sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Nomes - RMS



Do espólio do Velho dos Sapatos, apanhado por acaso, e esquecimento do referido, enquanto se limpava mesas:

" Nomes - RMS

Várias vezes - em algumas manhãs muito cedo, no meio de uma neblina fumarenta; em dois ou três finais de tarde de Sol poente e corpos de sal; numa raríssima noite insone - as palavras voltaram à minha mente: não me escreveste um poema quando eu nasci.

Podias-me encontrar um lugar impenetravelmente escuro e totalmente silencioso. De uma ausência completa, consegues imaginar? Um sitio impossível, sem consequência nem História, em que não restasse mais nada senão eu diante do meu sentimento por ti.

Ainda que fechasse com força os olhos, a imagem seria clara na minha mente; e quando me tentasse esgueirar para coisas que me distraíssem - futebol, aposto! - elas seriam impensáveis, pois dos Universos material e espiritual e racional e qualquer outro que pudesse alguma vez ter existido, nada restaria que não o que me És. Mesmo aí, eu não teria palavras para dizer este Amor.

O que queria era ser Livre. Fosse e nada te custaria qualquer esforço, porque de tudo cuidaria. De forma que a tua vida seria um constante passeio por veredas floridas ou uma corrida pelo caminho que te apetecesse. Feliz seria eu, de te proporcionar até o que não soubesses ainda que desejavas.

Oh não, nunca cairias, nunca falharias, nunca perderias. Serias Perfeita, no Mundo Perfeito,  cheio de pessoas Perfeitas. Porque serias sempre tu a definir Perfeição e tudo se te submeteria em nome deste Amor. Que é só meu, mas é tanto e tão grande que dominaria todas as Coisas e Seres, incluindo os Entes que habitam as interdimensões espaciotemporais. E os Vampiros e os Magos também. Um ou outro Lobisomem é que poderia ser mais rebelde.

Só que me prendo. Travo esta batalha infinitamente, de mim para comigo, desde o momento em que, nascida, pudeste olhar-me. E eu descobri que a minha missão era a tua Felicidade e que isso me ia custar tudo o que alguma vez poderia ter tido. Consagrei-me nesse instante e deixei de saber dizer este Amor.

É por isso que povoas os meus piores pesadelos. És a minha fraqueza inultrapassável, a morte de toda a valentia e qualquer bravata. É de ti que rezam as lendas que me recuso a ouvir e é para ti que correm todos os males do Mundo: as pestes, os demónios tiranos, os feiticeiros malvados e os Homens de uma maneira geral.

Sou só este e tenho tanto medo de não ser suficiente. Sobretudo, tenho um pânico descontrolado de que tenhas medo. Do que seja. Por isso te ensino a fazer pazes com ele, a tratá-lo como a um amigo, a conhecê-lo. A enganá-lo, como eu faço a cada minuto a todos os pavores de que sofro por ti.

Ah mas nada de enganos, eu permaneço o herói de espada em punho e abdominais ao léu, o Campeão do Mundo de secar cabelos, o original do teu sentido de humor, o homem que descobriu que o Planeta acordou de pernas para o ar e as pessoas tinham que acordar rapidamente, mas com cuidado, antes que caíssem das suas camas no teto. Sou esses, ainda frescos, e também o porquinho Alfredo, o Burro Tójó, a galinha Hermengarda e a certeza de que perceberias que não faz mal desenhar horrivelmente, se te divertires.

E sou um tabefe que não esqueces até hoje. Nem eu. Contínuo a sentir o mesmo frémito de alivio e o mesmo arrependimento escondido. Veremos o que se sente num eventual próximo, nunca fora de questão.

Um dia serei só isso: memória. Não há como fugirmos, meu Amor. Nasci e nasceste, aí traçámos o meu Destino. Sou para ti, mas não posso ser Tudo Sempre. Porque inevitavelmente acabarei por quebrar a minha promessa e te faltarei.

Nesse tempo - oh sim, falemos de tempos imensamente longínquos - serás o que eu não pude ser: a fonte de toda a Felicidade. É só isso a que aspiro: construir a cada nega, a cada frustração que te imponho, a cada gargalhada, aquela que se bastará. Porque te Amo, é certo, mesmo que não consiga encarar de frente este Amor. Porque me mataria cedo.

