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terça-feira, 19 de julho de 2016

São as relações interpessoais, Pikachu. (Inclui resumo da semana, sem querer.)



As relações interpessoais são coisas basto complicadas. Requerem tempo, uma paciência de Jó, compromisso, negociação, cedência e, acima de tudo, doses industriais de atenção. Deve a pessoa estar sempre de orelha levantada, atenta ao que se passa, para ter assunto, uma palavra amiga de conforto, um highfive no momento certo. Enfim, essas panasquices.

É por isso que eu considero as relações interpessoais no âmbito da família restrita muito mais tranquilas. Desde logo, tendem os membros deste grupo a viver na mesma casa, o que facilita, pois claro que facilita. Resolve-se um terço das questões à lambada, outro porque não e o último através de orgasmos múltiplos.

O problema é que este núcleo restrito de indivíduos não chega para constituir todo o Universo da pessoa. Precisamos, intrinsecamente, de nos relacionar com mais uma série de fulanos e beltranos e um ou outro sicrano. Às tantas, um gajo sente-se o Costa metido na geringonça. Sem o jogo de cintura do moço. Já se sabe, a espinha atrapalha.

(Note-se o uso exclusivo do masculino, acima. Ou seja, nada de fulanas, beltranas e, muito menos, sicranas. É um bocado amaricado, pois claro que é, mas ajuda bastante na parte dos orgasmos múltiplos. E mútuos. Caso tenham mesmo que se amigar do sexo oposto, convém privilegiar a obesidade mórbida, as gengivas salientes, a falta de dentição e a falta asseio. O que se perde em glamour, ganha-se em sossego. No caso de elementos de sexo assim mas também, esta questão não se encontra documentada. Pelo que parto do princípio que pode ser uma ganda rebaldaria. 

- Ai , Jubaida, Jubaidinha...

- Hã?

- Nada, Xilva. Engaxguei-me com a côdea do cachequeiro.)

...

Confesso que me distraí. E isso foi chato no campo da interação com a malta da Tasca que é mais bola. Andei a dar em golpes e contragolpes e reviragolpes de Estado - ora agora golpeias tu, ora agora decreto a pena de morte que te fodes - estive atento ao revivalismo espistolar - a carta da administração demissionária para o Ministro que escreve à comissão sancionadora, à espera de resposta na volta do correio - pus-me a pensar se há subvenções vitalícias associadas às Ordens de Mérito - fazem o favor de parar de gozar com o homem e voltarem a perder Campeonatos? Arre, que feitiozinho! - e acabei por perder o fio à meada da bola. 

Quando dei por ela, tratei imediatamente de me colocar em dia. Pelos media de referência, fiquei a saber que o 5LB é o maior; os jogadores do Bayern masturbam-se cinco vezes ao dia - há ocasiões em que o fazem em conjunto - perante a perspetiva de tomarem banho com o Renatinho; o Vitória é quase tão bom como o Jergo Juses, quando tinha tino e não era boçal e usava um fatréno encarnado; os de Lisboa estão fartos de contratar estupendos fintabolistas; o Universo conhecido sabe que PdC é mentiroso e aguarda ainda o final do Apito Dourado. Claro que não acabou, por quem sois?! Só acaba, quando acabar bem. Para eles.

Ora, isto já se sabia em antes, pensei eu. E o meu FCP? Lá tive que ir aos meandros obscuros da deep web, sentir o pulsar da Nação mais forte. E descobri:

O Presidente é mentiroso. Desde o Apito Dourado que é esta vergonha; o treinador começou agora a treinar mas é muito mau. Se ao menos fosse o Juses. Ou o Vitória; a formação está a ser desbaratada, emprestada a eito, destruída. Como é que se explica que não haja aqui um Sanches, um Bernardo, um Cavaleiro, um Gomes titular da Seleção, um Adriano com sotaque avec, um Super Mário bem passado?; precisamos muito, muito, muito de um avançado. É uma vergonha meterem um puto da formação naquele lugar. Assim, nem em terceiro ficamos; o Telles não é necessário, mesmo que seja bom, ainda que custe 6 e venha a valer 20. Porque não meteram lá um puto da formação, tão bom que é o cachopo. E mai'novo; o central é fraco, temos que comprar mais quatro ou cinco; o Teixeira veio para fazer a Comunhão, pela mão do Padrinho. Para além de que pega na bola e chuta à baliza e finta adversários e não tem medo. Pior ainda, se perde a chicha, vai a correr atrás dela ou trata de recuperar a posição. Sem precisar de entrar só quando a bancada está a gritar por ele, a equipa a ganhar dezazero, para ter minutos, ganhar calo - coitadinh'tãnovinho - ser acarinhado, mimado, estragado. Isto assim não presta, não é Ser Porto; deram na TV um jogo que não servia para nada, a não ser treinar, e foi uma grande vergonha. Se ainda conseguíssemos, era de rasgar os cartões. Perdemos cincazero, apesar de termos ganho doizum. Praticamente a meio do Campeonato, ou assim, e é isto que jogamos? Está lindo, está. A ver se não descemos de divisão; é prioritário vender toda a gente que cá está; é prioritário comprar toda a gente que cá não está; encontrar reforços é muito fácil, faz-se já aqui uma lista de quinhentos. É só instalar aquela coisa do Pokémon e desatam a aparecer soberbos jogadores de futebol na cozinha e no WC e por todólado. Faz cuidado, não te apareça um Mewtwo por trás quando te pões a fazer flexões no soalho.

Credo!

...

Prontinho, agora que já estou a par de tudo, posso dar-vos a minha opinião. É de borla, está claro, porque, como bem diz o Lápis, eu não vejo um boi de bola. Tenho é dificuldade em ficar calado.

Eu acho que precisamos, com muita urgência, de contratar muita gente. Para a bancada. Podem ser Irlandeses, Islandeses, amarelos de Dortmund, whatever. Alguém que, pela Paz do meu Espírito, não me deixe a roer ajunhas de cada vez que imagino um passe transviado no jogo de apresentação.

É verdade que para além do Sisto eu não conheço mais nenhum jogador. Também é quase certo que não entendo nada de tática. É seguro que ninguém na bancada vai marcar golos ou perder jogos. Mas serão determinantes, mais uma vez. Aliás, ainda mais! Desta vez.

Escolham o vosso lado. Fiquem dentro dos ecrãs dos vossos gadgets, se vos passar pela cabeça irem para a nossa bancada cheios de vontade de terem razão. Contra o FCP! 

