segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Mais cincazero, Silva!

...oooppsss, sorry, enganei-me no cincazero...

...mas estes foram do bem! Do jogo em si, a gente despacha-se num instante: aos 20 minutos já o FCP estava a ganhar por dois, com uma bola na trave e outra salva em cima da linha. Pressão alta, recuperação de bola em zona de ataque, maior rapidez do que adversário e mais agressividade para ganhar as segundas bolas, muita decisão má sobre o que fazer com a chicha. Chegou e ainda sobrou para quarta-feira que vem. Foram cinco, podiam ter sido um pouco mais, se bem que não muito, porque a eficácia esteve altíssima, ainda que o melhor futebol tivesse aparecido nos últimos 20 minutos. I wonder why... Desconfio é que não teríamos tido uma partida tão descansada se fossemos jogar esse bom futebol de inicio. Vai daí, fuck it!

Ah, é verdade, o Iker voltou à baliza. Vai-se a ver, está mais gordo. Concordando com a titularidade do Espanhol, porque é o melhor do plantel, não o teria feito agora. A menos que o Sá tivesse suplicado muito. Mas lá está, eu não teria tirado o Oliver da equipa depois do Besiktas...

Como dois parágrafos parece pouco para um post e não tenho nenhuma novidade acerca do meu estudo sociológico "Estupendas cenas da pornografia Mundial e a sua influência no conflito étnico do Sudão", vamos conversar um pedacinho sobre coisas a propósito do FCP vs Rio Ave de ontem.

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Coisa 1 - Liverpool

Estratégia: pressão alta, intensidade e agressividade positiva. Objetivo: ganhar a bola em zonas adiantadas, encurtando o caminho para a baliza. Como ideia, não está nada mal. A aplicação pode ser complicada, mas contra o Rio Ave resulta sempre bem.

O problema não é o adversário, é o árbitro. Acertas na bola, mas raspas no jogador? Falta. Encostas-te ao rapaz que tem a bola, segue, segue, até ele ficar sem ela, momento em que? Falta. Carrinho para recuperar o esférico? Pá que abuso! Falta. O gajo teve uma embolia e caiu redondo - salvo seja! - e tu procedeste a avançar para a baliza? Espera, alguma coisa deves ter aprontado, seu traquinas. Falta. Há cinco dois minutos que ninguém se atira para o chão a balir de dores lancinantes? Deve-me ter escapado uma sarrafada ou outra. Pelo sim, pelo não, vou marcar uma falta.

Reparem, nem sequer vou discutir a Xistralhada do critério. Apenas porque o assunto não é este jogo, está claro. O assunto é o segundo golo do Liverpool no Dragão. Como, mas como, posso esperar que o Marega não achasse que tinha pelo menos 1 minuto para ficar a rebolar no chão? Porque é que a equipa não haveria de levantar o braço e deixar-se estar descansada? É o que nos ensinam, em campo, durante cinquenta jogos. Os milhões dos orçamentos, o pacing, a intensidade, a santa cona do assobio e os colhões do mudo, podem todos ser muito verdadeiros, mas o pior de tudo é termos que jogar outro jogo durante um ano inteiro.

Fosse um Xistra do estrangeiro, um Xáistra ou Xistre ou von Schïstr ou a puta que o pariu, a apitar-nos contra os de Anfield, não havia segundo golo para ninguém. Fosse um árbitro de futebol a apitar-nos ontem e teríamos dado oito. Quer dizer, dependendo do minuto de jogo. Se fosse depois de o cérebro do Brahimi ter ido tomar banho, se calhar dávamos só seis.

Imagino um trabalho muito complicado para um treinador do FCP. Na maior parte do tempo, tem que dizer aos moços: Pá, oh Orelhas, tens que ser mais meiguinho, não sei, não lhes tires a bola, fica só lá a olhar para eles ou assim. Pode ser que se hipnotizem a olhar para os abanos e adormeçam. E mesmo assim, não abuses, que olhar fixamente para o adversário pode ser conduta antidesportiva. Oh tu aí, o armário, um metrinho de perímetro de segurança, tajóbir? Se te chegas mais do que isso, ainda levas amarelo.

De longe a longe, chega-se ao pé dos mesmos tipos e: Pá, oh Hector, tu morde-lhes os calcanhares, não os deixes da mão rapaz. Oh tu aí, o armário, só cais se te derem um tiro, tajóbir? E mesmo assim, é se for audível. Se for com silenciador, continuas a correr que te fodes, andor meu menino.

A jogar em casa, contra o macio Rio Ave, o FCP foi mais agressivo e intenso do que contra os Saxões do Demo? Muito mais! Ontem, cometemos 25 - VINTE E CINCO! - faltas, contra 9 - NOVE! - de quarta-feira. Acreditam nisso? Really?

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Coisa 2 - Miguel Cardoso

Já sabem que eu sou um embirrantezinho de merda. Ainda por cima, quando desata toda a gente a tecer grandes loas a alguém, eu fico desconfiado. Menos se for a mim. Aí, percebo lindamente.

Ora então, oh Miguel, amigo, deixa-me dizer-te que se me desse na gana de mandar num clube endinheirado - pois claro que me deixavam, homessa! - a primeira coisa que eu fazia, era garantir que nunca te contrataríamos. Depois de isso estar nos estatutos vitaliciamente, já me podia retirar para a minha herdade, que seria todo um atol nas Maldivas, e plantar frutos vermelhos. Gosto de sangria de Perignon com groselhas acabadas de apanhar, qual é o mal?

Becabecabecabeca a identidade, rebéubéubéu a coragem, renhónhó o espetáculo, blabla houvessem mais destes. Pá, tudo certo. E aquela coisa estupidamente sobrevalorizada a que temos o hábito de chamar...errr...espera...é como mesmo?...ah, já sei, aprender!? 

Tenho imensa pena pelo Miguel, sendo eu insuspeito porque gosto daquele tipo de futebol, mas o problema não é o modelo. É a burrice. 

Broda, fazer minetes é bom. Para além do mais, é coisa para colocar as pessoas bastante perto do orgasmo - mineteiro e minetada, já se vê - mas a coisa complica-se se à quinta vez ainda não percebeste que APENAS isso não chega. Vai-te valer umas quantas palmadinhas condescendentes nas costas e ZERO orgasmos. Precisas de fazer mais alguma coisa, moço. Qualquer dia, rebentam-se-te os tomates em cheio nas tuas próprias trombas. Canoijo!

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Coisa 3 - Ser Campeão!

No inicio deste ano, decretei que o Porto é Campeão. Foi logo a seguir ao assalto à mão armada em Santa Maria da Feira, com tentativa de violação por via anal incluída. Nessa altura, ainda não tinha quase caído uma bancada e ficado um jogo a meio. Hoje, essa metade por disputar apresenta-se, por motivos diferentes, tão relevante como a batalha de Terras de Santa Maria.

Eu devia saber que para o FCP ser Campeão, tem que ganhar o Campeonato duas vezes. Burrice minha, desculpem. Ainda acabo a treinador do Rio Ave.

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Grandes Mistérios da Humanidade: Porque raio é que os motomobilizados são contra inspeções periódicas aos seus ruidosos veículos? Organizam arruadas e até aparecem ex-Presidentes de Câmara lá misturados e o caraças. Gajas com as mamas à mostra é que nem vê-las! É uma cena um bocado panasca para motard, não acham? Vou investigar...

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cincazero, Silva!

...que remédio. Não é como se tivesse alternativa, senão abanar a cabeça e sorrir do modo mais amarelo de que for capaz. Começa agora, e ainda está de noite, e só vai acabar quando...sei lá quando, talvez em março, no jogo de volta, talvez no domingo, depois do Rio Ave. Um dia acaba. Até lá, sorrio amarelo, abano a cabeça, mas não a baixo. Afinal, esta roupa de trabalho não tem um emblema para eu beijar.

Nem sequer vou perder tempo e delapidar o meu parco latim, lembrando quão forte é o Basileia ou a alegria que é jogar em fevereiro no Cazaquistão, contra o colosso das bicicletas. Isso sim, feitos que enobrecem a Pátria, a deles, e que merecem ser relevados pelos altos dignitários do bairro. O deles, que teimam em fazer de conta que é um país inteiro.

Posso sentir um arrepio de irritação, quando chegarem os derrotistas e derrotados do costume. E os catárticos, à procura de culpados, muitos e vários, mantendo em chaga a ferida, destilando os seus ódios de estimação. Até à próxima vitória, só até lá, a esse momento em que acaba. 

Cincazero, Silva. Nos olhos, trarão a minha tristeza e isso faz-nos irmãos. Juntem-se à roda, a que tem os muitos milhares que ontem, sorrisos amarelos em punho, abraçaram, cantando e pulando, os que levam as nossas cores. E tanto que têm merecido esse colo.

Olha equipa, aqui está a eterna mocidade. Nobre e leal!

