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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Só assim! (outra carta ao Dragão Vila Pouca)



Grande Dragão Vila Pouca,

Podia mentir e dizer que foi para si um dos meus primeiros pensamentos, no eclodir da - yet another - festa, desta nova vitória, em mais um momento de libertação, como se uma nuvem cada dia mais negra deixasse de pairar sobre as nossas cabeças. Em cima de cujas o céu, afinal, nunca caiu. 

Não foi dos primeiros, foi até dos últimos. Numa sequência interrompida por outros pedaços da Vida, o coração a fugir apertado para os lados de Águeda - é outra história - e a correr transbordante de alegria para a nossa casa, o nosso Dragão. Todos vós enchendo o ecrã que teve que ser a minha janela para a alegria, essa que eu, perdoe a imodéstia, merecia tanto ter partilhado. Mas o que importa é que se deu, conforme previsto, conforme necessário, porque nem sempre a injustiça de uns homens se sobrepõe ao mérito de outros homens.

Às tantas, numa linha de raciocínio que é certo que envolveu cânticos e alguns abraços; que deve ter passado por muitos lugares e outras tantas pessoas; que é muito provável que tenha incluído belas mamas - só porque sim; lá cheguei a si. Salvo seja, que de mamas o meu amigo é uma vergonha. 

Certo é que tanta curva e contracurva das sinapses - juro-lhe que por vezes as oiço rebentar - cheguei a uma espécie de palco elevado, uma coisa em redondo, toda ela engalanada de azuis, como não podia deixar de ser. Nessa clareira da mente, nesse sítio onde se concluía, definitivo, aquele pensamento, entre os pulos e os gritos dos nossos heróis, eles próprios feitos adeptos, imbuídos da nossa alegria, afinal apenas mais umas dezenas no mar dos milhares que os rodeavam, como há muito - horas de vitória incluídas - não via, nesse exato instante em que mais uma sinapse fez pum e foi fogo de artifício sobre o viaduto, o silêncio repentino disse-me: Só assim!

Só assim era possível. Só passando por arbitragens como as da Feira, de Vila das Aves, de Moreira; pelo desrespeito em nossa própria casa, a mesa posta para os convidados, gostemos ou não deles, por obrigação desta educação antiga - diz que somos regionais e pequenos - quando nos impediram de ganhar ao 5LB; pelos erros próprios em Paços; pelas dúvidas existenciais do Restelo; só vivendo o momento de afirmação, sustentado numa crença inabalável, de vencer no covil do inimigo; sempre mantendo a par a luta lá fora, pelos poucos meios de que dispomos, e a raça, a emoção, os golos dentro do campo; só assim seria possível. Só assim! 

Quando me dava por contente pela minha conclusão, dei consigo. Lá estávamos, encostados ao murete em frente da porta 4. Os anos tinham andado um pouco para trás e fazia Sol, mesmo que não lhe possa já dizer se era Verão. Como sempre, eu defendia uma postura de recato, de competência e retidão, sem chafurdar nas lamas que tão claramente já vislumbrávamos. E estava artilhado de argumentos para todos os gostos, desde a nossa posição hegemónica - da qual você já duvidava basto - que não nos permitia ser guerrilha, até à superioridade que eu notava em campo, com a posse e o passe e uma cultura de equipa tão grande que já não me parecia caber num país tão pequenino. E mesquinho.

Isto não é Inglaterra, Silva! Se continuamos com esta postura mansa, somos comidos. Mas fazer barulho não chega, é preciso que lá dentro, no campo, as tropas consigam vitórias. Senão tudo esmorece. Este Clube foi feito de sangue, suor e lágrimas. Só assim, Silva, só assim!

Só assim, Vila Pouca, só assim. Obrigado.

E agora, estou aqui a matutar. Será que esta retumbante vitória nos deixa mais próximos de ser Inglaterra? Era bom, não era?

Um grande abraço, Campeão.

Silva

...



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Mais cincazero, Silva!

...oooppsss, sorry, enganei-me no cincazero...

...mas estes foram do bem! Do jogo em si, a gente despacha-se num instante: aos 20 minutos já o FCP estava a ganhar por dois, com uma bola na trave e outra salva em cima da linha. Pressão alta, recuperação de bola em zona de ataque, maior rapidez do que adversário e mais agressividade para ganhar as segundas bolas, muita decisão má sobre o que fazer com a chicha. Chegou e ainda sobrou para quarta-feira que vem. Foram cinco, podiam ter sido um pouco mais, se bem que não muito, porque a eficácia esteve altíssima, ainda que o melhor futebol tivesse aparecido nos últimos 20 minutos. I wonder why... Desconfio é que não teríamos tido uma partida tão descansada se fossemos jogar esse bom futebol de inicio. Vai daí, fuck it!

Ah, é verdade, o Iker voltou à baliza. Vai-se a ver, está mais gordo. Concordando com a titularidade do Espanhol, porque é o melhor do plantel, não o teria feito agora. A menos que o Sá tivesse suplicado muito. Mas lá está, eu não teria tirado o Oliver da equipa depois do Besiktas...

Como dois parágrafos parece pouco para um post e não tenho nenhuma novidade acerca do meu estudo sociológico "Estupendas cenas da pornografia Mundial e a sua influência no conflito étnico do Sudão", vamos conversar um pedacinho sobre coisas a propósito do FCP vs Rio Ave de ontem.

...

Coisa 1 - Liverpool

Estratégia: pressão alta, intensidade e agressividade positiva. Objetivo: ganhar a bola em zonas adiantadas, encurtando o caminho para a baliza. Como ideia, não está nada mal. A aplicação pode ser complicada, mas contra o Rio Ave resulta sempre bem.

O problema não é o adversário, é o árbitro. Acertas na bola, mas raspas no jogador? Falta. Encostas-te ao rapaz que tem a bola, segue, segue, até ele ficar sem ela, momento em que? Falta. Carrinho para recuperar o esférico? Pá que abuso! Falta. O gajo teve uma embolia e caiu redondo - salvo seja! - e tu procedeste a avançar para a baliza? Espera, alguma coisa deves ter aprontado, seu traquinas. Falta. Há cinco dois minutos que ninguém se atira para o chão a balir de dores lancinantes? Deve-me ter escapado uma sarrafada ou outra. Pelo sim, pelo não, vou marcar uma falta.

Reparem, nem sequer vou discutir a Xistralhada do critério. Apenas porque o assunto não é este jogo, está claro. O assunto é o segundo golo do Liverpool no Dragão. Como, mas como, posso esperar que o Marega não achasse que tinha pelo menos 1 minuto para ficar a rebolar no chão? Porque é que a equipa não haveria de levantar o braço e deixar-se estar descansada? É o que nos ensinam, em campo, durante cinquenta jogos. Os milhões dos orçamentos, o pacing, a intensidade, a santa cona do assobio e os colhões do mudo, podem todos ser muito verdadeiros, mas o pior de tudo é termos que jogar outro jogo durante um ano inteiro.

Fosse um Xistra do estrangeiro, um Xáistra ou Xistre ou von Schïstr ou a puta que o pariu, a apitar-nos contra os de Anfield, não havia segundo golo para ninguém. Fosse um árbitro de futebol a apitar-nos ontem e teríamos dado oito. Quer dizer, dependendo do minuto de jogo. Se fosse depois de o cérebro do Brahimi ter ido tomar banho, se calhar dávamos só seis.

Imagino um trabalho muito complicado para um treinador do FCP. Na maior parte do tempo, tem que dizer aos moços: Pá, oh Orelhas, tens que ser mais meiguinho, não sei, não lhes tires a bola, fica só lá a olhar para eles ou assim. Pode ser que se hipnotizem a olhar para os abanos e adormeçam. E mesmo assim, não abuses, que olhar fixamente para o adversário pode ser conduta antidesportiva. Oh tu aí, o armário, um metrinho de perímetro de segurança, tajóbir? Se te chegas mais do que isso, ainda levas amarelo.

De longe a longe, chega-se ao pé dos mesmos tipos e: Pá, oh Hector, tu morde-lhes os calcanhares, não os deixes da mão rapaz. Oh tu aí, o armário, só cais se te derem um tiro, tajóbir? E mesmo assim, é se for audível. Se for com silenciador, continuas a correr que te fodes, andor meu menino.

