quinta-feira, 16 de junho de 2016

EXCLUSIVO: A TascaTV na zona mista

Sempre que ponhojóculos, é esta confusão...

A TascaTV recebeu, pela primeira vez na sua curta - mas espetacularmente brilhante - história, uma credencial para estar na zona mista de um grande evento desportivo. Foi aqui um corrupio, a ver quem é que se afiambrava à viagem e aos mini-croquetes e à possibilidade de enfiar uma lambada ao Nuno Luz e assim. Claro que não vou dizer qual foi o certame.

Depois de discutirmos democraticamente a questão, num ambiente de grande cordialidade e abertura, em que as diversas opiniões e argumentos foram analisados de forma construtiva, com os vários elementos da equipa a cooperarem no esforço conjunto de chegar à melhor solução, decidi que ia eu. Quer dizer, decidimos. É isso.

Mas estou muito arrependido. Afinal, a mais que tudo tinha razão. Lá por a Zona ser Mista, não significa que haja gajas. Tipo Sauna Mista ou Equipa Mista. Um grande desconsolo. Enfim, uma vez que lá estava, fica o registo do trabalho feito.


...

Palmadão nas costas. Viro-me para enfiar um sopapo nas fuças do engraçadinho, mas detenho-me. Por medo de apanhar uma infeção nos nós dos dedos. Mantenho o profissionalismo:

- Ena, olha o ex-badocha e atual Presidente do clube que ganhou tanto como o FCP do Fonseca. Não o sabia por cá.

- Eu estou em todólado, meu amigo.

- Seu amigo será o senhor seu tio. E siga, que me está a conspurcar o plano, ohfaxabôr.

- Nem pensar. Antes de botar faladura, daqui não saio, daqui ninguém me tira. Olhe que eu já podia ter vendido um jogador por 80 milhões.

- Ena, o Renatinho também é do xportém?

- Nada disso. - Penteia o cabelo com as mãos. - E nem pense que vou dizer quem é. Descubra, que é para isso que se paga a si próprio.

- Kercásaber. Estou-me nas tintas. Andor. - Vou empurrando a besta para fora do plano. Ele finca o pé.


Oh sim, a gente lembra-se...

- De certeza que não quer? Pense lá bem. Anda toda a gente a pensar que é o Estrangulador, mas não é, lalalalala - Sapateia. Eu interesso-me:

- Por 80 milhões, aposto que era o Mário às cavalitas do Argelino, mais o Adrien de bónus.

- Também não, lalalala... - Interrompo:

- Voltas a sapatear e levas um bochecho nas trombas. Desanda mazé daqui, já disse que não estou interessado, dass. - Ele chega-se mais um pouco, olha em volta, cochicha:

- Olhe, por ser um tipo tão divertido - é uma barrigada de riso sempre que passo no seu estabelecimento - vou confessar-lhe por quem eram os 80 milhões. - Pisca-me o olho.

- E depois pões-te a mexer?

- Prometido. - Faz a cruz com os dedos e beija-a.

- Então diz lá. 

- Era  pelo Mantorras!


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Os mini-croquetes, em contrapartida, não eram nada maus. Até me ia engasgando com um, à conta de outra palmada nas costas. Irra, que mania. Era outro Bruninho.

- Atão Silva, vai um futevólei? Meu magano.

- Olha, olha, o calmeirão desajeitado. Cumékié, temos partido muita cabeça ao pontapé?

- Oh, deixa-te disso pá. Uma coisinha de nada. Maricas, chiça.

- Oh mêirmão, diz que ias voltar ao FCP e afinal acabas no quinto dos infernos de Itália? Cá por mim, já sabes, ficas lá muito bem...

- Ora, foi por minha escolha. Ach'maizengraçade Cagliari do que Palermo, tájaberohnão? - E ri-se, o palerma.

- Deixa lá ver se percebi. Preferes jogar para não descer de divisão por um clube Italiano, em vez de lutares para ser Campeão no FCP. É suposto eu acreditar nisso, certo?

- Pois claro.

- Ena, so much pelo ADN hein?

- Quê? Vai jogar o Adrien? Fosga-se, então se calhar eu também jogo. Nesse caso, é melhor ir andando ou ainda perco a palestra. Somos Porto, Silva.


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Mas não perdia, que atrás dele, a fugir com o pescoço ao colarinho, vinha o xôringinheiro. Porreiro pá. Ah, não, não era esse, era o outro. Os jornalistas todos a esticarem-lhe os microfones e o caraças. E o Nuno Luz também.

- Desculpem lá senhores, mas primeiro é para a Tasca. Não vá o tipo lembrar-se de me desancar. Diga lá, oh Silva.

- Vai mudar a equipa, mister?

- Pois, lá terá de ser. Mas acho que basta uma modificação...

- Já sei, já sei, tirar o Danilo. - Reviro ojolhos.

- Isso ainda não sei. Só sei quem é que entra...

- Já sei, já sei, o Renatinho... - Re-reviro ojolhos. A turbe mediática rejubila, há palmas, abraços, lágrimas. O Nuno Luz engravida subitamente.

- Na. - Balde de água fria. O Luz aborta espontaneamente. - De facto, precisamos de gajos rápidos, muito rápidos, super rápidos.

- O Rafa?

- Mais rápido ainda.

- O Usain Bolt?

- Na. O gajo que anda a comer a Rita Pereira.


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Pra mim basta, pensei eu. Já estava de saída quando esbarro com o Presidente e o Primeiro, meio perdidos.

- Viva Excelências. Ainda por aqui?

- Epá, ainda bem que o encontramos, Silva. Você é que é o tipo ideal para nos ajudar.

- Pois claro, disponham.

- Parece que nos enganámos. Diz que isto é a Zona Mista...

- E é mesmo. 

- Tájaber António, não te disse? Bem me parecia que não era aqui o Festival da Tosta Mista de Trajouce! Merda de GPS pá! - O outro esconde-se debaixo de um guarda-chuva.


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Nota séria:

Tem-se brincado com o Presidente, aqui na Tasca. E mantenho que há limites que não devem ser ultrapassados, como isso de andar a dar boleias e o camandro. Entretanto, deparei-me com isto.

Passo por cima - qual Islandês a um Português - dos aspetos relacionados com a ausência de segurança. Quero crer que estaria garantida, de forma muito discreta. Afinal, trata-se da mais importante figura da Nação. Mesmo contando com o filho da Dolores.

