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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Balanço 18/19 - III: Future World



Nas últimas eleições defendi, acertadamente, como é evidente, que Pinto da Costa se deveria recandidatar e, está claro, ganhar. Porque me fazia, e ainda faz, sentido que tivesse um mandato que lhe permitisse arrumar a casa, sair do jugo da troyka uefeira e retomar o ritmo de vitória. O que, per si, significaria combater com sucesso a lama pestilenta em que chafurda toda a nação. 

Defendi igualmente, com o mesmo acerto, que estas tarefas configurariam a grande missão do mandato: preparar o futuro. Já se vê que olhava para ele como sendo o último.

Hoje... penso da exata mesma forma, ainda que pouco do que advoguei se tenha cumprido. A casa está pouco mais ou menos na mesma, mudando uns nomes aqui e ali; a uma vitória não se seguiram outras; e o Presidente não parece ter preparado o caminho da sua sucessão. Da questão financeira, creio, apesar da minha confessada inépcia para a função contabilistica, que vamos saindo, Não sendo fácil, é o mínimo que se exige aos que aqui nos trouxeram.

É evidente que Pinto da Costa será o eterno presidente do FCP, mas isso não teria forçosamente que se cumprir de forma executiva. Mas vai. Kind of...

Isto para dizer que não se me afigura provável que haja um plano. Há coisas que acontecem, oportunidades e ameaças a que vamos reagindo, umas vezes melhor, outras nem tanto, sem que se vislumbre um propósito estratégico ou a proatividade enérgica que nos leve a criar o nosso próprio futuro. Vamos cá estando, reagindo e adaptando, sendo pouco parte da mudança, mesmo que, e muito bem, nunca tenhamos abdicado da importância que temos e reclamamos. Queiram os octópodes desta vida ou não.

...

Se vamos falar de bola, a situação é rigorosamente a mesma. Eu acho que devia haver um plano. Eu creio que não há plano nenhum. Há uma vontade, isso é indiscutível, haverá esforço e trabalho, certamente, mas navega-se à vista, enquanto a máquina vai funcionando. If you know what i mean.

Por mim, teríamos um modelo, uma espécie de Guia de Acolhimento transversal a todo o futebol do clube, que explicasse o que se pretende que seja um futebolista do FCP, quais as características que o devem distinguir dentro e fora do campo, quais as ferramentas que o clube lhe proporciona para que atinja a plenitude do potencial que lhe detetámos e, muito importante, qual a estrutura com que trabalhará. Quem manda, no que manda, em quem manda, com que objetivos. Enfim, accountability, transparência, propósito.

Faz de conta que neste campo restrito era eu que mandava chover. Teríamos uma coordenação geral, responsável por todos os escalões até à equipa B, liderada por alguém a quem, conhecendo o clube e o contexto, fosse reconhecida a capacidade para contribuir para a definição do tal “modelo de futebol FCP” e implementá-lo. Ou seja, criar o fio condutor, o elo, que tornasse formal e imediatamente evidente a transversalidade do modelo. Eu gostava de reconhecer a marca FCP em qualquer escalão da formação, independentemente de quem fosse o treinador. Ah mas isso até acontece, dirão. Talvez. De forma informal as pessoas vão-se acertando, dada a proveniência transportam alguns dos valores do clube, têm impressa a memória do que eles próprios viveram. Agora plano? No lo creo.

Ainda por cima, há gente perdida pelas Arábias e pela China a quem assentava que nem uma luva este papel. Malta que, empossada, não se deixaria engolir pela máquina, espero eu, como um Castro da vida. E, ao mesmo tempo, capaz de perceber que a função termina no degrau que antecede a equipa principal. Aliás, todo o seu trabalho tem como fim último o sucesso galáctico de um terceiro.

Ora, quem defende isto e se confessa adepto, sei cá, de um Oliver Torres, do bom do meu sósia Pep e assim por diante - mas também do nosso Mourinho, de Messi, mas igualmente de Ronaldo, com latitude para apreciar uns e outros - não poderia entregar o zénite desta estrutura a Sérgio Conceição. Quanto mais não fosse, porque teria toda a gente estado a bulir pró boneco. 

Ter um plano não significa acabar com a criatividade individual, significa apenas enquadrá-la e colocá-la ao serviço do que é comum. Reconhecer o génio, sim, mas ter claro que só é genial o que contribui para fortalecer e cumprir o propósito. O resto é foguete. Parecendo que não, fica implícita estabilidade e coerência. E é um modo de agir que se dá mal com estados de humor e truques de comunicação.

É mais ser o puto meio enfezado, de óculos, que tira sempre grandes notas e por quem ninguém dá um tusto quando chega a hora de andar à porrada. Da primeira vez. Porque afinal, vai-se a ver, o gajo sabe karaté e judo e krav maga e o caralho que os fodeu a todos. Um gajo com um plano.

Em resumo, dentro do que racionalmente eu defenderia, pelo menos de momento, a conclusão do post anterior não poderia ser outra: bye!

...

Dá-se o caso de Pinto da Costa não estar nada de acordo comigo, o que lhe fica mal, já se sabe, e olhar para o próximo como apenas mais um mandato da sua já longa caminhada em defesa do FCP. Este não foi o último e o próximo também não será. Ao mesmo tempo, parece provável que continuemos com o plano de não ter porra de plano algum.

Assim sendo, a nossa única hipótese é ir lá na marra. Porque somos adeptos e queremos ganhar e fazer festas e não ter que levar com os outros a ficarem com as nossas alegrias. Vai daí, é apostar as fichas no que podemos fazer. 

Se não somos o puto com um plano, é melhor que sejamos o matulão cheio de músculos. Vamos sacar uma ou outra garina, belas prateleiras, excelente rabo e assim, que não terá paciência para nos aturar por muito tempo. Calha bem que também mudamos depressa de gostos e vontades.

A questão é que se não conseguimos ver um caminho pelo meio do nevoeiro da floresta, a alternativa é ir em frente. O que significa que é muito provável que espetemos com os cornos numa árvore. É bom que tenhamos uma cornadura grande e forte e hiperdesenvolvida, maximizando as hipóteses de ir a árvore abaixo antes de se nos partirem as hastes.

