sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A odisseia de Astérix


Ufa, foi o cabo dos trabalhos, mas está feito. Oitavos de final da Champions, aqui vamos nós. E vamos cheios de mérito, depois de termos ultrapassado adversários e dúvidas. Enfim, depois de ganharmos, sobretudo, a nós próprios.



Então, antes de tudo, tivemos que colocar o Império em sentido, vergando aquele que terá sido o mais forte adversário que encontrámos na competição. Já se sabe que houve factores que nos ajudaram, a começar pela estupidez natural de uns quantos Romanos que se fizeram expulsar. E nós com isso? Fizemos a nossa parte e, para a posteridade, fica um score de quatradois. Depois de um comprometedor empate a um no Dragão. Roma borda fora. Siga!




O Grupo que nos tocou não era apenas relativamente fácil - era sim! - mas igualmente talhado à nossa pele de resistentes, ainda e sempre, ao todo poderoso centralismo Imperial. Por cada adversário, mais uma história genial dos senhores Goscinny e Uderzo.


A coisa tinha tudo para começar bem. Mas acabámos tolhidos por um estranho temor a uns Dinamarquecos altos e fortes. Porque estranhas razões ainda estamos para perceber, a verdade é que nem um joguinho ganhámos aos Normandos. E lá seguem eles para a Liga Europa, sem saberem muito bem o que é ter medo. O único vislumbre disso que tiveram, foi a nossa segunda parte em Copenhaga. Muito competente, muito ineficaz.






A coisa só se compôs à conta de uns Belgas simpáticos. Aliás, tudo o que fizeram foi espalhar simpatia por todo o lado, perdendo de formas e feitios variados. Mas perdendo sempre. Ainda assim, para a nossa história desta época, ficará um penalty, já nos descontos que nos manteve nesta luta. Marcado pelo nosso Astérix, na frieza dos seus vinte anos. Que craque! 







A única derrota, registámo-la na Bretanha. Ainda assim, injusta. Da desforra estarão todos bem lembrados. E os que não estiverem, podem dar uma voltinha pelos tascos listados aqui ao lado - em "Bons Vinhos e Petiscos" - e já ficam a saber tudo o que aconteceu. Digo-vos apenas que não foi muito, foi apenas a demonstração cabal da diferença que existe entre nós e os outros. Numa palavra, CINCAZERIX. Foda-se!

Vamos em frente, sem medo de quem se atravessar. Não sei porquê, mas tenho a sensação que voltaremos a Albion. Just a feeling, dear.


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Duas notas apenas acerca do jogo de anteontem, porque não as encontrei plasmadas em nenhuma das crónicas que fui lendo.

1) Os jogadores que, supostamente, o Lester, Laister, Coiso, deixou em casa a beber chá, até podiam ter elevado o nível da equipa. Mas creio que não o suficiente para colocar em causa a nossa superioridade. Sobretudo, creio que não mudariam um aspeto essencial: A intensidade.

Se uma equipa como esta deixa o jogo correr na intensidade em que estes deixaram, levando a decisão para o plano técnico, está mesmo a pedir para ser valentemente encavada. E foi. Cinco vezes!

Fomos competentes, finalmente eficazes e não passámos com oito pontos, à conta de uma derrota do adversário direto. E garanto que o Loster, Lexer, Coiso, que jogou no Dragão é melhor que o Légia. Aqueles que mandaram a calimeragem para a Taça CTT.

2) O segundo golo do FCP é do NES: Bola parada a propósito já não sei de quê. NES chama Danilo, conversam junto à linha. Danilo volta e manda Marcano ficar no meio, no lugar onde ele próprio costuma encaixar entre os centrais. A nossa saída de bola é de Marcano para Danilo. Em vez do passe de volta, ou para o lateral uns metros à frente, que Marcano costuma fazer, Danilo ganha metros com bola. Telles adianta-se. Na esquerda do nosso ataque, concentram-se Telles, Brahimi, Oliver e Danilo. Cria-se uma oportunidade de golo, das poucas que falhámos. Da sequência do lance, Telles ganha a linha de fundo, cruza e Corona levanta o estádio. 

Pode ter sido coincidência? Pode, até porque não voltou a acontecer. Para mim, foi dedo de treinador. E fico contente que seja. Mesmo.

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Três vitórias, três, e estaremos lançados para uma época em cheio. Menos na Taça de Portugal. Há sinais claros de crescimento da equipa, mas carecem da confirmação dos resultados. Mais que tudo, é agora que poderemos avaliar se temos estofo. E sem estofo, não há Campeão. 

Tendo em conta que destes três jogos, o mais difícil, em teoria, é o de Santa Maria da Feira, parece claro que temos tudo nas mãos. A equipa e o treinador de quarta-feira não os deixarão fugir. Com a confiança em alta e os pés colados à relva. Keep calm, do not embadeirate in arch!

Quinzazero, está claro! 

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Soundtrack to Champions: London is calling...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O antiblogue e gajas altas



A propósito do número de comentários em determinados posts, ele disse-me: Sabes o que isso quer dizer? Quer dizer que os teus textos são uma seca!

E eu pensei: Foda-se, aqui está um gajo lúcido. Não "ouvia" nada tão acertado desde que publiquei um comentário - precisamente - assim: Isto é escrito a partir de um manicómio?

Um blogue deve ter um tema claro. De modo a que a pessoa o visite em busca de informação, ou opinião, acerca desse assunto. Este não tem.

Os posts querem-se maijómenos curtos e focados. Sobretudo, é importante que sejam facilmente compreensíveis, sem grandes divagações, nem muito espaço para interpretações dúbias. Exatamente o que acontece por aqui, majaocontrário.

