quinta-feira, 29 de junho de 2017

Resumo da semana: Suicídio

...tu macumbas bem!


Ando tão entusiasmado, mas tanto, com a Taça das Confederações que mais pareço um Alemão. De tal maneira fixado nesta competição que ontem até me lembrei de ver o jogo de Portugal. A segunda parte. Antes, tinha deixado passar todos. Exatamente como os principais jogadores da equipa Alemã.

Infelizmente, fomos de carrinho. No entanto, foi mais uma participação muito meritória. Apesar de apostar que vai meio Mundo desancar na seleção. É malta desde sempre habituada a ver Portugal a ganhar todas as provas em que participa. Haja paciência.

A verdade é que percebi depressa que íamos perder. Pá, uma equipa que joga com três Silvas, contra uma com Silva nenhum, já se sabe que, tarde ou cedo, vai ganhar. A menos que...não queira. E não é que não quisemos mesmo? Quer dizer, ao xôringinheiro não lhapeteceu.

Não há outra explicação para ter retirado do jogo os Silvas todos que tinha. Um por um. Se isto não é suicídio, então não sei como lhe chame. O tique de fugires com o pescoço ao colarinho nunca me enganou, oh Nandinho, é a tendência pró enforcamento, né?

Pelo contrário, o adversário, inteligentemente, não deixou de lançar mão do único Silva de que dispunha no banco. Resultado: No fim, ganhou a equipa do Silva. It figured.

Mesmo assim, os nossos melhores jogadores acabaram por ser, contra tudo e contra todos, dois Silvas naturalizados: Bolopost e Chichátraf da Silva. Um pouco estáticos, mas bastante decisivos.

...

Diz que organizaram um arraial solidário em Lisboa, para angariar ajuda para a malta que ardeu no incêndio.

- Não estúpido, para quem ardeu não. É para ajudar na reconstrução.

Pois claro, era isso que eu queria dizer. Deve ter corrido tudo lindamente e arrebanharam um daqueles prémios que agora sai todas as semanas: O milhão. Se por acaso tiverem dúvidas sobre onde o gastar, conheço, mas assim à distância, um tipo que tem uma sugestão.

Sendo que o mais importante foi o espírito solidário, a união dos Portugueses, as selfies do Presidente, ojartistas aparecerem nas televisões, o ar feliz e aos pulinhos da plateia, os diretos de Pedrogão, com tudo queimadinho em fundo. Ficou a mata a parecer o cérebro da Lena d'Água, tal e qual.

Enfim, apesar da bosta de música, lá arranjaram maneira de se entreter, os cachopos. Tipo um suicídio coletivo do gosto musical, mas por uma causa muito nobre. Sendo claro que gostos não se discutem. Há o bom e o mau, that's all.

Claro que a pessoa fica a pensar que de milhão em milhão, vai-se a ver e podíamos mudar o Mundo. Mas lá está, a solidariedade nem sempre dá tempo de antena e a malta tem as suas vidas. E as suas redes sociais para gerir. Qual era a piada de andarem sempre a postar cenas de ajudar ojôtros e assim? E os gatinhos fofinhos? Esses não merecem a nossa solidariedade, késbêr? Opá, uma cena destas de vêjenquando chega bem, para essas vacas invejosas verem que eu não sou só mamas, também tenho sentimentos. Incha Katy.

- És mesmo cinico, foda-se!

- Oh, estou-me a peidar para o que tu pensas.

...

- Acho que me vou atirar deste viaduto e esborrachar-me no asfalto.

- Ora, não se meta nisso, meu ex-Primeiro.

- É isso que me irrita! - Fica grená de raiva. - Como posso ser ex, se o Povo não pediu o divórcio? E vem o raisparta do monhé, armado em padrinho à espanhola... Sai da frente que quero pular, arreda.

- Não pule, senhor Presidente do Partido, essa gentinha não merece. Olhe lá, porque não faz antes uma declaração sobre esta confusão do incêndio?

- Achas?

- Pois claro! Tenho aqui uma informação fresquinha que é bem catita. Veja lá se não tenho razão. - Segreda ao ouvido do outro.

- Epá, isso é espetacular. E tenjacerteza?

- Eu não, credo. Acabei de me lembrar disto agora mesmo.

- Oh meu, isso é suicídio!

- Pois, lá está. Dá igual, majaleija menos do que se espatifar no asfalto.

...