A jogar em casa, contra o macio Rio Ave, o FCP foi mais agressivo e intenso do que contra os Saxões do Demo? Muito mais! Ontem, cometemos 25 - VINTE E CINCO! - faltas, contra 9 - NOVE! - de quarta-feira. Acreditam nisso? Really?

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Coisa 2 - Miguel Cardoso

Já sabem que eu sou um embirrantezinho de merda. Ainda por cima, quando desata toda a gente a tecer grandes loas a alguém, eu fico desconfiado. Menos se for a mim. Aí, percebo lindamente.

Ora então, oh Miguel, amigo, deixa-me dizer-te que se me desse na gana de mandar num clube endinheirado - pois claro que me deixavam, homessa! - a primeira coisa que eu fazia, era garantir que nunca te contrataríamos. Depois de isso estar nos estatutos vitaliciamente, já me podia retirar para a minha herdade, que seria todo um atol nas Maldivas, e plantar frutos vermelhos. Gosto de sangria de Perignon com groselhas acabadas de apanhar, qual é o mal?

Becabecabecabeca a identidade, rebéubéubéu a coragem, renhónhó o espetáculo, blabla houvessem mais destes. Pá, tudo certo. E aquela coisa estupidamente sobrevalorizada a que temos o hábito de chamar...errr...espera...é como mesmo?...ah, já sei, aprender!? 

Tenho imensa pena pelo Miguel, sendo eu insuspeito porque gosto daquele tipo de futebol, mas o problema não é o modelo. É a burrice. 

Broda, fazer minetes é bom. Para além do mais, é coisa para colocar as pessoas bastante perto do orgasmo - mineteiro e minetada, já se vê - mas a coisa complica-se se à quinta vez ainda não percebeste que APENAS isso não chega. Vai-te valer umas quantas palmadinhas condescendentes nas costas e ZERO orgasmos. Precisas de fazer mais alguma coisa, moço. Qualquer dia, rebentam-se-te os tomates em cheio nas tuas próprias trombas. Canoijo!

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Coisa 3 - Ser Campeão!

No inicio deste ano, decretei que o Porto é Campeão. Foi logo a seguir ao assalto à mão armada em Santa Maria da Feira, com tentativa de violação por via anal incluída. Nessa altura, ainda não tinha quase caído uma bancada e ficado um jogo a meio. Hoje, essa metade por disputar apresenta-se, por motivos diferentes, tão relevante como a batalha de Terras de Santa Maria.

Eu devia saber que para o FCP ser Campeão, tem que ganhar o Campeonato duas vezes. Burrice minha, desculpem. Ainda acabo a treinador do Rio Ave.

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Grandes Mistérios da Humanidade: Porque raio é que os motomobilizados são contra inspeções periódicas aos seus ruidosos veículos? Organizam arruadas e até aparecem ex-Presidentes de Câmara lá misturados e o caraças. Gajas com as mamas à mostra é que nem vê-las! É uma cena um bocado panasca para motard, não acham? Vou investigar...

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cincazero, Silva!

...que remédio. Não é como se tivesse alternativa, senão abanar a cabeça e sorrir do modo mais amarelo de que for capaz. Começa agora, e ainda está de noite, e só vai acabar quando...sei lá quando, talvez em março, no jogo de volta, talvez no domingo, depois do Rio Ave. Um dia acaba. Até lá, sorrio amarelo, abano a cabeça, mas não a baixo. Afinal, esta roupa de trabalho não tem um emblema para eu beijar.

Nem sequer vou perder tempo e delapidar o meu parco latim, lembrando quão forte é o Basileia ou a alegria que é jogar em fevereiro no Cazaquistão, contra o colosso das bicicletas. Isso sim, feitos que enobrecem a Pátria, a deles, e que merecem ser relevados pelos altos dignitários do bairro. O deles, que teimam em fazer de conta que é um país inteiro.

Posso sentir um arrepio de irritação, quando chegarem os derrotistas e derrotados do costume. E os catárticos, à procura de culpados, muitos e vários, mantendo em chaga a ferida, destilando os seus ódios de estimação. Até à próxima vitória, só até lá, a esse momento em que acaba. 

Cincazero, Silva. Nos olhos, trarão a minha tristeza e isso faz-nos irmãos. Juntem-se à roda, a que tem os muitos milhares que ontem, sorrisos amarelos em punho, abraçaram, cantando e pulando, os que levam as nossas cores. E tanto que têm merecido esse colo.

Olha equipa, aqui está a eterna mocidade. Nobre e leal!

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Aos que, coitados, quiserem mesmo vir trocar duas de treta sobre a bola, vou ter que lhes dizer, como sempre, o que vi:

Se os jogadores não mereciam ter sido terraplanados pelo resultado, o treinador merecia ainda menos. Exceto pelo...pois, isso. Mas não esteve em causa durante as vitórias ou na defesa impossível em Chaves, certo? É por isso que não aceitarei que se lembrem agora, os que fizeram por esquecer antes. Não  desenterrem esse morto os que o mataram e ainda se deram ao trabalho de apequenar quem alertou para o erro. Que, foi-se a ver, só foi errado agora, quando não podia mesmo ser.

O treinador fez tudo bem. Podemos implicar com o “decreto Marega” ou discutir as opções, mas são detalhes de um tempo em que já tudo era praticamente by the way. De resto, entrámos com a estratégia certa e o Freitas Lobo pode, e deve, ir apanhar no real entrefolho do olho do cú. 

Entregámos a bola aos beatles, deixámo-los andar com ela à roda até à linha de meio-campo e tapámos as possibilidades de a entregarem aos moços da frente em condições. E quando, ainda assim, o conseguiam fazer, o espaço para os artistas era tão curto que se acabava o campo. Ao mesmo tempo, estivemos sempre prontos para sair em contra-ataque, algumas vezes muito a preceito. 

Foram 25 minutos, mas a ideia era que fôssemos perfeitos e pudessem ter sido 90. O saldo desse curto período, foi uma oportunidade de golo e três ou quatro cantos para o FCP. E um adversário claramente incomodado.

Escamotear as responsabilidades é mau. Atribuir culpas individuais numa derrota por cinco, parece estúpido. Então, resolva-se o dilema traçando um risco: ali em cima, falei-vos do Verbo. Agora, faça-se Luz: o lance em que tudo correu mal a José Sá. 

Desde a reposição com as mãos direitinha para um seilákeporradecôrakilera, a meio do nosso campo, com a equipa toda em contrapé; até ao enorme frango final. E todo um novo Universo se pôs em movimento.

Há falta sobre o Marega, na jogada que pôs acabamentos de luxo na construção iniciada acima. E uma passividade assustadora dos nossos - como não foi falta? Espera, vou levantar o braço e já se resolve isso. Hã? E continuam? Ai o caralho! - a recuarem e a deixarem o bife andar os metros necessários para chutar. Termina em beleza, com o avançado a reagir três vezes mais rápido do que o defesa. Fim do jogo.

Fim, porque o desconforto que se acabara no frango do Sá, deu lugar a uma espécie de Paraíso para uma equipa que, mais do que tudo, sabe e quer jogar no espaço, em velocidade, contra adversários que queiram, ou se vejam obrigados, a ter a bola e a procurar o golo. O treinador preparou bem o jogo, o jogo é que lhe deu com os pés.

Vamos a contas: 45 minutos, 2 oportunidades flagrantes para o FCP, 1 erro individual do tamanho dos clérigos, 1 falta por marcar e muita gente a nanar, zeradois. Houve mais alguma coisa? Não, mais nada! 

Para a segunda parte, SC fez o que tinha a fazer que, ao mesmo tempo, era tudo o que não queria fazer. Foi à procura  de golos, forçando o ataque. A walk in the park para os ingleses. Estes ingleses. Cincazero, Silva.

...

Mais tarde, cansados de repetir as incindências e de preencher os cenários what if, alguém se lembrará de dizer “ao menos vamos poder descansar a malta no jogo de lá”.  Como se fossemos outros quaisquer e não o FCP.

Azul, branca, imortal, essa bandeira só avança quando não estamos a “cumprir calendário”. Isso não existe para nós. Vamos a Liverpool para ganhar. Para marcar mais um golo que o adversário. Ou mais dois. Mais três, se se distraírem. Até quatro, numa pontinha de sorte.  Altura em que veremos das possibilidades de uma Era do Fogo sobre a sombria cidade. Cá esperarei então, sorriso rasgado, pelos vossos Cincazero, Silva!