As redes sociais desempenham um papel importante, enquanto geradoras de tráfego e promotoras da discussão sobre cada entrada do blogue. Este não existe para além de si próprio.

Ou seja, a Tasca é o verdadeiro manual do que não fazer a um blogue. É o antiblogue. Oh yeah!

Lanço-me o desafio: Conseguiria fazer um post blogueiro? Já veremos.

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O FCP ganhou. O mau disto é que é notícia. Mas ganhou bem e muito merecidamente, num ambiente de grande empatia entre adeptos e equipa. Porque ganhou, está claro. Caso contrário, seriam mosquitos por cordas.

Para ganhar, foi muito diferente do que vinha sendo? Não, para começar.

Dominou desde o início, revelando a solidez e os problemas habituais. E, como habitualmente, poderia ter ido para intervalo confortavelmente instalado na frente do marcador. Jota, Oliver, Silva, um poste e a vaca do guarda-redes adversário, impediram que acontecesse.

Os Super Dragões tiveram que desatar a rebentar petardos (30 vezes Parabéns, rapazes) pela meia hora, para garantir que Iker não adormecia. É que estava a ressonar alto.

- Eeeeeeh, lá vai ele! Olha o tema, olha o foco, olha o número de caracteres, olha a paciência das pessoas.

Pois, sorry. Na segunda parte, não foi bem o mesmo que temos visto. Porque eles tinham 10, mas sobretudo porque nós tivemos Brahimi. Que não deslumbrou.

Só que Brahimi oferece uma alternativa, que foi bem aproveitada. Quando lemos em todos os blogues - ojasério - que tentámos tudo, pelas alas e pelo meio, é verdade. E não é comum. 

Tínhamos alas para tentar. Duas. Com o adversário com 10, pudemos igualmente manter os números no meio: Dois avançados e dois médios centro.

Podíamos ter feito o mesmo com Varela, certo? Errado. 

Ouviram o Presidente dizer que mantivemos a bola no chão e não recorremos ao chuveirinho? E assim chegámos a uma decisiva vitória? É que foi mesmo como ele disse. Porque circulámos e recirculámos, suportados na omnipresença de Danilo e na classe de Oliver - depois Herrera. Sem falhar passes e com mais chegada à área - para deixar Brahimi em 1x1 com o lateral. Ou Corona e Maxi em igualdade no outro flanco. Majojolhos da equipa procuraram sempre, e em primeiro, o Argelino. E houve 52 minutos de perigo constante.

Até ganharmos numa jogada que não teve nada a ver com isto. Foi mera liberdade atacante de Jota, uma ilha num mar vermelho, com a bola a pinchar e a fugir-lhe. O resto já todos vimos uma centena de vezes. E creiam, não é surpreendente. Apenas Rui a fazer o que Rui faz. Nem foi dos mais complicados.

Depois dos abraços ao senhor Fernando Pinto - muito obrigado pela agradável, ainda que esporádica, companhia - e das caralhadas...

- Eeeeeeeh, palavrões é que se dispensam, meu menino.

                               ...aos minhotos, mesmo por cima da minha bancada de ocasião, dei comigo a pensar: Circula até  ao Brahimi, falha golo, circula pelo outro lado, falha golo, circula de volta a Brahimi, começa do princípio. E o Braga, treinado pelo nosso anterior técnico, enfiado na área, a segurar um zero que lhe cai do céu a cada ataque. Onde é que eu já vi isto?

- Eeeeeeh, deixa lá os mortos, pá! Não é bonito estares a provocar a freguesia. 

Eu devia pensar em vocês, mas prefiro antes dizer o que me vem à tola. Aquela segunda parte, elogiada por todos, foi à Lopetegui. 

Mas a vitória, essa é inteirinha de NES. Primeiro, porque foi a liberdade - que vários jogadores já referiram - que proporcionou o lance da vitória. Algo que estaria no plano do sacrilégio para o Basco. Depois, E MAIS QUE TUDO, porque a equipa está com ele. Sem margem para dúvidas. O empenho, a garra, o sacrifício, mais que os festejos, provam à saciedade que o exército segue o General designado. Curvo-me humildemente: É seu o momento, senhor Santo.

- Eeeeeh, deixa-te lá de liberdades poéticas e trata de acabar isto, que já vai demasiado longo. Para variar.

Ninguém peça a cabeça de um líder que é seguido. Ninguém. Eu não.

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Pois, devia ter sido mais curto. De resto, acho que cumpre. Nem falei da Áustria - incha, Nazi de um cabrão - nem da Itália - calma, é sempre assim com estes malucos - nem do que acho de gajajaltas.

- Eeeeeh, nada de misturar... Hã, gajas altas? Diz lá, diz lá.

Acho que ficam catitas no título. Incha!

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Acho, igualmente, que o trecho anterior foi a parte deste texto em que mais me diverti. E, sinceramente, estou muito mais interessado no que isto tem de divertido e catártico para mim, do que naquilo que V.Exas. pensam. Com todo o respeito, está claro.

Não volta a acontecer.

- És um caso perdido! Credo, ca burro!

sábado, 3 de dezembro de 2016

Resumo da semana: Reunião (com Posfácio pela Pátria)



A reunião é, seguramente, uma das mais importantes, e decisivas, instituições Portuguesas. Serve para tudo e mais dois vinténs. 

Quando não se faz ideia de como resolver um problema, pois marca-se uma reunião. Alguma coisa se há-de arranjar. Para que não se note que se andou a coçar o tomatal em vez de trabalhar, nada como arranjar uma reuniãozinha de progresso. Levam-se uns gráficos muito catitas, sacados da internet, e elenca-se um rol de motivos pelos quais seria impossível ter feito alguma coisa que se visse. Epá, mas há gráficos, está tudo bem. 

