domingo, 11 de setembro de 2016

Uma triste não-crónica

Ai porra, bateu na moleirinha do outro, como vou anular isto?

Sabem, eu tinha uma crónica bastante apresentável com que vos mimar: 

Com os seus momentos engraçados; uma parte de apelo ao amor Clubista bastante comovente, pincelada aqui e ali com uns remoques à malta do bota-abaixo e aos que teimam em não acreditar; uma breve - mas muito lúcida - análise ao jogo de ontem; e, sobretudo, a manifestação da alegria que senti ao voltar ao Dragão.

Está claro que a escrevi ontem de manhã. E posso assegurar-vos que nela se destacavam as exibições de Oliver e Silva, André, e o golo de Depoitre. Para além do resultado, que era um espaço em branco terminado em zero.

Mas teimo em publicar apenas o que sinto. E nada daquilo me faz sentido hoje, nem mesmo as partes certas. 

A única piada a que não resisto é aquela onde se lia...deixa cá ver, ah cá está: 

"Felizmente, o assobio à equipa não compareceu. Cá pra mim, é uma demonstração cabal de que urge eliminar o racismo do Dragão. A ausência de Herrera foi muito bem colmatada por Bi-André, ao nível do passe fácil falhado. E nem um fiu-fiu! 

O racismo às pessoas bastante feias não é bonito, caros co-adeptos."

...

Tudo o resto é, desgraçadamente, lixo. A alegria do regresso, esbatida na revolta e tristeza da saída; os golos, doijamenos que a conta certa, espetados como facas no peito dos infiéis, em vez de comemorados; a exibição vista à luz mortiça de uma desesperança, toda feita de injustiça.

Eu quero ver o FCP num jogo de futebol. Primeiro, porque amo - deve ser este o sentimento, não encontro outro - o FCP e adoro futebol; depois, porque meti isto na cachimónia e sou casmurro como uma mula velha.

Parece que é um desejo demasiado rebuscado. Voltarei na quarta-feira, para tentar de novo.

...

É que ontem, meus caros, não houve jogo. Todas as análises que lerem, e eu já li algumas, estarão erradas. Vão ler que o Oliver é mágico, que o Silva é soberbo, que o Danilo mete medo e que o Pinheiro vai dar um belo aparador para a sala de jantar.

E também vão ler que jogámos contra 15, de novo. E que temos que ser ainda melhores que muito melhores, para ganhar a toda a gente. Depois, torna-se este o nível de exigência que o Dragão terá para com os seus, porque só assim poderá ter alegrias.

Isto não é futebol! É assalto à mão armada, em plena luz do dia, em frente a um posto da GNR que é vizinho de uma esquadra da PSP. Acima, um colégio de juízes, prontos a anular qualquer eventual, que não provável, julgamento e dois terços do povinho a bater palmas. O outro terço desanca a vítima, que havia de ter arcaboiço para aviar os 4 meliantes. Mariquinhas.

Ontem, o senhor Sousa passou 45 minutos a ser o melhor jogador do adversário do FCP. E fez uma bela exibição. Defendeu muito bem, pausou muuuuuuiiiitooo o jogo e também tratou de o acelerar quando se apanhou a perder. Só o início da segunda parte o derrotou.

Acontece que o senhor Sousa não pode jogar! Logo, não era futebol. Logo, não me deixaram ver o FCP jogar à bola. Quero o meu dinheiro de volta!

...

NES concorda com a anulação do golo do Silva aos 18 minutos de jogo. Procura evidenciar os erros do wc do Campo Grande. Está bem visto, sim senhor. Saídinho da casca hein, xôr Nuno?

Mas está completamente errado. A verdade é que fomos roubados nos três lances! 

É ao nível da Reboleira que se lida com esta gentinha. Eu já lá vivi, perguntem-me que eu digo como é.

Olha, vejam bem como o filho de um cacilheiro de paneleiros, cujo cucuruto é adornado com uma espécie de cagalhão - terá partido a cabeça? - analisa as referidas mãos. Simples, não?

Repito-me: O FCP NÃO TEM que ser muito melhor que todos, para ganhar até aos árbitros. Não é justo, não pode ser, não podemos aceitar isso e exigir cada vez mais aos nossos. É vergonhoso!

Três jogos oficiais em Portugal, três jogos condicionados pelos árbitros, menos três pontos. 

Até quando?

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Duas mínimas notas finais:

Parece que o Dragão foi para casa satisfeito. Oiço o marulhar de uma onda que, enfim, se forma?

Sim, oh Bimbo Pateiro, era mesmo para ti! Quero é que comas merda às colheres, mais às tuas cançonetas parolas. Ufa, estou maijaliviadinho.


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Soundtrack to the ref: Are you dead yet?

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Resumo da semana: Dia de Perdão



Vocês podem ter uma opinião diferente - estão, evidentemente, errados! - mas, para mim, a peça mais importante de um veículo motorizado é o rádio. Com leitor de cêdês. Não apenas resolve mais de noventa por cento dos barulhos estranhos produzidos por outros componentes do automóvel, motorizada, camião, lambreta, waddafuckingthing vocês possam conduzir; como ainda permite manter a sanidade, não obrigando a pessoa a ouvir...rádio.

Está claro que o meu leitor de cêdês está avariado vai para unjanos, o que explica boa parte das coisas que me passam pela cabeça. Sinto que estou a chegar verdadeiramente ao limite. Preciso de um auto-rádio novo - pelo qual não me queiram cobrar dinheiro, o rabo e um broche num beco escuro - com a máxima urgência. 

Ao menos que fosse num beco florido e soalheiro, sempre se apanhava uma corzinha. Diz que o Universo está mal servido de becos em condições.

Lá desfio os quilómetros a enervar-me com a trampa de música que passam nas rádios. Quando passam, porque tem horários ocupados com tanto ego que não sobra tempo nenhum para uma musiquinha. 

A alternativa seria conversar comigo próprio. Mas de mim para comigo, já esgotámos o assunto. We dont talk anymore. Parecemos o Armando e a Valentina

Tanto latim para vos dizer que ouvi numa rádio, que não digo qual é porque me sinto velho se admitir que a oiço, que ontem era o Dia do Perdão. Uma espécie de Yom Kippur fora de época. Não que eu saiba lá muito bem quando calha o Yom Kippur. Há malta que usa estranhos calendários. 

