terça-feira, 23 de maio de 2017

Manchester

Diante dos olhos, as mãos, ocupando todo o campo de visão. Assim, perto, vazias. Fecho-as em punhos, para se revelarem, enfim, na sua essência: Impotentes. Deixo-as cair estrondosamente no tampo, uma, duas, as vezes necessárias até à dor. Para ter a certeza que Sou, que não me deixei evaporar, como desejei naquele breve e inesquecivel nano-segundo. Derrotado, vazio, impotente. Como estas mãos que agora enxugam discretamente uma água que me escorre pelos flancos do rosto. As alergias. Uma chatice, já se sabe.

A festa dos petizes explodiu. A cantoria da Ariana rebentou. A música é fogo-de -artificio, digam o que quiserem os heróis instantâneos, fogos fátuos eles próprios. É festa e alegria e isso também é feeling. E mata.  

Eram os miúdos. Os nossos, os meus, os teus, os do assassino que os levou e das mães que serão obrigadas a celebrar a morte daqueles filhos que não pariram. Mas que lhes pertencem. Porque são do Mundo em Londres e em Alepo, nos cemitérios povoados do Cairo e nas escadinhas de Lisboa, nos escombros de Cabul e nos gloriosos entardeceres do Porto. São meus! E mataram-nos.

Procuro no escuro o lençol. Estico-o até lhe cobrir o ombro. Perco mais um segundo do que o necessário até lhe dar o beijo que ela nunca sente. Pouso a mão na sua companheira de ocasião, maior, mas igualmente bebé para estes olhos. Hoje. Respiram e estou grato. 

A minha Alma chora o pedaço delas que morreu em Manchester. Sem encontrar planos de vingança ou de retaliação, incapaz de me convencer que a Vida continua. Por agora. Caída, a Alma como as mãos. Segura apenas pelo calor dos corpos adormecidos. Pelo Amor, talvez.

O cão abana a sua ausente cauda, cumprindo o ritual das nossas manhãs muito cedo. O gato virá. Eu despedi-me de todos. Porque é neste miserável Mundo de Adeuses que nos obrigam a viver. Até que pela força das nossas mãos os façamos explodir, a eles. Mas eles também somos nós, também são nossos, também os parimos. E as mãos...ai as mãos, estão trémulas, anestesiadas, inúteis.

O Planeta dos Homens chega-me pela TV. Um estúpido aponta um monstro, em visita ao Banco do Terrorismo. Descendentes de uma civilização milenar olham-no, estupefactos. Perguntando-se como - Oh Deus, como? - pode um camelo chegar a líder do "Mundo Livre". Na Ilha, talvez pensem que o melhor é murá-la. Não vá algum Mexicano fazer-se explodir. E a minha derrota agrava-se a cada minuto.

No balanço de um comboio atrasado, preparo-me para as condolências, para as manifestações de repudio globais, os Autos de Fé, as promessas securitárias e as razões apologéticas. Como que me afundo nesta desesperança de que algo seja diferente, simples, direto, do coração. De que algum Deus, quantos braços tenha não me importa, possa decretar que todos são Lázaro e, por essa circunstância, não merece a pena matá-los. Aprendam assim, à força. Devolvam-me os meus catraios, mortos no fogo-de-artíficio da sua alegria. Esses que eram a Esperança do Mundo. Do nosso. Os nossos.

Volto às mãos. Nada. No máximo, um pouco mais cansadas. Caem no tampo, uma, duas, trinta vezes até à dor. E não dói. É raiva! Apenas.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Porto é Campeão! ou A época B



Wow, lá se arranjou um título para comemorar. Prestigiante, diga-se, mas não oficial. O que não lhe retira o gosto, nem a importância e muito menos o significado. Sobretudo porque é ganho pela mesma equipa que venceu um Campeonato bastante oficial - e competitivo - ainda a época passada.

É pois uma bela altura para concluir e publicar as notas da Tasca, acerca da temporada da nossa B. Bora lá!

...

Do contexto

Esta deveria ser a época de reconstrução da equipa. É para isso que ela serve: Completar a formação, em ciclos curtos de 2 anos, e recomeçar com gente nova. A aferição pelos resultados só se faz no segundo ano do ciclo. Pelos vistos, o ano que produz Campeões!

Entre bastos azares - lesões de Omar, Tomás, Xico Ramos, Andorinha e Ismael; uma indefinição na liderança - Castro sai, Castro não sai,  Castro sai sim senhor; e algum mistério- há uma história por contar em relação a Leonardo Ruiz? E Idrisa Sambu?; o facto é que... aconteceu tudo ao contrário.

Acabámos com uma equipa "velha", a disputar com pouca chama - compreensivelmente - o mesmo Campeonato. Tipo, já matei o Boss deste nível e agora volto ao princípio do mesmo nível? Gandamerda de jogo, dass!