És o Amor que não sei escrever. "

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Soundtrack to RMS (with a drop of grief): What's a miracle?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Mesa do Canto: Em passo de corrida (com Mega)

www.gorunningtours.com

Tenho um problema com filtros. Desde puto que sou péssimo a fazê-los. E a enrolar também sou uma nód... Hã? Ah, pois, não, neurónio errado. 

Diz que tenho um problema com filtros que me faz ser basto inconveniente por vezes. Eu acho que estão muito enganados, visto que sou um doce de pessoa, com quem deve ser facílimo simpatizar. Não tanto pelo ar castiço e apalhaçado, mas sobretudo pela natural bonomia, fina inteligência, excelente trato, esmerada educação e uma dose de humildade natural que até espanta. Por manifesta modéstia, deixemos de parte os magníficos atributos físicos da minha pessoa, mormente os que não são imediatamente visíveis. Ainda que se adivinhem, receio bem. Não que seja muito complicado que os descubra, lá isso não. Quaisquer três garrafas de tinto carrascão e uma aposta estúpida depois, aí vai ele, com as pendurezas badalando por aí.

Parece que as pessoas não devem falar logo que as coisas lhes vêm à cabeça. Tipo, devem ponderar a formulação das questões que os atormentam, de modo a não ferirem susceptibilidades. Por exemplo, explicam-me que é de evitar chegar ao pé de alguém e perguntar "Atão, morreu o tê pai? Foi com quê?". Ainda que o progenitor da criatura tenha, de facto, passado desta para uma outra.

Felizmente, acabei numa tasca. Toda a gente sabe que isto é um pólo de saber muito superior a qualquer Campus Universitário. Quê? Qual Campus, caralho? Superior a qualquer praça de táxis. Não há pergunta que fique por responder numa tasca. Seja o que for que queiram saber, temos cá alguém que já fez. Ou está a pensar fazer. Ou não pode ser interrompido neste momento exatamente por isso. Ainda melhor, estão bem a danar-se para a maneira como lhes perguntam as coisas. Até porque não saberiam responder com meias tintas.

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Tenho andado a pensar que deve haver uma razão maior do que ser saudável para a malta andar toda taralhouca a correr de um lado para o outro. Será que eles sabem que vem aí o Apocalipse Zombie e estão a treinar? Óspois, correm mais do que nós, as pessoas normais que não desatam a correr só porque sim, e os mortos-vivos agarram-nos primeiro e comem-nos. Eu de ser comido não me importo assim muito, desde que não envolva pilas que não a minha. As dentadas é que não aprecio.

Olha, nem de propósito, aí está ele, o nosso especialista em correr porque sou tolinho. Chega-me a pingar suor, até mete nojo, mal consegue dizer Super Bock e moelas. Ah, o lanche de campeões depois de uma bela corridinha, hein? Pergunto-lhe:

- Oh morcão, porque é que tu corres se não vai alguém atrás de ti para te bater?  

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Porque é que eu corro se não vêm atrás de mim para me bater? Olha, fodeu-me!’ e nem foi preciso chamar o Marega…

Há perguntas que são tão inteligentes que independentemente da resposta que um gajo tiver para dar já entra a perder, por isso mais vale responder e já estou a ganhar. Confuso? Habituem-se, vai piorar.

Se duvidam de quão inteligente é a pergunta, pensem se o Stephen Hawking era capaz de a responder. Não, pois não? Então pronto! Divago.

Milhões de anos de evolução humana e correr é-nos tão instintivo como respirar. Basta pensar que uma criança, quando finalmente domina o equilíbrio necessário para se manter na vertical, começa por correr, mesmo antes de saber caminhar. Corremos porque temos falta de tempo, somos apressados, e, com as ferramentas que a Natureza nos deu, continua a ser a forma mais rápida de chegar a algum lado.

Dizem os estudiosos que correr liberta endorfinas, aumenta a sensação de bem-estar e faz activar no cérebro a mesma zona de prazer que as drogas. Mas fica mais em conta. É capaz de ser verdade. 