Aposto que é para aparecerem quando lhes apetece, sem ninguém lhe poder dizer nada:

- Oh Bernstein, então foste de férias dia 1 de agosto e voltas agora? Dia 23 de julho?

- Majeu avisei-o chefe. Não lhe disse que ia de férias de 26 a 29 de Tamuz?

- Pá, isso são 3 dias, não é um ano! Tás despedido! Põe-te majé nas putas.

Majé mesmo um ano. 

Ondékeuia? Ah, pois, não tinha nada a ver com isto, credo.

A coisa do Perdão deixou-me a pensar. De facto, há uma aura de Santidade no ato. Um desprender da Soberba e do Orgulho besta. Uma espécie de contrição que eleva o espírito e o liberta de pesos mil que possa carregar. 

É, enfim, um ato de suprema humildade, de reconhecimento e reparação. Pedir Perdão está ao alcance apenas dos grandes. Assim como Perdoar, efetivamente, é a essência da Divindade.

É pois imbuído destes ideais que vos digo, com toda a sinceridade e de coração na mão: Estais todos desculpados, de uma maneira geral. É que não se fala mais nisso!

Hã? Eu? Porquê? Homessa!

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A propósito de passeios, parece que o Governo se dedicou de alma e coração à construção de um Código de Conduta para os políticos. 

Desde logo, não faz sentido nenhum criar uma espécie de Código Deontológico para esta profissão, uma vez que a mera intenção de alguma vez ter comportamentos deontológicamente corretos é suficiente para excluir os profissionais da atividade.

Soa como que a um Código de Honra da Máfia ou um Juramento dos Assassinos em Série ou assim, o que me despertou alguma curiosidade. Tirei-me do meu descanso, motivado a investigar. Mas passou-me muito rapidinho. 

Vejam lá que a coisa mais importante de todas, é que os senhores governantes só estarão autorizados a receber prendas até 150€.

Havemos de convir que 150 paus - kusfodessem a todos é kera! - não é, de facto, relevante. Vai-se a ver, nem dá para um jantarinho para quatro na Catedral da Cerveja, nem para um Barca Velha de boa colheita. 

Mas se tivermos em conta que um médico está a quebrar a lei se aceitar um pisa papéis que possa ser avaliado acima dos 25€; e que o laboratório farmacêutico que o ofereceu está à pega com a justiça; então a coisa pode ser vista de outra maneira. Ou virá alguém explicar-me porque é que faz sentido um Governante aceitar prendinhas de valor SEIS vezes superior aquele praticado para a classe médica?

Ainda melhor, é que nisto se embrulharam as voltinhas dos senhores Secretários de Estado. Aliás, já fizeram as instâncias Governamentais saber que os ditos cujos carcarás sanguinolentos, desembolsaram de volta as viagens. Só faltou um "ksafoderam"! 

Quando uma rádio pediu para ter acesso às respetivas faturas, o Ministério respondeu que não havia mais bulha sobre o assunto. 

É como quem diz, opá, esqueçam lá isso. O que passou, passou, não fiquemos presos ao passado. Está tudo desculpado. Que fofuras!

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De avião em avião, lá foi o nosso Primeiro para Atenas, à conta de uma cimeira. Espero que não leve uma t-shirt da Galp no lombo. 

Trata-se de uma Cimeira que reúne os Países do Sul da Europa. É catita, pensei eu, terem arranjado uma reunião de pobres. Partilham experiências e esquemas para arranjar guita e comida e essas coisas em que os pobres estão sempre a pensar. 

Depois é que percebi que não, não era nada disso. A ideia não é discutirem os problemas comuns que enfrentam, é antes ter ideias de como convencer a malta do guito a abrir mais os cordões à bolsa. Vamos lá ver quem é que foi passar o weekend à Grécia:

* O anfitrião, pois claro. Que é um tipo eleito para acabar com a Europa e que acabou de mão estendida a pedir mais uns trocos. E que agora é o impulsionador da "revolta" do Sul, go figure. Resgatado. Twice.

* O nosso Tó Costa, apoiado por dois partidos que advogam a saída de Portugal da União. Vai todo pimpão com o seu popularucho discurso do fim da austeridade. Aquela que, afinal, não se pode reverter assim tanto como lhe parecia em antes de estar em São Bento. Resgatado.

* Um gajo de Chipre, aquele País que já jogou pior à bola e que foi safo do colapso bancário pela guita dos outros. Resgatado.

* Um Maltês. Aí está uma Nação cheia de peso no quadro Europeu. Por acaso, é bem fixe, Malta. À primeira vista é mais Norte de África que Europa, mas eles ofendem-se se lhes disserem isso. Cá pra mim, foi alguma petrolífera que lhe ofereceu a viagem. Ele não tinha nada marcado e aproveitou. Acho muito bem.

* Um representante do nosso Marianinho Rajoy, o ex-futuro-ex-próximo-ex-Primeiro-Ministro de Espanha, um País sem Governo. E sem governo. E já com meio resgate no bucho.

* Um Francês e um Italiano, os mesmos que estiveram a tratar do futuro da União com a Angela, a sós, numa ilha. Uh, malucos, havia de ser Adults Only, aposto. São portanto pessoas deveras comprometidas com as reivindicações Sulistas. Sim senhor!

Portantos, um Grego, um Português, um Cipriota, um Maltês, um Galego, um Franciu e um Italiano, encontram-se em Atenas. O que foram lá fazer? 

- Não sei, Silva. Diga lá. Adoro anedotas. - Alguém se antecipa:

- Pedir Perdão. Das dividas. - Atira triunfal.

Oh, isso não vale, Mariana! Já sabias a piada.

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Na Índia, os responsáveis do turismo, por certo inspirados no Código de Conduta dos Governantes em Portugal, preparam um conjunto de conselhos aos turistas. Nomeadamente às gajas

Faz lembrar a historia do burquini, majócontrário. Lá por ser do lado oposto, não quer dizer que seja muito diferente. O que dirão os senhores do "se cá queres estar, fazes cumanós, oh bijagó!"? É que, segundo o Ministro do Turismo, é uma questão cultural.

