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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Aberto para balanço V - Valar Morghulis, Valar Dohaeris


V

O FCP campeão e dominador, que nos deixa sempre a esperança na vitória, não será uma obra solitária de Jorge Nuno Pinto da Costa, pois que outros antes, e alguns com ele, terão em muito contribuído para a afirmação do Brasão Abençoado. Mas sem dúvida que é o NGP a figura marcante, o timoneiro desse crescimento. O FCP não nasce com Pinto da Costa, mas deve-lhe boa parte do respeito que hoje granjeia no Mundo. E, por vezes, até em Portugal. Mas é mais raro. Nenhum portista deixará de o reconhecer e de estar grato. Quer dizer, um ou dois talvez...

É seguro, salvo algum grande e nada desejado imponderável, que JNPC cumprirá um novo mandato, que se seguirá ao em curso, como Presidente do FCP, SAD e clube. Estou em crer que será o último. 

Nesse, chamemos-lhe derradeiro, capítulo da sua ação executiva, pois que por mim será Presidente Honorário enquanto viver e eternizado no nosso Dragão depois disso, deverá obrigatoriamente finalizar com sucesso um dos maiores desafios da sua liderança: A sua própria sucessão. E digo finalizar porque acredito que o processo está em marcha. Na minha opinião os sinais são:

a) Aposta num projeto desportivo de médio prazo para o futebol, complementando uma estratégia de grande autonomia e sustentabilidade já há algum tempo em marcha nas outras modalidades. Embora o futebol se mantenha sempre sob alçada direta da Direção.

b) Escolha de um técnico "formador", com amplos poderes, já muito próximo de um manager, e ação transversal a todas as camadas do clube. Comunicador fiável e de espírito aguerrido na defesa da sua dama. Estrangeiro e, portanto, completamente alheado da necessidade de ter "boa imprensa" em Portugal. Tarefa impossível para qualquer treinador do FCP, certo Zé?

c) Intervenção cada vez mais espaçada do Presidente e limitada a aspetos de caráter mais institucional, com implicações mais vastas que as incidências do jogo em si. Veja-se a questão da Liga de Clubes ou da FPF, por comparação com o silêncio sobre o "Colinho on tour 2014/15".

d) Afirmação de um FCP de corte cada vez mais internacional e internacionalizante, reconhecido como exemplo e representante máximo, se não único, do futebol Português na alta roda Europeia.

Ou seja, a abertura deliberada do espaço necessário ao surgimento de novos protagonistas e vozes outras que, mais dispersas e especializadas, tomem o lugar de uma figura hoje única e na qual se concentram os olhares de todos: Portistas, quase Portistas, Portistas wannabe e malta sem gosto nenhum que é de outras agremiações.

A parte mais complicada desta tarefa, que me parece uma estratégia bem urdida, será evitar a proliferação de putativos candidatos a candidatos. O caminho que parece estar a ser seguido é o de esvaziar de alguma da sua importância o próprio cargo. Torná-lo o posto da reserva moral, da decisão final, pois claro, mas sem a exposição, o mediatismo e, por conseguinte, a espuma de glória que hoje promete o ser-se Presidente do FCP.

A alternativa seria encontrar o delfim e poder oferecer-lhe a quase unanimidade que detém JNPC. Missão praticamente impossível. Visto daqui, o caminho parece ser acompanhar o projeto Lopetegui até ao final, ter algum tempo depois disso para capitalizar a paz que um ciclo de vitórias trará e usá-la como rampa para um adeus tranquilo e na glória muito merecida. Deixando em simultâneo a casa arrumada.

Como tudo isto é, inevitavelmente, um exercício adivinhatório, feito apenas porque tenho dificuldade em ficar calado, pode acontecer que esteja redondamente enganado. Que JNPC queira, disso estou certo, voltar a ganhar, e muitas coisas, e depois deixar que os sócios, em democracia sem rédea nem preparação, tratem da sua sucessão. Sem intervir de forma alguma, limitando-se a gozar o seu também merecido descanso.

Nesse caso, gostaria de lembrar, como se se importassem, todos os que ansiarem pela cadeira, que o FCP é o maior de Portugal e um dos grandes do Mundo. E isso já não está apenas nos nossos corações, está na história das nossas conquistas. Junto-lhes, com o respeito que sabem que me merecem, aqueles dos meus que clamam contra o silêncio. Lembrai-vos que os filhos se afirmam contra os pais, os pequenos contra os grandes, os guerrilheiros contra o poder, os oprimidos contra os poderosos. Os Vieiras e os Carvalhos contra os Pintos da Costa. Nunca o contrário. Nunca mais o contrário!

