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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A peneira e o Sol

Eustáquio “Marciano” Silva é o tipo mais distraído do Universo. Não se trata de um exagero, nem de uma figura de estilo, é mesmo assim e qualquer ciência - das exatas às mais obscuramente subjetivas - o poderá comprovar. De tal maneira que, uns minutos depois de o conhecerem, o grau de distração deste rapaz é a sua característica mais marcante. A que o define. Apesar de ser verde e ter antenas no alto da cabeça.

É muito comum, estando o bom do Eustáquio abancado ao balcão, clientes pouco frequentadores da Tasca perguntarem-me: Ele está disfarçado, poijé? E eu não sei sequer do que estão a falar. Quem? Aquêlali, o dajantenas, carago. Ah, o distraído. 

Portanto, não me admirei nada que a estas desoras da madrugada, o verde da pele ainda desmaiado do sono e as antenas em desalinho, me perguntasse entre dois minúsculos golos no seu café:

- Oh Silva, isto está a ferro e fogo, hein? 

Os incêndios, a moção, o Presidente, o juiz mais a sua moca, a Catalunha.

- Hã? Que se passa nisso? Há outras chatices? Não pá, estou a falar da bola. Não há jogo em que não haja porrada velha na bancada, carga policial, árbitros agredidos, pernas partidas, sei lá, trinta por uma linha. Poijé? Até tem o Parlamento que intervir.

...

Vejamos, não. Por ser “não” a resposta, é que não me juntarei ao coro indignado que procura explicar ao Presidente da FPF as questões relacionadas com claques e ilegalidades e legalidades e o caralho que o foda. Seria fazer o jogo dele. Deles. Só se eu fosse verde e tivesse antenas. Eustáquio não sou, de modo que, daqui donde estou, vejo tudo.

A maior ameaça ao árbitro, não chega por sms, chega por e-mail. A greve não é pelo estado das coisas, é para tentar arranjar um ruído que desvie a atenção. Para que se mantenha o estado das coisas. 

A audiência não é para debitar uma série de banalidades, com as quais todos têm que concordar. Ora a Paz no Mundo, a abundância em África, as criancinhas nutridas e protegidas, a proibição de se utilizar o termo fúcsia. Tudo coisas que fazem um Mundo melhor. De acordo. E quem não estará? É como com o bom comportamento nos estádios, a ética no futebol, a transparência na arbitragem e a proliferação dos homens de boa vontade. E de soberbas mamas, acrescento eu pelo meu punho. Que gosta basto de mamas. O punho. Hã?

Para grande tristeza geral, tudo isto não é mais do que um pedaço de verga, com uma pega e múltiplos buracos. Uma peneira, pois claro.

A verdade, como está bom de ver, é que o que se passa é o início da revelação de um poder tentacular - estava aflitinho para usar esta expressão bem catita - que pôs nos cargos os respectivos detentores, que os controla por e-mail, sms ou um simples olhar, como se faz com os putos. Já para o teu quarto Nandinho! Achas bonito, achas? Vai lá pensar em como vais resolver esta pessegada. Ou preferes que conte à mãe o que andas a dizer aos teus colegas de balneário, por sms?

O que aguardamos, são os resultados de investigações policiais, de buscas domiciliárias, de diligências que esperamos tenham sido feitas. Queremos, nós os que se preocupam com a bola, que tudo fique claro e transparente. Naturalmente sabemos, porque Eustáquio não somos, que isso custará muito do brilho, mormente internacional, que os Facadinhas desta vida ganharam. Well, karma is a bitch.

O meu caro Cavani Vassalo refere uma demonstração de poder. É isso mesmo! Não se esgota na visita presidencial à casa da Democracia,
                                                                 ( pausa para me mijar a rir )
                                                                                                             inclui a suposta greve de trazer por casa, o tradicional faz de conta mediático, mas também o colinho que mantenha o Nacional 5LBismo mais ou menos tranquilo. Isto é, o Polvo no seu melhor.

Só por profunda distração nos íamos agora dedicar a enfiar a carapuça que o Nandinho Facadas nos quis endereçar. Era o que mais faltava, estarmos a gastar energias em eunãofuis, quando devemos estar concentrados em todos os fostetu que ainda faltam. Este é o Sol. Deal with it bitches.

Há aqui um travo de desespero, isso é certo. Parece que reuniram todas as forças cefalópodes para uma grande - e derradeira? - contra-ofensiva. A ideia é mudar o foco, desviar a atenção, dispersar as tropas atacantes e procurar escapar vivo. Pelo meu lado, falhou. Estou a cagar-me do alto do Burj Khalifa para o que o shôr Presidente da FPF foi dizer para o Parlamento.

Tudo o que não seja investigar o poder corrupto que foi exposto, não merece um minuto do meu tempo. Mas merece um segundo. E em um singelo segundo, consigo dar um contributo maior para que tudo corra melhor, do que o Fernando das Facas em toda a sua dramática, mas vazia, apresentação aos dignatários da República. Que é malta que não tem lá muito que fazer, já se sabe. 

Olha, comecem por legalizar os que têm que ser legalizados. Ou extintos. Empenhem-se nisso e depois falamos. Pois, sim, eu sei que é complicado. Uma chatice mexer com o estado das coisas, não é? É muito melhor tapar o Sol com uma peneira.

...

Faz-me confusão a volatilidade do interesse mediático e público. Infelizmente, são sempre coincidentes. Pensar é como mudar o estado das coisas: parece que aleija um bocadinho.

Como acho que em maijum ou dois dias já ninguém quer saber do juiz e da moca, anuncio desde já que a TascaTV está a preparar uma Grande Entrevista com o próprio. O shôr juiz. 

Pois claro que aceita, quem é que não quer aparecer no mais importante canal de TV, de entre todos os que (não) se emitem a partir de uma tasca? Que é um blogue. Hã?

...