Quer dizer que duvido da aposta na formação, porque o que formamos não manda carvalhos ao chão à cabeçada; duvido que a política de contratações tenha o fito de preparar solidamente o futuro, sendo mais do que uma coleção de oportunidades; duvido que a equipa B seja o estágio à Ordem dos nossos melhores alunos, porque nem chegamos a ser uma escola organizada; duvido que tenhamos sub 23, libertando a B para aquilo que aparentemente se pretende dela: minutos para os A que não jogam e castigo para meninos que se portam mal.

Do que não duvido é que tenhamos uma equipa competitiva, cheia de garra e raça, unida, com fome de vencer. Não me parece que vá jogar muito bem, mas acredito que pode ganhar. É por isso que, mesmo eu, agradeço que Sérgio Conceição fique. Porque é o nosso melhor plano. É o único, na verdade.

Assim sendo, por justiça, há que convir que a renovação com o treinador é um lúcido ato de gestão. Bem o Presidente. Agora é assumir que lhe deve ser entregue a batuta, deixar claro, se não estiver, que Luís Gonçalves tem que ser um moço de recados do treinador, fazer o que ele lhe disser dentro do que a SAD quiser pagar e seguir a voz de olhos fechados. Nós cá estaremos para empurrar.

Espero que também estejamos, porque a altura virá, para julgar os resultados. E esses vão um pouco para lá dos títulos que se ganham. Radicam igualmente no potencial que reconhecermos para repetir as vitórias. Ou não?

...

Entretanto, tudo começa com execelentes noticias: esta época não precisamos de ir ao Batalha para ter espetáculo! Uma vez que o preço do meu lugar anual subiu e já está ao nível do bilhete de temporada do São Carlos, tenho a certeza que me vão dar ópera todas as semanas. #SADbem

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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Postais da bola: Portimão (com pausa e abaladiças)



Ah, Portimão, com o seu hipermercado Continente, o seu Pavilhão Multiusos, o cheiro a sardinha debaixo da ponte sobre o Arade.

Por acaso, sempre que penso nesta excelsa localidade, para além de me ficar a apetecer pimentos assados e batata cozida com pele, lembro-me da minha prima Beta, infelizmente detida nos calaboiços de um país obscuro do sudeste asiático. É gente que leva muito a peito isso do tráfico, já se sabe.

Ai a Betinha, uma cachopa roliça, feminista radical. De tal maneira que nunca aquela sovaqueira teve vislumbre de uma lâmina. Nem de água e sabão, já que falamos nisso. Já se vê que depois aquilo ressoa e tende a feder. Muito boa moça, a Beta, desde que a uma distância segura para a narina. O que nunca foi obstáculo ao são convívio familiar, pois que para além do pelo intenso, herdou igualmente da família o timbre peixeiro e o berro pronto.

Olha, por falar em intenso, quem esteve há pouco por Portimão, foi o nosso fêcêpê. E se no Vietname o número era 19 (hey, broda Bertocchini), em Portimão é 3...

                                                                    (Pausa para pequena nota do autor

Pequena Nota do Autor:

Tu que percebeste o cameo ali em cima, fica sabendo que é muito provável que já tenhas vivido mais tempo do que aquele que te falta gozar. Sendo uma mera questão de probabilidades, não esmoreças, porque as probabilidades de vez em quando são uma batata (hey, broda Vassalo). Hmmm, cozida com pele. E pimentos assados. 

Fim da pausa para pequena nota do autor)

                                                                                  3 pontos, 3 golos e 3 nomes.

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1. MAREGA

Diz que o Moussa não marcava desde que a Betty Grafstein entrou na puberdade, maijómenos no tempo em que os mamutes começaram a ver a vida deles a andar para trás; e que tem menos golos na Liga que o legítimo da anterior tem pelos no olho do cu; e que estava bem era a assentar tijolo ou a porteiro de um estabelecimento de diversão noturna na Praia da Rocha.

Faça-se aqui um pequeno desvio para saudar os industriais da noite portimonense, que muito mal passaram entre janeiro e agosto do ano passado, tendo-lhes valido os bandos de bifas semi-desnudas e a manada de trolhas entusiastas do tunning da margem sul. Uma qualquer, pois claro, que aqui não se discriminam margens. Felizmente chegou a bonança e em setembro as contas já estavam de novo equilibradas e a garrafa do Paulinho repousava destacada nas prateleiras VIP. É o que se chama o tempo das vacas gordas. Alimentam-se muito à base do fast food, as bifas.

Ah, sim, isto era do Marega, perdoai. Eu, às primeiras, concordo com quase tudo aquilo. E quando me dizem, ah e tal, olha ele ao lado dos mitos e disparam Falcão, Lisandro, Jackson, o inteiro, Bibota Gomes (curiosamente, muito raro dizerem Jardel), não tenho remédio senão acenar e perder o olhar nesse horizonte nostálgico. Mas depois, embirro de pensar um pedacinho e... epá, espera lá...

Esses todos, sim senhor, majé para o lugar do Tiquinho, poijé? É que nenhum deles podia fazer o que o Moussa faz. Ora, então majisso de escapar pela lateral, até o Hernâni...só que não. O Moussa não é só rápido. É igualmente um bisonte. No melhor sentido de bisonte, está claro. Uma besta que arrasta a bola - e este é o termo certo - e o jogo para onde embicar. Aos solavancos, aos tropeções, como se estivesse a lavrar um hectare de milho. Em dois anos de mister Conceição, já vi muita gente tentar, ainda não vi ninguém conseguir. É eu e o treinador. Não há outro que possa servir, ao mesmo tempo, de saída para uma fraca construção, de alternativa a uma pobre ideia de jogo, de poço de energia para que os outros respirem e de esperança para toda a nação azul e branca que, do nada, apareça um golo. Que ainda por cima os marque, poucos para uns, muitos para outros, é um bónus. Se for com a souplesse  de Portimão, bem, aí já é a gozar com as nossas trombas, malta que gosta é de gente que trata bem a bolinha. O Moussa é o Khal Drogo, a bola é a sua cadela. Umas lamparinas e de quatro, ohfaxabôr! E de repente, dá-lhe para ser fofinho.

Que me digam, oh Silva, mas eu cá aborrece-me essa espécie de piparote na bola. Eu cá gosto é de futebol, é outra coisa. Primeiro, estão errados, porque futebol é isto tudo. Depois, estão certos, porque eu também gosto é de outra coisa. Mas disso, meus lindos meninos, não tem o Moussa culpa nenhuma! Só mesmo a de, contra vocês e eu, conseguir, muitas vezes só por si, fazê-la resultar. 

