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"Foi giro, mas vou andando. É que tenho cenas combinadas com o Silva" Gamado ao JN, pois claro. |
- Oh Silva, usa o filme do JN, que eu estou fartinho de botar faladura. Penso eu de que. - Diz ele, com o sorriso que lhe conheço das televisões e que lhe antevejo na voz das rádios.
- Nanana, meu menino, aqui é a sério. Nada de repetições ou meias palavras. Aqui diz só, mas diz mesmo, o que lhe vai na alma. E o que a malta precisa sempre de umas palavrinhas claras, bem explicadinhas e sem tretas? Ui.
- Pois claro!
- Então anda lá, oh murcom.
- Boa noite, Senhor Presidente. E seja muito bem revindo à TascaTV.
- Sim, sim, está muito bem. E a sopinha?
- Já vai. Olhe lá, isto agora parece que anda, hein? Fomos dos lenços brancos aos cincazero em menos de um fósforo.
- Eu cá não vi lenços brancos nenhuns.
- A sério?
- Está claro. Mas bem, já se sabe que eu de branco só vejo as listas da nossa camisola. O resto parece-me tudo meio acinzentado. Estamos quase no topo, pá. Viemos lá do fundo a toda a bisga, mais pareciamos um foguete, cumcamandro.
- Um pedacinho exagerado isso, não? Estamos fora da Taça, estamos atrás dos lampiões no campeonato...
- Olha, meu filhinho, a Taça está mais entregue que a Maria Madalena enfiada numa pensão com o Jesus. Não pá, o a sério! Não viste a roubalheira kakilo foi? Credo. Mais depressa o gajo do Arouca acredita que o vapor é um líquido, do que o Capela nos deixava ganhar em Chaves.
- É verdade. Mas se tivéssemos marcado os nossos penalties, era complicado arranjarem maneira de perdermos. Para além de que sabíamos da Capelada e ninguém nos ouve a barafustar em antes. Porquê?
- Tens mais perguntas ou já estamos só a aparvalhar mesmo? É que eu estou a ficar com um ratinho...
- Entendido. Gostou de ouvir o Dragão a cantar Pinto da Costa allez, novamente?
- Não cantaram sempre?
- Não. Há uns tempos valentes que não.
- Porque são parvos. Não vejo outra explicação. Tu também não cantavas?
- Oh, eu, já se sabe, sempre caladinho, o jogo todo. - Ele olha-me de lado. - Mas cantarolava baixinho, está claro. Assim para dentro e tal.
- Ah, bem me parecia. Olha, as claques cantaram muito afinadinhas, muito bem acompanhadas pelos verdadeiros Portistas.
- Epá, mas eu estava lá e posso afiançar que nem todo o estádio cantou. Aliás, devo dizer... - Cala-me com um gesto largo da mão.
- Foi o que eu disse. Os verdadeiros, cantaram.
- O Senhor Presidente não pode agora distinguir os Portistas entre bons, que somos os que o gramam, e maus, que são os que o querem ver pelas costas...
- O caraças é que não posso. Espera lá que não posso. Então andam há que tempos a malhar aqui no velho, porque acabou, morreu, tem que dar o lugar aos novos, quer é tacho, está a dar cabo de tudo, buuuu, buuu; e eu não podia desancar nesses filhasdaputa?
- Oh Presidente, são Portistas como nós.
- Pois bem, serão. São uns filhasdaputa duns Portistas, pronto. Era o que me faltava, andar a servr de saco de porrada dos meninos e não lhes dar troco. Nem pensar. Eles que se ponham a escrever em blogues e nessas coisas modernaças, que eu cá vou antes às Assembleias Gerais e concorro a eleições e isso tudo. Inchem. A mim aturam-me enquanto a maioria quiser. Aliás, a julgar pela cambada de cobardolas que por aí pululam, aturam-me enquanto EU quiser. Vá que eles não se chegam à frente. Chega a hora certa e hibernam. Gandajursos pá!
- Se a chicha continuar a entrar, vai ver que toda a gente canta. E aí?
- Aí já são Portistas como deve de ser, está claro. Até te digo mais, ainda vamos ver muitos deles a carregarem o NES em ombros. A mim não carregam que eu não sou nenhuma cruz.
- Ui, acredita mesmo nisso?
- Opá, desde que eu próprio tive que aturar o Vitinho na varanda do Dragão, acredito em tudo. E a malta muda mais depressa de opinião que um central do Feirense se faz expulsar.