Soundtrack to Mr. Gomes: True friends stab you in the front!
                                                

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Resumo da semana: A TascaTV (inclui a Lista de Discos Perfeitos do Senhor Lima)



Tenho estado a pensar que a média de visualizações dos posts da Tasca já ultrapassou consistentemente o número...três. Com uma audiência tão vasta, é mais que tempo de mostrar a certos e determinados Silvas que o tasqueiro tem olho para o negócio. Sobretudo desde que usa óculos.

É por isso com imenso prazer, uma pompa nunca vista e abrilhantado por mais uma esmerada atuação do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Alcoentre, que aqui se inicia a transmissão, a cores e em praticamente Ultra HD, da TascaTV. 

A ideia é do camandro! Finalmente, há um canal que passa o que eu quero, quando me apetece e dá jeito. Os entrevistados aceitarão todos responder com a maior honestidade a todas as perguntas. Melhor ainda, darão as respostas que eu acho que devem dar. É espetacular! Melhor que isto, só mesmo o meu adiado negócio de vender cachorros psicológicos.

- Buuu, buu, isso é bom para o Silva e para mais ninguém! Vergonha.

- Shhh, cala-te, deixóbir...


...


GRANDE ENTREVISTA

- Ora biba, boa noite senhor Primeiro-Ministro. Muito obrigado por ter aceite o convite para inaugurar as emissões da TascaTV. Como se tivesse outro remédio. - Faz-me um "espera aí um segundinho" com a mão. Saca do telefone. Digita números. Parece que está a chamar, ele revira ojolhos enquanto espera. Atendem.

- Sim? Cat? Oi, tudo bem? Irra, que barulho é esse? O secador? Tájôtravez no cabeleireiro? Agora passas a vida nisso, mulher. Olha, estou aqui na coisa da televisão do Silva. Sim, esse. - Olha para mim a sorrir. - Vou agora dizer isso ao homem! Dizes tu, quando o encontrares. Escuta lá, ele deu-me as boas noites. Estou a pensar em responder "Muito boa noite a todas as portuguesas e a todos os portugueses. É um prazer estar aqui para esclarecer todas as questões.". Que tal? - Revira ojolhos de novo, enquanto ouve. - Mas kais transgéneros, pá?! Essa malta a esta hora está a bulir ou assim. Raisparta, não estou nada a discriminar! É o hábito. Pronto, ok, e se for "Muito boa noite a todos de uma maneira geral, abrangente e sem discriminar quem quer que seja."? Ok, fixe. Vou ligar ao Jerónimo. Se por ele estiver bem, não ligo de volta. Beijos.

Pede-me mais um instantinho enquanto marca novo número. Atendem.

- Jéjé?! Ah, desculpe. Fala António, seria possível passar-me ao Jerónimo, por favor? - Olha para mim. - Ah. Não sabe se demora? Ele que me ligue logo que possa. Obrigado. Boa noite.

Guarda o telefone. Põe as mãos entre ojoelhos e dá-me um sorriso.

- Temos que esperar um bocadinho, Silva. Pode ser?

- Claro, senhor Primeiro-Ministro.

- Pá, chama-me Toino, como sempre. Tás parvo ókê? Isto não está a dar, poi'não?

- Errr... não, claro que não. - Toca o telefone. Ele apressa-se a atender.

- Jéjé? Atão pá? Esses ossos? Ah, já falaste com a Cat. Ai, desculpa, claro que não. Alguém daí falou com alguém de lá, naturalmente. Mas pronto, já sabes da história. E então, que me dizes? - Abana a cabeça, enquanto ouve. - Porra pá, camaradas é demais. Não vou dizer camaradas. Que te disse a Cat? Companheiros? Isso tudo? Dass, tábem. Xau, xau, adeus. - Sorri-me de novo. - Já podemos, Silva.

-  Ora biba, boa noite senhor Primeiro-Ministro. Muito obrigado por ter aceite o convite para inaugurar as emissões da TascaTV. Como se tivesse outro remédio.

- Muito boa noite a todas as companheiras, companheiros, companheiras que se sentem companheiros, companheiros que na verdade são companheiras, Portugueses, indivíduas e indivíduos de outras nacionalidades ou apátridas, de todas as idades, credos, ateus e agnósticos, do interior ao litoral, de Norte a Sul e para os lados de Portugal Continental, Regiões Autónomas, Berlengas, Selvagens e assim. - Toca o telefone. Atende. Escuta apenas. Desliga. - E aos animais, minerais e vegetais também. - Suspira. 

Mantenho-me calado. Sei que a minha boca está aberta e que babo ligeiramente. Ele estranha: 

- E então, meu caro, a primeira pergunta é?

- Nada, senhor Primeiro-Ministro. Deus lhe pague por se ter dado ao trabalho. Creio que foi bastante esclarecedor.

Entra o genérico.


...


NOITE DE CINEMA


Staring: Tonel

Se acharem estranho poderem assistir a 34523143249 repetições de um gajo a marcar um penalty e NENHUMA do lance que o originou, isso é... Portugal! 

E agora, prontos para subscreverem à parva a TascaTV?

... 

MUSICOL
 com Monteiro da Silva

- Boas, Senhor Lima. Bem-vindo ao Musicol, o programa de música da TV do tintol.

- Biba. Obrigados a si e a toda a equipa. E, sobretudo, a ambos os três leitores que permitiram esta deriva televisiva da Tasca do Coiso. 

- Vejo que evita pronunciar um determinado nome, pelo que creio que ainda não está refeito do facto de não poder divulgar umas cento e cinquenta Listas de Discos Perfeitos.

- Com todo o respeito que nutro por si, e bem o sabe o meu caro amigo, tenho muito pouco a dizer sobre esse não-assunto. O Coiso manda na casa dele, eu respeito. Ninguém tem nada a ver se uma pessoa está apostada em desperdiçar o talento que lhe disponibilizam. Enfim, pérolas a coisos, é o que é.

