quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Perguntas parvas, adição simples, conselhos gratuitos e um aviso



Como só tive oportunidade de ver a ultima meia hora do jogo da bola, preciso de uma ajudinha dos estimados fregueses. E alguma paciência também. 

Ah! E uma bolinha vermelha no canto superior.


Perguntas parvas

Sem contar com golos em fora de jogo, quantas bolas entraram na baliza do FCP esta noite?

Se a probabilidade de um penalty dar golo é elevada, o que seria provável acontecer caso a falta sobre Suk, na área, fosse assinalada?

Um pontapé do Bruce Lee, se dado num jogo de futebol, é motivo para expulsão?

Adição simples

1 - 1 = 0

0 + 1 = 1

11 - 1 = 10

Conselhos gratuitos

Aos profissionais(?) de TV que gozam com o FCP, enquanto procedem ao relato da transmissão de um jogo no Dragão para um operador de Carn(ax)ide: IDE PARA O CARALHO.

Saber de cor estatísticas de jogadores e enumerar esquemas táticos ao sabor das respetivas hemorroidas, não te torna um comentador. Faz de ti apenas um humanoide que sabe utilizar o Google. Em suma, é preferível IRES PARA O CARALHO.

Aviso

Comer a palha que lhe tentarem impingir é uma opção de cada indivíduo. No entanto, a palha não transforma golos ilegais em auto-golos, nem penalties em vento. Se calhar, em vez de a engolir, diziam aos tipos da alfafa para IREM PARA O CARALHO.

Agradece a Gerência. Bem hajam.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Coerência não, obrigado.



O FCP esteve um ano sem perder no Dragão. Deve ter sofrido uns quatro golos e meio, ou assim, nesses jogos. A malta assobiava e acenava lenços, porque levámos seis em Munique e perdemos o campeonato do colinho. Por culpa do Lopetegui, naturalmente, e não dos árbitros. 

A verdade é que a maior parte dos Portistas não queria aquilo. Dava-lhes tédio e irritava-os. Ao ponto de puxarem do assobio ao segundo passe do Marcano para o Fabiano; ou ao primeiro do Maicon para a primeira fila da bancada. Eu não, como é sobejamente sabido e desancado. Está a maioria - e se o Porto somos nós, assim é que está bem - mais feliz hoje. Com toda a coerência.

Finalizo a análise ao jogo de Domingo dizendo que saltei com o Herrera, cabeceei com o Evandro e enfiei um palmadão nas costas do Espanhol que estava ao meu lado. Feliz. Eu. 

Sobre o árbitro, bem no penalty, mal na falta sobre o Brahimi na área e pessimamente assistido no lance do primeiro golo do Moreirense. Tenho mesmo dúvidas se o tipo de Moreira não foi buscar a bola às mãos do apanha-bolas, tão fora que estava. Afirmo isto com grande certeza e todo o orgulho. Em ser Portista.

Devia dizer cobras e lagartos da transição defensiva do Zé. Ou juntar-me ao coro e desatar a gritar contra o Presidente, por não fazer uma falta ou outra no meio campo. Mas sabem que para a gritaria dou pouco e anúncio-vos que para a coerência dou ainda menos. Esta semana. Porque não quero.

...

Tenho o prazer, sempre renovado, de caminhar ao seu lado. Falamos de futebol, pois claro. E ele explica-me porque era impossível fazer mais em Dortmund e, pelo contrário, porque é que acha que o Zé esteve brilhante.

O gajo mais rápido que o Lucky Luke, o Albanês mafioso, o Alemão genial, a máquina atacante que nos dava 5 de outra maneira.

Eu percebo tudo, mas o desconforto mantém-se. Ele lembra-me Munique. Eu lembro-o de Bilbau. Da segunda parte na Baviera, com tudo já perdido. Ele ri. Seizum, Silva. Não tenho argumento para isso. Pergunto:

- E quinta? Jogamos como? Atacar, não podemos. Que levamos cinco. Defender bem? A ver se ganhamos por um?

Não tem argumento para isso.

...

Esbarro no Zé, à saída do Shopping. Agarro-o pelojombros:

- Escuta, podemos levar seis. Mas mostra-me que queremos. Que acreditas como eu. Mesmo que achem que é uma parvoíce. Ou só uma coisa que se diz. Mostra-me que consegues, como eu, visualizar a fuga do Chinês, ou do Africano, pelo meio dos matacões militarizados. Ainda não passaram 10 minutos e já estamos à frente. Imaginas, como eu, o Dragão a empolgar-se quando o Magrebino meter a bola na gaveta naquele livre? 20 minutos de jogo, Zé. É o Moreirense de novo, mas agora para o lado certo. Para o lado luminoso da Força. 

Ele pensa por um momento, diz:

- O gajo que corre mais que o Bolt e o Albanês e o outro. Defender bem. Achas que não?

- Se fores consciente, é capaz de ser ajuizado. Mas é provável que percas. Mesmo ganhando. Sê tu próprio. Acredita que marcas 10 se eles marcarem 7. É a tua mais valia. É nisso que podes ser bom, Zé. Só valeu a pena saíres de lá vivo, se for para caminhares à beira de todos os precipícios.

Mostro-lhe a camisola nova:

- Vês?! Prometo que o nome nesta será o teu. 

- Isso não seria nada coerente.

- Não. Obrigado.

...

A ti, porque tenho a certeza que - diagonal ou não - aqui chegarás, prometo que faremos uma sessão de fotos porcas daqui a 30 anos. Eu e tu. E postamos tudo numa Tasca da vida, para cobrir de vergonha as crianças. As grandes e as pequenas que já nos encherem os dias. Não é disparate, é Amor.

E ai de ti que não te estejas a rir. Incoerentemente.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O verdadeiro pesadelo não é amarelo



Sim, sim, eu sei. O estado de graça, o tempo, as limitações, os problemas, os receios e os anseios. É isso tudo. Igualmente verdade é que o nosso jogo de ontem foi - mesmo com um Fiorentina (who?) vs. Totenham ao barulho - o de maior cartaz da Liga Europa. Porque era um jogo de Champions. E era. Este foi o estatuto que ganhámos. É o nosso palco. Danem-se os orçamentos, esperam grandes coisas de nós. Porque as fazemos com a regularidade suficiente. Já agora, isto é culpa do mesmo tipo que parece que foi ao campo meter o Indi no caminho daquele remate. Oh well... Não podemos ser pequeninos. Nunca mais. 