Não admira muito, num País onde o Ministro do Interior tem algumas dúvidas sobre o bem e o mal, o certo e o errado e essas metafísicas complicadas. É pensar com a cabeça da pila e depois logo se vê.

Não parece nada que as mulheres Hindus possam estar mais descansadas que as Muçulmanas, mesmo as de zonas radicais, pois não? Mas não vejo a onda de indignação dos líderes Mundiais a abater-se sobre este tipo de comportamento, com a mesma fome com que denuncia o abuso do Islão sobre o estatuto da mulher e os seus direitos.

A mim repugna-me, confesso, que uma mulher tenha que - porque sim! - andar um metro atrás do seu marido. Sobretudo se, no entretanto, lhe aparece um Indiano com valores culturais muito arreigados e a viola.

- Oh Silva, tá bem, mas esses não explodem. Deixá-los em Paz, homem.

- Ah, entendo, peço Perdão.

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Por falar em explodir, o Querido Líder - não, não é esse - anda entretido com os seus brinquedos. Eu não acho nada boa ideia ser condescendente com os tolinhos. Os tolinhos são malta perigosa. 

Isso do ai coitado, não ligues, ele é tolinho, já deu tanta merda ao longo da História, que não se percebe como ainda insistimos. Só se é por dar algum trabalho agir de maneira diferente.

As grandes potências Mundiais condenaram a uma voz o tal do teste. O que é bom, está claro. Eu aconselhava-os a tratarem muito rapidamente de colocarem um maluco qualquer perto do Kim. Para lhe rebentar os miolos.

Vocês, eu não sei, mas eu imagino o Trump a encontrar-se com o Putin, para discutirem a Paz no Mundo. E fico com a sensação de que Alguém ficaria a dever um pedido de Perdão à Humanidade. 

Sei lá pá, se isso acontecer algum dia, podíamos todos receber um e-mail do Além. Bastava um texto simples: Desculpem lá o mau jeito, distraí-Me.  

Pronto, era suficiente e já ficava a malta mais confortadinha. E daí, talvez seja merecido...

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Amanhã joga o FCP. Ai caraças, até se malevantam os pelos do rego só de pensar que vou voltar ao Dragão. Tenho saudades pois! 

E vamos jogar bem, muito bem, e cilindrar os gajos e acabar com a equipa a ser ovacionada pelo Estádio inteiro. Durante uns cinco minutos. Um minuto por cada golo nosso. Cincazero!

Quando juntarmos outro tanto na quarta-feira - oh, oh, oh pa eles a eriçarem-se outra vez - ninguém vai estar muito preocupado com as tricas que agora andamos todos a discutir. Melhor que isso, estarão criadas as condições para que se levante - por fim! - a onda azul e branca. 

Oxalá ela esteja disposta a ser levantada, sem euforias bacocas, mas determinada e determinante. E Deus queira que a saibam surfar os nossos surfistas eleitos. 

Está tudo Perdoado, ponham é a bola a rolar!

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- Oh Pedro. - Atento ao computador.

- Sim, Senhor.

- Eu tenho e-mail? - Sem tirar ojolhos do ecrã.

- Como, Senhor? E-mail? - Pensa por um segundo. - Pode ter, se Lhe der na gana. Mas porquê? Não me diga que está a levar a sério o fulaninho? - Com ar surpreso.

- Hã? Quem? Sei lá disso, Pedro. Encontrei foi um meme espetacular do Ghandi. Queria mandá-lo ao Ganesha. Havia de ficar cá cumas trombas, o gajo. - E ri-Se. Distraído.

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Soundtrack to forgivness: Sorry!
   


 
  


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Publicidade enganosa: Adults Only ou um post cheio de estrangeirismo enenhum futebol


É verdade que é parolo, mas aquela coisa dos hotéis Adults Only, deixa-me sempre um sobrolho franzido e um sorrisinho maroto. Eu sei, eu sei, não é nada disso, são estabelecimentos como os outros todos do seu género, mas nos quais não se admitem menores. Quer dizer que têm a mesma quantidade industrial de cloro na piscina, os mesmos papos-secos descongelados ao pequeno almoço e a mesma compota do LIDL. Mas não têm putos a fazer bombas na água, nem aos berros no buffet, nem todos lambuzados de doce de morango, a darem beijocas nas avós.

Eu nunca tive oportunidade de me alojar numa coisas destas. Houve sempre crianças nas minhas férias. E saltos para piscinas nas quais era proibido saltar. As crianças também saltavam. 

However, sei muito bem o que são estes Adults Only - mesmo sem lá ter estado - e percebo a ideia. O sossego de quem não está para aturar os filhos dos outros é um valor que me inspira respeito. Como não fumar para cima de pessoas que não fumam ou não querem levar com o fumo de outrem; ou mijar para os pés do porteiro da disconaite. Que foi? Nunca beberam um pouquinho demais ao jantar, kéjber?

Confesso que preferia o tempo em que podia ignorar o que já sabia, mantendo aquela ideia romântica de que se tratava de locais onde se passavam coisas espetaculares. Tipo, andava tudo enrolado a eito unscujôtros pelo lobby afora. Um forrobodó tal, que nem os quartos tinham portas, nem os hospedes tinham quartos designados. 

Na minha modesta opinião, embora menos quiet, era muito mais engraçado do que um bando de casais de meia-idade - detesto gente de meia-idade - com ar circunspecto, au bord de la piscine, com os seus livros complicados. Romances históricos e coisas sobre guerras e enciclopédias e assim.

Também pensava que poderiam ser uma coisa menos sexual. Já se vê que seria uma segunda opção. Mas ainda assim, era catita serem hotéis onde se alojariam assassinos psicopatas e os vilões dos super-heróis e monstrengos e zombies e isso tudo. 

A malta ia para lá e recebia uma bazuca de raios laser e a pistola do Dirty Harry e as armas todas do Doom. E depois fazia-se à vida, durante a semana que lá ficasse. A ver se chegava ao fim das férias. Pelo caminho, limpava o sebo aos velhotes de meia-idade que fosse encontrando. 

- Estou a ver. Adults only, uh? - Atira os braços para a nuca, a puxar o cabelo num rabo de cavalo, com o elástico entre os dentes e os olhos claros a troçarem. - Consigo imaginar-te nesse lugar. E à Lara Croft. Sempre achei que daria uma bela Lara Croft, eu. - Concentra-se nos amendoins, como que por acaso.