No MAI anda tudo à trolha. Uns dizem que a culpa do fogo é dojôtros e ojôtros acham que é antes dojuns. É um jogo tradicional Português, o Fogecurrabásseringa. Aprendemos desde pequeninos.

Entretanto, e para grande descanso das consciências, já estão a seguir o fluxograma da resolução de problemas. Isto é, vai ser criada uma Comissão Independente de Inquérito, que comunicará as suas conclusões a um Comité Eventual de Investigação. Este, por sua vez, nomeará uma Equipa Especial de Relatores, encarregue da produção de um Relatório Final que será avaliado por uma Comissão Paritária, antes de ser despachado para a Comissão Parlamentar de Inquérito. Tudo auditado pela KPMG, pois claro. Longe da vista do Tribunal de Contas.

Como aquecimento para esta longa jornada - parecendo simples, isto é coisa para dar cabo dos músculos - a Ministra da Administração Interna foi ao Parlamento responder a uma Comissão. E disse:

- Ora aí está, bela pergunta. E olhe que tenho aqui maijumas 200 igualmente pertinentes...

Ainda vai aparecer um iluminado a sugerir que a Proteção Civil e as Forças de Segurança comuniquem através de sinais de fumo. Nunca falha, pá. É só chegar um fósforo a um montinho de caruma.

Em suma, está tudo prontinho para o suicídio das soluções. E das responsabilidades. Se o Passos não se tivesse atirado do viaduto, era moço para dizer: Agora a culpa é do eucalipto, késbêr?! Buuu, buu, vergonha.

...

Por fim, quanto aos e-mails lampiões, passámos à silly season. Distrai, mas não dá a mesma pica, já se sabe. Claro que compreendo o gozo de uma ou outra vendetta mais pessoal. Mas a mim, sempre que alguém se peida, cheira-me mal. Mesmo que seja um ato solidário.

Ainda assim, houve quem fosse atrás do Nhaga, para descobrir que não houve contrato nenhum e não recebeu cheta.

É nestas alturas que eu me pergunto onde anda o Arménio? O que andam a fazer as forças sindicais, progressistas e proletárias deste país? Voltamos aos piores exemplos do colonialismo e da ditadura, numa exploração torpe do autóctone desprevenido. Isto sim, senhores, é precariedade e exploração do homem pelo homem. Oh Avoila, tu põe mão nisto, que anda o homem a bulir sem contrato. Há-de estar há uns, deixa cá ver, quatro anos a recibos verdes.

De resto, continua tudo a assobiar para o ar, tranquilamente. Agora sob o ainda ténue nevoeiro da suposta investigação do MP. Toda a gente sabe que o nevoeiro adensa com a facilidade com que arde um eucalipto, tipo na Choupana. Por isso, não se fiem nas virgens ofendidas e mantenham a pressão, combinado?

Sim, porque não é por acaso que o Expresso só pega em factos que, mesmo que estranhos, nunca poderão conduzir a qualquer punição. Porque de nexo de causalidade impossível de provar. Nem é por acaso que, "O Jogo" à parte, parece não se passar grande coisa. Uns arrufos daquela malta falida do Norte, só isso.

Todos a fazerem-se de mortos, a ver se passa.

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Nestes desmandos, amanhã é dia 30. Até ver, vale-nos o Silva. André.

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Soundtrack to suicide: Wine is fine, but whiskey's faster...



terça-feira, 27 de junho de 2017

Morreu Ermelinda

- Este rapaz é esquisito, mais os seus fatos garridos. Não achas, António? Ora, tu nunca achas nada, já se sabe. E andas cá um lanzeiro pouco mais ou menos, ai andas, andas. Quem te quer encontrar, é na cama. Escuta o que te digo, António, não te dês à cama, homem. Olha que quanto mais te habituas, mais ela te puxa. Qualquer dia, queres e já te esqueceste como se levanta uma pessoa. Uma bela manhã, dás por ti e morreste.