Temos sempre a fantástica reunião à mesa. À mesa é que se fazem bons negócios. E comem-se umas tripas bem boas. Melhor que comê-las no chão. A quantidade de coisas que se podem fazer à mesa. Eu era moço para não recusar comer umas tipas à mesa. Tripas, digo. Porra.

Basicamente, a reunião tuga serve para tratar de assuntos que ou não estão tratados de todo - e não vão estar, porque ninguém faz puto de ideia de quais sejam - ou podiam ter sido resolvidos por e-mail. Ou então, tendo feito qualquer coisa para os resolver. Cruz, credo, isso ainda ia dar algum trabalho. É melhor nomear uma Comissão para estudar os procedimentos. 

O facto é que olho para o País e fico mesmo com a sensação que tudo se decide em reuniões que não era preciso ter. Quero dizer, vai-se decidindo. Um bocadinho à sorte...

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Reunião da Assembleia Municipal

- Tem a palavra o Exmo. Senhor Presidente do Executivo.

- Obrigadinho, Pascoal. Olha, já que aqui estamos, não te esqueças que a tua madrinha fajanos prá semana. Sabes que ela leva essas coisas a peito.

- Não esqueço não, padrinho. Fique descansado.

- Opá, digam lá que não é uma jóia de moço, raisparta. Ora bem, cambada, vamoláver, o anterior Executivo portou-se lindamente e isto está melhorzinho. O que quer dizer que temos guita para torrar. - Ecoam palmas no Salão Nobre. O Senhor Presidente acena que sim e aguarda que se faça silêncio. Prossegue. - Assim sendo, temos que decidir como é que vamos gastar isto, antes que venha alguém pedir emprestado. As opções propostas pelo Executivo são:

a) Melhoramentos nas Escolas do Concelho.
b) Arranjar as buraqueiras dos arruamentos.
c) Tostar tudo em lâmpadajáscores.

- Tem a palavra o senhor líder da oposição.

- Somos contra!

- Hã? Contra o quê?

- Tudo. Uma vez que este Executivo é composto por uma cambada de asnos embriagados, seja o que for que proponham, é conversa de burro bêbado.

- Temos um empate. Tem a palavra o senhor vereador independente. A ver se se despacha, que são quase horas de jantar.

- Bem, eu tenho um cunhado que é sócio numa companhia de iluminação... - Levanta-se o Presidente, de um salto. Diz, enquanto bate as palmas:

- Ora, ora, está decidido, caro senhor vereador independente. Vai ser o Natal mais colorido de sempre.

Um munícipe grita lá do fundo:

- É estúpido! - E bate com a mão na testa enquanto abana a cabeça.

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Reunião para admissão em Belas Artes

- Pois bem, falta apenas analisarmos o portefólio do petiz. Em termos de discurso, a coisa parece um pedacinho empinada de uns manuais de auto-ajuda, mas isso é o menos. Afinal, isto é Belas Artes, não é Arte Dramática. - Dá um risinho. - Os antecedentes são bons. Nota-se logo que não se trata de um estranho à casa. Pois não, rapaz? - Agarra-lhe o ombro. - Deixa lá ver esses trabalhos.

- Aqui tem, Senhor Diretor. - A mãe, tensa, pousa o calhamaço na secretária de mogno. O Diretor desfolha, com ojóculos na ponta do nariz e rugas na testa. Concluí rapidamente e fecha o dossier com cuidado. Tira ojóculos e fita a família ansiosa.

- Ora, como dizer? - Segura a camurça entre o médio e o polegar e vai limpando as lentes, distraído. - Deixa lá ver...errr...é maijómenos...maijómenos fraco, pronto...errr...é fraco, é. Bem, a verdade é que é mau. Digamos que, em termos técnicos, o moço não tem jeitinho nenhum para o desenho. Aliás, ao pé dos gatafunhos do meu mai'novo, isto mete dó. - Tira a carteira do bolso de dentro do casaco. Mostra à sua plateia. - Oh ele aqui. Não é uma fofura? E é grandalhão para trêjanos, não acham?

- Mas, senhor Diretor, não vê mesmo nenhuma possibilidade? Isto do desenho e dos quadros e assim, sempre foi o grande sonho do cachopo... - Limpa uma lágrima com o seu lencinho de renda.

- Pois, não estou a ver, não. - Pensativo. - Olha, e se fosse para treinador da bola? Diz que aquilo também mete muita arte.

Um labrego grita do pátio:

- Ah pois mete! O grande mestre sempre dissera que mete.

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Reunião do Conselho de Administração

- Era o que mais faltava! Majalguém tem que saber quantojiates tenho? A que propósito?

- Mas Senhor Presidente, se não entregarmos a declaração, parece que queremos esconder alguma coisa, não acha?

- E não queremos? Dass, tásmalókókê? Se desato a pagar ojimpostos todos, maijojatrasados, nunca mais compro uma ilha. Nananana, comigo não contam para este tipo de situação. Pá, liga aí ao Toino. Ele até ia alterar a lei e tudo, para não termos estas maçadas.

- Não atende, Senhor Presidente.

- Como não atende? Ligaste do meu número pessoal?

- Pois claro, Senhor Presidente. A senhora diz: "O numero para o qual ligou, só tem voicemail ativo para a Cata e o Jéjé. O resto, tente mais tarde". E depois ri-se de uma forma que eu acho que é sarcástica. Não sei, parece-me... - O outro interrompe, exasperado:

- Oh Domingues, quero lá saber disso. A única coisa que se aproveita em ti, rapaz, é o nome, Deus me valha.

- Sim, padrinho. - Com a cabeça baixa.