Este 11 era perfeitamente exequível no FCP B 2016/17: Gudiño, Rodrigo, Chidozie, Verdasca, Gajo Novo; Omar, Xico, Graça; Ismael, Gajo Novo, Kayembe. Isto é, 8 titulares "fora do prazo", uma vez que Verdasca cumpriria o seu segundo ano a sério na equipa.

Em si, o cenário não seria errado, numa perspetiva de alargamento das opções do plantel A. Os B ficariam em casa, com vista para a equipa principal, numa ligação estreita entre os diversos níveis da nossa formação. 

Ok, podem parar de rir. Eu também fiquei com a sensação que foi apenas por acaso. Provavelmente, uma das cabeças que deveria pensar a estratégia, esteve ocupada a ver alojamentos na China. A outra... sei lá, estaria a ensaiar os "Parabéns " ao espelho ou assim.

O mau começo seria normal, até porque, aí sim, tínhamos um número apreciável de novidades. Depois fomos "envelhecendo", sem que os resultados melhorassem substancialmente. Pelo meio, uma troca de treinadores que não ajudou. Até que chegou Folha.

Sustentado na competitividade que conseguiu incutir à magnífica, mas desfasada, equipa de Campeões do ano anterior, Folha liderou a recuperação e culminou a época com o único título que o FCP comemorará este ano, em Futebol. No processo, a equipa Bicampeã de juniores A, implodiu. Isto dito, tenham lá calma com o Folha, tábem? Para começo, não está mal. Mas é COMEÇO, entendido?

Nada disto me parece bom sinal. Dos negócios precoces, ao fraco planeamento que provoca estagnação em promissores ativos. Tenho esperança que tal seja resultado das múltiplas alterações da estrutura. Há prioridades e não teriam ainda chegado à B. Entretanto, já houve tempo para se alinharem. Só falta saber quem será o interlocutor de Folha no escalão acima. Certo? Certo!

No fim do dia, mais do que tudo, o que se espera da B é que anuncie potenciais reforços para a A. Que conclua a formação, acrescente maturidade e adapte quem necessitar de ser adaptado. As condições logísticas são impecáveis, a estrutura, mesmo quando está distraída, é profissional, os putos só têm que jogar à bola e provar quem é capaz. A esse nível, há boas notícias. E outras menos agradáveis, está claro.

...

Do mais importante

Não tenho pachorra para análises exaustivas, jogador a jogador. Por isso, defina-se um critério simples: Destacar-se-ão os miúdos que ganharam o lugar aos "legítimos donos". Aqueles que, dado o contexto acima, não admirava que estivessem no banco e acabaram a ser do melhor que vimos. Siga!


Com Tomás no plantel - raio de azar miúdo! - e Omar a voltar em alguma altura; com Rui Moreira a reclamar tempo para crescer na sua posição; o terceiro médio seria, naturalmente, João Graça. Ele e Omar estariam, pensava eu, de olho em minutos na A. Assim, Sérgio Ribeiro e Fede passariam, de novo, bastante tempo no banco. Tinha pena pelo Fede que, apesar de o(s) nome(s) não ajudar(em), me entusiasmava há uns dois anos. Sem conseguir dizer que conseguiria subir de nível, o suficiente para ser mesmo jogador da bola.

Pois bem, entre as luzes da ribalta de Galeno e Kayembe, posso assegurar que o melhor é... Fede. A mim não engana mais! Soberbo. Ainda mais importante, necessário.

É um 10, pelo que o seu futuro no FCP dependerá muito de quem é o treinador. Aparentemente, o foco está apontado aos extremos e ninguém quer saber do moço, o que seria um erro épico. Como se mandássemos o Deco para o Alverca, estão a ver o estilo?

Varela finta, avança com bola, faz passes de rutura, assiste e marca golos. E faz isto tudo muito consistentemente. Como em: Toda a época. É o filho que Otávio e Oliver ainda vão ter. O que significa que servirá de pouco a NES...

Na modesta opinião da Tasca, é a Estrela da Companhia. O melhor. E acho que é do Xaninho. Ui!


Ninguém estava mais descansado do que eu, quanto ao defesa direito, no jogo na Madeira. Talvez Rui Jorge estivesse na mesma. Talvez.  Sim, podia ter assistido o Silva para golo e isso tinha-nos
mantido na luta. Mas até essa "falha" revela o jogador que ali está. Sem tremer, sem acusar pressão, a tentar fazer golo, porque a posição era ótima. Mesmo de pé esquerdo.

É um lateral completo, embora ataque ainda melhor do que defende. Tendo em conta em que equipa queremos que jogue, está tudo certo. Tem o pulmão do Maxi há 20 anos e é muito melhor que Victor Garcia. Que já de si é bem bom, se já aprendeu a cruzar para dentro do campo.

