Acreditem que este vai ser um post sério, digno de qualquer blogue de referência. Só que, antes de ser internada compulsivamente numa instituição psiquiátrica, a minha ex-psicóloga disse-me: "Oiça, você deve abraçar a parvoíce e não reprimi-la. Não é como se tivesse muito mais aí dentro". E eu faço questão de seguir ajordens dos médicos. Vai daí, não resisto:
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O Espírito Santo anunciou o nascimento do Menino para Belém. Azar dos azares, deu-se o Dilúvio e não havia estrela que se visse naquele céu carregado. Perdidos de todo na enxurrada, atolados em lama até aojoelhos, os Reis Magos mais pareciam umas baratas tontas. Três deles quase deram com a manjedoura abençoada. Ivan, Tsubasa e Laurent, seguindo o cheiro a palha e bosta de burro e de vaca - e demais animais presepiais - rondaram, mas não entraram.
E no fim, sem Menino, quase perdiam os presentes de mirra e ouro e prata e incenso que traziam. Valeu-lhes a Arca de San Iker...
Um parvo anotou um ponto mais, para a sua contabilidade Ikeriana.
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Do geral e profundo
Prefiro sempre que o FCP esteja em primeiro, com cabazes de pontos de avanço, isso que fique claro. No entanto, o problema, para mim, não são tanto os sete pontos de atraso que nos aprestamos a ter. Porque se forem cinco, ou quatro, nada muda substancialmente na minha análise.
Esse, não é o problema.
Quando dedicadas esposas lampiónicas procuram banir o vermelho das decorações natalícias, por forma a não enxovalharem os seus, já de si deprimidos, azulesbranquiçados mais que tudo ; quando indefectíveis Dragões olham a classificação e acreditam que os lagartos, a cinco pontos que estejam, ainda têm uma palavra a dizer, mas nós, a sete, estamos acabados; quando os meus colegas de trabalho multicolores, em vez de espumarem raiva pelojolhos, me dão solidárias palmadas nas costas; eu pasmo! Porque não estou habituado a esta irrelevância.
Esse é o problema.
Este PCC - Processo de Calimerização em Curso - que se vai instalando, é que é grave. É disto que urge sair tão rapidamente quanto nos for possível. Os golos ajudarão, mas não serão suficientes. Em menos de um fósforo, enquanto o mafarrico esfregava um olho, tornamo-nos nisto? A escorregadela esporádica, toma ares de um trambolhão que nos lixou a cervical. Estamos paralimpicos! E não há noticia de que alguém se tenha safado a um estouro de gnus, ficando muito quietinho enquanto as bestas lhe passavam por cima.
O ano passado vi o Vitória ser campeão. E lembrei-me de todas as vezes que gozei com camaradas: Epá, fomos Campeões sem treinador. Para o ano, vamos tentar sem guarda-redes.
O Vitória prepara-se para fechar a 11ª jornada com sete pontos de avanço sobre mim. Se calhar, nem precisa de guarda-redes. Foda-se, deve estar farto de se rir.
O senhor Presidente do FCP pode mudar isto? Eu acredito que pode. Só não sei se quer. E preciso de saber. Sim, Senhor Presidente?
Ontem ficámos a zero. De novo. Esse, não é o problema.
O treinador foi fiel ao seu sistema (?), foi coerente nas suas escolhas e assertivo na sua abordagem. Não funcionou e ele tratou de mudar, relativamente cedo. Acertou nas substituições; o esforço e solidariedade da equipa foram evidentes. Criaram-se algumas boas chances de ganhar.
Mas parecia - que Diabo, foi só a mim? - que já toda a gente sabia que não ia acontecer. Quando o Otávio picou a bola sobre o defesa e o Depoitre ficou de trombas com a baliza, eu sabia que aconteceria qualquer coisa. Menos ser golo. E ele também!
Esse é o problema.
Sabem bem que eu gostei de Lopetegui - so sue me! I don't give a shit! - e demorei ano e meio a enforcá-lo. Fi-lo porque me pareceu que ficou a pregar sozinho a um conjunto de peixes que já não o ouviam. E ontem, em novembro, à 11ª jornada, tive uma sensação parecida. Até acho que a equipa quer cumprir as ordens do treinador, mas penso que não acreditam puto nelas. Isto é, eles simpatizam com o moço, querem vê-lo satisfeito, mas têm a sensação de que ele não chega lá.