Eu não me sinto humilhado. Como não senti em Munique, ao contrário de muitos. Humilhação é jogar para cumprir calendário.

...

Espero que a tua diagonal te possa trazer aqui. Pensei em agradecer-te por ontem não ter sido o dia do Cincazero, Silva!, apenas. Mas seria parvo, porque nenhum dia é apenas. Os Amores preenchem-nos a todos. 

O facto permanece e é insofismavel: hoje devia ser dia de um post sem bola, dos Amores. Vamos fazer de conta que, como os Cincazero, é só um típico Estás Atrasado, Silva! Digamos que me lembrei de cortar as unhas na altura menos indicada. Mas, como vês, não te perdi de vista. Só estou um pedacinho demorado...


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Todos de pé! ( Atualizado, reatualizado e re-reatualizado)

Aguenta, aguenta...

Ah, já tinha saudades de um clássico em sinal aberto. Infelizmente, pelo que percebi, acabei por me enganar e ver outro jogo qualquer, embora fosse tudo muito parecido em termos de equipamentos e fronhas das pessoas. Até havia lá um gajo com ajorelhas do Herrera, vejam bem.

No meu jogo, os de verde pareceram ter aprendido qualquer coisinha e enfrentaram bem a intensidade que quisemos colocar na partida. E colocámos. E eles também. A partir do quarto de hora, a coisa foi completamente equilibrada. Bom jogo? Nem por sombras. Estranhamente, os senhores da televisão juram, ainda agora, a pés juntos, que se tratou de uma soberba joga, em que os gatitos de Alvalade estiveram lindamente e por cima e assim, ainda que fosse pouco maijómenos equilibrado. Well...

Olha, mesmo equitativo foi o senhor do VAR. Como a missão é beneficiar os lampiões, seja em que circunstância for, é natural que se sintam um bocado perdidos numa competição em que o 5LB não joga. Vai daí, palmaram os lagartos e, não satisfeitos com isso, palmaram-nos a nós também. Anda lá Orelhas, faxabôr de fazer chegar os voucherzinhos aos moços e nada de lhes martelar a nota.

ATUALIZAÇÃO: Escrevo o que vejo. Quando se vê a segunda vez, revê-se, lá está. Revistos os lances, devo corrigir: o senhor do VAR prejudicou apenas os do costume. O pinheiro holandês estava em fora de jogo antes de ser agarrado na área, pelo que não há penalty. Já o Soares, continua a parecer-me em posição legal. Tranquilo Orelhas, os rapazes continuam a merecer os jantares.
REATUALIZAÇÃO: Afinal, foi-se a ver, eu tinha razão, como é normal. Até estava a estranhar. Por motivos estes e aqueles, derivados da lei, era mesmo penalty para os lagartos. Onde se lê “atualização”, aqui em cima, não se leia nada. É isto.
RE-REATUALIZAÇÃO: Já não é nada penalty outra vez! Olha, safoda maijisso, acho muito bem que não tenham marcado merda de penalty nenhum. Mas se é pela lei, então que se divulgue tudo e não apenas o que lhes interessa. Está tudo AQUI, a páginas 92. Agradecido ao xôr Azul e Branco, pelo pertinente alerta e pela indiscutível fonte.

Este período fica marcado por duas lesões que, na minha opinião, marcam a diferença entre as equipas e os técnicos.

Danilo teve que sair e o FCP passou a jogar com Oliver, Herrera e Oliveira no miolo, perdendo claramente a dimensão física. Num jogo que se disputava essencialmente nesse capítulo - intensidade, raça, força - é admirável que não só não tenhamos perdido o meio-campo, como ainda tenhamos passado a estar mais por cima e com melhor controlo da partida. Mesmo que individualmente Herrera se tenha voltado a baralhar mais do que vinha sendo normal, Sérgio Oliveira tivesse entrado ao intervalo para o seu próprio lugar e Oliver... - safoda, batam à vontade - Oliver é o melhor, ponto. Substituiu Danilo e lutou. Substituiu o Oliveira desaparecido e lançou o ataque. Tapou buracos ao Hector. E ainda fez de Oli em algumas ocasiões, pelo menos duas delas a merecerem melhor seguimento de Herrera e Marega - o último ainda tentou chutar à baliza, o primeiro só percebeu que a bola era para ele e ia perfeitinha quando o Teco deu um cachaço no Tico e o acordou. Era tarde. Ainda assim, em conjunto, vénia para os três e o resto da equipa, por terem demonstrado que juntos conseguem superar a ausência - por quanto tempo? - do pilar.

Do outro lado, Gelson também se magoou e teve que sair. E aqui está a diferença entre os treinadores, ainda que, ao fim de TRÊS épocas - 3! - o bom do Jergo Juses chegue à final de uma Taça. Da Liga. Poderá - eventualmente! Vai Paciência! - ganhar um troféu. Ora, o autoproclamado génio da bola, fez entrar para o lugar de um dos seus mais importantes ativos de ataque...o Battaglia. Portanto, um médio de características predominantemente defensivas e útil para a luta do meio-campo. Que perdeu na mesma. Porquê? Porque Battaglia entrou para entupir a faixa ao bom do Brahimi. Isto é, o que o grande maior mais melhor bom treinador do Universo conhecido - e alguns arredores desconhecidos também - fez, foi tentar bloquear o adversário, mesmo que isso significasse abdicar de construir. Barricou-se e esperou ganhar de alguma improvável maneira. É bem sabido que todos os cães têm sorte.

Da segunda parte, um senhor da televisão disse que não tinha sido tão boa quanto a primeira. Está claro que eu estava a ver o tal outro jogo e, por conseguinte, tive mais sorte do que ele e vi melhor futebol. Com uma equipa notoriamente superior à outra. É certo que o nosso poste esteve soberbo a parar uma cabeçada numa bola parada, mas é indesmentível que nos pés de Marega, Aboubakar, Ricardo e na cabeça de um moço que ainda não decorei o nome, o nosso Porto - oh Campeão - teve a merecida vitória. Que deixou escapar, mesmo que San Iker não o merecesse.

Assim como é irrefutável que somos melhores, mesmo não tendo sido brilhantes. Isso não fica para a história? Fica pois. Verão em maio, nos Aliados. E em Oeiras. Meet you there, mister. E nada de andar para trás com mais esta afirmação. Eu ouvi!


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

La bouche at the trombone



Tenho estado a pensar, desde sexta-feira, em como é curiosa a dinâmica da opinião. Por exemplo, notam-se já muitas baterias apontadas ao Presidente. Reformulo, não estão de novo, sempre estiveram, mas ultimamente discretas, por força dos resultados. Os mesmos que o fizeram abrir a boca, porque de outra forma permanece mudo. Agora, volta a ouvir-se o "onde está o Presidente?" de outras ocasiões.

Lá está, eu concordo. Não podemos reagir a tudo o que nos têm feito como se fosse um arrufo. Caramba, passaram-nos óleo de bebé nas nalgas, vaselina no olho do coiso e enrabaram-nos à bruta, sem sequer nos pagarem um cafézinho. Em nossa casa, diante de toda a família, riram-se e foram-se embora a gritar "shhhh, pouco banzé, oh panasca, tu sabes que gostas". Naturalmente, é difícil agora aceitar que deixem a falar sozinho o único tipo - para além de nós! - que disse alguma coisa sobre o sucedido. Precisamos do "pai".

Digo, precisávamos. Teria sido importante para nós que ele aparecesse e armasse um chinfrim do caraças. Que ameaçasse os malfeitores, que viesse de caçadeira de canos serrados, aos tiros, a mandar abaixo tudo o que mexesse, indignado como nós, perante a violação brutal a que assistira. E nada. Pois claro que concordo com quem pergunta onde está o Presidente.

Só que eu acho que era importante para nós, para dentro, ponto. Ao contrário dos que pensam que faria alguma diferença, eu acho que seria indiferente para todo o resto. Reparem do que se fala, dois míseros dias passados: Dragão à porta fechada. Futebol a ferro e fogo, à conta de mosquitos por cordas no distrital. O Ministro a apelar à paz e à contenção. Isto é, ninguém quer saber do modo como 8 pontos passaram a 3 e a liderança foi de isolada a partilhada. Como se toda a gente tapasse os olhos e pusesse os dedos nos ouvidos, enquanto canta lalalalala bem alto. Como os putos. Porque isto não passa de uma brincadeira.