O que gostaria, muito sinceramente, de destacar no pequeno filme, para além do à vontade e da, acredito, genuína bonomia do nosso Presidente, é aquele abraço. Porra, aquele abraço vale um milhão de votos! Vale todos os votos.

Porque a cachopa o abraçou como se fosse um avô. E foi retribuída na mesma moeda. Raismapartam se não é isso que espero do meu mais alto representante: O carinho que inspira nos seus - mesmo os mais "desligados" - a sensação de segurança de ter alguém que realmente se importa, que ouve. E abraça de volta. Seja preciso esfarrapar a camisola pelo País, por este avô, eu dou! E a cachopa também.

Não me importa se o zuca maravilhado vai, mais tarde, ter a sensação de ter estado na Parvónia. Se a nossa Parvónia fosse isto, só isto e sempre isto, seria um Parvo muito feliz.

Thumbs up, Mister President! 

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Soundtrack to Mr. Luz, by kind appointment to Mr. LimaWho dafuck?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Resumo da Semana: Arraial


AVISO
Isto é coisa para demorar.
Vejam lá, não se ponham a ler em horário de expediente.
Ainda vão dizer que a culpa do défice é da Tasca. Credo.

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Os feriados e os Santos Populares e o camandro, destrocam-me os neurónios todos e às tantas já não sei a quantazando. Fico com a cabeça em água, mais pareço o Peseiro a ver o Tondela a jogar no Dragão. Perdido de todo.

Mas desconfio que não sou só eu. Olho para o Mundo e é tudo um enorme arraial sem controlo. É pena que no fim da noite não apareça a policia e meta a Humanidade toda no Torel. Pobre Torel.

Seja como for, diz que hoje ainda não é sexta-feira. Pois eu protesto! Se não é, havia de ser. E não há-de ser por mim que vão descobrir que não é. Eu cá não sou acusa-cristos!


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Lá mais para o fim do mês, Lisboa recebe o já tradicional Arraial Pride. Quer dizer, espero que os senhores da ILGA - e as senhoras também e os maijómenos ibidem - me perdoem de juntar a palavra "tradicional" a um seu evento. Olha, era pior se tivesse escrito "o muito conservador Arraial Pride". 

Não se assustem que não vou aparvalhar com a malta LGBT. Pelo contrário, posso mesmo, para descanso dos espíritos, dizer que, se pudesse, até ia ao arraial. É certo que era mais por causa do L. E de um ou outro T que enganam bastante bem. Mas conta à mesma, não?

É por isso que o meu avô Alvarim dizia sempre: Primeiro, amandaslhajunhas aos tomates. Se não desatarem a falar mai'fininho, podes continuar a chamar-lhes Maria. 

Como conselho, não se pode dizer que fosse mal intencionado. Não vale é a quantidade de bofetadas que a pessoa apanha. Bolas, aparvalhei, pois foi? Raios. Só que é mesmo isso que me parece mais correto: Não ceder. 

Isto a propósito disto, pois claro. O pior que poderia acontecer à escória que perpetra este tipo de atentado, é não servir para nada. Brinco da mesma maneira, encaro com o mesmo coração aberto a comunidade que, por esta vez, foi o alvo. Solidário, naturalmente, mas com a mesma compaixão e igual raiva que me provocaria qualquer acontecimento semelhante. Nem mais, nem menos, nem diferente. 

Pena tenho que não tenham conseguido enfiar o animal à força num wc do local, de forma a explicar-lhe, na prática, as maravilhas da sodomia. E daí, talvez não fossem necessárias grandes explicações.

Não se pode é atirar para debaixo de bandeiras arco-íris a facilidade com que se anda armado nos EUA. E o que dizer do aproveitamento politico de uma tragédia como esta? Chega a ser irónico que o preconceito cavalgue um ataque de puro preconceito. Ria-me, se não me desse vontade de chorar. Ou de fugir, ainda não decidi. Esta outra besta, agarra numa manifestação de ódio para instigar mais ódio. 

Para que me decidisse a emigrar para Marte, ainda faltava que viesse falar alguém ligado ao cobarde que entrou num local onde se divertiam pessoas desarmadas, munido de armas para as matar - pelas costas, umas quantas. Compreendo que a família do dito cujo, carcará sanguinolento, esteja, também ela, em choque. Filho é filho, mesmo que seja filho da puta. Diz o senhor seu pai que Deus é que sabe.

Caros amantes - porque amam, certo? - das religiões Monoteístas, decidam-se! Ou Deus é isso tudo que apregoais há milénios ou não existe. Se for, como é que podem achar que tem tempo, ou paciência, para se preocupar com a opção sexual de cada um?  

Então mas se tem um Universo inteiro para gerir, se tem que ser omnipresente, omnisciente e, provavelmente, omnívoro, como é que se vai pôr a mandar bitaites sobre o que cada um gosta de fazer na cama? Deus tem muito mais com que se preocupar, do que andar a ver quem é que sodomiza quem e a propósito do quê qual lambe qual pedaço a qual. Acho até que quando disse "Ide e multiplicai-vos", tinha um sorriso maroto nos lábios.

Tomai o exemplo de Santo António, padroeiro de tudo e mais alguma coisa e dos namorados. Vão lá ver se se deu ao trabalho de definir "namorados". Ele queria lá saber disso. São pessoas que se enamoram, apenas.

Está pois decidido, logo a seguir aos Santos, apanho o primeiro OVNI e adeujohvaitimbora. Espero que em Marte não discriminem indivíduos azuis e brancos. Mas com a lagartagem, nunca se sabe.


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O Senhor Monteiro da Silva, contou-me há dias uma linda história que convosco partilho:

"O BUFÃO

Naquele tempo, o Povo olhava de soslaio a realeza e os nobres e os padrecos e os banqueiros. Olhavam de soslaio para tudo, como se fossem endemicamente vesgos. 

Na Corte, no entanto, a festa era farta como a mesa. Entre o cinzentismo do protocolo e da intriga política, brilhava o Bufão. A todos fazia rir e de todos era amigo, no seu jeito desprendido. Mas não se pense que era um bobo pouco instruído. O Bufão era sábio e o seu humor inteligente com os literatos e boçal com a plebe.

Para caírem nas boas graças do Povo, Rei e Corte atiravam para a frente o Bufão em tudo o que era aparição pública. Ouviam-no cantarolar que a Realeza era boa, mas o povo era melhor; que a Nobreza se esforçava, mas o Povo é que fazia a Nação; que o Clero sabia onde era o Céu, mas no Povo é que estava o Paraíso. 