Nesse caso, não se incomodem, façam como os Pokémons: Go! Mas pela sombrinha e para longe da equipa que era suposto apoiarem.

...

Enfim, o grande drama das relações interpessoais é que se fazem inimigos com grande facilidade. E amigos com muito cuidado.


...

- Não te mexas, Pedro! - Ecoa como um trovão. Ora, é mesmo um trovão.

- Ai, Senhor, não me assuste. Que se passa? - Borrado de medo.

- Não te mexas, já disse. Está um Arceus dependurado das tuas barbas...

...
Soundtrack to silly season: Gotta catch'em all!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Pai Natal e as abelhas ou a idade dos porquês


A mais nova atravessa uma fase engraçada: Acumula informação maijómenos inútil. Não completamente, porque está a ficar com um arsenal de desbloqueadores de conversa muito apreciável. Por exemplo:

- Oh pai - sim, porque de momento serei progenitor com minúscula, teen oblige. - sabes que os golfinhos são os únicos animais, para além dos humanos - todos eles com minúscula, se acima dos 16 - que matam e violam por prazer? Eu é que não quero nadar com eles!

Aprende-se bastante com a parvoíce dos cachopos. Eu, por exemplo, aprendi, mas não muito depressa, que não vale a pena a pessoa ir investigar e perceber se isto é literalmente assim. Pela altura em que tenha informação suficiente para debater o assunto, o máximo que pode esperar do outro lado será:

- Hã? Quais golfinhos? São tão fooooofos! Podemos ir nadar com golfinhos um dia?

O célebre psicólogo Dr. Pimenta "da mula russa" Machado, tem aqui substância para repensar o seu postulado. Digamos que o que hoje é verdade, amanhã não tem interesse nenhum. Desde que sejam poucos a lembrarem-se do que dissemos. Ou velhos. Também dá se forem velhos. Toda a gente sabe que os velhos estão sempre a fazer confusão.

São fases. Tipo a idade dos porquês:

- Oh mãe, quando tu e o pai me fizeram, tinhas uma t-shirt vestida? 

- Sim, filha, tinha. - Exasperada à tricentésima décima sétima pergunta sobre o assunto. Grande mentirosa, tss, tss.

Pelo sim, pelo não, eu cá já decidi que não vou nadar com golfinho nenhum.

- Tem medo que o matem, poiché Xilva?

- Não.

...

Se me ponho a pensar nisto, chego sempre à conclusão que ainda não entrei na puberdade. Não só nunca menstruei, como me mantenho firmemente na idade dos porquês. É muito irritante, mas não consigo evitar.

O que raio leva um gajo, qualquer que seja o seu grau de fanatismo, a pegar num camião e avançar aos tiros pelo meio de uma multidão de desconhecidos? Porque haveria alguém de achar boa ideia terraplanar seres semelhantes? Em nome de quê, de quem? Porquê?

Ao mesmo tempo, tenho até medo da explicação. Porque desconfio que se entrarmos na contabilidade do sofrimento, nunca mais temos as contas feitas. E porque não pode alguém com autoridade mandar parar? Pá, uma mão de fogo nos Céus, um punho de gelo a emergir dos Infernos, o Pinto da Costa, eu sei lá, qualquer coisa que os faça ter tino. A todos. A mim também, pode ser. Porque tem a natureza humana que ser tão golfinha? 

E só nesta parva ingenuidade impossível, só no estúpido conforto de uma utopia deveras infantil, encontro uma bucha de Paz. Um shot de Esperança. Sempre toldadas pela consciência da minha própria adjetivação: Utópica, Irrealizável. Foda-se.

Porque não haverão de me provar que pode mesmo ser? Pelos que começam a perguntar porquê tudo e qualquer coisa, pelos  que desatam a guardar informação ao calhas. Esses ainda não fizeram mal a ninguém. Os que tiveram a sorte de não precisar ou de não ser obrigados. 

...

Depois, inevitável e muito felizmente, a vida prossegue. Ou persegue-nos. E mesmo nesta impotência, ou talvez seja por ela, perante questões tão grandes e prementes, dou comigo reconcentrado nas minudências que me enchem os dias.

Porque é que emprestar o Francisco Ramos está muito bem, mas se for o Rafa Soares, é porque a SAD está podre?

- Porque o Presidente mentiu.

Mentiu? Porque dizem que mentiu?

- Porque disse que o Rafa ia fazer parte do plantel. Do outro não tinha dito.

E não fez?

- Não. Começou a época, fez treinos e assim e depois trataram de emprestá-lo.

Então fez parte do plantel, como disse o Presidente, e o senhor que este ano manda na equipa decidiu que ele não devia ficar. O senhor que treina, não o que preside. Foi isto?

- Não. 

Porquê?

- Porque não! É por causa do Jorge Mendes. Qualquer dia estão a chorar porque não temos ninguém da formação para vender. Olha bem para os calimeros e para os lampiões e aprende o que é ter formação. E rentabilizá-la!

Podíamos vender o Ruben, boa?

- Não! Isso nunca. Para quê ter formação se depois os vendemos? O que vai acontecer aos meninos da B? É isto que temos. Buuu, buu. E um Presidente mentiroso.

Ai, não estou a perceber. Vendemos ou não vendemos? E afinal o homem mentiu porquê?

- Se não vendemos, está mal. Se vendermos, está bastante pior. E sim, mentiu. Se fosse um tipo de palavra, obrigava o treinador a ficar com o Rafa.

E com o Josué, poijé?

- Não, com o Josué não é preciso.

Ah. Porquê?

- Coiso. Chato do caraças, chiça, penico! Está lá o Otávio, já paga o Josué. O Rafa é que não podia ser. Eu se fosse da B, ia já para Lisboa.

Como se fosse o ponto de fuga, o escape da pressão dentro da panela, uma cabeçada na parede, vá. A coisa que nos resgata do desespero de não saber o que fazer, como fazer, para onde fugir. O sorriso no meio dos escombros que me ensina, de novo, o meu lugar no Mundo.

A bola tem destas coisas. Por vezes, no seu detalhe pequeno e mesquinho de ser sem importância, tira-me de uma Nice qualquer, são e salvo, e devolve-me a uma colmeia.


...

É sempre a primeira coisa que me ocorre: Porquê? Mesmo que tu aches que é mentira, porque pensas que a minha palavra primordial é não. Verás que o tempo te dará outra perspetiva. Crescerás e passarás a ter Pai, em vez de pai.