Guarda os óculos na bolsa castanha de veludo. Deixa-se ficar com a cabeça baixa, por segundos. E retoma:

- Tu não me morras, homem de Deus. Sei lá o que seria de mim. Já te escolhi assim cachopito por isso mesmo. Para ter a certeza que ia à frente. Já imaginaste a minha vida se tu morrias? Deus me possa guardar de tanta solidão. Da falta de propósito, de não ter dois ouvidos que aturassem as minhas lengalengas. Olha, vou é aquecer o resto da sopinha e já almoçamos. Podes ir para a taberna jogar o dominó depois, que eu tenho a minha sesta agendada. - Sorri. - Sou uma senhora muitíssimo ocupada, caro cavalheiro. Claro que não te apetece, já cá se sabia que ao menino não lhe cheira a sopa. E levantar o traseiro da palha, também não. - Volta a sorrir. - Deixa-te lá estar, malandro. Trago os pratinhos e comemos aqui, a fazer companhia aos homens das notícias. Mas não digas que não te avisei: Quanto mais te deitas, mais deitado ficas. 

Levanta-se, com as mãos nos joelhos, as articulações rangendo e um aaii em que já ninguém repara. Nem ela.

...

- Isto de a pessoa se pôr a pensar na morte é uma maçada. Com a conversa da hora do almoço, passei o resto do dia ansiosa. Já sei que é um disparate, mas que queres? A gente não manda nos apertos da Alma, pois não? Fico a pensar em mim, para aqui triste e só, à espera que venha algum voluntário trazer-me as compras, para poder aquecer uma pouca de água com um legume qualquer. Oh, está bem, é claro que é egoísta. Afinal, batias tu a bota e é de mim que tenho pena. Não te aperreies, homem, são coisas de mulher. E não era agora, tantos anos passados, que começava a ter tento no que te digo. Já não nos namoramos propriamente, caso não saiba, senhor António.

Sentada na beira da cama, alisa a camisa de noite, branca como os cabelos, entretanto soltos do eterno carrapito. Longos pelas costas. Deita-se muito direita, com um ligeiro esgar de dor, a nuca na almofada, ao lado dele. Diz-lhe:

- Achas que estamos a ficar deprimidos? Eu nesta aflição parva, tu nesse marasmo. Ainda nos faltava acabarmos dois velhos fracos da cabeça. Com problemas de gente nova. Valha-me Deus. 

Solta um risinho que move os ponteiros décadas para trás. Para os anos em que aquele mesmo som parava diligentes cavalheiros de chapéu e fato claro, desviando-os do caminho das suas repartições. Vira a cabeça para a parede, prossegue:

- Uma noite destas, aperaltamo-nos e levas-me aos fados. Ainda deve haver alguma casa de fados por aí. Em Lisboa, de certeza. O que tu gostavas de me levar aos fados, pois era António? Deixa-te de fitas, eu bem sei que te inchava esse peito de lá entrares comigo pelo braço. Até te digo mais, se juntares outras dez velhotas da minha idade, aposto que sou a mais bonita delas todas. Ainda tens que me levar aos fados, enquanto posso andar mais ou menos direita. E limpinha. - Ri-se e dá-lhe uma pequena cotovelada. Ele abana muito ligeiramente e parece soltar um grunhido. É provável que, do lado oposto ao da parede, onde continuam pousados os olhos dela, tenha sorrido. - Mas se não acontecer, também não tem muito mal. Tenho a impressão de que posso morrer um pouquinho feliz. No mínimo, morro no meu posto: A tomar conta do meu homem, da minha casa, da vida das vizinhas. - Desta vez, chega mesmo a soltar uma gargalhada. Impossivelmente fresca, tendo em conta as rugas. Vira o olhar para o teto. - Bem, deixo-te a ver os teus programas do futebol. A paciência que tu tens, apre! Eu cá preciso do meu sono de beleza. E sabemos bem que se não adormeço primeiro do que Sua Excelência o Senhor António, não adormeço de todo. Tal a betoneira, hein? - Pega-lhe numa mão, sempre frias, e fecha outro dia.

...

Ela anda, mais depressa do que seria suposto, de um lado para o outro no quarto, em alvoroço:

- Diz-me António, tu diz-me o que fizeste. Ou então vai lá tu à porta. Ai meu Deus, ai meu Deus, que tenho um pressentimento tão mau. - Muda de ideias. -Não, não vás tu à porta. - Já chora. - Não vás António, não vás que te levam. Ai Senhor, não deixes que o levem, não deixes que para aqui fique sem ninguém. Ai que eu morro. - Cobre a cara com as mãos. - Já sei, já sei. Deixamo-nos ficar muito sossegados e calados, vais ver que se vão embora. É a guarda António, é a guarda. E tu não me dizes porquê. E o meu coração já sabe que é por ti que vêm. Que fizeste tu, homem?