Eu corro porque faço parte duma tribo, corro com a minha seita. É mais fácil de desincentivar se alguém quiser mesmo vir atrás de mim para me assapar o pelo.
Além disto tudo, tenho o privilégio de correr no Porto, com o Douro como companhia. No meio dos meus, com o cheiro a mar a invadir-me as narinas, o Sol a morrer no horizonte, intervalado pelas pontes e o “foda-se, oblá, já num te bia há colhões de tempo, caralho!!” como banda sonora ao passar pelas vielas. Não há nada que pague isto. E a marginal cheia de fêmeas em roupa de desporto justa também não.

Ui, já lá vem o camurso do Silva com as moelas e mais um fino e a pergunta continua sem uma resposta à altura. Cito o Rui Pinho, que em tempos citou outro gajo qualquer e digo que corro porque posso. 

Olho para a vitrina onde o Silva deixa a garrafa de Dimple a ganhar pó e aproveito o reflexo para fazer uma tabela, lanço um olhar ao Stephen que acena a cabeça, a concordar comigo. Ou então é um espasmo.


Com Mega | @magalhaes81

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Soundtrack to Mega: RUN!

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O Mega é um prezado freguês da Tasca. O primeiro a desafiar-me para me juntar à seita do pássaro azul. Faz o favor de me aturar por lá também. Não fiquem invejosos, vocês também podem frequentar em @tascadosilva

Agradeço-lhe a disponibilidade, pois está claro, para ocupar a Mesa do Canto e lançar alguma luz sobre um dos Grandes Mistérios da Humanidade. Se o virem a correr feito doido por ai, assapem-lhe! Não vá a criatura estar a atravessar um momento de menor motivação... 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Solidariedade e um mistério

Quizz: descubra o erro nesta imagem

Manifesto desde já a minha solidariedade para com ojárbitros da bola que querem aumento. Percebe-se lindamente a reinvidicação. 

Com o penta prometido a deslizar, prevê-se um aumento exponencial do gasto em refeições por parte da classe do apito. Só o que se perde em vouchers, dava para alimentar o Pedro Guerra durante um ano. Bem, provavelmente nem tanto. Um mês. Duas semaninhas? Kéjbêr que foi à pala de poupar para a ração do paquiderme que venderam tanta gente?

No mínimo, haviam de lhejatribuir um seguro de saúde, com cobertura oftalmológica, dado esforço córneo que agora lhes exigem. Ora agora é para não ver nada, ora agora é para ver até o que não estiver lá. No ecrã da BTV. Dá cabo das vistas a qualquer Fábio, credo.

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Estou igualmente solidário com a Liga de Clubes, por não querer aumentar ojárbitros da bola. Percebe-se lindamente a nega.

Com o penta encomendado a deslizar, não se entenderia que fossem premiados os elementos mais importantes da equipa que perdeu 5 pontos em 6 jogos. Pois, esses mesmo, a classe do apito. É apenas justo que demonstrem competência na tarefa que lhes está atribuída, antes de se porem a chorar por aumentos. Até ao fim do campeonato, têm ainda muito tempo para contribuirem para a prossecução do objetivo. Não tenho dúvidas de que se esforçarão. Meus queridos.

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É apenas humano sentir-me solidário com o jogador Marcão - irmão de Marcãozão, Marcãozorro e Megamarco, filho de Dona Marquinhas e Sêu Minimarco - que se atirou todo inteiro de encontro a uma locomotiva. É parvo da parte do cachopo, majistusmiúdos, já se sabe. 

Faço votos para que recupere rapidamente e que o acidente tenha servido para lhe meter algum tino naquele cérebro de ervilha. Ai ca burro.

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Protomaregodependência
Não contam com menor solidariedade todos aqueles que querem saber tintim por tintim o que se passou em Vila do Conde no Domingo. Para satisfazerem essa felina curiosidade, só vos resta irem a correr ouvir o 


Está lá tudo, pelo que nada há a acrescentar aqui. Bem sei que aturar estes três imbecis por 50 minutos não é fácil, majé para vosso bem. Estamos juntos!

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Grandes mistérios da Humanidade:

Porque correm desauridos de um lado para o outro tantos indivíduos, se não vai alguém atrás deles para lhes bater?