- Apesar disso, podemos neste programa anunciar, em absoluta estreia Universal, a Lista de Discos Perfeitos do Senhor Lima, obedecendo aos critérios da Tasca, certo?

- Por deferência a si, exclusivamente.

(Quem ainda está a ler, faxabor de clicar AQUI)

A Lista de Discos Perfeitos do Senhor Lima

Metallica - Master of Puppets
Pearl Jam - Ten
Taxi - Taxi
Pedro Abrunhosa & Bandemónio - Viagens
Dire Straits - Brothers in Arms
Queen - Innuendo
Ornatos Violeta - O Monstro Precisa de Amigos
Nirvana - Nevermind
Héroes del Silencio - Senderos de Traición
Rui Veloso - Mingos e os Samurais

- Alguma coisa a acrescentar, Senhor Lima? - O outro pensa um instante, olha o apresentador nojolhos. Diz:

- Até tenho! Posso?

- Força.

- Incha, Coiso! A minha Lista está na televisão!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Resumo da semana: Escatologia.

Não sei onde gamei, mas acho que é mesmo o que parece...


O termo "escatologia" tem muito que se lhe diga. De uma maneira geral, as pessoas acham que se refere a excrementos e fezes e assim. E é mesmo. 

Mas, por outro lado, designa igualmente a teoria do fim do mundo e da humanidade e das coisas que sucederão depois disso. Como se alguém quisesse saber do que acontecerá depois de nada mais poder acontecer, mas enfim. Ou seja, se vier mesmo o Fim do Mundo em Cuecas, estas estarão, pelos vistos, bastante borradas.

...

O Presidente Aníbal deu posse ao 21º Governo Constitucional, doravante conhecido como o Governo do Toino, by Cata e Jéjé.

Foi uma cerimónia um bocado aborrecida, como acontece sempre nestes casamentos por conveniência, ou preguiça, ou despeito, ou o raio que os parta. O pai da noiva deixou claro que aquilo não lhe agradava mesmo nada e que ela estava bem era com o namorado que tinha em antes. Achei uma coisa bastante racista, mas a dama Van Dunen não protestou, pelo que deve ter sido impressão minha.

Já o noivo, pareceu-me mais aliviado do que feliz. Como se tivesse posto as manápulas numa pipa de massa, que lhe dá à justa para pagar as dividas de jogo a uma malta chinesa que conheceu à porta do Casino. Deixa lá Toino, são seis meses de bodo aos pobres. Depois é forçar eleições e ganhar com a maioria absoluta dos votos apalavrados na boda.

Quanto ao namorado encornado, mais ao seu sócio imprestável para ménages - a menos que envolvam a base do Alfeite - estava com um ar...como dizer? Obstipado.

- Hã? Constipado? Ele que tome uma dessas pastilhas que você emborca.

- Não pá. Obstipado!

- Quê?

- Entupido de trampa até ao esófago. Dass!

- Ah! Fale Português, homem.

...

Ontem estive pelo Ribatejo, terra de toiros e toureiros. Toureiro é que não vi nenhum, mas ok. Lá deambulei, metido na minha vidinha, sem interagir com os locais mais do que o que teve mesmo que ser.

E não é que, à saída de Almeirim, sou surpreendido com uma festarola bem catita? Rodearam-me o carro e batiam palmas e havia um ou outro foguete. Pensei: Pumbas, já está: És uma estrela, como a mãezinha sempre disse que serias.

Afinal, foi-se a ver e não. Foi só a minha cabeça que ganhou o segundo prémio para "Melão do Mês". E não ficou em primeiro porque diz que era de origem Ucraniana. Parece que vale menos que o nacional. Roubalheira pá!

- Oh senhor Silva, isso não é nada escatológico.

- E se fosse à merdinha, hein?

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Agora é que vamos dar cabo do ISIS. O Ministro dos Negócios Estrangeiros de França, Laurent Fabius, acaba de esclarecer definitivamente a questão:

- Ora bien, meus carrôs, il est o seguinte: O Assad é le grand probléme desta cená, há que lhe pôrr uns trés jolies patins. Mas no entrretantô, podem-se aprroveitarr les tropes do homem para ir a la bouche dojôtrrôs, tão a ber ohnon?! Nous autres bombárrdeamôs cá de cimá - boum, boum, boum - et ils verrgam la mole lá em baixô. Nous sommes entendus?

Não haja dúvida que tem tudo para correr lindamente. Para além de ser bestialmente coerente e promover um amplo entendimento, junto da malta prêt-a-radicalizer, de que defendemos a causa mais justa. Desde que esteja de acordo com o nosso interesse, pois clarrô.

Entretanto, a coligação vai de vento em popa. A Turquia mandou abaixo um avião Russo e esclareceu: Paaaaaa, estava na minha metade da secretária, era meu. Não quero saber de nada. 

Os Russos reagiram: Ou me pagas um novo, ou vou dizer ao meu pai, que é do boxe, que mo partiste.

Oh well, é capaz de dar merda... 

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A Cate Blanchett acho que vai ganhar um prémio à conta do filme "Carol", em que interpreta uma senhora que gosta de outras senhoras. Só pela temática do filme, já acho que todos os prémios são muito merecidos. Como sabem, sou um grande adepto e defensor do lesbianismo.

Eu sei que há muita gentalha que me considera um tipo execrável, boçal, muito incorreto e que não sabe estar. Que acha que isto é uma piada de muito mau gosto e que tenho, na verdade, um preconceito arreigado contra a homossexualidade. Quando não um recalcamento qualquer. Eu acho que estão enganados, mas isso é eu a falar...

O facto é que tenho um lado feminino bastante desenvolvido. Felizmente não é as mamas. Acontece que esse meu lado gaja, de que gosto basto, é completa e esclarecidamente lésbico. E ninguém deve ir contra a sua natureza, certo? Muito menos se mete a Cate Blanchett enrolada com uma senhora. 