Depois, não consigo libertar-me desta sensação de Jesualdo no Emirates. De Lopetegui em Stanford. Há um lugar do meu cérebro que teima em comparar este Dortmund - uma bela equipa, sem dúvida - aquele Bayern. E, confesso, ganho aí um certo alivio. Estão longe. Na qualidade, na intensidade e, felizmente, na necessidade. Que ontem foi o primeiro jogo e não tinham o que recuperar.

Deixemo-nos de tretas, sim? Nós sabemos os problemas que enfrentávamos. Para os outros, isso conta coisa nenhuma. Defender bem. Como pudermos. Defender bem. Um é melhor que dois. Defender bem. Como der. Defender bem. Dois é mauzinho, mas três é muito pior. Defender bem. Para que isto não seja Munique. Irrita-me! E nem vamos começar a conversar sobre o que para aí iria se em vez de Zé fosse Júlio.

Entre a simplicidade, que lhe gabei, e o rasgo de génio, que não lhe antevi, o Zé ficou pelo meio. Assim, mas também. E perdeu. Mas não tudo.

Um gajo vai dormir em cima disto e de uma pá de porco assada - com castanhas e couves de Bruxelas - e, enfartado que está, só pode dar pesadelo:

" Entra o Zé para a conferência de imprensa. Só está mesmo a TascaTV, que o resto tem o que fazer em Lisboa. Estranhamente, o Zé masca uma pastilha elástica e apresenta uma farta cabeleira, encimada por um barrete de campino. Raios de conjunto, não joga. Primeira pergunta:

- Mister, uma derrota hein?

- E? EU nã dizêra antes kiste era um tréne? A MIM m'importa. - Encolhe ojombros. - EU estou focade, amigue. Concentradíssime, sócio. - Juro que num instante, breve, se transformou num holograma do Futre todo nu, ladeado de belas mancebas enojadas. Infelizmente, todas vestidas. Segunda pergunta:

- E o jogo, que tal? - Responde de novo o estranho Zé. Retenho o refluxo com gosto de pá de porco, provocado pela nudez do outro. Credo.

- O jogue... - Coça o topo da farfalhuda cabeleira. Já não vejo o barrete. - O jogue começára bem e ira pra melhor. Majóspois vei'ocabrão do prete e metêraçàfrente da bola. Prontes, estragou tude.

- Quem?

- O que fôra expulse, sei lá o nome do môce. EU não decore os nomes dojôtres. Eles é que decorem o MEU. Tájaperceber?

- Ena, ca puta de confusão. As suas opções... - Ele interrompe, enquanto lhe cai uma melena para as vistas. Atira-a para trás.

- Ohohohoh, calma lá co'isse. Estes coxes lá conseguem jogar duas vezezásemana? Nem pensar. Se tu tens hemorróides, não te põejacoçar a peida.

- Hemorróidas, hein? Que classe...

- Ach'engraçade. - Ri-se para a plateia.

- A eliminatória está perdida?

- Fáce lá ideia! Pra MIM não. EU já ganhei a estes gajes. Agora, com estes manques, podemes perder. Aliás, ELES podem perder. Também, não interessa nada. Keremezéser os máiores aqui da zona do Barreire. Montije, Alhes Vedres, talvez mesme Pinhal Nôve. A ver é se me ponhamexer daqui pra fora. Senão, nunca mais ganhe nada de jeite. Fui.

Lá fora, uma multidão em delírio espera por ele. Para o aplaudir e reverenciar."

Acordo em pânico. Falta-me o ar. Emborco a metade que sobrou da garrafa de Água das Pedras. Mais calmo, lembro-me da parte do jogo do FCP de que gostei mesmo: As declarações no final.

O Zé, o verdadeiro, explicou-se - concorde-se ou não - deu os parabéns a um justo vencedor e não se deu por derrotado. Não menosprezou a Europa, não mostrou indiferença perante uma derrota e garantiu que a equipa a ia reverter. Or die trying! Disse sempre NÓS e nunca EU! Obrigado Zé.

E obrigado Presidente, por ser José e não Jorge. Digo, Jergo. Nunca. Prometa-me isso, sim?

...

Soundtrack to nightmares: Dreamtime!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pacotes de açúcar



- Hey Zé, tass? Fortes?

- Defender bem. Tá tudo, Silva. Defender bem. Tira aí uma bica pró caminho, ohfaxabor. Defender bem. E embrulha-me duas bifanas e um pão com isca. Defender bem. Não gosto nada de salsichas. Defender bem.

- Cimbalino, Zé. Aqui é cimbalino. Se o Vassalo te ouve...

- Defender bem. Pode ser isso então. Defender bem. Mas italiana. Defender bem.

- Curto, Zé. Diz-se curto. - Ponho-lhe a chávena à frente.

- Defender bem, obrigado. Silva.

Dispensa o açúcar e bebe o café de um golo apenas. Gluc. Mantém o líquido quente na boca, a saborear, enquanto lê o pacotinho.

Engole já quase em seco. Olha-me um pouco pálido. Sorri. Roda o banco do balcão e procura ajorelhas no meio das mesas pejadas de fatos de treino azuis. Grita:

- HECTOR!! - E corre para um abraço, deixando o pacote de açúcar amachucado no balcão. Endireito-o o melhor que posso e leio:

" Um dia, acordas bonito e deixas de ser apenas um simpático patinho feio. Hoje é esse dia."

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O ADN da Ciberlândia



Eu não conheço nenhum blogger. Tenho a felicidade de conhecer algumas pessoas que, utilizando ferramentas ao alcance de qualquer indivíduo com acesso à internet, criaram blogues. A diferença, como em muitas coisas nesta vida, está no dinheiro. Quero eu dizer que um blogger ganha influência em determinada área, torna-se um opinion maker de um setor e, como corolário - e algumas vezes à partida - ganha dinheiro com isso. Destes, não conheço, estou em crer, nenhum. Let alone um fulano que, embora muito bem parecido, tem um blogue sobre absolutamente tudo. Que é o mesmo que coisa nenhuma, já se vê.