Se Ricardo Pereira pode render os milhões que nos permitem segurar, sei lá, um Danilo, então é despachá-lo. Temos o Fonseca e, creiam, não ficamos a perder nada. 

Bem sei que o ai Jesus da lateral direita é Dalot. Mas o Fernando está à frente. Um ano à frente. O Diogo vem já a seguir.

Pois, não sei... Digamos que estou num André Silva state of mind. Eu explico: O Silva denotava uma série de qualidades, mas eu não tinha a certeza, longe disso, de que iria ser capaz de se fazer homem. E jogar ao mais alto nível. Já se sabe que o tipo tratou de me esfregar a sua imensa qualidade nas trombas, tornando-se no meu avançado favorito.

O estilo meio desengonçado - está melhor, haviam de ver no início da época - o físico franzino, não pareciam potenciar a única qualidade que lhe detetei de imediato: A velocidade. Mas isso o Ntsunda também tinha. E o Rúben Macedo tem. Sendo que, pela lógica, aquele lugar deveria ser deste.

Castro parecia apostar em Galeno. Tavares também e Folha idem. E não é que o moço somava golos e assistências? Com o decorrer da época, tornou-se mesmo um hábito. Golo de Galeno, passe de Galeno, foda-se, lá vai o Galeno, nunca mais o apanham. Ainda por cima, já não parece que vai cair a qualquer momento.

Para terem uma ideia, acreditava mais no Gleison do que neste tipo. Pela força dos números, agora já não. Sobretudo porque uma bola metida entre o lateral e o central, é meio golo do Galeno. E isso não podemos dizer de Brahimi, nem de Corona, nem de Jota. Tem é que ser pelo chão, o que, vai-se a ver, não se adequa ao modelo NES. Ops, sorry, à ideia de jogo.


Supostamente, este moço deveria passar a época a aprender com o Chidozie e a admirar o Verdasca, uma vez que algum iluminado decidiu recambiar o Palmer-Brown. Que era melhor que os outros dois! Se calhar, foi alguém que conhecia o Fernandes melhor do que eu. Oxalá.

O facto é que este B de primeiro ano sentou o Verdasca. De tal maneira, que até para o Rui Moreira, que é médio, o pobre Diogo já perde o lugar. Em estando o Jorge impedido.

É grande, é calmo, é duro, é inteligente. É tenrinho também. Faz uma grande dupla com Chidozie, mas parece ser capaz de liderar a defesa sem problemas. Claramente o melhor projeto de central, depois de...Palmer-Brown.

Partindo do princípio que no próximo ano a equipa B será pensada e, por isso, Chidozie não fica - precisa de outro nível - este rapaz será o patrão da defesa. Sim, é preciso esperar mais um ano, mas o prognóstico é francamente surpreendente. Pela positiva.

...

Da estagnação

Já discorremos sobre os motivos, mas o facto é que muita gente não melhorou. 

Alguns mantiveram o nível alto que já lhes conhecíamos: Omar, Xico, Chidozie, Kayembe. Mas precisaram de ser abanados, porque estavam naturalmente desiludidos com a puta da vida. Para esclarecer, na minha opinião, Kayembe é tão bom jogador hoje como há um ano.  Assim, a chance que, aparentemente, terá na A, não surpreende, mas também não tem nada a ver com um melhor desempenho.

Outros regrediram: Verdasca perdeu espaço; Graça não deu o salto que precisa de dar; Tomás continua cheio de azar e perde mais um ano. Em todo o caso, apenas Verdasca ainda tem "tempo" para ser B na próxima temporada. E pode igualmente dar-se o milagre de alguém deixar o Rui Moreira jogar no seu lugar. Juro que gramava de saber se temos ali jogador.

Uma nota final para Rui Pedro, que devia ter sido o homem golo desta equipa. E foi, enquanto o deixaram. Foi preciso que jogasse na A? Pois ótimo, é também para isso que existe B. Agora, pelos juniores? E a seguir, A de novo? E volta aos juniores? Treina na B? Alguém se decide? É apenas estúpido, senhores.

Eu ajudo: Se o moço é para ser útil na A, mas nem sempre, então é na B que deve estar. Em exclusivo! Mandá-lo marcar golos abaixo disso é completamente despropositado. Assim, desculpa lá André Pereira, és bom moço, mas o primeiro cativo da B 2017/18 é o 9: Rui!

...

A pergunta de 1 milhão é: Quem pode chegar ao plantel principal?

Já, talvez Fede, dependendo do estilo do novo treinador. Porque teremos um novo, certo? 

Talvez Galeno, se não se ressentir da mudança ou for capaz de manter a assinalável progressão que teve este ano. Caso em que seria um caso... muito sério.

Seguramente, Omar Govea e Fernando Fonseca. A menos que tenhamos planos para Victor Garcia, que tem um ano de rodagem na Liga de avanço. Ou que não se consigam os milhões suficientes por Ricardo Pereira e... Hector Herrera.