Só não embarco nessa coisa das gajas irem sempre juntas à casa de banho. Epa, querem convencer-me que vão, sempre!, fazer xixi? Népias, não compro isso. E mesmo que seja, querem ver que não, nunca!, lhes acontece sentarem-se e largarem uma bufa? Uma inocente e singela bufa, nem peidinho chega a ser. É impossível.

Para mim, isso não é a intimidade que o amor, a amizade, a cumplicidade, proporcionam. É o fim do desejo. A trampa dá-me cabo da tesão. Gostos.

(E prontinho, tenho dificuldade em dar-vos melhores motivos para me desancarem, queridos, limpinhos, sempre leais, mui corretos e terrivelmente cinzentos haters.)

...

O FCP vem jogar a Aveiro este Sábado. Infelizmente, vou ter que inaciar um canal pago qualquer. Como não poderei estar no balneário, por motivos assim assim, para dar a palestra, aproveito esta oportunidade para o fazer:

- Malta, isto é muito simples. Depois da bela merda que arranjaram na terça, ou tratam de ser uns Tarzões e cilindrar os MorTondela, ou lá que raio de carne processada vem a ser aquilo, ou enfio-vos na fossa asséptica da Tasca. E olhem que o Monteiro da Silva anda mal dos intestinos.

- Muy bien, cabrón

- Cabrón é o lado macho da tua tia, tábem? Tu não tomes tino, não. És o primeiro a ir. E é de cabeça!

- Pintxo!

- Já vai.

...

Soundtrack to shit: Dancing...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Um momento de conversão do agnóstico. Ou o tempo de tomar partido.



O Mundo é uma piada. As mais das vezes, de mau gosto. É provavelmente por isso que nos vamos entendendo, o Mundo e eu. Não que o perceba, ou ele a mim, mas parece que nos toleramos. Sei lá.

Na sexta-feira houve uma pequena festa aqui na terra. Como anfitriões que se prezem, armaram aí uma tainada para dar as boas-vindas a uma família de refugiados Sírios. Não os conheço, confesso que não participei e só descobri porque alguém me contou. Genericamente, e ironia Cósmica à parte, achei lindamente que se tentasse fazer o casal mais os seus rebentos sentirem que chegaram a porto seguro e que agora há quem se preocupe com o seu bem-estar, em vez de se preocupar com a forma como lhes vai rebentar a cabeça. Aliás, achei bilindamente, porque da mesma penada a organização angariou fundos entregues a algumas famílias autóctones que passam por dificuldades. Muito bem. Inteligentes, ponderados e agregadores. 

E enquanto isso, houve Paris. Pessoalmente, a minha vitória hoje, neste instante, é perceber que continuo a achar muito bem a festinha de acolhimento. Mas já se sabe, eu sou um tipo danado para festas. 

Porém, não posso evitar olhar para as fotos e pensar que se aquele senhor, tão sorridente e tão - aparentemente - feliz, se lembrar de pegar numa arma, só por acaso, porque lha puseram na mão, porque a encontrou no chão e a quer levar para longe do recreio de uma escola - whatdafuckingever! - eu não hesitarei em passar-lhe com uma debulhadora por cima, antes de ele poder dizer Allahu akbar. Tenho pena por isso, mas dá-se o caso de eu também ter filhos. 

É pois apenas uma meia vitória. Espero que a minha comunidade consiga fazer com que a prole deste nosso novo vizinho cresça sem ódio e chore todos os Parises que ainda nos faltam. Como se fossem deles. É essa a minha proposta.

...

Os apologéticos brandirão as suas vozes notavelmente ampliadas por um senso de "politicamente correto" comum à sociedade Ocidental. Proclamarão que o ódio não encontra soluções, que a xenofobia só piora o estado geral do doente e o racismo é uma atrocidade como qualquer outra. E têm razão. Exceto nos casos, demasiados - quase todos? - em que se trata de mera retórica ao serviço do seu próprio interesse. Nomeadamente político. 

Os do extremo oposto aproveitarão a caixa de ressonância da dor, o megafone da busca - Humana - da culpa, para agitarem as bandeiras do medo, do nacionalismo, da integridade do território, quando não da própria raça. Estes nunca terão razão. Nem mesmo se a sua convicção for profunda.

E será este o tempo do Amor? Não, provavelmente não. Mas também não é o tempo do Medo. Nem do medo que nos faz dobrar e capitular perante os que não gostam da vida como a vivemos; nem do medo que nos faz pegar em armas maiores para equilibrar o facto de acreditarmos menos do que o suposto inimigo. Este é, como sempre e como todos os tempos são, o tempo da Razão.

- Xiii Silva,  já fomos!

...

Por cada vitima de Paris, qualquer Islamita poderá levantar uma criança mártir. Não é pela contagem do horror que somos melhores. Admitamos que o nosso choque é maior porque estes são os nossos. Não há nenhum mal nisso. Mas não façamos de conta que os outros não existem. É o pouco que nos importamos com isso que nos retira, aos seus olhos, a Humanidade. Porque me custaria metralhar-te se nem quiseste saber como morreu o meu bébé? 

A culpa é nossa então? NÃO! Nem tua, nem minha! Menos ainda dos metralhados. A culpa é - SEMPRE! - da Ignorância. A começar pela de quem metralha. E é uma pena que não tenha sido morto antes de começar. Nenhuma dúvida disso.

Mas enquanto ouvia, a espaços, os doutos comentadores e comentaristas, analisadores e analistas, jornalistas e jornaleiros, testemunhas oculares e de ouvir dizer; enquanto via a noticia a desfazer-se em espuma; enquanto assistia a como tão rapidamente a catástrofe se tornava em audiência - os vídeos, os diretos, o senhor que mora a apenas 50 km do sucedido e não tem Policia na rua; enquanto os media, mormente os nacionais, passavam de "Aconteceu e está a acontecer" para "Veja Aqui, Já, e em Exclusivo, como morreu a rapariga que estava no wc do Bataclan", como se isso fosse um contributo para o que quer que seja; pensava: ALGUÉM QUER MESMO SABER?