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Aos que, coitados, quiserem mesmo vir trocar duas de treta sobre a bola, vou ter que lhes dizer, como sempre, o que vi:

Se os jogadores não mereciam ter sido terraplanados pelo resultado, o treinador merecia ainda menos. Exceto pelo...pois, isso. Mas não esteve em causa durante as vitórias ou na defesa impossível em Chaves, certo? É por isso que não aceitarei que se lembrem agora, os que fizeram por esquecer antes. Não  desenterrem esse morto os que o mataram e ainda se deram ao trabalho de apequenar quem alertou para o erro. Que, foi-se a ver, só foi errado agora, quando não podia mesmo ser.

O treinador fez tudo bem. Podemos implicar com o “decreto Marega” ou discutir as opções, mas são detalhes de um tempo em que já tudo era praticamente by the way. De resto, entrámos com a estratégia certa e o Freitas Lobo pode, e deve, ir apanhar no real entrefolho do olho do cú. 

Entregámos a bola aos beatles, deixámo-los andar com ela à roda até à linha de meio-campo e tapámos as possibilidades de a entregarem aos moços da frente em condições. E quando, ainda assim, o conseguiam fazer, o espaço para os artistas era tão curto que se acabava o campo. Ao mesmo tempo, estivemos sempre prontos para sair em contra-ataque, algumas vezes muito a preceito. 

Foram 25 minutos, mas a ideia era que fôssemos perfeitos e pudessem ter sido 90. O saldo desse curto período, foi uma oportunidade de golo e três ou quatro cantos para o FCP. E um adversário claramente incomodado.

Escamotear as responsabilidades é mau. Atribuir culpas individuais numa derrota por cinco, parece estúpido. Então, resolva-se o dilema traçando um risco: ali em cima, falei-vos do Verbo. Agora, faça-se Luz: o lance em que tudo correu mal a José Sá. 

Desde a reposição com as mãos direitinha para um seilákeporradecôrakilera, a meio do nosso campo, com a equipa toda em contrapé; até ao enorme frango final. E todo um novo Universo se pôs em movimento.

Há falta sobre o Marega, na jogada que pôs acabamentos de luxo na construção iniciada acima. E uma passividade assustadora dos nossos - como não foi falta? Espera, vou levantar o braço e já se resolve isso. Hã? E continuam? Ai o caralho! - a recuarem e a deixarem o bife andar os metros necessários para chutar. Termina em beleza, com o avançado a reagir três vezes mais rápido do que o defesa. Fim do jogo.

Fim, porque o desconforto que se acabara no frango do Sá, deu lugar a uma espécie de Paraíso para uma equipa que, mais do que tudo, sabe e quer jogar no espaço, em velocidade, contra adversários que queiram, ou se vejam obrigados, a ter a bola e a procurar o golo. O treinador preparou bem o jogo, o jogo é que lhe deu com os pés.

Vamos a contas: 45 minutos, 2 oportunidades flagrantes para o FCP, 1 erro individual do tamanho dos clérigos, 1 falta por marcar e muita gente a nanar, zeradois. Houve mais alguma coisa? Não, mais nada! 

Para a segunda parte, SC fez o que tinha a fazer que, ao mesmo tempo, era tudo o que não queria fazer. Foi à procura  de golos, forçando o ataque. A walk in the park para os ingleses. Estes ingleses. Cincazero, Silva.

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Mais tarde, cansados de repetir as incindências e de preencher os cenários what if, alguém se lembrará de dizer “ao menos vamos poder descansar a malta no jogo de lá”.  Como se fossemos outros quaisquer e não o FCP.

Azul, branca, imortal, essa bandeira só avança quando não estamos a “cumprir calendário”. Isso não existe para nós. Vamos a Liverpool para ganhar. Para marcar mais um golo que o adversário. Ou mais dois. Mais três, se se distraírem. Até quatro, numa pontinha de sorte.  Altura em que veremos das possibilidades de uma Era do Fogo sobre a sombria cidade. Cá esperarei então, sorriso rasgado, pelos vossos Cincazero, Silva!

Eu não me sinto humilhado. Como não senti em Munique, ao contrário de muitos. Humilhação é jogar para cumprir calendário.

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Espero que a tua diagonal te possa trazer aqui. Pensei em agradecer-te por ontem não ter sido o dia do Cincazero, Silva!, apenas. Mas seria parvo, porque nenhum dia é apenas. Os Amores preenchem-nos a todos. 

O facto permanece e é insofismavel: hoje devia ser dia de um post sem bola, dos Amores. Vamos fazer de conta que, como os Cincazero, é só um típico Estás Atrasado, Silva! Digamos que me lembrei de cortar as unhas na altura menos indicada. Mas, como vês, não te perdi de vista. Só estou um pedacinho demorado...


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Os bons, o mau e o cretino

O público do Dragão elegeu-o MVP contra os vermelhos de Braga por antecipação cósmica. Muito mais sabidos nisto do fintabol do que eu, perceberam que na partida seguinte este moço ia jogar o que jogou e pronto, procederam a ignorar o senhor Hattrick de Assistências e Telles.

O menino, que ainda é, fez (quase) tudo bem e da forma que o jogo, o nosso e o do adversário, exigia. Foi intenso na luta (!), sublime a tirar a equipa da pressão - muitas vezes ao primeiro toque, comme il faut xôr Oliver - pressionou alto, recuperou bolas, assistiu para golo e acertou no poste. De mais longe que o Yacine num penalty, incha.

Assim, é indiscutível. Tanto como seria Danilo, se estivesse em condições. Caramba, é de salivar. Sendo eu o tipo mais insuspeito para estar a escrever isto, como bem sabe quem por aqui se vai abancando. Até o rabo pareceu mais leve, de tal maneira que se atrasou menos e não precisou de fazer nenhuma daquelas típicas faltas estupidas e brutas que lhe costumam valer um amarelito. 

MVP. Mas tem tino rapaz, olha que eu não gramo lá muito destes momentos em que tenho que, humildemente, meter a viola no saco. Estarei atento, qual Sonso a escrutinar o trabalho dos árbitros.


Eu não sei se o mister já sabia como ia jogar o Amora ou se inventou aquilo à pressa para a flash. O que sim, sei, é que não mudou um pingo da equipa. Como quem diz: zbordem por zbordem, estes da margem Sul não serão muito diferentes dos da margem Norte. Do Douro, está claro.

A equipa tem facilidade em variar de estilo e quando não pode sair apoiado - leia-se quando a construção não passava pelo Sérgio - monta-se às costas do Marega ou aponta à cabeça do Soares. E a coisa resulta.

O treinador põe as pernas da malta no lugar da boca e cumpre o que diz: é para ganhar tudo! Eu gosto. E tinha saudades.

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Houve uma diferença substancial entre a primeira parte, tão parecida com os últimos jogos contra este Amora, e a segunda. Sendo certo que o único golo que contou nestas quatro horas - também ficaram silenciosamente à espera que o VAR anulasse? Mesmo sendo um jogo da FPF? - foi marcado no segundo período, a verdade é que foi no primeiro que demos, mesmo!, o habitual banho de bola. Perdemos, de novo, golos e o adversário...bem, o adversário fez o que podem fazer os Amoras da vida.

Ainda que tenham espevitado - os outros - no reinício, foi só na parte final que fiquei - ficámos? Digam-me vocês. - com a desconfortável sensação de que ganhámos o jogo que mais riscos corremos de empatar. Na minha opinião, a responsabilidade disto é do treinador e não de qualquer má entrada da malta que veio do banco.

Contra os lampiões do Minho, tinha-se lembrado de treinar em jogo o Paulinho, numa posição em que, claramente, o rapaz nunca se tinha visto. Ontem, decidiu acabar o jogo com nove, a ver se havia emoção. Só pode ter sido por isso. Vamos lá ver:

- Golo, caralho! Atékenfim! Bora já meter três tipos ali no meio. E ainda vamos ao segundo. Aaaaaah foda-se, foi quase. E os gajos neribi, nem cheiram. Assim não tem graça. Espera, vamos tirar o pequenito que está a jogar melhor do que se esperava.

- Entra quem, mister?

- Pá, sei lá, mete outro do mesmo tamanho, para não dar cabo da média de altura.

- Ok, vou chamar o Óli.

- Não! Aguenta, aguenta. Mete antes o do cabelo amarelo. Não somos menos que o Amora! Vamos empatar esta merda no que respeita a gajos com o cabelo côr de peido! Para além de que é um tipo que mal conheço, porque praticamente não treina há um colhão de tempo. Temos que perceber o que é que o moço vale e onde é que pode jogar e dar-lhe ritmo.

- Oh mister, o Ruca já não pode. Não era pelo respeitinho que mete, nem tinha valido a pena tirá-lo de casa hoje...

- Tens razão. Vamos substituir o gajo.

