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terça-feira, 6 de junho de 2017

A Mesa do Canto: A dieta do senhor Bertocchini (com o próprio)

Está quase...

- Oh Xilva, 'shtáli aquele xeu amigo, o Xorche... - Interrompo:

- Qual dos Xorches, Berto?

- O Italiano... - Interrompo:

- Epá, faz-me um favor e diz-lhe que vai ter que esperar um pedaço. Ainda tenho o molho a apurar. Olha, leva-lhe um fino para o entreter, importas-te? - Atarefado atrás do balcão, felizmente cheio.

- É que ele mandou dicher que quer xó uma xaladinha, oh Xilva.

- Hã? O Bertocchini? - Tento ver por entre as cabeças e os gestos das conversas animadas. Não o encontro.

- Icho mesmo! O Bertoxxini. Xó uma xaladinha, ouvi muito bem.

- Opá, chaladinho estás tu, majé da tola. - Rio-me. - Alguma vez? O Xorche? Nem pensar! - Ele fica um pouco vermelho.

- Oh, vai lá tu então, quero cá xaber dicho. E eu diche xalada! Não diche chalada. Xe foches gojar com a tua prima...

De pano ao ombro, avanço por entre as mesas, direitinho à do canto. Ele lá está, absorto no seu espertófone. Atiro-lhe a dois passos:

- Xaladinha, xenhor Bertoxxini? - Sei que ele adivinha o meu sorriso irónico. - Estamos doentes?

- Goza já tudo de uma vez, se fazes o favor. Que isto já é difícil que chegue, sem inteligentes a azucrinarem-me a careca. Simples: Di-e-ta. Importa-se, senhor Silva? Ou esta casa de pasto não serve erva?

Olho para o balcão, onde o Berto dá largas à sua vocação de taberneiro e despacha fregueses eficazmente. O molho borbulha de vez em quando, muito brando, aposto. Está lá a minha maçã-relógio-de-cozinha, há-de apitar. Abanco-me.


...

Digo-lhe:

- Há um lado asceta das privações voluntárias que raramente se aborda. Um caráter contemplativo que não se compadece com os prazeres mundanos. Olha, por exemplo, as dietas. 

Não é como se eu achasse que haviam de beatificar as gajas todas entre abril e agosto - estão todas de dieta, certo? - mas se olharmos para lá da superficialidade, à essência do gesto, o que vemos? Alguém que diz: "Não, não me darei o prazer de me deliciar com este naco de barriga assada no forno, o courato em torresmo, a carne a desprender-se do osso, tenra, o molho na espessura certa, com o seu travo de laranja e maçã, a humedecer as partes." 

Diabos me carreguem se não há nisto um sopro metafísico. Como se fossem vergastadas nas costas, ou votos de silêncio e isolamento. A negação do prazer, por um bem maior. Mesmo que seja só por causa de não lhes cair a barriga em cima das cuecas do biquíni, as mais das vezes. No fundo, é uma espécie de manutenção da castidade estomacal, a reboque da força de vontade e contra muitas vontades.

Será que quando comem bolachas às escondidas, conta como se estivessem a esgalhar uma?

...

Ele levanta a cabeça do aparelho. Abana-a, quase incrédulo.

- Obrigado pela imagem, é bom saber que sempre que precisar de purgar pela gaita posso pensar em muffins de noz ou numa malga de empadão e ganhar inspiração. 

Não vejo as dietas à luz da metafísica, é difusa demais e põe-me a pensar em gregos de toga e vem-me à cabeça o Katsouranis e não quero ter nada a ver com esse cabrão, nem à canzana. Mas compreendo o conceito de auto-flagelação gastronómica, com chibatada no lombo e aventais com tule de lojas chinesas, apesar de não ser o meu intuito. É antes uma opção por um caminho menos tortuoso pela vida fora. Mas como te disse, percebo o teu approach. 

É um estado mental, um alheamento da felicidade momentânea, com um objectivo mais profundo que se vê ao longe e se sabe que se consegue lá chegar, mas que custa de caraças. Consegues ir pela auto-estrada a ver os cartazes todos cheios de luzinhas e gajas esticadas ao comprido a enfiar os dedos na boca, enquanto dão uma ferradela num morango coberto de chocolate, sem pensar em comer? Uma ou outra? Uma com a outra? Se atinges esse nível de desinteresse, estás prontinho para abdicar do repasto e de algumas outras coisas, admita-se.

Dá-me jeito fazer dieta, para ver se vivo mais uns anos. E também dava jeito ver a gaita mais algumas vezes, até a ceifeira mandar a porta abaixo. Chama-me inseguro, mas saber que está lá só pelo tacto, já me chegou nos quartos escuros da adolescência.

...

- Ui, obrigado por não partilhares o que andavas a fazer em quartos escuros. E não sejas tão concreto pá, quero lá saber da tua dieta. Aliás, só para veres até que ponto posso ser solidário, da próxima vez que pedires uma francesinha - e pedirás, meu caro, oh sim, pedirás! - mando-te a Jacqueline ou a Françoise, coberta de queijo derretido. Só. Oxalá não se queime a moça.

Repara, a abstinência subjacente a isto das dietas é, quase sempre, subestimada. Partimos logo do principio que é um disparate. Tipo, lá vem a badocha com a mania das dietas, dass. Que coisinha fútil. E é por isso que te sentiste logo na obrigação de esclarecer: Alto! Dieta sim, mas por motivos de saúde. O resto também, mas isso é porque és o Bertocchini e estás a lixar-te para o que pensam. Se fosses a badocha, não querias ser superficial. Vá que a dieta não corria bem - outra vez - e sempre te podias agarrar a alguma coisa: Oh, tábem, mas podem comer-me à mesma que eu sou bué deep. Deep. Get it? - Só eu me rio da piada seca. Um clássico... Prossigo:

- Eu acho mal esta discriminação pela parte estética. Opá, se a pessoa quer ser mais magra porque lhe parece que isso a torna mais bonita, tem todo o meu apoio. Até pode comer só manteiga à dentada, se achar que isso a emagrece, e morrer com uma embolia. O que a preocupa é emagrecer, não é ficar melhor de saúde. É aqui que entra a metafisica. Para mim, esta malta é tudo Santos.

Oblá, oh mister, isso de querer viver muitojanos com saúdinha, é uma coisa que queremos todos. Porque somos egoístas! Ah e tal, vou é tratar de comer bem, a ver se não quino. Muito bonito isso, sim senhor. 

Mas quereres ficar giro cumócaraças - se pudesses Bertocchini, se pudesses - faz bem a uma parte maior da Humanidade. Porque dá melhor ambiente ao planeta, tájaberohnão? Ou seja, é seres asceta pelo bem dos outros. Sim, porque com aquelas fuças, a badocha pode pesar 20 quilos que ninguém lhe pega à mesma. Mas mete menos nojo.

...

- E tu queres que eu perca peso para o bem da raça!? Só se for nos guizos, porque algum do peso que perdi lá de dentro, acabou por originar uma coisa bem gira que até já obra sozinha, também contribuindo com a sua própria purga para o bem do estrume planetário. Por isso, que se fodam as vacas que a minha vitelinha também conta. 