Por outro lado, já vejo a formar-se a corrente "a SAD não deixa o Oliver jogar". Dá-me para rir, mas preocupa-me, porque revela já - e é tão cedo ainda - um certo desnorte da minha gente. Vejamos, se isso fosse assim, o nosso treinador poderia ser na mesma o líder que pintam? E que ele próprio gosta de assumir que é? Afinal, alguém faz a equipa que não o treinador? Este? Eu concordo que é um disparate grande ter o melhor médio do plantel encostado, mas penso que é uma decisão - estúpida! - da exclusiva responsabilidade do treinador. E isto é um sinal de respeito. Meu por ele.

É nestes momentos que olhar de cima, com a frieza possível, por norma resulta bem. E não o estamos a fazer, de novo. Não os adeptos, a quem nada deve ser pedido, senão sentimento e apoio. Mas os responsáveis, aqueles que deveriam já ter encetado o caminho que nos tire desta lama. Isso não se faz tornando mais relevantes programas de televisão - como muitíssimo bem apontou o Jorge Vassalo no último A CULPA É DO CAVANI - e as pessoas que os protagonizam. O "Dallas" não pode ser mais importante do que a produção de petróleo do Texas. E o tempo é...foi! Era ali, na sexta-feira, em cima, com o ferro quente. Para ninguém ouvir, mas nós não nos sentiríamos tão abandonados. Mais uma vez, cheio de razão o meu amigo do Porto Universal.

Parece-me que começamos a ficar tolhidos, espantado e perdidos, prestes a entrar na fase do "não há nada a fazer". E aí, os adeptos vão acabar por desistir. Ou partir para a puta da loucura. Uma delas. Não há necessidade. Porque ainda há muito a fazer. É só pensarem um pouco e elevarem-se da lama. Embora às vezes me pareça que a lama lhes convém. Que é para lá chafurdar que nos preparámos. Mas há alternativa.

...

Singelamente, apresento, sem muito tempo de reflexão, uma linha de atuação que me parece muito interessante, exequível, sustentada e, melhor do que tudo, bem mais eficaz do que esperarmos por amanhã e mais um episódio da nossa raiva. Requentada. E é trabalho de comunicação também. Vejam:

Na quarta-feira, há uma boa probabilidade de o FCP passar a ser o único representante português na Champions. Isto significa que seremos o único clube nacional com acesso aos media internacionais. Porque nenhum outro interessará. No limite, os lagartos, dependendo da performance, terão uma nota de rodapé. Vai servir para vender o Gelson.

Ou seja, em contraponto com a comunicação social ao serviço do desígnio nacional, enleada nas audiências vermelhas, perfeitamente autista para a realidade e, portanto, para os justos protestos do FCP; temos do outro lado media nada comprometidos com o tuga status quo e interessados exclusivamente no FCP. Por quanto tempo, não saberemos, porque dependemos de sorteios e afins. É por isso que exorto quem de direito a aproveitar e já! Para elevação das almas, esclareço o meu raciocínio:

a) A tutela delega na FPF esta coisa da bola. A FPF delega na Liga a parte profissional. Mas detém os árbitros, bruxo.

b) A Liga depende da qualidade dos concorrentes e, em boa parte, da reputação. É assim que pode valer dinheiro.

c) A aspiração, cada vez mais clara, do líder da FPF não se esgota em Portugal, longe disso.

d) A tutela não está nada interessada em banzé. Menos ainda em "sujar" a imagem de meninos exemplares que os resultados, mormente económicos, vão construindo.

Por tudo isto, sugiro que a próxima conferência de imprensa do nosso treinador, em antevisão ao embate contra o Mónaco, se centre em... sexta-feira. Fazer a ponte não é nada complicado: equipa desgastada física e, sobretudo, animicamente --» roubalheira indescritível em Portugal --» na Europa somos respeitados, em casa não --» o departamento de comunicação pode, a quem se interessar, fornecer um dossier completo sobre o que se passa em Portugal. E a seguir a esta, teremos pelo menos mais três. Usem-nas!

Jorge Nuno Pinto da Costa é o mais titulado Presidente da história. Ser-lhe-à difícil conseguir algum tempo de antena, no âmbito da Champions, para reforçar aquela mensagem? Não poderá o departamento de comunicação tratar disso? Claro que pode.

O nosso treinador, tão conhecido em França - já que é de Mónaco que se trata a seguir - tão rápido a revelar as fraquezas do seu plantel e a ausência de reforços de cada vez que um jornalista da estranja lhe deu antena, não poderia agora contar como está a correr a experiência de disputar um campeonato que não pode ganhar? Ou como se passa de 8 potenciais ponto de avanço do tetracampeão para 3 e liderança partilhada com o vizinho da Capital? 

Infelizmente, não posso utilizar na minha estratégia de comunicação algumas armas ainda mais relevantes. Um jogador com milhões de seguidores, com um impacto junto dos media internacionais ao nível das grandes estrelas mundiais - o que valeria o CR7 dizer que em Portugal o Campeonato está "comprado"? - um homem cuja palavra, porque ponderada e inteligente, é respeitada por todos e, ainda melhor, ouvida. Só que não conta para o totobola. Porque o que toda a gente quer mesmo saber de Iker é porque não joga e quando sai. Podia ajudar-nos muito nesta luta? Podia, mas não nos estava a apetecer. Porque não pensamos para lá dos nossos pequenos umbigos. Vossos.

Em resumo: usem os microfones que vos vão apontar e digam o que se passa! Não aos de sempre, mas aos que nos querem ouvir. Saltem a fronteira, elevem-se da lama. Não aumenta as audiências do Universo Porto, mas quem sabe faz mais mossa, porque chega mais longe?

Quanto tempo até alguém perguntar ao Facadas Gomes, em pleno scotch depois da reunião do board: Say dear, what the fuck is happening down there? Are you having trouble at home, dear? Não lhe ia ficar bem, por muito que desvalorizasse. Até porque há foras de jogo difíceis de explicar e penalties demasiado evidentes, por mais que o queiram não ser.

É mostrar-lhes como tem corrido a pioneira experiência portuguesa do VAR. Quando funciona, para quem funciona, que resultados tem. E deixar o Facadas explicar.

O mesmo serve para o Pedro Dentinhos Novos nas suas negociações de patrocínios e direitos e o diabo a quatro. Vende lá esse jogo mais coreografado do que o wrestling americano. Boa sorte com isso, Pedrocas.

Ou o nosso em breve Presidente do Eurogrupo, visita regular - à esquerda de sua Excelência o Primeiro Ministro, que à direita fica o António Costa - de determinado viveiro de octópodes, a ter que entabular amena cavaqueira sobre estas coisas do futebol, em vésperas de Mundial. O franciu ainda ressabiado, de sorriso trocista: Mais que se passe t'il la bas, Marriô?

Se acharem tudo parvo e muito a despropósito, então pensem em alternativas. Como está, não resulta. Trabalhem, carago!

...

Soundtrack to Champions: Speak!



terça-feira, 21 de novembro de 2017

A inveja e o Bósforo

...é cuspir de um lado ao outro...

Olá fofuras de titio Silva, como vão essas vidinhas insignificantes? There, there, abracinhos apertados. Não é como se eu quisesse m-e-s-m-o saber. Ainda assim, confesso que tenho pensado em vós. Nada de extraordinário, não me está propriamente a apetecer espancar o macaco enquanto vocês olham embevecidos, nada disso. É só que sinto que vos tenho dedicado pouca atenção e temo que a taxa de suicídio entre vocês os cinco possa subir drasticamente. E tenho a agenda tão sobrecarregada que me ia ver aflito para aparecer em velórios e funerais e assim. Vai daí, achei mais simpático voltar a espalhar alguma luz na vossa enfadonha existência. Dá-me mais jeito, pronto.

Podia alegar que o trabalho e essas coisas todas e o Cavani e assim, me roubam o tempo que tinha de lado para a Tasca. Mas não vou mentir a meus pikenos marshmallows, poi’não? A verdade é que me abandonei a um estado superior do Ser, ao zénite da Alma, à essência da Vida. Enfim, deu-me a preguiça. Por outro lado, quando chega à bola, tenho debitado quase tudo o que há para dizer no A Culpa é do Cavani . Depois aborrece-me estar a repetir.