- Hã?

- Nada, Silva, nada, deixa lá. Não és parolo, és só burro mesmo...

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Em compensação, ninguém se lembrou ainda de arranjar uma carruagem adults only nos comboios de longo curso. E deviam! No sentido de evitar que a pessoa, a precisar de repor ajóras de sono, fosse acordada pelo berreiro de um catraio lá de trás, com a respetiva mãe lá de trás aos shhh shhh. 

Parece a porra da falua que lá vem, lá vem. Nem as fuças se lhes vê, mas ouvem-se-lhes as goelas e os shhh shhh duplamente irritantes, como se estivesse um gajo encostado à coluna num concerto da Cindy Lauper. Não é o decibel que incomoda, é o tom do agudo que enerva.

Também podiam excluir as pessoas que passam duajóras seguidas ao telefone. Não que tenha alguma coisa a ver com as suas contas, só não quero saber. 

Não, meu senhor, eu não estou interessado no que disse à gaja da contabilidade. Sim, essa que nem mamas tem para os decotes que usa. 

Aborrece-me quase tanto, como ser obrigado a ouvir a sua justificação para o facto de a sua suposta nova namorada ter sido vista em casa de outro marmanjo, no mesmo dia e hora em que o caro amigo jurava ter feito o triplo salto nas cuecas da moça. Não me importo que seja mentiroso, só não quero saber. Ne-ão cu-é-ro sa-ber! Quero dormir, apenas. Importa-se de sair dos meujóbidos?

Do ponto de vista da ferrovia, o ideal era alargarem o conceito de Adults Only. Estenderem o seu âmbito, até ser o mesmo dizer Adults Only ou Silva Apenas, pronto. Uma carruagem só para o Silva. 

Nem era tanto para dormir descansado, embora também. Era mais para não me enervar. Na Medicina do Trabalho, disseram que eu devo ter atenção aos nervos. Foi logo depois de me entregarem uma ficha a dizer "Apto" e antes de me darem os bons-dias. Não suporto má-educação.

- Também é fácil pensar numa carruagem adults only, só contigo lá dentro. - Entre descascar um amendoim e emborcar um golo de cerveja gelada que lhe deixa uma bigodaça de espuma. Viro-me instintivamente para o freguês da outra ponta do balcão, para evitar a forma como ela vai limpar a espuma das beiças. - Isso, pira-te, mariquinhas.

- Hã?

- Nada, Silva. Perdi um amendoim no meio das cascas, só isso.

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Não, o título desta posta não era Publicidade Enganosa. Era só isto, mesmo. 

Agradecido, como sempre, pela visita. Agora, vou para minha casa. Viva o FCP, pronto.

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Soundtrack to planes, trains, cars and adults: Last ride of the day.

domingo, 4 de setembro de 2016

As chuteiras novas de T.R.A.K. Silva


Estas são as chuteiras velhas do futsalista Theodore Rajeev de Almeida Kanimambo Silva. O propósito de o nomearem honrando todas as raízes da família, originou um anagrama um tanto ou quanto...mal cheiroso. Ainda por cima, demoraria uma eternidade a chamar o moço, pelo que fica conhecido apenas por Silva. Outro.                                                               
Como se pode constatar, trata-se de belos calcantes de marca, de cores garridas e brilhantes, a destacarem os pézinhos de oiro no meio da maralha. Está bom de ver que revelam um esforço de integração do seu utilizador, nestes dias de chuteiras fluorescentes, aerodinâmicas, basto sexy, a não deixarem adivinhar as unhas enegrecidas pelos biqueiros e os calos nos mindinhos. Muito na moda, portanto.
Diga-se que o Silva é um atleta bastante completo e consistente: De fraca técnica, não se pode dizer que seja explosivo ou rápido. Ataca malzinho, defende um pouco pior e não remata lá essas coisas. Muito embora seja uma animação pegada em jantares do grupo e antes dos jogos, é opinião unânime que é um chato de galocha durante e, ganhe ou perca, renhido ou por muitos, vai sempre embora com ar de poucos amigos. A retribuição, conhecem-na as canelas do dito cujo.

Ao que se sabe, sustenta a sua permanência, de pedra e cal, no plantel, por - antes de tudo - fazer parte do ADN do grupo, tipo o maluco da aldeia, e - não menos - pelo reconhecimento, entredentes, de que os berros constantes ao longo dos 60 minutos - bem pesados - já arrancaram muitas vitórias e já devolveram muito fintabolista de truz à terra, à equipa e aos golos. Em vez de andarem a passarinhar etéreos pelo Olimpo da cabriola e do malabarismo. Mas lá que é preciso ter paciência para o aturar, lá isso é. Ainda por cima, pagam. Credo. 

Ontem, iniciou-se uma nova época para o Campeonato do Silva. Segundo consta, com uma vitória arrancada a ferros, depois de muito enervar colegas e, sobretudo, adversários. No último minuto, com uma recuperação na raça, seguida de um slalom que teve tanto de gigante como de surpreendente, culminado em golo nas fuças de um redes improvisado. Diz que o redes a sério ainda está de férias. 

Cá o esperei com o 3 Marias das vitórias, que as noticias nesta terra correm céleres. E o Quim da Velha não toma banho com um bando de homens, pelo que chega sempre bastante primeiro que os outros. Estranhamente, não era do jogo que o Silva mais me queria falar. Disse-me:

- Estas são as minhas chuteiras novas. As outras já estavam rotas à frente, apesar de cada vez mais confortáveis. Repara Silva, estas são pretas, como antigamente, discretas, parecem mais uma Chaimite que um Fórmula 1. Mas como podes ver, embora de outra origem, mantêm o selo de qualidade. Apesar de ter demorado uns anos recentes, já percebi que os pés, sendo os mesmos, ficam mais protegidos dentro deste tipo de calcante. Não tão exuberante, mas sólido e muito fiável.                                                                                    As minhas chuteiras novas representam a minha atitude perante esta época: Tentarei menos golos de calcanhar, porventura, mas te garanto, caro homónimo, ganharei muito mais jogos. - Deu tal palmadão nas costas ao Quim da Velha, que o engasgou no seu Panaché. Eu fiz cara de ofendido:                                                                                                                            
- Homónimo é a tua tia! Que eu não tenho nome de bufa, meu menino. Mas Silvas os dois, vou calçar essas chuteiras contigo ao longo deste ano. É uma promessa e começa já!