No fim do dia, estaremos bêbados nos Aliados a comemorar, graças também ao Moussa. Ou confortavelmente alapados nas nossas redes sociais favoritas, a desancar o Marega como se não houvesse amanhã. Ide majé trabalhar, seus lanzeiros!

2. PEPE

A verdade é que estava tudo a correr bem e chegou o Pepe. Pumbas, 7 pontos de avanço cucaralho! Havemos é de convir que não será culpa do Pepe. Aparece  aqui porque me apetece dizer que é o nosso segundo melhor central e que, para mim, ainda bem que cá estará para o ano. Uma vez que o melhor já lá vai. O Pepe é assim a modos que o grão-vizir Iznogoud. Vai ser Califa no lugar do Califa. É melhor que o terceiro melhor em tudo e ainda consegue escorregar menos. Viva o Pepe.

3. BRUNO COSTA

O tipo a quem a aparente afirmação definitiva do puto Bruno mais jeito dá, é o... Sérgio. O que é estranho, porque é o homem que poderia ter proporcionado isto muito antes. Ele lá saberá porque é que agora é que é o tempo. Mas que lhe dá jeito, isso dá. É que o Costa é dos nossos, nado e criado, e a malta tem sempre dificuldade em dizer que espanhóis pequenitos deviam fazer as vezes de tugas igualmente pequenitos.

Que o Bruno é jogador da bola, disso também não tenho dúvidas. No entanto, espero que o treinador não caia no contrassenso de lhe pedir coisas parecidas às que faz Oliver. É que não são, nem lá perto, o mesmo jogador. Não é uma questão de melhor ou pior - sobre isso tenho a minha opinião e ela não é para aqui chamada - é uma questão de diferença. O Costa é como que o André André, mas em bom. E chuta, ainda por cima. 

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Duas abaladiças:

Primeiro, devo clarificar a Conferência de Imprensa de antevisão deste jogo, por parte do nosso treinador. O que ele disse é que esta época ainda tem tudo para ser uma época à Porto. Certo? De certeza que sim. Ganhámos a Supertaça, perdemos nos malditos penalties a Taça da Liga, ainda vamos ser Campeões, levantar o caneco em Oeiras e, com tino e um pedaço de sorte, vai-se a ver e vamos a Madrid buscar a orelhuda. Upa, estaríamos ao nível do Mítico. Podemos! (inserir emoji de braço musculoso)

Acredito que foi esta a intenção, porque ganhar a Supertaça ao Aves, perder a Taça da Liga, ficar em segundo no Campeonato, lerpar no Jamor e nos quartos da Champions, não poderia ser considerada uma época à Porto. Raios, agora lembrei-me do Peseiro, vá lá eu saber porquê...

Finalmentes, quarta-feira, no Dragão, às costas do Marega. É claro que é possível, embora não propriamente provável ;) 

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

The Twilight Zone: Afterlife (por Maria Alves)



Foto: Victor Vaz


Esta madrugada choveu. Bastante.

Saiu de casa e a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi que os condutores iam andar todos como baratas tontas, a asneirar a torto e a direito e a bulir-lhe com os nervos.

É sempre assim quando chove, mesmo que sejam só meia dúzia de pingos. Até nesta Vila pequenina - às vezes (tantas!) espectral - classificada de Cidade, na qual os atrasos matinais se resumem a uma dezena de viaturas encalacradas no acesso à Rotunda das Pedras

(…)

(assim designada carinhosamente pela população, por força das cinco… coisas ao alto… com que orgulhosamente presenteia os seus visitantes. Calhau de considerável envergadura sobre calhau de considerável envergadura, resultando em conjuntos escultórios representativos de oito freguesias - como é que isso dá cinco conjuntos de esculturas, nunca percebeu. Mas a Matemática também nunca foi o seu forte. Agora que se fala nisso e pensando melhor, isto foi muitos anos antes da Reforma Administrativa do Território ter reduzido oito a cinco Freguesias… querem ver que afinal eram todos grandes visionários?! Vem-lhe à cabeça a mais nova, assim pequenina, no assento de trás do carro, a dizer que as pedras estavam sujas e que a mãe tinha de as lavar. Esse era o tempo em que o pai era o Master of the Light, responsável por ligar e desligar todas as luzes do Mundo. Já foi tão pequenina, a mais nova.)

(…)

O outro motivo que pode gerar atrasos inconvenientes, é o semáforo do centro calhar estar vermelho. Feitas as contas, num dia mau, pode atrasar-se 5 minutos todos inteiros numa manhã. Incómodos de se viver nesta Vila disfarçada de Cidade, pois então.

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Este tom azul do céu sempre foi assim? Não o reconhece.

Se lhe retirar as nuvens, as de algodão e as que prenunciam tempestades, ele está ali, num azul completamente novo. Nem mais bonito, nem mais feio. Diferente. E é nesse instante que se apercebe que todas as cores do Mundo apresentam também tons que não lhes conheceu antes.
Raisparta, Oftalmologista outra vez? Shit!

Afinal não são 10 carros encalacrados na Rotunda. São 8. Dá-lhe algum tempo para absorver e dissecar toda esta nova paleta. Coisa de gaja - dizem! As mulheres não veem somente as cores primárias e as compostas, na sua simplicidade; veem o seu leque infinito de tons. E dão-lhes nomes. Tornam-nos concretos!

O céu tem um inédito tom de azul, sólido, sem qualquer transparência. O verde das árvores é áspero, arranha os olhos e deixa um gosto estranho na boca. Pela estrada demoram os restos das folhas que o temporal roubou aos pinhais, num ocre cortante. O piso cinzento brilha, ofuscando o tracejado branco esbatido das marcas rodoviárias. Os carros passam. Todos iguais nas suas cores, indiferentes aos nomes e às diferenças convencionadas.

Sente o sangue a correr nas veias. Não o vê, mas sabe que o seu vermelho é mais intenso. Chegou aqui fruto de tantas experiências, tantos sentimentos e emoções, tantas gargalhadas e tantas lágrimas. O suor parece mais frio, mais espesso, demora nos poros. As lágrimas têm um gosto diferente de sal, como se o tempo se tivesse encarregado de o ir refinando. A pele está mais densa e as marcas que a vida lhe imprimiu são um mapa que apetece percorrer. Um daqueles mapas dos Parques de Atrações: “Esta mete-me medo. Aquela parece divertida e a que se lhe segue é bonita. A esta vim ao engano e não regresso. Aqui poderia permanecer… ”

Vem-lhe à cabeça que, à saída de casa, talvez tenha entrado numa outra dimensão. Uma Twillight Zone contemporânea, a fugir para Black Mirror, a que não reconhece assim tanto mérito. Aqui tudo é igual à Vida, mas de uma forma diferente. Concreta também, confusa pela novidade. Requer habituação.