No entanto, pus-me a pensar na extensa faixa de surdos que seguem a Tasca. Pá, é uma malta que não se governa com podcasts, como por exemplo o meu tio Abílio, que é tão surdo que mesmo as letras só as entende em maiúsculas. É uma audiência que pode facilmente optar por outro canal. Sobretudo numa época em que emergem tão promissores talentos no nacional fazer rir. Olha, o Zé Marinho é um, para citar apenas o que faz rir mais.

Vai daí, nada temam, a Tasca continua a cheirar a vinho e o tasqueiro continua pronto a espalhar serradura por cima do que vomitarem por aí. Ou escarrarem. Quero é que a ASAE se foda. Bora discutir bola? Bora.

...

Diz que vamos jogar hoje à Turquia. Já se sabe que os Turcos é uma malta que ainda não perdeu o hábito de mandar nojôtros povos. Primeiro, porque ainda são reminiscentes do Império Otomano e aquela mania de governar a Europa está-lhes entranhada nos genes. Depois, porque estão sempre desconfiados que toda a gente é um Curdo em potência e eles embirram um bocadinho com Curdos. Deve ser por isso que vão todos em peregrinação para os estádios, fazer um chinfrim dos diabos e ameaçar os adversários e isso tudo. É um pedaço aborrecido e faz dores de cabeça, pelo que se aconselha que a malta vá com a lição bem estudada e de tampões nojóbidos.

Mas a Turquia é um belo sitio, cheio de Turcas e suas belas mamas e outros atrativos que agora numalembra. Uma localidade bem catita para arrumar esta coisa do apuramento para a próxima fase da Champions, disso não há dúvida. Ah, também é um famoso local para a prática do "ver quem cospe mai'longe". Os concorrentes podem cuspir no Bósforo, a ver quem consegue mandar uma bisga na Europa que chegue à Ásia. A chamada bisga transcontinental, portanto. Pode-se tentar com mijo, mas depende um bocado da temperatura e da quantidade de cerveja.

Só que não é para turismo e desportos náuticos que o nosso FCP lá vai. Pessoalmente, estou plenamente convencido que vamojarrumar os Turcos com tranquilidade. Bem sei que eu acho (quase) sempre isto, mas desta vez dou-me ao trabalho de vos explicar porquê. Seus sortudos!

a) Esta época, o treinador tem demonstrado que se há coisa que faz com facilidade é aprender. E ignorar que o André André é uma bosta também, majisso não é para aqui chamado. As coisas correram-nos mal duas vezes: Besiktas e Leipzig. As duas equipas que menos conhecíamos. Os Alemães tiveram o azar de vir à oral ao Porto, depois de termos chumbado no primeiro exame, e foi o que se viu. Agora é a vez dos Turcos. Creio que ninguém nos ganha duas vezes este ano, a menos que mude muito a sua maneira de jogar e o Besiktas não vai fazer isso. Até porque as coisas lhes correm de feição, não havendo motivo para grandes mudanças. Tansos.

b) Os tipos estão pouco maijómenos apurados. Claro que não vão querer perder - embora seja o que têm de mais certo - mas também não é como se fosse o último jogo das suas vidas. Sendo certo que no jogo do Dragão nos faltou intensidade e agressividade. Tendo em conta o ponto anterior, essas serão duas das nossas armas esta tarde. Pobres Quaresmas.

c) Não é que aposte os tomates, porque gosto basto deles e shit happens, mas estou mesmo convencido que vamos entrar com pressão alta e meio-campo com gente suficiente e dentes à mostra, de forma que os Turcos vão andar feitos baratas tontas a tentar perceber por onde andam os nossos. E nisto, pumbas, guolo do Puorto carago!

d) A perder, pode muito bem ser que dê aos Quaresmas a travadinha e venham para cima de nós que nem Tarzões. Num dia como deve de ser - e hoje é! - aí está uma cena com que nos damos nada mal. Somos a típica equipa Judo. Eles atiram-se cheios de força e nós puxamos-lhes o bracinho, usando a força deles, e estatelamos os moribundos na relva. Enquanto isso, do outro lado do campo faltaram defesas que parassem o Brahimi e o Aboubakar e o Corona e - oh sim! - O Herrera. Já para não falar na costumeira velinha de igreja, aka, bola parada da ordem. Cincazero!

e) Com quem é que se vai processar a terraplanagem do Otomano incauto? Com estes onze: Iker; Ricardo, Felipe, Marcano, Alex; Danilo, Oliver (olé!), Herrera; Corona, Abou, Brahimi. O bom do Hector vai jogar mais perto do Aboubakar do que do Oli, penso eu de que.

...

É por tudo isto que acho que os suínos que decidiram acompanhar a equipa fizeram uma escolha muito acertada, coirões. Não lhes bastava andarem a divertir-se que nem labregos com os desportos náuticos no Bósforo, ainda vão encher a pança com um jogo de gala contra o Besiktas - pun intended. E de comidas cheias de especiarias e bem apuradinhas e arroz basmati e chá de menta, cabrões. Bem feito que lhes vão rebentar as hemorróidas. Incha! Digo, inchem, ops...

Inveja, eu? Hã?

...

Soundtrack to Turkey: Demokrasi!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A Culpa é do Cavani: Bombos e kazoos

Como sempre, by Jorge Bertocchini | Porta 19

[ Nota cénica: sala retangular, de área razoável. Brinquedos espalhados pelo chão, paredes pintadas com desenhos infantis. A turma rodeia o Educador, num circulo perfeito. ]

Tu aí, o grandalhão repetente, não brincas mais. Estou fartinho desse ar de enfado com o picotado. Não queres picotar com entusiasmo e alegria, porque já picotaste muito pela vida fora, também não participas na hora do conto. Incha. Vai-te queixar à tua mãezinha, maricón.

Ora bem, estou muito preocupado porque está tudo roto, à conta do torneio de borrar a fralda a meio da semana. E agora já temos outro. Há aí alguém que não esteja assadinho?

[ Saltam 3 petizes de braço no ar e fraldas amarelo fluorscente.]

Huumm, tu, o carequinha, anda aqui para o pé dos meninos que vão jogar.

Também vamos precisar de ganhar o jogo de quem berra mais tempo. Como o nosso coleguinha que tem berrado mais ao longo deste ano letivo está adoentado, com aquela coisa da bronquite que lhe afeta os pulmões ou lá o que é, vamos precisar de ser criativos. Não vai dar para ser pela intensidade do choro, vai ter que ser pela melodia. Alguém que se sinta particularmente afinado?

[ Saltam 2 petizes. Os preteridos na cena anterior. ]

Vamos escolher o do puxo. Desafina basto, mas fica tãããão fofinho. E sempre berra mais melodioso que o carequita. Que é igualmente fofo, nada de confusões.

Sim senhor, tudo em ordem. Ai, espera - [ Conta as crianças escolhidas, separadas das restantes. ] - falta um. Caraças, precisamos de mais um.

[ Salta o petiz sobejante do saltitante grupo inicial de três. Já vermelho e acalorado. ]

Oh pequinitote, não leves a mal, majenquanto não entenderes que uma casa é um quadrado com um triângulo em cima, não dá para brincares a isto. Agora colunas, arcos e abóbadas, pfff... Isto não é nenhuma orgia Romana, pá.

Well, safoda, jogamos com dez. Mas continua a saltar com afinco, pode ser que da próxima te corra melhor.

Vá, tudo caladinho e sentadinho de pernas à chinês.

[ Ordeiramente, sentam-se as crianças no soalho. Menos o repetente, que recebe uma chamada e se afasta para um canto. ]

Querem que o Mestre ligue o transistor?

- Siiiiimmmmm!  [ A uma voz. ]

Que querem os meus ricos meninos ouvir?

- O Cavaaaaaaaaniiii!

Então 'tá bem.

[ Clique ]

Jornada 15 – Bombos e Kazoos

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domingo, 22 de outubro de 2017

Da (des)montagem de mobiliário


Há uma corrente que defende que a IKEA é, na verdade e essencialmente, uma empresa farmacêutica, com fortes e múltiplos interesses na categoria dos psicotrópicos. Será esta a razão subjacente ao intrincado método de montagem dos móveis low cost do gigante Sueco. Amarelo.