A tudo sorriam diplomáticos, pois que a ralé muito se animava com tais ditos. Por outro lado, todos se compraziam de forma genuína com a sagacidade e à vontade do Bufão. Talvez não lhe tivessem propriamente estima, mas toleravam-no bastante bem, dada a sua função inócua. Ainda por cima, o Povo sabia melhor quem era o Bufão do que qualquer outra figura do Estado. E apreciavam-no acima dos outros. 

Um dia, o Rei adoeceu de morte. Para tragédia, nenhum descendente tinha sido parido, pois que ele frequentava o Arraial Pride e, ao tempo, as leis ainda eram muito estritas no que dizia respeito à adopção de crianças. Em grande alvoroço, a Corte tratou de se reunir para deslindar um sucessor, antes que o Reino vizinho tomasse conta dos quintais. E dos arraiais. Como não chegassem a nenhuma conclusão, decidiram que outro remédio não havia que perguntar ao Povo por quem se poria em armas.

E o Povo escolheu o Bufão. Que muito se riu."

Ficam assim arrumadas as comemorações do 10 de junho, onde quer que se tenham dado. Aliás, o Presidente e o Primeiro andam num arraial permanente. Quem os quer ver, é cortar um bidão ao meio, por-lhe uns pés, encher o papo do bicho de carvão, tapá-lo com uma grelha e atirar-lhe umas sardinhas para cima. Em menos de um fósforo, aparece a comitiva Presidencial. E o Primeiro à boleia, está claro.

Há bobos que não são nada parvos.


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Pelo Porto, já cheira a São João. Pelo menos a julgar pelo arraial que já fazem Portistas à volta do FCP:

O jogador que chega sem custar nada, não presta. Bom, bom, bom, é o que não vem. O que se paga, é caro. Devia de vir aquele que custa menos. Só se percebe se for um defesa, mas que marque golos como o Messi. Muitos ou bonitos? Os dois, senão é um fiasco. 

A camisola só pode ter dua'riscas, mas não eram essas riscas. Eram outras, mai'bonitas. Ai credo, que agora há uma que tem estrelas, mais valia ser em castanho. E corrompe as cores do emblema, lá se vai a Mística. Isto não é o meu Porto. Razão tem o MST e a SAD é uns maus e o Lopetegui cheira mal de uma verruga.Ora, tenham dó. 

Menos mal que, com tanta distração, se vão esquecendo de desancar, preventivamente, o treinador. E ele anda feliz e contente, como um jovem catraio a tirar selfies na escola nova. Espero que se deixe de redes sociais e se agarre aos livros. Vai ser um ano trabalhoso moço, tens que botar corpo.


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Entretanto, há noticias de que o bailinho da Madeira agendado para ontem foi interrompido, como se de um coito se tratasse, por um estouro de limpa-neves.

Por acaso, não acho que tenha corrido assim tão mal. Não só já vi preliminares bastante piores, como estou convicto que se tratava da dança mais complicada desta fase. Os próximos parceiros são mais ao nosso estilo de dança em bicos dos pés. 

Estes eram uns moços altius, fortius cumócaracius, loirus e jeitosius. Tipo Arraial Pride - Bodybuilder's Edition.


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Determinada a comemorar em grande os Santos, uma senhora montou, literalmente, uma festa na praia. E levou uma criança. Para a praia, até fazia sentido. Para a festa, não tem jeito nenhum. Meteu-se numa série de problemas, o que é muito bem feito para ela. 

Mas a mim, parece-me que anda tudo tão bêbado como a senhora eventualmente estaria. Vejamos:

Uns filmaram aquilo, para partilhar numa rede social, naturalmente. Seguramente estavam preocupados em denunciar a situação, apostados em proteger a pobre catraia. Not

Foi puro voyeurismo, contra o qual não tenho nada, desde que não se partilhe com o Mundo logo de seguida. Estes parvóides arriscam uma pena três - TRÊS! - vezes menor do que a tipa a cavalo. E até aposto que não foram ameaçados de morte por ninguém. O que se compreende, uma vez que no processo nenhum animal fofinho foi prejudicado.

Para que isto acontecesse, foi necessária a prestimosa colaboração de um senhor. Já que se levantou um processo, com arguidos e tudo, o gajo foi metido ao barulho. Como testemunha, pois claro. Afinal, que culpa tem o homem? Era preciso levantar o pau e ele conseguiu. Ganda garanhão, é assim mesmo, uma dá-se sempre. Havia de passar por maricas, não? Era o que mais faltava.

A questão da criança não é da conta dele, já que não é pai da dita cuja. E isso de proteger as crianças não é uma obrigação de todos, é só das mães. Espero que ele testemunhe contra a gaja, a ver se ela aprende. A puta. Que pariu esta gente toda, credo.

Já estou a vê-lo:

- Olha aqui, olha Martins. - Espertófone em punho.

- Xinapá, espetáculo! Espera, és tu, meu cabrão! - Espantado.

- Eheh, pois claro pá. Quem é o maior, quem é?

- Tens cá uma sorte, fosga-se. Oh Antunes, anda cá ver este gajo. Está no Youtube e tudo. 

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No âmbito do arraial que é o País, estamos a ponto de organizar uma quermesse para a CGD

Oh xôr Ministro, não era melhor pedir uns trocos à ADSE? Resolvia-se a coisa em casa, sem meter estranhos ao barulho e tal...

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Um grande arraial de pancada merecia o senhor Lebedev. Não se pode suspender o fulano pelas pernas, qual pena, e deixar um bando de cossacos dar-lhe com um pau? Cravado de cavilhas. Grandes e pontiagudas.

Há Uber para Marte? 


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- Senhor, o que fazemos com isto do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Mandamos outra praga ou assim?

- Hã?

- O casamento, Senhor. Pessoas do mesmo sexo...

- Oh Pedro, kercásaber disso. Tenho aqui um trilhão de estrelas a pedirem transferência para a Constelação do Dragão. Do que se haviam de lembrar, irra. Olha, terem sexo já é muito bom. Aproveitem enquanto levanta. É isso que eu acho. Dass!


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Soundtrack to arraial: Olhóbalão.

domingo, 12 de junho de 2016

PEU - Post Europeu Único e um Off Topic



Sempre gostei de siglas: PER, PEC, PREC, POC, enfim, percebem a ideia. Acho-lhes piada e dá para fazer frases bem catitas: Oh Frangácio, vê lá se o POC está direitinho, por causa do PER. Ainda vem aí a DGCI embirrar com a TSU, cum carago. Não bastava o que nos enrabam com o IRC, mais parecem o FMI a copular com os PALOP. Olha, manda um SMS ao TOC para se despachar com as contas. O que isto precisava era de um PREC que levasse o BCE e o BdP e a puta que os pariu a todos. PUM! PUM? O que é PUM, Senhor Diretor? Gases, Frangácio. O feijão dá-me cabo dos intestinos.