Mas o ser asceta é bem mais do que uma dietinha e eu garanto-te que não o sou. Nunca fui, nem serei, porque se tiver de me isolar de todos os prazeres, não preciso de fazer dieta nenhuma, porque morro cedo. E tenho prazeres curtos, simples, puros, delicados, atingíveis, meus. 

Espanto-me todos os dias quando vejo gente a esforçar-se tremendamente para se divertir. Aliás, uma das frases que mais febre me tem vindo a dar nos últimos tempos, a par com "temos de reunir para decidir isso" e "és um chato com isso do Porto!", é o "vai ser tão divertido!". Só me apetece responder: "pode ser divertido para ti, seu monte de suburbanidade, tu que não consegues passar cinco minutos em silêncio sem teres medo de ficares sem voz até ao fim da tua inútil vidinha. Vai lá descer o rio ou subir o monte ou qualquer que seja a inclinação que hoje está na moda, mas deixa-me em paz, fazes favor?". Argh, gente que urge terceiros a divertirem-se, devia jogar contra o Vinnie Jones!

Ah, em termos de francesinha, podes mandar-me a Marine, mas com brie a sair-lhe pelos orifícios que não se mostram e a queimar-lhe a chafra toda, para ver se ganha juízo. Assim à medieval, como ela.

...

Grita do balcão:

- Oh Xilva, 'shtá aqui uma machã a apitar!

- Oops, o molho. Tenho que ir. Olha, havias de aproveitar e deixavas de fumar. Doía tudo de uma vez. Já lhe mando a xua xaladinha, xôr Vitor. - Levanto-me, não sem notar a interrogação que se lhe forma por cima da careca: Será?

...

Soundtrack to loosing weight: Too much man for you to take!

...

O senhor Bertocchini opta por escrever na ortografia antiga. Gordo!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Tripas e dobradinha



Somos um País pequenino. Em muitos aspetos, é verdade, mas era mesmo do tamanho que falava. Apesar disso, somos diversos, multiculturais, de traços fisionómicos diferenciados e alimentamos umas quantas rivalidades regionais. Como é apanágio dos vizinhos. E das famílias.

Acreditem que para quem vive em Lisboa, é mais ou menos por aqui que se traça o limite. Isso do centralismo, do Império falido, do favorecimento e do desequilíbrio, não chega à vida das pessoas comuns. Isto é, soa tudo a um bairrismo um tanto datado, normalmente associado ao futebol.

Duas coisas que me parecem importantes reter. A primeira, é que não é efetivamente por soberba ou estupidez que o habitante médio da Capital - os Lisboetas já são uma minoria destes - se está bem a lixar para o choradinho do centralismo. Não é missão dele preocupar-se muito com isso, de facto. E que os líderes, anos após anos, sejam escolhidos de entre...gente da terra, não é culpa sua. O segundo facto relevante, é o futebol. Não é por sermos umas bestas atrasadas, a acordarem de 50 anos de ignorância, que isto sucede. Quer dizer, é! Mas não pelas pessoas, senão pela ordem que permanece inalterada e convenientemente inalterável.

Isto é, se é um facto que futebol é Futebol, um dos efes, não é menos certo que as poucas vezes que o poder centralista e centralizador é colocado verdadeiramente em causa, ao Futebol se deve. Clube do Porto.

Apesar disso, tudo isto são circunstâncias e contextos, mais do que cultura. Em termos culturais, mantendo a diversidade já assinalada, constituímos um todo bastante sólido. Motivo pelo qual somos independentes, contra as odds. Na minha opinião, isso não significa que os indivíduos sejam muito semelhantes. O quadro de valores e de hábitos será, mas os contextos e as circunstâncias moldaram, ao longo da História - que não tem 50 ou 100 anos de centralismo, tem 762 - diferenças importantes nos modos de ser dos habitantes das diversas regiões. Nem melhores, nem piores, meramente diferentes.

Raros são os meus ancestrais nascidos em Portugal Metrópole - Portugueses eram tanto como os outros; vivi a ainda maior parte da minha existência Lusa em Lisboa - sendo Portista; e, por coração, acabei a Norte há já uns belos anos. Estou na posição perfeita para conseguir ilustrar o que digo com um exemplo prático.

E o que digo? Que dobrada e tripas parecem a mesma coisa, mas que se servem de maneira diferente e, sobretudo, se comem de forma diversa.

...

A primeira vez que me disseram:

- Oh docinho, chega-me aí uma cruzeta. Depressa, que tenho que ir pôr o testo na sertã, a ver se salteio as vagens. Anda lá homem, dá corda às sapatilhas.

Eu pensei, pumbas, já está, enganaste-te na localização e vieste hospedar-te por engano em casa de uma família Mirandesa. 

Agora já somos todos híbridos. Se já falo a mesma língua, com mais sotaque algumas vezes, também ninguém cá em casa tem dúvidas sobre o que é um cabide, uma tampa, uma frigideira ou um par de ténis. Já sobre o feijão-verde, a discussão não está encerrada. Acho que lhes soa bastante estúpido, mas relevam.

Já se vê que também chamei dobrada ás tripas. Ficou toda a gente a olhar para mim como se fosse atrasado mental. E tudo o que me vinha à cabeça era: Páááááá, só porque não tem cenouras? Lá me explicaram, bastante pacientemente, que não eram a mesma víscera e blablabla e que, espanto!, até é costume levarem cenouras. Abanei muito a cabeça e fiz muito ar de ignorante, perante a complacência de uns e o divertimento de outros, e continuei a pensar: Páááááá, ponham-lhe umas cenouras...

Hoje, pensaria: Pááááá, botem-lhe umas cenouras. Parecendo que não, é uma coisa totalmente outra. Porque hoje, sei que a grande diferença entre dobrada e tripas, diga a senhora minha sogra o que quiser, é a mesma que vai entre pôr e botar. 

A primeira, serve-se em pratinhos, com o molho mais liquido e muitas cenouras. A gente gosta é do feijão, não estávamos à espera de encontrar propriamente dobrada. Deixa-me cá tirar este pedaço de chóriço para o meu lado, discretamente. Como a gamar o enchido? Tásparvo ókê? Se calhar não tô a pagar como tu, késvêr?! Estes lagartos, dass. Vamos lá é aviar isto com uma carcaça e duas imperiais. Podes ir já tirando a minha bica, oh tasqueiro, que tenho que ir à minha vida. 

A segunda, em travessas generosas, com as carnes a fazerem-nos ir à pesca dos feijões no molho, mais espesso. Passem o arroz ao Preto Mouro, que ele é muito arrozeiro. E a sêmea, que o pobre homem não tem pão. Olhe aqui a saladinha, se lhe apetece. Antes de rebentar, deixa-me anotar as horas do meu óbito por motivos de ser um alarve. Xinapá, quase cinco da tarde, credo. Pois claro que se abre maijuma.

Ao mesmo tempo que gosto cada vez mais de caracóis e de caracoletas, apesar do nojo com que a família me vê a despachar os bichos à tonelada; enquanto a cidade, Lisboa, me vai parecendo cada vez mais bonita; à medida que vou sentido até uma espécie de prazer e orgulho em ir mostrando a Capital, os sítios a que os turistas ainda não chegam com frequência ou aqueles sempre cheios de gente e sempre tão agradáveis; vão-me sabendo mais diferentes dobrada e tripas. Como se sentisse uma raiz a agarrar-se à terra. 