Aquilo que parece uma prateleira por tuta e meia, feita de cartão e que é só desdobrar e fica prontinha a receber as fotografias do batizado do cachopo, do casamento dos pais e de um tio secular que ninguém sabe já quem seja, revela-se todo um teste à capacidade de autocontrolo da pessoa. 

Mesmo que consiga descobrir qual é o lado de cima, o que não é tão fácil como pode parecer, o mais provável é concluir que falta a chavinha. Aquela que serve para apertar o único parafuso que, estranhamente, é suposto ser o bastante para segurar a coisa no sítio. Salvo seja. Não vale a pena porem-se a pensar que talvez haja uma lá por casa. Porque a chavinha é sempre uma cena única. Não é sextavada, nem em estrela, nem sequer das normais, para um parafuso simplório, com uma racha ao meio. Nada disso, que o Sueco é um bicho que não grama de dar azo a trocadilhos parvos de cariz sexista. E sexual.

A chavinha é única, para um parafuso único. E não existe. Talvez se tenha perdido ao abrir a caixa, pelo que se põe a família toda a desvirar a casa. Sem resultado. Pode ser que dê para apertar isto à mão, vamos lá tentar, que já se começa a ficar um bocado irritado. E o raio do catraio bem podia ajudar qualquer coisinha. Afinal, era ele o batizado. Não tarda apanha uma galheta. 

Tanta merda por causa de umas fotografias velhas, mais um tio que não interessa a ninguém, dass. Não me grites, quero lá saber do casório, é preciso dependurar um documento que nos lembre disso, é? Dizes divórcio outra vez e eu meto uma pouca de roupa numa mochila e zarpo daqui. Isso mesmo, vai lá tomar um Xanax, a ver se acalmas. E traz-me dois. No processo, dá uma galheta ao puto. E um Actifed. Lá está.

Pelo contrário, o móvel de fabrico nacional já inclui uns senhores, normalmente usando calças de cintura descida, motivo pelo qual se lhes vê o rego cada vez que se baixam. São os montadores. Do móvel, pois claro. Não é a cena mais sexy do Mundo, mas poupa uma data de chatices. 

A desvantagem é que para a pessoa se ver livre do mobiliário Sueco, basta arranjar um bebé e pô-lo a gatinhar pela casa. É sabido que os bebés têm uma cabeça descomunal, em proporção ao seu enfezado corpo, que tende a esbarrar contra tudo o que é esquina. Ora, qualquer toque na mesa de origem nórdica, e lá desabam as molduras pelo meio das peças em madeira contraplacada. Digo, cartão. Mas então não era uma prateleira? Ah, isso. Foi-se a ver, era uma mesa. Trocaram a referência. Ui, olha o que encontrei pai, a chavinha! Estava embutida numa das patas da mesa. A mãe pergunta se queres um Xanax. Pumbas, uma galheta nas trombas, para não ser insolente.

Já o mobiliário em madeira maciça - risos - carpinteirado à mão - mais risos - nas Lusitanas oficinas, é muito mais resistente. Para um tipo se ver livre de um aparador, é melhor começar logo por lhe enfiar um patarrão. Mas é de força. Aquilo abana, mas não cai. Momento em que se acrescentam mais seis porradas, de preferência com um machado de cortar lenha. Mesmo que uma não conte, as outras cinco devem chegar para desfazer a coisa. Salvo seja.

Olha, perguntem ao Sérgio Conceição e ao FCP. É malta habituada a ver-se livre de móveis.

...

Eu podia ser um bocado mais plasticina, lá isso podia. Em vez de maçar as pessoas com quantidades apreciáveis de disparate, como acima, fazia uma apreciação ao jogo e pronto. Quero dizer, moldava-me ao interesse do leitor, da maioria deles provavelmente. O que, é sabido, contribui para aumentar a relevância e, não menos importante, manter a DECO à distância. Seria muito menos divertido para mim, o que é motivo mais do que suficiente para me estar bem a ralar para o consumidor. Para além de que seria basto parecido com tudo o resto. Já sei que isso é excelente, porque põe o produto na linha da frente. E se for uma prateleira IKEA? Ui, não tarda, espanca-se tudo no chão. E seria tão monótono. Mas tanto. Nada divertido.

Ainda por cima, a capacidade de moldagem permitiria que me esquecesse. Podia muito bem fazer de conta que ter dito preto era maijómenos o mesmo do que ter dito cinza. Ou que a minha opinião era assado, dada a forma que assumia no momento; mas passara a frito, uma vez moldado a uma nova, mas passageira, realidade. Podia até dizer sempre cozido e pronto. Os cozidos são mais saudáveis, já se sabe. Mesmo que sejam morcelas e chouriços de sangue.

Não se dá o caso. Cada um é para o que nasce, paciência. Eu cá, parece que nasci lindo de morrer, nada plástico, e basto opinativo. Com grande dificuldade em abandonar a minha convicção, a menos que me demonstrem que ela está errada. Quem nunca? Se somarmos a isto uma parva mania de ser do contra - devo ser tãããão irritante. Hã? Qual Xanax, meu docinho? - damos com um gajo que gostou tanto do jogo de ontem do FCP como qualquer outro Portista. E que dele tirou as mesmas conclusões que, porventura, a maioria. Só que se senta do lado da bancada da imensa minoria que se está a cagar para a onda - olha a onda, olha a onda - e desata a dizer quais foram. Ai ca burro.

...

Então, grandes conclusões da demolição do mobiliário de Paços de Ferreira:

- O Iker é melhor do que o Sá.

- O Ricardo é muito melhor do que o Layun.

- O Herrera, em início de construção atacante, tem elevado potencial para dar cagada. Fora dela, é muitíssimo útil para o modelo adotado.

- Ter Corona e-fe-ti-va-men-te em jogo, é um luxo.

- Brahimi é o melhor jogador do FCP. E do campeonato. De muuuuitooo longe.

Todas as opções técnicas são legítimas e respeitáveis. Quando tomadas por quem de direito, são absolutas e inatacáveis. Infelizmente, para quem gosta de cenas muito submissas em nome da Nação, são sempre comentáveis.

Por isso, feliz da vida com um treinador que se tem revelado melhor do que eu o pintava, afirmo convictamente que nenhuma legítima opção técnica altera as conclusões expostas. Muito menos qualquer conferência de imprensa cujo substrato é deixar-nos de Alma cheia. Não é pouco, lá isso não, mas não é técnico.

Posso ter uma opinião? Posso? POSSO? - pumbas, porrada na mesa - Sem pedir licença aos treinadores e comentadores?

A propósito do que, devo dizer-vos,  gosto muito das conferências de imprensa de Sérgio Conceição. Quase sempre dou por mim a pensar: Nem mais! Por exemplo, depois do jogo de Leipzig, quando disse que perdemos sobretudo por termos cometido erros defensivos pouco habituais. Daquela defesa que ele decidiu alterar profundamente.

Ou ontem, quando afirmou alto e bom som que temos um grupo espetacular, de gente comprometida e de grande gabarito. Enfim, o contrário de um plantel curto e feito de restos, como alguém deixou transparecer em entrevistas dadas a media internacionais. Sendo que uma parte substancial do mérito disso - de sermos bons e melhores do que os outros - é do treinador. Ah poijé bebé.

...

Para o fim, a que considero a conclusão mais relevante do jogo de ontem: O FCP de Sérgio Conceição, e de nós todos, está um nível acima da competição Nacional que disputa. Somos de outra liga. Da dos Campeões. E tinha saudades.

Mas bem, não é como se já não o tivesse dito antes. Nem como se a maioria não tivesse já afirmado o contrário. Right?

...

Soundtrack to Mr.Silva: Honesty is my only excuse.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A Culpa é do Cavani - Strap, strap

Resumo de Leipzig: não jogámos um piço! Azul.