Alguém está interessado em saber se o ISIS é MESMO um bando de tarados? Ou gente que quer controlar o petróleo? Ou malta que está é interessada em dinheiro? E se não for? Sabem, é que não é! E isso elimina aquela saída bestial para estas coisas: Dêem-lhes lá o que eles querem a ver se param de chatear. Mas a fazer de conta que não demos. Não há nada que o ISIS queira que nós lhes possamos dar. Quer dizer, há. Mas não estaremos dispostos a dar, acreditem.

Onde nasceram e cresceram os assassinos de sexta-feira 13? Se não sabemos o que é o ISIS, como podemos explicar aos nossos vizinhos, nos nossos subúrbios, que as primeiras e as maiores vítimas do Islão Radical são os Muçulmanos? Porque são!

E queremos saber? Ou bastam-nos riscas azuis, brancas e vermelhas sobre a foto de perfil do Facebook? Je suis o que vocês todos quiserem ser esta semana. Era Charlie, não era? Acho que é o do Snoopy. Tão fofinho.

Se continuarmos incapazes de juntar conhecimento ao choque, perante as execuções públicas e festejadas, a destruição de Património da Humanidade, as constantes atrocidades aparentemente inexplicáveis, continuaremos a perder. 

A culpa é da Ignorância. Sempre. E da Preguiça. Quase sempre.

...  

Eu não creio. Isto já foi uma coisa mais convicta do que é hoje, mas ainda assim, não creio. 

A idade adoça-me o agnóstico, provavelmente. Mas sempre tive claro que me insiro numa sociedade definida por um conjunto de crenças e valores de raiz Cristã. Faço parte dela, gosto dela, quero que evolua na sua mera continuidade. Por isso, aceito que também eu tenho um Deus. Digamos que numa batalha de Seres Divinos, eu puxo pelo mesmo Deus que a maior parte de vocês. 

Assim, hoje não se brinca com Deus na Tasca. Se outros se ofendem com caricaturas dos seus Profetas, eu ofendo-me com balas de Kalashnikov contra os Filhos do meu Deus. Porque são meus Irmãos. E espero que Ele esteja atento e vos faça pagar da pior maneira que puderem imaginar. Se lhe faltarem ideias, eu tenho algumas.

...

Soundtrack to bloodshed: Walkways.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Resumo da semana: Multimédia

In dnacontractingcenter.com, ou qualquer coisa parecida...

Esta é uma época do ano tramada. Os ácaros e a humidade e o raisparta das alergias a mil, mais uma constipação ou outra pelo meio, que entre tanto ranho nem se nota. Pior ainda, é época de caça.

Eu não sei como é que há malta que não trabalha a uma quinta-feira. Devem meter férias; ou ir para o desemprego de propósito; ou morre-lhes um familiar por semana. O que eu sei é que todas as malditas quintas, ainda o Sol não nasceu e lá estão eles em fila à porta do café. 

Não teria nada a ver com isso, mas chegam antes das 6.30 da manhã, pelo que me ficam com o jornal. E é sabido que o jornal do café da minha rua é meu! E eu quero lê-lo.

É que eu estou lá todo o santo ano. Não é como se houvesse uma época do Silva ir ler o jornal para o café. Portanto, acho que devia ter precedência. Em vez disso, anda o jornal a passar de mão em colete de camuflado, entre um bando de maduros com idade mais que suficiente para não andarem a brincar aos tiros.

Pá, eu até me esforço por perceber o meu avô, que ia caçar elefantes e assim. É uma atitude besta, mas diz que na altura ninguém ligava nenhuma a isso dos bichos se extinguirem. E leões. Há nisso um certo desafio, devidamente compensado por um instrumento que permite matar o adversário a uma distância muito razoável. O que apesar de ser cobarde, quando se trata de elefantes e leões, é capaz de ser ajuizado. 

Agora lebres? E perdizes? Tanto cão para apanhar passarinhos? Com uma fisga não conseguem caçar uns pardalitos? Cá pra mim, isto da caça é uma bela desculpa para se meterem uns cojôtros no meio do mato. E levam vinho e tal. Ai que estávamos bêbados.

Como não sou nenhum fundamentalista disso dos animais - e nem dos maduros que vão para o mato - não me vou pôr a julgar os senhores. Querem ir caçar? Pois vão com Deus. Oxalá algum bicho lhes atire cocó. Mas façam o favor de me deslargar o jornal. Combinado?


...

Por isto da bicheza, acho que deviam atribuir o prémio "Empreendedor Visionário Tecnologicamente Evoluído" ao André Silva. O gajo teve a lucidez de olhar para as redes sociais e perceber que estão pejadas de fotos e filmes de gatinhos fofinhos; e cãezinhos espertalhões; e baleias para adoção; e isso tudo. 

Depois, conseguiu analisar de um ponto de vista sociológico: Toda a gente tem que gostar dos bichinhos. Ou porque são engraçados e fofinhos; ou porque estão maltratados e abandonados; ou porque só sobram uns poucos e descobrimos que precisamos deles como do pão práboca; ou porque sim, que é o motivo mais frequente. Isto é, quem é que se atreve a dizer: Num é por terjumgatofofinhonatimelinekésmenosputa. Isto é um suponhamos, está claro.

Vai daí, o André agarrou nesta tendência dos media sociais e pumbas, criou o seu próprio emprego. E conseguiu agarrar o tacho, montado numa série de cartazes que podiam muito bem ser posts da família no Instagram. Ainda acho que 80% dos votos foram no gato. E os outros 20% no copo menstrual.

Tudo a favor do André. Escusava era de vir dizer que votou a favor da queda do Governo porque "o programa ia fazer às pessoas aquilo que já fazemos aos animais e à natureza". Caraças, se não parece uma frase para maço de tabaco. Fiquei logo a imaginar 20 mil degraçados enfiados num aviário, com 20 mil chineses a fumarem-lhes para as trombas. 