...

A propósito de dobradinha, parece que ontem serviram uma dose no Estádio de Oeiras que, estando na zona da Grande Lisboa, é, naturalmente, Nacional. Lá estavam na bancada o nosso Presidente, adepto do Braga, criado na Capital; o nosso Primeiro, adepto do 5LB, antigo Presidente da Câmara de Lisboa; e muitas outras distintas figuras do Estado e do Desporto, noventa e alguns por cento das quais partilham aquele traço comum: Lisboa. A maior parte deles, eleitos pelo Povo. Não me estou portanto a queixar, apenas a constatar.

Podiam ser tripas à moda do Porto? Não, não podiam. Primeiro, convencionou-se chamar dobradinha à coisa; depois, mesmo que nos danássemos para a convenção, tinha demasiada cenoura. Um gostinho diferente, percebem?

Vejamos, os da Capital chegaram àquele jogo decisivo graças a este golo. Relativamente cedo, tiveram que substituir o seu médio-defensivo que se magoou. Entrou este moço.

Poderia ter entrado outro, caso o rapaz dos socos não estivesse disponível, certo? Pois claro que sim, certo. Mas não seria bem a mesma coisa. Como dobradinha e tripas a sério.

...

Soundtrack to tripas: Binhu!


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Um longo intróito e o verdadeiro post

Pra treinador de quem? Huumm, deixem-me pensar...
[ Antes de, eventualmente, embarcarem nisto, deixo-vos um breve aviso:

A malta da bola tem "O verdadeiro post" devidamente assinalado, mais - bastante mais - abaixo. Podem portanto escapar à demência anterior. O resto do pessoal...a sério, não troquem a vossa pornografia por esta quantidade de disparates :) Até porque, tudo é bola (hey, xôr Lima). ]


Um longo intróito: A Leanor e o Descartes

Sou um tipo um tanto esquisito em algumas coisas, dizem-me. Eu acho que têm razão. Até porque há uma aura em volta dessa coisa de "ser esquisito" que, por algum motivo, me agrada. Manias.

Se me ponho a pensar nisso, concluo que é uma bela treta. Sou perfeitamente vulgar. Faço é melhor de parvo do que a média, pelo que devo dar ares de nãopodecerassimtãostúpido. E dão-me esse desconto e olham para mim com um sentido de tástafazerdeparvaversemenganas. Eu cá aproveito e digo as minhas esquisitices e a malta pensa: Olha, numpercebipatavina! Deixa-me cá concordar - ou pelo contrário - para não parecer algum idiota.

O Mestre Manuel de Oliveira, homem vivido, olá se era, usava como poucos este estratagema. Facto que lhe permitia filmar uma árvore, no mesmo plano, durante trêjoras e fazer disso uma obra-prima, se preciso fosse. Aposto que se ria que nem um perdido.

Como se riria Camões, se soubesse que os putos lhe analisam os Cantos à sílaba. E então porque escolhe Luís Vaz "não segura" para adjetivar Leanor? Porque rima com verdura, setôra! Zero, estúpido! Porquê? Ora, porque deve haver um motivo menos simples do que esse ou não nos punhamos meio ano letivo a olhar para isto, não te parece? Credo, que rapazola esquisito. E ri-se, deve ser um tanto atrasadinho...

Não vos alarmeis ainda, isto tem um propósito. Se calhar.

...

Já se sabe que esta condição tem os seus contras. Não é tudo flores e regatos frescos e prados férteis e gajas boas todas nuas. 

Hã? Sei lá, não lhe vejo grande diferença para "Descalça vai para a fonte / Leanor pela verdura". 

Digamos que faço parte de um grupo de pessoas que até podem dizer o que lhes vai na cabeça, muitas vezes, que há pouco quem se chateie. Lá está ele com as suas pascacices, é deixá-lo estar. Isso é bom, desde logo porque nos permite dizer coisas como esta - que é de uma falsa modéstia aflitiva - sem que ojóvintes fiquem com muito asco.

Hã? Ah, não. Os panascas não contam. Quem é que está enojado, mesmo? Bem me parecia... 

A condição de não se ter pejo em dizer, de maneiras variadas, que se gosta de ser gostado, é muito útil na gestão dos heróis. Tomemos o exemplo - se não o melhor, pelo menos o mais bonito - de mim próprio.

Tenho milhentos heróis, de vários géneros. Ao longo do tempo, uns vão deixando de ser e outros substituem-nos. Alguns permanecem, está claro. A constante é que todos contribuem, de alguma forma, para a construção da imagem que quero ter de mim. 

Isto é muito útil, poijimpede que arranje modelos e ídolos instantâneos. Há uma espécie de processo de recrutamento. Veja-se a Super Mulher. Embora concorde que apresenta argumentos ao nível mamário de basto relevo, nunca foi dos heróis que me agradasse. Lá está, não contribui para o que quero de mim. Já se vê que não inclui ter estupendas mamas. O que, de determinado ponto de vista, é uma pena. 

Assim, parto quase sempre de uma posição Cartesiana: Eu penso e existo. Já V.Exa, só sei que existe. 

Hã? Nop! Não há registo de Descartes alguma vez ter afirmado "existo, logo penso". 

Calma, é provável que isto chegue a algum lado. É possível, pronto.

...

Conheço um labrego - que muito prezo, mas não fica bem dizer "muito prezo um labrego" - que defende que a média das pessoas é bastante burra. Não concordo assim muito com isso, embora fique demasiadas vezes sem resposta perante os exemplos. Acredito mais na preguiça do que na estupidez. Em termos de generalização, bem entendido. É que pensar dá um certo trabalho, de modo que é melhor a pessoa limitar-se a existir.

Cria-se o ecossistema perfeito para a proliferação de gente que faz dojôtros parvos. Ora, indivíduos que já de si se dizem estúpidos - um vosso criado - dificilmente embarcam na lorpice, uma vez que não necessitam que os façam de algo que passam a vida a dizer que são. Para que os - me! - contrariem. Para a tese, o objetivo é pouco importante.

Hã? Pois, exatamente o que estou a dizer. Sou sim senhor. 

Se aqui chegaram, já não vale a pena irem embora.

...

Ainda que admita que não seja imediatamente inteligível - se podia ser mais condescendente? Huumm, dificilmente. - este é, acredito, um dos motivos por que sou Portista.

Estamos tão habituados a que nos tentem fazer de parvos, que topamos à milha quando vem maijum. Umas vezes fazemos é de conta que não; outras, deixamo-nos estar, preguiçosos, ao Sol. O que nunca acontece, é sermos completamente tapados durante muito tempo. Porque não somos lampiões.

Hã? Ah, pois, agora é que é. Obrigadinho pela paciência.

...

O verdadeiro post: EU.NÃO.SOU.LAMPIÃO!

Se está toda a gente entretida com os fireworks do novo treinador, na Tasca, onde já se tratou desse assunto, é a hora certa para conversar sobre... o anterior. Só para chatear, mesmo. Então vejamos:

- O NES demitiu-se!

Hã? O tipo do contrato é a confiança, das bases para o futuro, do crescimento que nos lança para os títulos? Esse?

- Pois, demitiu-se, já disse!