- Era sermos Campeões, Presidente...
- Pois. Deixa ver se o Fontelas está para aí virado.
- Não parece que esteja...
- Não, não parece. Mas lá que começaram a marcar penalties a nosso favor, lá isso... E digo-te, sem roubalheiras, com uma das melhores duplas de centrais dojúltimos montes de tempo; mais doijavançados com mais potencial pró golo que a Linda Lovelace prá mamada, ninguém nojagarra!
- Foda-se Presidente, até os comemos, carago!
- Nem mais! E à sopinha de peixe também, poijé?!
- Se um se lesiona é que é o caraças...
- Ora, mete-se o Dieguito Adrián e o mau da história do João e o Pé de Feijão; ou aquele moço que tem nome de snack pouco saudável, o bolycao, acho que é isso; e tándari! - Rimos até à tosse, enquanto damos palmadas nojoelhos. Ficam ojóculos todojembaciados.
- O Presidente não pode dizer isso de jogadores do clube. Contenha-se. - A tentar travar outra gargalhada.
- Jovem, já te disse antes, mas tu és um bocadito desmentalizado: Antes do resto, sou um adepto. A bem dizer, sou O adepto. Com esta idade, posso dizer o que me der na tola, estou-me bem a ralar...
- E o Alexandre?
- Está bem, obrigado. Olha que simpático da tua parte perguntares. E a família, espetáculo também?
- Não, não era isso. Então mas precisamos de empresários para agarrar miúdos de 14 anos?
- Népia. Mas vou contar-te uma história: A Glória adorava chegar a casa, tomar banho e pespegar-se toda nua à janela. A mãe dizia-lhe sempre: Ai Glorinha, que te constipas, minha rica filha. Ela nunca, mas nunca, se constipou. Um dia, balançava as estupendas mamas ao vento, quando espirrou. Pimbas, constipou-se.
- Well... Mas é preocupante não podermos despachar Rolandos sem ajuda, certo?
- Opá, eu também acho que Colombianas e Brasileiras deviam conviver harmoniosamente no mesmo leito. De preferência, o meu. Diz lá que não era uma linda aliança latina transatlântica. Acontece que há sempre uma que é o Rolando e tem que se arranjar alguém quem lhe mostre o caminho. Da rua.
Calo-me bem caladinho. Entra o genérico.
Enquanto a sopa apura mais dois minutinhos, sem levantar fervura.
- Sabe, Presidente, estou fartinho de entrevistas. Parece que virou mania.
- Nem me digas, pá. E o mal que aquelas horas sentado me tem feito à lombar? Mas diz que tenho que falar. E como temos ganho de carreirinha, não tenho outro remédio.
- Podia falar quando perdemos.
- Sim. E também podia fazer uma lobotomia e ser um espinafre.
- Olhe, o que eu gostava era que nos dissesse quais foram os erros que detetou quando "batemos no fundo"; e o que estamos a fazer para os corrigir. Enfim, que nos mostrasse um pouco do plano. Para sabermos que há plano, tá a ver? Em vez de nos pormos blogueiramente a conjeturar.
- Já eu, gostava era que tivesse muitos mexilhões.
- Hã?
- Adoro cricas na sopa de peixe, pá.
- Oh Pedro. - Grita.
- Estou mesmo aqui, Senhor, não precisa elevar o tom.
- Ah, pois, isso. Olha lá, pá, isto não é discurso que se tolere a um tipo nesta posição. Vamos exonerar o gajo!
- Hã? Olhe que isto da bola está a tornar-se um vício, com todo o respeito. Agora já Intervimos no dirigismo? Para além de que, onde Foi buscar esse canal? Não faz parte do nosso pacote Super 4G Sumpimpa Multitask, ou lá o que nos impingiram.
- Errrr...é uma aplicação que me ofereceu o Inácio. Já sabes, sempre com oferendas aquele cachopo.
- O da bola?
- Não, o padre. Majolha, qual bola, qual carapuça? Então este não é o Papa? Não é meu empregado, kéjbêr?
- Aaaaah não, Senhor. Este é outro. Isso é só alcunha.
- Ai o impostor! Eu estava a estranhar o gajo não vir com aquele barrete pontiagudo. Aquele assim. - Faz um triângulo com as mãos, sobre a cabeça. - Sabes, Pedro? Aquele, pá, que fica a pessoa parece uma caneta de tinta permanente.