No entanto, e por razão da nossa humana condição, é inevitável que o feedback dos comentários, as estatísticas que as ferramentas disponibilizam, até algum glamour que está sempre associado a sermos um pouco mais que o nosso circulo restrito, levem estas pessoas que investem o seu tempo por mera carolice a tomarem-se, por vezes, demasiado a sério. Ou então não é carolice nenhuma. Acredito, com base em mero feeling empírico, que existam agendas e alinhamentos. Pode ser. Contínuo sem conhecer nenhum desses. Também.

Eu próprio já experimentei a sensação fantástica de ouvir falar de mim - pouco importa se bem ou mal - pessoas que nem sei quem são. Onde moram, com quem vivem, onde comem, não faço ideia. É giro, garanto-vos. E a Tasca tem um nível de visitas perfeitamente ridículo, posso assegurar. Imagino portanto o que acontece ao pessoal que é lido por cem, ou mil, vezes mais gente. Mesmo sem dinheiro envolvido, sem agenda prédeterminada, é muito possível que isto traga uma certa responsabilidade.

Não no patamar do "ai que tenho que ter cuidado". Felizmente, o que a social media tem de bom é a proliferação de opinião e esta sensação de um bocadinho para toda a gente. Cada um diz, sem dinheiro e sem agenda, o que lhe der na gana. Mas a auto-imposta responsabilidade de pugnar em contínuo pelo que se julga o caminho certo. Porque há quem vá atrás. E no fim do dia, o que fica são os posts, os respetivos comentários, as concordâncias e as discordâncias. O resto foi espuma. É tanto assim, que temos quadrantes bem definidos, por exemplo, na bluegosfera. Engraçado.

É muito provável que este grupo - restrito! - de pessoas que escrevem, comentam e debatem sobre, neste caso, um Clube, acabe por ter um peso que não supunha vir a ter. Também é natural que possa, de alguma forma, ser influenciado por ele. O peso. O que não podem é perder de vista que isso tudo é muito pouco. Ou seja, que a imensa maioria lê os jornais, vê as TV, ouve as rádios. E aí está a verdadeira capacidade de fazer opinião.

Portanto, bater, algumas vezes por aparente ciume, a torto e a direito na comunicação do FCP - do Porto Canal, passando pela Dragões Diário, acabando nas intervenções (cada vez mais frequentes) do Presidente - é bastante parvo. É que já vi a DD ser mais vezes citada nos Mass Media que qualquer blogue. O que significa, por maioria de razão, que aquela E-newsletter - NÃO, NÃO É UMA NEWSLETTER, falta-lhe o papel para isso! - é mais eficaz a passar a nossa opinião do que qualquer de nós. E perdoem, mesmo, estar a incluir-me. É por mera facilidade de discurso. 

E se em vez de desancarmos os media do Clube, lhes disséssemos que esperamos apenas que eles - e não os outros - nos visitem? 

(Vos visitem, pronto. Também não é preciso moer a moleirinha aos moços com tanto disparate.) 

Que vos leiam, sintam quais são os temas que vos preocupam e alegram. Sintam esta parte da massa adepta. Sim, porque se trata APENAS de uma parte. Minoritária até. Mas é uma que pensa o Clube e a sua Indústria. Nos artigos, de todos os quadrantes, e nos comentários. Sem ordem hierárquica, que já vi muito post estúpido ser salvo por comentários brilhantes. A começar aqui em casa.

Não é preferível ver plasmada a nossa opinião num orgão do Clube do que nas palavras de um cronista, comentador, jornalista? Com a assinatura do respetivo por baixo? Nunca aconteceu?

O facto de estas pessoas investirem o seu tempo - durante o qual podiam estar a ganhar dinheiro, ver fotos da Charlize meia nua, coçar os tomates ou outra coisa qualquer igualmente produtiva - significa que querem ser ouvidas. Isso é muito bom. 

Eu não quero nada da DD, porque não subscrevo. Não tenho interesse em ser informado do quotidiano do FCP e nem de conhecer a posição interna em relação às várias questões. Faço isso através dos blogues que visito, nomeadamente os colados aqui ao lado, sob "Bons Vinhos e Petiscos". É uma opção minha. Apesar disso, acho mal que seja desancada a torto e a direito. Porque disse, porque não disse, porque foi tarde, porque foi cedo, porque foi em amarelo.

Sobre o Porto Canal, que não tenho, pode ser que fale mais tarde. Ou não. Mas penso exatamente o mesmo. Deixá-lo na lama perante os Portistas serve para quê mesmo? Para o melhorar? E melhorá-lo é o quê? E isso não é mera opinião?

Vai daí, e exclusivamente porque não o vi ainda feito, muito possivelmente por pudor ou modéstia, eu digo:

Hey, Comunicação, o que eu espero da DD e dos espaços de debate acerca do FCP no Porto Canal e, também, na informação que transmitirem ao Presidente - se isso acontece - antes das suas intervenções, é que passem pelo Porta, escutem o Vila Pouca, leiam o Tomo, atentem ao Universal, prestem atenção ao Lápis, deliciem-se com o Imbicto, aprendam com o Tribunal. Se for só pelo gosto da leitura, não podem perder a Miss BlueBay, no Bibó. E não deixem de ter em conta o que se diz em tantos outros locais da Ciberlândia: Os que refletem, os que se orgulham, os que contam a nossa História, os que se rebelam e os que se conformam. ISTO (também) É O PORTO.

São muitos, eu sei. Eu fiz a minha seleção, vocês não podem selecionar. Mas hey, diz que vos pagam para isso. E muito mais.

Ah, está claro, apareçam na Tasca para um 3 Marias f'esquinho. Não é garantido é que esteja a dar a bola.

E sim, estamos do mesmo lado. Certo, pessoal? É que o ADN que faz falta não é só o dos outros.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Os mortos andantes



Por fim, fui convencido a ver o "The Walking Dead". A mais que tudo usou aquela sua maneira única de me levar a fazer o que ela quer. Maijómenos assim:

- 'Moooor... - Em fundo fala o brasileiro no meu espertófone:

- Próximo êxêrrcicio, flexõiss. - A arfar:

- Diz, puf, puf. Filhadaputadepanasca, faz tu as malditas flexões, puf, puf. - Ela, sem tirar ojolhos do PC:

- Toda a gente que conhecemos já viu isto dos mortos caminhantes. Não queres ver comigo? - Brasuca:

- Próximo êxêrrcicio, ágáchamentôiss. - Eu, em posição de quem vai mandar um fax de braços estendidos:

- Não. Se toda a gente vê, eu não quero. Ai os meujoelhos. - Em pé, a ver se não me esbardalho. - Sim, sou assim tão embirrante. E não me ponho mais de cócoras. Dass, capaz de dar um jeito aos costados. - Viro-me para ela. Depois de meio agachamento e duas flexões, sinto-me o six pack do Rocky Balboa, há 20 anos atrás. Está de fones, ojolhos no ecrã, a poupar-me o olhar parecezomêpaicoatuidade, mas em mai'bonito. Diz:

- Anda, anda, vai começar. Tomas duche depois.