- Passamos o cabeça de ovo para a esquerda, onde já o vimos fazer jogos jeitosos, e metemos o espanhol? Ficamos com a bola e não deixamos os tipos jogar, certo?

- Não pá, isso é estupido! Tiras um careca e metes um gajo que até franja tem? E a média de cabelo, não conta para nada, é?

- Mas o Maxi não está a aquecer, mister...

- Pois, isso é verdade, foda-se. Olha, tira o gajo e não metas ninguém, pronto.

- Tábem mister, seja feita a sua vontade. Hernâni, anda cá que vaijentrar...

Assim não, mister, assim não!

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Tenho-me rido qualquer coisa a ouvir os espertos em bola a falar do mais maior bom mestre da tática. Após os anos de manto protetor em que andaram a incensá-lo, descobriram agora que o tipo alucina. O gajo que achou que tinha sido eleito o melhor do Mundo quando treinava o Belenenses. Brilhante, senhores.

Adivinhem lá de quem é que não foi a culpa de os lagartos terem perdido. 

- Do vento!
- Do Sacchi!
- Do Dost!
- Do Hernâni!

Nada disso. Estava uma brisasinha, o Sacchi podia ser mais Italiano e o Dost, manifestamente, não ajudou a equipa. O Hernâni...ok, o Hernâni não teve MESMO a culpa. Nem o Juses, evidentemente. 

O homem faz o que pode com o fraco plantel que tem. Aproveita-se o Marafona na baliza, a queimar tempo e a sacar golos, o Briguel na lateral, a desancar tudo o que mexe enquanto faz cara de santinho e, vá lá, o Heldon lá mais à frente, a correr e a fintar. Coitado do homem, tem o plantel mais fraco e mais curto, a UEFA não o deixa comprar jogadores em condições e, por isso, tem que competir com o mais baixo investimento das últimas décadas.

O pior, caros todos, é que basta as coisas correrem um pedacinho pior para as nossas cores, lá virão os iluminados do Dragão garantir que o melhor era ir buscar este cretino. Este sim, o tipo que garante títulos! Por exemplo, 3 em 6 campeonatos, com as condicionantes que todos conhecemos e NÃO PODEMOS ignorar. Ou, até ver, uma Taça da Liga em mais 3 anos. Façam contas ao investimento lagarto neste triénio e perguntem aos Viscondes se assim chega.

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Agora sim, Bertocchini, vou ler o que diz a malta por aí. Já mais aliviadinho.

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

hiperligação | 92º shooter: opus III – hoje faço greve!



« as pessoas percebem que este próprio protocolo é algo limitativo; portanto temos a noção de que, passo a passo, este protocolo terá de ser mais abrangente – não só nas quatro situações objectivas em que existe, mas podendo cobrir também outras circunstâncias. […]
estamos satisfeitos, como já estávamos no início. é uma ferramenta tecnológica nova, que tem aportado mais valor à competição, nomeadamente à Liga NOS. nesse sentido e mesmo percebendo que há uma margem de melhoria do próprio sistema, porque ainda nem um ano passou relativamente ao protocolo do IFAB, o primeiro balanço é positivo. »

estas declarações pertencem ao líder máximo da Liga Portuguesa em funções e que tem, desde que tomou posse, essa Proença, perdão… essa “proeza” de ver todo um séquito dos intervenientes naquela competição lhe tentarem “tirar o tapete” – e como é referido aqui. guerras palacianas à parte, o que não pode fazer é passar um atestado de burrice a quem mais contribui para esta «indústria» em que se tornou o Futebol: os adeptos. explico (espero que) sucintamente.

em Abril de 1979, afirmava o Mestre que «a massa associativa do FC Porto não é o 12º jogador, como se diz por aí; é o 1º jogador porque, sem ela, o Futebol não tinha razão de existir».

recupero esta frase emblemática a propósito daquela contenda porque, se há coisa que a massa adepta do FC Porto não é, é ser lorpa. ou morcona. ou saloia. e muito menos labrega. mas, quem reside fora do Portugal profundo – isto é: longe da «província» a que designam por «paisagem», desde tempos imemoriais –, considera que sim, que somos uma cambada de parolos que deve gostar ‘bués’ de comer gelados com a testa. o «querido» do sr Oliveira Alves Garcia com certeza que é um desses que adora passar atestados de menoridade (intelectual ou outra) aos adeptos do FC Porto, mas engana-se redondamente nessa Proença.

de facto, nós por cá não gostamos de enfardar “palha para burros”, e como se comprova nas declarações de Sérgio Conceição, na imagem ali em cima. quem assiste aos jogos do FC Porto, com as devidas clarividência e lucidez, certamente que já constatou na veracidade do que afirma o treinador da equipa principal. e, se dúvidas houver, este trabalho aqui, da autoria do “Bala Dragão”, dissipa-as: neste campeonato e até à data, o FC Porto é a equipa mais prejudicada pelas arbitragens, com ou sem VAR (é s-e-m-p-r-e mais sem). aliás, connosco parece estar invariavelmente #aVARiado… e não o afirmo de forma leviana, antes suportado pelos f-a-c-t-o-s que o “Bala” trouxe à estampa. é por esta razão que, para mim ou para qualquer outro adepto do FC Porto, aquelas declarações de Pedro, o «querido», são como que um insulto à nossa Inteligência, porque roçam o ridículo de uma incomensurável desfaçatez.

[e, não!, nos adeptos do FC Porto não incluo «o chibo», esse Perdigoto adepto do “clube do garrafão”. e quem é que é «o chibo»? um destes dias explicarei; hoje não é o momento.]

de facto, o balanço só poderá ser considerado «positivo» por alguém afecto a outro clube que não o FC Porto. e, vai daí, até consta que sim, que é de outro clube, mas não será por aí – porque mal será do Futebol quando alguém por cá andar sem qualquer relação a um clube, seja ele qual for.

agora, o que me custa, nesta estória toda, é haver alguém que (in)tenta passar uma mensagem contrária ao que a Realidade nos impinge pelos olhos adentro, final-de-semana sim, final-de-semana também e que é a de que ‘in dubio, FC Porto adversus’ e para citar o caríssimo Vassalo. ou seja: em caso de dúvida, de modo algum o FC Porto poderá ser beneficiado. ainda no passado Sábado tal aconteceu e de forma bem evidente, no diálogo entre o árbitro da partida que nos opôs aos #rabolhosrubros do Minho e o #aVARiado, aquando da obtenção do nosso segundo golo e que veio a desempatar esse jogo: para mim, que ando “escaldado” com toda esta filha-da-putice, a primeira impressão foi a de que estavam a arranjar uma “panelinha” para invalidar um golo limpo, imaculado…

e, confesso-o (mais uma vez), cansa-me ver um jogo do meu clube do coração sabendo que invariavelmente iremos ser roubados. e que, por esse motivo, a Equipa terá que ser muito melhor do que os adversários; a saber: equipa contrária (11 elementos), equipa de arbitragem (04 elementos), VAR (02 elementos), Delegados da Liga (02 elementos), Conselho de Disciplina (13 elementos, actualmente encabeçado pelo magnânimo “doutor” meirim). é mesmo #muitafruta para levar de vencida todos os jogos. todos. os. jogos. t-o-d-o-s…

em suma e porque já se faz tarde para rumar ao Dragão, para ver o nosso Amor comum jogar no nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos:

acho que o sr . Oliveira Alves Garcia, bem como muito “boa gente” que gravita no nosso comezinho futebolzinho tuga anda (literalmente) a “brincar com o fogo”. e a considerar que a paciência da massa adepta do FC Porto é inesgotável, mas esta não é! e tem limites – os quais estão a ser sucessivamente postos à prova há pelo menos cinco épocas. assim, talvez não fosse má ideia o «querido» solicitar uma qualquer espécie de “greve” a tanto excesso de zelo e/ou olho-de-lince invariavelmente para os mesmos.

e é por isso que convém (também) recordar esta outra máxima do Zé que não “apanhava bonés”:

« as gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos que teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros, que têm decidido da perda de muitos campeonatos! »

“disse!”

Miguel Lima | 92º minuto

(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Rojões com sarrabulho e uma malga de verde tinto



Há vários fatores que me levam a preferir que o Braga perca jogos, exceto quando são contra lampiões ou lagartos. Sendo que, no caso dos primeiros, parece que os próprios bracarenses preferem levar na pá.

Não que antipatize com a cidade, até pelo contrário, está-se bem por lá e já fui muito feliz no Bom Jesus. Quais pecado? Tenho culpa que instalem hotéis no monte? Mas assim cumássim, eu cá sou um labrego bonacheirão e ando quase sempre todo contente. Ajuda muito a vida correr bem no âmbito da sorte ao felatio, diz que ajuda. 

