Há sempre um ou outro momento em que um gajo se sente a Brasileira em contra-mão na ponte, parada por um agente da autoridade, de bigode farfalhudo e nódoa na camisa, por altura da pança proeminente:
- Majondékamenina pensa que vai?
- É, sêu guarrda, acho qui eu não vou maijnão. Tá tôdumundo vóutando...
Mas se pensarmos bem, é muito provável que o gajo que inventou a colher se tenha sentido assim igualmente:
- Oublá, consegues perceber como isso é estúpido, certo? Por que recarga de água alguém havia de utilizar essa coisa para meter à boca um liquido? Pode-se beber, oh anormal! Sólido, talher; liquido, beber. Simples.
Fazia lá eu ideia que o Paulo Bento era amigo do inventor da colher. Agora andam a ganhar milhões à conta do homem. E das mães que obrigam os filhos a comer sopa.
Por agora, parece que aquela história velha de zelotas e seguidistas e carneiros e isso tudo, perdeu o plural. Diz que é só um.
Logo me havia de tocar a mim, chiça. Ainda por cima, eu que sou um gajo que grama do cunbíbio e detesto missões solitárias. Let alone causas perdidas.
- É como eu, Xilva. É poricho que prefiro o xecxo à majturbachão.
- Hã?
- Pelo cunbíbio, 'xtá claro.
...
Fechou então o tal do Mercado. E vai por aí um alarido que só visto. Daqueles que aparentemente só se apaziguaria com a cabeça da Maria Antonieta a rebolar pela Alameda do Dragão. É estúpido? Não, era mais do que expectável. Anda tudo a rondar a Bastilha com olhos de ódio há que tempos, dada a míngua de comida para o corpo e para a alma que vai por esta França Invicta.
Uns aproveitando a onda para surfarem os seus muito próprios interesses, outros por estarem secos de esperar, outros por desesperança e ainda alguns - sim, acredito mesmo nisto! - por sentirem fundo que há coisas para salvar. Mas que só se salvam depois do fogo.
Estão todos errados? Não sei! Se considerarmos que estar certo fora do tempo é estar errado, então sim, creio que estarão. Por um lado, porque é tarde: A brecha para a revolução foi em abril. Por outro, porque é cedo: Contas fazem-se no fim.
Ah, era isto mesmo! Já aqui estamos há alguma meia-hora e, por fim, cheguei ao ponto: O que é que um gajo atrás do balcão de uma Tasca pensa do Fecho do Mercado?
Nada. Acha que isto anda tudo interligado. É um processo que, como todos, terá um desfecho. Eu acredito que será bom. Outros juram que será péssimo. E não há assim assim. O tempo de maijómenos passou.
A outra diferença, é que eu tenho dúvidas; os que não acreditam têm quase só certezas. No fim do dia, a dúvida que lhes resta é a melhor de todas: E se correr bem?
Ora, se correr bem - e bem, nestes dias, tem que ser perfeito! Não chega quase. Não chega! - poderão sempre invocar a força Divina que nos apurou em Roma. Gandamijopá! E assim como assim, ficarão felizes. Tanto quanto eu. Invejo-lhes isso.
Já se sabe que a maioria é porque são mais. E lá serei eu a juntar-me à festa deles e não eles à minha. O FCP ganhou, o povo está na rua. Quem se importa com estas coisas nesse momento?
Preparados para uma tentativa de explicação de como eu olho para isto tudo? É capaz de ser longa. Eheh, ya, eu faria o mesmo. Depois passem-me o link, ohfaxabor. Adoro sites com belas mamas.
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Ao longo da Era Pinto da Costa, o FCP passou de um Peixe-Palhaço - fofinho, bonitinho e inofensivo. Vamos fazer um filme de bonecos com ele! - para um Cachalote, o Rei dos Mares. A subida na cadeia alimentar não se fez por milagre, mas sim libertando a Orca que havia no Nemo.