O barulho da fechadura a ceder passa despercebido, como todas as coisas irrelevantes num momento trágico. Os passos da senhoria, liderando o pelotão, pelo corredor, são silenciosos. Um guarda alto escancara a porta do quarto, para os encontrar deitados, lado a lado, de mão dada, os olhos dela a escorrerem água.

...

Há uma certa compaixão, mas sobretudo uma grande pena, na voz do rapaz. A farda impecavelmente passada, as botas a brilhar, um orgulho que se nota no emblema ao peito. Os sinais da recruta recente, da esperança quase intacta. Acocora-se do lado dela da cama. Segura-lhe um braço e diz-lhe:

- Dona Ermelinda, lamento imenso, mas temos que levar o seu marido.

Ermelinda está morta.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Os pinheiros do caminho (com Interlúdio), as cerejas e Sim, nós sabemos



Shhh, escutem. Apurem ojóvidos, atentamente, em silêncio absoluto. Ouvem?

Pois, nem eu. Nada.

Passaram três semanas e não acontece a ponta de um corno. Zero, bola. Apesar de praticamente toda a bluegosfera andar a berrar os factos; a analisar, com brilhantismo, as causas e as consequências; e a bradar pelo que seria a justa cobertura mediática. Ninguém liga nenhuma.

Estão envolvidos altos dirigentes da Liga de Clubes, da Federação Portuguesa de Futebol, assessores jurídicos, funcionários, colaboradores apaineleirados, árbitros, observadores e putas. Toda a gente que conta, portanto. Ainda assim - escutem - nem uma agulha parece bulir na quieta melancolia dos pinheiros do caminho. Os que não arderam, está claro.

Não duvidem, entre tragédia e a Seleção no gulag, o tempo passa e, não tarda, a bola estará a pinchar e a paciência - mesmo a nossa - ficará tomada pelo que mais nos importa: O jogo. Então, ter-se-à esgotado, na espuma dos dias, a oportunidade. E as portas para a condenação, certamente rápida e exemplar, do mensageiro, abrir-se-ão de par em par. Aí sim, teremos primeiras páginas e investigação jornalística a sério. Viva Portugal!

Aiai, meus meninos, não dissemos já que não se pode vaporizar? Vamoláversaprendem, raisparta. Dediquem-se a criticar o Ronaldo e a Seleção, que ganham, mas não pintam quadros de uma beleza rara. Como se fosse hábito que ganhássemos. Deixai o senhor Gomes sossegado, a banhos gelados com as suas matrioskas, sabemos bem o que ele anda a fazer, acreditem. Em último caso, temos aqui mais com que vos entreter. Duzentos por uma, quatrocentos por duas, nas calminhas, sem pressa nenhuma.

[ Interlúdio: Regras básicas de negociação

Para quem anda déjanos à frente do seu tempo, esta malta negoceia mal. Talvez não conheçam os fundamentos da economia de escala, não sei. Mas até nas cerejas a coisa funciona melhor. Vejamos, um quilo de cereja bem boa, daquelas redondamente grandes e escuras, vende-se por uns trêjeuros, na berma da estrada. Se forem comprar dois quilos, nunca paguem mais de cinco euritos. Entra porojólhos adentro, certo?

Ora, quando se trata de gajas, bem boas que sejam, como as cerejas, a coisa não é muito diferente, senhores. Se uma são duzentos, duas não são mais do que trezentos. Trezentojicinquenta, vá. 

Isto presumindo que se trata de um aluguer de curta duração. Se for uma aquisição de caráter permanente, já se percebe que não haja um grande desconto inicial, uma vez que o benefício do comprador se verificará pelas economias de escala. 

Desde logo, onde come uma, comem duas, pelo que já se poupa em víveres. Depois, porque na questão - sempre importante - da higiene, também haverá poupanças assinaláveis. Não se concebe que tomem banho à vez, por exemplo. É ambas para dentro da banheira, a esfregarem-se uma à outra, e a conta da água a encher de alegria o feliz proprietário. 

Mesmo no que toca ao guarda-roupa, aparentemente uma despesa significativa neste tipo de negociata, a coisa não tem que ser dramática. Para começar, dispensa-se a roupa interior, que não serve para nada. Bastam pois duas toilletes, usadas à vez por cada exemplar. Haja é o cuidado de escolher a fruta normalizada. Isto é, de tamanho semelhante, pois claro.

Enfim, até quando chega à fruta, esta malta parece que tem bolsos sem fundo. Gastam o que for preciso, mesmo que não seja. Só pró style, mano. ]

Shhh, escutam? Isso mesmo, nada.

