quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A todos um Bom Natal.




Na Tasca, o Pai Natal veste de azul e branco e a consoada é farta. Farta e bem acompanhada. E como fazemos questão de encarnar o espírito da quadra, a porta fica aberta para todos os que vierem por bem. 

Em termos de acepipes, a mesa fica posta e a ideia é ir comendo. Ou comer tudo de uma vez, como preferirem os comensais.

Tenham pois todos, e todos os outros a quem quiserem estender estes votos, um Bom Natal!

Consoada da Tasca (Menu Completo)

Pão de mistura e de água
Patês
Morcela em massa folhada
Camarões cozidos
Rissóis de carne, de camarão e mistos
Sonhos de bacalhau com maionnaise de pimentos
Queijo amanteigado

Bacalhau com todos
Bacalhau à Tasca (Ensaio I)
Pirâmide de bacalhau
Cabrito assado com arroz do seu intimo

Rabanadas
Filhozes
Pão-de-Ló de Ovar
Pastéis de Belém
Gabizinhos (exclusivo da Tasca)
Tarte de Maracujá

Refrigerantes
Vinho (exclusivamente tinto)
Sangria de frutos vermelhos com framboesas da Avó

E amanhã temos um Capão com batatinhas assadas, mais os restos todos.

Até daqui a uns quilos!

- Já posso por a tocar, Sô Silva? Já posso?
- Anda lá com isso miúdo!






sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

OUTRA desagradável coincidência.

"Ora, alarmado porquê meu caro?! Deixe-se disso, tudo se resolve."


- Acredite no que lhe digo Silva. Aquela história das PULGAS, não é caso único aqui no bairro. Olhe que eu sei coisas... - e balançava os pés espremidos nos sapatos apertados, pendurados acima do chão, enquanto fazia o banco alto rodar para cá e para lá, como faz o cachopo quando se senta num.

- Não me diga! Quero dizer, diga-me, diga-me, conte-me tudo. Adoro saber dessas vidas. Já sabe que serei uma tumba. - cruzo os indicadores à frente dos lábios.

- Silva, seu fiteiro. Como se eu acreditasse que você não os vê por aí, cravejados de mordidelas, atulhadinhas de sacos de compras, sempre nas barbas do desinfestador e do gordo distraído. - e pisca o olho. Está a divertir-se que nem um bacante, o velho.

- Nas barbas de todos nós! - concluo, sábio.

- Somos todos nós o desinfestador, Silva. Não percebe isso? E o gordo também. Noi, il cornutti vi salutiamo!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Declaração de Interesses de um Dragão escandalosamente parcial, ou um post que mete futebol, gajas e porrada!

"...e não tenho culpa que o seu cérebro seja deste tamanho."


Exmos. Senhores,

Não vá eu acabar eleito por um partido qualquer, a propósito vá-se lá saber de quê, num sufrágio repentino, aqui fica desde já a minha declaração de interesses:

1. Eu sou pelo Lopetegui. Sou mais pelo clube que o coño tem a sorte de treinar, diga-se, e esse é o principal motivo do meu agrado pelo espanhol: é o tipo certo para ali estar, na minha opinião. Ninguém ma pediu, mas é Natal e eu dou de borla.

Gosto do futebol de Lopetegui, gosto da equipa que montou e, sim, também gosto que tenha a lata de a desmontar sempre que lhe dá na gana. Ainda gosto mais de tudo isto por achar que me vai dar títulos e alegrias.

Depois, adoro a maneira como lida com os jornalistas cá do burgo. Aqueles "já te respondi a isso, sua besta!", reconciliam-me com a vida. E visto que o homem tem que tratar de tudo - imprensa, rádio, tv, disco, k7 pirata e adeptos com atrasos mentais significativos - sozinho, isto prova-me que está completamente tranquilo em relação à boa imprensa, que não tem. Ou seja, cagou de alto. Afinal sou tasqueiro e posso!

Não gosto daquela espécie de risco ao meio, a la Bento. Mas isso pode ser apenas inveja de careca.

2. Detesto perder. Detesto ainda mais perder para o 5LB, seja na bola, no berlinde ou na carica. Não fico com azia, é indigestão completa, com passagem pelo hospital para lavagens estomacais e receitas de benzodiazepinas. Prefiro ganhar, mesmo com batota. Da mesma forma como acho absolutamente vergonhoso que nos ganhem com batota. Aliás, a única forma conhecida de bater o de outra maneira sempre invicto FCP. Sim, sou assim tão lúcido! 