O que não se pode é esperar que um cachalote tenha comportamentos de golfinho. O cachalote abre a boca e come, ponto! Não anda cá à caça de presas incautas, para deglutir ou enrabar, ao som de guinchos histéricos dunspójôtros. Daí que nunca tenha visto qualquer necessidade de andarmos a armar um berreiro desgraçado, fazendo o que tanto criticámos. Afinal, o Rei da Selva era o Dragão.
O que tem isto a ver com o fecho do mercado? Tudo.
Inspirados no grande Sérgio Leone, vamos lá dividir isto em partes.
O BOM (quer dizer, menos mau, pronto!)
O FCP emprestou mais que uma loja de penhores em pleno crash da bolsa. Ficam as pessoas indignadas, porque não pode ser, então afinal não se vende, que pouca vergonha. Dando de barato que muitas das mesmas clamariam que vendemos tudo, é as comissões, estamos em saldos, que pouca vergonha, o que é irritante; eu até acho que se optou por uma boa solução.
Para a questão do fair play financeiro da UEFA, a diferença entre vender agora e vender no dia 30 de junho de 2017 é nenhuma. Zero. Para as contas que o FCP vai apresentar, é perfeitamente indiferente nesta altura. É desonesto que gente que sabe disto bastante melhor do que eu venha agitar esse fantasma. É treta, não liguem. É só uma questão de juntarem um bocadinho de palha à fogueira.
O problema foi não ter vendido até 30 de junho de 2016. E ainda assim, o que a UEFA fará é manter vigilância sobre as contas, para perceber se o caminho é invertido no próximo exercício. Nesta perspetiva é que entra o lado bom dos empréstimos:
Em vez de andar a vender uma série de jogadores desvalorizados por três anos de derrotas, culminando no pior de todos, que foi o último, fizemos uns trocos, aliviámos a folha salarial - afinal era importante ou já não interessa para nada? - e damos oportunidade a que a referida mercadoria, salvo seja, volte a valorizar-se.
O risco é isso não acontecer. Até 30 de junho de 2017. É grande? Sim. Mas ninguém esperaria uma gestão conservadora por parte de uma Direção que viveu sempre no limite do risco. Com bons resultados.
O MAU
Há coisas em que sou pior que uma gaja boa, mas medianamente puritana. Não engulo! Até posso chupar, mas engolir, tá quieto, issékenão!
La atrás, ficou dito, e alguns de vocês já terão reparado, que eu não penso da mesma forma que a maioria em relação à necessidade de o FCP fazer barulho. Já tentei explicar com a metáfora marítima, bem catita por acaso. Mas isto não significa que sejamos uns anormais! Credo, gente.
Se o FCP está interessado num jogador e isso transpira nos media, só temos duas possibilidades: Fechar o negócio ou comunicar que deixámos de estar interessados. Com o incêndio a lamber os muros, não é boa ideia ir atestar o depósito de gasóleo da caldeira. Não é mesmo! Deixar a malta pensar em Mangala é meio atestado de óbito a qualquer Boly. E mais um metro na sepultura de quem manda.
O Boly ficou pior jogador depois disso? Sim, ficou. Mesmo que possa ser trinta vezes melhor que o Mangala. Agora terá que ser trinta e cinco, ter uns tomates do tamanho dos do Silva - um vosso criado - e render alguns cem milhões por um terço do passe. A culpa não é dele.
Ou seja, o FCP fez tudo mal, em termos de comunicação, neste período: Deixou que se soubesse muito, não desmentiu nada, enrolou-se em negócios à vista da populaça e ainda acabou a deixar a sensação de ter sido bastante encavado. E ter gostado. Fraquinho, senhores, fraquinho.
Pode não ter sido nada disto que aconteceu? Pode. Mas ninguém saberá. A menos que nos digam.
O VILÃO
Neste momento, é simples perceber quem é o apontado, está claro. Há uma aura de quase Santidade que o envolve, Senhor Presidente, que leva a que alguns - nem todos, aviso-o, sinceramente - de alguma forma o procurem proteger da sua fúria:
Ah e tal, eu quero que seja o Pintinho, mas tem que varrer aquilo tudo; ah não, eu acho é que o homem já não manda nada, coitado; eu cá acredito piamente que é com estes, só que tinham que ser outros. Pois, pois.
