quarta-feira, 26 de abril de 2017

A reprodução assistida da mula Russa



Existe um setor de atividade, chamemos-lhe Indústria - para ficarmos a par dos soberbos entendidos em tudo e maijalguma coisa e ainda na reprodução assistida da mula Russa - em Portugal, cujas receitas ascendem a cerca de 46,5 milhões de euros. Pelo número, não poderemos considerar que se trata de uma fileira de particular importância na Economia do país, menos ainda pensar que estamos perante um setor estratégico para o nosso futuro.

Se olharmos, no entanto, para a dimensão do mercado nacional e repararmos que a verba acima é totalmente realizada sob a forma de comissões de intermediação, já a coisa pode ser observada por uma perspetiva diferente. Tendo em conta a regulação e, na sua ausência, o uso transversal à atividade económica no que respeita a comissões, podemos admitir estar na presença de um movimento de capital que representaria, no máximo, 25% do valor do respetivo mercado. É bom de ver que estou a ser estupendamente conservador. Ainda assim, passamos a 186 milhões de euros, o que é bastante diferente dos menos de 50 anteriores.

Juntando a estes pequenos números o facto, não quantificado, mas muito quantificável, de isto tudo ser Futebol, a dimensão da análise teria que ser brutalmente incrementada. Teria que envolver a Política, o tecido Social, o Empresarial, o impacto na Economia Real, enfim, o sem número de coisas que o Futebol, em Portugal, envolve. Tudo, portanto.

Como não tenho tempo, nem paciência, nem conhecimento, nem vontade de copiar - pelo que não poderia saber o que quer que seja acerca da reprodução assistida da mula Russa - vou, com a vossa condescendente Misericórdia, deixar-me estar por aquela pequena horta urbana dos 46,5 milhões de euros.

Estas comissões são pagas aos chamados "Empresários". O que eles fazem todos os dias é assistir jogadores de futebol em negociações. De transferências, contratos, direitos de imagem, estabelecimento de resultados de jogos... errrr... não, a última não, só as anteriores, pois claro.

Estes moços da intermediação são, grosso modo, os responsáveis pela gestão da carreira do profissional da bola. No fundo, os tipos em quem os últimos depositam a confiança, e a esperança, de alguma vez chegarem ao topo da sua profissão. Ou a um lugarzinho seguro que lhes permita alguma tranquilidade. Ou, pelo menos, a "o maior aqui da rua". Vejam bem que o cachopo chegou a ser suplente do Salgueiros. Antes de terem subido aos nacionais.

Enfim, malta de casa do fintabolista e cujos conselhos devem ser parte importante do serviço prestado. Pago à comissão. Por clubes.

Mantendo o tom economicista, os 46,5 milhões de euros em disputa pelos vários atores deste mercado, têm diferentes fontes: 64,5% da receita total do mercado provem de uma agremiação com sede em Carnide; os restantes 36,5% dividem-se por TODOS os restantes atores, com destaque para os 13% de uns senhores da zona das Antas, no Porto; e para os 10,5% do valor total atribuídos a um grupo aristocrata meio falido, com origem no Campo Grande.

Como não estou a entrar numa de análise subjetiva, nem tão pouco a recordar o que dissemos nós, malta das Antas, acerca do pagamento destas comissões por parte da nossa coletividade, peço que atentem ao facto de NENHUMA suspeita ter sido levantada. A atividade em causa é legal, os dados apresentados têm origem no máximo regulador do setor em causa, o pagamento das ditas comissões encontra-se regulado e os agentes do mercado estão devidamente credenciados.

Isto tudo serve apenas para chegar a uma simples constatação:

Se a pessoa quiser prosseguir a carreira como "Empresário de Futebol" em Portugal, tem algumas opções disponíveis.

1. Internacionaliza, procurando ganhar a sua vidinha em mercados mais fartos, utilizando a Pátria como se de um país subdesenvolvido no coração de África se tratasse: Saca-se toda a matéria prima, distribuem-se subornos a eito, controlando toda a produção que, posteriormente, se vende com lucro basto no Mercado Global. Pelo meio, criam-se dois ou três privilegiados que tratem de manter o status quo e uma ou outra incubadora para os bezerros.

2. Procura fazer crescer o mercado Português, tendo em conta a evidente disparidade reinante. Se há três grandes e um sozinho paga o triplo dos outros dois juntos, deve haver margem para os últimos crescerem imenso. Ou então não...