Também não sei, mas vou investigar.

domingo, 17 de setembro de 2017

Domingo B, uma pausa e um eargasm

Faz-me lembrar qualquer coisa...

Ontem pude, finalmente, ver o primeiro jogo completo dos meus meninos queridos. Pois claro que tenho, não sou menos do que um lampião qualquer, olha que merda! Isto é, vi o FCP B. Já tinha andado a ver uns pedaços dos outros jogos, mas assim à boss, um jogo inteiro, sem interrupções, ainda não tinha acontecido este ano. Sendo o primeiro, o meu plano era, muito inteligentemente, deixar-me estar caladinho e não desatar a mandar postas de pescada na Tasca. Para plano, não parece estar a correr nada bem...

É que já esta manhã li a conferência de imprensa do Sérgio, nomeadamente este pedaço, e fiquei a pensar que o gajo devia ter começado a frase por "Como disse o Silva, o desequilíbrio do meio-campo...". A seguir explicava porque é que em vez de corrigir aquilo dos avançados e dos alas, tratou de tirar um médio e pronto, estava tudo dito. Só que, de facto, um gajo falar depois de ver as coisas a acontecerem é mais fácil. Mesmo quando eu e o Sérgio pensamos da mesma maneira, e ao contrário de 99% da malta pelos vistos, ele tem que fazê-lo antes. Já eu, posso cagar sentenças depois. Parecendo que não, faz uma diferença do caraças. Sobretudo nas nossas contas bancárias, poor me.

Foi aí que me decidi a falar nos B desde já. Antes que seja tar...depois. A quem é que isso vai fazer diferença, não faço ideia. A ninguém, acho eu. Majolha, melhor isto do que andar metido nas drogas e no gamanço e na malfeitoria de um modo geral.

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Quando olhei para o nosso onze para o jogo contra o Nacional, pensei o mesmo que os amigos da página oficial do FCP: Fixe, deixou-se do disparate dos três centrais e vamos jogar à bola. Boa altura para isso, porque o Nacional é um dos - nesta Liga não há principais, é tudo em molhos - candidatos à subida. Depois reparei bem na equipa e estava lá o nosso capitão, Rui Moreira. Ora, quando o bom do Rui está no onze, que é sempre, só depois de o jogo começar é que podemos saber qual é o sistema. Voltaremos a este rapaz, mais à frente.

No papel, eu via um meio-campo de muito trabalho e arte maijómenos, com o melhor jogador da Liga em Agosto descaído na esquerda, mas, seguramente, cheio de liberdade para pegar no jogo no meio, beneficiando de um defesa esquerdo que é um extremo e das costas quentes daquele miolo cheio de músculo e capacidade de recuperar bolas. Apesar desta perspetiva de jogo me deixar com uma semi-ereção, depressa o cérebro - que é aquele orgão que serve para passar as cenas de semi a gandapau - me atirou para um duche frio. Estava mal, não devia ser assim, era estúpido! 

O meu entusiasmo, que vocês os quatro conhecem, pela equipa B, deve-se ao facto de pensar que o projeto não serve apenas para potenciar jogadores. Serve também para dar cobertura à malta da A. Isto é, para os substituir sempre que for preciso e se justificar. É uma extensão do nosso plantel e não pode ser olhada de outra maneira. Só que tem sido. Toda a gente parece olhar para a B como se fosse outro escalão. Tipo, é os juniores. Errado! Estes miúdos são profissionais e devem ser tratados como tal. Para o bem e para o mal.

Portanto, na minha opinião, a equipa B deve jogar SEMPRE da mesma maneira do que a equipa principal. Não é quase sempre, é SEMPRE, mesmo! Basta atentar no seguinte tutorial:

"Como meter um B a jogar na equipa A, em 3 tempos"

1º Tempo - Pega-se no cachopo da B com cuidado, para não lhe partir uma perna ou assim

2º Tempo - Põe-se o moço a treinar a semana toda com os A

3º Tempo - Mete-se o B na A. 

Basicamente, é seguir os passos da cópula, sem a parte de pagar jantares e fazer de conta que somos tipos inteligentes e seres sensíveis. Panascas, no fundo.