Outros manifestam o potencial de lá chegarem. Um dia. Xico, está claro, em primeiro lugar. Também Chidozie e Inácio. Mas têm que ir dar uma voltinha antes.

No fim da lista, Graça, Tomás, Ismael todos desaparecidos durante um ano, pelos mais diversos motivos. Que são promissores - mais Ismael e Tomás do que o João - não há dúvida. Precisam de encontrar um espaço - que até pode ser na II Liga, mas não no FCP B - para jogarem regularmente e provarem, fora da zona de conforto, que podem aspirar a mais do que serem bons jogadores. Exemplos de sucesso nestas condições, temos mais que muitos. Na verdade, quase todos, não é senhores Carvalho, Costa, Couto, Barros?

Já para Gudiño, tem a palavra El Santo. Te quedas hombre?

Ou seja, isso de construir um plantel à volta destes meninos, não existe. Os que acham isso boa ideia, estariam a pedir as cabeças da estrutura inteira em 5 meses. Mas que é possível, com tempo e em tempo, ter muitos na equipa, isso é. Depende é da definição de "muitos" de cada um.


...

Como diria o Lápis, o tasqueiro não percebe um boi de bola. O que significa que há que confiar nos técnicos da estrutura - menos nesse! - na difícil tarefa de avaliar jogadores e lhes traçar o futuro. Mas no que concerne à articulação dos escalões e ao planeamento, malta, oiçam bem: Assim não! 


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Carta aberta



Exmo. Senhor Presidente,

Era minha intenção enviar-lhe esta missiva após o jogo em Moreira de Cónegos...

- Oh amigo, desculpe lá, isto é sobre o quê?

- É eu a dizer-lhe coisas, senhor Presidente.

- Poooooiiiisss, não vai dar. Não leve a mal, mas compreenderá que se me ponho a ouvir cada um dos sócios, é uma desgraça, não faço mais nada. Porque não diz coisas ao senhor Provedor do Sócio?

- Bem, acho que não é bem o âmbito... Mas percebo. Tentarei, nesse caso. Muito obrigado.

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Exmo. Senhor Provedor do Sócio,

Era minha intenção enviar esta missiva ao Exmo. Senhor Presidente do Futebol Clube do Porto após o jogo em Moreira...

- Oh sócio, desculpe lá, isto é sobre o quê?

- É eu a dizer-lhe coisas, senhor Provedor, para depois me fazer o obséquio de transmitir ao senhor Presidente.

- Poooooiiiisss, não vai dar. Não leve a mal, mas compreenderá que se me ponho a fazer de moço de recados, é uma desgraça, não faço mais nada. Para além de que não me parece que as coisas que vai dizer sejam bem do meu âmbito. Porque não vai a uma bilheteira?

- Hã?

- Então, já não dá o tempo por perdido e compra uma entradinha, paga uma quota adiantada...

- Bem, acho que não tem nada a ver... Mas estou a perceber. Tentarei, nesse caso. Muito obrigado.

...

Exmo. Senhor Funcionário da Bilheteira do Cogumelo,

Era minha intenção enviar esta missiva ao Exmo. Senhor Presidente do Futebol Clube do Porto, por intermédio do Exmo. Senhor Provedor do Sócio, após o jogo em Moreira de Cónegos.

Decidi antecipar, porque ontem, no programa Universo Porto - Da Bancada, o meu sentido de urgência foi espicaçado. O Exmo. Senhor Diretor de Comunicação afirmou que, em comparação com este Campeonato da Liga NOS, o "colinho" de há dois anos foi uma "brincadeira de crianças".

Uma vez cumprido o aparente dever de parabenizar o adversário, creio que se inicia a vaga comunicacional tendente a explicar, como se fosse possível, a continuidade no cargo do atual treinador da nossa equipa principal de futebol. Na verdade, ele ganhou o Campeonato da Liga NOS. Os maus, a quem deu os parabéns, é que o roubaram.

Concluí pois que seria urgente fazer chegar estas linhas, antes de estar definitivamente - e espero que ainda seja tempo - tomada a decisão de me roubar qualquer esperança no Futuro próximo do nosso Clube. Se dramatizo, é apenas porque este é o pior momento que vivo enquanto adepto do FCP. O fundo não foi o final da época passada, o fundo é agora. Tem que ser agora! Elenco seguidamente as razões que me levam a esta conclusão:

a) O falhanço Lopetegui

Depois da transição mal gerida da época dourada Villas Boas, o Exmo. Senhor Presidente, sem o dizer, apresentou o que me pareceu um plano a médio prazo. Contratou por três anos um treinador com experiência em camadas jovens e entregou-lhe um poder nunca visto para um técnico do FCP. Para mim, ficou clara a aposta e que este seria o homem do Presidente, que contaria com o seu total e absoluto respaldo, em qualquer circunstância. Porque era isso que faria sentido, dada a opção.