Vejo toda a gente a bater no NES e eu tenho tanta vontade de lhe dar umas estaladas bem assentes. Mas não tenho a certeza se seriam justas. Como com Paulo Fonseca, creio que o Princípio de Peter é a melhor explicação: NES não está a fazer mal. Está a fazer bem. O melhor que pode.
Segundo os especialistas em recursos humanos, o Principio de Peter pode ser resolvido. É preciso provocar um choque no funcionário em questão. De tal forma, que ele como que acorde, saia do seu patamar de (in)competência e se deslargue a correr até conseguir ultrapassar as suas falhas. É um caminho.
Neste caso particular, pouco importa se eu acredito ou não que isso é exequível. O que é verdadeiramente importante, é que aqueles que este funcionário é suposto dirigir acreditem. Creiam que ele superou as suas barreiras. Enfim, que um dia foi Herrera, mas, de repente, ficou bonito.
Pessoalmente, fico surpreendido com a velocidade a que aqui chegámos. E a solução é ser igualmente rápido a daqui sair. O facto é que para não sermos Calimeros, temos que começar, agora!, a ganhar.
Não há outra possibilidade, senão chamar à pedra quem toma as decisões. É a hora do Presidente.
Do meu ponto de vista, está novamente colocado perante três hipóteses:
1) Assume um erro colossal de julgamento, com custos ainda por determinar, e despede o treinador. Desta vez, não pode dar a época por terminada, nem por sombras. Tem pois que escolher um novo líder para a equipa, dotá-lo, se se julgar necessário, das armas adequadas e partir com ele para a batalha.
Tendo a noção muito clara de que é apenas a sua cabeça que estará no cepo. Nenhuma outra. Correndo bem ou mal, no final da época deve devolver aos sócios a palavra. O resultado dependerá, pois claro, dos resultados. Mas é de homem!
2) Declara, mas agora sem margem para entendimentos dúbios, que nada disto é inesperado, porque se trata de uma época de transição. Explicita a totalidade do seu plano e mantém-se fiel a ele. Talvez possamos enquadrar as escolhas de Luis Gonçalves, o protagonismo de João Pinto, a nova direção da nossa Comunicação, em algo mais do que as nossas especulações blogueiras.
Se o fizer, apesar de ser bonito, sentir-me-ei semi-enganado. Porque devia ter sido avisado antes de abril. Ainda assim, mais vale saber-me corno, do que andar a mandar flores a uma gaja que dorme com o vizinho de cima. Poderei decidir se perdoo a indiscrição ou se vou afogar as mágoas em putas e vinho verde. Escolhas esclarecidas.
3) Dá dois berros à equipa e aos adeptos e reafirma o seu apoio incondicional, e fé absoluta, ao treinador. São duas cabeças no cepo. A do técnico rola no fim da época, se os resultados forem maus. A do Presidente rola se os sócios quiserem, quando, na mesma altura, lhes devolver a palavra.
Porque se é para Calimeros que vamos, então que não seja consigo, Senhor Presidente. É deste tamanho todo a minha admiração por si.
Seja qual for a escolha, o responsável máximo será sempre o mesmo. Delegam-se tarefas, controla-se o seu cumprimento, avalia-se a performance dos colaboradores e premeia-se ou pune-se. A responsabilidade permanece sempre. Nunca se delega.
Mas seja qual for a escolha, cá estarei, até ao último suspiro. Sempre que possível - e em algumas impossibilidades também - na minha arquibancada, de pé no hino, coração ao alto, com a pele azul e branca colada ao esqueleto. Porque o FCP nunca caminhará sozinho.
Esse, não é o problema.
@Vassalo: Our time will come. Soon enough! Já estou a poupar para bolas azuis, fitas brancas e gambiarras às listas. Sim, nessas cores! Estamos juntos :)
Na bancada descoberta do Restelo, com vista para o Tejo.
- Oh Pedro, mas que merda de tempo é isto, pá? Não te ponhas fino, não, se queres ver eu a canonizar o Anthímio... - Debaixo do seu oleado imaculadamente branco, a condizer com as barbas e os cabelos, escondidos debaixo do capucho.
- Mas se me arrastou para isto do futebol, que Quer que faça? Tive que deixar um beato a tomar conta, já se sabe que não é a mesma coisa. Estou farto de Lhe dizer que temos falta de pessoal, precisamos de mais Santos.