(Pausa para fazer vénia à Rita e sus muchachas capazes)

Ora bem, apesar de simples, isto implica uma coisinha importante: não ter que se ensinar o rapaz como é que tem que jogar e quais são as especificações da posição que se pretende que ele ocupe.

Foi por isso que o que eu via no papel, antes do jogo, por muito que me parecesse uma gaja bem boa, não me dava tesão. Porque não cumpria um dos objetivos primordiais da B. E uma coisa que faz o contrário da sua essência, tarde ou cedo dá merda. Ou pior do que isso, dá merda nenhuma.

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E então começou a bola. Quase tudo o que está refletido acima foi com os porcos. Quais 4-3-3? Estava-se mesmo a ver que o Moreira ia jogar a terceiro central. Laterais projetados, dois médios de contenção, o André plantado à frente e Fede e Galeno para que vos queremos. Para ser mesmo, mesmo perfeito - not! - só faltava cagar no talento do Varela e fazer um jogo de esticões e pontapés para a frente. Ou seja, por cima do Fede e à espera que o Wanderson as apanhasse. E não é que apanha a maior parte? Desde que os matulões lá de trás consigam mandar os charutos de forma a que a bola não saia, o bom do Galeno, mais ressalto menos canelada, acaba por ficar com a chicha. Para ideia de jogo, é pobrezinho.

Vejamos, se nos estamos a danar para a articulação com a equipa A - é o que me parece, até melhor opinião - os resultados passam a ser importantes. É que essa treta da "formação" e da adaptação a um escalão diferente e rebéubéu pardais ao ninho, era interessante se Garcia, Rafa, Galeno, Fede, Omar, Mikel ou Rui Pedro tivessem servido para alguma coisa. Which they didn't. Há dois que brilham na B e já leio muito Portista de rede social a pedir o seu empréstimo em janeiro. Para crescerem, dizem eles. Como o Rafa e o Mikel, certo?

Nesse caso, Folha apresenta, nesta altura, um futebol de treta, mas bons resultados. Aliás, muito bons! Claro que ontem podíamos muito bem ter perdido o jogo na primeira parte. Íamos para intervalo a levar uns trêjum e ninguém se podia admirar. Mas também ninguém se pode queixar de termos ganho, depois de uma segunda parte muito melhor. E porquê muito melhor? Porque a bola passou mais tempo nos pés da nossa gente do meio-campo do que no ar. Numa direção qualquer. Até aparecer o Galeno, vindo da outra ponta do campo, e ficar com ela.

No entanto, um gajo olha para os jogos, vê os erros dos miúdos, as qualidades de tantos deles, e encontra muito por onde pegar. Há muito mérito de Folha nisso, porque mesmo sem a tal - e fundamental, foda-se! - articulação, consegue ir desenvolvendo valências dos jogadores que poderão ser muito úteis. Assim alguém esteja atento. Confio que estará, mas por mera fé, que sinais disso, até ao momento, são zero. 

A começar pela constituição do plantel. O tal que é curto e não tem soluções para o cansaço de Soares na quarta-feira. Ou para Danilo. Ou então estão na Rotunda da Boavista e na Bélgica.

Deixemos de lado Fede Varela. Primeiro porque vocês sabem - pois sabem? - que, muito antes das serenatas que lhe cantam agora, eu disse que era um fora de série. Onde chegará, não sei. O que sim sei, é que não cabe no modo como a equipa A joga. A menos que...espera lá, a menos que seja o ala que dá o equilíbrio ao meio-campo. Aquilo de que se queixava o trei...foda-se, olha que bem visto xôr Folha. Ou foi mero acaso?

Esqueçamos o melhor jogador da Liga II, porque há mais de quem possamos falar.

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PAULINHO MOREIRA

O Moreira pode jogar em qualquer posição, o que, na minha opinião, o vai ajudar muito. Porque não será um 8, sua posição de raiz, de exceção, mas pode vir a ser um belo upgrade do Paulinho Santos. 

O Paulinho jogava a trinco, a defesa esquerdo, a defesa direito, a guarda-redes se fosse preciso, a extremo, a dar porrada no João Pinto, name it sirs. O Rui já foi seis, oito, central, lateral esquerdo e aposto que, pedindo com jeitinho, também vai à baliza. 