Alguma desta benevolência, mesmo a mais honesta, é insultuosa para um Homem que construiu aquilo que o acusam de estar a destruir. A verdade é que este sentimento de pertencermos a um Grande, a Pinto da Costa o devemos. Sim, fomos Cachalotes pela mão de alguém. Muitos ajudaram, é certo. Mas é uma vergonha assistir hoje à subalternização do mérito do nosso Presidente. Eu saberei pouco da História do FCP, mas reparo o suficiente para saber que Pinto da Costa não é menos relevante que José Maria Pedroto. Ou que quem quer que seja. Ele é a Figura Maior da nossa Invicta História.
O que não o iliba dos disparates que possa cometer. Era o que faltava. Nem sequer aceito que se esgueire à responsabilidade. As vitórias têm como primeiro responsável o Presidente. E as derrotas também! Já disse que tipo de gaja sou: Não engulo, sorry!
O que acontece esta época é que o FCP construiu um plantel teoricamente mais fraco que os seus diretos opositores. Eu não tenho dúvidas quanto a isso. No entanto, não é um plantel fraco, isso não. É bom, mas o dojôtros é, aparentemente, melhor. Nada que seja novo para nós. Puritanas talvez, mas não somos virgenzinhas assustadas, neste campo.
Estou a lembrar-me de 1991, por exemplo, com CAS a treinador e o fabuloso Kiki no meio campo, a guardar as costas de Domingos e Kostadinov. Contra Paulo Sousa, Rui Costa, Paneira, Thern, Schwarz, Kulkov, Magnusson, Águas e eteceteras. E podia, seguramente, ir buscar uns quantos exemplos mais.
Tínhamos, however, dois reforços inigualáveis em todas as épocas: A Bancada e a Direção.
...
É precisamente no último ponto que reside, quanto a mim, a última possibilidade de sucesso deste ciclo do FCP. Vejamos:
A cadeia alimentar foi atacada, invertida, deturpada. Não somos já o Cachalote imponente que reina sobre os Mares. Outros se apoderaram desse lugar, ao qual, não obstante, cremos ter direito. Pois teremos que o conquistar. Teremos que saber voltar a ser a Orca, a baleia assassina. Caso contrário, pareceremos uma morsa gorda e velhota. E bateremos palmas.
Metáforas à parte, creio que temos que reconhecer que somos os underdogs. Que não somos nós que dominamos. Digamos que já não somos Regime e passámos à Guerrilha.
Só com um excelente treinador, uma verdadeira equipa e umas pinceladas de talento, respaldadas por uma Direção forte, unida, interventiva e muito, mas mesmo muito, atenta, poderá o FCP ganhar a Bancada. Se o fizer, podemos chegar onde quisermos. Enfim, aonde pertencemos.
Em resumo: Este Mercado prova que o domínio está a Sul, o que deve promover uma mudança de postura a Norte. Não para gáudio da populaça, mas por necessidade tática, teremos que nos fazer ouvir muito alto e mais vezes. Deveremos ter a faca nos dentes, sem sermos trauliteiros, e ter uma equipa que dê sangue, suor e lágrimas. 'Safoda, continuemos nos clichés: Assim se escreverá mais um Hino Triunfal.
O que não sabemos ainda é se temos o tal treinador e a dita equipa. Há sinais que considero positivos. Até sou insuspeito porque NES não seria a minha escolha. Mas é o meu treinador, hoje.
Também não sabemos se quem chegou a Rei Absoluto pode voltar a ser o líder dos Plebeus em armas, à volta da Bastilha. Eu teria preferido que nunca tivesse sido necessário descer do Trono, mas agora é. Não nos vamos por a chorar por isso, certo? Nem fazer de conta.
Saberemos isto tudo no final da época 2016/17. E esse é o tempo correto. O tempo em que todos poderão estar certos ou errados. Aposto que serei eu a acertar! Estão convidados.
Desta vez, temos pela frente uma prova de Superação. Já não de Superioridade.
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Soundtrack to FCP: Can´t bring us down!









