacete. Se eu fosse independente, aposto que não se metia comigo.

- Eu só gostava de saber porque é que ninguém me chama quando andam gajas em trajes mínimos a passear-se pela SAD. Porra pá, quando é para ver tristezas tenho que estar sempre lá. Valha-me o Candy Crush.

- Só digo que o 5LB vai ser campeão. E que o milho transgénico é um veneno para os submarinos, sobretudo em altitude. Ou então é o Sporting que ganha.

- A Calimerada? Campeões? Ora, não me faça rir.

- Acho que o treinador havia de ser o Almeida Santos. Isso é que importa e não o vejo preocupado.

- Credo. Mas você sabe quem era o Almeida Santos?

- Eu não. Mas toda a gente diz maravilhas do homem. Deve ser bom. Pior que este que agora veio é que não é de certezinha.

Olha, resumiu-se a semana sem dar por ela. Há assuntos que de tão fantasticamente interessantes, dão mesmo para tudo. 

- Shhh, cala-te, que se vai cantar o fado!


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Uma velha piñata



Todos temos amores, e Amores, e desamores na vida. Não contemplar Desamores, não é esquecimento. É uma opção filosófica, testada diariamente pelos Brunos e Jergos e outros bastante mais importantes. Não resulta. Given love or given hate, determines everybody's fate. Mas divagamos, voltemos à vaca fria.

Nos amores mais escondidos encontramos o maior prazer, porque proibido e secreto e ainda mais íntimo que a intimidade dos amigos. Alguns, poucos, têm a suprema felicidade de os saber partilhar com a pessoa certa - plurais possíveis, gandas malucos! - e viverem a plenitude do sentimento, dor ou gozo ou contemplação, sem o esconder de quem não se quer ocultar nada. Quase nada. Enfim, partilhar o amor com o Amor.

E há ainda os amores úteis. Que na verdade detestamos à superfície, mas que sabemos, lá nos sítios escondidos por onde passeamos de mão dada só connosco, que são determinantes para podermos continuar. Em frente. Sorrindo . São os pequenos ódios que amamos, porque nos justificam. O chefe que é um asno. E por isso trabalhamos pouco, desmotivados. O Governo que é corrupto. Porque haveria então eu de pagar os meus impostos? A mulher que é fria. Anda cá Zubaida que estou carecido de calor. Fora de mim boa parte dos motivos que me levam a ser quem eu não quero. A alternativa é aceitar que sou menos do que a conta em que me tenho. Ou gostaria de ter. Não é fácil.

Na lista destas coisas que não interessam, e que não parecem pertencer a uma tasca, mormente a esta, faltam ainda os amores intocáveis. Os que sabemos à partida que vamos amar sempre. Estes são responsáveis por doses iguais de dor e êxtase. Não os discutimos, nem sequer quando nos doiem tanto que magoa. 

- Os filhos, por exemplo...

- Oh não, nada disso. São amores, ainda assim. A maiúscula é que define essa linha de sangue, meu caro Monteiro da Silva.

- Ah pronto, chegámos à bola...

Mas encontramos sempre a mistura certa de bode expiatório útil e pequena embirração epistemológica que explica a dor. A que o nosso amor nos provocou. Por culpa de alguém, algo, aquilo. Não por ele. Menos ainda por nós, Deus nos livre.

É a piñata. A coisa em que se bate até que se parta e nos molhe com a sua chuva de rebuçados e gomas. Prometida. As mais das vezes, está vazia. Altura em que desatamos a bater furiosamente noutra. Essa sim, é que vai ser.

...

Se fossemos Orientais, olharíamos para os nossos velhos de modo respeitoso e expectante. Esperaríamos ver jorrar a todo o momento a sabedoria que decerto guardam. Pelo menos, é o que me vende a literatura e outros diversos tipos de arte Oriental. Bem sei que estou a maçar-vos através de um telefone, o que pode bem significar que o tempo em que os velhinhos valiam muito já passou. Até no Oriente.

Vá que somos do Ocidente moderno e despachado. Que nos ensina que os nossos velhos são, mais que tudo, um prenúncio de morte. Coisa chata, a morte. E os velhos.

- Mas porque é que tens que ser sempre tu a tratar das coisas ao velho? O inútil do teu irmão nunca pode? 

- Naaa, o velho não tem mão naquilo. Coitado, como é que havia de poder? Com aquela idade, já se sabe...