Não embarco em merecidas derrotas azuis e brancas. Se perdemos, alguma nos arranjaram, senão tínhamos ganho. Ou então era o Octávio ou o Fonseca ou o Quinito que mandavam. Lá está, batota contra nós.

3. No domingo, dia 14 destes mês e ano da graça, o 5LB ganhou-nos em nossa casa. Fiquei muito para lá de estragado, já a caminho do melão de Almeirim esquecido na dispensa desde que a SABRINA me aparecia nos sonhos e se lembrava de me molhar os lençóis, a porca.

Dizem os jornalistas e comentadores completamente imparciais que levámos uma lição tática. Diz uma parte dos adeptos portistas (?) que bem tinham avisado, este espanhol, estes jogadores, esta direção, o roupeiro e o palhaço que vende castanhas ao pé do shopping, essa pandilha está a dar cabo do nosso clube. Dizem estes também que aquilo é que foi um banho de bola que nos deram. Oh sim, 2 golos em meio ataque não é para todos, concordo. 

A capacidade para prever que à meia hora o Herrera e o Jackson já teriam falhado golos cantados, torna, na opinião publicada, que é a que conta, o JJ num catedrático ao nível de um, deixa cá ver... Petit? Zé Romão? Ainda melhor se tivermos em conta o acerto da colocação da trave na sua baliza. A magana tirou mais dois golitos aos tripeiros. Ah grande mestre! Eu também me encanto mais de uns autocarros do que de outros, mas eu não sou imparcial.

E, vejam bem, continuo a gostar da minha equipa e do meu treinador. Sobretudo, não suporto que insultem a minha inteligência. Quando são os da minha cor a fazê-lo então, ui, odeio! Eu sou faccioso, não sou burro, make no mistakes.

4. Divido a propriedade de uma casa com um banco e com uma mulher linda, idem para um veículo automóvel e possuo ainda a camisola do FCP, época 2012/13, que substituiu uma outra, a amarela de há 50 anos ou assim. A minha camisola tem estampado nas costas LOPETEGUI... Desculpem lá o mau jeito. Sendo estes os meus pertences, creio que me qualifico a ficar fora da prisão por uns tempos. Se me elegerem para mandar no país, farei melhor do que os outros, pois claro. 

Para treinar o FCP é que não. Bateria em algum adversário, em algum árbitro, em algum dos meus jogadores, nuns quantos torcedores próprios... Para além disso, estou descansado, está lá o Lopes. Também lhe podem chamar assim que não me importo. E ele ainda menos.

5. Para 2015, desejo que todos os facciosos empedernidos, cuja clubite os cega, gente como eu, possam viver a sua paixão livremente e sem constrangimentos, como eu vivo. Não sem que antes, porém, sejam obrigados a publicar uma Declaração de Interesses como esta, que agora termino. Combinado Carlos Daniel, Gobern, Serpa, Delgado, e tantos outros seres invertebrados, aos quais devemos, por justiça, acrescentar uns quantos dos nossos?

Grato.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Para petiscar: Casqueiro do Silva


O pão tem que ser alentejano, de cabeça, e é preciso esvaziá-lo de miolo, torná-lo oco como o discurso do António Costa ou o projeto de governo do BE.

Aquece-se o forno e entretanto refoga-se uma cebolinha, dois dentes de alho, uma porção de cogumelos frescos e um chouriço feito em cubinhos. Convém que o enchido seja primo do pão.

Junta-se uma farinheira da mesma família, sem tripa e feita em farrapos, leite e natas. Menos na Tasca. Na Tasca faz-se diferente. O leite fica, mas as natas são mais leite, com um requeijão lá batido e uma colher de farinha. Fora com as natas. A outra diferença é que antes dos líquidos, ligam-se os enchidos com dois ovos mexidos na mixórdia.

Deixar encorpar, mas sempre ficando cremoso. Depois é só rechear a cabeça do António, quero dizer, o pão, cobrir tudo com muito queijo ralado e umas rodelas de chouriço e levar ao forno a gratinar e torrar.