3. Esforça-se o suficiente para furar até conseguir, ele também, mamar numa teta da Grande Vaca. Leite é que não faltará, pelos vistos.

O que a terceira opção possa representar em termos de auto-golos, passes falhados, frangos do guarda-redes e negócios menos claros, é mera conjetura e pura especulação. Provavelmente, mal intencionada. Não há para isso espaço numa análise económica séria. Sendo que eu percebo quase tanto de Economia como de bola.

Já acerca da reprodução assistida da mula Russa, dou uns toques.

...

Soundtrack to milking cows: I think i'll buy me a football team...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Oh Mister...

Mete no Heldon que ele apanha!


- Tájaki a fazer, pá?

- Então Mister, saiu-me numa raspadinha ser seu adjunto por um jogo. Prémio é prémio.

- Ah. Olha, pena não teres aparecido para a palestra. Ou teres trazido a Cremilde. - Enquanto acaba de limpar ojóculos.

- Pois, paciência. Ui, já vai começar. Vamos cair-lhes em cima, pois vamos Mister?

- Hã? Não vês mesmo um boi de bola, credo! Já começou há uns vinte minutos.

- Ops, pensei que era o aquecimento. Os titulares às riscas, contra os suplentes todos de azul...

- Ah, foda-se, mais uma oportunidade desperdiçada! - Senta-se no banco, a abrir uma garrafa de água.

- Oh Mister, o gajo fez uma bicicleta no meio de alguns trinta defesas. E a bola saiu quase na bandeirola de canto. Da nossa baliza.

- Talvez, mas vês como resulta fixar o Soares e dar liberdade ao Silva? Assim o tipo entra nos espaços e consegue fazer estas coisas. Se me arranjarem um flipboard, explico-te. - Levanta-se.

- Errr... oh Mister, talvez resultasse, majékestá ao contrário. O Silva está fixo e o Soares anda ali às voltas. Se calhar trocávamos, não?

- Na, agora não vale a pena, é intervalo. Vou substituir alguém, antes que digam que não ando aqui a fazer nada. - Manda aquecer malta ao calhas.

- Pois, isto assim não vai lá, não. Talvez não seja preciso ter quatro defesas e mais o Danilo. Que lhe parece?

- Epá, tástolinho? E o equilíbrio? E se perdemos? Temos que assegurar a manutenção. Vou meter o Tarantini para dar ordem ao miolo e lançar o Kuca nas costas dos defesas. Estes filhasdaputa castigaram o Heldon na pior altura, foda-se! - Arreliado.

- Oh Mister, está um bocado baralhado, não?

- 'Safoda, tira aquele pequenito que consegue fazer variações de flanco. Irritamessamerda!

- Mas...mas...

- Caluda! Katrodoiskatro e é já. Catrapumba lá para a frente e esses peidas gadochas que corram pela vida. Somos Porto! - Bate no peito.

- Oh Mister, majolhe que a malta não parece assim muito fresca, não se vão aguentar ao kick and rush. Se vamos voltar à bola para a mata, mais valia meter o pinheiro.

- Boa, bem visto! Manda aquecer o Guedes. - A caminho do balneário.

- Não Mister, o Depoitre. Certo?

- Quem? Esse é o Congolês? - Para à entrada do túnel.

- Deixe lá Mister, meta o Otávio, caguei!

- Isso, mete esse. Pode ser coxo, majómenos dá-lhes cabo da paciência. Farto-me de rir com esse Choco Frrito, pá. É danado, o pequenitote. - Desaparece lá para dentro.

Um cigarro e dois ou três sms depois, eles voltam ao relvado.

- Oh Mister, correu bem a conversa ao intervalo?

- Espetáculo. O tipo estava no iate, quase sem rede, e mesmo assim arranjou maneira de me ligar. Foda-se, é assim que se vêem ojamigos. - Manifestamente satisfeito.

- Hã?

- 'Tão, o Jorge. Olha, olha, lá vai um minorca deslargado a correr. Vai, coisinho, vai! - Junto à linha.

- Penalty! É penalty! Gatuno do caralho, filhadaputa, cabrão de merda, era apanhar-te numa viela e foder-te essas trombas, paneleiro!

- Eeeeeh, meeeenooosss Silva, muito menos. Daqui dondestamos lá se vê se é penalty?! Tento na língua, meu menino. Se dizias isso em Francês, já estavas na rua. E era muito bem feito. - Com ar sério.