Como também gosto bastante de bola, junta-se as duas e aqui temos, ou teremos, este PEU, que se prevê vir a ser a única posta da Tasca acerca do Euro 2016. O que quer dizer que será bastante compreensiva, no sentido de abrangente. Aqui começa, decorre e se termina o Euro 2016. Até porque, dada a simultaneidade com a Copa América, edição especial Centenário, prevejo ficar com o cérebro feito em papa lá para o final de junho. Como dizia o grande mariconço e ainda maior cantor Mercury, too much football will kill you. Era love, ignorantão! Pff, panasca.


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Então, vai o Euro e começa. Por fim, a festa da bola que alterna. Com o Mundial, a cada doijanos. Com o alargamento desta edição, qual Campeonato em Portugal, encontramos praticamente todas as Nações Europeias em competição. Dos Eslavos aos Latinos, dos Germanos aos Saxões, incluindo naturalizados de proveniências várias. Parece mesmo uma casa de alterne nos arredores de Vouzela, como quem vai para São Pedro. Não que conheça alguma, pois claro. É só um suponhamos.

Quem pensa que isto é coisa para proporcionar embates enfadonhos, tipo Albânia vs Irlanda do Norte ou, sei lá, um Eslováquia vs Islândia, está bem enganado. Estas calham em grupos diferentes, só para vos chatear. Inchem. Por outro lado, toda a gente passa a fase de grupos. Quer dizer, toda toda, não. Quem conseguir ter performances ao nível dos calimeros a jogar a Champions, consegue ir de vela. Mas não é fácil.

Digam o que disserem, é uma grande competição Continental, tem montes de jogos e eu absolutely luv it! Ui, fizeste um trejeito com a mão? Eu não, credo. Ui, outra vez. 

Posso mesmo dizer que, ao contrário da maior parte da malta que bota faladura por aí, eu sou completamente a favor deste modelo. De outra maneira, seria difícil assistir, a este nível, a confrontos que considero extraordinariamente interessantes. E juro que não estou a ironizar. Embora desconfie que vocês não acreditam. Poi'não? Mas não estou. Epá, já disse que não estou, a sério, foda-se! Oh, vão-se lixar. Panascas.

Vejam bem, no grupo de Portugal teremos um Áustria vs Hungria. Cá estão uns tipos que sempre se deram bem. Era mandarem-lhes um árbitro Sérvio, a ver se não dava um jogo engraçado. Também teremos um Ucrânia vs Polónia. Estes, pelo contrário, andam às turras desde sempre. Na minha opinião, a opressão Polaca nos territórios maioritariamente Ucranianos merecia amarelo. De caras. Já os massacres do Exército Insurgente Ucraniano, durante a Segunda Guerra, são para vermelho direto.

Para ser perfeito, as meias-finais deveriam - por decreto, se fosse preciso! - ser: Portugal vs Espanha e Alemanha vs. Inglaterra. Assim é que era bonito, juntavam-se as traulitadas da antiguidade com as da História Moderna. No fim, se a Inglaterra não ganhasse amuava e saía da competição. Brexit!

Digamos pois que não é apenas um Europeu de fintabol. Visto desta perspetiva, é um Tratado de História da Europa. Futebol é Cultura, ah poijé!


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Eu quero que o vencedor do Euro 2016 seja...Portugal. Bem sei que os meus correlegionários andam zangados com isto do centralismo e da Seleção dos interesses da Capital e isso tudo. Eu também. Mas no fim do dia, eu quero que ganhe...Portugal. E no fundo, se me abstrair do esterco que nos rodeia, nas rádios, nos jornais, nas televisões - mas nunca na cassete pirata! - chegamos a conclusões engraçadas.

Não era giro que o próximo Campeão Europeu fosse esta equipa?

Franguicio; Vierinha, Ricardo Carvalho, Pepe e Guerreiro; Danilo, Moutinho, André Gomes e Mário; Ronaldo e Quaresma.

Reparem, se os outros podem, nós também podemos. Deste muito plausível onze, só mesmo o frangueiro, o lateral esquerdo e a estrela é que não são Porto. Já se sabe que não gostamos de frangueiros e não precisamos de estrelas, por isso nem contam. Quanto ao lateral, um primo do tio de um cunhado do Senhor Monteiro da Silva, passou uma vez à porta de um genro da madrinha de um vizinho do Guerreiro. E diz que o ouviu gritar: Oh Maria Amélia! Logo aí se vê que o cachopo é Portista até óscabelos. De outra maneira, porque haviam de gostar do hino?

No entanto, não ficarei particularmente chateado se Portugal perder. Caramba, não é como se fosse um jogo do FCP. De pré-época. Sem drama pois. 

Em segundo lugar, gostava que ganhasse a Inglaterra. É das músicas e dos filmes e da literatura, tenho esta queda pelos Saxões. Ui, repete lá isso... Hã? Ai mas que bem, gosta de Saxões, altos e espadaúdos, é? Olha que disparate! Pff, panasca.


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Bola à parte, até agora só aconteceram coisas que despertam a minha vergonha alheia. Mesmo dando de barato a habitual histeria, completamente estúpida, despropositada, forçada e sem sentido, dos media cá da terrinha, sinto aquele arrepio no estômago - aquele de "foda-se, que vergonha sinto por ti, por teres escrito/dito esse tão grande disparate" - amiúde. 

Ele é os Freitas a abrirem novos Mundos ao Mundo do Futebol, desenhando inovadores sistemas que proporcionariam espetaculares resultados se alguém lhe ligasse alguma. Coisas arrojadas, em que ninguém alguma vez havia pensado, como por exemplo que o Christian Bale deve ser sempre titular na equipa Galesa, ou assim. Ele é aquele gajo das dentuças a ter orgasmos múltiplos se o Ronaldo lhe piscar o olho. Ou der um peido na sua direção. Viram, viram? Ele peidou-se para mim! Ou terá sido por mim? Either way...huuummm....hummmm....oh porra, outro par de calças. Dass, panasca.

Melhor ainda, os altos dignitários do País arranjaram maneira de irem, a expensas do contribuinte, passar uns dias a Paris. E foram - claro! - visitar o grupo de marmanjos com quem tinham estado um dia antes. Para quê, ninguém sabe. Porquê, toda a gente desconfia.