Portanto, entrou pelo gabinete dentro e disse:

- Xôr Presidente, demito-me! Acabo de concluir que sou uma nódoa e não vou chegar a lado nenhum de jeito, pelo que tive muito gosto em cá estar este pedacinho, mas vou indo. Felicidades e cumprimentos à...errr...enfim, dê lá lembranças em casa.

Ou então:

- Jorge, pá, esquece! Não fico aqui nem maijum minuto. Não dá, amigo. Sou demasiado bom para estar a ser enxovalhado semana sim, semana também, pelo polvo. Isto nunca se vai endireitar e portanto nunca vamos ganhar merda nenhuma. Vou é dar de frosques enquanto não me queimo demasiado. Desculpa lá o mau jeito. Manda beijinhos a todos.

No máximo:

- Xiii, Grande Dragão, já estou a ver que vamos ficar sem equipa. Despachas o Depoitre e ficamos sem ataque; sai o Herrera e lá se vai o meio campo; e até o Marega és capaz de vender, depois queres que se ganhem jogos. Nem penses, se é para isso, não contes comigo. Fui.

Em qual destes cenários é que NES se demitiu? Podem explicar-me, por obséquio?

- Shhh, cala-te, pensa no próximo.

...

- O NES prescindiu de receber o ano de contrato que ainda tinha. Isto sim, é Somos Porto até ao fundilho das ceroilas, caraças!

Então mas não se tinha demitido?

- Pois claro! Já te disse que se demitiu. És chato, dass!

Ora, se se demitiu, não prescindiu de porra nenhuma. Quando a pessoa diz ao patrão: Oh chefe, eu cá demito-me; não tem direito a indemnização nenhuma. Nem que seja o Espírito Santo, penso eu de que. No máximo, o chefe é que podia exigir ser ressarcido, por quebra contratual. Ou isso é exclusivamente no caso de se ser Holandês?

- Que parvoíce! Demitiu-se e prescindiu, não ouves bem?

Moço, não pode ser. Tens que escolher uma. Ou se demitiu e não prescindiu; ou prescindiu e foi corrido a pontapé.

- Shhh, cala-te, quem será o próximo?

...

- Não fosse pelos árbitros e NES teria sido Campeão.

Ah, isso sim! Até que enfim uma coisa que faz sentido. Ufa. E nesse caso, seguramente não se teria demitido, certo?

- Pois claro que não! Até um marmelo com olhos como tu, consegue perceber isso. 

( Desculpem, em termos de frutas, marmelo é o máximo que me consigo insultar. Não tem muita graça, mas é o que é. Às vezes penso em maracujá, mas evito, que me dá tesão. Hã?)

Portanto, sendo a responsabilidade exclusivamente de fora, não faria sentido termos sido nós a demitir o homem.

- Então mas se já te disse que ele é que se demitiu! És tão cansativo, oh marmelo.

Sim senhor! A conclusão é: O NES não quis ficar no FCP! Fomos chutados para canto pelo Herlander.

- Hã?

É isto.

- Shhh, cala-te, deve estar para aparecer o próximo.

Diz que não quer vir...

...

Há uns dias, perguntei se as coisas boas estariam já a apodrecer. Hoje, sinto que, em nome do Clube do qual não gostam mais do que eu - isso é certo!, há quem pense que basta falarem para mim como se, neste campo, fosse um ser perfeitamente acéfalo. A quem basta dizer, não explicar. A quem é suficiente mostrar o caminho, não mobilizar. Do qual se espera que esteja na primeira linha do combate, mas sem ração. Sorrir e acenar, rapazes, sorrir e acenar

Parece que algo de errado se passa no ecossistema do Dragão. As coisas bem feitas apodrecem demasiado depressa, em nome não faço ideia do quê. Espero que o Rei Dragão esteja a tratar de combater este problema climático, para repor o natural equilíbrio e tornar o ar puro e respirável. De forma a que possamos retornar à nossa simbiótica forma de vida.

Já sei que não serei um baluarte do Portismo, tiro daí a ideia. Mas make no mistakes, EU.NÃO.SOU.LAMPIÃO! Menos, muito menos, senhores. Respeito!

...

Soundtrack to instant heroes: The bottom line is dying...

domingo, 26 de março de 2017

Resumo da semana: In memoriam

Joaquim Ferreira dos Santos. Ninguém se lembra do gajo...

Passado tempo, é difícil que as memórias sejam espelhos da realidade. Provavelmente, serão meras construções do cérebro. Não que sejam mentira, mas são edifícios de lego, compostos de blocos que são, cada um, memórias também. Ou seja, aquela grande imagem que guardamos, é talvez o composto de vários fragmentos que, tendo acontecido cada um, não ocorreram ao mesmo tempo e nem no local em que hoje os recordamos. Será porventura o nosso modo de poupar espaço de armazenamento, condensando num único acontecimento os momentos relevantes de vários. Não sei.

Sei é que muito dificilmente terá acontecido ele estar sentado à cabeceira da mesa grande da sala, muito bem penteado, nas costas a janela - ou seria a porta para a varanda? - à frente, aberto sobre o tampo, o jornal. E eu sentado à esquerda, a cadeira entalada entre a mesa e a cristaleira, acabado de chegar.

É evidente que não podia ser na cozinha, pois que somos homens e a cozinha é o espaço das mulheres. Pode-se por lá passar, se está Sol e vamos para o terraço; ou se deu uma vontade de fatia de queijo e se demoram a trazê-la; no limite, se há uma confusão de cachopas e é preciso pôr ordem na casa.

Com um sorriso cúmplice, ele dirá suficientemente alto, para que se oiça lá dentro:

- Quer tomar alguma coisa?

E eu responderei ainda mais alto, para que dúvidas não restem:

- Pois claro que não, bem sabe que não bebo sozinho. Já se o meu amigo me acompanhasse...

Depois, ouvimos complacentes o ralhete costumeiro. Umas vezes zangado, outras mais divertido que aperreado, sempre consciente do desfecho do caso: Dois copos e uma garrafa sobre a mesa. Não sei porquê, mas estou capaz de apostar que é água-ardente. E pronto, estamos preparados para saber do Mundo.

Anos mais tarde, olhando a família abraçada, de olhos postos na cova, noto claramente a falta de um. Estão incompletos e assim permanecerão. Acabarão por aprender a viver à volta de, apesar do, com esse espaço vazio. Que, desgraçadamente, não se preencherá.

Espero que a Morte que lhe habitou alguma parede do quarto, tenha tido a decência de lhe declamar um poema. E de lhe dizer, piscando o olho enquanto lhe estendia a mão fria:

- Vamos nus?

Vamos nus, ´vô Xico, ver o que andam as pessoas a fazer.

...

Em Londres, atentou-se. Como sempre, o circo mediático parecia estar montado, escondido em algum banco de areia do Tamisa, tão pouco tempo demorou a ser instalado em Westminster. E os dias seguintes foram mais do mesmo, na busca incessante de dar aos voyeurs a pornografia que, na verdade, importa.

Igualmente arrepiante, é a velocidade a que os comentadores e analistas que o Mundo inteiro consagrou, debitam as suas opiniões finais e finalizantes. Assunto encerrado. Bem como os discursos normalizados dos políticos, que antes de abrirem a boca já todos sabemos o que dirão. E acenamos, combalidos pela dor de mais um ataque, solenemente as cabeças.