- Ui, esquece, estamos em contenção. A Santidade anda pela hora da Morte, nem pensar. - Esfrega as mãos para aquecer.
- Pois, mas para o Anthímio já dá... - Leva um calduço.
- Shhh, cala-te, deixa ver a bola. Olha, olha, distrais-me e dá nisto, lá vai o grandalhão isolado para a baliza, raisparta.
- Ops, que foi aquilo, Senhor? Que estranho escorreganço. Parecia o Santo Agostinho a tentar dançar o break dance. - Riem-se com gosto, enquanto batem nas costas um do outro. - Isto, somado à paragem cerebral daquele pequenino, mais ao pé milagreiro a impedir a tolada do Espanhol...huuummm...não sei, não. Tem ar de intervenção Divina, não? - Olha o outro, com ar desconfiado.
- Pois, pois, mistérios. - Ergue as mãos abertas para o Céu, que se derrete em água. - Pumbas, acabou!
Levantam-se ambos, deixando uma mancha seca na bancada, com as formas dos respetivos traseiros. O mais alto cerra um punho na direção do campo:
- Incha, oh Espírito Santo de trazer por casa. O cachopo só nasce quando EU digo! Percebes, oh impostor de meia tigela?
Soundtrack to Mr. NES: No presents for Christmas.
O senhor Presidente do FCP pode mudar isto? Eu acredito que pode. Só não sei se quer. E preciso de saber. Sim, Senhor Presidente?
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Do particular supérfluo
Ontem ficámos a zero. De novo. Esse, não é o problema.
O treinador foi fiel ao seu sistema (?), foi coerente nas suas escolhas e assertivo na sua abordagem. Não funcionou e ele tratou de mudar, relativamente cedo. Acertou nas substituições; o esforço e solidariedade da equipa foram evidentes. Criaram-se algumas boas chances de ganhar.
Mas parecia - que Diabo, foi só a mim? - que já toda a gente sabia que não ia acontecer. Quando o Otávio picou a bola sobre o defesa e o Depoitre ficou de trombas com a baliza, eu sabia que aconteceria qualquer coisa. Menos ser golo. E ele também!
Esse é o problema.
Sabem bem que eu gostei de Lopetegui - so sue me! I don't give a shit! - e demorei ano e meio a enforcá-lo. Fi-lo porque me pareceu que ficou a pregar sozinho a um conjunto de peixes que já não o ouviam. E ontem, em novembro, à 11ª jornada, tive uma sensação parecida. Até acho que a equipa quer cumprir as ordens do treinador, mas penso que não acreditam puto nelas. Isto é, eles simpatizam com o moço, querem vê-lo satisfeito, mas têm a sensação de que ele não chega lá.
Vejo toda a gente a bater no NES e eu tenho tanta vontade de lhe dar umas estaladas bem assentes. Mas não tenho a certeza se seriam justas. Como com Paulo Fonseca, creio que o Princípio de Peter é a melhor explicação: NES não está a fazer mal. Está a fazer bem. O melhor que pode.
Segundo os especialistas em recursos humanos, o Principio de Peter pode ser resolvido. É preciso provocar um choque no funcionário em questão. De tal forma, que ele como que acorde, saia do seu patamar de (in)competência e se deslargue a correr até conseguir ultrapassar as suas falhas. É um caminho.
Neste caso particular, pouco importa se eu acredito ou não que isso é exequível. O que é verdadeiramente importante, é que aqueles que este funcionário é suposto dirigir acreditem. Creiam que ele superou as suas barreiras. Enfim, que um dia foi Herrera, mas, de repente, ficou bonito.
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Do pessoal prospetivo
Pessoalmente, fico surpreendido com a velocidade a que aqui chegámos. E a solução é ser igualmente rápido a daqui sair. O facto é que para não sermos Calimeros, temos que começar, agora!, a ganhar.
Não há outra possibilidade, senão chamar à pedra quem toma as decisões. É a hora do Presidente.
Do meu ponto de vista, está novamente colocado perante três hipóteses:
1) Assume um erro colossal de julgamento, com custos ainda por determinar, e despede o treinador. Desta vez, não pode dar a época por terminada, nem por sombras. Tem pois que escolher um novo líder para a equipa, dotá-lo, se se julgar necessário, das armas adequadas e partir com ele para a batalha.