Ok, ok, aproveitem lá o malvado Futebol para ganharem meia dúzia de votos, construírem a imagem que querem que tenhamos de vós, be happy - qual panasca - nos vossos abracinhos ao irmão da Katia. Enfiem um palmadão nas costas ao Danilo, ele que tenha juízo e não se magoe. Agora, por favor não me envergonhem. Mais.

Caros Tó e Marcelo, mesmo que vos seja complicado aceitar, o facto é que sois - oh triste fado, pobre Nação. - os mais altos representantes do Povo Português. Que queirais visitar balneários a cheirar a chulé, tudo bem. Que vos esforçais por aparecer em tudo o que é canal, nem que seja preciso ir inaugurar o ecrã plano do Sanck-Bar "Os Bigodes do Meu Tio", à Venda-Nova, nada contra. Agora, que vos meteis ambos no mesmo carro, quais compinchas embezanados no fim da noite, para irdes lEmber o cu aos jogadores, epá, isso não. 

Porque isso nos envergonha enquanto Nação, capisce? Já sabemos que ninguém nos liga nenhuma e tal, mas não precisamos de andar aí a exibir isso. Contenção, contenção, mas é em casa. Não temos que andar a poupar bombas aos terroristas, poi'não? Repeat after me: Car-ros se-pa-ra-dos. Lindos meninos.


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Mas a minha vergonha maior, como não podia deixar de ser, é... fazermos sempre questão de ser tão...Tugas. Desculpem lá, mas não encontro outra explicação.

Ora bem, precisamos então de arranjar uma musiquinha para esta demanda dos nossos rapazes. Sei cá, um Emanuel da vida a pimbar, quem sabe uma Ruthe Marlene a piscar, foda-se pá, que fosse o Secretário a cantar "Os Filhos do Jamor". O homem até está na Gália. Olha, os Castelhanos puseram o Sérgio Ramos a cantar uma modinha. Deviam ter escolhido a mulher do Piqué. Não é que cante melhor, mas é mais boa. Digo eu.

E nós? Nós fizemos...isto! A sério? É um velório! Enfim, sempre se vendem uns cachecóis para enxugar as lágrimas. E flores. Para o enterro. Ora, ide para o pénis de um Saxão sobredotado. Panascas.


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OFF TOPIC

Um grande aplauso de parabéns aos organizadores do "Dia do Clube". Grande evento senhores, muito bem. Devem todos ter tido uma trabalheira do caraças, para nos brindarem com aquele nível de realização. 

Na pessoa do meu tipo preferido enquanto besuntado de manteiga de amendoim - BUM, rebentou o panascómetro! - agradeço a todos por permitirem que o FCP se distinga, yet again, como um Clube único em Portugal. Na minha opinião, o FCP deveria receber esta iniciativa no seu seio. Nas suas mamas, pronto.

Já agora, fica aqui uma sugestão para 2017: Para a frente! O futuro do Portismo, do FCP, dos Portistas. Obrigado, outra vez.

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Soundtrack to Euro 2016: Blue Europa.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma crónica por Anónimo da Silva

Anónimo da Silva, in disciclopedia.org
Há Migueis que são Lima, outros serão Silva, alguns Costa, esporádicos Queiroz - com aristocrático zê - e até um Punho de Ferro, estimado freguês da Tasca, que aparece pouco, dada a sua propensão para ter problemas com a lei. Mas nenhum brilha como um astro. Só o Tavares. Em volta dele, orbitam todos os Migueis da História. Que digo? Nada disso, em torno de tão brilhante estrela, gravita a História, ela mesma.

É evidente que isto é mais do que suficiente para provocar muitas e intensas invejas. Olha, eu por exemplo, invejo muito consciente e desavergonhadamente o facto de o Tavares poder viver de escrever. É claro que a Margarida Rebelo Pinto também consegue. E o Gustavo Santos. Invejo-os a todos, mas alivia-me saber o Miguel em tão boa companhia. 

Isso e o facto de ser bastante mais bonito que ele, já se sabe. Oh sim, sim, há aquela questão do nariz, da batata, da penca enfim. Mas isso é perfeitamente secundário quando comparado com o olhar mortiço do Miguel, aqueles olhos de lagarto à beira da sesta são, de certeza, um turn off muito maior do que a perspetiva de ter o meu nariz - cheio de personalidade, diga-se! - a deslizar pela pele, enquanto a língua...

- Hey, kesta merda? Vamos lá ter calminha que a Primavera já passou, oh velhadas! Para além de que te fica muito mal estar a tecer considerações dessa natureza sobre as pessoas. Isso é baixo e vil. Olha que belo argumento, esse de ter ojolhos assim  ou assado, sim senhor... 

De facto, é verdade. É indecente. Desancar uma figura pública - ainda mais quando é A figura pública - por aspetos da sua natureza física, é baixo. Se fosse o Herrera, compreendia-se. Se fosse chamar "cobardes anónimos" a pessoas que assinam com o próprio nome, aceitava-se. Se fosse, vá, descrever como cagalhões flutuantes num esgoto, uma série de pessoas que não se faz ideia quem são, tudo bem. Peço desculpa, excedi-me. Já o Miguel não, por quem sois. O Miguel pode. Deve! E ai de quem lhe apontar o dedo, esses tristes ignorantes sem classe para chegar ao primeiro patamar de inteligência do grande Sol. A dormir.

É certo que nenhum dos sujeitos que o Miguel insulta, alguma vez foi para uma televisão abrir a sua alma, o que nos dá um grau de certeza bastante grande acerca do profundo desconhecimento que o Miguel tem sobre esta malta. Pelo contrário, qualquer parvo - eu, por exemplo! - pode ter a certeza que conhece melhor o Miguel do que o Miguel ao parvo. A mim, portanto. Poijé, poijé Miguel, isto de ser o Sol não tem só coisas giras. Olha, para começar, a malta nota que ser contra as redes sociais - e o que eu as adoro! - é apenas um soundbite quando, ao mesmo tempo, nos desunhamos para aparecer em todo o lado, sob as mais diferentes perspetivas. É preciso ganhar a vidinha, bem sei. Mesmo que agora 500 euros já não seja dinheiro para ti.

Seja como for, oh Rei Sol, desta vez - uma e única ou uma e última, já não sei - vou dispor-me a perder tempo, a perder paz de espírito e a suportar o nojo de encarar de perto o rosto da insídia, da calúnia, da absoluta miséria moral. Que não da inveja, pois que já estabelecemos quem é que aqui inveja. E não é o Miguel.