Eu continuarei a pensar: Porquê? Por que grande benfeitoria, ou por que bondoso Deus, terei sido abençoado, ou iluminado, com esta possibilidade de te ver crescer? Toda potência. Porque alguém salvará o Mundo, pois salvará? Tu. Porque não?

Ou tu? Meio perdida no fuso de um horário que já não encerra tanta aventura. Todos os caminhos têm troços de muito pó, a descoberto das árvores, no pico do calor. Não é por isso que não haverá um pedaço de bosque, ali, depois daquela curva, com um regato manso de água fresca. Ou um oásis que dê sentido ao deserto.

Há um pote de ouro no fim do arco-íris. Mas que importa isso, quando se pode caminhar ao longo do arco-íris?


...

E tu aí, leve no teu vestido florido, feliz no quilograma a menos que te assenta tão bem como dois a mais, porquê?

Porque te vejo sempre linda e confiante e positiva? Não, não, espera, porque dúvidas 
a
                                                                                                         espaços
que és tão linda e podes tanto e toda a Vida te sorri quando passas? Sou eu?

Porque desconheces esta certeza de pés descalços, duas cadeiras de baloiço em madeira gasta, um alpendre aberto sobre um campo de flores amarelas? E chapéus de palha. 

Porque não poderia, então, ver-te igual a agora? No teu vestido florido a voar pelos ombros, no teu sorriso gemido no interior da coxa, nessa confiança de dedos cravados nas minhas costas. Ou na nuca.

Sabes, informaram-me que somos, na realidade, cinco vezes mais feios do que aquilo que nos vemos. Quer dizer que somos apenas bastante bonitos. Os dois. Mas tu és mais.

...

Ontem, um querido amigo perguntou-me se eu acreditava no Pai Natal. Hoje respondo-lhe que sim, acredito. Enquanto houver abelhas.

...

- Pfff, mão de fogo, mão de fogo, deve pensar que isto é o Tocha Humana, este. Tá bem tá. Oh Pedro, anda cá. - Grita.

- Diga, Senhor. - Curvado.

- Olha lá, hás-de ver se o Nicolau anda a aparecer aos putos fora de época. Às vezes dá-lhe a travadinha...

- A sério, Senhor? Mas porquê?

- Coisa minhas. Faz o que te digo e deixa-te de porquês, rapaz.


...

Soundtrack to darkness and light: I believe in miracles.

...

Ena, por sorte e extraordinária coincidência, está mêmagora a dar um estupendo documentário, na TascaTV, que vem a calhar para esclarecimento de algumas duvidas entretanto surgidas a pessoal amante do tinto. Mas aparentemente reticente quanto ao estupro. Preferências...

TASCA GEOGRAPHIC: Os Golfinhos

Pouco credível? Como pouco credível? Olhem que não é do CM...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O post(e) falhado do xôr Silva



Naturalmente, o tema do dia é a Seleção de Portugal, que joga uma meia-final do Campeonato da Europa. Já nos aconteceu isto antes, mas poucas vezes, pelo que é, sem dúvida, um assunto importante. É por isso que eu decidi publicar hoje um post sobre o FCP B. Pá, há sempre um paspalho que tem a mania de ser diferente e tal, armado em intelectual de esquerda vanguardista, de negro, óculos redondos, gola alta. Dass, com o calor que tem estado, haviam era de ter pena de mim.

Maaaaaaaaaaaaas, vá, não resisto a meter a colher. Sou danado para meter, que hei-de eu fazer? A pessoa lê os jornais e ouve as rádios e vê as...espera, não vejo nada, não vou inventar. O que interessa é que me parece que anda toda a gente confusa. Deve ser por causa do Brexit e da sanção prisão de ventre.

- Sanção o quê, Silva? Prisão de ventre? - E eu a julgá-lo distraído com as suas listas.

- Sim, Senhor Monteiro da Silva, prisão de ventre. É a sanção que dá cólicas a toda a gente, mas que não há meio de alguém a cagar.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Parece que a malta se baralhou e pensa que vai jogar contra a França, que está em casa, ou contra a Alemanha, que manda na casa de toda a gente. Pá, não. É o País de Gales. Vocês nunca foram putos e jogaram à bola na rua? Estes é que são os tais dos três pontos, tájabêrohnão? É uns moços que só estão bem é a atirar a bola pró quintal do velho. Depois o filhadaputa rasga-as com uma faca. Pena os Galeses não lhe acertarem com a bola naquela cabeça caquética. Mas com um estoiro de força. Cabrão.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Não há motivo para alarme. mesmo já tendo visto o FCP perder no Dragão com o Arouca e com o Tondela, na mesma época,

(Pausa para cabeçada na secretária. Não pá, na mesa. Coitada da mulher, lá tem alguma culpa?)


posso afiançar-vos que se trata de um jogo fácil. Desde logo, o adversário está habituado a jogar com uma coisa oval, que nem bola é. É uma espécie daquelas naves espaciais que se levava para a praia, com umas pegas e uns fios e assim. Vocês sabem o que é. Não? Como não? Não são do tempo de quem? Ai a merdinha já... 


Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola! Por outro lado, têm a mania de jogar com as mãos. Ora bem, toda a gente sabe que as mãos são para meter atrás das costas, senão é penalty. A menos que sejamos o Renatinho, condição na qual as mãos podem ser metidas nas trombas do adversário. Portanto, presumo que aos 20 minutos já estejamos a ganhar trêzazero e a jogar contra unjoito Galeses. 

Está claro que temos que ter atenção aos lançamentos de linha lateral. Nisso são perigosos, com aquela tática de se pegarem unjaojôtros ao colo. É um bocado apanascado, mas lá que chegam maijalto, lá isso chegam. Vá que em vez de apanharem o melão à mão, comme d'habitude, um se lembra de lhe dar com a testa. Ainda é golo, se o poste do Patricio estiver desconcentrado. Depois é o cabo dos trabalhos para levar o jogo para os penalties

Portanto, é melhor darem uma de Schauble e irem logo avisando os tipos que a vida lhes vai correr muito mal. Nem vale a pena estarem com grandes esforços, só se cansam e no fim dá merda. E ele a cagar. Sanções. A menos que alguém lhe enfie uma rolha pelo entrefolhodolhodocu acima. Se alguém o levantar, eu ofereço-me. É que não posso fazer esforços à conta de duas hérnias e coiso.