Tendo a noção muito clara de que é apenas a sua cabeça que estará no cepo. Nenhuma outra. Correndo bem ou mal, no final da época deve devolver aos sócios a palavra. O resultado dependerá, pois claro, dos resultados. Mas é de homem!
2) Declara, mas agora sem margem para entendimentos dúbios, que nada disto é inesperado, porque se trata de uma época de transição. Explicita a totalidade do seu plano e mantém-se fiel a ele. Talvez possamos enquadrar as escolhas de Luis Gonçalves, o protagonismo de João Pinto, a nova direção da nossa Comunicação, em algo mais do que as nossas especulações blogueiras.
Se o fizer, apesar de ser bonito, sentir-me-ei semi-enganado. Porque devia ter sido avisado antes de abril. Ainda assim, mais vale saber-me corno, do que andar a mandar flores a uma gaja que dorme com o vizinho de cima. Poderei decidir se perdoo a indiscrição ou se vou afogar as mágoas em putas e vinho verde. Escolhas esclarecidas.
3) Dá dois berros à equipa e aos adeptos e reafirma o seu apoio incondicional, e fé absoluta, ao treinador. São duas cabeças no cepo. A do técnico rola no fim da época, se os resultados forem maus. A do Presidente rola se os sócios quiserem, quando, na mesma altura, lhes devolver a palavra.
Porque se é para Calimeros que vamos, então que não seja consigo, Senhor Presidente. É deste tamanho todo a minha admiração por si.
Seja qual for a escolha, o responsável máximo será sempre o mesmo. Delegam-se tarefas, controla-se o seu cumprimento, avalia-se a performance dos colaboradores e premeia-se ou pune-se. A responsabilidade permanece sempre. Nunca se delega.
Mas seja qual for a escolha, cá estarei, até ao último suspiro. Sempre que possível - e em algumas impossibilidades também - na minha arquibancada, de pé no hino, coração ao alto, com a pele azul e branca colada ao esqueleto. Porque o FCP nunca caminhará sozinho.
Esse, não é o problema.
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Interlúdio para private messaging
@Vassalo: Our time will come. Soon enough! Já estou a poupar para bolas azuis, fitas brancas e gambiarras às listas. Sim, nessas cores! Estamos juntos :)
@Lápis: Foda-se pá, e se isto é o FootballWorld ? E nós somos meros anfitriões? E é o Orelhas que está a pagar as férias? Vou cortar os pulsos...
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Na bancada descoberta do Restelo, com vista para o Tejo.
- Oh Pedro, mas que merda de tempo é isto, pá? Não te ponhas fino, não, se queres ver eu a canonizar o Anthímio... - Debaixo do seu oleado imaculadamente branco, a condizer com as barbas e os cabelos, escondidos debaixo do capucho.
- Mas se me arrastou para isto do futebol, que Quer que faça? Tive que deixar um beato a tomar conta, já se sabe que não é a mesma coisa. Estou farto de Lhe dizer que temos falta de pessoal, precisamos de mais Santos.
- Ui, esquece, estamos em contenção. A Santidade anda pela hora da Morte, nem pensar. - Esfrega as mãos para aquecer.
- Pois, mas para o Anthímio já dá... - Leva um calduço.
- Shhh, cala-te, deixa ver a bola. Olha, olha, distrais-me e dá nisto, lá vai o grandalhão isolado para a baliza, raisparta.
- Ops, que foi aquilo, Senhor? Que estranho escorreganço. Parecia o Santo Agostinho a tentar dançar o break dance. - Riem-se com gosto, enquanto batem nas costas um do outro. - Isto, somado à paragem cerebral daquele pequenino, mais ao pé milagreiro a impedir a tolada do Espanhol...huuummm...não sei, não. Tem ar de intervenção Divina, não? - Olha o outro, com ar desconfiado.
- Pois, pois, mistérios. - Ergue as mãos abertas para o Céu, que se derrete em água. - Pumbas, acabou!
Levantam-se ambos, deixando uma mancha seca na bancada, com as formas dos respetivos traseiros. O mais alto cerra um punho na direção do campo:
- Incha, oh Espírito Santo de trazer por casa. O cachopo só nasce quando EU digo! Percebes, oh impostor de meia tigela?
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Soundtrack to Mr. NES: No presents for Christmas.