...

Eu só leio um jornal desportivo. Por falta de estômago, que prefiro guardar para um belo, e picante, caril de carne, por exemplo. Como não vale a pena dizer-vos qual é, passo diretamente para o facto de pertencer a uma companhia com uma estrutura acionista interessante. A executiva é bastante familiar de qualquer Portista. Só naquela...

                                                                                                                          

Esta é a capa do jornal "O Jogo" de hoje. Depois de o Vassalo ter já comentado a espetacular análise - e equilibrada! - ao nosso plantel e aos dos infiéis, temos aqui a subtileza do "querem então ganhar campeonatos com meninos imberbes contra homens feitos". 

Amigos, não se preocupem. Nós sabemos bem o que temos, o que nos falta e o que vamos fazer com isso. O que espero, é que este tão inocente "aviso" faça ricochete e acabe em muitas, e várias, capas de louvor aos putos inexperientes.                                                                                                     

Acrescenta um curioso artigo, que muito aconselho, acerca da saída de Antero Henrique do FCP. 

Devem lê-lo, mas eu resumo: Antero não teve nadinha a ver com os treinadores que perderam campeonatos; pelo contrário, teve tudo que ver com as vitórias conseguidas antes disso, apesar de não ter sido ele a escolher Villas Boas, que via com maus olhos. E sai por causa da Doyen, do Jorge Mendes e do Alexandre Pinto da Costa. 

Alguém gosta de Antero, escreve para O Jogo e frequenta bastante as redes sociais e fóruns Portistas. Tal o encaixe entre o que hoje é gasolina e o subtil fósforo. Como diria Paulo Bento: Bom, Antero. Mau, não Antero.

Como já escrevi o que tinha a dizer sobre uma pessoa que não conheço, estou à vontade para achar que se trata de mais uma bela encomenda do jornal familiar. Todos nós temos um Mel Gibson na voz. Ainda se lembram se ele estava certo?

Curiosamente, toda esta subtileza de elefante zonzo em loja de porcelana parece passar despercebida. É o chamado efeito da corrente: Tudo o que contribuí para a narrativa, é tido por verdade.

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Tenho o estranho, e execrável, hábito de chamar a atenção das senhoras para as malhas nas meias. Sei que elas ficam zangadas, mas creiam que o faço com a melhor das intenções. Eu cá, quando ando na rua com roupa esburacada faço-o conscientemente - para grande exaspero da mais nova.

Isto a propósito de terem vomitado um jantar de papas de sarrabulho regadas a litros de vinho tinto, numa camisa branca. Podem lavar quanto quiserem, gastar centenas de metros cúbicos da melhor lixívia. Vai sobrar sempre uma nódoa. E eu, bondoso, vou apontá-la:

O FCP NÃO perdeu na latrina do Campo Grande contra os Calimeros. O FCP foi derrotado pelo Tiago Martins. De propósito, premeditadamente e para grande gozo do poder reinante em Portugal. No futebol também. Now sue me!

Considerar que houve "erros de julgamento", é o mesmo que defender que a Lizzie teve que decidir em segundos se dava 40 ou 41 machadadas. Eventualmente, foi apenas um acidente. Vá que pode ter sido apenas a 41ª que matou os senhores.

Devem pois os Portistas deixarem-se de tretas e lérias. Isso do "temos que ser melhores, tão melhores que ganhemos também aos árbitros", não existe! É estúpido! NÃO, não temos que ganhar aos árbitros. Não é SUPOSTO os árbitros jogarem. Temos que ter JUSTIÇA. E é injusto julgarmo-nos com base nestas premissas. Para além de que não ajuda nada.

Já passou tempo suficiente para percebermos que não vai haver nenhum Processo Sumário com base nas imagens. Slimani já lá vai, mas William e Adrien e César dão muito jeito ao mestre da Mula Russa. Queremos que alguém faça barulho, que argumente com a jurisprudência do Aguero, que mande os lances todos para a Liga, para a FPF, para o Vaticano e para a NASA.

Mesmo que façam todos orelhas moucas, estaremos a mostrar em que pântano lutamos. E venceremos! Com chuteiras novas.

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Soundtrack to infidels: Take an axe!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O estranho caso dos gémeos Camillo Alves

Gamado sem remorso em www.nuncaetarde.com

Nunca lhes conheci o nome próprio. Apenas estes dois apelidos - porque sim, é de apelidos que se tratam - escolhidos pelo Padre do orfanato a que foram entregues  por um bêbado sem-abrigo, numa noite particularmente chuvosa. Com a explicação simples de que estavam embrulhados numa manta fina, aos pés de um contentor do lixo, no beco mais escuro da cidade. E, veja Senhor Prior, não é que chorem ou protestem, mas não se calam por um segundo. Nem com dois pacotes de Camillo Alves de um trago consigo adormecer.

De onde lhes veio a graça, já ficaram a saber. O velho dos sapatos jura que investigações suas provam que foram abandonados por pais assustados. Porque nasceram a falar. Um para o outro. E muito.

Tamanho fenómeno parece inventado, é certo. Mas apenas para quem ainda não percebeu que os Gémeos Camillo Alves são, em si, um fenómeno maior que os legumes do Entroncamento. Ou as mamas da Pamela, há 20 anos. Portanto, também são melhor e não meramente maior. 

Terem sido paridos já a botar faladura não é nada que se estranhe muito, quando estamos perante indivíduos que sabem tudo. Sim, tudo! Até pode ser que existam coisas que eles não sabem, mas todos os restantes humanos as desconhecem. São repositórios de toda a ciência da Humanidade.

Já se vê que, com tanto conhecimento, não lhes chega a Vida inteira para o debaterem. Pelo que não tiveram outro remédio, senão começarem assim que lhes foi possível. Parecendo que não, o líquido amniótico dificulta bastante a comunicação.