Pelo contrário, a um plano que parecia caminhar, como prova o alinhamento do estilo de jogo com a equipa B, por exemplo, a sua direção ofereceu nada. Deixou um treinador ser cozinhado em lume brando pelos media e pelos próprios adeptos. Abandonou a equipa à sorte de um Campeonato com campos inclinados e, por consequência, perdeu.

Pensei que se havia arrependido e mudara de ideias em relação ao treinador, mas estava enganado. Julen Lopetegui continuou e nada mudou. Nem em termos de apoio, nem em termos de comunicação, como se esperássemos, todos, pacientemente que a doença detetada se encarregasse de matar o fulano. Sem nunca o termos visto, a si, empenhado em encontrar uma cura.

E disse-nos que batêramos no fundo. Que desse momento em diante, seria sempre a subir.

b) O falhanço NES

O facto é que conseguimos verificar muitas mudanças nesta época de 2016/17. A estrutura mudou, a comunicação mudou, temos um FCP mais combativo e menos "inglês". Antero saiu, Luís Gonçalves chegou, Francisco Marques fez o seu caminho e assumiu um novo protagonismo.

Tarde! Sempre fora de horas. O responsável pelo futebol chega com o plantel montado e o técnico escolhido. O que significa que não foi planeado, limitou-se a acontecer e o senhor Presidente reagiu, em vez de agir.

Por outro lado, temos a comunicação que a maioria desejou. E nada ficou por denunciar, por evidenciar. Curiosamente, fizemo-lo exatamente quando entregámos a liderança das nossas tropas, no campo, a um General polido, politicamente correto e incapaz de alinhar no discurso guerreiro.

Tudo o que podemos concluir, senhor Presidente, é que andámos aos tombos, sem nunca conseguirmos encontrar o fio à meada. A fazer as coisas de forma desgarrada, a escolher pessoas sem olhar para contextos. Só podia correr mal.

c) O (des)Norte

Em consequência desta forma de caminhar, qual barata tonta, conseguimos, numa só época, destruir equipas em vários escalões. Dando de barato que a A é uma questão pessoal - eu não gosto de NES! - veja bem o que fizemos a outras:

Luís Castro ia sair para a China. Luís Castro não saiu para a China.

O ano de transição da equipa B, Campeã Nacional, deveria ser gasto na construção de uma equipa nova. Que mais esperar de gente que levava dois ou três anos neste patamar e que tinha ganho o titulo? Era hora de saltarem para outro nível, obviamente. No fim do dia, o que verificámos foi que mantivemos os "velhos". Não podia correr bem. E a culpa não é dos jogadores.

Luís Castro saiu para o Rio Ave. Entra José Tavares. A caminhada trágica dos B agrava-se.

Sobe-se, em desespero, António Folha, Bicampeão Nacional de Juniores. No processo, destruímos a equipa júnior. Que andou a penar a fase final inteira.

Não contesto sequer as escolhas. Eu teria feito diferente, mas eu sou ninguém. O que não posso relevar, é o evidente desnorte. Nenhum plano, nenhuma estratégia, tudo porque sim ou porque não, as mais das vezes a parecer só por acaso. No processo, duas equipas à deriva. Uma ainda foi a tempo de ser remendada e - força miúdos! - ainda nos vai dar hoje o ÚNICO título que comemoraremos.

Raios, se não me arrependo do que gozei com os meus amigos lampiões, de cada vez que ganharam aquele torneio de pré-época que organizavam no Luxemburgo.

Deixarei para ocasião mais oportuna a questão Rui Pedro. Porque acho que é só minha. Mas aproveito para lhe perguntar se ainda veremos o nosso promissor avançado a fazer uma perninha no Andebol. O play off está tremido...

d) Santas Alianças

Sabe, senhor Presidente, no dia em que estiver de acordo com MST acerca da bola, é porque o FCP não está nada bem. Esse dia é hoje.

Deixe-me começar por dizer que não tenho nada a obstar a conversas com qualquer clube. E acrescentar que acho muito bem que procuremos consensos, na defesa de interesses que sejam comuns. Posto isto, é deplorável o conteúdo do comunicado que anuncia o reatamento de relações com o Sporting. Não, senhor Presidente, não me sinto capaz de lhes chamar qualquer outra coisa. Nem Sportém, nem Calimeros, nem o que seja. Sporting Clube de Portugal, por vossa vontade.

Está tudo mal, tudo! Do video-árbitro aos Campeonatos de Portugal, da reunião "secreta" à assinatura do Diretor de Comunicação. Nada faz sentido, nada é parte de uma estratégia, tudo é casuístico. Porque sim, por acaso.