Era sobre o quê isto? Ah, pois, a bola. É como vos digo, nada temos a temer. Basta jogar na descontra, sem pressão, que eles acabam por revelar como são fraquinhos. Nem o médio de abertura dos gajos joga! Era o que mais faltava, a Seleção Nacional de Futebol perder contra uma equipa de Râguebi. Estaijabrincar comigo, poistais? Era só para me assustarem, poijera? 

Ou para poderem ganhar o vosso, à conta de análises e contra-análises e crónicas e o caralho voador kusfoda, pois foi? E eu que pensava que não se podia ser mais circense do que vocês todos já tinham feito. Ah, mas desta vez esmeraram-se, abriram novos horizontes, ultrapassaram o espaço, a última fronteira. Desta vez meteu um microfone submarino, posteriormente resgatado e transformado em peça de museu, com direito a redoma e tudo; desta vez tivemos um Presidente na Zona Mista de um jogo de futebol. Da próxima vez, acreditem no que augura o Silva.

Era sobre o jogo de mai'logo isto. E tudo o que eu queria dizer é que acho que vamos ganhar cincazero, pois claro!


...

Tenho a certeza que era sobre uma coisa interessante, isto. Ah, pois, os B. Infelizmente, já não tenho mais tempo agora. Mas fica prometida a posta e vai ser espetacular. Lembrem-se que eu sou o gajo que anteviu um País cujo Presidente apareceria numa flash interview no fim de um jogo de futebol. Não têm como duvidar do que aqui se escreve.

- Na! Jyst kidding, dde? - E manda um chutão pás couves. 


...

Soundtrack to nostalgia: Como é que sabes Mike?

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Principios Gerais de Hortifruticultura: O figo



Eu gosto de figos. O facto é assinalável, uma vez que eu passo pela fruta direitinho ao cimbalino (estive bem, poistive Jorge?). Não posso sequer dizer que isto seja uma convicção, pois que não se dá tampouco o caso de não gostar de fruta. Não é, portanto, um desgosto. É uma espécie de indiferença. Queres esta maçã? Não. Se calha dar-lhe uma dentada, até me sabe bem. E esta pêra? Idem. E um pêssego? Na. Mas se pensar no som que faz quando está no ponto, a despegar-se a metade do caroço, inteira, caramba, afinal gosto de pêssegos. Mormente carecas. E sumarentos, de deixar o braço da pessoa todo peganhento. Mas lá está, não me dou ao trabalho de ir buscar a peça e me dispor a comê-la, seja a fruta qual for. Excepto pelas bananas - mas acho que isso me vem com o sangue - e os figos. Uma ou outra papaia, muito espaçadamente.

Curiosamente, o figo não é um fruto. É um receptáculo de centenas de pequenos frutos a que vulgarmente chamamos sementes. É por isso que eu acho que por cada figo que como, compenso as centenas de peças de fruta que havia de ter comido. E estive a lixar-me para isso. Digamos então que o figo é um falso. Fruto. 

Apesar disso, gosto de figos. De todas as variedades. Por exemplo, o pingo de mel, com a sua cor esverdeada. Gosto quando têm aquele aspeto fresco e lisinho. De preferência com umas gotículas a deslizarem-lhe pela pele. A pessoa atira ajunhas à coisa e abre-a a meio, para revelar o interior rosado e húmido, apetecível. E tão docinho, nhami. Também aprecio bastante aquela variedade preta, de interior quase vermelho. O contraste da cor da pele com o fogo da polpa atrai-me. E sabe a figo, ainda por cima. De cair de boca e lambuzar-se a pessoa.

Trata-se, de facto, de um fruto que remete para um Universo imagético muito sugestivo. Feminino, ao nível da genitália. Vaginas, pois. Tinha que ser falso. E frágil. Poijé, poijé, o figo é um fruto muito frágil, pelo que a sua conservação em boas condições é muito difícil. Que é como quem diz, apodrece depressa. Ou se come assim que se tem a oportunidade ou é melhor não voltar a pensar nisso.

Em suma, o figo em boas condições é uma delicia, seja lá qual for a variedade. Se deixarmos passar um bocado, ainda tem bastante encanto, madurinho e seguro de si. Mas lá está, quando se dá por ela, está podre. Já não se aconselha a ingestão. Digamos que, passado o tempo em que o figo é figo na sua plenitude, cumprindo aquilo para que se plantou, tudo o que lhe resta é ser uma reminiscência de...vagina. Concluímos então que o Figo é um conas.


...

Como já vimos, nem todos os Figos são verdes. A bem da verdade, devo confessar que esses até são os que menos me afligem. Que um lagarto goze comigo, eu até percebo. O que me lixa mesmo - e já terão reparado que não deixo passar - é quando uns supostos azuis e brancos se armam em Figo. Fazem-me logo lembrar maçãs podres. Acho sempre melhor deitá-las fora, ou cortar-lhes a parte apodrecida.

A um e outros, aqui fica uma pequena atualização, a bem do seu conhecimento geral e no intuito de os poupar a figuras tristes:

O FCP ainda não ganhou no bilhar. Isto porque as competições nacionais não terminaram. Nas internacionais, perdemos a final da Taça da Europa. No entanto, é verdade que o Clube tem dominado a modalidade cá no burgo. Aliás, como acontece com a Natação Feminina. Parece-me mal discriminar.

Ah, majé de bola que se trata, não é? Os tais três anos de míngua, de abismo, de fundo do fundo. O tempo em que só ganhamos no Bilhar. Afinal, vai-se a ver, nem isso. Triste sina, fado fatal. Seja.


...


Os Juniores A do FCP sagraram-se Bi-Campeões Nacionais. No triénio que agora se conclui, o outro Campeão foi o Braga. Os Juniores B disputam nesta altura a Fase Final do respetivo campeonato. Os anteriores Campeões são o Vitória de Guimarães e o 5LB. Todos sabemos quem ganhou a Cenadochinês LigaPro. Sendo que nas duas épocas anteriores, o FCP B tem um 13º e um 2º Lugar.

Se quisermos ser inclusivos, poderíamos dizer que o Andebol também tem uma bola. E ganhámos 2 em 3 campeonatos deste triénio. Olha, o Basquete também se chama bol. Fomos Campeões em todos os campeonatos em que participámos nas ultimas três épocas. Apesar de mais pequena, a bola do Hóquei também é redonda. Zero! Nada para amostra. Nem uma Supertaça do Fonseca. E por fim - alvíssaras - aquele desporto que mete várias bolas e tão do agrado do conas. Digo, do Figo. Epá, ganhámos uma porrada de títulos. Até cansa escrever.