- Bem, assim sendo, eu cá vou indo. Maijalguém vem?

- Eu não. Que me faz jeito o vencimento, padrinho.

Uma Mariana grita do elevador:

Já vais tarde, oh palhaço.

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Reunião do Governo

- Opá, oh Mário, para de te rir, foda-se. É que me enervas com esse riso aparvalhado. Oh Van Dunem, vai lá buscar uns cafézitos, se não te importas. Não querendo fazer de ti minha...ops...my bad, desculpa, não estava a pensar. Vai antes o Silva, que assim cumássim é nome de tasqueiro. - Riem-se. Menos o Silva, que se levanta e sai da sala.

- Poijé, meu Primeiro, o gajo diz que não está para aturar isto. Acho que não o conseguimos demover.

- Nem convém nada! 'Xá-lo ir. A Catarina e a Mariana já andam meio enroladas com o outro panasca à conta desta coisada. - A Van Dunem pergunta, do seu canto da mesa:

- Majelas não eram...errrr...bastante amigas umas dajôtras e assim?

- Epá, que preconceito! Acho mal esse tipo de postura perante as minorias. - O Ministro do Trabalho apoia:

- Pois claro, apoiado. Qualquer dia também desancam nos zarolhos. Acho mal, está claro que acho mal.

- Pfff, as minorias, blablabla, tretas. - Insiste a Van Dunem.

- Isso não te fica bem, Francisca. Bem, adiante. E agora, o que fazemos Mário? - O outro ri-se. O Primeiro explode. - Opá, fuuuooooda-se, já não aguento. Não sei quem me fazes lembrar. Bem, caguei, chamem um gajo qualquer. De preferência, de uma minoria. Acho que a Catarina ia ficar contente.

- Pode ser da minoria de malta que tem a boca numa bochecha?

- Pode. Em entregando a puta da declaração, pode ser um qualquer. 

- Estou, Paulo?

Um Secretário de Estado grita do gabinete:

- Queriam bons tachos? Estudassem!

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Daqui a umas horas, conto reunir-me com os do costume, no Dragão. E quando sair de lá, espero ter no papo metade do trabalho de reabilitação do Presidente e o do treinador feito. A outra metade fica para dia sete.

Está percebido, menino Nuno? Ou queres que te faça um desenho?

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Soundtrack to meetings: It feels so empty without me 

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Posfácio pela Pátria: 

1. Não somos apenas nós, be happy. É geral! 

2. Podemos não entender como - os políticos não devem ter culpa nenhuma - mas, pelos vistos, a geringonça anda. Podia ser por melhores motivos e de forma mais sustentável? Sim! Mas perguntem lá a um Portista, hoje, se desdenha de um golo em fora-de-jogo, para lá da hora, marcado com a mão? Eu não!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Silva on acid

É aqui, pá. Parece que aperta...

Um amigo disse-me há uns dias: Epá, tu não és otimista. Tu tomas ácido! Não vou revelar o nome dele - o apelido começa por V e acaba em O, com assal pelo meio - mas vê-se logo que é um tipo basto exagerado. Sou uma pessoa muito ponderada e racional. E bonito, essa é que é essa. Só não sei se sou charmoso, mas estou para tirar isso a limpo.

Isto a propósito de mais uma jogatana do nosso FCP. Este "nosso" é cada vez mais genérico, pois estamos mesmo à beirinha de ser fofos como um gatinho bebé abandonado. Toda a gente gosta de nós, por compaixão. Oh paaaaaaaiiiii, vamos levá-lo para casa. E abandoná-lo num pinhal quando vierem as férias. Pode ser no de Coina, para fazer companhia às senhoras. Afinal, os gatos safam-se bem sozinhos e, parecendo que não, adaptam-se muito bem a Coina, ou Raita, ou lá onde é aquilo.

- Pá, foda-se! Vais chegar a algum sitio? Se vais continuar a verbalizar a cacofonia dessa mente distorcida, avisa. Para ir tomar um alprazolam.

Ah, pois, a bola. Então, tenho grandes novidades, e bastante positivas, para vos contar, acerca do FCP x Pasteis de Belém de ontem:

1) O Inácio Sandro tem pinta; o Brahimi tem vontade; o André recuperou alguma força; o Ruben tem um tornozelo de adamantium; o Varela adapta-se tão bem a lateral como a extremo; o Teixeira tem bom toque de bola; o Depoitre é bastante grande; o Adrián tem duas pernas; o Rui Pedro estreou-se.

2) As nossas segundas linhas estão perfeitamente aptas a substituir as escolhas principais, sem se notar alteração de rendimento. Ainda mais espetacular, demonstram quase o mesmo nível de entrosamento da equipa habitual. Não digam que não há aqui dedo do treinador.

3) As bolas paradas evoluíram notoriamente. De nada, já passámos a quase. Quase que o Belga marcava, quase que o árbitro não palmava um golo limpo.

4) Abrimos a nossa participação na Taça do Selo bem melhor do que na época passada. Este ano não escapa, caraças!

5) Todos os que se queixavam de altos e baixos no nosso percurso, desde Lopetegui, ficaram, finalmente, descansados. Maior previsibilidade do que zerazero é difícil. 

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Depois de ter prometido que acampava no Dragão até NES se demitir, se jogassem os de sempre, devo dizer - e agora num tom sério - que, nesse aspeto, o treinador está de parabéns. Na minha opinião, pois claro.

Apesar do momento conturbado para a equipa e, ainda mais, para si próprio, NES não sucumbiu à tentação de massacrar um pouco mais os habituais titulares. 

Expôs-se à crítica da treta da mudança exagerada; arriscou o mau resultado que o deixaria - e deixou! - em piores lençóis; e procurou sangue novo. Se procura mesmo ou se é só a fazer de conta, não sei, nem agora mimporta.