O senhor Presidente absteve-se - e bem, quanto a mim! - de comentar o "Caso Vouchers", para agora encontrarmos múltiplos, e bem menores, pontos de vista comuns? Eu gozo indecentemente com o senhor Bruno de Carvalho - sim, Presidente, agora não troco nomes a mais ninguém - a propósito de querer ser tetra numa época só, para agora estarmos disponíveis para fazer disso um caso tão importante que exige estudos de entidades independentes? Estamos, chegaria o dia, de acordo com o senhor jornalista - já disse que não troco - Rui Santos quanto ao papel salvador do video-árbitro? E, por favor senhor Presidente, não informe o nosso Benni McCarthy de que pugnaremos pelo regresso dos "Sumaríssimos". Vamos tentar adivinhar a quem serão instaurados os primeiros, provavelmente únicos, processos sumaríssimos?

Cheira tudo a tanto amadorismo, senhor Presidente, mas tanto, que não posso acreditar que tenha partido de si. O que é muito grave, porque foi em si que votei. Pelo que é em si que confio para este tipo de assunto tão relevante. A assinatura do nosso Diretor de Comunicação obriga a SAD, mas a mim não me diz nada.

Sendo que esta é a única espécie de aliança a que estamos presos, certo senhor Presidente? É que me custa ler que o senhor abandona - e tão contente fiquei! - a tribuna em Braga, para assistir ao resto do jogo ao lado da sua SAD. Mas aquilo não era a SAD. Eu votei em si, o que significa que lhe confio as escolhas. Mas escolha! Como se dizia na minha rua de infância: Quem está fora, não racha lenha. Quem não tem cargo, não tem voz. NÃO TEM, pois não, senhor Presidente?

e) As coisas bem feitas estão podres?

Como lhe disse lá muito acima, houve coisas bem feitas. A comunicação está melhor, a estrutura do futebol parece encaixar, a equipa esteve comprometida com o objetivo. No entanto, este penoso final de época está a deixar-me preocupado. Como se as maçãs fossem tão vermelhas e apetitosas, que parece que alguém lhes vai injetar bicho, só para ser desmancha prazeres.

A semana passada, matámos a Liga Salazar, legitimando o Campeão. Antes, enterráramos a "Cartilha", permitindo que o Francisco fosse apanhado a encontrar-se às escondidas, num hotel, com o Nuno. Well, que cavalos de batalha nos restaram? Vamos pensar no futuro que é melhor, certo?

Acontece que também isso é preocupante, a partir de ontem. O motivo de antecipar o envio desta minha cartinha não é despiciendo. Juro-lhe que toda a narrativa da "brincadeira de crianças" me soa a "nananananana, brilhante o NES! Bri-lhan-te! Pena a roubalheira. Como nós e os nossos aliados não vamos deixar que se repita, o próximo está no papo. Do NES!" Como se não bastasse a censura dentro de nossa casa e os Parabéns a você do nosso treinador, que limparam a Liga Salazar; arranjámos maneira de legitimar - na mesma semana! - a Liga do Colinho. Afinal, foi uma brincadeira de crianças, não é para levar a sério.

Não perceba mal, eu estarei na bancada. Estarei sempre, seja qual for o treinador. Entenda que isso não me torna um abrunho sem cérebro. É paixão e é para a vida. Pelo FCP, senhor Presidente. Exclusivamente pelo FCP.

Em conclusão, escrevo-lhe para lhe dizer que este é que é o fundo. Nunca antes vislumbrara tantos sinais de desorientação, tão recorrentes e tão encadeados. Urge pois sair daqui, depressa, se possível, mas sustentadamente. Faltam três anos para que termine o seu mandato, é o tempo que resta para nos devolver à glória.

Defendo que os mandatos se cumprem até ao fim. Acredito que o senhor Presidente possa corrigir o que está - profundamente! - errado. Pronunciar-me-ei acerca das pessoas que decidir escolher e manter, porque é um direito que jamais alienarei. Da mesma forma, entendo que é seu direito inalienável traçar o rumo e decidir com quem percorrer o caminho.

É isso mesmo que lhe exijo: Um rumo! Esse que hoje não temos.

E isso, senhor Presidente, será revolucionário!

Assina este, com estima e admiração.




segunda-feira, 15 de maio de 2017

Obituário, uma dúvida existencial e a nobreza de NES



Porto, 14 de maio de 2017. Faleceu ao final desta tarde a Liga Salazar, vitima de duplo ataque de idiotice. A família enlutada agradece o apoio de todos os desinteressados cidadãos que, em solidariedade, foram manifestando, pelos mais diversos meios, o seu comprometimento com a causa e com a luta pela vida deste nosso querido familiar. O tempo não se compadece e no seu inelutável transcorrer, leva-nos a Liga Salazar, que tanto acarinhámos e de quem tanto esperámos. À conta de lhe terem dispensado um tratamento em tudo semelhante à doença que lhe apontávamos; e de umas palmadinhas nas costas que demos ao assassino de serviço. Era preciso ter uma grande lata para continuarmos a falar da Liga Salazar, fazendo de conta que há tarjas que são dirigidas aos jogadores; e continuando a falar de batota depois de o líder parabenizar o batoteiro. Isso não seria ser Porto. Paz à sua Alma, não se fala mais disso. Nunca mais!