- Mas porque é que o raisparta do velho não fica em casa? Para empatar o trânsito, está claro.

Quero dizer que aprendemos a esperar nada dos velhos. Apenas decadência e uma série de porcarias que teremos que limpar a seguir. Incluindo as literais. E assim escorregam na nossa memória de ídolos a empecilhos. Até que morram e os voltemos a considerar. Um pouco tarde, um pouco falso. Pouco. Apenas.

Eu sempre gostei de velhinhos. Sei que soa condescendente e quase ofensivo. Oh, que querido, o velhote. Mas não tenho outra forma de o dizer. Foi por convivência e não opção. Por ter crescido na rua e, ainda mais, numa tasca que às vezes aqui reproduzo. No que me permite a memória seletiva. Rodeado de velhos. Analfabetos muitos, todos sábios. 

No fim do dia, são tudo tretas. Só vinha mesmo dizer que há uma coisa que se aprende quando um velho fala: A aprender.

...

Ri-se muito, dobrado sobre a barriga que já lhe dói. Sente a ligeira incontinência preparada para lhe fazer lembrar que o tempo passa para todos. Até para quem não tem tempo determinado. Mas não consegue parar de rir. A auto-satisfação aumenta exponencialmente o caráter divertido da brincadeira. É muito engraçado. Entra alguém na sala imaculadamente branca.

- Senhor. - Baixa respeitosamente os olhos para o chão. Ele não responde, só ri. - Vejo que está bem disposto, Senhor. Por algum motivo particular?

A enorme figura limpa os olhos com as costas das mãos e inspira profundamente. Procura recompor-se. Ainda a esfregar a vista, diz:

- Ai ai, que bem metida. Diz lá Pedro, o que foi agora?

- São José quer dar-lhe uma palavrinha, Senhor.

- O...o...o Zé? - E desata num novo e revigorado ataque de riso.

...

- Oh Silva, isto da piñata e dos velhos e do Zé... Oiça, isto não faz sentido nenhum. Era sobre o quê? Depois admira-se que a malta se chateie e vá beber copos para outro lado.

- Oh, não ligue. Era sobre nada. E sobre o respeito, talvez. Mas pouco. Deixe lá, vamos é beber um penalte katéstala, hein?

- Ah, issékéfalar!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Curtas do Castelo e um recado



ASSIM, é dificil.

ASSIM, é ainda mais complicado.

Contra DOIS GUARDA-REDES, é mesmo impossível!

O resto foi um jogo sério do FCP, algumas vezes até bem jogado. Mas mantendo sempre a tendência para o disparate. Do moço que virou o frango, ao matulão lá da frente. Credo!

...

O treinador do FCP NÃO podia ser um que faz a sua equipa, seja qual for, com os jogadores que tiver, jogar 86 minutos dentro da sua área. É um recado. Pode ser aziado - que é! - mas fica dado. Por muito beicinho que se faça.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A TascaTV: O Juiz decide - Tripas, Francesas e o Afonso Henriques



O JUIZ DECIDE
Programa com juristas, no qual se espera que haja batatada. Uma espécie de Assembleia da Republica, vá...

- Oh Silva, podem entrar já as anãs asiáticas e a piscina insuflável cheia de chantilly, para a luta? Despachávamos isto mai'rápido, que eu estou cheio de pressa... - Escuta a resposta, berrada do outro lado da sala. - Epá, pronto, não é preciso tinervares, chiça. - Pensa dois segundos. - E olha lá, como é que conseguias fazer isso com um taco de basebol? Sair pelo alto da moleirinha, ainda vá. Agora, por ojolhos...Impossível! Bem, nesse caso, anda lá oh Vanessa, explica aí o que temos hoje.

- Sim, Padrinho.

- Não me chames Padrinho. Chama-me Senhor Juiz, tajóbir?!

- Sim, Senhor Juiz. Assim, Padrinho?

- Credo, valham-te as estupendas glândulas mamárias, rapariga. Anda lá com isso que eu estou a ficar atrasado.

- Então, hoje temos aqui o caso do senhor Afonso Henriques - esta estátua aqui à direita - que interpôs uma ação contra a multinacional "Tripas & Francesas", por causa de coiso. Se o senhor Afonso ganhar, a enorme empresa entra praticamente em insolvência. Se perder o Henriques, mantemos o Plano Especial de Revitalização da "Tripas & Francesas" ativo. É isto, Senhor Juiz Padrinho.