Para um péssimo mandato, assim visto de cima, nem parece mal. Só que estes títulos são como um espetacular sistema de ensino gratuito e universal. É a melhor raiz para um futuro radioso e para a alegria do Povo. Mas se depois os fantásticos médicos que forma, mal ganham para comer ou, em ganhando, não têm lá muito para comer, a coisa não funciona. É Cuba. É uma raiz que vai dar uma trampa de uma figueira famélica, em vez de um pomar verdejante. Ops, desculpas. Azulbranqueante.

O solo é bom, as sementes estão testadas, o sistema de rega funciona, os lavradores são competentes e o modelo de distribuição já deu provas. Só precisamos de uma gestão atenta e de um capataz de qualidade. É agora! É agora? É? Agora?

...  


Soundtrack for 16/17: Gonna be wild!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Falar claro (Links do André corrigidos)



Eu gostava de dizer que foi bonita a festa, pá. Que, independentemente do resultado e de quem levou a passear o caneco, o cunbíbio é que conta e a partilha de Portismo e a Paixão. E o Capela e o Xistra, já agora. 

É evidente que isso é tudo maijómenos verdade. Mas nunca aquela estrada se fez tão longa. Nunca o sorriso me tinha saído tão amarelo. E adoeci do ar condicionado. Uma viagem tão má, que cheguei a temer que abria a porta de casa às quinhentas da manhã e dava de trombas com a minha mãe, em pé no corredor, a dizer baixinho: "Isto é que são dez da noite, hã?". E procedia a enfiar-me duas lambadas. À segunda, por norma, já não acertava. Desvio-me bem de caraças. E também me safo a correr.

Apesar de tudo, sinto que devo falar claro, para não sobrarem dúvidas:

A) Não há treinador que resista a dois golos daqueles. Daquilo, o Zé não tem culpa nenhuma. E nem comecem com a lengalenga sobre quem escolhe os guarda-redes e blabla. Sabem bem que toda a gente - tirando o Tavares - achava lindamente que fosse o Helton a jogar. Aliás, quantas vezes, até ontem, andaram a defender que o Espanhol não vale um chavo e coitado do moço da viola e assim? Incluindo o Tavares.

Portanto, o Zé não ficou pior ontem, por ter perdido. Já era mau em antes.

B) Quando defendi que JL tinha chegado ao fim da linha , fi-lo por achar que as tropas dele já não queriam pelejar ao seu lado. Vi tudo a ser feito à risca, como definido antes, mas sem alma nem querer. E isso não chegou para ganhar ao Rio Ave.

Ontem, conseguimos perder contra uma falta de comparência. Alguém viu os gueverreiros do Fonseca no campo? Na, isso eram pequenos estrumpfes cor-de-rosa plantados à entrada da área. Eu avisei para não exagerarem nos cogumelos. E ganharam-nos. Sem sequer precisarem de aparecer.

C) Diz que fui violento com o Josuézito. Até se pôs o catraio lavado em lágrimas e tal. Aposto que eram de mágoa de ver o FCP derrotado. 

O que tem que ficar claro, é que o Josué fez muitíssimo bem em atacar o aparador estilo Luis XV que ontem jogou a central. Fez ainda melhor em tirar-lhe a chicha e em espetar com ela dentro da Casa dos Frangos do Vale do Jamor (Música ao Vivo aos Domingos). Era o que faltava, jogar - e jogou porque pode - e fazer-se de esquisito.

Nem sequer me venham com a história da incompetência da SAD e rebéubéu. Existem regulamentos, cumpram-se. Não sejamos nós a arranjar as chico-espertices para os contornar. Nem a calar a denúncia quando vemos os outros a fazê-lo. Hey Salin, tass?

Portanto, não façam de conta que a culpa do segundo golo é do Antero ou do PdC. Pior ainda, não me tomem por parvo. Quem perde aquele tempo a ser substituído está cheio de ADN, sim. Mas não é nosso. Enrabe-se.

D) Ui que descobriram a pólvora! Por aqui já a tínhamos descoberto há uns tempos. Mesmo quando era seca. Quando mais parecia uma bicha-de-rabear. E, sobretudo, sem ser porque me caiu no goto. Fui convencido. Mas não foi ontem!

Felizmente já se tinha feito a convocatória, hein xôringenheiro? Ufa, alargue lá a gravata, safou-se de boa.

Para dentro, que se lembrem todos: Craque não se empresta! Nem se protege como se fosse uma gaja boa, mas quebradiça. Nem se escolhe a "altura certa" para lhe "dar minutos". Nem se assobia o treinador por não fazer a vontade aos meninos. Craque deste nível, põe-se a jogar. E agradece-se.

domingo, 22 de maio de 2016

Viagem na minha terra (Atualizado a verde de Monção) (Re-atualizado:Seca extrema) (Re-re-atualizado: Intervalo) (Re-re-re-atualizado no fimdos 120)

Estavam com saudades, poistavam? Eu também não. A ausência deve-se ao extraordinário - e para vocês inatingível - facto de...como dizer?...ter cenas e coisas para fazer. A vida, percebem? Haviam de arranjar uma, em vez de se porem a ler blogues parvos. Acho que iam gostar.

Mas para quem está absolutamente empenhado em perder tempo precioso aqui, espero que tenham muitos anos de vida. De modo a que não venham a pensar: Fuoda-se pá, tinha feito melhor em esgalhar uma, em vez de ter estado a aturar o Silva. Se alguém não está a compreender a mútua exclusividade das situações, espero que seja gaja. Se não for, por favor não me informe. Tenho um estômago quase tão sensível como a psique do Aboubakar.

Estou a caminho de Oeiras, na esperança de trazer para casa o primeiro caneco deste ano.

- E único!

Pois. Isto das pré-épocas baralha-me. O que interessa é que vou de excursão, à conta de um amigalhaço que me safou in extremis de ficar em casa descansado, com a família, a comer rojões quentinhos e a alinhar garrafas de verde de Monção. Dependendo do resultado, posso muito bem ter que enfiar um banano no tipo.

Para já, está tudo a correr muito bem. Tirando o facto de isto ser uma camioneta para anões. A julgar pelo espaço para as pernas.