Para o nosso eterno - e que gosto é vê-lo no banco, ao lado destes cachopos - Paulinho, a grande diferença do Rui é ter um pé esquerdo de eleição. Útil, muito útil, tipo canivete Suiço.


MOUSSA GALENO

O moço tem menos - oh, muito menos - caparro que o Moussa, mas joga mais à bola. Oh, qualquer coisa mais. Também é um pedaço trapalhão, mas ainda vai muito a tempo de aprender. De resto, por muito que vos custe a acreditar, faz o mesmo que Marega: estica o jogo, porque a equipa está muito distendida, vai atrás da bola e chateia os defesas, ganha-lhes metros e metros e faz golos. E cai menos vezes. Folha está a fazer dele um segundo avançado, sem perder de vista que vem da ala. Coincidência?


JORGE "BICHO" FERNANDES

O ai Jesus dos Portistas é Diogo Dalot. E eu percebo porquê. Se for a central, para não estranharem muito o nome, é o Diogo Leite. Estão, naturalmente, enganados. Não que o Diogo não prometa, que promete e muito, mas antes dele, acima dele, está Jorge Fernandes. 

Não sei se olham para ele como o tal quarto central que falta à A. Desconfio bem que não, sobretudo porque estão a ensiná-lo a jogar num esquema de três centrais - caga lá nisso António, credo! - mas deviam. Porque é um centralão e, se não o ignorarem, vai ser um grande jogador. Foi ele que deu a casa - a mansão! - que nos deixou a perder. Foi ele que empatou o jogo. E chorou a comemorar. Foda-se, vai Bicho!

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Enfim, tempo de me concentrar no que é mesmo importante hoje. Por deferência de um labrego, terei oportunidade de estar em Vila do Conde e tenho a certeza que virei de lá feliz e contente. Já estou a ficar ansioso pelo primeiro dos cinco golos que vamos marcar. Vai ser do Oliver, carago!

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EARGASM: ALL SAINTS!
(e é do FCP, carago!)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Aprender a voar

Aaaah, já estou a ver méksefaz...

Se o meu amigo ou a minha amiga costumam gastar o seu rico tempo a ouvir o A Culpa é do Cavani, lembrar-se-à que eu esperava alguma ansiedade do nosso FCP para o jogo de ontem. Vinda diretamente do banco, porque nenhum treinador fica indiferente à sua estreia na maior competição do Mundo.

É como meterem-vos na cama com a Charlize e mais a mulher que máijamam. Um gajo fica nervoso às primeiras, pois claro que fica, mas depois habitua-se e trata de mostrar porque é que merece esse pedacinho de Céu. Ou então não.

- Hey, discriminamos? E nós, gajas bem boas que estamos a ler isto?  Nem um Ryan Goslingzinho para desenjoar?

Todas as gajas bem boas que não entendam a piada de se enfiarem na cama com a Charlize e outra moça por quem nutram bastos sentimentos, são parvas. É a minha opinião. Hã?

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Achava também que a melhor maneira de ultrapassar isso, seria abordar o jogo da exata mesma forma do que todos os anteriores. Caramba, se vais estar nervoso ao ponto de não teres a certeza se o pões de pé, mais vale não arriscares entrar no quarto a fazer o pino. O sangue flui para a cabeça errada e está tudo fodido. Quer dizer, só que não.

E foi isso mesmo que Sérgio Conceição fez. E bem! O resultado, em termos de jogo, foi igualmente o expectável: uma partida aberta, de bola nas áreas, mais vontade nossa, mais calma dos outros. Equilibrado, que não descansado. Ui, longe disso.

Se nos seguem no tal do Cavani, saberão que levei forte e feio na minha sensual testa, à conta de questionar a nossa consistência defensiva. Começaram logo por me atirar com a estatística de golos sofridos à moleirinha. Ouch, doeu mas lá me recompus. E ripostei com as oportunidades flagrantes do Chaves. Que não podia ser, dizia eu. E logo duas, foda-se. Os Jorges tomaram balanço e atiraram-se a mim, munidos do argumento "não jogamos sozinhos, duas é pouco". Ainda balbuciei: majé o Chaves. E já o filhadaputa do Patanisca - ou lá como se chama - fazia o primeiro do Besiktas.