- Porra Mister, atão não se vê? É saltar já pra cima do quarto árbitro e do bandeirinha e do delegado da Liga e do massagista e da putakuspariu a todos! ´Bora lá! - A caminho do bando de malfeitores.

- Shhh, cala-te, deixa ver a bola. - A agarrar-me por um braço. -Ui, lá vão dois coisinhos desmandados outra vez. Que exibição de gala, foda-se!

Ahhhhh, merda, o redes defendeu. Epá, oh Silva, tem calma, deixa lá as garrafas d'auga em paz, fizeram-te algum mal? Vamos manter a compostura sim? - De mãos na cintura. - Devias estar contente. Zero oportunidades de golo na nossa baliza e ainda lançámos um contra ataque quase perfeito. Viste bem a simplicidade? Três toques, pá. Kais posse, kais merda. É dedo de treinador, hein?

- Mas...mas...foi o Casillas que meteu no Jota! Não conseguimos chegar lá à frente sem ser a ganhar metros como no râguebi...

- Pois, pois foi. Achas que meta o Cássio e puxe o Espanhol para o meio-campo? Ganhávamos criatividade, não te parece? - A olhar para o campo, enquanto cofia a barba.

- Qual Cássio, caralho?! E o gajo fejakilo com as mãos, foda-se. Agora no meio-campo, caralhostafodam! - Fartinho dele.

- Yep, és capaz de ter razão. No meio-campo os senhores árbitros eram moços para marcarem falta. Às vezes não és tão tapado quanto pareces, oh Silva. Ah caraças, outro canto. Agora vai! - Junto à linha, uma mão na anca, o outro braço estendido, a apontar para o infinito.

- Penalty! É penalty! Gatuno do caralho, filhadaputa, cabrão de merda, era apanhar-te numa viela e foder-te essas trombas, paneleiro! Outra vez!

- Oh Silva, mas estás parvo? No meio da molhada há sempre agarrões e puxões, é normal. Comigo não tinham sorte nenhuma: Um metro e noventa e tal e cento e uns quantos quilos de peso. A mim ninguém me derruba, pá. - Soberbo.

- Oh Mister, isto está a darajúltimas. Vamos empatar e entregar o Campeonato?

- Nada disso, Silva. Se empatarmos ficamos a três. Ainda dá. Se perdemos é que estamos fodidos.

- A sério?

- Oh, não me melgues. Só para nuntóbir, vou meter um gajo qualquer lá à frente. - Vira-se para o banco.

- Agora? Já fez as três substituições.

- Aaaaaah, bem me parecia que aquele moço dajórelhas não estava lá de principio. Majeu às vezes baralho-os, sou péssimo a recordar fisionomias. - De olhar perdido no relvado.

- Acabou Mister. Empatámos em casa, com o Feirense! Depois do Setúbal... Como é que vamos explicar isto? Tamos bonitos, tamos...

- Oh, que queres? Com esta arbitragem, era impossível! Gatuno do caralho, filhadaputa, cabrão de merda, era apanhá-lo numa viela e foder-lhe aquelas trombas, paneleiro!

- ...

- Pois, desculpa lá a linguagem, Silva. Vou moderar-me. Mas que a culpa é dele, disso não tenho dúvidas. Agora. mesmo no fim do Campeonato, quando eu já não previa, lá aparece o manto protetor, o colinho, o Polvo. Buuuu, buuu, vergonha.

- Oh Mister, majolhe kistandássim desde... - Interrompido por um gesto de mão.

- Shhh, cala-te, deixóbir os xôres jornalistas.

...

O Campeonato NÃO acabou. A única coisa que encontrou o seu final, foi a possibilidade de o FCP o vencer. O que não quer dizer que o 5LB não o perca. 

Ninguém recua! Mesmo que a convicção seja...esta que hoje me acompanha.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Coisas e acontecimentos, por Charles Fenêtre


Detesto escrever acerca de evidências. A menos que sejam coisas que me pareçam não serem assim tão claras para as outras pessoas.

Pfff, arrogantezito de merda, vem agora ensinar os pobres de espírito, kéjbêr? Oh sim, grande Mestre Silva, derramai em nós a Luz do vosso supremo Conhecimento. Basicamente composto por uma resma de lugares-comuns; duas paletes de estupidez; meia tonelada de doenças mentais, algumas delas desconhecidas - tonelada inteira, pronto; bastas arrobas de boçalidade, muitas das quais preconceituosas; e uma pitada de bom humor, reconheça-se.