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Grande dúvida existencial: O que é uma análise implícita de reflexão? Será o mesmo que especular com mentes malignas? Não deve ser, porque o Ninja ainda batia com a mão na mesa...

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Enquanto treinador de futebol, NES teve ontem uma atitude de grande nobreza, ao dar os parabéns ao Campeão Nacional. Assim mesmo, em letras maiúsculas. Quem sou eu para assassinar a gramática se eles se esmeram na sua defesa?

Sei que grande parte dos meus correligionários discorda disto, mas estão errados. A verdade é que NES enfrentou os piores adversários dos últimos anos. No sentido de mais fracos. Viu-se na iminência de chegar à liderança da Liga NOS - ah pois! as coisas pelos seus nomes - empurrado por uma onda azul que há muito, mesmo muito, não se via. Na qual terá o seu mérito, certamente. 

E falhou. Esmagadoramente. Voltou a falhar e a refalhar e de engano em engano, perdeu.

Apesar de toda a inclinação - de que não se voltará a falar aqui! - NES percebe que foi possível. Perante a incompetência dos adversários, houve um momento em que a competência teria vencido e o Campeão estaria de Parabéns. O que sucedeu foi que, pelo contrário, postos perante a incompetência dos outros, fomos ainda mais incompetentes. E assim, festejam os mais ajudados e menos estúpidos. 

Daí os parabéns de NES. Como quem diz, epá, parabéns, conseguiste fazer muita merda, mas não tanta como eu.

Enquanto funcionário da FCP - Futebol, SAD, NES teve ontem uma atitude inqualificável. Na enésima declaração sem ponta por onde se lhe pegue, conseguiu articular quatro palavras seguidas que mataram a Liga Salazar. Que, como já lemos acima, começara a definhar ainda antes, dentro da nossa própria casa. Parabéns ao Campeão Nacional, disse. 

Que é como quem diz, bardamerda para estes provincianos bacocos que andam a armar um alarido sem sentido. Não liguem, é gente com pouca instrução, arruaceiros, labregos, temos que ter paciência e condescender um pouco. No fundo, são pessoas que especulam com mentes malignas e não fazem análises implícitas de reflexão.

Vivemos numa Democracia, pelo que nada aponto a NES. Por mim, pode abrir a tarja que mais lhe apetecer em cada conferência de imprensa. 

Acontece que sou sócio do acionista maioritário do empregador do Herlander. Nessa qualidade, exijo o imediato despedimento do funcionário. Que o treinador vá de arrasto, é só uma muito feliz consequência.

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sábado, 13 de maio de 2017

Resumo da semana: Fátima, Fado e Futebol



Temos dois novos Santos. Neste "temos", abarca-se o Mundo todo, já se vê, que os Santos quando se Santificam é para todos. Está claro que cá pela terreola os sentimos de modo particular, uma vez que foram nados em Luso solo. Sei lá, os Franceses também gostavam muito do Joaquim Agostinho, mas nós gostávamos mais.

Hã? Lembrei-me. Que tem?

Isto da Santidade e dos Milagres e das Vidências, Aparições, Manifestações do Sobrenatural, Avistamentos e quejandos, é basto simples. Se vamos procurar racionalizar a coisa, chegaremos a um conjunto de conclusões que podemos resumir numa palavra: Balelas. É na Fé, digamos que num sentido outro, talvez mais profundo e oculto de cada um, que todas estas experiências podem encaixar. Isto é, ou se Acredita ou não, ponto final.

É por isso que todas as tentativas de explicação de caráter cientifico, muitas vezes ensaiadas por convictos Crentes, me soam a tempo perdido e energia mal gasta. Muito mais lúcido era o velho Padre de uma Paróquia que já não sei se alguma vez foi minha, que respondia sempre da mesma forma a qualquer questão sobre os Mistérios da Fé:

- Pois se se trata de um Mistério, como quereis que vos explique, pirralhos? Ia agora perder o meu rico tempo, para que entendêsseis com a mente, aquilo que só o vosso coração pode decidir. Ora, ide, ide jogar à bola para a rua e deixai esses assuntos para os crescidos. Mas não praguejais! O Senhor está atento! - E erguia o seu curvo indicador para o Alto.