Sem tempo para tratarem de coisas miúdas, como subsistir, vivem do prato do dia da Tasca, ao almoço. E do da noite, ao jantar. As outras necessidades básicas, cumprem-nas em conjunto, para melhor aproveitarem as horas. Em troca da melhor nota da turma, seja qual for a cadeira que interesse à menina Universitária. À casa de banho, vão separados.

Para nós, que já os olhamos como à mobília, o traço de caráter mais vincado dos gémeos é nunca estarem de acordo. Apresentam sempre hipóteses díspares, as mais das vezes opostas, sobre qualquer tema. A única coisa em que concordam, é no clube da bola: São ambos Dragões. O que não admira, em fulanos de inteligência tão ímpar.

Só mesmo quando a bola bate, redonda e rodopiando sobre o seu eixo, na rede dos mânfios que nos querem mal, é que eles são as crianças que nunca foram. E saltam e correm e abraçam. Um ao outro e a quem mais estiver abraçável nos arredores.

Regressam imediatamente aos seus pontos de vista divergentes. Sempre de olho na próxima oportunidade de comunhão. Na Tasca.

Não conseguindo decidir-me sobre que opinião tenho quanto à mais recente novidade do Reino do Dragão, recorri a estes meus espantosos fregueses e amigos. Pedi-lhes que me redigissem, cada um por si, uma breve nota acerca da saída de Antero Henrique do FCP. 

Eles aceitaram prontamente. Bruxo, são suficientemente espertos para atender aos lamentos e alertas do estômago.


...

Antero Henrique é, na verdade, demitido da SAD do FCP. Elogie-se, desde já, o cuidado da Organização no tratamento deste seu ex-colaborador, em nome de mais de duas décadas de dedicação. A sua saída pode até fazer-se sem glória, mas não se faz com vergonha nem sob acusação.  

No entanto, os fracos resultados desportivos dos últimos anos, aliados a uma má performance recente no campo da transação de ativos, não podia passar em claro. Cabe ao responsável máximo, o Senhor Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, colocar de lado os sentimentos de amizade e gratidão que possa ter, quando se trata de avaliar o desempenho de quem detém boa parte do poder quanto ao futuro do FCP. 

Não podemos esquecer que os resultados desportivos são essenciais para a valorização de ativos. E que a negociação destes é a pedra de toque de todo o modelo de gestão do Clube. Se corre mal, o responsável tem que ser responsabilizado, passo o pleonasmo.

Na certeza de que o líder terá adiado quanto pode, quiçá para lá do aconselhável, uma decisão que lhe foi, estou seguro, muito dolorosa, ficamos cientes de que continua a cortar a direito, sem olhar a nomes, na defesa do que julga ser o interesse maior do FCP.

A estrutura não chega a ser abalada, dada a pronta e eficaz substituição do referido Gestor. Por outro lado, cresce ainda mais a responsabilidade do Senhor Presidente, e de Reinaldo Teles, na condução do futebol do nosso Grande Clube. Eram três cabeças que pensavam e decidiam, restam duas. 

Esperando que lhe tenha sido claro, meu caro amigo Silva, subscrevo-me com elevada estima e a consideração de sempre,

Camillo Alves


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A demissão de Antero Henrique representa não só uma má noticia na pior altura, como é, indubitavelmente, um rombo, quiçá definitivo, na estrutura diretiva do nosso Grande Clube, nomeadamente da sua SAD. A saída de um dos pilares da atual Gerência, não pode significar menos que a falência do projeto.

Poderíamos, em alternativa, conjeturar acerca das badaladas "guerras de poder" no interior da cúpula do Dragão. Nesse caso, dir-se-ia que Antero Henrique reconhece a sua derrota, ou se recusa a compactuar com o caminho que seguiremos, por nele não se rever. Ainda que não seja liquido que não será um trilho de novos sucessos. Disso tratará apenas o tempo.

Ainda assim, fica claro que Antero Henrique, cordialmente tratado pela Organização na hora do seu adeus, deixou de estar disponível para assumir responsabilidades por decisões que não foram suas. Mormente no que diz respeito às épocas em que não ganhámos.

Em qualquer dos casos, a perda, não sendo irreparável, é grande e terá, por certo, nefastos efeitos a curto prazo no seio da própria equipa de futebol. Para além de que representa, em si mesma, a assunção definitiva de uma linha de pensamento único, em que todas as decisões passam a estar não apenas subordinadas, mas também a derivar do Senhor Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa.

Por esta ordem de razões, é evidente que a responsabilidade do Ilustre Presidente, secundado pelo seu agora único braço direito, Senhor Reinaldo Teles, é total. E deverão ser assim avaliadas, como sempre.

Acredito ter contribuído para o seu cabal esclarecimento, caro amigo Silva. Aceite os protestos da mais elevada consideração, deste que o estima

Camillo Alves


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Cá está, fodeu-se! E agora? Se ambos sabem tudo, qual deles estará certo? Provavelmente, nenhum e os dois. Qualquer coisa ali pelo meio. Até porque quem ganha também perde. Não vale achar que um manda quando se ganha; e depois já não manda nada quando se perde. Nem o Presidente, quanto mais o Antero. 

No entanto, o que guardo de tudo isto, são os relevantes pontos que têm em comum as duas opiniões. É desses que devemos fazer a nossa armadura para as batalhas futuras.

- Poiché, Xilva. É como as gachas.

- Ai sim?

- Xim, evidentemente. Vecha, o roxto e axmamaj xão dechichivoj; e ajpernocajatéóxpéchinhoj, na minha modexta opinião, também xão. Maché no meio, Xilva, bem no meio, que 'xtá a verdade. E o rabioxque também. Echa é que é echa! Oicha o que lhe dijextecheu amigo lagarto...

- Ai rapaz, rapaz, tudo te corre mal...


...


PS. Para que fique claro, eu, que tenho tanta inside information sobre o FCP como sobre o Laboratório de Engenharia Civil do Botswana, penso que Antero Henrique prestou relevantes serviços ao FCP. Tenho-o em conta de um profissional competente e de sucesso, pelo que, à partida, me entristece vê-lo sair. 

Não creio que fique muito tempo de repouso, pois será seguramente muito requisitado. A menos que ambicione ser Presidente do FCP. Cargo para o qual julgo que não tem perfil.