Agora que já todos disseram tudo, é natural que sintam que é tempo de, realmente, perceberem o que se passou em Leipzig. Nada temei, oh valentes, cá estão os imbecis habituais para trazerem uma abençoada chuva de sabedoria sobre as vossas cabeças, que ardem de ignorância. Ou então é uma resma de disparates, uma delas.
O facto é que, muito à minha conta e nas boas graças dos ventos Vassalianos, por fim alguém parece ter deixado de fazer de conta que o jogo na Alemanha, o propriamente dito, é que era o mais importante da última terça-feira. Digam lá o que quiserem, escondam-se na hipocrisia do "o que importa é a bola e assim", façam de conta à vontade. Por aqui, foi-se direto ao elefante: Será que o Lusitano de Évora é mais forte que "O Calipolense" Clube Desportivo de Vila Viçosa?
Infelizmente, concluiu-se que não jogam na mesma divisão, pelo que o assunto depressa se esgotou e tivemos que nos pôr a falar de outra coisa qualquer. Olha, e se discutíssemos guarda-redes? Boa! Lembram-se daquele que era muntabom? Opá, o Espanhol, pá. O que tinha um nome parecia uma loja de móveis. Quais Moviflor, quais caralho! Isso! Ikerea, esse mesmo! Que passou se com ele? Não sabemos, mas o Vassalo jura que viu um tipo, que trataremos apenas pelas iniciais SC para não se saber quem é, a apalpar a Sara Carbonero toda.
Como quase sempre, valha-nos o equilíbrio do nosso defesa central Italiano Bertocchini, para temperar o tufão de indignação dos outros estarolas. Desta vez, com direito a um momento de introspeção tocante e uma revelação pessoal que mais parecia a porta de um armário a abrir com estrondo. 
Deixem-se de merdas, vocês não conhecem suficientemente a legislação para saberem se me podem processar por publicidade enganosa. Inchem!
Enfim, é mais uma tentativa minha para arranjar maneira de ganhar a vidinha a fazer o que faço melhor: estar sentado a dizer alarvidades sem ponta por onde se lhes pegue. Vocês bem podem contribuir para isso, só vos fica bem. Basta terem 55 minutinhos de paciência e clicarem aqui abaixo. Isso, andem lá, não dói nada, reparem que o artefacto do amor tem ar de ser bastante macio...


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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Aprender a voar

Aaaah, já estou a ver méksefaz...

Se o meu amigo ou a minha amiga costumam gastar o seu rico tempo a ouvir o A Culpa é do Cavani, lembrar-se-à que eu esperava alguma ansiedade do nosso FCP para o jogo de ontem. Vinda diretamente do banco, porque nenhum treinador fica indiferente à sua estreia na maior competição do Mundo.

É como meterem-vos na cama com a Charlize e mais a mulher que máijamam. Um gajo fica nervoso às primeiras, pois claro que fica, mas depois habitua-se e trata de mostrar porque é que merece esse pedacinho de Céu. Ou então não.

- Hey, discriminamos? E nós, gajas bem boas que estamos a ler isto?  Nem um Ryan Goslingzinho para desenjoar?

Todas as gajas bem boas que não entendam a piada de se enfiarem na cama com a Charlize e outra moça por quem nutram bastos sentimentos, são parvas. É a minha opinião. Hã?

...

Achava também que a melhor maneira de ultrapassar isso, seria abordar o jogo da exata mesma forma do que todos os anteriores. Caramba, se vais estar nervoso ao ponto de não teres a certeza se o pões de pé, mais vale não arriscares entrar no quarto a fazer o pino. O sangue flui para a cabeça errada e está tudo fodido. Quer dizer, só que não.

E foi isso mesmo que Sérgio Conceição fez. E bem! O resultado, em termos de jogo, foi igualmente o expectável: uma partida aberta, de bola nas áreas, mais vontade nossa, mais calma dos outros. Equilibrado, que não descansado. Ui, longe disso.

Se nos seguem no tal do Cavani, saberão que levei forte e feio na minha sensual testa, à conta de questionar a nossa consistência defensiva. Começaram logo por me atirar com a estatística de golos sofridos à moleirinha. Ouch, doeu mas lá me recompus. E ripostei com as oportunidades flagrantes do Chaves. Que não podia ser, dizia eu. E logo duas, foda-se. Os Jorges tomaram balanço e atiraram-se a mim, munidos do argumento "não jogamos sozinhos, duas é pouco". Ainda balbuciei: majé o Chaves. E já o filhadaputa do Patanisca - ou lá como se chama - fazia o primeiro do Besiktas.

O jogo, esse, é que continuou igual. Repartido, agora mais nosso e longe de dar a sensação de ter acabado. Merecemos o empate que esbarrou no poste, mostrámos garra e vontade, mesmo que o Sérgio não tenha visto, e tivemos o piço do autogolo. Vamos atribuí-lo ao Marega, só para manter o hype

Não havia necessidade de o pagarmos com uma quinta, incluindo estábulos e pasto, no nosso meio campo, para o homem preparar um chuto à baliza em paz. Mas já que estávamos nisto, acrescentámos a fífia anual de Champions de San Iker e pumbas, 1-2. Sim, para o nível de Iker aquilo é um frango. O que diz muito da qualidade do nosso keeper. Para quase todos os outros nem seria assim tanto.

Em resumo, não era um resultado lá muito justo ao intervalo, apesar de não termos conseguido reagir ao segundo como ao primeiro. Mas caramba, vinha lá o intervalo e podíamos injetar, salvo seja, confiança renovada na malta. Até porque já nos tínhamos habituado a jogar só com dez.

Qual Danilo? Hã?

...

E Sérgio maiconou. É a minha opinião, azar. E a dele também. Vejamos:

Segundo o nosso treinador, não conseguimos ganhar o meio-campo porque os avançados, a espaços, não cumpriram lá muito bem o que ele queria. Vai dai, achou bem tirar um médio. Não entendo. Aliás, eu teria mantido o próprio Corona. Afinal, precisávamos de golos e arte para furar a defesa.

No processo, mudámos de sistema, trazendo uma bela ideia para o campo: soltar Brahimi entre linhas, encostando Marega à direita. A esquerda ficava para Otávio e, em tese, teriamos uns quatro ou cinco tipos disponíveis para a luta do miolo. Se Brahimi fosse capaz de fazer de Oliver, de Danilo, de Corona e, nos intervalos, de si próprio.

Não foi, mas ainda carregou a equipa às costas para 20 bons minutos. Nos quais podíamos, merecíamos e devíamos ter voltado a empatar. E era um jogo completamente outro.

Durante esse bom período, senti tantas vezes a falta de um grão de lucidez, um pingo de arte, que ajudasse o Argelino. Mas não existia. Sérgio roubou a equipa a Brahimi. Para mim, fez mal. Sendo que para metade deste mal - para ser claro: Oliver - não encontro qualquer justificação.

Quando Brahimi começou a dar o peido mestre e os turcos acrescentaram mais um mono ao meio-campo, a coisa complicou. Complicou-se até ao 1-3. Finito.

... 

Claro que já saiu em alegre desfile a Escola de Samba Unidos da Falta de Profundidade, com o estupendo samba-enredo "Não há ovos bons para substituir os ovos chocos". É uma música fraquinha, mas fica no ouvido. 

Se vos apetecer, discutimos caso a caso na Caixa de Comentários, que não me apetece estar a chover no molhado.

... 

E pronto, assim era o Fim da Champions. Mas não! Porque tenho a certeza que o treinador, e com ele a equipa, aprendeu coisas neste jogo. A mais importante das quais terá sido - or so i hope - a não mandar malta para dentro do campo só porque está irritado com a Vida.

Este é o resultado que transforma o facto de estarmos num grupo equilibrado numa coisa boa. Estes pontos são recuperáveis por nós e muito perdíveis pelos Turcos. Aliás, creio mesmo que no fim da próxima jornada estaremos em segundo, a um ponto do primeiro. O Besiktas.

...

- Oh Pedro, olha lá uma coisinha: em que parte do Céu é que está a Charlize amais a cachopa do fulaninho irritante?

- Hã? Ainda não estão cá, Senhor. Pelos registos, nem daqui a 100 anos as juntamos aqui.

- Ah, não? Pois, estou a ver...

- Porquê, Senhor? Não terá percebido mal alguma coisa ou assim? - A medo.

- Já se metia na sua vidinha, o senhor Pedro, não? Vai-se a ver, agora devo-lhe justificações, é? Raisparta a criadagem, não se lhes pode dar confiança, chiça! - E sai, ligeiro, em direção ao Sétimo Céu.

...

Soundtrack to crash: Learning to fly


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Agendas (incluindo a do Cavani) e uma opinião



Um conselho de saúde, do Tio Silva: Apanhar o vírus da Agenda, não é o mesmo que sofrer de Cartilhite. No entanto, há que ter muita atenção, pois que ambos fazem muito mal à coluna.

...