- Hein?! Já disse que não quero, porque acho que...

- Shhh, cala-te, já tá a dar.

...

Isto dos mortos que caminham - como o João do scotch, mas sem a bengala - tem um enredo simples:

Uns estão vivos, outros estão mortos mas não há meio de perceberem e querem comer os primeiros. Pelo aspeto e pela filosofia de vida, são assim uma espécie de adolescentes dos 80's a verem o "Marés Vivas". Baba incluída, mamocas balançantes excluídas. O que é pena.

Acho indecente a discriminação aos mortos-mortos. Não contam para nada. Ai estás vivo? Pega lá uma sachola e vai matar mortos. Dass, parece o 5lb a jogar contra o Belém. 

Ah, espera, seu magano, isso não é lama de andares de motoquatro por as matas com ojamigos, mariconço. Tu estás é coberto de vísceras porque faleceste. Et pur si muove! Então vai já atrás da loira menos má, a ver se lhe afinfas uma dentada numa nalga. O amigo aí ao canto, o morto morto, faxabor de ir andando e não atrapalhar quem trabalha. É isto.

Quer dizer, se estiverem mortos mas conseguirem ficar de pé e emitir uns grunhidos, têm trabalho garantido. Vivos que utilizem a ferramenta de trabalho para dar cabo da cabeça aos outros, também. Parece uma repartição de finanças.

Mas agora encontro-me viciado nesta coisa e ainda me faltam umas 50 temporadas. O que me irrita é ninguém explicar como é que o apocalipse se deu. Nem porquê. Terá sido uma experiência militar? Uma bactéria que escapuliu? As tensões do Octávio terão sido um sinal? O Zika?

Enfim, na categoria de "diversão a ver monstrengos a serem espancados", não está mal. Mas o nosso jogo no galinheiro foi bastante melhor.

...

E então, esta manhã, num processo de transferência temporária desta velha carcaça para a Capital, dou com um bicho no casaco. A espreitar da aba, cheio de antenas e assim. Mesmo a pedir um piparote. 

Só que é muito cedo e a parte de mim acordada é, exclusivamente, a parva.

Penso: E se este bicho estranho é o agente do fim do Mundo? E eu o paciente zero. Foda-se, vou esmagá-lo. 

Espera, podia levar o bicharoco para Lisboa. Pimbas, soltar o Inferno no Seixal. Ou em Alcochete. Construía-se um muro alto ali por alturas de Leiria e pronto, ficávamos com os apitos só para nós! A ver se não recuperávamos os pontos todos ao Jergo. E mais bem governado que ficava o país.

Entretanto chegou o comboio e enfiei um piparote ao insecto que o desfiz. Quer dizer, pelo menos ainda não voltei a vê-lo...

...

- Pedro! - Imperativo.

- Sim, Senhor. - Atrapalhado.

- Já soltaste a praga? - Desconfiado.

- Sim, Senhor. Só que... - Atrapalhado.

- Ai! Eu vi logo. Fizeste tudo conforme combinado? O bicho pra cima do anormalóide e tal? - A ira a crescer.

- Sim, Senhor. Mas... - A coçar a cabeça.

- Porra pá, sempre a mesma coisa! Não fazem nada como deve ser. É o que dá esta treta dos empregos vitalícios. Qualquer dia dou-te um piparote que te desfaço.

- Pois, foi mesmo isso Senhor.


...

Soundtrack to living dead: Black sabbath (4 xôr Costa)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A literatura da simplicidade e campos de flores amarelas



O Murakami talvez vocês não conheçam. É seguro que um dia destes ouvireis falar dele, porque acabará por ganhar um, para já adiado, Nobel da Literatura. O Murakami é Japonês e escreve bem que dói. De dar inveja. Eu vou-lhe roubando umas quantas coisas, - os "está claro", por exemplo - umas vezes de propósito, outras sem querer. 

As suas personagens têm uma forma muito própria de lidar com as situações. Uma espécie de resignação consciente que impele à ação, mesmo que a ação seja ficar completamente quieto. Este paradoxo é a verdadeira magia da obra do tipo: Aceitar o que se posta diante dos olhos, por inverosímil que seja, sem procurar justificações ou causas ou consequências. É assim e é com isso que tem que se lidar. E é-se feliz, mesmo que seja aos bocados.

As mais das vezes, as personagens de Murakami carregam uma culpa qualquer. De serem o que não querem ou de quererem o que não são, de procurarem algo ou de serem encontradas inusitadamente, de preservarem a sua paz à custa de violência extrema ou de serem violentos pela paz de outros. O que nunca acontece é encontrarem um significado outro para o que representam, na sua leitura mais simples, as ações, os momentos e os sentimentos. Como se cada coisa fosse um fim em si própria e nunca um meio para que dela se faça algo. Por isso passam as páginas a polir as palavras, os atos, as paixões, os encontros e os desencontros, com mil cuidados. 

Tudo acaba no instante em que acontece. Mesmo que nunca aconteça. O amor e o ódio, o sucesso e o fracasso, são pedaços de Mundo - por si - para os quais não existe uma lei necessária que obrigue a que conduzam a um desfecho. Os fins são sempre dos leitores. Como se o jogo perfeito não precisasse de ser jogado.

Claro que o Murakami às tantas desatou a ser lido por uma quantidade de gente. Espero que se divirtam com as peripécias de um tipo vulgar, sempre vulgar, que vai ao encontro de um homem-ovelha que, muito provavelmente, é o último resistente comunista. Ou com as desventuras do Tengo, que vai ter um filho de uma mulher com quem nunca foi para a cama. Mas deu-lhe a mão, quando andavam juntos na escola. Não havendo na História nada de mais corriqueiro, está claro. A não ser, possivelmente, encontrar uma entrada para outra dimensão no fundo de um poço que funciona como ponto de fuga. 