...

A triste realidade é que o Miguel não dá uma para a caixa. Mente, generaliza e revela um desconhecimento profundo da matéria sobre a qual discorre. O que não é, em si, um problema. Eu cá farto-me de fazer isso. Só que não faço de conta que em mim habita a verdade suprema, nem me irrito quando me mostram que disse uma quantidade industrial de disparates, nem me dou um ar superior, olhando com desprezo os insignificantes, com os meus olhos mortiços de lagar...ops.

Vejamos, o Miguel começa por desancar o FCP por contratar treinadores no mesmo patamar que o Braga. O que não só é verdade, como sai reforçado com o retorno do Zé ao Minho. O que é mesmo, mesmo, mesmo estúpido, é que, depois de ter tocado nas escolhas de Mourinho e Villas Boas, o Miguel considere isto deprimente. Aliás, a roupa que lhe veste é mesmo a do "foda-se, é isto que temos? Isto não é o meu porto. Ponham ojolhos nos outros pá!" O Miguel escamoteia que o tricampeão nacional se fez de treinadores contratados ao...Braga e ao Guimarães. Nem lhe passou pela cabeça questionar-se de onde apareceu Leonardo Jardim. E o seu predileto Marco Silva. Ou que CV tinham. E têm. Está claro que o Braga não é o Estoril, essa potência do fintabol Mundial. E nem vale a pena comparar o clube da Costa do Sol com o Valência. 

O que é verdadeiramente deprimente, Miguel, é começares já a tirar o corpinho da refega. És um cobardolas, devias cobrir-te de anonimato.

Depois vai e desata a insultar toda a gente que alguma vez escreveu um post onde quer que tenha sido. A opinião é livre, nada contra. Epá, isso quer dizer que a minha também é, certo Miguel? Uma chatice. E aqui começa a mentira. Oh Miguel, até eu que não assino a Dragões Diário - temos tantas coisas em comum hein? Havíamos de jantar um dia destes pá. Seu doido. - sei quem é o tipo que produz aquilo. É que ele assina! Com o nome dele, vê lá tu.

Aliás, muitos dos teus cobardes anónimos são tudo menos anónimos. Não dá jeito nenhum, poinão? Eu cá, chamo-me mesmo Silva. E quando for convidado para programas de TV, até digo o nome completo e a data de nascimento. Até lá, tens que comer o lombo de que tanto gostas e roer ojóssinhos, meu querido. 

E digo-te mais, qualquer dos bloggers mal cheirosos - alguns a desancarem o FCP mais que tu. Pronto, ok, tanto como tu. - sabe mais de futebol, a flutuar num transe de alprazolam, do que tu depois de leres as edições todas de "A Bolha" desde abril de 1974. Alguns fazem-te mesmo parecer o Varela, em termos de agilidade. Mental.

Prossegue o Miguel, agora defendendo o seu mais precioso bem: O seu Portismo. Mais relevante para ele que o dinheiro. A bem da verdade, diga-se que ficou por aqui. Não teve o desplante de dizer que releva mais o Portismo que o status. Menos mal. Pessoalmente, acho que o Miguel é tão Portista quanto ele quiser. Quero que safoda. Que classe, hein?

Um primo do Senhor Monteiro da Silva também amava acima de tudo a mulher com quem casou. E amou-a todos os dias das suas vidas, até que ela acabou por morrer. Numa vez que lhe bateu com força a mais. Ou talvez tenha sido só ela que foi ficando moída da pancada e já aguentava menos. Mas lá que a amava, disso ele nunca teve duvidas.

O que é mesmo mau é o Miguel achar que os outros são todos assim meio burros. Tipo malta das redes sociais e tal. Vai dai, permite-se a ser bestialmente desonesto. Ao nível intelectual. Como se fosse impossível haver quem lá chegasse. Ao nível intelectual do Miguel. Desonesto. Oh Miguelito, mas é claro e evidente que te fartaste, deves fartar e fartarás de fazer vida à conta do FCP. Mas estamos a brincar? Eu não sei se precisas ou precisarás, estou-me perfeitamente a cagar para isso. Tenho é a certeza que te deu um jeitaço. Ou escreves à borla em "A Bolha"? E escreves sobre o quê mesmo? Aceitar tostões do teu clube não é apenas por via direta, certo? A menos que te paguem em robalos. Olha, não eras o primeiro.


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Em resumo, depois de descobrirmos que vivemos num país nada centralista, razão pela qual todas as queixas do FCP são meros estratagemas da Administração da SAD para continuar a chular o clube; ficámos agora a saber que o MST é o maior e mais bom Portista de toda a História. Só não é o mais bonito.

E bem, és o Sol que permite a Vida. Provavelmente, em dias alternados, és também a água. Portanto, é evidente que te pouparás à leitura destas pobres linhas. Não tem mal nenhum, uma vez que também não é propriamente para ti que as escrevo. É para os que, ao contrário dos lagartos sonolentos ao Sol, ainda conseguirem levantar as pálpebras.

Por outro lado, não estou livre que o teu coleguinha de carteira passe por cá e te vá fazer uma queixinha conveniente, poi'não? Pfff, bufo.

Subscreve este pobre de espírito a feder a esgoto,

Anónimo da Silva 

Anónimo da Silva opta por escrever as suas crónicas na ortografia nova, só para não ser confundido com um Miguel qualquer. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Principios Gerais de Hortifruticultura: O figo



Eu gosto de figos. O facto é assinalável, uma vez que eu passo pela fruta direitinho ao cimbalino (estive bem, poistive Jorge?). Não posso sequer dizer que isto seja uma convicção, pois que não se dá tampouco o caso de não gostar de fruta. Não é, portanto, um desgosto. É uma espécie de indiferença. Queres esta maçã? Não. Se calha dar-lhe uma dentada, até me sabe bem. E esta pêra? Idem. E um pêssego? Na. Mas se pensar no som que faz quando está no ponto, a despegar-se a metade do caroço, inteira, caramba, afinal gosto de pêssegos. Mormente carecas. E sumarentos, de deixar o braço da pessoa todo peganhento. Mas lá está, não me dou ao trabalho de ir buscar a peça e me dispor a comê-la, seja a fruta qual for. Excepto pelas bananas - mas acho que isso me vem com o sangue - e os figos. Uma ou outra papaia, muito espaçadamente.

Curiosamente, o figo não é um fruto. É um receptáculo de centenas de pequenos frutos a que vulgarmente chamamos sementes. É por isso que eu acho que por cada figo que como, compenso as centenas de peças de fruta que havia de ter comido. E estive a lixar-me para isso. Digamos então que o figo é um falso. Fruto. 