Sobre o seu substituto, sei o mesmo que Jergo Juses acerca da sintaxe. Isso mesmo. Resta-me pois desejar-lhe, a bem do FCP, toda a sorte e sucessos ainda maiores, e melhores, que as mamas da Pamela, há 20 anos. Ou então que as vitórias de Antero Henrique. Já não estava mal assim.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

I follow - Fora de mão no Mercado



Há sempre um ou outro momento em que um gajo se sente a Brasileira em contra-mão na ponte, parada por um agente da autoridade, de bigode farfalhudo e nódoa na camisa, por altura da pança proeminente:

- Majondékamenina pensa que vai?

- É, sêu guarrda, acho qui eu não vou maijnão. Tá tôdumundo vóutando...

Mas se pensarmos bem, é muito provável que o gajo que inventou a colher se tenha sentido assim igualmente:

- Oublá, consegues perceber como isso é estúpido, certo? Por que recarga de água alguém havia de utilizar essa coisa para meter à boca um liquido? Pode-se beber, oh anormal! Sólido, talher; liquido, beber. Simples.

Fazia lá eu ideia que o Paulo Bento era amigo do inventor da colher. Agora andam a ganhar milhões à conta do homem. E das mães que obrigam os filhos a comer sopa.

Por agora, parece que aquela história velha de zelotas e seguidistas e carneiros e isso tudo, perdeu o plural. Diz que é só um. 

Logo me havia de tocar a mim, chiça. Ainda por cima, eu que sou um gajo que grama do cunbíbio e detesto missões solitárias. Let alone causas perdidas.

- É como eu, Xilva. É poricho que prefiro o xecxo à majturbachão.

- Hã?

- Pelo cunbíbio, 'xtá claro.


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Fechou então o tal do Mercado. E vai por aí um alarido que só visto. Daqueles que aparentemente só se apaziguaria com a cabeça da Maria Antonieta a rebolar pela Alameda do Dragão. É estúpido? Não, era mais do que expectável. Anda tudo a rondar a Bastilha com olhos de ódio há que tempos, dada a míngua de comida para o corpo e para a alma que vai por esta França Invicta. 

Uns aproveitando a onda para surfarem os seus muito próprios interesses, outros por estarem secos de esperar, outros por desesperança e ainda alguns - sim, acredito mesmo nisto! - por sentirem fundo que há coisas para salvar. Mas que só se salvam depois do fogo.

Estão todos errados? Não sei! Se considerarmos que estar certo fora do tempo é estar errado, então sim, creio que estarão. Por um lado, porque é tarde: A brecha para a revolução foi em abril. Por outro, porque é cedo: Contas fazem-se no fim.

Ah, era isto mesmo! Já aqui estamos há alguma meia-hora e, por fim, cheguei ao ponto: O que é que um gajo atrás do balcão de uma Tasca pensa do Fecho do Mercado? 

Nada. Acha que isto anda tudo interligado. É um processo que, como todos, terá um desfecho. Eu acredito que será bom. Outros juram que será péssimo. E não há assim assim. O tempo de maijómenos passou. 

A outra diferença, é que eu tenho dúvidas; os que não acreditam têm quase só certezas. No fim do dia, a dúvida que lhes resta é a melhor de todas: E se correr bem? 

Ora, se correr bem - e bem, nestes dias, tem que ser perfeito! Não chega quase. Não chega! - poderão sempre invocar a força Divina que nos apurou em Roma. Gandamijopá! E assim como assim, ficarão felizes. Tanto quanto eu. Invejo-lhes isso. 

Já se sabe que a maioria é porque são mais. E lá serei eu a juntar-me à festa deles e não eles à minha. O FCP ganhou, o povo está na rua. Quem se importa com estas coisas nesse momento?

Preparados para uma tentativa de explicação de como eu olho para isto tudo? É capaz de ser longa. Eheh, ya, eu faria o mesmo. Depois passem-me o link, ohfaxabor. Adoro sites com belas mamas.


...

Ao longo da Era Pinto da Costa, o FCP passou de um Peixe-Palhaço - fofinho, bonitinho e inofensivo. Vamos fazer um filme de bonecos com ele! - para um Cachalote, o Rei dos Mares. A subida na cadeia alimentar não se fez por milagre, mas sim libertando a Orca que havia no Nemo.

O que não se pode é esperar que um cachalote tenha comportamentos de golfinho. O cachalote abre a boca e come, ponto! Não anda cá à caça de presas incautas, para deglutir ou enrabar, ao som de guinchos histéricos dunspójôtros. Daí que nunca tenha visto qualquer necessidade de andarmos a armar um berreiro desgraçado, fazendo o que tanto criticámos. Afinal, o Rei da Selva era o Dragão.

O que tem isto a ver com o fecho do mercado? Tudo.

Inspirados no grande Sérgio Leone, vamos lá dividir isto em partes.


O BOM (quer dizer, menos mau, pronto!)

O FCP emprestou mais que uma loja de penhores em pleno crash da bolsa. Ficam as pessoas indignadas, porque não pode ser, então afinal não se vende, que pouca vergonha. Dando de barato que muitas das mesmas clamariam que vendemos tudo, é as comissões, estamos em saldos, que pouca vergonha, o que é irritante; eu até acho que se optou por uma boa solução.

Para a questão do fair play financeiro da UEFA, a diferença entre vender agora e vender no dia 30 de junho de 2017 é nenhuma. Zero. Para as contas que o FCP vai apresentar, é perfeitamente indiferente nesta altura. É desonesto que gente que sabe disto bastante melhor do que eu venha agitar esse fantasma. É treta, não liguem. É só uma questão de juntarem um bocadinho de palha à fogueira. 

O problema foi não ter vendido até 30 de junho de 2016. E ainda assim, o que a UEFA fará é manter vigilância sobre as contas, para perceber se o caminho é invertido no próximo exercício. Nesta perspetiva é que entra o lado bom dos empréstimos: 

Em vez de andar a vender uma série de jogadores desvalorizados por três anos de derrotas, culminando no pior de todos, que foi o último, fizemos uns trocos, aliviámos a folha salarial - afinal era importante ou já não interessa para nada? - e damos oportunidade a que a referida mercadoria, salvo seja, volte a valorizar-se. 