Valar Morghulis, todos os homens devem morrer. O FCP não é um homem, é todos nós: Pretéritos imperfeitos, presentes compostos e futuros mais que perfeitos. O homem que hoje governa esta nossa casa, deverá entregar amanhã as chaves a um novo mordomo. Sim, não mais do que isso, um mordomo. Com espírito de missão para servir uma causa maior que todos juntos. Valar Dohaeris, todos os homens devem servir.

...

- Isso é que era mesmo bem visto, oh Silva. Você calava-se um bocadinho e servia-me uma tacinha de tintol e uma sande de torresmos. Que me diz, hein?

sábado, 2 de maio de 2015

Aberto para balanço IV - Tubi ornotubi...hegemonic.

- Ele acredita mesmo que ainda acaba na Premier League.
- Opa, cala-te que já me dói a barriga...

IV

... Detiz dacuestion. Em grande alvoroço, uma fatia dos azuis cultos e brancos exigentes, ou do Exigente Culto, já iniciou o habitual enterro da hegemonia portista. Esta coisa das hegemonias depende um pouco do intervalo temporal que se quiser definir. Se forem os últimos 30 anos, é uma coisa; se forem os últimos 60 é possível que seja um pouco diferente. A recente descadeirização do sonho do Chiclas, pôs-me a pensar se não temos na sua própria figura um advento suficientemente importante para que marque os tais limites temporais. Agora é que ninguém sustém o ego do palhaço...

Goste-se ou não do debilóide (nota-se?), é justo reconhecer que nele o Orelhas encontrou a estabilidade que ameaçava detonar o seu reinado. João Batista terá cumprido no final desta época o seu sexto ano na liderança técnica do 5LB. Nesse período de tempo terá ganho dois ou três campeonatos. Se estatisticamente o título deste ano fará toda a diferença, acredito que devemos olhar para lá disso: Neste ciclo de seis temporadas, não fomos hegemónicos e fazer de conta só faz mal.

No período de seis anos imediatamente anterior a este, o FCP ganhou cinco vezes o campeonato, incluindo um tetra. O 5LB ganhou apenas um. E foi o de Trapalhoni. Devemos pois reconhecer que no intervalo definido pela presença de Pedro, o Pescador, nas nossas vidas, o 5LB está mais próximo. Mesmo que ganhemos este ano, há que ficar atento à forma como vamos ganhando. Os três ou quatro campeonatos que teremos ganho no fim desta época, foram muito renhidos. Disputados até ao fim, exceto o de Villas Boas. Aliás, ressalvando esse ano, o traço comum a todas as outras vitórias é que... estivemos muito perto de perder. 

Judas Iscariote terá, por muito que me custe, e custa taaaaanto, reconhecer, que ter algum mérito nisto. Assim como a orelhuda direção dos lampiões, que lhe entregou excelentes planteis e investiu muitos milhões e parece ter feito bastante bem as coisas pelo outro lado. Nunca conseguiram, porém, passar a fronteira. Sempre que foi preciso ser grande para lá de Elvas, pumbas, ficaram-se. Estiveram, no entanto, duas vezes perto de o conseguirem. Nós conseguimos mesmo...uma.

- Oh foda-se Silva, mas isto é um post a dizer bem dos lampiões? Pior ainda, a bater palmas ao Orelhas e ao Jegro Juses?

Palmadas são dadas quando e a quem merece palmadas. Feita essa parte, este post pretende anunciar o fim de um ciclo. Quando, na minha opinião, a hegemonia do futebol português é, efetivamente, dividida entre os Bons, nós!, e os Maus, eles!, nesse exato momento, o FCP faz o que faz melhor: Dá-lhes um bigode do caraças.

Ao novo inicio lampião, com ou sem Simão, o Zelote, a treinador, respondemos com um projeto de médio prazo, liderado por um dos melhores treinadores que passaram por cá em dias da minha vida. É opinião e é pessoal, mas muito convicta. Os sinais indicam-me o final deste ombro a ombro, pelo menos no que diz respeito a futebol jogado. Pelo outro lado, pelo contrário, creio que nos levam um avanço muito significativo. 