Mas pronto, a malta está animada e parece tudo muito bem organizado. Muito embora tenha acabado de passar por casa. Parece-me estúpido fazerem-me andar para trás e para a frente a esta hora da manhã. Podiam muito bem ter parado à minha porta, carregado o farnel, dado comida ao gato, posto o cão a mijar, posto o lixo ao lixo e tirado um café ao menino. Entretanto eu ia-me levantando. Enfim, talvez não tenham noção de que vai aqui uma estrela. Ou então estão a cagar-se para mim.

Olhem, tenho que ir. Arrancámos há uns dez minutos e temos que parar. Para café e assim. Credo. Vou dizendo coisas ao longo do dia. Enquanto estiver sóbrio e tiver bateria. Ou então não.

...

Orda bibão. Son duas medos um quardo. Cubete de rojão e um lidro de berde debois, debo dzêrbos que chiguei. Son e salbo.

Pordecá a festa bai de bento em coiso. Tirando o axepeto do modorista estar com garrafa e meia dabanço. Majeu bou reduzir a diverença. E é já.

Num sei purquékesta malda da moirama fez dois campos da bola. Aliás, padece ké tudo a doberar! Coisas. 

A cunfia está em máximos histeóricos. Eu, pordixemplo, acabo dapostar que ganhamos cincazero. Com terês golos do Berahimi. Majáduvidas?

Até já. Fui. Puuuoooooorrrrrtoooo!

...


O problema é que falta uma hora para isto começar e está um calor fodido. As cervejas e o verde estão lá fora e eu estou já a torrar num topo do municipal da Cruz Quebrada. Filha da puta de sorte.

Felizmente há um argelino a zelar pela minha sorte. Tajóbir oh filhadaputa de mouro?

A propósito, deixa cá ver se o Pesudo não se lembrou de me foder de vez. Salvo seja.

Anyway vai Puoooooooorrrtoooooo!

...

Ao intervalo, estamos a esmagar o Braga por 0 a 1. Sim senhor, um belo Braga de ataque, como o que jogou contra lampiões e lagartos: Todos ao ataque, fechadinhos lá atrás. Como de costume.

Eu não tenho dúvidas. A culpa é do Lopetegui. E do Casillas! E minha, pois claro. Felizmente temos o Helton. E assim, pode ser que marquemos cinco na segunda parte. Oxalá.

...

Seja qual for o resultado desta merda destes penalties, vou mandar um SMS:

Zé,
Obrigado. Agora, põe-te nas putas! Leva contigo o Josué. Pelo caminho, enraba-o com uma navalha de barbeiro.
Abraço.

...

A quem por azar tenha acompanhado o relato deste dia, muito obrigado. Só não o digo de viva voz porque...já não tenho voz.

Sempre Porto.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

É uma Opinião, ohfaxabor!


Há muito quem diga que a opinião é uma coisa muito linda. Há também quem defenda que é uma coisa bastante democrática, porque livre. De uma maneira geral, toda a gente tem boa ideia da bicha. Da opinião, pois claro.

Pessoalmente, acho a Charlize mais boa que a opinião. E estou fartinho de ver gente a ter problemas graves à custa de opinar livremente. Outros são só mal educados. Sem esquecer os estúpidos. Um estúpido com direito à opinião é uma coisa grave. Como por exemplo, deixa lá ver, uma hemorróida. Mesmo que um gajo tente ignorar com muito afinco, diz que incomoda. Sobretudo ao sentar.

Considero que, mais que bonita ou livre, a opinião se assemelha muito à genitália: Cada um tem a sua e, mesmo que não lhe ache particular piada, defende-a com unhas e dentes. Estabeleça-se pois que, na verdade - porque é sabido que a Verdade passa bastante tempo na Tasca - a opinião é uma coisa do caralho. E da vagina também. Peço desculpa à Catarina Martins e a todas, e todos, as Bloquinhas, e Bloquinhos, por não ter escrito "A opinião é uma coisa da cona. E do pénis também". Tiques machistas. Shame on me.

No caso dos hermafroditas - ou serão as hermafroditas? Com esta gente um gajo fica sempre na dúvida - a coisa é capaz de se complicar. Será que têm sempre duas opiniões? E quem tem vinte opiniões sobre cada assunto, tipo eu e o Sousa Tavares, será um multifrodita da opinião? Raios, o que eu gramava de descobrir a minha vagina...

Isto era para quê? Ah, já me lembro! Para vos dizer que eu acho que, no fim do dia, a opinião de cada um se baseia num facto cientifico pouco investigado: O que me está a dar jeito. A gente põe-se perante o problema e a primeira coisa que pensa é: Ora deixa cá ver o que me está a dar jeito. 

E pronto, depois é só arranjar argumentos, com graus de parvoíce diferenciados, que sustentem a opinião. Ou seja, o que nos estiver a dar jeito. A espécie refinou isto a tal ponto que já o fazemos sem passar por estes estádios intermédios de consciência. É como o Aboubakar a falhar golos. O gajo já não pensa "Ah e tal, vou acertar antes num poste". Sai-lhe naturalmente. É o chamado automatismo.

O sucesso das opiniões de cada um tem tantas mais possibilidades de ocorrer, quanto mais o próprio acreditar que se trata mesmo de uma opinião. E não do que lhe está a dar jeito. Deixem-se de merdas, isso de ter opinião sobre coisas que não afetam o indivíduo opinante não existe. Porque tudo nos toca de alguma forma. É-nos inato tomar partido e associar, à velocidade da luz, qualquer facto com o nosso próprio interesse. Seja ele qual for. Parece um bocado cínico, eu sei. Mas hey, não fui eu que inventei a espécie.

- E eu que xempre penchei que uma Opinião era xervecha com grojelha...


...

Para não acharem que isto é um gajo amargo e zangado com a vida, com pouco para fazer e sem acesso aos seus sites favoritos - por força de uma trampa de uma firewall fascista e protopúdica - fui para a rua fazer investigação social a sério. Isto é, fui à concorrência tomar uns copos cujamigos.