Será que é ela? Foram as cores que mudaram ou a sua íris que as capta de outra forma? Ou o cérebro que as processa de forma distinta?

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Ocorre-lhe: e se isto é um sonho? Se não acordei ainda?

Talvez ainda esteja perdida no calor dos lençóis e no conforto da pele familiar e desejada que repousa encostada a si e que busca constantemente. Com a mão. Com o pé, se não a sente, se não sabe se já dali saiu a horas a que ninguém merece sair.

Hoje os sonos são diferentes. Quentes. Difíceis. Curtos. Entrecortados. Muitas das vezes superficiais. E por isso os sonhos são mais palpáveis, mais vívidos.

Pode ser isso, deve estar a dormir. Quando acordar as cores voltaram aos seus tons familiares. Aqueles que partiram estarão ainda entre nós e as saudades não terão mais sentido. Passarão as mãos pelo seu cabelo, sentirá na pele o calor dos seus hálitos quentes nos beijos trocados. Ouvirá as suas gargalhadas interrompidas pela tosse dos vícios. Haverão saudades, mas matam-se à distância de uma qualquer tecnologia imediata. «Dallas» all ove again! e ri-se das referências que a atraiçoam quando quer acreditar que os anos não foram estes todos.

Será ainda o tempo dos poemas. Tantos. Guiões para a sua Vida.

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Ou será o Afterlife? A Fénix renascida. O recomeço depois do fim. A última chance, depois de todas se terem esgotado. A resiliência do ser. A dimensão dos sentimentos. A etapa que antecede o vazio, o vácuo, o nada.

Afterlife. A palavra ecoa na sua cabeça, porque alguém lha sussurrou ao ouvido, recentemente. Tem a certeza. Afterlife.

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Fugiu ao semáforo do centro (espertinha, cheia de truques!). Olha para o relógio do carro no momento em que desliga a ignição: 1 minuto de atraso em relação ao que tinha definido. Está satisfeita, mas ainda assim preferia que fosse 1 minuto antes do deadline. Sai do carro, estacionado o mais perto que consegue do emprego. Mesmo ao lado, hoje. Outro motivo de satisfação.

Pega na mala e em 2 sacos. Não chove. «Porque raio ando sempre cheia de sacos? Porque raio carrego e acumulo tralha que provavelmente nunca mais me servirá para nada? Porque é que tenho tanta dificuldade em me libertar? Em pôr fora, em deixar para trás?»

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Não repara, mas as cores já voltaram todas aos seus tons habituais.

Percorre os poucos metros até à entrada do edifício. Já com a mente em tudo o que há para fazer, sem se aperceber, compartimenta os medos, a esperança, os sentimentos, as saudades e tudo o resto que lhe faz valer a Vida.

Logo, logo, voltará ali.

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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Quebra-se o encanto



Quando as nuvens ainda se espreguiçam pela estrada, as lâmpadas de iluminação pública pairam uns metros acima da cabeça, emitindo uma luz baça pelo meio do nevoeiro, os faróis que se cruzam parecem cumprimentar-se efusivos - ena, por aqui também a estas desoras? Vens ou vais, chegas ou sais? - e a voz do Senhor Kilmister soa doce como o décimo primeiro shot de tequilla, esse que te traz a clarividência de todas as coisas do Universo e, por isso, te leva as forças das pernas e te tomba, derrotado, amassado pela Verdade de seres incapaz de mudar o Mundo e assim cais, enquanto os outros te rodeiam em gargalhadas entarameladas, ignorantes, oh pobres!, da imensa dor da nossa insignificância: sixteen years old when i went to the war.

Dizia, quando são quatro e meia e estás a levantar-te da cama onde queres dormir, sabes que o dia será longo. E que às seis da tarde, tudo terá o aspeto gasto das segundas-feiras às dez da noite.

Por isso, não se pode dizer que deixar cair a carcaça no comboio das dezoito, apenas doze horas depois de teres percorrido os mesmos carris, só que no sentido mau, seja uma má recompensa. Até porque há toda uma ciência da escolha de lugares que pudeste desenvolver em anos de tentativa e erro: isolado de preferência, o mais perto possível do isolado, quase sempre. A lógica é tão simples que faz impressão: se não podes ir sozinho, pelo menos elimina uma possibilidade - um individuo - de te apoquentarem os nervos, dada a ausência de parceiro do passageiro que viaja refastelado e isolado.

Eu sei de cor onde ficam os lugares, portanto nem olho para o número quando peço licença ao senhor abancado do lado do corredor, para que possa morrer por duas horas no assento do lado da janela. Ele levanta-se, com certeza, e noto que emparelha com o casal nos dois lugares da outra margem do corredor. Este espírito alcoviteiro, que reputo de interesse sociológico para me enganar, prende-me imediatamente ao trio. Eles acima dos 65, ou mesmo a rasparem-lhe, ela um cisquinho mais nova. Um pouco mais adiante - mas fica já dito, não vá esquecer-me - virei a saber que partilham o mesmo nome próprio ambos os rapazes. Um de pólo verde, Lacoste, outro de pólo azul, Boss. Ela tem dois óculos escuros dependurados da rede nas costas do banco da frente e

                                       (Ray Bon, no quiosque do monhé, em frente da Sagrada Família, quarenta graus, nós de turistas, os teus pés ainda fresquinhos de não terem percorrido toda a Rambla de salto alto. Se sairmos nesta podemos fazer La Rambla inteira. Que tal, Amor? E tu ingénua que sim, que pode ser, sem saberes que eu nunca a tinha caminhado completa, não sóbrio pelo menos, não fazia ideia da distância. A única coisa que sim, sabias, é que não sei que seja andar em cima de saltos. Depois o arroz negro do Caracoles, bastante menos interessante do que o Caracoles em si, as mãos dadas de sermos namorados outra vez, o quarto à espera, Barceloneta amanhã, quero cá saber que seja mesmo de turista, enchem-me a Alma e o filhadaputa do bar que te quero mostrar não aparece. Sabes, metade, é em Madrid, acabo de me lembrar. Estamos, aqui ou onde for, e damos as mãos e os meus óculos são Ray Bon e o monhé riu-se connosco da marca e cobrou apenas cinco exagerados euros, ou terão sido dez, e sim, somos sempre felizes calcorreantes sem vontade de voltar. Um.)