- E o Mateus, o Publicano, achas que vai mesmo para um grande campeonato?

Até o Orelhas se mata a rir com isso. Mas alguém consegue imaginar o palerma a trocar o nome do Wenger ou de Louis van Gaal? Melhor ainda, imaginemos o Chiclas a mascar de boca bastante aberta e a falar inglês. O sonho do homem pode ter a cadeira que ele quiser, mas a falta de nível da personagem é impeditiva de aspirar a mais que... o 5LB. Por isso, acho que é agora que iremos mesmo ver o fantabulástico fabricante de craques a partir de gajos só com uma perna, o catedrático do rolo compressor contra o Souselas, o pragmático do ataque todos fechadinhos lá atrás, o grande João, o Bem Amado, sem milhões para gastar em jogadores. Estarão as fichas todas no Vitor Pereira e sus muchachos.

Ao que prevejo seja um novo ciclo de grande hegemonia azul e branca a nível nacional, seria excelente juntar um novo título internacional. Seria branco sobre o azul, embora o fosso para os grandes da Europa ameace alargar-se. Para além disso, parece preparar-se uma nova forma de intervenção do clube, que para já se consubstancia em...não intervir de todo. No entanto, não será fácil fazer emergir novos protagonistas que, mais do que o reconhecimento dos de fora, obtenham o respaldo e a necessária quase-unanimidade dos portistas. Somos difíceis, muito difíceis, muitas vezes estupidamente difíceis... Mas isso é outro tomo (não é, Miguel? :))  

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Aberto para balanço III - O silêncio dos inocentes.



III

Se houve uma coisa em que, aparentemente, o Universo azulebranco, que como se sabe é apenas uma e a mais bonita cor, esteve de acordo este ano, foi sobre a roubalheira generalizada de que foi beneficiário o 5LB. Ah, e também sobre a bela jogatana no Dragão contra os alemães. Ah, igualmente sobre o facto de o Herrera ser particularmente feio, mas não tão feio como o Maxi Emplastro. Ah, e ainda sobre a necessidade de a direção/estrutura/alguém dever dar uns murros na mesa e denunciar o que se ia passando. Caramba, afinal temos montes de causas que nos unem hein?

Devo dizer, porque a porra do Balanço é meu, que não partilho da preocupação com o silêncio. Ainda menos acho que isso seja revelador de que o FCP está frágil, que já não é o mesmo, perdemos o espírito guerreiro. E isso depois afeta o rendimento, porque toda a gente (jogadores, claro, do futebol, claro.) deixa de se ralar se perde ou se ganha. Enfim, passamos a cornos mansos.

Pelo meu lado, proponho uma perspetiva diferente. E por partes, para não me baralhar e acabar a fazer piadas parvas sobre nomes de treinadores, ou assim...

"Deixaram o treinador abandonado à sua sorte, a levar porrada de todo o lado e a ser o único a defender o clube."

Desde logo, acho que Lopetegui pode bem com os "todo o lado" da vida. Isto se não lhe der mesmo algum gozo remetê-los à sua pequenez. Defender o clube deve ler-se "falar do colinho aos lampiões". Meaning, o escândalo que foi mais de metade deste campeonato. Parece-me que isso é mesmo uma das competências daquele lugar, ainda mais nas circunstâncias atuais. Aliás, creio que a escolha de Lopetegui passou também, ainda que, obviamente, de forma subsidiária, por aqui. Explico:

a) Apesar da divisão acerca da sua capacidade técnica (há sempre uns tolos, fazer o quê?), é cada vez mais unânime que Julen "é dos nossos". Não se cala, mesmo que seja o único a abrir a boca. É uma bela maneira de ultrapassar o estigma do "novato, sem experiência, com um camião de espanhóis ás costas, ele próprio um hermano". Há muito, se alguma vez aconteceu, não tínhamos um treinador tão envolvido no projeto, de alto a baixo, com tantas valências atribuídas e tanto poder de decisão. Torná-lo na voz do clube, dos adeptos, não me parece nada má ideia. Ainda mais quando ele o pode fazer bem. E faz! 

b) É Mourinho que desanca os árbitros. Como Fergunson fazia antes dele. Como, provavelmente, Guardiola fará, à sua maneira, pela Baviera (meter Lopetegui neste saco não é inocente, é nesta conta que tenho o tipo). E como fazem Wenger, Blanc, Emeri ou Luis Enrinque, num patamar abaixo (get it?). Ou seja, são os treinadores/managers que devem tratar de todos os aspetos do jogo, arbitragens incluídas. Nenhum problema nisto, a meu ver. Em nenhuma altura me pareceu que fosse um problema para o bom do Julen.