Por detrás de tudo isto, esconde-se o facto insofismável: Cinco vitimas mortais, provocadas por um tolinho que pegou num camião e numa faca de cozinha para matar pessoas. Já oiço vestes que se rasgam, na perspetiva de que o tolo do Silva esteja a desvalorizar o caso.

Pois não está, está só a recusar-se a embarcar, de olhos e ouvidos tapados, na lenga-lenga decorada pela maralha. Convenhamos que cinco são menos do que cinquenta e dois. O que eu vos digo, é que há muito quem vos tente - nos tente - vender o lado negro, apenas. Uns, porque sabem que é esse que querem comprar; outros, porque sabem que é só desse que podem viver. Eu proponho uma alternativa:

O discurso do Medo diz que o terrorismo pobre é a nova catastrófica moda. Uma chatice bestial, porque é difícil de detetar, porque mete medo à vizinhança, porque é fácil de implementar. E eu acho que isto é uma bela construção que permite manter uma série de malta a mamar nas tetas em que anda a mamar ao tempo. Sob o beneplácito dos políticos - dos atacados e dos atacantes - a quem dá um imenso jeito fazer declarações consternadas e apresentarem-se como os paizinhos que tomarão conta de nós. Ou que nos matarão, tomando conta dos deles.

Porque é que ainda não ouvi ninguém dar os parabéns ás forças que combatem o terrorismo, pelo excelente trabalho que, pelos vistos, têm feito? É que, aparentemente, está bem mais complicado os terroristas terem acesso aos materiais necessários para produzirem as bombas que matam aos milhares. Ou têm menos dinheiro para as comprar. Parabéns às autoridades que têm impedido que aviões sejam desviados contra edifícios. No meio de muito disparate securitário, há - certamente! - espetaculares resultados. Irrita-me que os transformem na nova ameaça, no mais recente fim do Mundo em cuecas. Aiai, agora é que é.

Pá, viver com tolinhos é uma coisa que fazemos desde sempre. Olha, em Barcelos houve um atentado. E o terrorista de Aguiar da Beira também ia a caminho de um número simpático. O que peço é apenas que pensem. A mim, parece-me que somos nós que deixamos os tolinhos cantarem vitória, quando estão, na verdade, mais perto das cordas.

Já estiveram mais longe de serem uma má recordação. Prefiro que estejam mais perto de serem internados no Conde Ferreira, do que de rebentarem uma estação de comboios.

...

Por falar em Conde Ferreira, a Holanda reparou a tempo num doente que se tinha escapado do Conde lá da terra.

Não deixa de ser engraçado ver a esquerda proletária a aplaudir vitórias da direita conservadora, mas o mais importante é manter estes trastes fora do poder. O problema é que há muito que não estavam tão perto e, um dia destes, arriscamo-nos a que a Democracia seja uma memória.

...

Agora, não valia era a pena revelarem-se os tolinhos Holandeses todos ao mesmo tempo, credo. Então, a malta do Sul é mais putas e vinho verde, hein? À conta do Norte trabalhador. Não sei o que isto me lembra, mas...

Pá, que dizer a isto, senão...sim?! Sim, oh doidinho de tamancas, sim! Produzimos um verde de estalo, que fazemos questão de provar basto, não vá passar algum lote de pior qualidade. Aliás, se o comprares ao preço certo, comprometemo-nos a produzir o melhor verde do Mundo. O único, a bem dizer. Para teu deleite. Mas nosso também, em antes de ti.

Quanto ao resto, no worries chefe. Manda as tuas protestantes frias cá para as terras do sangue quente. Prometemos que as devolvemos frescas, mas conscientes da sua sexualidade; intactas, mas libertas de puritanismos hipócritas; livres, mas exigentes ao nível do desempenho dos seus parceiros de cama. Ou de chão. Ou de banca da cozinha, atrás dos arbustos, na praia e no wc da disconight. O que pode ser um problema para ti, está claro. É por isso que achas que só em pagando é que lhes podes chegar. They know better, mate.

Se pagares o valor justo, mandamos-te um TIR de Zézés Camarinha para darem formação por essas bandas. 

Esta gente perdeu a memória da Flandres muito depressa. É capaz de estar na hora de os lembrar das bases do mercantilismo: Nós temos. Se tu queres, paga. Se não queres pagar, ao menos esconde a inveja.

...

Mas a beleza de tudo, é que os loucos ainda são uma minoria. Não devem ser desprezados, nem subestimados, como bem sabemos. No entanto, é refrescante perceber, na maior parte do tempo - que não no tempo todo! - que mesmo os estúpidos mantêm alguma memória dos benefícios da sanidade.

...

- Oh Pedro. - Olhos postos na parte rosada da grande janela.

- Sim, Senhor.

- Achas que eu sou um gajo? Sinceramente, parece-me que perdi a memória do género. Vai-se a ver, sou Holandês... - Preocupado.

- Creio que sim, Senhor. Se tivesse que arriscar, diria que É mesmo um gajo.- Seguro.

- Então, até logo. - De saída.

- Hã? Onde Vai, Senhor?

- Fazer uma visitinha à Rita...

...

Soundtrack to memory: I can smile at the old days.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Resumo da Semana: Emoji


Como sabem, sou um gajo que é maluco por redes sociais. Para mim, se não apareceu no Facebook, é como se não tivesse acontecido. Ai porque me faleceu um familiar e não pude vir trabalhar. Sim, sim, muito lindo isso tudo. E a foto de caixão aberto no Instagram? Um video do falecido com orelhas de coelhinho e bigodes de gato no Snapchat, há? Não? Então é treta! Desconta no ordenado e abre o respetivo processo disciplinar. A mim, ninguém mengana! Nem manda nudes. O que é uma porra! (emoji tristinho)

E assim cheguei a esta condição, em que acredito que o Universo é composto por:
  • Animais domésticos fofinhos, a fazerem coisas fofinhas.
  • Crias Humanas tão fofinhas como animais domésticos, a fazerem coisas ainda mais fofinhas.
  • Flores e Sóis e Luas e montanhas e regatos e florestas, com frases inspiradoras por cima. Muitas vezes com erros ortográficos e que terminam com: "partilha e descobre quem são os teujamigos". Quem não cumprir, para mim é um suíno javardo. 
  • Imagens de Santinhos com orações que eu desconhecia. E que se não partilhares na tua cronologia, estás a habilitar-te ao Inferno. Para além de não seres meu amigo. Suíno javardo.
  • Os Humanos espigadotes, eles próprios subdivididos em categorias:
  1. Hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  2. Triste, deprimido, abandonado, escorraçado, mutilado emocionalmente - e fisicamente no caso de pernetas, por exemplo - mas cheio de força para vos fazer engolir tudo e mostrar-vos quem sou no fundo. Que é um gajo hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  3. Bué intelectual, tájaver? Tipo, bué mesmo. Tipo, digo apparatchick e hipster e eslúvio e, tipo, essas coisas. Hiperintelectual, tipo hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  4. O Pedro Chagas Freitas, o Gustavo Santos e os filhos de um com o outro que povoarão todo o Universo, montados nos seus unicórnios. Que parte dos bichos montarão, é que estou por saber. Assfulness anyone?
  5. Gente que escreve posts a desancar as redes sociais. E depois vai e publica nas redes sociais. Tipo, que depressão fazer parte desta espécie que se aliena nestas emulações do Real, escapando, no fundo, da essência de si mesmos. Porque não conseguem estar à altura do que gostariam de facto de Ser: Gente com força para vencer as adversidades e ser hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2. Isto é, eu! A propósito do que, vou é administrar um blogue. Inchem, suínos javardos. Hã?
Claro que também há defeitos nas redes sociais. Raros, mas lá se encontra um ou outro. Olha, os emojis do FB que permitem mostrar como a pessoa se sente quando está a postar. São bem catitas, mas insuficientes. Não há meio de haver um de "todo fodido", nem "a cagar-me péssamerdatoda", ou "idapanharnobujom", nem mesmo "cheio de tusa". Isto vindo de um gajo que já tem um espertófone com estes bonecos há prái...um mês. Adoro! 