O facto é que acho que esta alteração radical era essencial nesta altura, para evitar o desgaste que já se vai notando. No fim do dia, há duas finais à vista e é bom que estejam todos tão fresquinhos quanto possível. 

Os próximos dois jogos decidem muito - tudo? - do que será a nossa época. E do local de trabalho de NES até maio. Também é certo que, ganhando ontem, nada se alteraria. Exceto, talvez, o grau de irritação dos adeptos. E a quantidade de ácido que eu tenho que tomar. 

Olha, lá vai outra Popota psicadélica, vestida de canguru, a correr pelo arco-íris. Cuidado com o buraco negro, Popota! Ah, não, era um close up da Erica Fontes, ufa. São tão kiduchos os hipopótamos cor de rosa, não são?

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Duas vitórias, nada menos. É o mínimo exigível para que as coisas fiquem maijómenos. Perder pontos no campeonato ou perder a Champions, torna a situação insustentável. Mesmo com ácido.

Pelo sim pelo não, espero que o Zé diga à sua defesa o mesmo que dizia ao Helton e ao Marcano e ao Chidozie e ao Danilo, há poucos meses.

E um autogolo ou dois também não faziam mal nenhum, tájóbir André Pinto?

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Soundtrack to Mr. Silva: Not that obvious...

domingo, 27 de novembro de 2016

Esse, não é o problema



Acreditem que este vai ser um post sério, digno de qualquer blogue de referência. Só que, antes de ser internada compulsivamente numa instituição psiquiátrica, a minha ex-psicóloga disse-me: "Oiça, você deve abraçar a parvoíce e não reprimi-la. Não é como se tivesse muito mais aí dentro". E eu faço questão de seguir ajordens dos médicos. Vai daí, não resisto:


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O Espírito Santo anunciou o nascimento do Menino para Belém. Azar dos azares, deu-se o Dilúvio e não havia estrela que se visse naquele céu carregado. Perdidos de todo na enxurrada, atolados em lama até aojoelhos, os Reis Magos mais pareciam umas baratas tontas. Três deles quase deram com a manjedoura abençoada. Ivan, Tsubasa e Laurent, seguindo o cheiro a palha e bosta de burro e de vaca - e demais animais presepiais - rondaram, mas não entraram.

E no fim, sem Menino, quase perdiam os presentes de mirra e ouro e prata e incenso que traziam. Valeu-lhes a Arca de San Iker...

Um parvo anotou um ponto mais, para a sua contabilidade Ikeriana.


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Do geral e profundo

Prefiro sempre que o FCP esteja em primeiro, com cabazes de pontos de avanço, isso que fique claro. No entanto, o problema, para mim, não são tanto os sete pontos de atraso que nos aprestamos a ter. Porque se forem cinco, ou quatro, nada muda substancialmente na minha análise.

Esse, não é o problema.

Quando dedicadas esposas lampiónicas procuram banir o vermelho das decorações natalícias, por forma a não enxovalharem os seus, já de si deprimidos, azulesbranquiçados mais que tudo ; quando indefectíveis Dragões olham a classificação e acreditam que os lagartos, a cinco pontos que estejam, ainda têm uma palavra a dizer, mas nós, a sete, estamos acabados; quando os meus colegas de trabalho multicolores, em vez de espumarem raiva pelojolhos, me dão solidárias palmadas nas costas; eu pasmo! Porque não estou habituado a esta irrelevância.

Esse é o problema.

Este PCC - Processo de Calimerização em Curso - que se vai instalando, é que é grave. É disto que urge sair tão rapidamente quanto nos for possível. Os golos ajudarão, mas não serão suficientes. Em menos de um fósforo, enquanto o mafarrico esfregava um olho, tornamo-nos nisto? A escorregadela esporádica, toma ares de um trambolhão que nos lixou a cervical. Estamos paralimpicos! E não há noticia de que alguém se tenha safado a um estouro de gnus, ficando muito quietinho enquanto as bestas lhe passavam por cima.

O ano passado vi o Vitória ser campeão. E lembrei-me de todas as vezes que gozei com camaradas: Epá, fomos Campeões sem treinador. Para o ano, vamos tentar sem guarda-redes. 

O Vitória prepara-se para fechar a 11ª jornada com sete pontos de avanço sobre mim. Se calhar, nem precisa de guarda-redes. Foda-se, deve estar farto de se rir.

O senhor Presidente do FCP pode mudar isto? Eu acredito que pode. Só não sei se quer. E preciso de saber. Sim, Senhor Presidente? 


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Do particular supérfluo

Ontem ficámos a zero. De novo. Esse, não é o problema.

O treinador foi fiel ao seu sistema (?), foi coerente nas suas escolhas e assertivo na sua abordagem. Não funcionou e ele tratou de mudar, relativamente cedo. Acertou nas substituições; o esforço e solidariedade da equipa foram evidentes. Criaram-se algumas boas chances de ganhar. 

Mas parecia - que Diabo, foi só a mim? - que já toda a gente sabia que não ia acontecer. Quando o Otávio picou a bola sobre o defesa e o Depoitre ficou de trombas com a baliza, eu sabia que aconteceria qualquer coisa. Menos ser golo. E ele também!

Esse é o problema.

Sabem bem que eu gostei de Lopetegui - so sue me! I don't give a shit! - e demorei ano e meio a enforcá-lo. Fi-lo porque me pareceu que ficou a pregar sozinho a um conjunto de peixes que já não o ouviam. E ontem, em novembro, à 11ª jornada, tive uma sensação parecida. Até acho que a equipa quer cumprir as ordens do treinador, mas penso que não acreditam puto nelas. Isto é, eles simpatizam com o moço, querem vê-lo satisfeito, mas têm a sensação de que ele não chega lá.