c) Somos, no entanto, diferentes. Porque a nossa cultura e a nossa ligação, mais sulista e mediterrânica, aos clubes se faz de maneira mais intensa e apaixonada? Não me parece, há malta que gasta tempo a escrever coisas como esta em todo o lado. A paixão é Universal e não devemos sentir de maneira muito diferente de um turco. Cada cultura encontra é a sua forma de extravasar. Acresce a isto que em cada sitio encontramos um estádio de desenvolvimento sociocultural, e também de gestão desportiva, diferenciado. Acho que as nossas muitas vitórias e a nossa exposição ao Mundo nos fez "evoluir". As aspas pretendem defender aqueles que acharem que isto não é evolução. Estão no seu pleno direito. O meu ponto é que estamos um nível acima. Isto não quer dizer que somos demasiado bons para a peixarada. Nada disso, credo! Ai deles! Quer apenas dizer que não podemos esperar que os mesmos motivos provoquem reações encarniçadas das mesmas pessoas. Isto é, do mesmo patamar de competência da estrutura.

"Isto de levar e dar a outra face não é ser Porto. Isto não é o meu Porto!"

Tendo como cenário o antes exposto, tomando-o por bom (humour me), é verdade. Não é! É outro, sendo rigorosamente o mesmo. O paradoxo explica-se porque o postulado a bold é falso. O FCP será sempre o nosso Porto. Nada a fazer. E pur si muove

O FCP estribou o seu crescimento agregando a força de uma região. Estava claro que se pretendia trazer sob o nosso manto sagrado as aspirações, convicções e anseios de um povo. O Povo Mais Forte, quase sempre relegado para segundo plano e que começava, com o advento da liberdade (e não é léria, seria impossível em ditadura o FCP chegar onde está), a querer fazer ouvir a sua voz. Jorge Nuno Pinto da Costa deu-lhes a bandeira. E isto é o nosso Porto: Guerreiro, revoltado, pronto para a luta. Estes valores estiveram tantas vezes palpáveis em campos de futebol, em onze camisolas (e calções, pois então!) azuis e brancas. Este o verdadeiro legado que devemos sempre defender: A tal da Mística. Que, para além de uma tosta na Tasca, é a corporização, em futebol, dos valores que tornaram o FCP grande. Quem é o mais apto a fazê-lo? Na minha opinião, eu! E tu! E ele! Nós! 

As direções dirigem, mas o Porto Somos Nós. Mesmo que o Presidente da Direção seja o NGP. O que podemos exigir é que ele seja um deste NÓS. Creio que ninguém dúvida que é. Pois não?... No fundo, é dar significado ao que cantamos a plenos pulmões (os que não estão na fila das pipocas, ihihih). NÓS SOMOS A TUA VOZ! Eu! Tu! Ele!

"Este Porto parece submisso, deixa-se comer por Lisboa e não refila"

Ao fim de 41 anos, isto já vai sendo um país. Sui generis, claro, como todos os outros, mas um País. E não um campeonato de futebol. Já não pode ser nos clubes que devemos encontrar a linha da frente das batalhas regionais. Não é pela sua voz, ainda que possa ser pela dos seus dirigentes/adeptos numa perspetiva individual, que as conquistas políticas devem ser feitas. Estamos aqui para ganhar jogos e campeonatos. E o nosso líder teve, quase sempre, o cuidado de se abstrair da politiquice. Se bem ou mal, cada um terá a sua opinião. Que isso não lhe granjeou grandes simpatias, também é verdade.

Sejamos francos, aquela frase ali em cima até tem razão de ser, sim! Mas o significado que lhe queremos dar, na verdade, é: O FCP parece submisso, deixa-se comer pelo 5LB. E isto já não tem nenhum sentido. Não encontro um único sinal dessa submissão. O FCP lidera o futebol, e o desporto de uma maneira geral, em Portugal. Lado a lado com o 5LB, pois claro. Nem poderia ser de outra forma. Encararmos isto como uma afronta é bastante estúpido. É esquecer o caminho que fizemos de clube regional a colosso de dimensão Mundial. Universal (olá Jorge :)). Não foram eles que mingaram, fomos nós que crescemos! 