E eu derramo. Que sou bem mandado. Procuro é evitar acertar nojolhos, que diz que arde de caraças.

Agora, assuntos que se me apresentam tão imediatamente evidentes até para uma amiba, não sei pá, parece que a mim é uma cena que não me assiste. Aaah, os clássicos...

Por exemplos, assim ao calhas, todas as questões que vão envolvendo - qual lodo - o panorama fintabolistico nacional. Dizer o quê, senão evidências?

Confesso que me deixa de alguma forma confortável, esta possibilidade de poder ser um burro a olhar para um palácio. E perceber lindamente a estrutura arquitetónica do edifício. Há momentos de tão despudorada transparência - de processos, de intenções, de objetivos e meios para os atingir - que até nós, os burros, conseguimos ver a Luz.

Já se evita que ande a pessoa a derramá-la.

...

Perante isto, tentei abordar os indivíduos que julguei mais adequados, no sentido de escreverem uma posta acerca do assunto ou, em preferindo, darem uma entrevista à TascaTV.

Infelizmente, nem o Donale, indisputado especialista na criação de factos alternativos, que tanto jeito poderiam dar; nem o Prof. Marcelo, cuja omnipresença nos deixaria, por certo, uma visão do interior dos próprios acontecimentos; se mostraram disponíveis para chafurdar nesta lama. Oh well...

Por estes motivos, recorri a um reputado analista independente, de maneira a verificar se, na verdade, o que me parece tão evidente que nem precisa de ser dito, é mesmo como o vejo.

Assim, e com antecipados agradecimentos, aqui vos deixo a visão, enviada por e-mail, de Charles Fenêtre, comentador completamente independente e analista tão isento que chega a meter raiva de coisas e acontecimentos.

...

COISAS E ACONTECIMENTOS DO FUTEBOL EM PORTUGAL
Por Charles Fenêtre


1. Suspensão de Brahimi

Apesar de todo o banzé que pretende o "velho Porto" armar em torno do Conselho de Disciplina, e do seu impoluto líder, o xôtor , trata-se de uma decisão perfeitamente justificável e que, quanto muito, peca por branda.

Estamos perante uma das primeiras manifestações de Islamismo radical em Portugal. Nestas coisas, há que cercear o mal logo no inicio, não vá o cancro alastrar. Reparem que, para além de injúrias de tal forma graves que nem se chegam a perceber, há informação cabal de que o quarto árbitro foi perdigotado.

O recurso agressivo a armas químicas encontra-se bem documentado, sendo ainda agora noticia. Mais uma vez, os verdadeiros Portugueses contam apenas consigo próprios, com a sua Paixão e Determinação, para superarem os mais torpes ataques de que continuarão, seguramente, a ser alvo. Rumo a um numero que agora não me lembra.

Alguns factos muito curiosos que convém não ignorarmos, na sequência do cobarde atentado Islâmico em Braga:

a)   A queda de um avião, em Tires

Há relatos de testemunhas oculares, nomeadamente o estuprador de Cascais, que asseguram que o piloto da aeronave estava cheio de perdigotos. Ao contrário de Tiago Antunes, esta vitima do terror não terá sido educada sob o manto protetor desde pequenina, pelo que deveria apresentar fraca resistência ao agente patológico perdigotado.

b) O surto de sarampo que atinge a Pátria. E as Famílias. Vai-se safando, até ver, o Fado. Do Futebol, estamos conversados.

É curioso que esta questão se apresente precisamente nesta altura. Quantos de nós teremos estado já sob ameaça de múltiplos perdigotos, carregadinhos de sarampo? Vamos acreditar em coincidências?

2. As  ridículas comparações 

Trata-se da já esperada fuga para a frente do "velho Porto". Não há nada de comparável com, por exemplo, o suposto caso Luisão. Por dois tipos de razão:

a) Nenhum registo sugere que Luisão tenha perdigotado o árbitro, o que afasta imediatamente qualquer suspeita de ataque bioquímico.

Mais, Luisão nem sequer fuma cigarros eletrónicos, irritantes geringonças que expelem cuspo, muito típicas dos aliados dos radicais Islamitas. Esquecem-se esses separatistas asquerosos que a Pátria também tem aliados

b) Há que atentar ao detalhe dermatológico da questão. Luisão é claramente uma pele normal/seca. Já o enviado do Estado Islâmico será, com a maior benevolência, uma pele de tendência oleosa.