                                                          uma mala branca, de mão, pousada na mesa retrátil. Não tenho como ter a certeza, mas está decidido que o verde é Lacroste e o azul é Hugo Doss, certificado de garantia da Feira de Espinho ou do Mercado de Ovar. Proeminentes nos seus pólos de marca, valentes panças arredondadas. Ela menos exuberante de abdominal, mas provavelmente de igual calibragem se fosse possível derreter-lhes as gorduras para recipientes medidores.

O Lacroste é o marido. Sei-o porque o trata um pouco pior e lhe arremessa a mãe e a irmã, as dele, à penugem grisalha do rosto, à conta de não saber dobrar o casaco que ela quer que ponha na prateleira acima dos bancos. O Doss é que trata da situação, embora, igualmente baixote, nenhum deles se ajeite a chegar ao lugar altaneiro onde é suposto repousar a veste. Quem são estes meus companheiros de viagem?

É-me inevitável, não consigo escapar a isto. A mais que tudo está sempre a dizer-me, em cafés e restaurantes, para eu não me sentar, de olhos e ouvidos, na mesa de desconhecidos. Mas eu quero saber do que conversam, que histórias têm para contar, raisparta, de que clube são. Não quero sequer que falem comigo, quero só assistir à sua conversa, partir dela para inferir a sua história, teorizar a relação, perspetivar o que acontecerá a seguir. Se isto não é um voyeur, não sei o que seja, Mr. Chance.

Corrijo, O que são Lacroste, Doss e Ela?

...

Doss é irmão dela! Ou terei adormecido entre tentar ouvi-los e fazer uma piada idiota a alguém remoto. É o irmão encalhado, preguiçoso, que saltou de trabalho em trabalho, que nenhuma mulher aturou por muito tempo. Definitivamente, não é o irmão padreco, introvertido, abusado, que ficou até ao fim a cuidar da mãe e a masturbar-se às escondidas, usando as cuecas da irmã. Demasiado extrovertido para isso, está claro. Portanto, resta-nos a primeira hipótese.

Ela, evidentemente, tem uma relação maternal com ele, daí apaparicá-lo enquanto procede a desancar o outro. Apesar de mais nova, foi Ela quem aprendeu a cuidar do irmão, a fazer-lhe a comida e tratar-lhe da roupa, enquanto a mãe dava horas a dias para que ele pudesse estudar. Do pai não sabemos nada. Talvez o álcool, talvez as mulheres, talvez o jogo. Quem sabe são bastardos de um senhor importante e endinheirado. Irmãos, claramente. 

Ela cuidou da mãe quando o corpo lhe morreu, anos antes do cérebro e do coração; cuidou dele desde de que se lembra; e arranjou maneira de cuidar de mais um - e filhos? haverá filhos e sobrinhos? - não fosse a vizinhança pensar que era menos mulher do que as outras. Apesar dos passeios a Lisboa e da língua despachada, é isso que Ela faz: cuida.

Que Lacroste pareça tolerá-lo tão bem é que é estranho. Vai-se a ver, os anos derrotaram-lhe as irritações e decidiu, secretamente, não se aborrecer mais. Por outro lado, à medida que envelheceu, foi-lhe dando cada vez mais jeito um parceiro de copo e sueca, de duas de treta e olhar cúmplice para as mamas das cachopas. Ou torcem pelo mesmo clube ou não ligam nenhuma à bola, isso é certo. Já não são cão e gato, como antes, mas dois amigalhaços que partilham o amor de uma só mulher que o divide em fatias generosas

                                           - ATÃO, ESTAIS A PREPARAR A CALDEIRADA? JÁ SÃO HORAS, EHEHEH. - Grita Doss a poucos centímetros de mim, acordando-me em sobressalto. Está a olhar para o ecrã do seu telefone, no qual decorre uma video chamada, para as fuças de outro qualquer, congeladas na rede instável do Alfa Pendular. Olho para as horas, ainda não se vê Coimbra nos ponteiros.

...

                                                       que depois oferece a um e a outro, consoante a ocasião. Sim, são um trio. Um casal e o seu amigo de anos e anos. "Amigo", assim é que é. 

Que tem? Lacroste agradece a ajuda que lhe tirou, desde cedo, uma série de preocupações tipicamente masculinas de cima. Isto a dois, não há tarefa que não se faça. Ela não tem dúvidas de onde está a sua lealdade e, mesmo que com o tempo acabasse por dividir o coração, é sempre com Lacroste que dorme. O que não impede, hoje ainda, uma ou outra visita ao quartinho de hóspedes. Ou os serões a três, sem televisão, na sala, quando a Ela lhe apetece e a eles não sobrevém nenhuma maleita impeditiva. Se até os vizinhos se habituaram, havia de ser um tão temporário companheiro de carruagem a ter opinião? 

Que tem, como em relação a tudo, raios o partam, mas não importa nada para o caso.

Doss acabou por se resignar a não ter mulher que chamasse de sua. Mas também, tanto tempo investido nestes dois, mais o trabalho e um anexo minúsculo na periferia, como lhe sobraria dia para a corte, o galanteio, uma ida ao cinema à tarde, à danceteria à noite? Não que o não tenha feito, que fez. Mas com Ela, durante um tempo às escondidas, durante o resto com o parceiro do outro lado do corredor deste comboio, sentado do outro lado dela, cada um a segurar-lhe numa mão, enquanto pela cabeça lhes passa

           - BEM, NEM SABES O QUE ME ACONTECEU, MULHER! - Grita Ela para toda a carruagem, telefone colado ao ouvido. Estremunhado, afino o tímpano, porque Ela baixa o tom. É agora que se vai, de alguma maneira, confirmar o que aqui se passa, nesta coincidência de barrigas e pólos de marca coloridos. Sem pôr a mão à frente da boca, como agora fazem os jogadores de futebol, prossegue dois piquinhos de volume abaixo:

- Estive a tomar antibiótico estes dias, por causa de um ouvido, vê lá tu. Deu-me uma diarreia... que maçada. Quando uma pessoa está em casa, ainda vá... - E eu procedi a discutir a etimologia da punheta numa rede social, com pessoal especializado. Bem feito, para não andar a sonhar com a vida dos outros.

domingo, 9 de setembro de 2018

Crónica futurística: a despromoção do Benfica e o país em 2022

Cruzes, canhoto!