Apesar disso, gosto de figos. De todas as variedades. Por exemplo, o pingo de mel, com a sua cor esverdeada. Gosto quando têm aquele aspeto fresco e lisinho. De preferência com umas gotículas a deslizarem-lhe pela pele. A pessoa atira ajunhas à coisa e abre-a a meio, para revelar o interior rosado e húmido, apetecível. E tão docinho, nhami. Também aprecio bastante aquela variedade preta, de interior quase vermelho. O contraste da cor da pele com o fogo da polpa atrai-me. E sabe a figo, ainda por cima. De cair de boca e lambuzar-se a pessoa.

Trata-se, de facto, de um fruto que remete para um Universo imagético muito sugestivo. Feminino, ao nível da genitália. Vaginas, pois. Tinha que ser falso. E frágil. Poijé, poijé, o figo é um fruto muito frágil, pelo que a sua conservação em boas condições é muito difícil. Que é como quem diz, apodrece depressa. Ou se come assim que se tem a oportunidade ou é melhor não voltar a pensar nisso.

Em suma, o figo em boas condições é uma delicia, seja lá qual for a variedade. Se deixarmos passar um bocado, ainda tem bastante encanto, madurinho e seguro de si. Mas lá está, quando se dá por ela, está podre. Já não se aconselha a ingestão. Digamos que, passado o tempo em que o figo é figo na sua plenitude, cumprindo aquilo para que se plantou, tudo o que lhe resta é ser uma reminiscência de...vagina. Concluímos então que o Figo é um conas.


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Como já vimos, nem todos os Figos são verdes. A bem da verdade, devo confessar que esses até são os que menos me afligem. Que um lagarto goze comigo, eu até percebo. O que me lixa mesmo - e já terão reparado que não deixo passar - é quando uns supostos azuis e brancos se armam em Figo. Fazem-me logo lembrar maçãs podres. Acho sempre melhor deitá-las fora, ou cortar-lhes a parte apodrecida.

A um e outros, aqui fica uma pequena atualização, a bem do seu conhecimento geral e no intuito de os poupar a figuras tristes:

O FCP ainda não ganhou no bilhar. Isto porque as competições nacionais não terminaram. Nas internacionais, perdemos a final da Taça da Europa. No entanto, é verdade que o Clube tem dominado a modalidade cá no burgo. Aliás, como acontece com a Natação Feminina. Parece-me mal discriminar.

Ah, majé de bola que se trata, não é? Os tais três anos de míngua, de abismo, de fundo do fundo. O tempo em que só ganhamos no Bilhar. Afinal, vai-se a ver, nem isso. Triste sina, fado fatal. Seja.


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Os Juniores A do FCP sagraram-se Bi-Campeões Nacionais. No triénio que agora se conclui, o outro Campeão foi o Braga. Os Juniores B disputam nesta altura a Fase Final do respetivo campeonato. Os anteriores Campeões são o Vitória de Guimarães e o 5LB. Todos sabemos quem ganhou a Cenadochinês LigaPro. Sendo que nas duas épocas anteriores, o FCP B tem um 13º e um 2º Lugar.

Se quisermos ser inclusivos, poderíamos dizer que o Andebol também tem uma bola. E ganhámos 2 em 3 campeonatos deste triénio. Olha, o Basquete também se chama bol. Fomos Campeões em todos os campeonatos em que participámos nas ultimas três épocas. Apesar de mais pequena, a bola do Hóquei também é redonda. Zero! Nada para amostra. Nem uma Supertaça do Fonseca. E por fim - alvíssaras - aquele desporto que mete várias bolas e tão do agrado do conas. Digo, do Figo. Epá, ganhámos uma porrada de títulos. Até cansa escrever.

Para um péssimo mandato, assim visto de cima, nem parece mal. Só que estes títulos são como um espetacular sistema de ensino gratuito e universal. É a melhor raiz para um futuro radioso e para a alegria do Povo. Mas se depois os fantásticos médicos que forma, mal ganham para comer ou, em ganhando, não têm lá muito para comer, a coisa não funciona. É Cuba. É uma raiz que vai dar uma trampa de uma figueira famélica, em vez de um pomar verdejante. Ops, desculpas. Azulbranqueante.

O solo é bom, as sementes estão testadas, o sistema de rega funciona, os lavradores são competentes e o modelo de distribuição já deu provas. Só precisamos de uma gestão atenta e de um capataz de qualidade. É agora! É agora? É? Agora?

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Soundtrack for 16/17: Gonna be wild!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Bonecos. E outras dificuldades de adaptação.

Belo boneco. Gosto.

A mai'nova embirra com a minha roupa. Do alto da sua púbere sapiência, olha-me com uma certa condescendência filial e decreta amiúde: Essa roupa não é para a tua idade. Acho que tem razão, muitas vezes, mas não lhe ligo nenhuma. Para mal da sua vergonha.

É certo que me considera pré-histórico e também está claro, na sua douta opinião, que existem trajes que se coadunam melhor à minha provecta idade. Acho que é peles de tigres-dente-de-sabre e mamutes e assim. Não, não é da Idade do Gelo, que isso não mete vampiros e lobisomens, Deuzalivre. Bonecos são coisas para a menina que ela já não é, dentro daquela cabeça de ervilha mirrada. Menos para exigir um mimo no Dia da Criança. Estupidez adolescente, sim; parva é que nunca!

Mas se me ponho a pensar nas coisas, concluo que, de facto, já vivo há um zilhão de anos. Vou no segundo século, na quinta década, na enésima mudança de paradigma social, na bilionésima fase da parvoíce Humana. A ser simpático. E uns vinte treinadores.

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Venho lá tão de trás que, à data e local do meu inevitável nascimento, não havia TV. Só já na Metrópole me puseram em frente do aparelho: Carregas ali e isto acende. Clique. Chuva. É isto? Não se pode dizer que perceba a maravilha de uma engenhoca que dá uma luz branca cheia de marimbondos. Alguma praga? Haviam de se pôr a pau com o milho e a mandioca. Não, estúpido! São 3 da manhã, isto só começa às 6 da tarde.

Sim, a televisão tinha horário. Conseguem imaginar coisa mais absurda? Tirando a eventualidade de não existir internet, está claro.

- Mas como é que vocês viviam? - Bate com a mão na testa.

- Tínhamos descoberto o fogo há pouco tempo. Achávamos aquilo o máximo...