"O clube não diz nada, o presidente também não, só os adeptos parecem ver a roubalheira!"

Isto até é maijomenos verdade. O que demorei a entender é porque é que esta dicotomia parece existir. Primeiro, fazia-me confusão esta necessidade da massa adepta. Mas para que precisam que lhes digam que têm razão? Pensava eu. Se vemos tão bem, o que acrescenta vir de lá o Pintinho ou o raio que o parta dizer que viu também? Ok, porque escrever isto num blog visitado pela minha Tia Ermenegilda nos intervalos da novela não tem grande ressonância. Ao passo que uma conferência de imprensa, ou duzentas e cinquenta, do Presidente, caraças pa... uns comunicados, qualquer coisa. Tragam o Bruninho! É que menos que a quantidade de discursos, entrevistas e comunicados que o Calimero Mor tem (tinha?) capacidade para debitar numa semana, seriam insuficientes para cobrir tudo o que temos para dizer acerca do andor deste ano. O Presidente não pode, na minha opinião, expor-se dessa forma.

Por outro lado, pensava onde raio queria a malta que o homem falasse? Na Bolha? No Rascord? No Jogo ainda disse umas coisas. No CM (vómitos)? Na SIC, comentado pelo Anão? Em entrevista ao Carlinhos na TV de todos nós? Na TVI, perdido no decote de uma apresentadora qualquer, a virar scotch marado com o dótor? Não conseguia entender... Depois fui lendo Porto Canal, redes sociais... E percebi. O que se pedia era que o clube encontrasse uma forma de os obrigar a darem eco, sem lhes falar diretamente. Aí nasceu a minha dúvida final: Para quê? Só me fazia sentido na esperança de que algo mudasse, o que seria pouco provável, digo eu; ou para que os outros, incluindo os lampiões, percebessem que ganhar assim não valia nada. Isto é, que alguém deixasse de gostar de ser Campeão. Bi-campeão, T-R-I-N-T-A anos depois. Também não podia ser este o motivo de tanta indignação, podia?

Portanto, concluí que entre uns, adeptos, e outros, direção do FCP, existe um mal entendido, eventualmente. Os adeptos sofrem, oh se sofremos!, e guerreiam e berram, oh se berramos! Já aqui se disse que essa é a sua função. Mas isso mói, oh se mói, e para além de vitórias, precisam, de vez em quando, de ter a certeza que não estão sós. Que as investidas contra os que, para eles (nós!), são moinhos de vento, pela impossibilidade de os arranhar verdadeiramente, são secundadas por quem terá, porventura (ou por ventura, talvez...), verdadeira capacidade para incomodar os senhores de quem não gostamos.

Resume-se a uma diferença simples entre DECIDIDA e DECISIVA. O que me parece que se tem esperado é que alguém, de preferência o Presidente, tenha uma intervenção DECIDIDA. Que aponte os bois pelos nomes e os faça perceber, aos bois, que daqui de onde estamos vemos tudo. Mesmo que isso não parasse o andor. Precisávamos de um momento em que a estratégia desse lugar à tática. Uma conversa em família (pois...) que fosse, que nos desse ânimo para mais do mesmo. Moralizar as tropas, ainda que isso não representasse nenhum avanço no campo de batalha.

Pelos vistos, do outro lado pensou-se, especulo, que só faria sentido colocar as fichas numa intervenção DECISIVA. Que fizesse efetivamente a diferença. E a oportunidade, o momento, não surgiu. 

Por acaso, se isto fizer algum sentido, discordo. Para mim surgiu. No exato momento em que um Fontanelas se deu à liberdade de abrir a bocarra, a direção da FCP SAD devia não apenas ter-lhe caído em cima como uma tribo de hunos privados de alivio sexual há cinco anos, como ter aproveitado o embalo para tratar de tudo o resto. O que ficou por dizer, até agora. E era fácil, bastava dar uma voltinha pela Bluegosfera. Está lá tudo o que nos está atravessado...

Creio que devemos estar preparados para este novo estilo e para uma nova era. Ela está claramente a ser trabalhada. Mas isso é outro tomo (olá Miguel :))...

...

Eu sei que devia ter dividido isto numas 50 Partes de Post do Silva. Desculpem, parabéns e obrigado aos que chegaram até aqui. Sim Tia, é consigo. Depois mando-lhe os tupperwares já lavadinhos. Estava tudo muito bom, obrigado. Beijinhos meus e das meninas.   