Quando ponho isto assim, percebo porque é que uns quantos o detestam e outros tantos acham que se trata de literatura de cordel. Se calhar é mesmo. Momento este em que escreveria Irene: Não sei que diga, não sei que pense.

No fundo, trata-se de encarar a vida no extremo da simplicidade: É sempre bonito um campo de flores amarelas. Ponto.


...

Alça pois o nosso FCP para a Germânia. Consta que cheio de dúvidas e problemas. Com medos mil das consequências que advirão das escolhas que forem feitas. Uma escuridão.

Olho para o Zé e calculo que se enovele a sua mente, carregadinha de esquemas e hipóteses e possibilidades. Ou então não: Olho para o Zé e vejo uma personagem de Murakami. No sorriso de repente, a escapulir honesto. No encolher de ombros sem ensaio: É isto, está claro. Não é como se pudesse ser de outra maneira, portanto continuemos para a frente. Se é para a frente que queremos ir.

Confesso que não vislumbro um rasgo de génio. Mas é um tempo tão cheio de génios, de brilhantismos, de foras de série e sobredotados, que já fico na dúvida. Se tantos são tanto, não serão os olhos que os medem mal? Ou conforme lhes convém? E então deposito renovada esperança no que é simples, no que não rebusca uma solução para lá da compreensão do vulgar. O que aceita o contexto e o cenário e sorri para ele. Confiante.

Se leio bem o Zé, teremos mais um menino meio imberbe em estreia, e outro, mais rodado, a tentar fazer as vezes do pilar de ébano - credo! - do nosso meio-campo. Nenhum deles estará à altura da missão, a menos que todos os outros estejam. Se a equipa for equipa, prevalecerá. 

Simples, como um campo de flores amarelas.


...

Soundtrack to yellow flowers: Wild!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A vitória do Zé e o assalto à mão armada

É na OUTRA baliza, Bruno!

Já vi o FCP ganhar em Lisboa bastante fechadinho lá atrás. A disparar Kostadinoves e Domingos - e a incrivelmente épica correria de um Romeno que nos deu a mais gloriosa das vitórias. Ontem não, digam o que quiserem da contabilidade de oportunidades e da eficácia. Tudo coisas que só contam para um lado. Para uns pragmatismo genial, para outros uma sorte do caraças. Have it your way.

Isto é uma vitória do Zé. Ciente da fragilidade defensiva do seu sistema e, neste momento específico, do problema em escolher jogadores, fez o que tinha que fazer: Atacar. Não prescindiu da âncora do meio-campo, não prescindiu da identidade. Arriscou, com aquele sorriso meio aparvalhado, meio labrego, que o caracteriza. Como se fosse normal não sentir tremores nas pernas perante as circunstâncias. E perante o rolocompressordiabólicóestonteante. Estás coberto de razão Zé. É normal! Os Dragões somos nós.

Dito isto, importa não fazer de conta que estivemos mais perto de marcar mais golos que os lampiões. Não estivemos. Convém não escamotear os desequilíbrios, as falhas de posicionamento. A sofreguidão que fazia todos os ressaltos caírem nos pés errados. Assim como não tem mal nenhum ser franco e assumir que foi uma noite de San Iker. Espantoso. Isto é tudo verdade. 

Assim como é claro para quem quiser ver, que só porque houve chama alta de Dragão, coração, qualidade e muita - muita! - coragem, é que a maravilhosa exibição do nosso portero serviu para alguma coisa. Para muita coisa até. E isso, é uma vitória do Zé.

Eu não sei se Lopetegui teria ganho este jogo. Sei que sofreríamos menos, que controlaríamos mais e, provavelmente, melhor. Também sei que aquele atempado golo do empate, dificilmente surgiria daquela maneira: Um lateral subido, quatro homens na área, um médio a receber, rematar e festejar. Sim, quatro homens na área, que muito contribuíram para o espaço aberto para o remate redentor do nosso Patinho Bastante Feio. Do mesmo modo, a quantidade de vezes em que estivemos em desvantagem e, ou, perdidos como baratas tontas na nossa defesa, aconteceriam menos. E aí houve Casillas. Mas também André fora de posição a atrapalhar Gaitan, por exemplo. Dedo teu Zé.

Mas toda a gente que atira com Peseiro a Lopetegui, que amaldiçoa a "herança", culpada ela - a herança - por todos os males do próximo milénio, devia pensar no que aconteceu no período de jogo em que fomos mais Lopeteguianos. Depois do 1-2. Aquela parte em que o 5LB não voltou a criar um lance de perigo. Porra, terá sido a equipa que recuperou a inteligência e soube dar ao jogo o que o jogo pedia? Ou foste tu, de novo, Zé? Com o Ruben, com o Marega, com o Varela. Assim ganhas-me.

Foram todos brilhantes. Não é verdade que tenham sido, mas agora parece. Iker brilhou mais, no momento certo. Como Helton em Braga. Mas de todos os paradones de ontem, para mim, o melhor foi ESTE. O próximo, meus caros. É o próximo que fará este valer. 

E Chidozie? Digam-me alguma coisa que eu não tivesse visto antes.


...

Agora mesmo, há registo de um assalto à mão armada e à descarada, no Olival. O FCP B perdeu com o Famalicão. Com um penalty que já está nomeado para o Globo de Ouro na categoria "Melhor Comédia". Isto depois de nos terem escamoteado um outro penalty, este sim, clarinho como água. É capaz de ser do novo patrocinador, os penalties nesta Liga passaram a ser chineses.

O adversário bateu forte e feio em tudo o que mexia, sobretudo no Francisco Ramos. Ninguém o manda ser irrequieto. Claro que no fim do jogo o Ramos tinha um amarelo. Bem feito. 

No último quarto de hora, o adversário foi acometido por uma caganeira de tal ordem que passaram mais tempo no chão a rebolar do que em pé a dar pau. Felizmente estava lá o xôr árbitro, para garantir que todos recebiam a devida - e proloooooooongada - assistência.

Se não fosse tão recorrente e sempre a pender para o mesmo lado, tinha piada. Enfim, vamos ao que é mesmo importante nesta coisa da equipa B:

Estamos numa fase complicada da época. O físico pede algum descanso - que não haverá - e a ideia de jogo ressente-se com as várias adaptações, fruto de saídas, empréstimos e promoções. 