Vejo toda a gente a bater no NES e eu tenho tanta vontade de lhe dar umas estaladas bem assentes. Mas não tenho a certeza se seriam justas. Como com Paulo Fonseca, creio que o Princípio de Peter é a melhor explicação: NES não está a fazer mal. Está a fazer bem. O melhor que pode.

Segundo os especialistas em recursos humanos, o Principio de Peter pode ser resolvido. É preciso provocar um choque no funcionário em questão. De tal forma, que ele como que acorde, saia do seu patamar de (in)competência e se deslargue a correr até conseguir ultrapassar as suas falhas. É um caminho. 

Neste caso particular, pouco importa se eu acredito ou não que isso é exequível. O que é verdadeiramente importante, é que aqueles que este funcionário é suposto dirigir acreditem. Creiam que ele superou as suas barreiras. Enfim, que um dia foi Herrera, mas, de repente, ficou bonito. 


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Do pessoal prospetivo

Pessoalmente, fico surpreendido com a velocidade a que aqui chegámos. E a solução é ser igualmente rápido a daqui sair. O facto é que para não sermos Calimeros, temos que começar, agora!, a ganhar.

Não há outra possibilidade, senão chamar à pedra quem toma as decisões. É a hora do Presidente.

Do meu ponto de vista, está novamente colocado perante três hipóteses:

1) Assume um erro colossal de julgamento, com custos ainda por determinar, e despede o treinador. Desta vez, não pode dar a época por terminada, nem por sombras. Tem pois que escolher um novo líder para a equipa, dotá-lo, se se julgar necessário, das armas adequadas e partir com ele para a batalha. 

Tendo a noção muito clara de que é apenas a sua cabeça que estará no cepo. Nenhuma outra. Correndo bem ou mal, no final da época deve devolver aos sócios a palavra. O resultado dependerá, pois claro, dos resultados. Mas é de homem!

2) Declara, mas agora sem margem para entendimentos dúbios, que nada disto é inesperado, porque se trata de uma época de transição. Explicita a totalidade do seu plano e mantém-se fiel a ele. Talvez possamos enquadrar as escolhas de Luis Gonçalves, o protagonismo de João Pinto, a nova direção da nossa Comunicação, em algo mais do que as nossas especulações blogueiras.

Se o fizer, apesar de ser bonito, sentir-me-ei semi-enganado. Porque devia ter sido avisado antes de abril. Ainda assim, mais vale saber-me corno, do que andar a mandar flores a uma gaja que dorme com o vizinho de cima. Poderei decidir se perdoo a indiscrição ou se vou afogar as mágoas em putas e vinho verde. Escolhas esclarecidas.

3) Dá dois berros à equipa e aos adeptos e reafirma o seu apoio incondicional, e fé absoluta, ao treinador. São duas cabeças no cepo. A do técnico rola no fim da época, se os resultados forem maus. A do Presidente rola se os sócios quiserem, quando, na mesma altura, lhes devolver a palavra.

Porque se é para Calimeros que vamos, então que não seja consigo, Senhor Presidente. É deste tamanho todo a minha admiração por si.

Seja qual for a escolha, o responsável máximo será sempre o mesmo. Delegam-se tarefas, controla-se o seu cumprimento, avalia-se a performance dos colaboradores e premeia-se ou pune-se. A responsabilidade permanece sempre. Nunca se delega.

Mas seja qual for a escolha, cá estarei, até ao último suspiro. Sempre que possível - e em algumas impossibilidades também  - na minha arquibancada, de pé no hino, coração ao alto, com a pele azul e branca colada ao esqueleto. Porque o FCP nunca caminhará sozinho.

Esse, não é o problema.


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Interlúdio para private messaging

@Vassalo: Our time will come. Soon enough! Já estou a poupar para bolas azuis, fitas brancas e gambiarras às listas. Sim, nessas cores! Estamos juntos :)


@Lápis: Foda-se pá, e se isto é o FootballWorld ? E nós somos meros anfitriões? E é o Orelhas que está a pagar as férias? Vou cortar os pulsos...

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Na bancada descoberta do Restelo, com vista para o Tejo.

- Oh Pedro, mas que merda de tempo é isto, pá? Não te ponhas fino, não, se queres ver eu a canonizar o Anthímio... - Debaixo do seu oleado imaculadamente branco, a condizer com as barbas e os cabelos, escondidos debaixo do capucho.

- Mas se me arrastou para isto do futebol, que Quer que faça? Tive que deixar um beato a tomar conta, já se sabe que não é a mesma coisa. Estou farto de Lhe dizer que temos falta de pessoal, precisamos de mais Santos.

- Ui, esquece, estamos em contenção. A Santidade anda pela hora da Morte, nem pensar. - Esfrega as mãos para aquecer.

- Pois, mas para o Anthímio já dá... - Leva um calduço.

- Shhh, cala-te, deixa ver a bola. Olha, olha, distrais-me e dá nisto, lá vai o grandalhão isolado para a baliza, raisparta. 

- Ops, que foi aquilo, Senhor? Que estranho escorreganço. Parecia o Santo Agostinho a tentar dançar o break dance. - Riem-se com gosto, enquanto batem nas costas um do outro. - Isto, somado à paragem cerebral daquele pequenino, mais ao pé milagreiro a impedir a tolada do Espanhol...huuummm...não sei, não. Tem ar de intervenção Divina, não? - Olha o outro, com ar desconfiado.

- Pois, pois, mistérios. - Ergue as mãos abertas para o Céu, que se derrete em água. - Pumbas, acabou!