   

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Aberto para balanço II - Fado, Futebol e Família


Eu não sou uma besta quadrada. Portanto, é evidente que as duas figuras retratadas acima são, por aqui, reconhecidas como vultos importantes do Lusitanismo e símbolos transversais do orgulho nacional (que não Nacionalista, credo!). Sendo que um era Moçambicano, o que nos levaria a discutir uma série de coisas. Fica para um dia destes, ok? Ponto prévio arrumado.

...

II

Há uma profusão de sítios onde podem consultar as estatísticas referentes a títulos conquistados antes e depois de abril de 1974. Não tenho o número de cor, só sei, como vocês, que antes o 5LB ganhava bastante e depois o FCP ganhou quase tudo. Todos os regimes ditatoriais têm o seu clube, nas nações onde o desporto, seja qual for, é importante. Não faço ideia se no Myanmar existe um clube oficial de luta de galos, ou assim, mas percebem a ideia. Se ele não existe, se não parte do pulsar da populaça oprimida, pois cria-se. Os exemplos são vários. Em Portugal não foi necessário fazê-lo, bastou tomar para o Estado Novo o clube que, de facto, congregava, no desporto mais representativo (vá lá, o único!), a paixão da maior parte da população. Isto não é uma história da carochinha, é politica bem feita. Veja-se a rábula da contratação do melhor jogador de futebol nascido em solo Português (Moçambique. Mas então...Ah, não é agora que tratamos isso, ok!). Supostamente destinado aos Calimeros (à época creio que menos...), acabaria encarnado. Note-se: o estandarte do orgulho lusitano, nascido no Ultramar, preto, a pedir meças pelo título de "Melhor do Mundo". O exemplar perfeito para a propaganda do regime. Ah, die Paradise! Pensaria Goebbels. Ah, já direitinho para Carnide, pensou alguém que percebia da poda.

As referências do parágrafo anterior não são inocentes, está claro. Nenhuma delas. Da estrutura centralizada e centralista, inevitável e bastante aconselhável numa ditadura, guardamos a fantástica máquina corporativa do Estado e a concentração dos centros de decisão, e de negócio, na capital do Império. São apenas factos, sem nenhum juízo de valor...para já. A estes, acrescem outros: há mais benfiquistas que malta em condições. É pois natural que a maior parte dos cargos, dos lugares, dos jornalistas, dos comentadores, enfim, de tudo!, seja...do 5LB.

Perante tudo isto, não posso, em boa verdade, considerar que o que se passou na comunicação social esta época, tenha sido substancialmente diferente do que aconteceu antes. Este ano tiveram o lastro de serem campeões e se abalançarem, de novo, a um bicampeonato fujão. E mais o magnifico motivo de termos um treinador aparentemente importante para a estrutura, ainda por cima espanhol, ainda por cima pouco dado à submissão. Por outro lado, estamos em ano de muitas e importantes eleições. Candidatos a perfilarem-se, algumas vitórias anunciadas, como o milhafre. E vimos de anos de crise profunda. Nada melhor que a paz proporcionada por um Marquês em festa. A todos? Não, mas à maior parte. Eleições ganham-se por maioria, não unanimidade. Se dura até outubro, isso são outros duzentos. Para já, mais taxa municipal perdoada, menos camisola oferecida na varanda camarária, a coisa vai bem. Mais ainda porque, a Norte, a conversa do regionalismo e da luta e do Povo Mais Forte se fica pelas bancadas do Dragão. Não vai mais longe que isso. O autarca da não promiscua relação entre futebol e poder vai, em pezinhos de lã, fazendo o seu caminho para Sul. O novo autarca, portista ferrenho antes, desapareceu da vista e deixou os seus ataques anti-centralismo acéfalo para outras núpcias. Nada de novo a Oeste. Os que forem cuspidos pela máquina ou a ela não se adaptarem, - é que se come bastante pior em Lisboa, garanto-vos - voltarão.