Enfim, uma lacuna que urge suprir. No entanto, são emojis que dão bastante jeito. Para resumir a semana, por exemplo. 

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Silva, a sentir-se indignado

Estou indignado - lá está - com o FCP. Epá, todágente sabe que o resultado que uma grande equipa procura é Cincazero. Óspois vem aí a malta toda dizer "ena Silva, cincazero!" e tal; e metem aqueles cêzinhos de marca registada que eu não sei botar e assim. Agora, setazero? Setazero não lembra a ninguém. Assim não, meus meninos. 

Para mim não restam dúvidas que a culpa disto é de NES. Também é um bocadinho do Brahimi e do Oliver e do Silva e do Soares e esses todos, mas sobretudo do NES. E do Presidente também, mas menos. 

Vejam bem, com o resultado certo e a jogar contra 10, o tongo do treinador vai tirar o trinco e botar maijum avançado. Como quem diz: Bora meter mais golos cambada! 

É por causa da moral? É por causa do respeito pelo público? É porque isso é que é o ADN Porto? Não meujamigos, nada disso. É só pra foder o Silva. Acho mal, claro que acho mal.

Por outro lado, nos dias que correm, toda a gente acha que trêzazero é uma goleada. Logo, Cincazero - como é que se bota o cêzinho, caralho? - é um goleada dajantigas. Uma cena à homem: Pimbas, gandarraial de porrada que demos! Somos bons ou não somos? Inchem, suínos javardos. Suáines javeirdes, se vierem de Loster, Laixer, Laister, Coiso. 

Mas setazero? Com setazero desata logo tudo a dizer que ojôtros é que são fraquinhos. Ah, era só gordos que haviam era de estar todojábaliza. Assim também eu. Que pracaso só lhes dei três majé porque mapeteceu.

Pá, setazero não é futebol. É as primeiras duajóras de um jogo de basquetebol entre anões paralíticos e formigas dementes. Pumbas, adversário esmagado! Ai se os tolinhos purojanimais vojapanham, anões de um cabrão. Aposto candam naquelas cadeirinhas a motor, cumákele moço Americano. Caté deu um filme que era ele e isso tudo.

... 

Silva, a sentir-se surpreendido

Estou basto surpreso. Então não é que - finalmente! - alguém encomendou um estudo sério, pago pelo contribuinte, está claro, acerca das Praxes Académicas?

Surpreendeu-me que este estupendo Estudo, feito pela Academia - o que é logo um belo principio - tivesse concluído, mais coisa menos coisa, que as praxes Académicas são uma alarvidade. 

A sério? Wow, quer então dizer que aquelas cenas alarves a que chamam Praxe Académica, no seu conjunto constituem uma alarvidade? Pá, ainda bem que se lembraram de encomendar este Estudo. De outro modo, permaneceríamos para sempre no obscurantismo da dúvida. Eslúvios portanto.

Quem também ficou muito chocado, foi o nosso Ministro da Educação. Fazia lá o homem ideia que se passavam estas coisas. Nem ele, nem ninguém. Muito menos a malta do Colégio Militar. Agora, defender que a humilhação nunca fez parte do espírito académico, é parvo. Faz pois, senhor Ministro, olá se faz. Tu kéjber que temojaki outro que nunca lá pôs os pés

Os autores do Estudo revelaram, em primeira mão, à TascaTV que já receberam, da ASAE, a encomenda do próximo trabalho. Trata-se de uma investigação acerca de qual o Clube da preferência do Silva. O da Tasca. Vai ser mais difícil, majosmoços estão empenhados. É como os contribuintes, também estão empenhadojatéótutano, para pagarem estas coisas importantes todas.

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Silva, a sentir-se revoltado

Estou revoltado! Não há quem ponha mão nisto? É indecente, pá. Depois de andarem a pintar as paredes do tasco de um senhor que emprenhou uma mulher e, juntos, pariram um homem de bem; estes vândalos continuam a danificar o património alheio. Só que, desta vez, disfarçaram-se de meninos bem comportados, para passarem despercebidos e incriminarem onjanjinhos de Lisboa - coisinhas fofas! Finórios, estes tripeiros.

É por estas e por outras que acho que o milhafre Vitória tem razão. É preciso é armar os seis milhões e dar cabo do canastro a esta gentinha. Se não aprendem a bem, aprendem à porrada. Ai espera, à porrada também não vão lá. Tem que ser a tiro mesmo!

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Silva, a sentir-se irritado

Estou muito irritado. Vai por aí um estardalhaço do camandro porque o Nelson Évora não sei o que mais. Pra já, não me parece bem que uma melancia possa participar neste concurso. Quer dizer, andam ojôtros ca tempos a treinar, a treinar, para depois vir de lá um fruto e ganhar a medalha. Se isto é justo, vou ali bater com a cabeça numa parede e já venho. Toda a gente sabe que uma melancia é muito máleve que um marmanjo cheidamúsculos.

Devo, no entanto, reconhecer algum mérito ao Nelson. Para equilibrar a questão do peso, a frutinha salta com uns quatro pares de meias metidos nos calções. Digo, cinco. Menos mal, mas não deixa de ser basto irritante. Pode vir quem quiser - sim, podes vir quem quiseres toda lampeira ver as fotografias do moço naquelas fatiotas de luta grecóromana, a ver s'mimporto! - que para mim continua a ser uma palhaçada.

- Errr...Silva...aquilo não é meias. 

- Claro que é!

- Errr...não, não é...

Pronto, é mesmo como eu dizia: Batota! Haviam de extraditar o tipo para o Tarrafal, sem possibilidade de comutação da pena, nem imagens de video vigilância. Aliás, imagem nenhuma! Então majondékjássviu isto? O gajo faz salto com vara e ganha a medalha do triplo salto? Ora, assim também eu!

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Silva, a sentir-se recuperado

Entretanto, passou-se o Carnaval. Dada a minha geografia específica, é um período do ano um tanto...errr...exigente, vá. Uma semana depois, já me vou sentido quase recuperado.

Este ano, resolveram erguer umas barreiras aqui na terra, para controlar o acesso da maralha aos sítios da festaronga. Diz que é por questões de segurança e tal, o que é de louvar. Majamim, pareceu-me que o propósito era mais não deixar os putos entrarem co'asbubidas que traziam de casa. Digamos que foi uma medida de estímulo à economia local, à conta de uma série de gente que vem sabe-se lá donde.