- Estou fodido pá, agora vou ter que mudar o puto de escola. Merda maijómonhé, foda-se. Estava o catraio tão bem, habituado às professoras - e olha que há lá duas ou três que até eu me habituava - ao sitio, aos transportes, até da comida gosta, vê lá tu. Ele que é um pisquito a comer. Ainda por cima, aprende. Tem umas notas jeitositas e para a Maria é um descanso. Vêm estes palhaços cagar sentenças e pumbas, tenho que ir meter o miúdo no caralho mais velho de Escola pública a cair de podre. Lá se vai o acompanhamento, lá se vai o entusiasmo, lá se vai o sossego da Maria, lá se vão as quecas à hora de almoço. Se calhar até o futebol vai cucarago, deixa lá ver os aurários...

- Pois, que chato.

- Que chato, mas tem que ser mesmo assim. Olha lá, gosto muito do teu puto, mas a que propósito havia de andar a pagar para ele ter aulas com profs boazonas e isso tudo, enquanto o meu grama com umas velhas jarretas que as mais das vezes nem aparecem? Hein? Achas isso bem? É que é dos meus impostos que sai a guita. Dos de nós todos. Um gajo vai virar um fino à espelunca aqui do Silva, sem ofensa oh Silva - Toca-me no braço. - E uma cagalhésimo de por cento do que paga é para bancar as aulas de Sua Excelência o Príncipe. É muito bonito isso, é...

- Mas pagas o quê, oh palhaço? Pagas tanto como vais pagar quando ele estiver no mesmo pardieiro que o insurreto do teu deliquente, olha que merda.

- Sim, sim, agora vais-me convencer que as mordomias são à borla. É pelos lindojólhos do menino. Deve ser. 

- Não, estúpido. A diferença pago eu do meu bolso, estás a entender? Tu pagas a ponta de um corno, eu pago para o puto andar no Colégio. E acho muito bem que não pagues, era dinheiro mal empregue. Um gajo quando nasce burro e feio não há nada a fazer. Fazes muito bem em poupar a guita.


...

Ora, enquanto estes maduros se pegam à pancada, olhemos para a cunbersa à luz do nosso tema:

É provável que ambos tenham razão. Na verdade, neste assunto a opinião não conta para nada. É uma mera questão de ideologia. Acontece que, hoje em dia, dizer ideologia parece que aleija. Ai foda-se, disseste-me "ideologia" em cheio numórelha, queres apanhar? O problema é que temos uma classe de políticos que se move pela opinião, ou seja, pelo interesse. Ah poijé!

Havia de vir um senhor e dizer-nos: Pá, acabou-se a mama do ensino privado à conta do Estado. Há por aí muito boa escola onde meter os pirralhos, vão-s'amazéfoder. Querem Colégios, paguem do vosso bolso na íntegra. Quero cá saber se são melhores ou dão mais jeito ou assim. Azar. Pode ser que com a guita que pouparmos se consiga fazer uma Escola Pública em condições. A gente depois logo vos diz para onde é que têm que mandar os putos. 

Isto era bonito. Só que não pode ser dito, não é? Mas esta é a verdade. É uma questão ideológica. O que convencionámos chamar de "Esquerda", considera que o Ensino deve ser público, universal e gratuito. E todo igual. Nivelado por onde houver dinheiro para o nivelar. Mas como dizer isto? Pondo de parte a hipótese de abolir todos os partidos e tomar de assalto a Assembleia da República com um pelotão comandado pelos Capitães de Abril que sobrarem?

É que... como bandeira da Igualdade de Oportunidades - aaaaaaahhhhhhh - é muito pífio. Majentão só a malta com muita guita é que pode ter acesso ao melhor ensino, certo? Ando eu aqui a pagar para os meus cachopos terem o mesmo ensino que os moços do RSI, poijé? Eu até posso pagar um pouquinho mais, porque é que não posso ter melhor? Mesmo que não seja melhor, é o que eu quero. Cortam as pernas aos meus miúdos em nome de uma Ideologia? Porra pá, não digas "ideologia" que me ficam a doer os gémeos, chiça. Cá para mim estão a eternizar a desigualdade de oportunidades e a cristalizar no poder - económico, político, social - uma classe de privilegiados. Que é precisamente o que vocês querem, comunistas da treta, socialistas de fachada, assim-assins invertebrados. 

Ouch, resolvam lá isto. Complicado hã, xôr Costa? Mas a si kelhimporta, você faz um sorriso meio imbecil e recebe o Campeão nos Paços do Concelho e... Ai, espera, já não pode fazer isso. Caraças pá!

Era igualmente interessante que a oposição escolhesse alguém que pudesse dizer: Era o que faltava, então majandámos nós a arranjar maneira de financiar o Colégio da Tia Constança e agora vinham estes bardamerdas e estragavam tudo? E quem paga a muda da água da pi'cina olímpica? Para mais, já se percebeu que tudo em o que o Estado mete o bedelho dá buraco. Ou então dá merda. Ou então dá o Mário Nogueira, que é a mesma coisa. Pá, botamos o dinheiro nas mãos de quem sabe da poda, cada um escolhe o que quiser - ou o que puder pagar - e tá a andar. Mantemos aí umas capoeiras para quem precisar mesmo. De qualquer maneira, não é como se fossem dar grande coisa, né?

Naturalmente que passaria a ser impossível usar a defesa do Estado Social em campanhas eleitorais e afins, o que, tendo em conta que isto é Portugal e nós Portugueses, não daria jeito nenhum. É por isso que só falam de contratos, do Estado enquanto "pessoa de bem" e tal. Como se não tivéssemos já todos, em alguma altura, sentido o quanto o Estado é uma "pessoa de bem" e cumpridora. Bem fundo. 

Sendo uma mera questão ideológica - ui, isso doeu! - a verdade é que por esta via se premeia mais o mérito, se alarga a possibilidade de escolha de uma base mais vasta da população, se nivela por uma média mais elevada a qualidade, provavelmente. Ao mesmo tempo que se condena à categoria de "Excepção Magnifica Com Direito a Medalha e Filme no Youtube e no Telejornal", qualquer puto saído das classes mais baixas que obtenha sucesso. Não se pode assumir isso, pois não? 

É que não dá jeito nenhum. Uma merda.


...

- Olha-me esta vergonha, agora jogamos ao meio dia menos um quarto! Sem dar cavaco a ninguém. Mas isto aceita-se?

- A mim dá-me um jeitaço. Acho espetacular.

- Espetacular? Como assim? Achas bem que ignorem os sócios, os adeptos, a população de uma maneira geral, desta maneira? Achas normal sermos tratados como clientes sem direito a opinião? Isto é uma vergonha. Este aurário é estúpido, cheira mal e é provocatório. Não pode ser. Só se eu fosse um ganda palhaço é que compactuaria com isto! Como é que a pessoa pode almoçar à meia hora, com jogos a começar ao quarto para as? Não dá jeito a pessoas como deve de ser, desculpa lá!