Levantam-se ambos, deixando uma mancha seca na bancada, com as formas dos respetivos traseiros. O mais alto cerra um punho na direção do campo:

- Incha, oh Espírito Santo de trazer por casa. O cachopo só nasce quando EU digo! Percebes, oh impostor de meia tigela?


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Soundtrack to Mr. NES: No presents for Christmas.

sábado, 26 de novembro de 2016

Broken



Olá, sou eu. Como estamos hoje, meu Amor?

Nós por cá, vamos indo. Como os coxos, sabes? Eles também vão, só que menos ligeiros. E chegam, como os outros, mas mancando.

Não sei pá, estamos assim como que partidos. Todos muito juntinhos, colados unjaojôtros, nem se nota muito, vistos de fora. Parece que no conjunto damos um de jeito. 

Cada um por si, é mais complicado. Porque desatamos a exigir que o Universo entenda o que não dizemos. Isso não é justo, mas estamos bem a ralar-nos para a justiça. É como se vivêssemos o nosso tempo de payback. Já se sabe que é uma cabra. 

Ou então sou só eu, nem sei. Olha, haja paciência para nós. Tu não me revires ojolhos, hein?!

Andamos a arrastar os dias. A vê-los passar, enquanto nos alapamos, sem sucesso nenhum, a outros que já foram. Nem é que vivamos das memórias dos melhores tempos, bastam-nos os piores mesmo. Os mais próximos. Tão bem ensinadinhos que estamos, nisto da frugalidade. E do egoísmo também.

Medimos semanas e meses e datas marcadas, a ver se não perdemos o pé nem a conta. Como se devêssemos isso a alguém, a ti, a nós. Mas pronto, o cansaço vencerá em alguma altura. Porque são muitos dias até nunca mais. Ainda não estamos é prontos para isso. Qual haveria de ser a pressa? Nenhuma!

Ah não, não te apoquentes em demasia, não sejas parva. A mamã diria isto tudo em meia dúzia de palavras: Atirando os dias para trás das costas. Mas tu sabes que ela exagerava. Temos Amores e crianças barulhentas a crescerem, preocupações e trabalho, bola e amigos. Pronto, a bola é maijeu, está bem. 

E temos uma rocha. Enquanto não chega o tempo em que começaremos a entender, finalmente, a dimensão do que nos deixaste, aprendemos a viver com a enormidade da nossa perda, nesta Vida nova. 

Devagarinho. Em passinhos de bebé, trôpegos como se fossemos velhinhos, cambaleantes como se estivéssemos bêbados, às dez para as duas como os coxos. Partidos. 

Quem sabe não começou já a colar, sem nos darmos conta? Há horas de dias e minutos de algumas horas em que parece que sim. Estragamos tudo quando reparamos neles, está claro.

Nada como dois dedos de conversa comigo para a pessoa ficar animada, hein? Um dia eu aprendo a mentir-te, vais ver. Agora ainda é cedo. Ainda acho que vais olhar para mim e perceber. E não me apetece nada aturar as tuas chamadas do "Então? Está tudo bem, claro. Mas está mesmo? A Gabi e as meninas? E tu? Mas está tudo, mas tuuudo, M-E-S-M-O bem?". 

E eu a pensar onde te deixei a pulga. Atrás dessajorelhas de abano, de certeza. Epá, alguém falou em narizes, por acaso? Chiça, se não tens argumentos, admites. Orelha ao lado, nariz à frente. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Falta um mês para ser Natal. É tanto tempo que ainda ninguém pensou nisso. Quer dizer, há malta a pensar nisso e a incluir-nos, de certeza. Mas não te preocupes, todos pensaremos. Pelas crianças que crescem, pelos Amores que nos rodeiam, uns pelos outros e também por ti. Por vocês.

Ainda gostava de saber como será o Natal por aí. Mas hey, nós vamos falando. Até já.

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Though life is long, i know you'll wait for me.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Bodysnatchers e Happy Meal



Afinal, acho que a Charlize não conseguiu salvar a Humanidade. Quero dizer, o resto da Humanidade, porque eu sei que cá estou. E também já tirei a limpo que a gaja bem boa que costuma dormir na minha cama é a mesma. Ela própria, portanto. A cachopa, também me parece intacta, que aquele feitiozinho de merda não engana. De resto, tenho a sensação que os bodysnatchers atacaram em força. Claro que é bola.


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Segundo os media, Portugal teve uma participação assim-assim na última jornada da Champions. Os lampiões deixaram fugir três pássaros bem gordos que tinham nas mãos; e os tripas de uma figa torta foram a vergonha do costume. Também empataram, ficaram, provavelmente, em melhor posição de se apurarem, mas são uma vergonha either way. Buuu, buu. 

Quem salvou a honra do convento foi, uma vez mais, o treinador que o Mundo ainda não consagrou. Mas vai consagrar, a bem ou a mal. Por acaso ao serviço de uns lagartos, averbou yet another bombástica derrota, mostrando a todos como se pode perder tantas vezes com imensa classe. Que Bayern e Chelsea - para não puxar pela memória às pessoas - tenham caído no Dragão nos últimos anos, é uma coisa normalóide. Pfff, nem se apuraram numa vez e levaram seis na volta do correio, na outra. Espetacular e dignificante para a Nação Imortal, é perder todos - TODOS! - os jogos com equipas de topo. E ir à Polónia disputar o acesso à Liga Europa, com o poderoso Légia. Construam uma estátua ao homem. Aos homens, que o Bruninho também conta para este Totobola.

O que não vale ter um Presidente novo, astuto como uma serpente. E cuspidor como elas, também. A alegria de ter um técnico tão fantástico que talvez - TALVEZ! - consiga apurar-se para a Liga Europa. Oh martírio, oh inclemência, oh inveja. Not!

