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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Bagaço e pacotes de açúcar



- É um bagaço. E não me fodas os cornos que não estou com paciência nenhuma. - Pumbas, come uma estalada na bochecha que até lhe salta uma gota de sangue pela orelha.

- Já te disse que não gosto de beicinho e lábios tremeliquentos. Irrita-me! E ai de ti que te ponhas aos murros aos acrílicos. Ficas um mês sem telefone, meu menino. - Treme-lhe o lábio inferior. A custo, controla-se.

- Bah, nem sei porque vim aqui. Andas sempre a desancar-me, imagino o que tens para me dizer hoje. Mas tudo bem, eu devo merecer. Se todos dizem, devem ter razão. Anda lá, oh Silva, bate no ceguinho. - Esconde a boca com a mão, para que não se veja o lábio a tremer. Passo para o lado dele do balcão e abanco-me.

- Então eu digo-te. Acho que fizeste tudo bem. Escolheste a equipa certa, surpreendeste na abordagem, criaste oportunidades, meteste o adversário no bolso. Conseguiste que a tua equipa jogasse à bola naquela espécie de horta comunitária mal conservada. Muito bem miúdo. - Uma palmada nas costas. - Só espero que tenhas tomates para te manter firme na tua convicção, apesar do alarido que por aí vai. Mas disso, desculpa lá oh beiçolas, já tenho as minhas dúvidas. - Ele olha-me desconfiado.

- Estás a gozar? - Avia, finalmente, o bagaço. - Foda-se, Silva, está prometido: repetimos contra os vermelhos do Minho! Cincazero, caralho! - Bate o copo no balcão.

Eu vou limpar as mesas. Deixo-lhe um pacote de açúcar à frente. Ele lê: "Puto, o medo, a ti, não te assiste". Sábado já veremos.

...




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Antítese



A Lei de Murphy a fazer o pino ? É para já:

Se algo pode correr bem, correrá ainda melhor, no momento mais oportuno.

Confiar na antítese da Lei de Murphy, é um péssimo princípio de gestão.

...

Imaginar que a nossa única, e muito acertada, contratação, teria tanto impacto, era difícil. Que seja uma excelente adição à equipa, não é surpresa. Muito pelo contrário.

Eu sei que se lembram onde leram primeiro.

...

NES acerta quase sempre nas flash a seguir aos jogos. Dá-me uma certa esperança ouvi-lo. 

Ainda ontem, disse, e muito bem, que foi necessário subtrair um avançado e acrescentar um médio. Porque era urgente recuperar o controlo, equilibrando a desigual luta no miolo. Em cheio!

Com uma pequena nuance, aqui explicada pelo tipo que se esconde da derrota atrás do primeiro Palhinha que encontrar:

- Não podes recuperar aquilo que nunca tiveras. Um abraço ao Casilhas. - Ou vocês acham que aquele labrego diz Casillas? Nem pó!

Acho que há uma maneira de jogar que está assimilada. Mete muita bola na frente, muita luta no ar, garra para ganhar a segunda, rápida recuperação, muita entreajuda e coesão defensiva. E pouco meio-campo.

Na cabeça do técnico, depois de isto resultar, passamos a controlar em posse, a explorar com tino o espaço, a acalmar o nervo e a sofreguidão e o jogo. No campo, o que vemos é a antítese disso. Sobretudo com Oliver em momento menos bom.

Lá chegaremos.
                         (!)
                              (?)
                                  (,not.)
                                            É da competência do líder tornar uma destas opções
                                            de pontuação verdade. Eu (quero) acredito(ar) na minha escolha.
                                            Mas preferia (!)...

...

O oposto de demasiado caro, é a contabilidade Ikeriana da Tasca:

6 pontos + 1,5 milhões

Podia juntar já o prémio de participação na Champions, mas isso seria desafiar a Lei de Murphy. Not me!

...

Hoje, almoçámos à frente do campeonato. Ao contrário do que vinha sendo hábito. Soube bem.

Next, please.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Toiros e Pacotes de Açúcar



Começo a perceber porque é que sucessivos Governos e Ministros, incluindo alguns Nortenhos, se curvam perante o poder vermelho. Não, Catarina, não é contigo. Dass, que mania da perseguição, credo. E também podes ficar descansado, Jéjé, volta lá ao dominó que é quase hora de almoço. Isto é bola!

Para o bem e para o mal, parecemos sempre toiros: Só vemos burmelho.