De todo o modo, acontece que sou por Guimarães. Sempre por culpa da companheira de expedições, mas também da Taberna do Trovador, do Café Oriental, do mau gin do Coconuts, dos 3 filmes por dia no cinema, dos castelinhos e dos jesuítas, dos passeios de mão dada pelo empedrado das ruas onde nunca nos perdemos. Os sítios são o que lá vivemos e eu perco-me de amores por Guimarães.

O que não invalida que fique todo contentinho quando o FCP enraba violentamente e sem lubrificação o Vitória. Cinco vezes. Lá está, é uma paixão assolapada. O pessoal de Braga que não se amofine, temos sempre preferências nesta vida. A gente senta-se à roda de uma posta de bacalhau e discute isso, ok?

...

Ai, espera, isto era por causa da bola! Na série “Bela minhota”, passámos de um injusto empate em Moreira de Cónegos - que é quase Guimarães - para uma merecida vitória sobre os burmelhos de Braga. Inchem, bem feito! O povo ficou todo feliz, porcakilo em Moreira foi uma vergonha, majisto com o zbordem rubro - dass, é que lhes corre tudo mal! - até deu gosto. 

Conforme esperado, a malta vê a bola depois de olhar para o marcador. Até tem o seu sentido, mas não significa que estejam certos. Sobretudo porque não estão. É mais por isso.

Seja como for, o que era efetivamente essencial era ganhar o jogo. Ainda lhe juntámos o facto de ganhar bem, sem mácula. Daí a escolhermos o Sérgio Oliveira como MVP no mesmo jogo em que o Alex Telles fez um - outro! - hattrick de assistências, somando piscinas e boa decisões pelo corredor, é mesmo de quem lhe parece boa ideia festejar, à luz do telefone, uma vitória aos 75 minutos de jogo. Malta, isso é como o unicórnio: aquece a Alma, mas não existe. Se acreditamos que o público influencía o desempenho da equipa, então temos que ser responsáveis no nosso papel e não nos pormos a transmitir a ideia errada para dentro do campo.

Esteve mal, o Oliveira? Nem por sombras. Esteve até muito bem, para o que o Oliveira faz. Desde logo, fez coisas que o Óli, sem veira, não faria: ganhou algumas duas bolas de cabeça na luta do meio-campo, entre outras boas recuperações; e marcou um golo que o outro não marcaria, por ser má’canito e por ter tendência a não estar na área, a dar cabo da marcação ao adversário. De resto, muito certinho o Sérgio, sem grande risco nem grande rasgo, mas consistente, mormente na primeira parte. Claro que quando se tratou de recuperar a posição e ir atrás dos adversários que se lhe escapavam, a coisa piorou um bocado. Lá foi indo, chegando quando chegasse, embora se deva louvar o esforço que foi patente. É perder dois quilitos em cada nalga e ainda vai a tempo de ser o jogador que, na verdade, é. Só que não sabe...

No geral, a equipa entrou bem de novo. Claro que toda a gente diz que no sábado sim, entrámos a pressionar, a dominar, a querer ganhar, arroz de tomate com pataniscas, intensos, os seios da minha prima, a raça, o querer, a tragédia, o horror. Tudo ao contrário do jogo anterior. Mas é só porque ganhámos, porque no fundo, não foi nada assim tão diferente. Não entendam mal, foi bom! E a relva muito melhor, a testemunhar que se acabou o chuto para a couve, às costas do Moussa. Gosto.

A diferença talvez esteja no facto de o adversário ter tido duas aproximações à nossa baliza, contra zero a meio da semana. E ter marcado um golo. Ao passo que nós tivemos menos oportunidades. Tenha-se em conta que estes minhotos são mais capazes que os das camisolas feias, o que explica uma menor inclinação do jogo. De qualquer maneira, uma boa primeira parte, com um resultado justo, se bem que escasso.

A segunda metade foi piorzinha, foi sim senhor. Os anormaloides decidiram subir mais um pedacinho e apertar com o nosso meio-campo. Apesar da disponibilidade do bom do Hector que corria a todo o lado, mesmo que nem sempre saísse bem depois de recuperar a bola, a equipa começou a berrar por um terceiro médio. Alguém que nos deixasse ter mais tempo a bola e injetasse algum sangue fresco, e frio, ao nosso jogo. E o treinador pensou: Oh, xósberrar maijumcadito, não se vão habituar mal.

Quando por fim se decidiu, tratou de quebrar a monotonia. Entre a opção de meter o médio de posse que tinha a aquecer - como sempre - ou o falso ala capaz de fazer o terceiro médio, posição que lhe exige menos conhecimento da dinâmica dos colegas e da equipa, o treinador resolveu quebrar a monotonia da previsibilidade: Oh Pálinho, anda cá. Baijentrar ali para o meio de nenhures, nem avançado, nem médio, atento ao central ou ao tronco, cuidado para não levares com o Hector em cima e resolve-me lá uma equação do terceiro grau enquanto cantas as janeiras. Anda, rápido, siga. 

Resultado, andou o mister a conversar com meia equipa na linha lateral, a tentar explicar uma coisa que, aparentemente, nunca tinha treinado. Ou então aquela malta faltou a esse treino.

Apesar da confusão, ter deixado o Oliveira mais fixo e ter um Herrera capaz de fazer três jogos seguidos devolveu-nos algum controlo. Depois, quem tem um Yacine e não o deixa a ganhar mofo no banco, merece sempre o que o rapaz consegue fazer. Que é pouco maijómenos tudo. Pumbas, trêzum, depois de um valente Sá nos ter salvo de novo empate. A seguir...foram mais luzinhas.

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No fundo, a malta tem razão. Isto é bom quando se ganha e ponto final. Eu cá também fico (ainda) mais contente. Não preciso é de fazer de conta.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

hiperligação | 92º shooter: Opus II - Olá e adeus (ou vait'embora)



vou deixar as análises ao jogo de anteontem, em Moreira de Cónegos, para quem de direito e que muito prezo – a começar pelo dono da tasca mais as suas culpas, lá nos Cavanis deste mundo. eles são entendidos nessas matérias e quem sou eu para discordar deles (e delas)…

portanto, o que me traz aqui, hoje, é basicamente expressar publicamente o desabafo de que dormi mal. muito mal. aliás, nem dormi sequer e estou de directa. é que prometeram-me que, mesmo conscientes das dificuldades no campo em questão, «queremos, como equipa, assumir a responsabilidade de ter que ganhar o jogo e da importância dos três pontos na nossa caminhada». isto foi o que me prometeram. mas, findos aqueles 90 minutos (mais os descontos), o que sobra é muito poucochinho, mormente em termos de futebol jogado. e isso é que me deixa chateado com um F bem maiúsculo!

é certo que o Moreirense não iria facilitar em Nhaga – ou não houvesse uma qualquer Boaventura por lá, alegadamente via “maletines Louis Vuitton” (como sempre), porque a César o que terá que ser de direito. mas, que diabo!, sempre foi assim e s-e-m-p-r-e assim será.

mais uma vez, voltámos a dar de bandeja 45 minutos de avanço ao adversário, apesar de algumas jogadas interessantes e do movimento de alguns jogadores… e isso, parecendo que não e numa altura da época como esta, irrita-me solenemente. nesses 45’, foi evidente que Óliver não foi o dínamo que se desejava e que Herrera não foi o pêndulo que fez esquecer Danilo, antes pelo contrário. sobrou Paulinho, em estreia a titular, num jogo bem conseguido e o único com alguma clarividência nos passes de ruptura, com Brahimi em baixo de forma (mas já lá vamos). {momento para informar que me refiro exclusivamente ao meio-campo, por ser o ponto nevrálgico, no meu entendimento, na partida em causa. foi muito pela sua inépcia que se explica o desacerto no resultado final.}

também não gostei Nhaga dos instantes finais, com o recurso a um “chuveirinho” sôfrego, nunca antes visto nesta época – o qual explica a entrada de Sérgio Oliveira no jogo, numa tentativa de acerto naquele (e que até ida dando certo, não fosse o olho-de-lince do bandeirinha). mas que porra de desespero foi esse?! não há outra forma de se tentar chegar ao golo?! pelos vistos, não! 😱

inclusive deu para perceber (bem) que esta equipa está exausta, numa altura crucial da época e quando se avizinham dois meses intensos, com jogos de três em três dias ‘non-stop’. da defesa para o ataque, Alex, Felipe, Herrera (mesmo não se notando muito), Brahimi, Marega, Aboubakar: t-o-d-o-s extenuados, sem poderem com uma gata pelo rabo. e Sábado há mais, com a recepção aos ‘gverreiros do Minho’, num jogo intenso, onde se espera que o guarda Abel e ‘sus muchachos’ “paguem a factura” do jogo (muitíssimo) menos conseguido de ontem.

portanto, esta é Parte Primeira deste texto: foi-me prometido algo que não foi cumprido, de todo, numa espécie de “olá, adeus!”, onde me senti defraudado e as minhas expectativas foram arrasadas. não gostei. e sei que o ‘coach’ Sérgio Conceição também não. Sábado espero estar lá, “ao vivo e a cores”, para tirar essa teima e porque é nestes momentos, de menor fulgor, que se deve marcar presença e apoiar a Equipa.