O jogo, esse, é que continuou igual. Repartido, agora mais nosso e longe de dar a sensação de ter acabado. Merecemos o empate que esbarrou no poste, mostrámos garra e vontade, mesmo que o Sérgio não tenha visto, e tivemos o piço do autogolo. Vamos atribuí-lo ao Marega, só para manter o hype

Não havia necessidade de o pagarmos com uma quinta, incluindo estábulos e pasto, no nosso meio campo, para o homem preparar um chuto à baliza em paz. Mas já que estávamos nisto, acrescentámos a fífia anual de Champions de San Iker e pumbas, 1-2. Sim, para o nível de Iker aquilo é um frango. O que diz muito da qualidade do nosso keeper. Para quase todos os outros nem seria assim tanto.

Em resumo, não era um resultado lá muito justo ao intervalo, apesar de não termos conseguido reagir ao segundo como ao primeiro. Mas caramba, vinha lá o intervalo e podíamos injetar, salvo seja, confiança renovada na malta. Até porque já nos tínhamos habituado a jogar só com dez.

Qual Danilo? Hã?

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E Sérgio maiconou. É a minha opinião, azar. E a dele também. Vejamos:

Segundo o nosso treinador, não conseguimos ganhar o meio-campo porque os avançados, a espaços, não cumpriram lá muito bem o que ele queria. Vai dai, achou bem tirar um médio. Não entendo. Aliás, eu teria mantido o próprio Corona. Afinal, precisávamos de golos e arte para furar a defesa.

No processo, mudámos de sistema, trazendo uma bela ideia para o campo: soltar Brahimi entre linhas, encostando Marega à direita. A esquerda ficava para Otávio e, em tese, teriamos uns quatro ou cinco tipos disponíveis para a luta do miolo. Se Brahimi fosse capaz de fazer de Oliver, de Danilo, de Corona e, nos intervalos, de si próprio.

Não foi, mas ainda carregou a equipa às costas para 20 bons minutos. Nos quais podíamos, merecíamos e devíamos ter voltado a empatar. E era um jogo completamente outro.

Durante esse bom período, senti tantas vezes a falta de um grão de lucidez, um pingo de arte, que ajudasse o Argelino. Mas não existia. Sérgio roubou a equipa a Brahimi. Para mim, fez mal. Sendo que para metade deste mal - para ser claro: Oliver - não encontro qualquer justificação.

Quando Brahimi começou a dar o peido mestre e os turcos acrescentaram mais um mono ao meio-campo, a coisa complicou. Complicou-se até ao 1-3. Finito.

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Claro que já saiu em alegre desfile a Escola de Samba Unidos da Falta de Profundidade, com o estupendo samba-enredo "Não há ovos bons para substituir os ovos chocos". É uma música fraquinha, mas fica no ouvido. 

Se vos apetecer, discutimos caso a caso na Caixa de Comentários, que não me apetece estar a chover no molhado.

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E pronto, assim era o Fim da Champions. Mas não! Porque tenho a certeza que o treinador, e com ele a equipa, aprendeu coisas neste jogo. A mais importante das quais terá sido - or so i hope - a não mandar malta para dentro do campo só porque está irritado com a Vida.

Este é o resultado que transforma o facto de estarmos num grupo equilibrado numa coisa boa. Estes pontos são recuperáveis por nós e muito perdíveis pelos Turcos. Aliás, creio mesmo que no fim da próxima jornada estaremos em segundo, a um ponto do primeiro. O Besiktas.

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- Oh Pedro, olha lá uma coisinha: em que parte do Céu é que está a Charlize amais a cachopa do fulaninho irritante?

- Hã? Ainda não estão cá, Senhor. Pelos registos, nem daqui a 100 anos as juntamos aqui.

- Ah, não? Pois, estou a ver...

- Porquê, Senhor? Não terá percebido mal alguma coisa ou assim? - A medo.

- Já se metia na sua vidinha, o senhor Pedro, não? Vai-se a ver, agora devo-lhe justificações, é? Raisparta a criadagem, não se lhes pode dar confiança, chiça! - E sai, ligeiro, em direção ao Sétimo Céu.

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Soundtrack to crash: Learning to fly