Logo aí se vê onde está a maior probabilidade de provocar asco ao visado. Uma coisa é encostar uma testa sequinha a outra; completamente diferente, é a pessoa sentir o sebo Muçulmano a escorrer-lhe para a pele. A reação alérgica passível de ser provocada por esta via, é muito próxima de um choque anafilático. Não exageraremos se considerarmos tal ato como uma tentativa de homicídio qualificado, por nojo.

É aqui que, muito sabiamente, o Conselho de Disciplina separa o atentado de Braga, do reflexo motor do jogador Samaris. Na verdade, o segundo caso quase não merece punição, tratando-se visivelmente de um gesto mecânico na perseguição da bola. No meio de tanta pretalhada, o mais normal era nunca mais se saber do esférico. Daí que, para este caso, seja necessária a audição de muitas e variadas testemunhas, nomeadamente o senhor Luciano Gonçalves.

Não vamos permitir que se coloque no mesmo saco uma tentativa de assassinato, uma troca de impressões tête-à-tête e um gesto reflexo. Lutaremos com todas as forças da Pátria e com a nossa Determinação inabalável e isso tudo, para que tal não aconteça. Se preciso for, chama-se o Governo. Nem tem que se ir muito longe que costumam estar na tribuna.

3. Pirataria

Para os que possam pensar que se trata da Teoria da Conspiração e que não existe uma célula terrorista em plena laboração na Galiza Portuguesa, o último ato de sabotagem dos mais elevados interesses nacionais, está prestes a ser desmascarado. É nos Tribunais, na Justiça, que é cega mas implacável, que estes traidores da Pátria encontrarão o castigo.

Até porque no campo...está mais difícil do que era suposto, chiça...

...

É-me tão difícil entender que tanta evidência junta resulte em menos que um balde de merda, que me predisponho a tomar por boas as explicações acima. Sei lá pá, vai-se a ver, é isto que a Nação pensa.

Eheheh, agora fiz uma boa piada, hein? A Nação pensa, bahahahahahahahahahahahahahahahaha...

... 

domingo, 16 de abril de 2017

Ironias dos tempos (Adenda: Silva & Torres)



Ora biba. Long time no see, uh? Como se tivessem alguma coisa a ver com isso, cuscos do catano.

Ah, e Boa Páscoa. Aposto que estão praí a arrotar cabrito e arroz de forno, com essas barrigas mais parece que engoliram um capacete. High five, minha comunidade de alarves, são o orgulho do tio Silva. Burp.

...

O hábito e a falta de tempo, ou a falta de hábito para arranjar tempo para pensar, levam-nos a ignorar o significado profundo das coisas. Ficamo-nos por aquilo que é imediatamente perceptível e a forma como isso influencia, ou não, as nossas vidas. Nos sentidos mais comezinhos (hey, xôr Lima) de vida e de influência.

Olha, a Páscoa, já que aqui estamos. Aposto que a maior parte das pessoas remete lá para os confins da mente o seu significado, fazendo corresponder à data o borrego. Talvez a família, numa espécie de Natal intercalar. Se vivem em pequenas cidades ou - sortudos! - ainda no que resta das aldeias, provavelmente anda um bando de gente atrás de um Padre, de casa em casa, a dar a Cruz a beijar.

Diga-se que é um nojo de hábito, dada a quantidade de pessoas que mete as beiças naquilo em antes de a pessoa lá colar as suas. Quem é que quer beijar na boca, via a Cruz do Senhor, o Toni Vinho Tinto, bêbado de vocação e vomitão inveterado, por causa de um fígado com fraca tolerância ao álcool?

Mas se pensarmos bem, faz todo o sentido. Na verdade, anuncia-se - daí o sino - a Ressurreição de Cristo. Foram ver à tumba e andava o moço na boa-vai-ela, ressuscitado da Silva. Este grupo de pessoas, mais o Padre, vai de porta em porta, cumprindo a tradição de levar a boa-nova ao Povo do Senhor: Hossana, Jesus vive. Pega lá uma beijoca repenicada. O que a gente já te tinha chorado, catraio.

Na minha opinião, um tipo estar vivo depois de morrer é um facto digno de ser anunciado, pelo que não tenho nada contra o hábito do beijo na Cruz. Mesmo que não a beije eu.