Tome-se o exemplo, por exemplo, de Francisco e Jacinta Marto, os mais recentes Santos de todos os Católicos. Se isto tem algum significado ou não, daquele não económico ou político ou geo-estratégico, é uma decisão de cada um. E é profundamente estúpido discuti-lo. Porquê? Porque teremos sempre uma perspetiva que pode argumentar e outra que terá, fatalmente, que encolher ojombros e seguir adiante. A racional e a da Fé.


Apreciemos as imagens que, de hoje em diante, representarão os dois pastores. Não vamos entrar numa discussão estética, até porque a Arte Sacra - e eu sou suspeito, porque gosto - tem cânones muito próprios. Vamos apenas olhar para as crianças nelas retratadas.

Quer dizer, muito racionalmente, não se pode dizer que tenham um ar lá muito feliz por andarem a ver Nossa Senhora. Também, pobres petizes, hão-de ter passado as passas do Algarve às mãos de uma caterfa de adultos. Uns por beatice, outros por oportunismo, aqueloutros por medo e sicranos por pura ignorância.

Sendo certo que não podia a Igreja por-se agora a desenhar rasgados sorrisos nas fronhas de quem, miúdo ou graúdo, vai ter que andar a levar com os nossos supostos pecados. Por aí, percebe-se. Ou seja, não é mais que abuso infantil para toda a Eternidade.

Mas como negar que há na imagem - e naquelas que a suportam - uma aura contemplativa? Como que se no olhar ligeiramente elevado de Francisco, se prenunciasse a visão do Infinito. Daquilo que, roubando-lhe toda a meninice - não há nada de criança nos fedelhos - lhe entrega a Verdade. A mesma que Jacinta, olhando-nos de frente, dura e resoluta, nos instiga a prosseguir. Se eu, criança frágil, posso, quanto mais podeis vós?

Na abertura das cerimónias desta manhã, o Bispo António Marto - connects hein? - fez um, como dizer?, breve resumo curricular dos dois prestes a ser Santos. Descreveu Jacinta como uma criança mais extrovertida e mais ligada ao Mundo. E Francisco como um ser mais contemplativo, reservado, escondido. A primeira, martirizava-se com os pecados do Mundo; o segundo, com o sofrimento de Jesus. Oh well, confere. Fantástico o poder das imagens.

- Não seria uma aragenzinha de autismo, oh Silva?

Depende. Depende da escolha de cada um. O que é certo, é que não se faz só com o cérebro..

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Devo dizer que sou um gajo que grama à brava de Festivais da Canção. Sim, sei muitas das músicas que ganharam, sobretudo a nível nacional, e nutri um fraquinho basto forte por determinada catraia. De tal maneira que, à época, o meu objetivo de vida era emigrar para o Luxemburgo. E ser empregado de mesa.

Estou, portanto, à vontadinha para achar muito estranho o atual entusiasmo Português com o acontecimento. Mas então já não é uma cena azeiteira que não interessa ao menino Jesus? De repente, passou a ser importante para o nacional cançonetismo? A que propósito? E vem um e explica-me: Opá, temojuma gandamúsica! Vamos limpar aquilo, o homem é o nosso Salvador.

Vejamos, não, pá! A música não é um terço de um "Adio, Adieu", de uma "Tourada", porra, de um "Chamar a Música" ou de uma "Lusitana Paixão". E pelamordeDeus, o moço pode ser simpático e tal, mas não é o Carlos do Carmo. Que digo? Desculpe a ofensa, senhor do Carmo.

O que mudou? Mudou que parece que temos hipótese de fazer boa figura, mudou que o rapazito tem um nome de família com boa imprensa e mudou que inspira uma certa compaixão. Sim, é o preconceito ao contrário. Deixem-se de merdas, sou só eu que reparo?

- Reparas em quê, oh boçal do catano?

- Pá, não sei, faz-me lembrar qualquer coisa...

- És uma besta!

- Sou sim senhor. Ainda assim...

Posto isto, lá estarei, pipoca em punho, a assistir religiosamente ao desfile, à espera dos 12 pontos de Espanha. A desancar as indumentárias, em tua memória mãezinha, e a acertar na distribuição dos pontos pela geografia, para te melgar a moleirinha, paizinho. E, claro!, a torcer pelo rapaz Salvador. Mas lúcido, foda-se!

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Que o Futebol se procure apropriar dos outros efes, é um sinal dos tempos. Um mau sinal.

Parece que hoje acaba o campeonato. É desta maneira que a mente olha para a jornada. Como Portista, eu olho para ela com um sentido outro, do âmbito do sobrenatural. Da Fé.

É o que me resta: Rezar a Santa Bárbara no meio do temporal. São 17.45H, para que conste.

No entanto, por muito que desanquem a letra, deviam sempre ter em atenção que os efes já fizeram mais por Portugal que todos os nossos políticos juntos.

Fátima, Fado e Futebol... Clube do Porto!

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Soundtrack to May, 13th: Hallelujah!