O Francisco Ramos é um grande jogador e está pronto para qualquer desafio; o André ainda não recuperou o momentum que perdeu na A; Gleison e Graça, apagados; Verdasca ainda a anos luz de Chidozie, mas a caminho; Tomás certinho e útil, mas sem o andamento de Omar; Garcia continua na fase kéjbereuacentrarpáscouBes, qual Angel wannabe; e Ismael... Bem, Ismael não se viu, excepto por... um breve e hulkiano momento. Grande golo de um futuro grande jogador.

As melhoras aos moços de Famalicão. Se a caganeira não passar, metam o árbitro mais os bandeirinhas no cu, que tapa. E não se perde nada.

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A message to mister referee: Up yours!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Outra palestra da Cremilde e uma sugestão ao Zé (em noite de San Iker)



Um dia a Cremilde acordou bonita. Não se ouviram sininhos de fadas, nem ninguém notou luzinhas de perlim na barraca de zinco. Dormiram todos ferrados, num sono de fome e de cinzentos. Como sempre. 

Ainda por cima, tinha chegado aquela altura do mês em que é Inverno por mais que brilhe o Sol. Frio de quarenta graus sob a torreira das chapas do casebre. Uma chuva permanente nos olhos e trovões nos estômagos mirrados. Os dias em que olhar para os cachopos era ainda mais difícil, de mãos vazias. Sem promessa que se pudesse fazer de côdea para amanhã. Assim adormecera.

Quando se viu no pedaço de espelho em frente da tina de plástico, ansiou por um trago de Blimundo pão duro que lhe tirasse das vistas a miragem. Mas o pão, duro que fosse, era demasiado precioso para ser gasto em literárias artes mágicas. Para além de que não fazia ideia de onde lhe vinha aquele nome Blimunda. Ela, toda a vida feia, sabia só que acordara bonita. Nem tempo havia para duvidar disso, que a hora era de se levantar o Sol para o Mundo e de esfregar o chão do talho para ela.

Com a cabeça cheia de o que será que se comerá à noite e os calos a ferirem-se no cabo da esfregona, nem notou que o patrão entrou cedo. Fresco da cara barbeada e ranço de tudo o resto. Menos da alma, que era podre. Ele sim, pôde espantar-se do estranho acontecido. Bonita que acordou a Cremilde. Jeitosa, mesmo por baixo dos andrajos e do sebo. Imagina-se que haja sebo. Apressou-se:

- Mas que diacho, mulher. Acordaste assim, como que de repente? - Ficou sem resposta, mas não sem um pedaço de nalga que já apertava na mão sapuda. Ela saltou da estranheza de alguém a querer agarrar e encarou-lhe os olhos mortiços.

- Que me quer o senhor? Deixe-me acabar o trabalho e ir-me à minha vida.

- Deixo, deixo. Pois claro que deixo. Mas antes vens ali comigo à geleira. - E sorria lúbrico. - Contar as carcaças. Levas um naco de figadeira se te portares em condições. Se não quiseres, não precisas nem de terminar a limpeza. Pões-te a andar assim esfomeada. E esfomeado fico eu também.

O que não tem solução, está remediado à partida. Com os seus novos lindos olhos no chão, inspecionando o primor do soalho já limpo - que caminhar para o cadafalso não é motivo para se perder o brio - ela seguiu os passos do asco. Entrada na câmara frigorifica, encarou-o:

- Ande, despache-se com a roupa. Tenho o chão para esfregar.

- Podes começar a esfregá-lo já aqui, querida Cremilde. Com os joelhos. - E já quase arfava pelo meio das palavras, enquanto, livre do cinto, baixava as calças de bombazine. Logo seguidas das trusses de algodão. A puxar pelo prepúcio da famélica pila, acenou-lhe com a cabeça.

Talvez ela o tivesse visto logo que entrou. Ou soubesse antes que lá estava. As coisas que as mulheres conhecem são mistérios insondáveis até para alguns Deuses. Pode ser de ter ido de olhos no chão ou apenas porque tinha acordado assim, bonita. Ou Blimunda.

Ao mesmo tempo que se ajoelhava, estendeu o braço direito o mais que pôde. E quando, inevitavelmente, os seus lábios hoje nada gretados afloraram a pele logo acima do pénis do seu algoz, a mão fechou-se num gancho de pendurar os cadáveres bovinos. Perdido no chão.

Ele fechou os olhos a antecipar o prazer. A sentir o seu ego macho a inchar, como as veias do seu falo cobridor. Mais devagar, se de todo, as últimas. Mas o poder - ah o poder - é orgasmo que chegue.

Ela olhou para cima por um segundo. Viu-o de olhos cerrados e sorriso colado. Guardou o vómito e cortou-lhos rentes.   

Depois do grito de dor, a tapar o jorro de sangue que lhe tomava o lugar da pila com as mãos, ele pensou em insultá-la e ameaçá-la. Cedo percebeu que era tarde. A última vez que o talhante viu a Cremilde, ia ela com um vitelo às costas. Ligeira. Bonita.


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Zé, nenhum medo. És Dragão. Sois todos. Mesmo os que não souberem. De Dragão para Dragão, sem promessas de sucesso nem ressentimentos se não cumprires, aqui te deixo a minha sugestão:

Iker; Maxi, Chidozie, Indi, Layun; Danilo, Hector, André, Brahimi; Marega, Suk

Tu sabes do que é que eu estou a falar...


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E depois do Carnaval, comemoramos a noite chuvosa de San Iker. Haters gonna hate, but we're back bitches!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

À atenção do Departamento de Comunicação da FCP, SAD



Muito se tem dito, sobretudo mal, acerca da comunicação, ou sua ausência, do nosso FCP. Suportados neste ponto de partida, deficiente, vários dos nossos correlegionários pedem já a cabeça do Dragão - Jorge Nuno Pinto da Costa - enquanto responsável último, e máximo, pelo que consideram o descalabro dos anos mais recentes. Acho que têm todo o direito de o fazer. Inclusivamente, concordo que no fim do dia a responsabilidade lhe deva ser assacada. Como lhe devem, continuamente, ser atribuídos os méritos das muitas conquistas que o tornam no mais titulado dirigente da história do Futebol. Assim mesmo, sem ser do Português. É do Futebol, ponto. Todo.