E logo aí começa a comezaina, porque a casa recebe a comitiva anunciadora com vinho e folar. Hoje em dia, não falta o croquetezinho, o mini rissol, a batata frita de pacote. E vinho. Com sorte, um gin tónico ou um mojito, que a religião se está a modernizar.

Ou seja, um dia todo de festarola, cujo significado, mesmo quando não pensamos nele, é a vitória sobre a Morte. Que seja a de Jesus, é uma ironia dos tempos.

...

O que me parece mal, é ser Cristão, de fato e gravata se for preciso,  ao Domingo, à conta do cabrito e do ar casamenteiro da festa; e, sei lá, Budista ou Hindu, à Sexta Santa, por falta de pachorra para o Calvário.

Para mal da sua sorte, o FCP jogou no Sábado. Nem Sexta, nem Domingo. E não ganhou. Motivo basto para que Cristãos de Domingo, Budistas e Hindus de Sexta e tutti quanti, desanquem forte e feio em tudo o que mexe, desde que não neles próprios.

É uma coisa típica das paixões, a catarse das frustrações que elas implicam pela atribuição da culpa a algo exterior. Nem culpa do apaixonado, nem culpa do objeto da sua paixão, antes de algo - ou alguém - que, interpondo-se entre ambos, lhes provoca angústia e sofrimento.

Por exemplo, a culpa do sofrimento de Cristo antes da Cruz, é do Pecado que cobre o Mundo e do qual ele, apaixonado pelo seu Povo, nos vai libertar não tarda nada. Ergue-se a Cruz e Perdoa-lhes Pai, que Podias muito bem ter mandado uma porra de um raio no cachaço desta gentinha e já me tinhas poupado a uma série de sevícias, dass.

Lá está, a Paixão de Cristo também é culpa de Outro, mesmo que esse seja Eu, na Unidade do Espírito Santo. Que assim se ore, também é uma ironia dos tempos.

...

Eu, que andei a bradar que o FCP era bom era com três médios e o André Silva de inicio, não me sinto lá muito Católico se hoje desancar a equipa com que NES entrou em campo, em Braga. Por isso, digo já que aplaudi convictamente a opção e defendo que esteve muito bem o treinador. 

Correu bem? Não, correu mal. Mas isso soube depois, na altura em que, para descarga da minha raiva de não ter vencido, podia muito bem esquecer-me convenientemente do que tinha defendido tão apaixonadamente. Só que não.

O treinador mudou muito cedo na segunda parte e a coisa melhorou bastante. Nem por isso me verão dizer que este sim, é o sistema ideal, é preciso ser muntaburro para não perceber isso. E ainda menos me vou pôr a dizer que o técnico não consegue mudar o jogo. Então mas se mudou, como não consegue?

Creio que roçam o pecado as coisas que tenho lido desde ontem acerca da raça e do querer da equipa. Eu não o posso fazer, até porque se há mérito que há muito concedi a este grupo e ao seu líder, é precisamente a união e o espírito de missão que demonstram. 

Seguramente, os que desde ontem, subitamente, duvidam disso, não puderam ver o abraço de uma estrela internacional, substituída aos dez minutos da segunda parte, ao treinador aquando do empate; e não foram ainda informados da forma como Yacine sofreu os cerca de dez minutos que não jogou. Na verdade, não terão visto o jogo, é o que eu acho.

Da sorte não nos podemos queixar, até porque há postes que valem campeonatos. Mas lá que o Danilo se armou em poste quase no fim do jogo, lá isso armou. Tivemos portanto a nossa oportunidade cantada de ganhar o jogo. O que se diria desta equipa e até deste treinador, se esse lance tivesse o desfecho mais provável? 

O árbitro acertou no penalty de Oliver. Falhou em dois lances na área do Braga e manifestou uma dualidade de critérios tal, que até em Jerusalém se percebe agora porque é que o Pizzi ainda não viu o quinto amarelo. Toca piano como os outros, este Hugo, mas tem a vantagem de ter um colega que fala Francês

Se até aqui defendi que os árbitros têm tido o papel principal neste campeonato, porque iria agora ignorar o Hugo? Para melhor desancar em quem me apetece? Seria estúpido, não? Não? Ai não? Como não? 