Credo, como é que a direita se foi lembrar disto. Reminiscências do Adolfo, aposto!


...

Ainda no Reino Animal, o SIS (Serviço de Informações do Silva) divulgou, através do lado oculto do Youtube, as mais recentes escutas a indivíduos com responsabilidades no fintabol tuga. Para proteção dos visados, utilizarei nomes tão falsos que ninguém vai saber quem são:

Benvindo Costa: Tô?! P.? Tass? Olha lá pá, ké isso de me suspenderem o gajo por dois meses? Tá tudo bêbado? Foi para isto que aí te pus? Aiaiai!

Paulo Pinto: Calma, querido. Não tenho nada com isso. É coisas da malta do Fernando.

BC: Olhósnomes pá!

PP: Porra, tens razão. Do Filipe, pronto. 

BC: Kerokásaber desse tripeiro alampionado! O menino empurrou um preto, treinador de uns mija na escada! Dois meses? Estamos a brincar, só pode! Não é como se se tivesse pegado com um steward no túnel. Aí percebia-se. Isto não é pior que bater num policia, Deus nos livre. Racistas.

Lopes Fontes Varão: Alô? Vitó? Isso vai? Oh meu, késsamerda de vires dizer que não foi ninguém ao balneário e blabla? São porcos é? Não tomam banho? Estás a mijar fora do penico agora?

Vitó Policarpo: Oh xôr Presidente, a culpa é do Abilio Santos Damásio. E do raisparta do observador. É o que dá mandar observadores ceguinhos para estes jogos. Umas vezes convém-nos, outras dá nisto.

LFV: Nem uma cena escabrosa num túnel? Nadica? Um roupão! De certeza que havia roupões! Ninguém vai investigar isto? 

VP: Claro que vamos investigar! A fundo! Até encontrarmos qualquer coisinha por onde pegar. Se não encontrarmos, inventamos. Sejamos criativos, que é para isso que nos pagam.

LFV: E que palhaçada foi aquela do Cosmos Machete? Não estou a gostar nada disto!

VP: Nem sei o que lhe diga... Ele diz que aquilo era na serra e que ficou sem rede na careca. Enfim, da próxima mandamos o Jorge. Pode ser?

LFV: Pode, o Jorge pode ser. Ai carago, olhósnomes!

AVNI (Árbitro Voador Não Identificado): Tá lá? Salmonelas? Ora viva. Pá, não percebo nada desta minuta. Parece que já vem com as respostas...

Salmonelas: És mesmo estúpido! É assinares e mandares pra cá, como toda a gente. Eu depois preencho, não te preocupes.


...

Tenho um Brasileiro dentro do meu telefone. Sim, é uma cena um bocado esquisita de se dizer, mas não há outra maneira. Trata-se de uma app que consiste num gajo a mandar-me fazer exercício. Em tese, pareceu-me uma boa ideia. 

Apesar de ter alguma dificuldade em lidar com a autoridade e obedecer a ordens, a relação com o brasuca até ia menos mal. Só que aquilo me deixa de rastos. 

(Pausa para piadas idiotas envolvendo o autor, um Brasileiro e a expressão "Deixa-me de rastos")

De tal maneira, que fico sem energia. Pus-me a pensar: Tu kéjber keste panasca me põe aqui aos pinchos, de flexão em abdominal, a suar em bica, a pensar só em duche e sofá, para ter oportunidade de se afiambrar à gaja bem boa que mora cá em casa?

Eu também acho que é um bocado paranóico da minha parte. Por isso, evito falar do assunto. Só porque sim, tratei de duplicar o cumprimento das minhas obrigações conjugais bidiárias. Isso mesmo, é 2 x 2. Isto à semana, porque no fim de semana aumenta. 

(Pausa para piadas idiotas acerca do grau de bazófia do autor, envolvendo um Brasileiro e a expressão "Deixa-me de rastos")   

Seja como for, sobra-me energia para mais umas quantas coisas. Mudar de canal, por exemplo. Ah, e desinstalar aplicações do telefone também.


...



O momento em que uma rádio anuncia a reedição dos álbuns de uma banda, comemorando os seus 50 (CINQUENTA!) anos de carreira, e tu pensas:

Pfff, tenho isso tudo! Em vinil, até!



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- Senhor, outra vez agarrado ao canal do reality show do fulano?

- Ah, Pedro. Ainda bem que chegaste. O filho da mãe já topou a cena do Brasileiro! Sacana pá. Temos que arranjar outra manigância...


...

Soundtrack to (multi)media overkill: Lost.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Legislativas 2015: AG!R



Se estão a afiar as facas, ou a babar, por pensarem que este vai ser um post profundamente sexista e qualificadamente preconceituoso, em que se vai falar quase exclusivamente de gajas, mais propriamente da Joana, então tirem o cavalinho da chuva. Ainda se constipa o animal. Este post visa apresentar e caracterizar a coligação AG!R, apenas isso.

Ora então, o que temos para dizer sobre a AG!R? Desde logo que é muito difícil pronunciar a palavra, pelo menos para quem não sabe dizer !. Eu acho, sou eu cá a pensar, que é suposto aquilo ser um "i", só que a fazer o pino. 

Duas coisas que nos assaltam imediatamente quando se analisa isto: Por um lado, será que o pingo não vai escorrer? Por outro, agir ao contrário é ficar quieto. Sendo isto uma coligação entre um Partido Trabalhista e um Movimento de Alternativa, tudo coisas que apelam à ação, não sei, parece-me um contra-senso. No entanto, devemos ter em atenção que, numa perspetiva mais popular, trata-se de uma coligação entre o PTP, que poderá remeter para PQP, por exemplo, e o MAS. Masokê? Mas são verdes? Pá, votem em nós, MAS... PQP!