O risco é isso não acontecer. Até 30 de junho de 2017. É grande? Sim. Mas ninguém esperaria uma gestão conservadora por parte de uma Direção que viveu sempre no limite do risco. Com bons resultados.


O MAU

Há coisas em que sou pior que uma gaja boa, mas medianamente puritana. Não engulo! Até posso chupar, mas engolir, tá quieto, issékenão!

La atrás, ficou dito, e alguns de vocês já terão reparado, que eu não penso da mesma forma que a maioria em relação à necessidade de o FCP fazer barulho. Já tentei explicar com a metáfora marítima, bem catita por acaso. Mas isto não significa que sejamos uns anormais! Credo, gente.

Se o FCP está interessado num jogador e isso transpira nos media, só temos duas possibilidades: Fechar o negócio ou comunicar que deixámos de estar interessados. Com o incêndio a lamber os muros, não é boa ideia ir atestar o depósito de gasóleo da caldeira. Não é mesmo! Deixar a malta pensar em Mangala é meio atestado de óbito a qualquer Boly. E mais um metro na sepultura de quem manda.

O Boly ficou pior jogador depois disso? Sim, ficou. Mesmo que possa ser trinta vezes melhor que o Mangala. Agora terá que ser trinta e cinco, ter uns tomates do tamanho dos do Silva - um vosso criado - e render alguns cem milhões por um terço do passe. A culpa não é dele.

Ou seja, o FCP fez tudo mal, em termos de comunicação, neste período: Deixou que se soubesse muito, não desmentiu nada, enrolou-se em negócios à vista da populaça e ainda acabou a deixar a sensação de ter sido bastante encavado. E ter gostado. Fraquinho, senhores, fraquinho.

Pode não ter sido nada disto que aconteceu? Pode. Mas ninguém saberá. A menos que nos digam.


O VILÃO

Neste momento, é simples perceber quem é o apontado, está claro. Há uma aura de quase Santidade que o envolve, Senhor Presidente, que leva a que alguns - nem todos, aviso-o, sinceramente - de alguma forma o procurem proteger da sua fúria:

Ah e tal, eu quero que seja o Pintinho, mas tem que varrer aquilo tudo; ah não, eu acho é que o homem já não manda nada, coitado; eu cá acredito piamente que é com estes, só que tinham que ser outros. Pois, pois.

Alguma desta benevolência, mesmo a mais honesta, é insultuosa para um Homem que construiu aquilo que o acusam de estar a destruir. A verdade é que este sentimento de pertencermos a um Grande, a Pinto da Costa o devemos. Sim, fomos Cachalotes pela mão de alguém. Muitos ajudaram, é certo. Mas é uma vergonha assistir hoje à subalternização do mérito do nosso Presidente. Eu saberei pouco da História do FCP, mas reparo o suficiente para saber que Pinto da Costa não é menos relevante que José Maria Pedroto. Ou que quem quer que seja. Ele é a Figura Maior da nossa Invicta História.

O que não o iliba dos disparates que possa cometer. Era o que faltava. Nem sequer aceito que se esgueire à responsabilidade. As vitórias têm como primeiro responsável o Presidente. E as derrotas também! Já disse que tipo de gaja sou: Não engulo, sorry!

O que acontece esta época é que o FCP construiu um plantel teoricamente mais fraco que os seus diretos opositores. Eu não tenho dúvidas quanto a isso. No entanto, não é um plantel fraco, isso não. É bom, mas o dojôtros é, aparentemente, melhor. Nada que seja novo para nós. Puritanas talvez, mas não somos virgenzinhas assustadas, neste campo. 

Estou a lembrar-me de 1991, por exemplo, com CAS a treinador e o fabuloso Kiki no meio campo, a guardar as costas de Domingos e Kostadinov. Contra Paulo Sousa, Rui Costa, Paneira, Thern, Schwarz, Kulkov, Magnusson, Águas e eteceteras. E podia, seguramente, ir buscar uns quantos exemplos mais.

Tínhamos, however, dois reforços inigualáveis em todas as épocas: A Bancada e a Direção.


...

É precisamente no último ponto que reside, quanto a mim, a última possibilidade de sucesso deste ciclo do FCP. Vejamos:

A cadeia alimentar foi atacada, invertida, deturpada. Não somos já o Cachalote imponente que reina sobre os Mares. Outros se apoderaram desse lugar, ao qual, não obstante, cremos ter direito. Pois teremos que o conquistar. Teremos que saber voltar a ser a Orca, a baleia assassina. Caso contrário, pareceremos uma morsa gorda e velhota. E bateremos palmas.

Metáforas à parte, creio que temos que reconhecer que somos os underdogs. Que não somos nós que dominamos. Digamos que já não somos Regime e passámos à Guerrilha.

Só com um excelente treinador, uma verdadeira equipa e umas pinceladas de talento, respaldadas por uma Direção forte, unida, interventiva e muito, mas mesmo muito, atenta, poderá o FCP ganhar a Bancada. Se o fizer, podemos chegar onde quisermos. Enfim, aonde pertencemos.

Em resumo: Este Mercado prova que o domínio está a Sul, o que deve promover uma mudança de postura a Norte. Não para gáudio da populaça, mas por necessidade tática, teremos que nos fazer ouvir muito alto e mais vezes. Deveremos ter a faca nos dentes, sem sermos trauliteiros, e ter uma equipa que dê sangue, suor e lágrimas. 'Safoda, continuemos nos clichés: Assim se escreverá mais um Hino Triunfal.

O que não sabemos ainda é se temos o tal treinador e a dita equipa. Há sinais que considero positivos. Até sou insuspeito porque NES não seria a minha escolha. Mas é o meu treinador, hoje.

Também não sabemos se quem chegou a Rei Absoluto pode voltar a ser o líder dos Plebeus em armas, à volta da Bastilha. Eu teria preferido que nunca tivesse sido necessário descer do Trono, mas agora é. Não nos vamos por a chorar por isso, certo? Nem fazer de conta.

Saberemos isto tudo no final da época 2016/17. E esse é o tempo correto. O tempo em que todos poderão estar certos ou errados. Aposto que serei eu a acertar! Estão convidados.

Desta vez, temos pela frente uma prova de Superação. Já não de Superioridade.

... 

Soundtrack to FCP: Can´t bring us down!