- Boa, não parece ser complicado. Quem é que representa os contendentes?

- O representante do senhor Henriques, é o Dr. Sé; e a "Tripas & Francesas" é representada por este senhor baixinho e bastante simpático. - Aponta a Vanessa. O Juiz certifica-se que a Administração do canal está distraída a servir finos e caracóis e acrescenta:

- E se adiássemos isto para outro dia? É que tenho hora marcada na manicure... 

- Nesse caso, Vossa Excelência Padrinho, já o Dr. Sé pode estar a representar a "Tripas & Companhia".

- Zé!! Zé! Irra, que é irritante isso de seres sopinha de massa. Nunca tinha reparado. Mas afinal, em que ficamos?

- Não, Senhor Padrinho Excelentíssimo, o doutor chama-se mesmo Sé. Não tenho a culpa. - Enxuga uma lágrima que lhe escorre pela camada de betume que as gajas usam no focinho. - E a questão é que o Dr. Sé está a ponto de integrar o Departamento Jurídico da "Tripas & Francesas". Diz que é uma questão de dias.

- E entretanto aparece-me aqui em representação de uma causa que pode tornar insolvente a companhia para onde, supostamente, se vai mudar?

- Sim, Meritíssimo Padrinho, é maijómenos isso.

- Nanananana, isso não pode ser. Que grande molho de bróculos. Vai demorar imenso a desembrulhar esta incompatibilidade.

- Ui, pois vai, Sua Reverência. 

- Hã?

- Padrinho.

- Ah. Sim, sim, é incompatível, não pode ser. Não pode ser. - Repete e abana a cabeça. - Se vai para a coisa das tripas, não pode defender o Afonso hoje. Não faz sentido nenhum.

- Os envolvidos alegam a sua honorabilidade e sentido elevado de ética. Consideram que Sua Santidade, o Padrinho, está a colocar em causa o seu profissionalismo, nomeadamente do Dr. Sé.

- Eu? Eu não. Só não tem ponta por onde se pegue. Ele que saia de defender o Henriques e depois vá para a tal coisa das Francesas. Bem boas que são. E no entretanto, julgamos este caso. Sem o Zé ao barulho.

- Sé.

- Quais Sé? Acho que aquilo é um castelo.

- Hã? 

- Oh Silva, quero lá saber do cachet! Eu tenho que me ir embora e isto está cada vez mais parecido com os Malucos do Riso. Fui! - Enfia uma martelada na mesa e desanda pela esquerda baixa, a abanar a cabeça.

Entra uma trupe de anãs asiáticas, que carregam uma piscina insuflável cheia de chantilly. Vai dar merda.


...

- Oh, até pode xer que xeja de mau goxto, Xilva. Mach diga lá que não ficam expetacularej com aquelach tanguinhaj. Ach piquinotitaj. Fofach! - Morde a língua. E lembra-se da Licas a passear pelos corredores da produção. E morde a língua outra vez.


...

Não faço ideia se será. Provavelmente, ninguém faz. Mas se for... Percebemos todos que não pode ser assim, certo?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O FCP e o Trio Odemira (atualizado, à pala do Mestre)

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Juro que estou a tentar permanecer calado. Sem grande sucesso. É uma coisa bastante difícil e antinatura, mas tenho tentado. Desde logo, porque tenho alguns remorsos em relação a Lopetegui. Sobra-me a sensação de ter sido eu a despedir o moço. Como se alguém tivesse entrado no gabinete da presidência aos gritos: Jorge, Jorge, enforcaram o homem na Tasca. Olha Anterinho, se acabou o jogo, acabou o jogo. Penso eu de que...

Mas não consigo! É como quando a minha colega de casa - é mai'jovem que ser casado, bué da cool. Inchem, velhadas - me diz: Estou estoirada, extenuada, arrasada, deprimida, aniquilada, sedada. Entendes que não vou ficar mai'nada acabado em -da através da conjugação de verbos com terminação -er, certo? E eu penso "'tábeeeiiimmm, vou só saltartepáspinha e depois calo-me". É, eu falo. Deve ser tão irritante.

Entre me rebentar uma veia no cérebro e dizer já o que eu acho, optei pela segunda hipótese. Embirro com embolias. É um preconceito, uma mania, cadumcumocadaqual. Bem vistas as coisas, o FCP está em fase Trio Odemira.