Curiosamente, encontro no berreiro à volta desta questão uma contradição de base: Toda a gente diz cobras e lagartos da comunicação, ou sua ausência, do FCP; mas ninguém repara nela. A verdade, verdadinha, é que o que queremos mesmo é um chavascal de primeira água sempre que o árbitro nos roubar. Exposições à FPF? Nop! Críticas na "Dragões Diário"? Nop! O Presidente em todos os canais - quais? - de preferência bastante exaltado, ou magnanimamente irónico, a partir a loiça toda. O que seja a loiça, eu não sei. Mas é para partir.

Voltarei - como se alguém se ralasse - a este assunto, mas não é, de facto, por aqui que quero ir hoje. O que gostava de partilhar convosco desta vez, é o motivo pelo qual me parece que estaremos a ser batidos aos pontos na área da Comunicação.

Para o fazer, devo deixar claro, numa penada, o que me parecem ser os grandes Clubes (SAD) atuais, em mercados periféricos como o nosso: Clube - Crescimento - Títulos - Vitórias Internacionais - Alargamento do Mercado - Profissionalização transversal da estrutura - Empresa - Holding. 

Ou seja, esta malta recebe pelo seu trabalho e é suposto que trabalhe bem. E isso não tem que ver com a bola a bater no poste. Na maior parte das áreas de atuação dos muitos profissionais do Grupo FCP, o imprevisto futeboleiro não tem nenhuma interferência. O tempo pode ter, a conjuntura internacional e o terrorismo também. A bola, não. Independentemente de o ABUMbakar falhar um golo a 20 centímetros da baliza, o Departamento de Comunicação do FCP deve funcionar na perfeição. 

Na maior parte das vezes, creio que isso acontece. As nossas linhas gráficas e o tom da nossa comunicação, seja no futebol, nas modalidades, no Museu, é bom e eu gosto. Serão quase sempre, presumo, serviços externalizados, mas isso não retira a responsabilidade nem o mérito a quem escolhe e depois aprova. Igualzinho ao processo de escolha de um treinador, hein?

E porque é que vos venho torrar a paciência com esta coisa sem interesse nenhum? Quem sabe entre vocês não estão alguns profissionais destas coisas da comunicação, a quem o assunto pode mesmo interessar. Ainda melhor, que podem usar os seus conhecimentos da matéria para botarem o tasqueiro no seu lugar: Atrás do balcão.

Esta manhã tive oportunidade de ver este spot da nossa concorrência - mantenhamos a linguagem corporativa por hoje. A primeira coisa que pensei foi: Ide para o caralho, lampiões filhos da puta. Logo a seguir, pensei: Foda-se, bem esgalhado. Muito bem, lampiões filhos da puta.

E porque é que estou a cometer este quase sacrilégio? É fácil:

Neste momento, a BTV tem uma oportunidade sazonal de faturar. Há um determinado evento que lhe poderá permitir aumentar a sua faturação num período especifico. Os potenciais novos, e transitórios, clientes da BTV não seriam, na sua maioria, o alvo habitual do canal. Pelo contrário, sendo o acontecimento um 5LB vs FCP cuja transmissão é exclusiva da BTV, o alvo são, precisamente, os adeptos rivais. A mensagem é clara: Amiguinhos, se querem ver o jogo, tem que ser aqui. Até fazemos um preço jeitoso, muito mais barato do que irem jantar fora, e ainda damos uns joguitos internacionais para fazerem de conta que não foi ao inimigo que deram 9,90€. O spot acima faz isso tudo.

Ainda melhor, tem o cuidado de perceber em que mercado está inserido. Isto é, qual é o contexto. Reparem, a peça alfineta o adversário. Isso é bom para todos. Para lampiões empedernidos, que não se sentem enxovalhados por estarem a tentar vender coisas a nós. Pelo contrário, afinfam um sorrisinho e dizem: Pois, semp'apensaremnós, tripeiros dum cabrão. 

Para nós também é bom. Porque não sentimos que vêm de lá uns lamps tratarem-nos bem. Nada disso, pelo contrário, usaram as nossas cores para nos bater, os suínos. Mas foi com meiguice. E sempre via a bola descansado. Por 9,90€...

Em resumo, alguém neste processo - o criativo, o account, o diretor, alguém ou todos! - é genuinamente lampião e bom na sua arte. Lampião, porque há um cuidado já explicado com alguns detalhes que, parecendo parvos, são essenciais nesta indústria. E é preciso senti-los para não os deixar escapar. Bom, porque atentando às limitações - a maior das quais é não poder ser fofinho com o consumidor que se quer engatar - encontraram uma solução eficaz.

Em compensação, fiquei parvo com a última peça do género que vi, produzida pelo nosso FCP. Que foi esta. Deixei-me estar calado na altura e, se calhar, era o melhor que fazia agora. Mas tenho a convicção que não somos piores. Estamos é a dormir. Ou então sou eu que sou parvo. Esta é sempre uma forte possibilidade.

Vejamos, já revi o nosso Postal de Natal três milhões de vezes. Na primeira, confesso que nem tinha reparado que os cachopos tinham pólos - a sério? putos de pólo? numa esplanada da foz? oh well... - com o emblema. Mas a produção é digna, o orçamento não deve ter sido nada de especial, o spot cumpre bem a missão de dar Boas Festas. Mete crianças e doces e bola e assim. Só que...

Só que na cadeia de decisão no Departamento de Comunicação do FCP, alguém tem que ser tão Portista quanto eu. Não pode ser menos. E não acredito que seja. 

Acho que o mérito é que deve guiar todas as escolhas, no contexto atual - pincelado acima - do futebol. Não esqueçam é que quem escolhe as pessoas deve ter, antes de todos, o mérito de saber quais os skills necessários. E deixem-me dizer-vos que, na indústria onde ganham os seus milhões, ser Portista não é um skill desnecessário ou supérfluo. Não têm que ser todos, mas é fundamental que na cadeia decisória haja alguns. Algum, pronto.

Voltemos à vaca fria. Vou resumir o que eu vi do nosso Postal de Natal:

Um puto lampião e outro lagarto, vide respetivos aventais, fizeram uma bola mágica que transformou o Dragão num Ferrero Rocher. Pumbas! É estúpido? Talvez. 

Se eu mandasse, aquilo não tinha saído. Podia ser tudo igual, mas não havia aventais vermelhos e verdes. Muda tudo. E porque há? Porque de todos os que viram este filme e o aprovaram, nenhum é tão Portista quanto eu. E como tu. That's all folks...