O FCP tem que ser extraordinariamente competente e os seus adeptos devem exigir essa competência. O que não podem, é aceitar que joguemos com regras diferentes. Se o FCP for pior do que os outros, ainda assim os penalties a seu favor devem ser marcados. Se não são, somos roubados. Em Braga, mais uma vez, fomos. É simples.

Bradar-se aos quatro ventos, hoje, que o FCP hipotecou o campeonato em Carnide e depois em Braga, é um disparate épico. Como se jogássemos sozinhos. Empatar nos galinheiros não é nenhuma tragédia, mesmo neste momento da época. Muito menos não tendo sido piores que os nossos adversários, até pelo contrário. 

O que tornou esses em jogos de vida ou de morte, foi o empate em pleno Dragão com o Setúbal. Esse sim, O erro! Mas se repararem bem, ao retomarem a calma, notarão que ainda respiramos. E pelo que jogámos em Carnide e no Minho, não vejo - mesmo! - porque não haveríamos de ganhar em Chaves ou no Funchal. 

Que hoje se comemore, como já assinalámos, a ressurreição de Alguém julgado morto, deve ser uma ironia dos tempos.

...

Sabem que nutro por Jorge Nuno Pinto da Costa uma admiração capaz de me enviesar a análise. Mesmo dando esse desconto, não consigo compreender que, precisamente no dia em que deixa o senhor Secretário de Estado e restante pandilha a falarem sozinhos, tanta gente venha, de novo, zurzir no nosso Presidente. Mas serão adeptos dos Arcebispos e ficaram ofendidos?

É muito curioso que tanta gente diga tantas vezes que Pinto da Costa só fala depois de vitórias, esquecendo-se de que eles próprios só falam nele depois de derrotas. Por certo, uma ironia dos tempos. 

...

O mais engraçado é que esta malta não precisava de me irritar. Porque tinham coisas para dizer:

O Porto entrou mal e sofreu por isso. Aí está um bom e certeiro argumento. Não pode ser assim.

Talvez se devesse manter Brahimi até ao fim. Afinal, ele carregou a equipa às costas. Olha, outro ponto muito válido e passível de uma boa discussão.

O Presidente lixou-se para a Tribuna onde se festejava a derrota do FCP, mas é falso que tenha ido ver o jogo para ao pé da restante SAD. Quer dizer, a SAD estava lá, mas não era só a SAD, certo? Ou devemos ser informados de alguma alteração no seu elenco? A propósito do que, na melhor das intenções, estás um pedacinho anafado, não estás Alexandre?

Mas já se sabe, requer que pensemos um pouco nas coisas e fica-nos a faltar o momento de alivio em que detétamos todos os males do Mundo - do que nos interessa - e ganhamos condições para, mudando-as, termos um Mundo melhor amanhã. A catarse, enfim. 

Que nada façamos em consequência disso, é só uma ironia dos tempos.

... 

Tudo somado, a luta continua e eu continuarei a apanhar todas as toalhas que os meus atirarem ao chão. O sorriso "ainda vão acabar a apanhar no cu, seus filhosdumagandaputa" de Tiquinho Soares, ao repetir "Não acabou!", na flash interview, aumenta e renova a minha esperança.

Que o meu desejo mais profundo - em coisas da bola - para os próximos tempos, seja que Jergo Juses esteja o mais próximo de ser Campeão Nacional pelo FCP do que estará alguma vez na sua vida, é apenas uma ironia dos tempos.

... 

Forces of the Northern night, call to arms!

...

Silva & Torres

Sempre atento e coerente, o Anónimo, O Verdadeiro, chamou-me a atenção - ver comentários abaixo - para a sua embirrância de estimação com Oliver "Rotundas" Torres e o contrapeso Silva. Maior a primeira do que a segunda, creio.

Sendo eu um acérrimo apreciador das qualidades de ambos, e no espírito deste post, não posso deixar de dizer que Silva & Torres foram uma absoluta nulidade no jogo de Sábado. E isso contribuiu basto para a primeira parte menos conseguida. Não sendo habitual individualizar estas apreciações, neste caso faz-me sentido que aconteça, para que não fique aquela lampiónica sensação de assobio para a atmosfera quando a coisa não me interessa.