São gente bem ensaiada, estes mânfios. Melhores que o Copperfield e o Luís de Matos na mesma banheira. Conseguem pôr seis milhões - ou sessenta, como preferirem - a olharem para o sistema montanhoso Montejunto/Estrela e a verem uma ninhada de hamsters amorosos.

Well, cá pra mim, uma ratazana é sempre uma ratazana. Seja lá qual for o modelo em que venha a bicha.

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No entanto, não sei se por distração, se por ser inconveniente por algum motivo, há um lado desta pessegada que tenho visto pouco analisado. Como inconveniente é a modos que o meu nome do meio - Fulano I. Silva, digamos - partilho convosco o que me parece um ângulo da mesma importância que todos os outros. Se não maior, até.

A cortar os silêncios, temos tido as ameaças de processos por difamação, crime informático, mau estacionamento e por usar as mesmas meias dois dias seguidos. Isto é, lá estão os grunhos do Norte a conspurcar a Pátria Amada. Ainda por cima agora, que o nosso futebol é o País das Maravilhas, os nossos soldados em missão pelas Terras dos Sovietes, a economia a crescer, o desemprego a diminuir, o incêndio dominado.

Pois seja, se somos nós os mafiosos, não tenhamos pejo em retirar os mafiosos benefícios de sermos os maus da fita. Ma che cosa si può fare?

Assim, o que temos para dizer, caros senhores, é que nós sabemos.

Sim, senhor Presidente que nos ama eternamente, nós lemos as mensagens. Sim, senhores observadores impolutos, nós percebemos como se cozinham as notas e onde e com que chefes gourmet. Sim, senhores árbitros, nós sabemos onde mora a Valdineide e em que dias passam lá por casa.

Não estamos aqui para chantagear ninguém, Deusmalivre, por quem sois - nós pelo Dragão - nada disso. Fica tudinho aqui guardado e até vamos aplaudir o Vice-Ministro Costa na tribuna do verdadeiro Parlamento Nacional.

Mas somos gente, com as mesmas fraquezas de todas as pessoas. Gostamos do nosso carinho. É por isso que nos podemos irritar, se continuarmos a ser tratados como a Gata Borralheira deste vosso conto de ninar. Vá, todos conhecem o fim da história da Gata Borralheira. Aquela pá, que vivia com duas irmãs que cobravam a duzentos uma e a quatrocentos as duas.

Sim, nós sabemos o que andam a fazer há uma série de Verões. Be very afraid...

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Passaram três semanas e está tudo na mesma. Só que não. Nem lá perto, bitches.

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Soundtrack to cherries: Gimme some pie.

terça-feira, 20 de junho de 2017

As estrofes da culpa

A culpa é do Senhor Mário
Que queria ter morrido.
Ele inteiro feito uma pedra só, de carvão ardido.
A culpa é do Senhor Guarda
Que devia ter avisado.
A guarda sabe de coisas que a nós nunca tinham lembrado.
A culpa é da Senhora Judite
Que parece tresloucada.
O horror mesmo ao lado e ela a sentir-se acompanhada.
A culpa é do Senhor Bombeiro
E do seu tanque sem água.
Foi-se tudo e uma sachola, sobra, incandescente, essa mágoa.
A culpa é do Senhor Agricultor
Que plantou eucaliptos na serra.
Maldito que seca, infesta, estoira como bombas na guerra.
A culpa é do Senhor Ministro
Que vem de fato e camisa aberta.
Venha, venha ver com os seus olhos esta bela merda.
A culpa é do Senhor Mirone
Mais da puta que o parisse.
Tanto que podia arder em nosso lugar quem só assistisse.

A culpa é do Senhor...
Oh, Dele, pronto, deixemos assim.
Querendo, ri dos sonhos e escreve a fogo um triste fim.

Mas a culpa não é minha!
Nem o permite a pouca humildade.
O centro do imenso Tudo, o fito de todo o Universo: isto a Humanidade.

O frágil, finito, desarmado Homem
Posto perante a Verdade.
Agacha-se, treme, encolhe. Arde.

Aprendo?

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We are what we are...





domingo, 18 de junho de 2017

Luto



O tempo virá para perguntarmos como e porquê. Agora, basta-nos o silêncio. O terrível, doloroso e insuficiente silêncio. De dor e respeito. Juntos, tanto quanto possível.