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A camisola que ilustra este texto está disponível para qualquer elemento do Departamento de Comunicação da FCP, SAD, interessado em ter uma. De oferta, pois claro.     

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Um pedido de ajuda à freguesia e um momento fofo



Eu tenho um problema com a minha opinião: Não consigo calá-la. Sei que é um problema porque, às vezes, até eu penso que mais valia que estivesse caladinha. A opinião. Mas não está, é uma tagarela. E tem a mania que tem sempre razão. Tão irritante.

Pessoas como eu, mas em mais feio, são bestialmente chatas. Opinam sobre tudo e mais os tomates do mudo. Se for preciso, citam estudos que ninguém conhece e datas impossíveis de decorar, em beneficio da sua tese acerca da influência do raio laser no crescimento da Acacia Dealbata. Toparam o latim? É mesmo à cagão, dass! São assim uma espécie de Marcelo, mas com horas de sono de gente maijómenos normal. Tão irritantes que somos.

Confesso que senti um certo alivio quando despediram o Lopetegui. Porque pensei que podia, finalmente, fazer parte da vasta maioria que cerraria fileiras. Sim, que isto de estar sozinho contra o vento é giro - e as garinas gostam - mas cansa. E as chavalas acabam sempre por abrir as pernocas é ao gajo com as mamas maiores. Sim, sim, peitorais das flexões e lérias. Lá por serem rijas, não deixam de ser mamas. Olha que lata, têm men boobs, têm sim senhor. Inchem! 

Pumbas, aí vão eles para o chão. Eu disse inchem, não disse encham. Burros que dói, os mamalhudos. Invejosos são os vossos tios. Panascas pá!

Compreendem, espero eu, a minha relativa desilusão quando, animado deste espírito por uma vez de manada, dou comigo cheio de comichão por não perceber patavina do que é, aparentemente, a nova corrente dominante azul e branca: A culpa é do Pinto da Costa. 

Desde logo, soa-me a dejavu. Parece que já ouvi isto em qualquer lado. Vocês não? Acho que foi por ocasião do enésimo fracasso nas conversações entre Israelitas e Palestinianos: Blame it on Chick of the Back. Fuck it.

Bem sei que me ponho com histórias sem interesse nenhum. Depois dá o tédio às pessoas e mudam de blogue e não chegam à parte que era mesmo, mesmo, mesmo importante.

- Ké'ajmamach, poijé Xilva? - Haja alguém atento. Obrigado Berto.

Numa tentativa - ainda que vã, repare-se que já vamos no oitavo parágrafo - de obviar a esta questão, em vez de emitir a minha opinião, hoje peço apenas que me esclareçam algumas coisinhas:


  1. Ontem, o árbitro anulou um golo limpo ao FCP que mudaria por completo o jogo. Estou disponível para insultar o presidente do Clube e da SAD por isto, mas preciso de perceber porquê. É porquê?
  2. No inicio da época tínhamos um belo plantel. Ou não tínhamos? Ainda não está muito claro para mim se acham que sim ou que não. Eu disse que sim. E mantenho. Mas parece que não. Ou sim. Tínhamos? Ou é melhor assobiar já o próximo jogo?
  3. Onde deveria o NGP aparecer amiúde para desmascarar a roubalheira que por aí vai e que nos tem impedido de ganhar? Ou não tem? Tem? Se tem, a culpa dele é não pagar mais que os outros? Ou não aparecer a apontar o dedo? E aparecer onde? A assobiar ou em verso?
  4. Estamos a saque? Entregues às negociatas do filho pródigo? O que se prova pelo erro do Maicon ontem? Caso não seja por isso, está onde a prova? O indício, vá.
  5. Ou estamos antes encomendados à Doyen? Ou somos uma gaja em condições e vamos prá cama com quem nos dá na real gana? E o que ganha PdC com isso? Campeonatos não tem sido.
  6. Em 30 anos o FCP ganhou mais do que nas décadas anteriores todas juntas. Fez-se um grande da Europa e do Mundo, às vezes até de Portugal. Com PdC. Porque é que 3 anos são mais significativos que 30?
  7. PdC está velho, senil e sem vontade? Deve sair? Não vale responder "Não, mas...", nem "Sim, porém...". Sim? Não? Vão votar? Em quem?
  8. Poderá ser - mera hipótese académica para fecharmos isto num numero par - que as opiniões mudem se, por alguma arte mágica - como por exemplo não substituir o Brahimi quando ele está a jogar bem - ganharmos no galinheiro e depois aos lagartitos do Campo Grande e a todos os que aparecerem pelo meio, incluindo Nazis?
Apesar da minha irreprimível tendência para a palhaçada, acreditem que estou de alma aberta. Mudo de opinião no momento em que as respostas me convencerem a fazê-lo. Até lá, vão dar banho ao cão.

- Majalguem lhe pediu a opinião, tasqueiro? Shhh, cale-se que eu digo: Ninguém!

- Eu dou na mesma. Sou um mãos largas.

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Porque em muito tasco bom se optou por não falar do jogo de ontem - go figure - recordo que na Tasca deu na televisão. E eu vi.

Já agora, se eu fosse Presidente - e devia ser! - despedia o primeiro que me viesse com a história de "ah e tal, preparar a próxima época, não ser humilhado com os lamps, ver se levamos menos de 6 na Alemanha". 

Isto é o FCP, caralho! A próxima época é tão importante como as 100 anteriores. É esta que interessa. Entendidos? Vamos lá mazé bulir, em vez de se darem ares superiores e imaculados de qualquer culpa, com a esfarrapada desculpa de que é preciso fazer reset. Na minha terra, isso chama-se preguiça.

Por fim, e para que seja supremamente irritante, provo-vos - aqui e aqui - que sempre que me parece adequado, na Tasca se diz Não, Presidente! Há alguma coisa mais irritante do que ficar restringido ao fantástico argumento "Oh, este gajo é parvo, nem vale a pena dizer nada"? Não há. Ai ca nervos que deve dar.

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O momento fofo: 

Maicon, simpatizo com o período difícil por que estás a passar, imagino eu. Acho que não deves ter nenhuma vergonha em procurar ajuda especializada. Sei que gostas e respeitas o FCP e isso deve pesar no nosso julgamento. És um dos nossos. Como eu. E o teu lugar é ao meu lado: Na bancada. Percebido? Agora põe-te nas putas, ohfaxabor.