- Olhe, meu senhor, - que eu não andei consigo na escola, publica ou privada - os miúdos da B fartaram-se de jogar a essa hora. Não correu nada mal. Para além de que, não andava por aí uma nostalgia dos dias passados a ver jogar o FCP? A formação, as modalidades, depois o futebol. Ou é uma mera questão de ordem das coisas? Parece-me bastante estúpido isso.

- Está a chamar-me estúpido?

- Não, você não, o argumento sim.

- Kejber um banano nas ventas?

- Manda lá! Anda, manda lá que já levas a sobremesa para o almoço. Deve estar na hora não, oh anormalóide?

Caaaaaaaaaaaaaaaalmaaaaaa pessoal. Não é preciso bater em ninguém, nem falar mal de quem quer que seja, nem inventar motivos para desancar a SAD. A uns dará jeito, a outros não. É apenas isso, como sempre. Ou seja, opiniões...


...

- A reler os Mandamentos, Senhor?

- Só o OITAVO, Pedro. Apenas o impossível oitavo.

- Impossível, Senhor? - Espantado.

- É. Não dá jeitinho nenhum...

domingo, 8 de maio de 2016

Domingo B para tótós (Atualizado: Já está!)



Hoje jogam os B. Por norma, há posts na Tasca nestes dias, depois do jogo. Hoje faço questão que seja diferente. É antes do jogo.

Antes, porque este jogo não vai mudar nada, nem decidir o que quer que seja. O FCP B vai ser Campeão da Liga de Honra. Que foi? Cada um chama-lhe o que quiser! A mim ninguém paga para fazer publicidade. E anúncios à borla é a maior praga da história da Humanidade. Acreditem.

A grande expetativa à volta do jogo de hoje, é saber se vamos dar uma ajudinha para mandar os lampiões B para a terceira divisão. Yet another, porque já lhes ganhámos este ano. Opá, era lindo!

De resto, tenho lido e ouvido tanto disparate acerca deste jogo, e desta equipa, nos últimos dias, que não consigo ficar calado. Then again, tenho alguma dificuldade em praticar essa modalidade do silêncio. Felizmente. Já viram o que era perder-se a minha versão do Disposable Heroes, no chuveiro? É tão poderosa que nem se notam os pregos do Lars. Para além de que não troco a letra, como o Hetfield no bideócliper que vos deixo. Claro que conto com o meu gato nos backing vocals. O tom desesperado do miar do animal é uma vantagem, por comparação à fraca prestação do Kirk.

Adiante, os adeptos do FCP tiram-me do sério vezes de mais. É porque tenho o rastilho curto, talvez; ou a mania de que sou o dono da verdade, possivelmente; mas seja pelo que for, no fim do dia dá igual: Irrita-me!

Desde pérolas como "Porra pá, é uma vergonha. Então não podiam pôr os putos a jogar no Dragão? Aquilo enchia, era uma festa..." F.C.Festas at his best. Saibam que a média de espectadores no Estádio de Pedroso é de 516! Mas uma vez que podemos ir fazer uma festinha, caramba, o Dragão é pequeno. Até porque esta é que é mesmo a equipa do FCP. Isto é ser Porto. É da B que eles são mesmo, mesmo, mesmo adeptos. Desde pequeninos.

Mas consta que estarão 8.000 indefectíveis apoiantes em Gaia, mai'logo. Nada contra, pois claro. Eu não estarei, como não estive em nenhum dos outros jogos - fica já dito. Acho até bem que a malta lá vá, mostrar aos miúdos que o povo está com eles. Assim ganhem. Porque de outra forma, lá estarão os 500 verdadeiros, no próximo "jogo grande" dos B. 

Não fico incomodado que uns 6000 dojoito não faça ideia quem são os jogadores, mas fico aperreado quando noto que todos eles acham que estes meninos é que deviam ser o FCP A no próximo ano. Não fazem ideia, não pensam, não querem saber. Por consequência, irritam-me! Mas tudo o que lhes peço é que não assobiem os passes errados. Epá, para isso fiquem em casa. Ou vão ao Dragão no Domingo que vem...

É este peculiar sentido de Portismo que põe o Dragão a assobiar em peso o líder da Liga a sério, porque não joga o André. Ao mesmo tempo, pouco tempo depois, até concorda que se deve emprestar o rapaz a um clube do meio da tabela, mas com bom futebol, para ele amadurecer. Que clube do meio da tabela - isto é, entre o 8º e o 12º, por aí - é que tem um bom futebol, já seria discutível; mas metam lá nessas cabeças duras que craque não se empresta. Olha, os calimeros, há muito anos, planeavam emprestar o Futre ao Portimonense. Sabem o que aconteceu?

Por fim, mas não por menos, Luis Castro. Quem foi lendo os "Domingos B" aqui pela Tasca, saberá que não morro de amores pelo senhor. E continuo na mesma. É por isso que acho graça à caterfa de gente que agora declara o Castro muito bom, sim senhor e tal. Onde estavam há um ano? Ai, espera, já tínhamos equipa B nessa altura? 

Reconheço ao treinador o mérito de, em três anos, ter colocado uma equipa B em lugares de subida duas vezes. É muito bom. Ainda mais, sendo Campeão numa delas. Mas desconto a quantidade de "às" que usamos há dois anos. Assim como tenho claro qual foi a grande diferença do ano passado para este. Nem toda mérito do Luis. Mas isso são contas de outro rosário.

Sim, fica prometido - ou ameaçado - um balanço da época B. Agora, com a vossa licença, vou ver se somos Campeões antes do almoço. Sim, sim, pode acontecer. Não sabiam? A sério?

Oh well, façam uma grande e bonita festa, cumprimentem os miúdos, apareçam na TV, mas depois, por favor, deixem-se estar caladinhozisugadinhos. Or else...


...

Soundtrack to bulshit: Or else...


...

JÁ ESTÁ! YES, WE ARE! (menos para quem quiser acreditar que vamos perder por dozazero...)

Bem-vindo à 1ª Liga, Grupo Desportivo de Chaves!

E só naquela, quem é o PRIMEIRO Campeão Nacional de Futebol em 2015/16? Ah poijé! O Melhor é sempre o Melhor! Mesmo nas lonas :)