Pá, não! Os toiros não distinguem cores. Desde que esteja à frente, a menear ajancas feito panasca, numa espécie de licra cheia de lantejoulas garridas, é para desfazer! Kéksafoda de que cor é o moço, amáijasuacapa.

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Anda por aí uma confusão tão grande que nem a tempestade Dóris consegue desembaraçar os neurónios à malta. Já se sabe que as gajas, quando chega a hora de desembaraçar, são boajé pra cabeleireiras. Mas não tendes nada que temer, está aqui o Tio Silva para trazer a luz.

Andava à rasquinha para experimentar este porta-chaves espetacular que me ofereceram: Dá-se aqui a uma manivelinha e, plim!, é uma lanterna. Muito engenhoso, não acham? Bamolá atão:


  • Os lampiões foram perdendo gás e dão por eles quase apagados. É natural, porque toda a gente sabe que o lampião funciona a querosene, nunca a gás. Mas com a estupidez deles podemos nós bem. Ninguém mais nojagarra!


O FCP NÃO está à frente. Depende de si para lá chegar, mas para isso tem que fazer melhor, ao menos dois pontos, que os ditos artefactos de iluminação, mormente pública (hey Lima). De repente, parece que se foi o papão da segunda volta e que é tudo um mar calmo e turquesa, para o nosso potente speed boat desfilar em glória.

Pá, não! O favorito continua a ser o que está em primeiro. É desses a responsabilidade - e a pressão! - de se aguentarem à bomboca sem fraquejar.


  • Aha, que os encarnados mais pareciam a Feira de Carcavelos, a tentarem despachar tudo o que podiam ao preço que lhes quisessem pagar. E agora, com o nosso bafo, já nem ojárbitros lhes valem. Basta chegarmos lá, daqui a uns tempos, espetar-lhes os cincazero da praxe e pronto, venham de lá essas faixas. É cumprir calendário e ir preparando esse confronto.


Pá, não! A correr bem, chegamos a esse jogo à frente. E eles que tentem desenrolar o seu contra-ataque a terem que ganhar. Porque até lá, teremos que estar no máximo, a dar tudo, cientes da dificuldade, das limitações e inclinações. De pés no chão e faca nos dentes. Sempre!


  • Sim, está bem, mas são eles os odiosos, o adversário a abater, o inimigo. Tudo o resto é paisagem. Nem sei o que isto da paisagem me lembra...


Pá, não! Eu não esqueço! Estes são tão bons cumójôtros. É trucidá-los, paná-los em gravilha e enfiá-los pelo cu dos colegas de Circular acima. Mas atenção, se para nós é importante, para a calimeragem é transcendental. O fim da linha só pode chegar para um, neste jogo. Nós continuaremos, mais fortes ou mais ensanguentados, mas continuaremos.

É isto. Se possível, sem ajoelhanços. Não quero ganhar no fim, num quase milagre; não quero repetir os jogos fraquinhos, de belos resultados, dajúltimas semanas; não quero marcar e defender. Quero uma demonstração cabal de força. Porque somos melhores, somos mesmo!

E depois sim, montados nesses CINCAZERO, mostrarmos o peito, inchado e peludo - de homem! - a todos os que se atreverem a cruzar o caminho do poderoso Dragão. A começar pelos falsos Romanos. Esses loucos...

...

- Percebeste bem, pá?

- Sim, está bem, percebi. Blablabla, não te calas, chiça. Se alguém me vai fazer gritar algum dia, vais ser tu. Raisparta, coabreca! - Ajeita ojóculos, quase irritado. - Podes servir-me um cimbalino? Sim, que eu não sei o que é uma bica, comunjiôtros. - Estala a língua, tsshhc.

Ponho-lhe a chávena à frente. Esfrego-lhe a careca:

- There, there, a ver se levamos esse mau feitio para o campo, hein?

Ele bufa. Baixa a cabeça, faz-me lembrar um toiro prestes a investir. Lê o pacote de açúcar. Mostra-me:

"Um dia, descobres que existe a antítese da Lei de Murphy. Amanhã, é esse dia!"

...

Soundtrack to calimero: You know you'll lose!     

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O dia em que Charlize salvou a Humanidade e Pacotes de Açúcar




Andava intrigado com isso do desafio do boneco. Achei que, sendo uma coisa que existe lá na ciberlândia, a minha especialista em redes sociais me poderia esclarecer. Bem boa que é. A especialista.