Oito de setembro de 2022. Cumpre-se hoje a 4ª jornada do Campeonato de Portugal e o Benfica joga em Pinhal Novo. São esperados os habituais 500 adeptos organizados, pelo que todo o concelho de Palmela vive um clima mais próximo do estado de guerra do que da festa do futebol. O comércio local está encerrado, as montras entaipadas. Aprenderam rapidamente que o aumento do fluxo de potenciais clientes é insuficiente para pagar o prejuízo dos estragos causados pela inexistente claque dos de Lisboa. As forças de segurança patrulham as ruas e espera-se que no final da operação não se registe nenhuma vítima mortal. Cruzam-se os dedos. O presidente da FPF encolhe os ombros, resignado, perante a acusação de não ter impedido a inscrição, no já distante verão de 2019, do Benfica no Campeonato de Portugal. Estão definitivamente goradas as expetativas quanto ao prometido impacto positivo na competição. Ainda há duas semanas, quando na 2ª jornada foi o Benfica jogar ao campo do Moura, nem os mais de 220 quilómetros que distam entre Lisboa e a pacata cidade alentejana impediram que, uma vez mais, crianças e mulheres fossem agredidas em plena Praça Sacadura Cabral. Isto apesar da expressiva vitória dos encarnados e do regresso de Jonas, sustentado na ausência de controlo anti-doping nos jogos deste escalão.

"O Benfica trará maiores benefícios ao Campeonato de Portugal do que aqueles que o Mónaco empresta ao campeonato francês ou mesmo dos que os clubes de Israel emprestam às competições organizadas pela UEFA", disse na altura o presidente da FPF. Toda a gente o levou a sério, num coro de ganância mal contida. Mas logo na primeira época que o Benfica jogou no campeonato tendencialmente amador, as suspeitas sobre as estranhas arbitragens e os desempenhos de alguns emblemas contra os de Carnide fizeram disparar alarmes. Os estádios cobriram-se de vermelho, como as ruas à passagem dos GOA. A CMTV disparou as audiências, com cobertura em direto e ao minuto dos inúmeros desacatos. É certo que a cotação dos jogadores do Benfica é muito superior à dos seus adversários, algo inatingível na Liga profissional sem a intervenção de Mendes.

A economia portuguesa é que tem sofrido um bocado com este estado de coisas. A cada segunda-feira, mais uma vila ou pequena cidade do interior se vê em processo de reconstrução, enquanto os velhos multiplicam apoplexias nos tascos, debatendo os consecutivos roubos aos clubes das suas terras. O impacto desta situação nos escalões acima já é um caso sociológico: a competição é renhida, mas saudável. Os estádios aumentaram a sua lotação média, porque as famílias passaram a gostar de apoiar os clubes do lugar; as televisões passaram a transmitir nas suas noites uma programação variada, na qual o futebol continua a ocupar lugar privilegiado, mas agora sem os palhaços amestrados de outros tempos. A imprensa adaptou-se: os jornais "A Bola" e "Record", dedicam as suas primeiras páginas ao emocionante campeonato nacional de sub-23, ao passo que "O Jogo" publica fascículos especiais acerca da vida e obra de Otávio e Sérgio Oliveira, para ocupar as páginas antes dedicadas ao clube da Luz. A águia Vitória foi libertada do seu cativeiro e consta que já contribuiu com duas ninhadas para a perpetuação da espécie. Hoje, no Seixal, joga o filho da Madonna e a estrela da pop é visita assídua dos relvados da Academia, onde desponta uma geração que, espera-se, terá aprendido que não vale tudo para ganhar. Muito mais do que um clube, o Benfica foi um cancro social. Incha.

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De nada, Leonor.

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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A Mesa do Canto: O seu a seu dono, contra a discriminação (com O Fafe do AB6)





Um gajo quando é apanhado tem sempre múltiplas hipóteses de lidar com a situação. Pode sempre optar pelo mui batido "epááááá, 'tava a brincar, era uma piada, atão não se via logo, parece que não me conheces"; simular um ataque cardíaco e deixar quem o desmascarou cheio de remorsos, ainda por cima; e mais uma infinita miríade de possibilidades que seria fastidioso aqui enumerar, pelo que saltemos já para a minha favorita que é "Eu não tenho a culpa!" Hã?

Claro que depois há os tipos geniais. Por exemplo, o xôr Louis CK que à conta de ser tantas vezes apanhado a puxar lustro ao golfinho, achou melhor transformar isso numa série de piadas antológicas e ser um dos melhores comediantes do seu tempo.

Isto a propósito de me ter posto aqui há atrasado a louvar o camurso do Évora - fulano de quem tenho um centímetro bem medido de inveja, no máximo!! - pela sua vitória no Campeonato da Europa. Pumbas, nem bem tinha acabado de dizer a boçalidade, já a um até então pacato freguês desta casa de pasto lhe saltava a tampa. Com toda a razão, diga-se.

Agarrado assim desprevenido, com as calças na mão como o bom do Louis, não tive sequer presença de espírito para um "aaaahhhhh, não, não era bem isso que eu estava a dizer, era mais uma graçola, vá, aiiii que parece que sinto uma picada aqui no peito que estou a ficar todo apanhadinho duma perna, para além de que não tenho culpa nenhuma." Nada, nem piei. Limitei-me a sentir as bochechas a ficarem muito vermelhuscas, a baixar os olhos e a pensar ora fuoda-se, que ganda calinada, credo! 

Como não há ninguém melhor do que quem sabe para corrigir um erro, hoje senta-se na Mesa do Canto, com direito a garrafa especial e tudo, o O Fafe do AB6, que fez o favor de aceitar o meu pedido para esclarecer quem é O Melhor Atleta da História de Portugal. Até hoje, uma vez que eu ainda não decidi se enveredo ou não pelo desporto profissional. Depois aviso.

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É inacreditável e indesculpável como o País político, o País mediático e o FC Porto nunca reconheceram, devidamente – com a justiça e mérito inatacáveis – o invejável e inigualável currículo desportivo de FERNANDA RIBEIRO, que é, sem sombra de dúvida, o maior “monstro” do desporto português e que não tem qualquer paralelo na história lusitana.

Ela é O maior atleta português de todos os tempos e de todos os desportos.

Porquê, a ela, nunca foi dada a devida fama nem atribuído o devido proveito?

