As relações interpessoais são coisas basto complicadas. Requerem tempo, uma paciência de Jó, compromisso, negociação, cedência e, acima de tudo, doses industriais de atenção. Deve a pessoa estar sempre de orelha levantada, atenta ao que se passa, para ter assunto, uma palavra amiga de conforto, um highfive no momento certo. Enfim, essas panasquices.
É por isso que eu considero as relações interpessoais no âmbito da família restrita muito mais tranquilas. Desde logo, tendem os membros deste grupo a viver na mesma casa, o que facilita, pois claro que facilita. Resolve-se um terço das questões à lambada, outro porque não e o último através de orgasmos múltiplos.
O problema é que este núcleo restrito de indivíduos não chega para constituir todo o Universo da pessoa. Precisamos, intrinsecamente, de nos relacionar com mais uma série de fulanos e beltranos e um ou outro sicrano. Às tantas, um gajo sente-se o Costa metido na geringonça. Sem o jogo de cintura do moço. Já se sabe, a espinha atrapalha.
(Note-se o uso exclusivo do masculino, acima. Ou seja, nada de fulanas, beltranas e, muito menos, sicranas. É um bocado amaricado, pois claro que é, mas ajuda bastante na parte dos orgasmos múltiplos. E mútuos. Caso tenham mesmo que se amigar do sexo oposto, convém privilegiar a obesidade mórbida, as gengivas salientes, a falta de dentição e a falta asseio. O que se perde em glamour, ganha-se em sossego. No caso de elementos de sexo assim mas também, esta questão não se encontra documentada. Pelo que parto do princípio que pode ser uma ganda rebaldaria.
- Ai , Jubaida, Jubaidinha...
- Hã?
- Nada, Xilva. Engaxguei-me com a côdea do cachequeiro.)
...
Confesso que me distraí. E isso foi chato no campo da interação com a malta da Tasca que é mais bola. Andei a dar em golpes e contragolpes e reviragolpes de Estado - ora agora golpeias tu, ora agora decreto a pena de morte que te fodes - estive atento ao revivalismo espistolar - a carta da administração demissionária para o Ministro que escreve à comissão sancionadora, à espera de resposta na volta do correio - pus-me a pensar se há subvenções vitalícias associadas às Ordens de Mérito - fazem o favor de parar de gozar com o homem e voltarem a perder Campeonatos? Arre, que feitiozinho! - e acabei por perder o fio à meada da bola.
Quando dei por ela, tratei imediatamente de me colocar em dia. Pelos media de referência, fiquei a saber que o 5LB é o maior; os jogadores do Bayern masturbam-se cinco vezes ao dia - há ocasiões em que o fazem em conjunto - perante a perspetiva de tomarem banho com o Renatinho; o Vitória é quase tão bom como o Jergo Juses, quando tinha tino e não era boçal e usava um fatréno encarnado; os de Lisboa estão fartos de contratar estupendos fintabolistas; o Universo conhecido sabe que PdC é mentiroso e aguarda ainda o final do Apito Dourado. Claro que não acabou, por quem sois?! Só acaba, quando acabar bem. Para eles.
Ora, isto já se sabia em antes, pensei eu. E o meu FCP? Lá tive que ir aos meandros obscuros da deep web, sentir o pulsar da Nação mais forte. E descobri:
O Presidente é mentiroso. Desde o Apito Dourado que é esta vergonha; o treinador começou agora a treinar mas é muito mau. Se ao menos fosse o Juses. Ou o Vitória; a formação está a ser desbaratada, emprestada a eito, destruída. Como é que se explica que não haja aqui um Sanches, um Bernardo, um Cavaleiro, um Gomes titular da Seleção, um Adriano com sotaque avec, um Super Mário bem passado?; precisamos muito, muito, muito de um avançado. É uma vergonha meterem um puto da formação naquele lugar. Assim, nem em terceiro ficamos; o Telles não é necessário, mesmo que seja bom, ainda que custe 6 e venha a valer 20. Porque não meteram lá um puto da formação, tão bom que é o cachopo. E mai'novo; o central é fraco, temos que comprar mais quatro ou cinco; o Teixeira veio para fazer a Comunhão, pela mão do Padrinho. Para além de que pega na bola e chuta à baliza e finta adversários e não tem medo. Pior ainda, se perde a chicha, vai a correr atrás dela ou trata de recuperar a posição. Sem precisar de entrar só quando a bancada está a gritar por ele, a equipa a ganhar dezazero, para ter minutos, ganhar calo - coitadinh'tãnovinho - ser acarinhado, mimado, estragado. Isto assim não presta, não é Ser Porto; deram na TV um jogo que não servia para nada, a não ser treinar, e foi uma grande vergonha. Se ainda conseguíssemos, era de rasgar os cartões. Perdemos cincazero, apesar de termos ganho doizum. Praticamente a meio do Campeonato, ou assim, e é isto que jogamos? Está lindo, está. A ver se não descemos de divisão; é prioritário vender toda a gente que cá está; é prioritário comprar toda a gente que cá não está; encontrar reforços é muito fácil, faz-se já aqui uma lista de quinhentos. É só instalar aquela coisa do Pokémon e desatam a aparecer soberbos jogadores de futebol na cozinha e no WC e por todólado. Faz cuidado, não te apareça um Mewtwo por trás quando te pões a fazer flexões no soalho.
Credo!
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Prontinho, agora que já estou a par de tudo, posso dar-vos a minha opinião. É de borla, está claro, porque, como bem diz o Lápis, eu não vejo um boi de bola. Tenho é dificuldade em ficar calado.
Eu acho que precisamos, com muita urgência, de contratar muita gente. Para a bancada. Podem ser Irlandeses, Islandeses, amarelos de Dortmund, whatever. Alguém que, pela Paz do meu Espírito, não me deixe a roer ajunhas de cada vez que imagino um passe transviado no jogo de apresentação.
É verdade que para além do Sisto eu não conheço mais nenhum jogador. Também é quase certo que não entendo nada de tática. É seguro que ninguém na bancada vai marcar golos ou perder jogos. Mas serão determinantes, mais uma vez. Aliás, ainda mais! Desta vez.
Escolham o vosso lado. Fiquem dentro dos ecrãs dos vossos gadgets, se vos passar pela cabeça irem para a nossa bancada cheios de vontade de terem razão. Contra o FCP!
Nesse caso, não se incomodem, façam como os Pokémons: Go! Mas pela sombrinha e para longe da equipa que era suposto apoiarem.
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Enfim, o grande drama das relações interpessoais é que se fazem inimigos com grande facilidade. E amigos com muito cuidado.
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- Não te mexas, Pedro! - Ecoa como um trovão. Ora, é mesmo um trovão.
- Ai, Senhor, não me assuste. Que se passa? - Borrado de medo.
- Não te mexas, já disse. Está um Arceus dependurado das tuas barbas...
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Soundtrack to silly season: Gotta catch'em all!