Mas foi-se a ver, a moça também não tinha um conhecimento aprofundado da questão. Fiquei logo a perceber que é uma cena que não sorteia viagens, não oferece bilhetes para espetáculos, nem dá desconto em lojas de sapatos. Recolho sempre alguma informação nesta fonte, mesmo quando não sabe patavina dojassuntos. E lavo a vista.

Como não sou de me ficar, arrisquei tentar estabelecer alguma forma de comunicação não digital com a centennial que mora lá em casa. Pumbas, o Gates devia ter desligado a internet, porque ela dispendeu uns dois minutos, à vontadinha, para me explicar o que raio é o mannequin challenge. Com o seu ar de sãocoisasmuintafixejequetunentendes, cota.

De posse da informação relevante sobre o tema, pude concluir pela minha cabeça: É estúpido! Bastante, até.

Epá, olha ali uma sessão de mindfullness no topo daquela elevação. Ou será o desafio do boneco? Ena, uma aula de ioga em pleno Parque da Cidade. Naaaa, é o coiso dos manequins. Será que aquilo é um gajo a cagar num descampado, ou estará alguém atrás de uma moita a filmá-lo? 

Com o disparate da água gelada pela cabeça, ainda a pessoa se divertia um pedacinho. Quando escolhiam uns recipientes grandalhões e depois não tinham unhas pójagarrar, por exemplo. Catrapimbas, lá levava o outro com um bidão cheio de água e gelo pelos cornos. Podia ser chato para a cervical do sujeito, majera uma barrigada de riso. É como ver gordos a estamparem-se. É basto estúpido, mas tem graça. O kékuma pessoa há-de fazer? Pois rir-se, já se sabe.

Agora isto? Caramba, trata-se de um mero apelo à lanzice. Fiquem práí, paraditos ohfaxabor, ninguém mexe uma palha. Parecem a equipa de funcionários de uma repartição pública. Em horário de expediente, está claro. Que najóras livres são pessoas bastante ativas. Diz que são. 

Olha, o Varela lançado em profundidade também dava um  belo desafio destes.

Como se não bastasse não ter sentido nenhum, ainda é pouco original. Quer dizer, há quantos séculos é que isto já foi inventado pelo Mestre Manoel de Oliveira? Há um, pelo menos. 

Desde o "Aniki Bóbó, na Residencial Cabinda" - aquele com a Lovelace, que era ligeiramente mais nova que o Mestre. E mais funda, também. Diz que era. - que o homem filmou mannequin challenges unjatrásdojôtros. Ele era pessoas paradas, bichos parados, mobílias paradas, até águas o tipo conseguiu parar. Foi o cabo dos trabalhos, à conta da mosquitagem. Esses, nem o Mestre pôde manter sossegados.

No entanto, como sempre e para ser muito irritante, existem aspetos positivos nesta modinha. Desde logo, aposto que há menos frases do Pedro Freitas, aquele que é uma Chaga no plural, nos murais de senhoras de idade. Devem andar todas a filmar challenges nos salões de chá, todas esborratadas de batom burmelho e assim.

Não é preconceito, que eu nem conheço as senhoras, é só que para ter paciência para tanta repetição e tanta frase feita, é pessoas à beira do Alzheimer. Diz que é. 

Para não ser um bota de elástico - sou um avôzinho bem cool, yeeey - proponho-me desde já a aderir a este movimento viral. Mas quero a vacina em antes, que na minha idade uma pontadita de ar qualquer, amaijóbirus, e pumbas, já foste! Portantos pá, a minha sugestão é:

Fazer um desafio do boneco com a Charlize Theron. É a moça a sair do banho e kétinha aí, babe. I challenge you! Fazconta que estás a limpar o soalho, Charlizinha. Majé como deve de ser, de joelhinhos, ahpoijé minha menina. Assiiiiiim mesmo, agora não mexe mais. Durante umas duajóras, vá.

- Ai sim?! Muito lindo isso. Pareces um velho babado. Olha mas que bem, babe. - Com aquele olhar de sabeskevaispagálas. E é todajuntas! Não é que tenha medo, mas inspira-me um certo receio, pronto.

- Hein?! Não, não, meu docinho. É eu a rénar cusrapazes. Já se sabe, juntam-se os moços e sai disparate. Eheheh. - Só espero que não se note que me treme a voz. Nota-se, pois nota? Bolas.

- Sim, sim, muito rénadios, os cachopos. Menos brincadeira e mais legumes em juliana, meu menino, que a sopa não se faz sozinha.