...

já a Parte Segunda deste texto é muito breve e explica-se com uma espécie de superstição bacoca (como eu): parece que o anunciado regresso deste que te escreve, num espaço alugado por um Amigo destas andanças, não trouxe Boa Fortuna.

Assim, Sábado lá estarei, como referi, ali em cima – não só para tirar as teimas com o Sérgio, mas sobretudo para saber se há qualquer espécie de regresso de um célebre “pé frio”, que não desejo. de todo! 😱



post scriptum pertinente:

há todo um filme que é impossível não referir e que influenciou e muito!, o desfecho do jogo de ontem. refiro-me à “encomenda” que foi a nomeação de luís ferreira (apitador de serviço) e de manuel oliveira (para #aVARiado). Por exemplo, se as Leis do Jogo tivessem sido cumpridas, logo à meia hora da partida o nr 10 do Moreirense (Bilel) teria visto, no mínimo, um cartão amarelo, e conforme o disposto no ponto 12 daquelas (“Faltas e Incorrecções”). é que até teve uma acção idêntica à de Alex Telles em Vila do Conde, na época passada, logo à primeira jornada. parece que não, mas a amostragem daquele cartão teria condicionado a acção de um gajo que passou o tempo todo a distribuir “fruta da boa” em tudo o que mexia. é só um exemplo, entre outros mais flagrantes.

sem me querer alongar muito nesta temática, pois qualquer Perdigão sabe bem mais do que eu, deixo para reflexão e para termo comparativo o que a imagem ali em cima ilustra. convém referir que foi validado aquele golo, exactamente no mesmo estádio e no mesmo lado onde o do Waris não contou para o Totobola e/ou Placard. e que até deu origem a conferência de imprensa surreal do jeBus que tentou explicar, à sua maneira, o facto do cotovelador argelino não estar em fora-de-jogo...

é caso para recordar palavras sábias de Adão Mendes, em Janeiro de 2014:
«quanto às #missas, temos bons #padres para todas, incluindo as da Liga e as da Juventude Operária».

“disse!”


Miguel Lima | 92º minuto
(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Bagaço e pacotes de açúcar



- É um bagaço. E não me fodas os cornos que não estou com paciência nenhuma. - Pumbas, come uma estalada na bochecha que até lhe salta uma gota de sangue pela orelha.

- Já te disse que não gosto de beicinho e lábios tremeliquentos. Irrita-me! E ai de ti que te ponhas aos murros aos acrílicos. Ficas um mês sem telefone, meu menino. - Treme-lhe o lábio inferior. A custo, controla-se.

- Bah, nem sei porque vim aqui. Andas sempre a desancar-me, imagino o que tens para me dizer hoje. Mas tudo bem, eu devo merecer. Se todos dizem, devem ter razão. Anda lá, oh Silva, bate no ceguinho. - Esconde a boca com a mão, para que não se veja o lábio a tremer. Passo para o lado dele do balcão e abanco-me.

- Então eu digo-te. Acho que fizeste tudo bem. Escolheste a equipa certa, surpreendeste na abordagem, criaste oportunidades, meteste o adversário no bolso. Conseguiste que a tua equipa jogasse à bola naquela espécie de horta comunitária mal conservada. Muito bem miúdo. - Uma palmada nas costas. - Só espero que tenhas tomates para te manter firme na tua convicção, apesar do alarido que por aí vai. Mas disso, desculpa lá oh beiçolas, já tenho as minhas dúvidas. - Ele olha-me desconfiado.

- Estás a gozar? - Avia, finalmente, o bagaço. - Foda-se, Silva, está prometido: repetimos contra os vermelhos do Minho! Cincazero, caralho! - Bate o copo no balcão.

Eu vou limpar as mesas. Deixo-lhe um pacote de açúcar à frente. Ele lê: "Puto, o medo, a ti, não te assiste". Sábado já veremos.

...




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Lagosta suada



Os moços lá do antro onde evoluo de modo assinalável ao nível da musculatura, descobriram que, desde que frequento assiduamente o espaço, a conta da água subiu drasticamente. É o que acontece quando juntam uma pessoa de impecável asseio a um bando de grunhos badalhocos.

Se é para tomar banho, é para tomar banho. Se era para me passar por água, esperava que chovesse e ia para o carro todo nu, percebido? Ah porque o senhor demora duajóras no chuveiro. E? Não sou nenhum anão enfezado, pelo que tenho um perímetro vasto para lavar.

O que não lhes digo é que muita sorte têm eles de eu teimar em cortar a gadelha muito curtinha. Nem que parte do tempo não estou a tomar banho, embora a água corra abundantemente. Estou a pensar em coisas parvas, como vir para aqui contar-vos que os cabrões agora põem aquilo a ferver!

Pareceu-me que tinham encaixado isto como gente decente e estava tudo bem. Mas os suínos, pelos vistos, querem guerra. Ainda por cima, julgam que são finórios. Eu já me tinha preparado, à conta dos meus espetaculares atributos no âmbito da meditação e do mindfulness e do acro-ioga (sim, existe!), para a eventualidade de não aquecerem a água no período em que a minha tarifa me permite ir para lá banhar-me.

Vai que, malandros, utilizaram a tática inversa: Água fria está muito visto, bora majé aquecer isto até cozinhar o anormal. Deste modo, cada vez que aciono o chuveiro, parece que entro num forno de fundição da Siderurgia Nacional.

O que os moinantes não sabem, é que na minha rua toda a gente me chama Silva, a Tocha Humana. É uma coisa de família. Por isso, fiquem descansados, meus licorzinhos de jenipapo, contínuo a demorar tooooodooooo o meu muito merecido tempo a enxaguar-me, enquanto penso em coisas, muitas e várias, boa parte das quais não fazem sentido nenhum.

Só que, sempre preocupado com o meu semelhante - ainda que em versões mais atrasadas e com menos extras e isso tudo - revolta-me que esta sanha persecutória contra mim, possa estar a prejudicar outros utilizadores. Pobres coitados, devem andar a gastar metade do orçamento que tinham para comer mão de vaca com grão e salsichas e atum e essas coisas que os pobres comem, em Biafine. Acho mal e não posso ficar quieto perante esta clara injustiça. Por isso, decidi mandar uma epístola - nós, os Silvas, não escrevemos cartas - à gerência.

Digam lá o que acham, como se isso fosse fazer diferença. Mando ou compro um fato de amianto e desafio o cancro?

...  

Cara Gerência do xxxxxxxxxxxxxxxx,,

Tendo notado o muito significativo aumento da temperatura média da água dos duches, venho informar que se trata de uma medida que não produzirá o efeito desejado: Impedir-me de demorar basto tempo no banho. 

Na verdade, tomar banho com água a ferver é uma tradição familiar, por parte da mãezinha. Adoramos. Só quando fica tudo cheio de vapor e não se vê nadinha em redor, a parecer a Choupana em dia de jogo, é que estamos bem. É tipo o nosso desporto favorito, entendem? Há quem lave a roupa interior na água do banho, nós cozemos batatas. E legumes. Já se vê que mantemos uma alimentação muito regrada, com muitos vegetais e fruta e assim. Tudo biológico. E vegan. Menos as postas Mirandesas e as alheiras de caça e o joelho de porco e o robalo ao sal, descontando o sal, e os filetes de espada, descontando o milho frito, e o marisco, descontado a maionese. De resto, é tudo vegan.

Aliás, em África, quando éramos riquíssimos, havia uma Unidade de Queimados ao lado de cada casa de banho, na enorme mansão colonial que habitávamos. É certo que nunca as usámos, mas a Avó tinha muita relutância em deixar médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e os senhores das três ambulâncias - sei lá eu em que parte da cidade me posso queimar, disse o Avô - no desemprego. 

Por isso, deixem-se de subterfúgios parvos e tomem as vossas decisões. Compreendo que, por um lado, temam pelo futuro da espelunca que fingem dirigir, se as contas continuarem a subir. Por outro, já se sabe que se eu me chateio e me traslado para a concorrência, lá se vai metade da clientela. É fazerem as contas, é o que eu acho. 

Atentamente,

Silva

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sábado, 27 de janeiro de 2018

hiperligação | 92º shooter: Opus I - Apresentação



«Lima, e que tal aceitares o desafio de teres um espaço regular na Tasca? É que parece que faz falta à Pessoa Humana aquela resma de links a explicarem o que está explicado.