Depois


Antes
Eu considero que a análise gráfica é mesmo a linha de raciocínio mais relevante no que se refere à AG!R. Por exemplo, creio que já houve argumentos bastante menores para votar AG!R do que existem hoje. Como aliás podemos comprovar de forma bastante palpável nas imagens que ladeiam o texto. Está portanto o texto no meio do par de imagens. De um ponto de vista gráfico, está claro. Sendo que devemos afastar a possibilidade de qualquer tipo de patrocínio dos push ups da Intimissimi, uma vez que isso denotaria um claro desvio da doutrina ag!rense.

Mas desengane-se quem já está prestes a desatar aos gritos de "AHA, aí está! Já estão a falar de mamas e o catano. É isto a análise política da treta em Portugal. Conversa de taberna!" Nada disso. Aqui a conversa é de Tasca e a análise politica leva-se a sério. Prossigamos pois, enumerando mais factos importantes que todos devem conhecer acerca da AG!R: 


Tanto banzé por causa disto?
A Janinha apareceu com tudo ao léu na capa de uma revista. E não me venham com tretas que isso não é um facto político. É pois. E é bom que seja. 

Porque se o quisermos colocar no campo do nu artístico, então é uma desgraça. Na área da pornochachada fetichista, é bastante fraquinho. No domínio da fantasia do mulherio, não está mal, dado que o tipo tem barba. Mas bom, não é nenhum Silva, caramba! E se tivesse sido só por desporto, então ainda pior, que o Quaresma chegou primeiro. 

Sobra pois a alternativa, bastante socialista até, de ter sido um acto profundamente político. Aliás, com assinalável sucesso, já que toda a gente desatou a falar nisso. De amigos a adversários, passando pela própria, naturalmente. E agora toda a gente sabe o que é a AG!R! É aquela coisa da gaja grávida que apareceu nua na revista da Cristina. Qual Cristina? A do Goucha pá. Ah, essa. Pois. Está grávida? Sei lá! Mas parece que estava nua. Ui, agora é que o Goucha se passa. O que é isso do AG!R? Acho que é um movimento naturista. 

Digamos que como proposta programática a coisa não está mal: Tudo às claras! Até porque, se quisermos ser muito honestos, toda a restante oferta da AG!R é um mar de clichés e conversa bloquinha requentada, resumida assim: "Propomos um programa mínimo que é simultaneamente uma mudança máxima: vamos fazer de Portugal uma democracia de todos e não um negócio de alguns". WOOOOOOOOOOOW, inovador hein? E depois disto, ainda há malta que se concentra em mamas?

Há! Por exemplo, a Janinha. Que tratou de aproveitar a onda para aparecer em tudo o que era canto e esquina. Por si só, nada contra isso. Mas gosto mais da Lili Caneças que ao menos diz que tem que aparecer porque é disso que vive. Vive? Ainda? Ou já é o contrário de estar viva? Bem, mantenha-se o foco. Apesar de parecer sobejamente parvo que a Janinha tenha tentado encontrar uma justificação politicamente correta para a sua vontade de tirar a roupa ao pé do gajo das barbas, - o que aparentemente provocou bastante brotoeja no Daniel Oliveira do Livres de Avançar/Timeout - a verdade é que todo um novo rumo foi deduzido deste novo postulado: Natalidade! E plim, tudo faz sentido:

a) Crescer mamas para aumentar probabilidades de fecundação.
b) Fecundação, com gajo de barba.
c) Barriga ao léu em homenagem às grávidas que tanto sofrem às mãos dos Ricardos Salgados e restante Grande Capital. 
d) Votar AG!R é como ter um filho: Dói, mas é uma coisa linda!

Mesmo assim, apesar de tudo e de mais dois belíssimos argumentos, eu continuo a votar POUS! Não sei pá, estou mais virado para uma mantinha nojoelhos e um chá com um farrapinho de leite do que para ir acampar à porta de um Salgado qualquer. Desculpa Janinha, amigos sempre, mas vou antes pela Carmelinda desta vez.


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Grande questão existencial: Será que o Besleasing poderia financiar? De certo ponto de vista, pode ser considerado um bem de consumo, não pode? Ou terão sido pagas a pronto?


quarta-feira, 27 de maio de 2015

A ronda das mesas e o pano voador



- Copo de três e sande de torresmos. Era tinto, não era?

- Sim, tinto, claro.

- Que ar abatido homem. Deixe lá isso, para o ano há mais. - Não evito um sorrisinho parvo, como tantos que tenho recebido nos últimos tempos.

- Não seja cruel, Silva. Sei lá se temos outra hipótese desta. E você parece todo contente. Tem alguma coisa contra o presunto?

- Contra o presunto, nada. Aliás, se for à terrinha, traga um. Prometo que o preparo de dez maneiras diferentes, entre ovos, ervilhas e um bacalhau de truz, de modos que até a tristeza lhe passa. Mas sim, confesso que não fiquei nada chateado.

- Não percebo, prefere ter de ir à Madeira mais uma vez? Era bem feito que perdesse!

- No momento em que o seu treinador disse que o Chaves era o 5LB da Segunda Liga, passei a torcer pelos outros todos. Madeirenses incluídos!

- Oh... - E avia o tinto de um golo só, em vez dos três. Hat-trick portanto.

- Mas olhe que pensando bem, o homem tinha razão. São mesmo o 5LB wannabe. Pumbas, arrasados aos 90 + 2! - Embrulha outro sorriso parvo!

- Foi aos 90 + 3. Traga-me outro, seu anti-transmontano primário.

- 90 + 2, 90 + 3, Kelvin, Ivanovic, Tondela, é tudo derrotas do 5LB.


...

- Abatanado, ovos com cogumelos e malagueta, sumo de laranja e panquecas. Estamos com fome, coisinha linda.

- Deixe-se de lérias, seu maroto. Já sabe que daqui não leva nada. - Distende os lábios berrantemente vermelhos, vincando as rugas das bochechas. - Estou a aproveitar, já não sei quanto tempo mais vou poder pagar o seu pequeno almoço especial. Acha mesmo que ainda podem cortar-me a pensão? Esse Coelho e mais o amigo dele, o indiano da Câmara, ou lá o que seja, são uns grandes malvados. Se o meu rico marido fosse vivo havia de lhes dizer das boas...