- E é já, minha flor. Ai ajóras que isto já são. Ainda bem que me avisaste, Sol da minha vida. - A trote para a cozinha.

- Vê lá não apanhes nenhum escaldão. A Charlize de gatinhas, pfff... - De raspão, apanho-lhe o olhar. Não era hmmkinteressante, poi'não? Naaaa! Na?

...

- Pedro! - Exasperado. - Kestamerda agora? Não se mexem? - A olhar pela grande janela.

- Pois, Senhor. Acho que é para depois colocarem naquilo da nuvem. - A consultar calhamaços à pressa.

- Hã? Mas as nuvens não são minhas, késbêr?

- Errrr, esta parece-me que não, Senhor. - Atemorizado. - É uma nuvem de informação, acho eu. 

- E é que não se mexem de todo, olha prákilo. - Surpreso. - Epá, é demasiado estúpido. Vou extingui-los, 'safoda, estou farto deles e dos seus disparates.

- É para já, Senhor. - Saca a maquineta da extinção. O outro apura o olhar na janela.

- Ui, kékilo? Ui, oh Pedro... É a Charlize a sair do banho, de quatro patas? É, não é? - Às voltas com a maquineta, ele olha também.

- Sim, Senhor, é. Olhe lá, isto para extinguir é verde-código-verde, ou só código-verde? - Profissional.

- Espera, Pedro, espera. Vamos dar-lhes mais um bocadinho, talvez... - De olhos muito abertos. E focados.

...

Pensava: Foda-se pá, se tenho de fazer mais um repolho em juliana, corto os pulsos, quando ele escancarou a porta da cozinha e avançou em passo decidido, quase marcial. Esfreguei ojolhos para ter a certeza que era mesmo ele. Aquele estilo não assentava no que até então lhe tinha visto. Ainda bem que não estava a picar cebolas.

Ele estacou diante de mim. Disse:

- Viva, Silva. 

- Olá, caro Fantasma Sagrado.

- Hã?

- Nada, nada, sou só eu a brincar com traduções literais... - Interrompeu-me com um gesto: Stop! Tão assertivo que me arrepiou. Que se teria passado?

Abriu-me a mão e colocou-me um papel amachucado nela. Virou as costas e saiu, no mesmo passo estugado, firme, um pouco arrogante até, com que tinha entrado.

Alisei o pacote de açúcar e li:

"Um dia, perdes o medo ao escuro e serás temido. Hoje é esse dia!"

...

Soundtrack to Mr. Holly Ghost: (No more) Fear of the dark.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pacotes de açúcar



- Hey Zé, tass? Fortes?

- Defender bem. Tá tudo, Silva. Defender bem. Tira aí uma bica pró caminho, ohfaxabor. Defender bem. E embrulha-me duas bifanas e um pão com isca. Defender bem. Não gosto nada de salsichas. Defender bem.

- Cimbalino, Zé. Aqui é cimbalino. Se o Vassalo te ouve...

- Defender bem. Pode ser isso então. Defender bem. Mas italiana. Defender bem.

- Curto, Zé. Diz-se curto. - Ponho-lhe a chávena à frente.

- Defender bem, obrigado. Silva.

Dispensa o açúcar e bebe o café de um golo apenas. Gluc. Mantém o líquido quente na boca, a saborear, enquanto lê o pacotinho.

Engole já quase em seco. Olha-me um pouco pálido. Sorri. Roda o banco do balcão e procura ajorelhas no meio das mesas pejadas de fatos de treino azuis. Grita:

- HECTOR!! - E corre para um abraço, deixando o pacote de açúcar amachucado no balcão. Endireito-o o melhor que posso e leio:

" Um dia, acordas bonito e deixas de ser apenas um simpático patinho feio. Hoje é esse dia."

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pacotes de açúcar



- Siiii! - Cerra os punhos e bate-os no tampo da mesa.

- Então Espanhol, que paza? Desceu-te o CR7? Ou a bica (alô Vassalo.) estava demasiado forte?

Ele desamarrota o pacote de açúcar. Segura-o com o polegar e o indicador de cada mão em frente dos meus olhos. Leio:

" Um dia, como o meu Danoninho e o Céu será o limite. Hoje é esse dia!"


...

Grande questão existencial: Nós, os habitantes de Palermo, seremos os Palermas? E sendo, teremos a memória curta? E tendo, saberemos quais são os Palermistas? E sabendo, torceremos por eles?