É a rosinha da foz, “menina do regime” e ”menina do polvo vermelho” – não porque tenha sido – ou não – sua atleta, mas porque a este sempre interessa diminuir e rebaixar tudo o que possa engrandecer o nome do FC Porto – que goza da fama e do proveito, convidada para todas as cerimónias desportivas e público-políticas e cantada como referência da juventude, com direito a substituir, com seu nome, o quase septuagenário Palácio Cristal.

Não interessa saber se a “ rosinha, menina do regime” é portista pelo coração, ou não. É um “carisma” pré-fabricado, levado pela “onda” do regime e usurpado pelos nossos raivosos detractores, que não suportam a aura vitoriosa da família “azul-e-branca”.

São assim, no meu país, as mordomias e os “altares públicos” para os “meninos do regime” e para os anti FC Porto. O “polvo vermelho” é muito mais do que abrangente, é o poder absoluto corruptor – se moral ou material, compete às respectivas instâncias determinar – em todas as áreas desportivas e políticas.

A “menina do regime” nunca passou de uma mediana atleta de pista, quase sempre superiorizada pela nossa Aurora Cunha, nas provas de 10000, 5000, 10 kms Estrada e Corta-mato.

A “rosinha, menina do regime” apenas foi grande na Maratona, quando a Maratona ainda não era uma prova para especialistas, mas apenas para os reformados da pista.

Para quem tem memória curta ou “fingido alzheimer” – com muito respeito pelos verdadeiros doentes – a seguir relembro o palmarés da enormíssima Fernanda Ribeiro. Leiam e interpretem com atenção, pois, até, muitos portistas há que não têm em devida conta a magnificência do seu sucesso global:

MEDALHAS de OURO

Jogos Olímpicos 1996 (10000 mts) - Atlanta
Campeonato do Mundo 1995 (10000 mts) - Gotemburgo
Campeonato da Europa 1994 (10000 mts) - Helsínquia
Europeus de Pista Coberta 1994 (3000 mts) - Paris
Europeus de Pista Coberta 1996 (3000 mts) - Estocolmo
Europeus de Juniores 1987 (3000 mts) - Birmingham
Campeonatos Ibero-americanos 2000 (5000 mts) - Rio de Janeiro
Campeonatos Ibero-americanos 2004 (5000 mts) - Huelva

RECORDE OLÍMPICO

1996 - 10000 mts em 31:01.63 - Atlanta

MEDALHAS de PRATA

Campeonato do Mundo 1995 (5000 mts) - Gotemburgo
Campeonato do Mundo 1997 (10000 mts) - Atenas
Campeonato da Europa 1998 (10000 mts) - Budapeste
Europeus de Pista Coberta 1998 (3000 mts) - Valência
Mundiais de Juniores 1988 (3000 mts) - Sudbury

MEDALHAS de BRONZE

Jogos Olímpicos 2000 (10000 mts) - Sydney
Campeonato do Mundo 1997 (5000 mts) - Atenas
Europeus de Pista Coberta 1997 (3000 mts) - Paris
Campeonatos Ibero-americanos 1990 -) 3000 metros - Manaus

CAMPEONATOS de PORTUGAL

5 x Campeã Nacional 1500 mts (1989, 1990, 1995, 1998, 1999)
4 x Campeã Nacional 5000 mts (2000, 2002, 2004)
3 x Campeã Nacional 10000 mts (1992, 1996, 2008)
Campeã Nacional Maratona (2009)
Campeã Nacional Corta-mato (2003)

Note-se que nos Mundiais de Gotemburgo, em 1995, conquistou as medalhas de Prata e Ouro, nos 5000 e 10000 mts, respectivamente e que, nos Mundiais de Atenas,em 1997, conquistou as medalhas de Bronze e Prata, nos 5000 e 10000 mts, respectivamente.

Fernanda Ribeiro foi medalhada com Ouro, Prata e Bronze, em Jogos Olímpicos, Mundiais, Europeus e Europeus de Pinta Coberta, em 3 disciplinas diferentes: 10000, 5000 e 3000 metros.

O MAIOR ATLETA PORTUGUÊS de TODOS os TEMPOS e de TODAS AS MODALIDADES.

O seu invejável e inigualável currículo desportivo nunca deveria permitir que a “rosinha, menina do regime” e outros “meninos do regime, que tais”, lhe usurpassem o mais alto “trono público” e os correspondentes proveitos, que são seus por direito e por grande mérito.

Enquanto atleta da universalidade lusitana, sem dúvida que Fernanda Ribeiro deveria ser sempre a embaixatriz oficial em toda e qualquer cerimónia desportiva e em qualquer cerimónia público-política-desportiva – ela é o maior ícone da vitória, em representação da esfera-armilar e das quinas.

Enquanto portista e expoente máximo em representação do emblema azul-e-branco, merece uma festa azul-e-branca universal e, não uma estátua, não uma estrela no passeio da fama, mas um grande mural em azulejo, junto ao símbolo do Dragão, no nosso estádio, com a Fernanda Ribeiro a cortar a meta em Atlanta, ladeado por placas em latão com a totalidade do seu currículo desportivo.


Por O Fafe do AB6 | @O_Fafe_do_AB6
Este Fafe opta por escrever na ortografia antiga,. Fafeiro!

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Resumo da semana: #justsaying

E pronto, cá estamos chegados ao deprimente quase a acabar. As férias. Fico num estado esquisito, tão depressa asténico, derrotado, praticamente falecido, velado e enterrado; como, logo a seguir, me dá a travadinha e sou um puto hiperativo, cheio de coisas por fazer antes que se me acabe o tempo e tento mergulhar numa onda, ao mesmo tempo que fumo um charro e bebo yet another mojito, sem perder o controlo da bola que a malta da praia está a contar que resolva o jogo.

Isto das férias divididas em fatias aborrece-me porque estão sempre a acabar. Ainda agora me sentia a recuperar da depressão pós Ras Al Khaimah e pumbas, all over again. Parece a pessoa que está continuamente a acordar, precisamente na parte do sonho em que a mais que tudo se vai engalfinhar com a Scarlett. Não se faz a um gajo, caraças.