Vamos então falar dos árbitros? De todo! Eu vi, vocês viram, eles sabem. Isso muda alguma coisa? Muda tanto como o belo argumento do "aaaaah, mas quando aconteceu para vocês já gostaste". Para além de ser a assumpção perfeita de que a roubalheira lá esteve, não fui eu que vi mal, é uma afirmação que carece de um ponto de interrogação. Deveria ser "...já gostaste?". Ao que o tasqueiro responderia sem hesitar: "não faço ideia, porque nunca tive disto para o meu lado!". Mas não nos façamos de parvos. Já fomos beneficiados? É muitíssimo provável. Desta maneira? É pouquíssimo provável. É que nem eu, e se alguém poderia seria mesmo eu!, conseguiria ignorar uma coisa desta dimensão. Vale para quê? Nada! Quem ganhar, terá ganho. Ponto final. Isto é apenas fado! 

Muitos, quase todos, dos meus, clamam há muito por uma intervenção decidida da direção do FCP - da SAD? - contra este estado de coisas. Eu creio que há uma diferença entre decidida e decisiva que nem uns, adeptos clamantes, nem outros, direção silenciosa, perceberam ainda. Será outro tomo (ora viva Miguel :)).

Mas fado por fado, cantemo-lo até ao fim: Capela em Barcelos. E uma curiosidade: o Estado Novo durou 41 anos. Exatamente o aniversário que celebrámos no passado dia 25, em liberdade. Merecia uma festa hein? Fado.

Do futebol tratamos com bastante rapidez. O FCP jogou o melhor que por cá se viu este ano. É bastante possível que isso não seja suficiente para ser campeão. Como é bom de ver, segui, de alguma maneira, todos os jogos do FCP. Vi-nos ser piores que o adversário, e sublinho para os curtos de vistas que condensam noventa e cinco minutos num erro: P-I-O-R-E-S!, em duas partes de dois jogos distintos. A primeira no Dragão contra o Bayern - sacrilégio? no lo creo - e a primeira em Munique, naturalmente. De resto, nunca inferiores. E estou pronto, ah pois claro, para argumentar com o Manuel José, com o Jaime Pacheco, com o Vitinho, com quem for. Mas o que gostava mesmo era de o poder fazer com o Carlinhos, o Gordobern, o Anão Gomes da Silva e afins. Oh well, i wish... É futebol.

Uma palavra para a família. A mais chegada, as claques, nem sempre é a que gosta mais ou a que ajuda mais efetivamente. Mas este ano comportaram-se lindamente. Apesar de me fazer urticária celebrar derrotas, devo inclinar-me respeitosamente perante o que julgo ter sido o objetivo das despedidas e receções mais recentes: empurrar, segurar, empurrar de novo. Perfeito! E não, isso não é agradecer nenhuma derrota, nem ficar satisfeito com pouco. 

A mais alargada vai-se dividindo e todos tomam partido. Dos que estão contra, porque sim!, desde o inicio; aos que estão a favor, porque sim!, desde o inicio; passando pelos que eram céticos e se converteram; até aos que vão variando, conforme a coisa está mais para festas ou para enormes melões. É uma família, não podia ser diferente. Esperamos, creio honestamente que TODOS, voltar a encontrar-nos na festa, redimirmos as agruras das nossas vidas e das nossas distâncias em abraços fraternos, festivos. Em breve, na Alameda, combinado?

...

Porque não consigo escrever a palavra família sem derivar para a verdadeira, devo dizer que tenho a sorte - há coisas que não se percebem! - de dividir a Vida com uma benfiquista (cá em casa não há lampiões!!) da pior espécie. E a pior espécie é aquela que não deixa de assinalar, de sorrisinho condescendente, as suas vitórias e as nossas derrotas; e ao mesmo tempo, está-se perfeitamente a marimbar para as nossas vitórias e as suas derrotas. É de um gajo se atirar da ponte D. Luis! Se alguém souber de um grupo de apoio para pessoas que padecem desta condição, eu quero inscrever-me.

- Olha, sabes que mais, tu padece é que tens um gandamelão. Ou seis...
- Deixa estar, havemos de conversar. E é já para o ano. Se não for ainda neste...
- Oh, quero lá saber...

E não quer. Mesmo. Ca nervos! 
  

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Aberto para balanço I - No principio era o verbo...

Em busca daquele pedacinho assim que nos faltou...

Haverá, mais tarde ou mais cedo, uma profusão de balanços, inventários, resumos e quejandos. Todos terão as suas razões e a sua razão. Esta é a da Tasca. 

E é já, antes do fim, a destempo, pela simples razão de que nada mudará na opinião do tasqueiro, independentemente do evoluir dos acontecimentos (rufam tambores). O último esclarecimento prévio é que isto é tudo pessoal. O FCP, aqui, sente-se assim. É meu, sou eu que ganho e que perco! Deve ser por ser suficientemente novo para isso me tornar egoísta em vez de mártir...