Postares de 15 em 15 dias, com um resumo ou o que preferires, é curto para manter um blogue activo. Mas, se for na Tasca do vizinho... Bem, não sei… Lembrei-me disto no outro dia. Continua a parecer-me boa ideia. ‘Your call’.»

quase sete meses depois, sou instigado a regressar, por via de um Amigo que tive o grato gosto de conhecer por esta via: a blogueira. e cuja Amizade se mantém desde há já quatro anos (sim, Silva, o Tempo voa).

resolvi aceitar tão generoso convite principalmente porque sim. e porque sinto falta deste convívio – o da Bluegosfera dos blogues, para lá do Twitter. e porque, confesso-o, sinto falta de escrever para lá da imposição de 280 caracteres.

portanto, eis-me aqui! – numa espécie de “I’m back, bitchies!”, mas em modo emprestado. tentarei honrar os pergaminhos desta Tasca, mas não olvidando a minha personalidade, qual “imagem de marca”, nos meandros da Internet, já desde Julho de 2008. Serei essa espécie de cliente regular da casa, que se senta na mesa costumeira, ao fundo, para ver a bola na tv enquanto desfolha uma ‘revista Gina’, e amiúde manda umas bocas (foleiras. as chamadas “limeirinhas”, com o devido crédito para quem de direito). acho que é isso. e espero não estragar (muito) o ambiente, pronto.

dia 02 de Fevereiro está agendado novo encontro - isto se o Mundo não acabar até lá. é que diz que o Nuno Saraiva está a tratar disso, com medo de ir para umas bancadas que, afinal, vai-se a ver, nem ameaçam ruir, nem Nhaga…


Miguel Lima | 92º minuto
(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

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Soundtrack to Mr. Lima: I'M BACK!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Todos de pé! ( Atualizado, reatualizado e re-reatualizado)

Aguenta, aguenta...

Ah, já tinha saudades de um clássico em sinal aberto. Infelizmente, pelo que percebi, acabei por me enganar e ver outro jogo qualquer, embora fosse tudo muito parecido em termos de equipamentos e fronhas das pessoas. Até havia lá um gajo com ajorelhas do Herrera, vejam bem.

No meu jogo, os de verde pareceram ter aprendido qualquer coisinha e enfrentaram bem a intensidade que quisemos colocar na partida. E colocámos. E eles também. A partir do quarto de hora, a coisa foi completamente equilibrada. Bom jogo? Nem por sombras. Estranhamente, os senhores da televisão juram, ainda agora, a pés juntos, que se tratou de uma soberba joga, em que os gatitos de Alvalade estiveram lindamente e por cima e assim, ainda que fosse pouco maijómenos equilibrado. Well...

Olha, mesmo equitativo foi o senhor do VAR. Como a missão é beneficiar os lampiões, seja em que circunstância for, é natural que se sintam um bocado perdidos numa competição em que o 5LB não joga. Vai daí, palmaram os lagartos e, não satisfeitos com isso, palmaram-nos a nós também. Anda lá Orelhas, faxabôr de fazer chegar os voucherzinhos aos moços e nada de lhes martelar a nota.

ATUALIZAÇÃO: Escrevo o que vejo. Quando se vê a segunda vez, revê-se, lá está. Revistos os lances, devo corrigir: o senhor do VAR prejudicou apenas os do costume. O pinheiro holandês estava em fora de jogo antes de ser agarrado na área, pelo que não há penalty. Já o Soares, continua a parecer-me em posição legal. Tranquilo Orelhas, os rapazes continuam a merecer os jantares.
REATUALIZAÇÃO: Afinal, foi-se a ver, eu tinha razão, como é normal. Até estava a estranhar. Por motivos estes e aqueles, derivados da lei, era mesmo penalty para os lagartos. Onde se lê “atualização”, aqui em cima, não se leia nada. É isto.
RE-REATUALIZAÇÃO: Já não é nada penalty outra vez! Olha, safoda maijisso, acho muito bem que não tenham marcado merda de penalty nenhum. Mas se é pela lei, então que se divulgue tudo e não apenas o que lhes interessa. Está tudo AQUI, a páginas 92. Agradecido ao xôr Azul e Branco, pelo pertinente alerta e pela indiscutível fonte.

Este período fica marcado por duas lesões que, na minha opinião, marcam a diferença entre as equipas e os técnicos.

Danilo teve que sair e o FCP passou a jogar com Oliver, Herrera e Oliveira no miolo, perdendo claramente a dimensão física. Num jogo que se disputava essencialmente nesse capítulo - intensidade, raça, força - é admirável que não só não tenhamos perdido o meio-campo, como ainda tenhamos passado a estar mais por cima e com melhor controlo da partida. Mesmo que individualmente Herrera se tenha voltado a baralhar mais do que vinha sendo normal, Sérgio Oliveira tivesse entrado ao intervalo para o seu próprio lugar e Oliver... - safoda, batam à vontade - Oliver é o melhor, ponto. Substituiu Danilo e lutou. Substituiu o Oliveira desaparecido e lançou o ataque. Tapou buracos ao Hector. E ainda fez de Oli em algumas ocasiões, pelo menos duas delas a merecerem melhor seguimento de Herrera e Marega - o último ainda tentou chutar à baliza, o primeiro só percebeu que a bola era para ele e ia perfeitinha quando o Teco deu um cachaço no Tico e o acordou. Era tarde. Ainda assim, em conjunto, vénia para os três e o resto da equipa, por terem demonstrado que juntos conseguem superar a ausência - por quanto tempo? - do pilar.

Do outro lado, Gelson também se magoou e teve que sair. E aqui está a diferença entre os treinadores, ainda que, ao fim de TRÊS épocas - 3! - o bom do Jergo Juses chegue à final de uma Taça. Da Liga. Poderá - eventualmente! Vai Paciência! - ganhar um troféu. Ora, o autoproclamado génio da bola, fez entrar para o lugar de um dos seus mais importantes ativos de ataque...o Battaglia. Portanto, um médio de características predominantemente defensivas e útil para a luta do meio-campo. Que perdeu na mesma. Porquê? Porque Battaglia entrou para entupir a faixa ao bom do Brahimi. Isto é, o que o grande maior mais melhor bom treinador do Universo conhecido - e alguns arredores desconhecidos também - fez, foi tentar bloquear o adversário, mesmo que isso significasse abdicar de construir. Barricou-se e esperou ganhar de alguma improvável maneira. É bem sabido que todos os cães têm sorte.

Da segunda parte, um senhor da televisão disse que não tinha sido tão boa quanto a primeira. Está claro que eu estava a ver o tal outro jogo e, por conseguinte, tive mais sorte do que ele e vi melhor futebol. Com uma equipa notoriamente superior à outra. É certo que o nosso poste esteve soberbo a parar uma cabeçada numa bola parada, mas é indesmentível que nos pés de Marega, Aboubakar, Ricardo e na cabeça de um moço que ainda não decorei o nome, o nosso Porto - oh Campeão - teve a merecida vitória. Que deixou escapar, mesmo que San Iker não o merecesse.

Assim como é irrefutável que somos melhores, mesmo não tendo sido brilhantes. Isso não fica para a história? Fica pois. Verão em maio, nos Aliados. E em Oeiras. Meet you there, mister. E nada de andar para trás com mais esta afirmação. Eu ouvi!


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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A Culpa é do Cavani: Pilas de Dragões grandes

Pelo que percebi, o servidor onde está alojado o A Culpa é do Cavani, foi-se abaixo das canetas no momento em que o Bertocchini resolveu lá guardar o seu acervo de pornografia eslava. Posso ter entendido mal, que eu percebo pouco de computadores. Vai-se a ver, era húngara...

Seja como for, digamos que ficámos fechados do lado de fora e, por agora, não temos outro remédio senão esperar tranquilamente que a malta que trata dessas coisas se despache a ver os filmes. Ou lá que raio de fanico é que deu às máquinas.

Mas vocês, bombonzinhos de ginja, não precisam de se enervar. O mais recente episódio está AQUI

É só clicar e terão acesso a toda uma enciclopédia de Engenharia de Estruturas, de modo que ficarão mais habilitados a arrotar postas de bancada do que o Sócrates. Depois do exame. Ah, de bónus, ainda se fala de barbas, de bola e do sexo de enormes monstros jurássicos. Não, do Marega não se fala muito. 

Então é isso, para o YouTube e em força! Rache o que rachar, esta bancada não se cala. Deal with it bitches.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Uma questão de identidade


Tem havido pouca bola na Tasca, lá isso é verdade. Em boa parte, a culpa é do Cavani. Ao ritmo frenético a que a nossa equipa tem jogado, têm sido gravadas, editadas e publicadas jornadas do mais melhor bom podcast do Mundo, de entre aqueles  em que eu participo. No meio de muito disparate e da mais completa baderna, quase tudo o que tenho para dizer acerca da bola fica por lá.

Confesso que me tem dado um gozo imenso, este estado de coisas. Não só porque gosto genuinamente de me pôr na palhaçada com os Jorges, mas também porque isso me tem permitido ir investindo algum tempo em "projetos" como The SEDCAS Experiment. No fundo, o tipo de coisas para que "A Tasca" nasceu.  