Por falar em torrar, faz-se isso ao miolo, que não faz sentido nenhum servir outro pão que não o que antes se descerebrou, tipo liderança bicéfala dos Bloquinhos.

A espera é sempre curta. O cheiro espalha-se e muito rapidamente se ouve:

- Silva, venha de lá um Casqueiro e uma Mula Velha. Tinta, pois claro!

Ena, abençoado subsídio de Natal...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Uma história de ninar



Há muito, muito tempo, ainda o José Cid era uma criança, havia um politico num país cheio de cor. De profissão era isso: PO-LI-TI-CO. Dizem os velhos, muito velhos, que ainda se lembram, que chegou a manda-chuva lá do sitio. 

Dizem também que acabou por ser Engenheiro, com umas falcatruas nuns exames domingueiros. Graças ao SIS-TE-MA, o qual ele próprio nunca quis mudar, conseguiu escapar dessa e algumas outras pequenas engenhocas. Como disseram, à época, os PRO-FES-SO-RES de DI-REI-TO que o defenderam, engenhocas dizem bem com Engenheiro, por isso está tudo muito certo.

Por muitas suspeitas que se levantassem, nunca o Politico se demitiu à conta dos problemas do Engenheiro. Afinal, viviam-se tempos de DE-MO-CRA-CI-A, em que se presumem inocentes os não julgados e, mais que tudo!, a Lei é igual para todos.

À conta de um punhado de JOR-NA-LIS-TAS lhe moerem a moleirinha, o nosso herói tratou de planear a compra de um grupo de media, por parte de uma empresa do Estado, ou seja, do povo, ou seja, dele! Mas diz que isso dava nas vistas e custava muito dinheiro. Então, com a CUM-PLI-CI-DA-DE de uns quantos outros jornalistas e afins, tratou de despachar, lá da TV onde estava, uma senhora muito feia que o incomodava bastante.

O tempo passou, passou, e um dia demos pelo moço enfiado num retiro. Coisa menos cómoda que um apartamento de luxo em zona nobre de Paris, mas ainda assim propicia à meditação. Pensando na sua vida e na história do seu povo, o ilustre filósofo, e já então best-seller literário, decidiu comunicar ás gentes. Foi então que escreveu uma CARTA DE DESCULPAS. (sim,sim, é para clicar, que cansativos)

Talvez fosse outra a intenção, não sei, já se passaram muitos anos. Now, off to bed with y'all. Sweet dreams.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

NÃO!, Presidente. - Rascunho para sonhos não conspurcados.


- Hey mano. Chegaste cedo ao caixote hã?!

- É, estava difícil dormir no musseque e assim guardei os primeiros lugares para nós.

- Obrigado mano.

- Deixa isso. Apanhei aqui um jornal. O Presidente do teu clube esteve cá. Parece que gostou muito. Fala aqui das gruas que viu, dos belos automóveis, de como foi bem recebido e bem tratado pelo Zé Eduardo e os outros no Palácio Presidencial. Não sabias?

- Não mano. Quem sabe o que acontece ali? Não podemos aproximar-nos, esqueceste? 

- Pois. Diz também que aqui é que é bom, que lá na terra dos pulas são todos corruptos e prendem pessoas, aqui há respeito.

- Gruas mano? As gruas das companhias dos brancos, que pagam aos ricos de cá. Os mesmo que passeiam nos seus grandes carros. Não podem é esquecer os seguranças, senão acabam mortos num esgoto a céu aberto no centro da cidade. E ninguém vai dizer nada, porque fome temos quase todos. Fiquei a pensar nessas gruas...

- Ui, lá vem o pula do 32. Costuma ter pão duro e fruta podre no lixo dele. Sorte que hoje somos os primeiros da fila dos sentados no caixote do lixo, né mano?

- É mesmo! Xi, desculpa-me, esqueci de perguntar. Já nasceu o teu irmãozinho? Foi na semana passada né?

- Foi. Nasceu e já morreu também. É UMA TERRA FODIDA, MANO...  

Acordei com dores no pescoço. Que é a consequência inevitável de adormecer em cima do balcão. E pensei que talvez a hipocrisia tivesse sido apenas o rascunho de um sonho meu. Mas a REVISTA  continuava aberta ao meu lado...

(Sim, a ideia é que cliquem nas palavras em maiúsculas. Ainda tenho que explicar isto?!...)