Sumário:

I. No principio era o verbo...
II. Fado, Futebol e Família.
III. O silêncio dos inocentes.
IV. Tubi ornotubi...hegemonic.
V. Valar Morghulis, Valar Doaheris

...

I

Mesmo que se chamasse Abelardo ou Zé Pantagruel, era o mister para este ano e, mesmo que só por isso, mereceria todo o meu apoio. Depois, tratar-se-ia de tirar a limpo se era uma solução ou um problema. Respeito quem parte do principio inverso, ou seja, quem é, à partida, contra. Eu funciono ao contrário.

Muito, mas mesmo muito, cedo, o basco passou a ser o meu treinador para os próximos anos. Não vale a pena repetir-me à exaustão. Gosto do futebol, gosto da lata e até gosto que tenha estado a ponto de virar uns tabefes no Jesus. Não me lembro de uma opção que não consiga perceber, incluindo o Reyes em Munique e, pelo contrário, creio que sabe ler o jogo como poucos e que mexe muito bem na equipa.

Acho perfeitamente estúpido que se tente, sequer, comparar este FCP com o da época anterior. Mesmo não embarcando nas histórias das equipas em construção e da juventude e eteceteras, parece-me inegável que estamos mais perto de ganhar com Lopetegui do que com Fonseca. E embora entre no campo do oculto e para-mágico, de que não gosto particularmente, é minha convicção que, nas mesmas circunstâncias desta época, não haveria Estoril ou Kelvin que valesse ao Vitinho.

O nosso futebol de posse 2.0 (ou 6.1, se estiverem virados para a graçola...) faz-me feliz. Mais que tudo, a possibilidade de futebol que entreabre, e que já vimos em vários momentos, para mim fica muito à frente do que nos aconteceu desde Mourinho. Bem sei que pelo meio há o advento Vilas Boas. Mas é um ano sem Champions e mal preparado pelo 5LB, ao nível da implementação do desígnio nacional que os levasse ao título. Parecia mais ou menos claro que aconteceria e desleixaram-se. Naturalmente, troco já, sem hesitar, a campanha deste ano por essa do André. Sobretudo se puder pôr o Lopetegui na cadeira de sonho do outro...

Uma vez falaram-me de um ano zero, antes de entrar para a faculdade. Arranjei emprego, que era uma coisa ainda aquém do campo da utopia na altura, e fui estudar à noite. O emprego correu bem, as noites também, o curso é que nem por isso. Anyway, continuo alérgico a anos zero. Para mim não existem. No futebol (Clube do Porto) ainda menos. Preparamos o futuro a ganhar hoje. É por isso que considero o primeiro ano de Lopetegui frustrante. Não ganhei nadinha, nem uma festa para amostra, nenhum "Tomai, porcos infiéis, enfiai esta taça pelos vossos dilatados ânus!". E eu gosto, shame on me, desses momentos de alivio.

Nada de arrepelarem os cabelos, o tasqueiro não está a desistir. Ainda não acabou este campeonato. Acontece que se, no fim, o FCP for campeão, terá sido o 5LB a perder. Vai dar-me um gozo imenso, vou rir-me a bandeiras despregadas durante dez dias e engravidar a minha mulher oito vezes por noite, mas não será a mesma coisa de termos sido nós a ganhá-lo. Ora, estar lá para ficar com os despojos de guerra também tem o seu mérito, está claro. Ainda mais no contexto em que decorreu este campeonato. Festejarei a queda dos infiéis e devolverei o enorme melão que me parece destinado. Ah, e reconhecerei que afinal não havia um desígnio nacional, transversal, para fazer do 5LB bicampeão, trinta (T-R-I-N-T-A) anos depois.

Balanço: Frustrado, mas entusiasmado pela possibilidade, como sempre. Julen, estás a dever-me e acho que podes pagar com juros altíssimos. É por isso que continuarei a colocar todas as fichas em ti. Não é simpatia, nem sou bom samaritano e nem descendente do Miguel de Vasconcelos. É investimento de um ganancioso do caraças!

Es tiempo de ponerlos a chupar! Se no principio era o verbo, agora é a altura de se fazer luz. E é com grandes e potentes holofotes. Nada de petromaxes, tajobirohquê?!

(Ah pois continua. É melhor pedirem uma garrafa...)