Claro que os locals não são parvos nenhuns e trataram de resolver antecipadamente qualquer problema que pudesse vir a ser-lhes criado. Foi só descobrir qual porta estava à guarda do Paulo Núncio e já está. Íamos todos fantasiados de dez mil milhões de euros. Uma limpeza, ninguém olhou sequer para a malta.

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Silva, a sentir-se com saudades

Estou cheio de saudades. À conta desta pessegada dos milhões de euros, nunca mais soube do Domingues, nem ouvi uma palavra do Centeno, nada. Uma pessoa segue as séries, depois estranha quando acaba a temporada, pois claro que estranha. 

Pareceu-me um golpe muito catita da Direção de Programas, mas as personagens desta nova série - que é suposto fazer-nos esquecer a anterior - são muito menos coloridas. Enfim, é o que temos, pode ser que entretanto dê alguma reviravolta inesperada.

Ainda por cima, já ouvi dizer que afinal a outra série não vai ter mais temporada nenhuma. Que não tarda já ninguém se lembra e fica em águas de bacalhau. A bem de toda a Administração - atual e anteriores - e mais dos acionistas e do resto da pandilha. Porque será?

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Soundtrack to emoji: Imitation of Life

quinta-feira, 2 de março de 2017

A Mesa do Canto: Némesis (com Jorge Bertocchini)

A Vingança, essa gaja com estupendas mamas...
Ele fica um bom bocado sem jeito à conta do tratamento VIP. E eu, mesmo a tentar com toda a força evitar, não consigo...evitar: É favor não fumarem para cima do rapaz; se não se importam, pomos a música um pouco mais baixo, que está aqui o homem mesmo colado à coluna, coitado; desculpem lá, mas o barril está mesmo no fim, só deve dar mais uns dois finos. De modo que vou guardá-los para o Bertocchini. Bebam água, cambada de bêbados empedernidos.

Depois, apercebo-me da panasquice deslocada que isto é, mas já vou tarde. Já toda a gente está a olhar para mim como se eu fosse uma noviça na primeira fila de um concerto dos 30 Seconds to Mars. Com as cuequinhas todas ensopadas, a tentar abafar os gritinhos, mas incapaz de esconder as lágrimas. Um nojo!

(Pausa para private messaging: Sim, foi premeditado, cara senhora...)

Então, encolho ojombros e penso de mim para comigo: Oh, 'safoda, não devo explicações - e nem desculpas! - a ninguém. E procedo a oferecer bebidas à freguesia toda, para alivio da minha consciência.

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Majagora, quando sobejam apenas os escassos velhos que ficam para jantar, absortos no fumo do caldo quente e na sua solidão viscosa, ele é apenas um amigo à mão. Como se amigos, grandes ou pequenos, muito ou assim-assim, velhos ou novos, de "a" ou "A", pudessem alguma vez ser apenas.

Raisparta a honestidade, o que é certo - embora menos poético e infinitamente menos interessante de escrever - é que é ele a minha única hipótese de duas de treta a esta hora. Pelo menos, sem couves coladas ao bigode e cascas de feijão entrusdentes.

Deixo o balcão, em direção à Mesa do Canto. A dois passos, assobio e atiro-lhe a mini de abertura fácil:

- Agarra, Baía! - Ele não falha. - Diz-me a primeira coisa que te vier à cabeça, oh careca. Senão, és o Baroni. Nhanhnahanaha.

- Hã?

- Vamos ver para onde nos leva a conversa. A primeira coisa. 'Bora? - Ele semicerra ojolhos e sorri-me um "bute!".

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né·me·sis 
(grego némesis-eosretribuiçãoira devido a injustiça)

substantivo feminino

1. Deusa da vingança. (Com inicial maiúscula.)

2. Acção de retaliação ou de vingança.

3. Pessoa que se vinga ou quer vingança.

4. Adversário ou obstáculo difícil de derrotar.


Sinónimo Geral: NÉMESE


"némesis", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt

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Não tenho nenhuma némesis. Gostava imenso, mas já procurei e nunca consegui encontrar uma decente.


Como se fosse fácil encontrar Némesis. Para começar, é apenas uma para toda a gente. Ou achas que as Deusas se replicam, tipo ovelhas manipuladas geneticamente e tal?

Não, meu caro, o que temos ao pontapé são coisas que nos fazem desejar encontrar uma Némesis.  Isso sim, é fácil. Basta respirares, para teres uns quantos motivos legítimos para aspirar à vingança. Digo eu, que não sou nada vingativo. 

Por exemplo, topa lá a ironia, já reparaste que o oxigénio nos mata?

Não me mata a mim que eu só respiro saúde. Por fora, que por dentro estou todo rotinho e cheio de gases direitinhos do sétimo círculo do Dante. 

Mas voltando à coisa, as némesis não se descobrem nem se criam. Destroem-se. E se não tenho vida para criar, como hei-de descobrir um alvo para destruir? Não é fácil viver num mundo repleto de gente que é tão fácil de odiar e não tens as armas para o fazer em condições, como qualquer homem decente! Raios, foram anos após anos sem odiar, imaginas o que isso é? 

Grande parte da existência humana baseia-se nessa treta, desde que o Caim enfiou um fémur nas ventas do mano. O problema é que eu fico a pensar: "se calhar teve um bom motivo, que aquele Abel era um gajo meio parvo, daqueles que usa a água quente toda de manhã ou que te acaba com a manteiga sem comprar mais e depois deixa-te a untar a torradinha com as bordas de um pacote de queijo-creme meio rançoso". Vícios, é o que é. Maus hábitos, como uma freira sem queda para a costura.

Ah não, não me venhas com esse choradinho: Ai que eu não consigo odiar, todo eu sou uma bola de amor e algum pingue de rojão. 

Até parece que te vejo todo nu, montado num unicórnio cor de arco-íris, a cavalgar - salvo sejas! - em direção ao Sol posto. Credo rapaz, que me estragas a Lady Godiva e o Lucky Luke ao mesmo tempo. Sofro bastante com o refluxo.

Por outro lado, não estou nada convencido disso de os maus fígados serem estruturadores do Universo. O egoísmo sim, o interesse próprio e corporativo também, a inveja sempre. Agora, uma coisa tão profunda e tão pura - sim! - como o Ódio? Nem pensar. 

Eu cá, acho que tens a espécie em demasiada boa conta. Ou o inverso, porque creio piamente na nossa capacidade para Amar. Agora que me pões a pensar nisso, uma não implicará a outra? Heaven without Hell?

E sabes que mais? O oxigénio é mesmo um veneno. Oxida.

Que interessante. Pode haver prazer sem dor? Ou pelo menos sem teres o conceito gravado na tua mente e no lombo? Gosto de pensar que não, afinal há que obrigar o Homem a fazer alguma coisa de jeito para se deleitar com a maravilha. 

Imagina-te a beberes um copo de Lagavulin sem conhecer a Amarguinha. Até é jeitoso, mas que me desçam para um poço de pilas todo nu, se não se compara com aquele naco de Afrodite enrolado em algodão-doce. Cheia de oxigénio, como tu gostas, aquela venenosa! 