Só que quase não é tudo. E esta manhã, ao ler o desportivo, uma declaração do à partida derrotado Abel Ferreira juntou-se a um dos temas do último Cavani e pensei: olha, dava um post. Resisti até agora, ao final do Liverpool x City e a uma volta pelas reações da minha malta naquela coisa do pássaro azul. Pumbas, uma posta de pescada eu ainda aguento calada, agora duas? No can do.

Ao fim ao cabo, a identidade da Tasca é também bola, certo? E mandar vir, de uma maneira geral...

...

O bom do Abel parece que, num intervalo entre lamber o cu ao Sonso e fazer-se a um lugar no 5LB, disse qualquer coisa como: Quando uma equipa tem identidade, todos sabem o que vai fazer. O homem estava a justificar o facto de o 5LB ter, supostamente, conseguido anular a sua equipa. Ainda ontem tinha estado à conversa com os Jorges acerca da beleza da versatilidade do FCP de Conceição. Beleza fui eu que lhe chamei. E ao ler o tal do Abel, pensei: Ai ca burro, identidade não tem nada a ver com previsibilidade.

E não tem! Admito que toda a gente saiba pouco maijómenos como é que vai jogar uma equipa de Guardiola. Por norma, os jogadores são tão bons que, ainda assim, é complicado impedi-los de ganhar. O FCP de Lopetegui, por exemplo, aplicava sempre o mesmo sistema, qualquer que fosse o jogo, o campo ou o adversário. Podem ser equipas com identidade. Ou não. O que eu acho é que a identidade da equipa não se define pela forma como joga sempre igual ou dentro do mesmo principio. Em meu socorro, o FCP de Sérgio Conceição.

Ninguém pode dizer que a nossa equipa joga sempre da mesma forma. Já fomos do pontapé para o quintal ao controlo em posse ao contra ataque puro e de volta ao chuto para a couve. No mesmo jogo, conseguimos andar às costas da técnica sobrenatural de Brahimi e às costas de Marega. Literalmente, no segundo caso. Mais ainda, conseguimos esta variação sem mudar de jogadores. Ou mudando muito poucos. Até porque não temos mais. O principio básico de chegar à baliza e terminar cada jogada com um remate, está lá, mas o método...

Os nossos adversários podem supor como vamos abordar determinado desafio, mas desconfio que terão sempre a pulga atrás da orelha. Porque pode muito bem ser como eles pensam ou então não. E então não, não espantaria que fosse o exato contrário. Altura em que podem meter o plano de jogo no real entrefolho do olho do cu e desatar a rezar aos Santinhos da sua devoção.

Quer isto dizer que o FCP é uma equipa sem identidade? Na minha opinião, nem lá perto. Pelo contrário, é uma equipa cheia de identidade e com uma personalidade alicerçada nos valores tradicionais do "Ser Mesmo Porto". Sem desenhos. A característica camaleónica é uma parte dessa identidade. Somos raça, espírito de superação, fé, ambição e capacidade de adaptação. Faz parte do que somos que não saibam como vamos ser. Aprende, oh Abel.

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Pela Velha Albion, uns vermelhos estavam a ganhar cátrum a uns azuis. Só por isso, já devia desagradar ao Universo portista inteiro. Dá-se o caso de serem os próximos vermelhos que temos que encavar. Ui, o apocalípse, o drama, a tragédia. Vamos ser violados sem misericórdia pelos trezentos de Termópilas com as suas espadas ensanguentadas. Ai os nossos ricos rabiosques.

Depois, foi-se a ver, aquilo ficou quatro a três, pelo que se não fosse um disparate muito jeitoso de um ex-lampião, teria acabado empatado. Em casa dos vermelhos, que são uma bela equipa, cheia de grandes jogadores, e que marca golos tão depressa como os sofre.

Os que já passaram aqui algum tempo ao balcão, sabem que N-U-N-C-A me sinto derrotado antes de jogar. Ora, na verdade, a maior parte das vezes em que o FCP perde eu não me sinto derrotado. Some you win, some you learn. Portanto, não meujamiguinhos, não aceito que tenham medo de ser humilhados em Anfield. Ainda menos aceito que dêem por garantido que isso acontecerá. 

Pensarem que isto são favas contadas para o lado dos vermelhos, é não terem - ainda! - percebido patavina da identidade da vossa equipa. Parecem o Abel, foda-se!

...

Agora façam-me um favor - podem tirar o som, se vos for insuportável - e VEJAM ISTO. All are one! Se não se emocionam com isto, é muito possível que estejam, de alguma maneira, mortos...
Há esperança!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Notas para uma comédia portuguesa



Cenário: Um parlamento. Em cada extremidade do palco, um coro em forma de bancada.

ATO ÚNICO

(Abrem-se as cortinas, a luz incide exclusivamente no centro do palco, num homem de calças e casaco de abas de grilo azul petróleo, com lantejoulas prateadas, e cartola vermelha, igualmente em lantejoulas. Uma bengala branca e botas de plataforma, também brancas, com solas vermelhas. Cai um microfone de fio do alto da cena. Artur Albarran grita para o microfone.)

- Portuguesas e portugueses, bem-vindos à vossa vida. Hoje, o combate fratricida, a batalha sem tréguas, a luta sem quartel, o drama, a tragédia, o horror. Legaliza-se ou não se legaliza?

Quem quer saber se os bancos já voltaram a incentivar o consumo desmedido e irresponsável, quem se rala com jogos de futebol comprados, quem quer saber das promiscuidades, do chico-espertismo, do tráfico de influências, do dá-cá-o-meu-antes-que-se-acabe, dos Vieiras, uns Silva e outros Filipe, dos Frasquilhos, dos Engenheiros, da mui rara alta costura, do Século em que vivemos, das bombas de hidrogénio, dos loucos no poder, da terra queimada? (Cala-se e olha de uma ponta à outra a plateia. Espera-se que haja silêncio.)

Ninguém, pois claro. Vamos ao que nos importa. Senhoras e senhores, meninos e meninas e selvagens de todas as idades, convosco os da Esquerda e os da Direita. (Iluminam-se os coros nos dois flancos do palco, trajando conforme será descrito. Artur Albarran retoma a narração, usando a bengala para apontar,)

No canto direito, de camisolas às bolinhas amarelas, calções verde choque e pantufa de pelúcia cor-de-rosa, os Estúpidos. (Aplausos e gritos de incentivo)

No canto esquerdo, de pijama macacão arco-íris, mais Estúpidos. (Aplausos e gritos de incentivo. Nota: garantir igual intensidade em relação aos anteriores concorrentes)

(Apagam-se as luzes. Acende-se apenas o foco superior, iluminando o coro da esquerda)

- Devemos legalizar! (Gera-se burburinho concordante.)

- Eu sou contra. (Empurram o velhote para fora do coro.)

- Se és contra, tens que sair daqui. E não podes ser contra. Se estás na esquerda, tens que ser a favor.

- Porquê?

- Olha, boa pergunta. (Conferenciam uns com os outros, coçando as cabeças) Não sabemos porquê, mas é assim que está escrito, é assim que deve ser. Já és a favor?

- Não, continuo contra. Para opiáceo já basta a religião, companheira camarada. E porquê isto agora?

- Porque diz que é melhor fazermos qualquer coisinha que nos mantenha a aura cool que gostamos de ter. Já sabes que isto de ser Poder retira algum glamour. Pronto, lembramo-nos do chamom.

(Uma das da trupe de macaões desce do coro, ao encontro do velhote. Fala-lhe de forma condescendente.)

- Oh, sabes, avôzinho, a malta gosta de fumar umas brocas enquanto discute coisas nas reuniões.

- A revolução? A clandestinidade? A luta do proletariado?

- Hã? Não, pá. É mais férias e onde se come bem e barato e assim. Para além de que dá um ar bestialmente progressista isto das legalizações generalizadas, tájavêr? Está bem que para ti deve ser chato, por que lá se vai a clandestinidade e depois não tens nada que dizer. Para não dar muita cana, vamos por isto da medicina. Ainda por cima, vê lá tu bem, faz sentido! (Dá uma palmada nas costas do outro.) É preciso ter sorte, hein? À pala disso, incentiva-se o cultivo, esquece-se o consumo e fica a gente à vontade. Já ando de olho numa rede de coffee-shops.

- Então e porque não dizem logo as coisas assim?

- Olha, boa pergunta. (Vira-se para o coro, à espera de resposta. Todos abanam as cabeças que não.) Não sabemos, deve ser porque sim, o hábito de não dizer as coisas como elas são e isso tudo. Já és a favor?

- Não. (Apanha um chuto no rabo. A moça volta a subir ao coro.)

(Apagam-se as luzes. Ouve-se uma gargalhada coletiva do outro lado do palco. Ilumina-se o coro da direita. Riem agarrados à barriga.)