Enfim, mantenhamos o pensamento positivo. Ficam para trás belos dias de Sol, sem sal. E belas descobertas, como a Aldeia do Mato e, sobretudo, o Carvoeiro. Ainda melhor, o senhor Artur e a dona Filomena e as suas Casas do Lagar, de onde a gente não lhe apetece ir embora, tão em casa que se está. Depois, por estranho alinhamento cósmico, fui dar a sítios que já não fazia ideia onde ficavam, nos quais amigos me deram guarida e festa, faz mais de 30 anos. Surpreendentemente, reconheci o terreiro dela, da festa, o sitio onde tocava o conjunto, a zona onde se vendia cerveja, a rampa pela qual correu esbaforido o Zé Vasco, perdido de bêbado desde dois dias antes, atrás de alguém que, por qualquer motivo, ele achava que devia apanhar nas trombas. Está alcatroada, Zé, a rampa da festa da tua terra.



Reencontrei as lambretas e os copos de três. E os míticos Ferro & Fogo, a tocar numa aldeia cheia de rock.


Não sei bem a quem, ou a que, agradecer, mas obrigado. #justsaying.




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Entretanto, foi havendo bola. Sobre o nosso FCP, está tudo em A Culpa é do Cavani. Há tanto para dizer mais, que até o "O Jogo" tem que se pôr a fazer artigos da treta sobre o facto de o Oliveira ser o melhor tipo a tirar a bola aos outros, ao fim de...dois jogos. Já depois de terem descoberto que este é o melhor inicio de época da carreira do Otávio. Olha que era difícil, hein? Se nos poupassem a isto, a gente agradecia. Vá que temos olhinhos nas trombas e não comemos gelados com a testa. Estou fartinho de vos dizer que nós não somos lampiões!

Porto à parte, diga-se que é hora de um grande shout out  para o Nuno Manta e seu Feirense. Nem tanto pelas duas vitórias e seis pontos - tantos como os matulões - mas sobretudo pelo que vem fazendo há duas épocas, com planteis que não tenho a certeza se seriam suficientes para ser favorito à subida na segundona. Quando nos apetecer choramingar acerca da tal profundidade das nossas azuis e brancas opções, é botarmos ujólhos em Santa Maria da Feira. Se esta malta consegue, a Champions não é miragem nenhuma para o FCP. Justiça seja feita, ao contrário do senhor Azul e Branco, que aqui há atrasado me referiu estar de olho no Manta, eu desconfi(o)ei um pedacinho da capacidade deste jovem para amassar esta fogaça. Bem, aqui está, xôr Nuno, a contrição. Agora esquece-te de desceres este ano, só para me contrariares...

Do outro lado, o xôr Castro que, como bem podeis comprovar em muitos e variados posts desta reputada casa de pasto, não é moço da minha preferência. Parece-me sempre que se as coisas desatam a correr mal, ele não tem como lhes dar a volta. Não que se possa dizer que lhe esteja propriamente a descarrilar a vida, ainda é cedo e quatro derrotas nos quatro primeiros jogos oficiais não é o fim do Mundo. Sim, quatro, porquê? No entanto, faz-me confusão que um tipo que tem que alterar profundamente o modelo de jogo da equipa - o Pedro Martins é de outra escola, se de alguma... - ache boa ideia trocar meia equipa da primeira para a segunda jornada, depois de ter feito tremer um dos candidatos ao titulo. Quando vem justificar que aquela foi uma derrota muito traumática e que ainda não conseguiu resolver isso com os jogadores, aí disparam os alarmes, digo eu. Well, pode ser que tenha sido apenas excesso de copos de três. Infelizmente para o Vitória, o Folha está em Portimão. Também leva na corneta como gente grande, mas basta olhar para a diferença no discurso para me perceberem. mas mantenho grandes expetativas na época do Guimarães, mesmo com o Castro. Pode ser que faça clique. Ou não. Olha, o Capucho está mesmo no fim da auto-estrada Guimarães - Litoral. #justsaying.

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La Geringonce vai reverter o molho de bróculos que o PAF tinha arranjado com a Lei de Reorganização do Território das Freguesias que, como se sabe, foi feita seguindo o método legislativo de atiréssamerdóarilogocevê. Portanto, mais uma prova de visão a longo prazo dos políticos portugueses. Chegue a altura da alternância e lá teremos outra vez que reordenar o que estava mal ordenado e depois foi reorganizado desordenando. Hã?

Não percebo lá muito bem porque é que a Catarina e os seus Bloquinhos haveriam de achar isto boa ideia, tirando o facto de porque sim. É que, ao contrário do tio Jerónimo, o seu poder autárquico é absolutamente bola. Zero. Nicles. Talvez esteja de olho em algumas freguesias dos centros urbanos, onde ainda é cool ser BE desde que não conheças alguém chamado Robles - ai credo, arreda que tem gosma, mata com fogo antes que se reproduza. Desconfio que vai dar com as Mortáguas na água e o velho tio é que se fica a rir.

Para mim é absolutamente tinto. Mas tinto da Tasca, daquele que o nosso mister gosta. A única coisa que me aborrece é se vamos ter novos candidatos à presidência das novas freguesias que, a bem dizer, são as velhas freguesias. É que desconfio que foi preciso meter a martelo muito Presidente da Junta que se viu privado da junta para presidir, nos quadros do Estado e nas Autarquias e assim. Se agora vêm novos, é uma porra para os meus impostos. Sofrem muito das cruzes, os meus impostos. Quando aumentam o peso que carregam, queixam-se logo.

Vai daí, cagari-cagaró para as reformas territoriais desta maralha. Façamos de conta que teremos Trotskistas e Marxistas-Leninistas a influenciar a governação do Estado durante uns 20 anos e que, portanto, o novo ordenamento se manterá por umas décadas valentes. Seja. Mas havia de ser obrigatório que todos os ex-autarcas, entretanto passados a funcionários públicos, sejam candidatos aos cargos que ocupavam nas extintas freguesias. Novas freguesias. Ex-extintas freguesias. Coiso. #justsaying.

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Olha-o com manifesta surpresa. Dir-se-ia com uma fagulha de recriminação, até. Mas disfarçada, dissimulada no joelho no chão e na reverência das mãos postas.

- Que foi? Tem alguma coisa a dizer, o senhor Pedro, tem?

- Não, Senhor, claro que não. Fiquei apenas surpreendido, só isso. Não esperava esse cuidado com...com...bem, com o parvo.

- Oh, deu-me prá fofura. Acontece-me às vezes, fico doce, doce, doce, já à beira da diabetes. Não posso?

- Ora, podeis tudo, Senhor.

- Eu sei, Pedro. Era retórico. - Revira os olhos. - E ires-te agarrar a uma nuvem? Isto não se faz chover sozinho, poi'não? Pá, #justsaying..

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