E a dor é isso mesmo. É o traçar de um caminho à custa da faca que levas presa à coxa, um tortuoso percurso de lama, fel, pus, golos do Jonas, tudo misturado num caldeirão Dantesco (com maiúscula, que o cabrão merece) sem fim à vista, a não ser o fugaz vislumbre de um qualquer sorriso.

Tudo para que o oxigénio, que nos obriga a viver sob o seu jugo, nos mate por fim.

Gotcha, Bertocchini! Conta-me lá, és incapaz de Odiar, dizias? Tu, que Amas tão conscientemente pessoas e entidades. As pessoas, imagino que Ames; as entidades, sei de uma que sim, definitivamente. É por contraponto a que Dor, esse Prazer?

Aí tens a tua Némesis, meu caro amigo com nome de defesa central Italiano: Sim, tu conheces o oposto do Amor. E oxida-te, como o oxigénio de que precisas para Amar. Deal with it.

Um velho grita-nos, do fundo da sua tigela de sopa quente: 

No Heaven without Hell!


É a dor de ter o prazer ausente ou pior, de pensar que estará sempre ausente. De esticar os braços com os músculos a estalar e não tocar na cortina. De colocares todo o teu esforço na busca de um objectivo que parece tão perto e que ficará sempre assim, perto, mas nunca alcançável. 

Perguntas-me que Dor é o contraponto do Prazer? É a tentativa de lá chegar sem conseguir. Uma espécie de coito interrompido mental, se preferires. 

Por isso não odeio, porque me ponho quase sempre nas chuteiras dos outros. E catolicamente (que sou tão pouco), sofro por arrasto para não o passar para terceiros. 

Lamúrias, lamúrias conscientes de um rapaz que só quer bem ao Mundo, por muito que se amedronte com ele. Talvez o futuro me mude. Talvez não. Cá o espero.

E como dizem estes queridos, "How can we have a day without a night?"


Com Jorge Bertocchini | PORTA 19

Este também opta por escrever na ortografia antiga. Maricas!
...

Vou resistir com todas as forças a desfazer-me em agradecimentos ao Jorge, majé dificil para mim. Porque este tipo, ou melhor, o blogue dele, é o responsável por haver uma Tasca onde - também! - se fala de bola. Por isso, vou deixar-me estar calado.

Aproveitei a "Mesa do Canto" para satisfazer um desejo antigo - there we go... - que era pôr o Bertocchini a escrever NÃO sobre bola. Acabou por fazer alguma batota, como se pode comprovar pelo post a mielas, mas qualquer Bertocchini é melhor que Bertocchini nenhum.

Sobretudo porque o gajo se comprometeu a acabar pelo menos mais dois "Mesa do Canto". Sem prazo, however. Ai, não era para dizer? Epá, desculpa lá, foi de propósito. Incha.

Como viste, não te agradeci. Já me podes dar a porra do autógrafo? Dass!


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Rolo de carne e saltimbocca

Vamoláspacharisto que está o rolo de carne a arrefecer, blöd.

Conformados, resignados, tristes, mas de cabeça levantada. E ainda conseguíamos juntar mais umas 500 expressões feitas à lista. Trata-se de malta tão Portista quanto eu - boa parte de vocês, portanto - a afagar o melão.

Porque sempre que o FCP perde, contra o Tondela ou contra os Romanos, é nisso que se transforma a nossa cabeça. A única diferença, é a maior ou menor dificuldade que temos em engolir as talhadas. O melão de ontem é, aparentemente, dos docinhos. Um gajo não tem vontadinha nenhuma de o comer, mas, assim fresquinho, até marcha menos mal.

Eu cá, queria antes outra fatia de rolo de carne.

Como seria de esperar, não embarco nada nessa onda conformista. Já sei que é ponderada e racional, séria e lúcida, mas é, quanto muito, metade da história. Setenta e cinco por cento, vá. Pronto, noventa. E nove?

- Fechado, xôr Silva!

...

Eu gostava de ter visto mais de meia hora daquele jogo. Queria saber até onde nos levaria a (imensa) Alma e a (grande) solidariedade; contra o (muito) futebol dos coisos. 

Começou engraçado, foi ficando como seria natural, descambou completamente com a expulsão. Se é verdade que por essa altura ojôtros já dominavam, também é certo que isso, nos dias que correm, não é propriamente desconfortável para nós. Portanto, aquilo do "ah e tal, mesmo com onze já não mandávamos", é uma perfeita balela. 

A nossa ideia de jogo não é mandar em ninguém! É fazer de conta que estamos no quarto, de castigo, e bazar pela janela. Quando derem por ela, já andamos de língua na boca da Carlota Popota, que pode ser anafadita, mas tem uns belos melões. Ops, melões não, carago.

Quer isto dizer que teria sido bom ver o último quarto de hora da primeira parte daquele jogo. E a segunda parte inteira. Perceber de que modo os treinadores explicariam, pelas substituições, o que queriam da vida. Pela amostra, o nosso queria ganhar. O que se louva. Não vou agora bater no moço, por ter feito aquilo por que, não o fazendo, o desanco. Queríamos um golo, para podermos jogar igual lá na terra dos coisos. Acho bem. Se bem que...íamos jogar igual de qualquer maneira. Aliás, vamos.

Vai-se a ver, tinha sido útil alguém explicar ao NES que, apesar de ter projetado jogar com dez, muito cedo ficámos com nove. 

Anyway, foi o que foi. E como Dragão tem asas, mas não é peru, isto não acabou. Pode ser para cumprir calendário, pode ser impossível, um disparate, uma cena que "só mesmo na cabeça do Silva", mas a verdade é que vão ter que jogá-lo:

O (muito) futebol deles, contra a nossa (imensa) Alma. No fim, falamos.

...

O mais importante, como sempre, são as coisas boas que ficam. E ontem foram muitas e inúmeras, já descontando as partes positivas do que ficou escrito acima. Ah poijé, bebé:

• Boa gestão de cartões amarelos do Alex Teles. Uma vez que o jogo de volta não conta para nada, arranjou maneira de se limpar. Está prontinho para a fase de grupos 2017/18. Ou para os quartos...

• Excelente regresso de Layun às assistências. Persistente, não desanimou com o falhanço de Herrera à primeira e lá assitiu um gajo para golo. Agora é só continuar a fazer o mesmo, mas sempre na outra baliza. Fácil.

• O espírito de sacrifício de Herrera, a jogar mais de 40 minutos com um pé feito num acidente ferroviário. Grave. É de capitão, sim senhor.

• O Espírito de Santo Sacrifício do Nuno, que sacrificou a equipa a jogar mais de 90 minutos com os dois pés do Herrera. Isso sim, é pôr à prova a capacidade de entreajuda de um grupo. E os nervos de outro.

• O colinho do Dragão. Vénias múltiplas, pessoal. Que nunca mais a nossa casa seja fria e hostil para os nossos. Oh sim, não passou tempo suficiente para que possamos fazer de conta que não aconteceu. No more!

• Esta certeza de que a malta da rotunda vai pagar o carrossel e a fartura! Cincazero. Com Oliver.

• O rolo de carne! Credo, ca bom que estava. Aí está uma combinação de que não me lembrara antes: Rolo de carne com melão. Vai muito bem.

Olha, mulher, de paga, em março faço saltimbocca com risotto caipiroska. Sem melão!