- Oh coisinho, que estás tu a fazer? (Um virado para outro que fuma um cigarro de enrolar.)

- A fumar uma ganza, porquê? Há que manter os hábitos dos nossos ajuntamentos, não? Acho que ainda não chegaram os franjinhas. Esses é que trazem a coca. Para já, só há disto, amanha-te. (O outro dá-lhe uma sapatada na mão.)

- Estúpido, pá. Então não vês que agora não se pode? Por causa disto da legalização. Temos que encontrar argumentos científicos contra.

- Oh, isso é fácil. Nem valia a pena ter desperdiçado erva tão boa. Diz aos tipos que aumenta as tendências suicidas e dá cabo da cabeça aos indivíduos. Parece que ficam com uma gandamoca, pronto.

- Ou então bêbados. O vinho também fájisso, poi'faz?

- Ya, bem visto, foda-se. Mas fica a pessoa agarrada à droga, é uma chatice para se ver livre daquilo.

- Como com os antidepressivos, calmantes, analgésicos, soporíferos e tutti quanti?

- Ya. E o vinho. Foda-se. Olha lá, então e se fossemos a favor?

- Não podemos. Se fossemos a favor tínhamos que estar do outro lado, não podíamos estar aqui à direita.

- Porquê?

- Olha, boa pergunta. (Conferenciam uns com os outros, coçando as cabeças) Não sabemos porquê, mas é assim que está escrito, é assim que deve ser. Porque sim, o hábito de não dizer as coisas como elas são e isso tudo. Já percebes?

- Não.

- Então és comunista. (Dá um chuto no rabo do outro.)

...







quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

The SEDCAS experiment III: A segunda morte de Ludemilo Silva

NOTA PRÉVIA: The Sedcas experiment será(?) um conjunto de textos de dimensão indeterminada, inspirados por, feitos a partir de e em torno de imagens do grande SEDCAS. Este formato blogueiro e a pouca destreza do dono do tasco ao nível da cibernética, não favorecem as verdadeiras estrelas deste e dos próximos(?) posts desta série: as fotografias. A solução é mesmo saltarem para o site e deliciarem-se. E contratarem o moço, se for caso disso. Sim, ele paga pela publicidade.


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Tirando o facto de estar morto, Ludemilo Silva era um homem francamente vulgar. Nem bonito, nem particularmente feio, mediano em todos os aspetos exteriores da sua inexistência. 

De tal maneira que em certa ocasião, posto por desgraçada coincidência numa daquelas linhas de reconhecimento de criminosos, metade das testemunhas o apontaram culpado, por vergonha de não saberem quem teria sido o malfeitor que atentara contra a lei, mesmo defronte dos seus narizes. Ora - pensaram - pode muito bem ter sido aquele, não estranharia se fosse. A outra metade de acusadores foi igualmente incapaz de determinar o culpado. Puderam apenas jurar a pés juntos que Ludemilo é que não fora. Não - argumentaram - um tipo deste modo vulgar não teria sido, que daria logo conta dele, tão parecido que é com boa parte dos meus vizinhos. Pelo sim, pelo não, a autoridade decidiu prendê-lo por algum tempo. Até para que não desse a ideia de terem estado somente a desperdiçar o rico tempo do transeunte e o precioso dinheirinho do erário régio. Lá naquela terra havia um Rei, já se vê.

No dia em que foi libertado, embora ninguém se lembre dele naquela prisão, Ludemilo foi bafejado pela infelicidade de bater com a cabeça no suporte do chuveiro e assim se feneceu. É certo que era um banho público, mas ninguém, do Guarda Retretes às mui infelizes senhoras da limpeza, se quis meter na morte do homem. Deixá-lo estar, é uma pessoa como a maioria delas, nenhuma diferença. Se lhe deu para se deitar um pedacinho, fecha-se a porta deste cubículo. Já é tempo de nós, os iguais a todos, sermos uns pelos outros, apre! Cubículos é que não faltam, vamos agora incomodar o senhor. 

Foi portanto já morto que Ludemilo se voltou a vestir, com muito gosto em usar a roupa interior nova que comprara especialmente para aquela ocasião, e a sair fresco e perfumado para o resto da sua morte.

Se pensam que a tristeza encharcou os Silva desta casta de Silvas, sabei que estais basto enganados. Dá-se o caso de ser este o último espécimen de um modesto ramo Silvesco. Ou seja, muito pelo contrário, avisados da forma que se avisam os mortos do falecimento dos seus mais queridos - não, não posso saber qual é, pois eu próprio me encontro consistentemente vivo, estou em crer - os Silva festejaram rijamente a breve chegada do marido, filho e irmão que tanto lhes vinha faltando. E respiraram aliviados, por se ter ele, um homem tão bom, visto livre do mal da vida. Enfim, basta morrer para se ter estado vivo, essa é que é essa.

Já percebem o imenso desgosto que a todos assolou, ao darem-se conta de que, por alguma idiossincrasia do sistema, Ludemilo era morto mas não trasladado para o lado certo do Universo. Isto é, para todos os efeitos, os Serviços consideravam-no vivo, pelo que não havia remédio para a família senão esperar que alguém do Mundo dos Vivos se decidisse a declará-lo morto. O que prometia ser uma longa espera. Mais unidos do que nunca, os Silva transformaram Ludemilo num mártir lá do lado dos mortos, com direito a velinha em frente à sua fotografia - a primeira de todas no aparador da sala - e tudo, e fizeram as delícias dos noticiários vespertinos.

Devemos aqui deter-nos, mesmo que não façamos ideia - eu não faço! - de para onde vamos, e perceber que, por incómoda e injusta que seja, a situação faz sentido, de um ponto de vista logístico. Enquanto uns não derem baixa do artigo, não podem outros vir reclamá-lo. É certo que no caso vertente se podem criar alguns fantasmas e almas penadas, mas o imbróglio que causaria o fulano estar em contacto com duas estruturas sociais, uma viva e outra nem por isso, seria infinitamente maior. Às tantas, já ninguém sabia de que lado estava e desatavam pessoas a fazerem-se de mortas quando estavam em pleno viço e outros a desenterrarem os mortos para a ceia de Natal. Ou assim.

Ludemilo não teve outro remédio que não fosse desenvencilhar-se sozinho no meio dos vivos. Sem Estado nem Igreja, valeram-lhe uns poucos comerciantes amigos - um deles este vosso criado - que, reconhecidos pelo tratamento afável e esmerada educação de todos aqueles Silva, pouco se ralaram se estava o homem vivo ou morto e trataram de lhe assegurar uma austera sobrevida: um tabique numa cave, dois fatos velhos, uma camisa branca e outra azul, umas ceroulas e duas mudas de roupa de dentro, as refeições sempre na mesma mesa, ao canto. Muito não será, mas é quanto basta para poder a pessoa levar uma morte digna, enquanto não morre de vez.

Fora das horas rigorosas que se impunha para comer e se recolher, ninguém sabe ao certo por onde penava. Juram uns que o viram na audiência de programas de televisão da manhã, outros reconheceram-no num arrepio na espinha no autocarro, alguns cumprimentaram-no à saída do cinema e em casas de má fama. Houve até quem, rapidamente internado, o tivesse pressentido a tomar posse de Presidente de uma República obscura da Micronésia.

Entre dois copos de bagaço proibido, o décimo segundo e o décimo terceiro, um dia confessou-me que, por teimosa perseverança e alto berreiro, a sua eterna metade conseguira um regime de visitas precárias d'além túmulo. E assim preenchiam as tardes, ele de bandulho aviado com o prato do dia, ela de brilho intenso e paz imensa, sentados lado a lado, em bancos separados, sem se tocarem - por manifesta impossibilidade de isso acontecer entre seres de partes opostas do Universo - no miradouro onde fizeram, tanta vida atrás, as primeiras confidências:

- Sabes Ludemilo, eu não me importo se me tomares aqui, agora mesmo. Nem um pio, homem. Mexe-te, anda.

Também não conversavam, por serem distintos os comprimentos de onda em que se exprimem os Seres nos diversos patamares da sua localização corpórea. Os que insistem em ter corpo, está claro. Ficavam só todo o tempo que podiam assim, parados, lado a lado, respirando-se.

À frente o vale, o resto da Vida e a Morte inteira. Nunca foram vistos.


By Sedcas | www.sedcas.pt

Não posso já ser preciso no número de anos que a situação se demorou, pachorrando pelos Gabinetes dos Senhores Secretários de aquém e além Mundo, espreguiçando-se em cestos de "Entrada" e fazendo férias em cestos de "Para Despacho". Sei que um dia alguém chegou esbaforido e gritou da porta, brandindo um envelope timbrado da Casa Real:

- Morreu o Ludemilo! Mesmo! De vez.

A festa que foi. Ainda hoje me lembra. 


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