...

Despedir o treinador

É a parte fácil. Chama-se o gajo à Administração e diz-se-lhe: O meu amigo amanhã não precisa de viràjoito. Ah, vamos a retrasar el entrenamiento? Vengo por las nueve? Não, não precisa de vir. De todo. Deixe lá isso. Pero, pero... usted es el empregadyo de la limpieza! Pois, é um sinal, no le pariece?

A chatice é que o rufia quer receber uma pipa de massa, à conta do que poderia ganhar. E nunca ganhou. Mas poderia. Una mierda. Fatalmente, vamos acabar a discutir o caráter do homem e isso tudo. Cá pra mim, isto resolvia-se com uma festa de despedida. Uma homenagem. Uma coisa mais privada, está claro. Para uns quantos mai'chegados. O Presidente, o Lopetegui, os Super Dragões...

Off topic: Não sei o que pensam vocês, mas eu sou da opinião que muitas vezes se confunde "chamar à razão" com "instigar à violência". Deve ser uma questão linguística. Por falar em linguística, é só prábisar que era melhor te estoirares, extenuares, arrasares, deprimires e aniquilares pouco, hoje. Sedar também era melhor não, mas chacun kessamanhe.

- Por acaso, Silva, essa história do Lopetegui faz-me lembrar aquela música. Ai pá, aquela...

ESTA! Poijé?

- Isso mesmo!! Só não sei quem é um e quem é a Ana Maria.

- Nem eu, nem eu. Ele há cada amigo, dasss...

...

Contratar o treinador

Aqui é que a coisa se complica, aparentemente. Pelos vistos, não estava propriamente preparado um plano para a sucessão de JL. Havia umas ideias e tal, mas só depois de chutar o cachopo para canto é que desataram a por-se nisso.

As primeiras escolhas, diga-se o que se disser no fim da história, parecem ter sido óbvias: O Marco ou o André. Provavelmente pela ordem inversa. Acontece que nenhum destes é resgatável no imediato.

Dou comigo a pensar que, se era para isto, mai'valia ter dadóbidos aquela malta que se descabelou pelo despedimento do Lopetegui no final da época passada. Eu não fui um deles, já se sabe.

- Shhh, cala-te, estavas na fase Ana Maria! Buuu, buu, vergonha. - E ri-se muito. O suíno.

É que aqui chegados, sem inside information - i wish!, se me ponho a matutar nisto, enche-se-me a moleirinha com aquela CANÇÃO...

Alertado pelo Mestre - obrigadinho - fui em busca de desenvolvimentos nesta questão da rescisão de JL. Para além de, aparentemente, não ser necessária nenhuma festinha de homenagem, dei de trombas com a divulgação da carta de despedida do treinador. E pronto, encomendada ou não, deixou-me bem comigo, por tanto lhe ter tomado conta das costas. Sou um coração de manteiga, é o que é. 

Sê feliz Julen, obrigado e adeujohvaitembora que temos mais com que nos preocupar. 

...

O meu é melhor cuteu

Fuoda-se pá, mas qual é a dúvida? Quando não sabem o que fazer, quando a incerteza enche os corações, quando a hesitação tolhe a alma, quem chamamos?

- Os coisos! Agora numalembra do nome... - Dijum, meio bêbado.

- O Trio Odemira! - Dijôtro, bêbado de todo.

Não, estúpidos! Chamam o Silva, está claro. Não há nada que eu goste mais de fazer do que resolver a vida dojôtros. 
Pá, é sempre complicado isto do engate. Um gajo fisga a catraia logo de entrada, ainda a disconight está meio vazia e tal; passa a noite a ser espetacularmente divertido e sexy e inteligente e giro e cavalheiro; entretanto, encharca-se de copos e vai de ficar impaciente; e a gaja não se desenmerda, anda ali de grupo em grupo, nunca se sabe se aquilo é um primo a passar-lhe as mãos por as costas ou não; e tanto sorri como ignora e pumbas, lá se enfiam mais dois shots e uma cerveja; e às tantas, já se começa a achar que a amiga dela, a mai'feiosita, até nem está assim tão mal. Pelo menos para esta noite...