Não vejo outra explicação que não seja esta gente ter sido ferozmente violentada pelos bodysnatchers. E há-de ter sido pelo rabo. Credo.


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Ah, mas já se sabe, eu não ligo nenhuma aqueles senhores. Se quero saber das coisas da bola, é ver o que dizem os meus patrícios Portistas, pela ciberlândia afora. E não é que a narrativa é maijómenos a mesma? Pronto, fico assustado, pois claro que fico. Queres ver que os sacanas dos snatchers... Na, não pode ser. 

Pelo sim, pelo não, se alguém aí ainda for si mesmo, há mantimentos e água e abrigo (ainda) seguro para vocês. A morada é: Tasca do Silva. Há vinho também, mas partilho com mais dificuldade, que não sei quanto tempo isto vai durar e não pode ser tudo à Lagardere. Dass, aproveitadores.

Então o que se diz é o que se vem dizendo: O treinador é fraco, a equipa joga mal, o Presidente ignorou o aviso da Segurança Social acerca do seu falecimento. Paz à sua Alma.

É estranho, porque vem na sequência de um jogo de Champions, em casa de uns Dinamarquecos que não perdem lá há 31 jogos e onde nenhum dos nossos comparsas de grupo fez melhor do que nós. Na verdade, só nós estivemos bem mais perto de lá ganhar do que de perder. Uuuuuh, o papão Lexus, Lobster, Leister, whatever, incluído.

Vejamos, o Grupo é fraco? É, bastante. Os Dinamarquecos são fraquinhos? Até são. Nós fomos piores? Nop, em nenhum dos jogos, muito menos neste. Ai que bom, dois pontos contra estes tipos? Nada disso, devíamos ter feito quatro, no mínimo. No Dragão, não soubemos ganhar, o que é mau. Em Copenhaga, não conseguimos, o que é diferente. E melhor.

Dar meia parte de avanço a um bando de vitelos bem constituídos, é estar a pedir que se tornem touros e nos enfiem umas valentes marradas. Isso não pode ser. Mas ignorar que San Iker, com uma ajudinha de uma defesa muito sólida - que saudades, hein? - manteve as donzelas imaculadas - acham justo acrescentar 750 mil mocas à conta do Iker? Eu acho um exagero, porque deviam ser divididos pela defesa, mais o Danilo, menos o Maxi; passar por cima de uma segunda parte de domínio A-BSO-LU-TO; fazer de conta que não merecemos ganhar; não é honesto. Assim como fazer crer que o treinador não tem nada a ver com a primeira hora de jogo contra os lampiões ou com estes 45 minutos, também não é.

Não, não foi perfeito. Não, não foi assim tão mau. Muito menos foi uma vergonha.Sobretudo, é falso que tenhamos comprometido as nossas aspirações. O grupo é fraco, também porque o cabeça de série designado não é muito forte. Ganhar no Dragão ao Coiso não é nenhuma transcendência, longe disso. Nem tem nada a ver com ter que ir a Stamford ganhar ao Chelsea, por isso poupem-me as comparações parvas. Transcendente será para o Coiso vir pontuar a Dragão. Make no mistakes.

Aliás, está bem mais difícil para os nossos amiguinhos DInamarquecos. Mas deixem lá pá, pode ser que tenham mais sorte na Liga Europa e vos saia... o Legia.


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Devo confessar que há bodysnatchers engraçados. O que eu já me ri com uns quantos entendidos que reclamam da falta de posse, de circulação, de controlo; que invectivam o ataque em esticões, a condução de bola, a sofreguidão. Digam lá que não foram tomados por entidades alienigenas, estes senhores que andaram ano e meio a insultar a equipa por fazer o que agora pedem, coño.


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    Oh NES, isto é uma embalagem de ketchup, tájaber? Já dizia o grande pensador Madeirense que às vezes estas cenas entopem e é o cabo dos trabalhos. Mas depois, desatam a derramar como se não houvesse amanhã. Olha que ficar sentadinho à espera que lhe apeteça, não é boa política.


Por isso, o Tio Silva ajuda. Aqui fica um conselho que já vem do tempo dos tetravós: Nalgada. 

Uma nalgada bem assente na embalagem e pumbas, vais ver a quantidade de molho que isso deita. Até o Ronaldo sabe. 

A nalgada serve para tudo, rapaz. Corrige os catraios, incentiva a vida conjugal e premeia a performance. Tem é que se saber dá-la no momento certo, com a intensidade adequada a cada propósito. Se falhas, arriscas-te a levar uma estalada de troco que até te salta o sangue pelajorelhas. Faz atenção.

Não te esqueças igualmente que o ketchup é parte importante da hamburguesa. Olha, de um Happy Meal, por exemplo. Chegares aos oitavos da Champions está a valer um. E eu faço coleção dos bonecos. 

Por isso, eu quero esse Happy Meal. Confio que não me deixarás ficar mal. Estamos entendidos?


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- Oh Pedro, soltamos a praga dos snatchers?

- Errrr... é capaz de ter havido algum problemazito com o software. Também, com a confusão que armou com aquilo da extinção...

- Ah, sim, pois claro, a culpa é minha, já se sabe. Como sempre, o senhor Pedro não tem culpa nenhuma, nãããããoooo, por quem sois, homessa! A culpa é toda aqui do Senhor, está claro.

- Mas não, não foi isso... - Interrompido por um trovão.

- Nem mais um pio! Vais já desfazer este disparate. E depois, estás de castigo.

- Mas...mas...Senhor, assim não chove.

- Nada de desculpas! Já para o teu quarto, meu menino.