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Pousado numa terra distante onde, pelos vistos, a tecnologia avançara de modo tresloucado - ao contrário da indústria do refrigerante, pois era impossível encontrar uma Coca-Cola - ainda tive que lidar com a diferença da língua. Como já devia ser velho à época, não foi assim tão imediato perceber o que as pessoas me diziam. E ainda menos explicar-lhes o que eu queria.

Se um tipo lhes pedia uma chuínga, ficavam a olhar uns prójôtros, feitos parvos. Achavam graça quando a pessoa, não gostando de se constipar, dizia que ia calçar as sapatilhas. E não pareciam ficar felizes quando, à pergunta "Gostas?", se era simpático e se respondia, como um bom menino, "Maningue". Também ninguém se deu ao trabalho de querer entender. Chiconhocas!

Ainda demorei a encaixar termos como "pastilha elástica", "ténis", "bastante/muito" ou "preguiçoso". Pareciam-me menos adequados e tão desengraçados. Com falta de sal. Ou açúcar.

O mais confuso, however, foi mesmo decifrar os colegas de escola. Para além de não saberem o que era uma Fanta, passavam a vida a falar de bonecos. Viste os bonecos? Tens TV para ver os bonecos? O pai comprou-me um livro de bonecos. Ui, um catálogo, pensava eu. É que um boneco era...um boneco. Até um me ter dado um calduço e explicado: Bonecos animados, retornado palerma. Chapéus há muitos.

Era um bom miúdo, esse. Apesar da mania dos chapéus que não sei de onde lhe vinha. Uma tara, por certo. Uma desgraça ter acordado sem a cabeça, um dia. Ainda por cima cortada à catana, uma arma pouco vista na Brandoa. Pfff, estava-se mesmo a ver, com a quantidade de pretos que práístá. São retornados ou refugiados ou lá o que são. É tudo da mesma cepa: Gentinha.

Lá acabei por entender que "boneco" é uma palavra que dá para tantas coisas, que o melhor é esclarecer sempre o que querem dizer com ela. E ao longo dos milénios de vida - tantos que, se deixar a catraia escolher-me a roupa, há pessoas que me tratam por senhor, na rua - fui mantendo este cuidado, com assinalável sucesso. Parece uma coisa de nada, mas não é. Ora atentem.

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Imaginem o seguinte boneco:

Reunião do Conselho

Cenário e personagens: Sala de reuniões; os membros do Conselho dispõem-se em torno da mesa. O Presidente do Conselho senta-se à cabeceira.

- Caros, vamos lá tratar da escolha. Todos darão a sua opinião livremente, mas com ordem. Seguimos os ponteiros do relógio. Começas tu, anda lá.

- O Marco - Gera-se burburinho na sala. Uns abanam que sim, outros acenam que não. O Presidente impõe silêncio apenas com o olhar. Retoma a palavra.

- Um boneco animado, portanto. Que vive no estrangeiro. Mas num porto, menos mal. Agora tu. - Aponta para o seguinte.

- O Paulo. - Obtém a mesma reação da sala. Mais curta agora, pois todos se apressam a olhar o topo da mesa.

- Muito bem, outro boneco. Desta vez, um carteiro simpático. Gosta de gatos, teremos que ponderar longamente acerca dessa sua queda para os felinos. - Faz um sinal com a cabeça para o seguinte.

- O Leo... - O Presidente interrompe:

- Irra, que mania com os gatos! Qual leo? O Simba? Acho piada ao Simba, é ternurento. E o Pumba? Epá, parto o coco a rir com o Pumba. Melhor que o Nemo. - A sala ri com a referência a outro Presidente. Faz- se silêncio, para que o manda-chuva conclua:

- Ora bem, uma vez que estamos todos de acordo, fica o Espírito Santo. Apazigua-se a malta religiosa e não ficamos assim tão longe de Jesus. Siga.

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Como sabem, as conversas aqui na Tasca primam pela objetividade, pela síntese, pela imparcialidade e pela factualidade. Not!

Por isso, declara-se desde já que o Nuno é, de entre os atuais treinadores do FCP, o melhor do Mundo. Incha Julen! Para imparcial, não está nada mal hein?! 

Portanto, mesmo que a SAD te abandone aos cães em todas as derrotas - se houverem, o que é pouco provável - não desesperes Herlander, aqui encontrarás o teu banco ao balcão, o teu copo de três e umas lamparinas bem assentes sempre que mereceres. Sobretudo, aqui terás um cúmplice. Um gajo que se atirará aos que atirarem contra ti.

Mas confesso que não tenho ideia nenhuma do que nos vens oferecer. Pega lá a dose habitual de factualidade, pimbas. Digo, pumbas. Desconheço-te. Espero que me ganhes e estou predisposto a ser conquistado. Salvo seja, seu magano. Ou seja, tábua rasa do que passou. Quem tem que aprender que tenha aprendido. E tu, que tenhas apreendido. A mim interessa o que vem agora. O depois. O melhor que está sempre para vir.

Aqui não se assobia e não se desconfia. Parte- se de peito aberto. Contigo. Mas olha que era igual se não fosses tu. Vai dai, nada de ficares todo babado e vaidoso. Perde e apanhas!

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- Ena, Silva, já ouvi dizer que tens um treinador novo. - Beberica o café, com os olhos claros levantados para mim.

- Bola? A sério? - Estranho.

- É. Afinal, uma moça às vezes fica sem saber o que fazer a tipos tapados. Há gajos tão tótós... Quem sabe se eu perceber de bola, aconteça eles perceberem-me a mim. - Pisca o olho.

- Hã?

- Nada, nada. Deixa lá, tótó! 

- Hã?

- Pois. É um rapaz assim meio careca e de barba rala, já um pouco grisalha, não é?

- É. - Recebo os cêntimos do café e limpo o balcão à volta da chávena.

- Gosto do género. Um boneco. - Desce do banco e sai. Acena um xau já da porta, sem se voltar.

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Nota: No decurso da elaboração deste chorrilho de disparates, nenhuma criança foi decepada à catanada. Este facto também não aconteceu em nenhuma outra altura, tendo por interveniente o agora autor - um vosso criado. No máximo, umas murraças naquelas fuças e um pontapé no cu. Incha, para aprenderes a não te meter com o preto. Estúpido do caralho.

- Dass, Silva. Isso ficou-lhe hein?

- Não sei do que está a falar. E despache-se mazé, que eu tenho que fechar.

- Pfff, ganda cromo!

...

Soundtrack to dolls: A diablo swinging...