Por falar em atmosfera, podia a intervenção do primeiro ter sido bastante mais engraçada, tivesse Soares respeitado o movimento perfeito de segundo avançado do Silva e entregado a bola para golo, em vez de optar por chutar no ar. Oh well, shit happens.  

sábado, 15 de abril de 2017

O xôtor não é polícia



Pela janela sobre o campus, ele aprecia o movimento corriqueiro dos adolescentes de mochila. As roupas a escassearem, comprovam o aumento súbito da temperatura. O que o seu enésimo fato escuro, demasiado largo para a carcaça que envelhece, negaria à primeira vista. Abençoado ar condicionado.

As mãos atrás das costas, no entanto, vincam-lhe a posse. É o seu pesado e meticulosamente organizado gabinete: A sala do senhor Diretor, a casa da ordem e disciplina, vista pelas lentes da eterna armação de massa preta, o Reino. Em contraste com o apartamento frugal, as refeições congeladas com etiquetas do respetivo dia da semana e a absoluta ausência de qualquer contacto não mediato.

A propósito do que, lembra-se, deve estar na altura de ligar à Valdineide e aliviar uma ânsia cada ano mais espaçada. A própria profissional um porto seguro, de hábitos conhecidos e cheiro familiar. Já há uns anos que, por caridade ou à vontade, lhe trata também dos botões das camisas e de um ou outro buraco nas meias. Alguma noite, cansada do frio lá de fora, deixou-se ficar e acordou para ele, sentado na cadeira, pronto para sair, à espera que o corpo estranho lhe desaparecesse do covil. O mais próximo de um amigo que ambos conhecem.

A voz metalizada quebra-lhe o olhar perdido:

- Senhor diretor, está aqui o senhor doutor.

Ele suspira. Preferiria evitar uma conversa que sabe inútil, mas o convicto sentido do dever impede-o. Os ombros descaem-lhe ao responder no seu tom grave:

- Mande-o entrar por favor, Maria Clara.- Senta-se na cadeira de couro castanho, apoiando as mãos nos braços coçados.

...

- Viva, senhor diretor. Espero que não seja nada muito demorado, tenho um dia deveras preenchido. - Anuncia, sentando-se, com o à vontade da alta patente que está em casa em todo o lado.

- Muito obrigado por ter vindo, senhor doutor. Tenho pena que nos encontremos quase sempre em infelizes circunstâncias e por motivos tão recorrentes.

- Homem, não me vem com mais queixinhas, pois não?

O diretor sente as bochechas aquecerem, perante a despreocupada arrogância do outro. Diz:

- Bom, a verdade é que continuamos... - O senhor doutor interrompe:

- Escute lá, você nem imagina a quantidade de insultos que eu tenho para multar, homem. Por isso, vá direto ao assunto, se me fizer o favor. - Agita-se na cadeira, impaciente.

- Pois seja. Os seus cachopos voltaram a arranjar chatices. Estou certo que o senhor doutor lhes dá uma esmerada educação em casa, o que só aumenta a minha preocupação com os petizes. Talvez o facto de não merecerem castigo lhes passe a mensagem errada, digo eu.

- Ora, ora, não sejamos pieguinhas. De que se queixam agora os seus alunos florzinhas? Alguém lhes chamou lampiões ou assim? Cálculo que não, pelo que não vejo o que possa ser assiiiim tão grave.

- Não, senhor doutor. Mas o seu Luisinho atacou selvaticamente o tendão de Aquiles de um coleguinha. Capaz de o deixar manco pra o resto da vida.

- E é isso? - De olhos muito abertos.

- Na verdade, não. O outro, o que fala de uma maneira esquisita, enfiou uma murraça noutro menino. Um pretinho.

- Aaaah, agora a escola discrimina positivamente pela raça, é? Se for branco e falar estranho, é mau. Se for preto, ai coitadinho que não se lhe pode tocar?

- Nada disso, senhor doutor, isso é um argumento um bocado parvo, desculpe a frontalidade.

- É como quiser. Detesto queixinhas e não tenho tempo nenhum para estes disparates. Diga lá o que quer, a ver se me deixa ir trabalhar. Sabe por acaso da importância da minha posição?

- Claro que sim, senhor doutor. Mas... - O doutor levanta-se, exasperado. Interrompe, com os nós dos dedos no tampo da secretária de mogno:

- Oiça, diga lá o que espera de mim e deixe-se de tretas.

- Quero apenas saber o que pretende fazer quanto a estas agressões, senhor doutor.

- Eu?! Nada, pois claro. Eu cá não sou polícia!

...

E nem videoárbitro, senhor doutor Meirim. Já cá se sabia.