Óspois acordam ao lado de um camafeu parecido com a vossa Tia Zita, com hálito a cachorro de roulotte e a exibir, toda sorridente, os múltiplos refegos da sua pança. E pergunta se há uma máquina de café nesta casa. É por isso que o Tio Silva está sempre a dizer: Não desistam da gaja bem boa. Pode demorar, mas têm mãozinhas para quê? Vão aliviando a necessidade. Digo eu.

É claro que isto de gajas é sempre subjetivo. As que são muntaboas para uns, não servem para outros. Antes que venham de lá os do costume mandar bisgas sobre o preconceito machista e a putakospariu, digo já que no caso dos gajos é igual. Os que umas consideram o máximo, outras acham desengraçado. E depois há eu, naturalmente.

Na Tasca, já se disse que o Zé é que era. Ninguém lhe pode dar o que nós podemos, ninguém nos pode dar o que ele pode. 

Zé, prometemos-te que podes ser Campeão ao mesmo tempo que escarchas o orifício ao Jergo Juses; que podes ganhar a Taça, ainda por cima; que podes fazer bonito na Europa; que depois disto tudo, podes ir à tua vidinha, com cara de quem comeu e lhe saiu cocó. Seja, quereremos lá saber. Voltas a ser o maior e a poder cagar sentenças a eito.

Quanto a nós, se é uma cena a prazo, um one night stand enquanto esperamos pela gaja dos nossos sonhos, não há puta melhor que esta. Sem ofensa Zé. É só para explicar a cena, não te ponhas com paneleirices. Não há jogador que não fique em sentido, mesmo sabendo que é por seis meses. Afinal, quem não quererá ir para onde for o Zé a seguir? Os berdes e os burmelhos vão gozar com alguma coisa. Mas no fundo, vão ter aqueles rabos mais apertados que a porca de um pneu de um Fórmula Um. É quando dói mais, bem feito! Entre nós, não será unânime. But then again, quem é? Tirando eu.

- Muito lindo isso, Silva. Mas não temos guita para pagar a esse Zé, penso eu de que. 

- Oh Presidente, isto vai lá é com meiguice. Deixemo-nos de materialismos. E mesmo V. Exa. já teve tempo para esquecer as afrontas. E se lhe fizéssemos uma SERENATA?

...

E pronto, a Tasca made its point. Já sei que era mais prudente esperar caladinho e depois poder dizer "aaaah, mas havia era de ser...". Mas não consigo. Aposto que vou acertar! Mesmo que seja Sé em vez de Zé. Mera questão de pronuncia, inchem!

- Odemira-te! Vergonha, pá. 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ode ao the next one



Sabe que serás assobiado,
Vilipendiado, esmiuçado e seguramente
Muito, muito roubado.

Acredita que, independentemente
De vires doce ou de ar zangado,
Os golos são o juiz que não mente.

Encontrarás na chama o respaldo:
A força invenciBel num mar de gente
Enquanto não se entornar o caldo.

Vibrarás com a multidão em pé,
No clamor do teu nome a uma voz:
Tu - O defensor da nossa fé.

Do mesmo modo a agonia atroz
Que nos aperta o peito, os tomates até:
Tu - O mais detestado algoz.

Em volta da mesa no café,
Em conversas de palavreado cru,
Mesmo em tertúlia de titios "supé",

Toda a teoria iluminada posta a nu.
O paineleiro, que sábio que ele é:
Se não ganhas, podes ir levar...

...o almoço ao pai.

Sabe que da montanha viste o sopé,
Que a subida é lenta e depressa se cai.
Sabe que, por mim, te chamavas Zé.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Resumo da semana: Agropecuária



O Jergo Juses anda pegado com um outro moço, que diz que é da profissão dele e coiso. Mas parece que se esticou e teve que ir a correr dar uma entrevista - que não vi - a um canal concorrente da TascaTV. Disse o Jergo que é convencido porque é como um pintor ou um escritor

Calha que até tenho provas que o tipo é um Garnier. Dois em um. Escritor E pintor, qual Da Vinci do tempo moderno, um Dali do cabelo e não do bigode. Ora reparem no poema que deixou na toalha de mesa da última vez que esteve na Tasca:

"Max Mat

Lata de tinta
Trinxa numaro 3
Licha grossa
Pinceles largo e mai'estreito
Oleado pó xão (ou arranjar jornais)
Primário - 2 latas"

Note-se a liberdade criativa ao nível da ortografia e o sentido de profundo comprometimento do autor com as suas artes. Lindo, caraças.