- Não sei, minha querida. É ano de eleições, vai ver que não cortam nada tão cedo. Se calhar nem precisam de cortar depois, não pense nisso. - Minto-lhe piedosamente.

- Deus o oiça.- Benze-se e beija o dedo.

- Mas olhe, se cortarem, ofereço-lhe o pequeno almoço especial da casa uma vez por semana. Resolvido?

- Combinado! Eu pago-lhe com umas coisinhas que fui sabendo por aí, acerca de um passarinho novo que ronda a casa da sua amiguinha dos olhos claros. - Pisca-me o olho e eu sossego.

...

- Quer que ponha a sua bica em cima de um dos molhos de papel? Ou deixo no chão? E a meia torrada? Enfio-lha pelas goelas abaixo ou vai arranjar um espacinho na mesa?

- Irra, que você é chato! - Amarrota umas quantas folhas e abre uma nesga de superfície de madeira sob a resma de papel. - Bote aí, pronto!

- E então, avanços?

- Começa a fazer sentido, Silva. Acho que isto é um continuum e não peças soltas. Preciso de algum tempo mais.

- Tempo não lhe falta, avôzinho. A menos que bata a bota no entretanto, claro. - Dou-lhe uma palmada nas costas.

- Não tenho planos para morrer, meu caro. Mas nunca se sabe se não somos apenas habitantes de um grão de pó no casaco de um ser desmesuradamente maior que nós. E às vezes, sacode-se o pó da roupa...

- Isso é que é colocar as coisas em perspetiva hein? So much for the meaning of life.

- Oh, deixai-vos estar preocupados com as vossas coisas transcendentalmente importantes. Como a cor das pessoas, a sua inclinação sexual ou quem devem tramar a seguir no emprego. No fim do dia, pode ser que vos nasçam filhos. Aí começarão a perceber um bocadinho da verdade.

- Você é um lírico. E vou mas é tratar de vida, que isso dos filhos irrita-me. Parece que nascem já aflitos para se porem a mexer...

...

Grita o transmontano, lá do fundo:

- Oh Silva, parece que o seu clube contratou outro Espanhol!

- Ai sim, quem é? - Berro-lhe de volta.

- Acho que é o Kinder. Diz que vai ser uma bela surpresa e já jogou no Real.

- Quais Kinder pa! Chama-se Bueno, sua besta.

- Kinder Bueno, Mars, Pintarolas, é tudo chocolate. - Desata a rir enquanto bate com a mão no joelho.

Voa o pano húmido de limpar as mesas...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Finalmente! Gajas escocesas todas nuas.




Há dias em que tenho pena que a minha psicóloga esteja de baixa psiquiátrica. E tenha mudado o número de telefone. De cidade também, aparentemente. Sinto falta que me diga que não tem mal nenhum, logo que não desate aos tiros a pessoas, coisas ou animais. Agora que penso nisso, reparo que nunca se referiu a plantas e minerais. Que terá a mulher contra as pedras e os arbustos?

Vem isto a propósito das eleições no Reino Unido, há umas semanas valentes. Mais concretamente aos resultados na Escócia. Vocês não se lembram, mas aqui há atrasado fartei-me de bitaitar acerca do referendo Escocês, que terminou com a vitória do  Não à independência. Uns parcos meses depois, as eleições legislativas definem, também, a composição do parlamento local. E o que aconteceu? Desapareceram praticamente todas as forças politicas, exceto...os independentistas. Nestas alturas, sinto a mente como se fosse um jogo, em cassete, do ZX Spectrum, a entrar. Faz o mesmo barulho irritante e vejo tudo às riscas amarelas e pretas, como se as calças do Mathias Jabs me tivessem tomado o lugar da retina. Credo! E navego:

" - Hey! Mas o que vem a ser isto?! - Diz ele, com o telefone dela na mão. - Um sms badalhoco do Coiso para ti?! Não tinhamos já resolvido isto?

Ela atira os cabelos ruivos para trás e semi-sorri, um pouco incomodada. Mais pela invasão do que pela indignação. Põe as mãos na cintura e diz convicta:

- Na na, meu menino. Eu disse-te que ficava em casa, contigo. Mas nunca te prometi que deixava de me enrolar com o Coiso.

- Ai! Então e o carro novo, as férias, o cartão de crédito ilimitado, o seguro dentário e tutti quanti? Bolas, foste tu que escolheste. E agora isto? Merda pa! - Atira o telefone para cima da cama, com mais resignação do que violência.

Ela aproxima-se, com o seu andar bamboleante, a calhar, por aí. Pega-lhe nas mãos e coloca-as na sua cintura. Ele sente as curvas perfeitas da anca e a textura da pele lisa. Sente-lhe o cheiro, a um tempo doce e selvagem. Ela mordisca-lhe o pescoço e diz baixinho:

- Ora querido, mas é claro que quero isso tudo. E sei bem que só tu me darás tudo aquilo de que preciso. Não te preocupes  dear, eu não vou a lado nenhum.- Cola-se a ele. Deixa os seios apertarem-se contra o peito dele. Ele choraminga, enquanto a mão passa por baixo da saia e testa a firmeza suave de um gluteo:

- Até os pelos púbicos rapei por tua causa...

- Ainda bem love, eram horriveis. E podias usar um kilt de vez em quando, hein? - Lambe ao de leve o lóbulo da orelha e suspira quando sente a mão dele no interior da coxa. Ele sussurra:

- E o Coiso? - Ela responde num gemido:

- O Coiso já usa. Adoro!"

O Sean Connery é que a sabe toda.

...


- Oh sôr Silva, e as gajas nuas? É sempre a mesma porra, chiça!

- Ah, pois. Depois ela foi tomar banho. E embora não se pudesse já ver, existe uma forte possibilidade de que estivesse toda nua.