- Oh Silva, começa logo mal. Isso é construção civil, não é agropecuária! 

- Isso pensa você, coca-bichinhos do caraças! O homem comeu à pressa que ia pintar um celeiro. Toooooomaaaaa!


...

Ainda na tribo dos treinadores da bola, veio o do Boavista e disse que a sorte é fêmea. E por isso, conquista-se. Se fosse macho, já num era preciso conquistar, era só mostrar um naco de pele e o gajo vinha logo a babar-se todo. Sim senhor, para quando a fundação do movimento Machista? Estou fartinho desta sociedade Matriarcal, dass.

Seja como for, esta malta da bola anda erudita hein? Não é que o Sanchez me deixou a pensar? Será a sorte mesmo fêmea? Lembrei-me daquele lance no último jogo do FCP, em que o André marcou golo duas vezes e a bola não entrou vez nenhuma. E penso: Para fêmea, dá cá uns diretos ao estômago que não é brincadeira, a magana. Ainda tenho as marcas na pança.

- Então e agora, como é que o Sanchez vai saber o género da sorte?

- É fácil. Apalpa-lhe os tomates. Se, de facto, os apalpar, é pouco provável que seja fêmea...

- Agropecuária?

- Tomates...


...

Do lado da política, anda o Toino na paz, na graça e na sementeira. Revoga daqui, descorta dali, retrocede de acolá, lá vai largando pela terra os grãos que espera colher nas próximas eleições. E sempre com um sorriso bonacheirão. Quando a coisa ameaça não correr tão tranquila, faz como qualquer Português que se preze. Diz para quem o quiser ouvir que a culpa é do Governo. O outro.

A Cath...errr...o Paulo deu um xauzinhatéjá a todos e retirou-se para o campo, até se chatear da pasmaceira e levantar, ele próprio, a vaga de fundo que o trará de volta à cidade grande. Enquanto isso, o Pedro anda em modo low profile. Tranquilão, apesar de não largar aquele ar de quem quer ir fazer cocó. 

Esta separação deixa-me muito triste. Não sei porquê, mas não vejo a mesma química entre o Toino e o Jerónimo. Não os estou a ver a guiarem uma manada pelos grandes espaços selvagens. Juntos. A partilharem uma tenda na noite gélida. Usando o calor dos seus corpos musculados para se manterem quentinhos.É pena, porque tinha graça.

- Oh Silva, há sempre a Catarina.

- A Catarina não grama de acampar. É por isso que não vai à Festa do Avante.


...

A seu tempo, a Tasca pronunciar-se-á acerca das Presidenciais. Ou não. Agora numapetece.

- Ganha o Marcelo, se for à primeira. Não acha, Silva?

- Qual Marcelo? Estava a falar das Presidenciais a sério, homem. As do FCP.

- Ah. Então não me pronuncio. Não gosto de meter a foice em seara alheia.

- Acho bem, Edgar.

... 

As CCC - Cindy, Claudia e Campbell - reapareceram para uma sessão fotográfica, à pala de uma coisa qualquer que não interessa a ninguém. Do alto dos seus praládekórentanos, trataram de deixar uma série de gajas bem boas wannabe à beira da depressão. Inchem! A vida pode não começar depois dos quarenta, mas é catita ter esta malta no nosso grupo. Sim, porque afinal somos do mesmo escalão etário. Somos praticamente íntimos. Farinha do mesmo saco. Fruta do mesmo pomar. Vai uma trinquinha, amiga? Apetitosa.

- Quem é que é apetitosa, hein? - Com cara de poucos amigos.

- A Samantha Fox, docinho. Quando era mai'nova, em antes de lhe terem murchado os melões. E antes de eu saber que tu tinhas nascido, flor.

- Oh, achava a Sabrina mais boa. - Esclarecido, xôr Lima

Eu sei que vocês estavam à espera de uma graçola qualquer que envolvesse gado. Mas isso já deu chatice à brava à concorrência. Dá-les Érica!


...

- E o Lopetegui, Silva? Nem uma palavrinha? Nada? Não lhe convém, é? 

- Estamos em período de pousio.

- De quê? Que é isso?

- É aquela altura em que vocês se riem muito e nós pensamos: Xóspôsar!


...

Soundtrack to strange days: Winds of change will winds of fortune bring.