Agora que já estão muito mais saudáveis, já têm condições para me aturar por um pedacinho. Sinto-me um gajo bastante fora de moda. Uns dias, isso deixa-me bem disposto, porque parece que sou bué cool, alto cenário, completamente indiferente à norma - anormal, portanto - um gajo que faz a sua própria moda. Em outras alturas, deixa-me um bom bocado deprimido. Sinto-me outdated, sou o passado a ser atropelado em alta velocidade pelo presente. Oooops, já foi, é passado como eu.

Caso não saibam, o Tempo divide-se exclusivamente entre passado e futuro. O presente não existe, é um mero momento, tão fugaz que não é passível de ser captado, entre o que foi e o que será. É por isso que só os mortos vivem o presente. Cristalizados no momento em que deixaram de ter Tempo.

Da próxima vez que ouvirem alguém dizer "Eu vivo o agora, exclusivamente!", desconfiem. Basto. Porque o agora não se vive, morre-se. Que passou-se?

...

Uma coisa que está completamente ultrapassada, e aparentemente até fica mal, é NÃO desancar o Presidente do FCP. Como a malta tem algum recato, acho que mais por receio do que os outros pensariam deles do que por respeito, em vez de Presidente chama-lhe Administração. Dá igual.

Tanto se irritaram por ouvirem "Pinto da Costa Allez" a propósito de cada vitória; tanto bradaram contra quem apontava culpados em todas as direções, excepto na do camarote presidencial, nas poucas derrotas; que decidiram optar pelo velhinho "Se não os podes vencer, junta-te a eles". Vai daí, neste tempo que é de derrotas múltiplas, salpicadas por uma ou outra vitória - o Tempo deles, por fim! - dedicam-se a apontar as culpas à Administração. Os méritos, quando é impossível iludi-los, ficam para quaisquer outros. Ou seja, é a mesma merda, só que com o cagalhão ao contrário.

Vinde, vinde amaijeu dar uma volta pela Tasca e percebereis com facilidade.

...

- É a vergonha do silêncio, Silva. Fazem-nos de tudo e nós nada, moita carrasco, mortos. Pá, o Presidente está velho, a Administração só trabalha à comissão. Temos que correr com eles todos, não há outra maneira. Tem que vir alguém que ponha isto a mexer.

- Pá, o departamento de comunicação não... - Interrompido.

- Oh Silva, não me fodas! Mas qual departamento, qual carapuça?! Quem manda é o velho pá. Está tudo calado porque ele não deixa falar, só isso. E quem é que os escolhe, hein? Sou eu, kéjbêr?

- Vamos ter eleições, quem sabe...

- Ah, não! Isso não! Correr com eles, sim. Em eleições, não. Era o que mais faltava, que coisa tão démodé.

(Lapso temporal, zuuuuummm)

- Opá, estamos a dar-lhes cabo da cabeça com isto dos e-mails, hein? Agora não nos podemos queixar do silêncio...

- É verdade. Grande Francisco José. Bem precisávamos de um tipo assim.

- Pois, desta vez, parece que o velhote acertou... - Interrompido por uma gargalhada.

- Aiai, pobre Silva. Majachas que o velho tem alguma coisa a ver com isto? Nem pensar, o Francisco José é que é de louvar. Mais ninguém. Tenho a certeza que fêjisto tudo sozinho, num quarto mal iluminado de uma pensão ou assim. Contra tudo e contra todos, sem nenhum apoio dessa Administração comissionista.

- Quer dizer, no mínimo, alguém o pôs naquele lugar, não?

- Népia. Acho que o gajo tomou o lugar de assalto, à força de balas e catanas e o camandro. Vai por mim, Silva, vai por mim.

...

- Estás a ver esta vergonha do Andebol, Silva? É isto o teu querido Presidente!

- Foda-se, perdemos outra vez. Mas não tínhamos boa equipa e um treinador da casa, à Porto, e os adeptos e isso tudo?

- Pois claro que sim. Mas quem deixou ir embora o Obradovic que, sozinho, sem ajuda de ninguém, a não ser, eventualmente, uma ou outra dica que o Francisco José lhe tenha dado, ganhou tudo o que havia para ganhar? Quem foi? Depois dá nisto! E estás a vê-lo a vir assumir a responsabilidade? Pois, nem eu! Como se não tivesse nada a ver com este descalabro. Nem é ele o líder máximo do Clube, nem nada.

- Valha-nos o Hóquei... - Levanta uma mão, em sinal de stop.

- Ainda bem que falas nisso, pá. Devíamos fazer um texto de agradecimento a quem nos proporcionou a única alegria desta temporada. Sobre rodas, ainda por cima.

- Ui, vais escrever a agradecer ao Presidente e à Administração?

- Hã? Já estás bêbado a esta hora? O que é que esses fizeram? Eu digo-te: Bola! Estou grato é aos jogadores, aos treinadores, aos seccionistas, aos adeptos que encheram o pavilhão sempre que jogámos contra os lampiões, ao moço que me arranjava bilhetes quando estava cheio, à prima do roupeiro que faz um molho de francesinha de se lhe tirar o chapéu. Enfim, a todos os obreiros destas grandes vitórias. Só a esses e ao Francisco José.

...

- Como, Silva, explicas-me? Como é que deixaram o FCP chegar a este estado, em que é preciso vir a UEFA tomar conta de nós e impor-nos regras?

- Parece o País... - Interrompido.

- Não me venhas com as tuas merdas. Não vale a pena desviares. É culpa deste velho e mais dos seus capangas jagunços estarmos metidos nesta vergonha!

- É verdade, sim senhor. Tens toda a razão. Mesmo que algumas decisões pudessem ter tido resultados diferentes, se as competições fossem justas, como aliás está a ser demonstrado pelo Francis... - Interrompido.

- Epá, não me mistures o Francisco José com essa gentinha! Para além do mais, já estou farto das tuas desculpas, vai à merda pá. - Irritado.

- Mas se estou a dizer que, no essencial (alô xôr Lima), tens razão? Estás parvókê? Vê lá se precisas de una boga en el focinho para acalmares. Inventais pouco, inventais, por acaso.

- Pois claro que tenho razão! E agora é a eles que compete tirarem-nos deste buraco sem fundo. Querias tu que aparecessem alternativas nas eleições. Para quê? Para virem limpar a porcaria, era?

- Sim, se acreditam nisso e são tão Portistas como tu dizes que... - Interrompido.

- Por acaso, inventais pouco, inventais. Eles que resolvam. Quer dizer, claro que resolvem, vão vender o plantel inteiro por dez reis de mel coado. O Danilo já lá vai, o Brahimi nem se fala, o Filipe já está em Madrid a matricular os filhos do Paulo Bento num colégio ou assim. E vais ver que nem o Telles se aguenta, para além de ter informações muito seguras de que o Corona não foi à Seleção porque está a tratar de mudar de ares. Pega lá o teu belo Presidente. Vive do Passado, o Presente a ele não lhe diz nada. De que outra maneira se pode explicar que sejamos um entreposto de jogadores? Quanto tempo cá se aguentam? Pelo menos trêjanitos devia ser obrigatório. Pá, não é só com e-mails que os lampiões ganham. Ponham é os olhos neles.

...

- Olha, diz aqui que parece que já cumprimos as condições do fair play... - Interrom... Sim, isso...

- Esta vergonha? Esta vergonha, Silva? - Muito irritado, quase de pé sobre o banco do balcão. - O Ruben? O nosso melhor suplente, por menos de 150 milhões? Para a segunda divisão? O eterno capitão do FCP para a segunda divisão? Foi a isto que chegámos?

- Epá, eu quero lá saber para onde é que vai quem vai. Faz-me cá uma diferença...

- E o André, pois claro! Vão-se os meninos, vai-se o espírito do Porto, vai-se o balneário, por tuta e meia.

- Por acaso, acho que o André foi mais barato que o Ruben, mas é uma opinião. O que parece certo, neste momento, é que venderam dois jogadores e cumpriram o que estava estabelecido com a troika. Também gostava de ter ganho mais, mas... - Ainda muito vermelho:

- É um escândalo, é o que é! É a comissão sempre a falar maijalto! Porque não venderam os Mexicanos todos? Esses têm mercado, de certeza. Toda a gente quer comprar um burrito. Ou o Danilo? O Danilo e o Brahimi e os Mexicanos, menos o salário do Casillas e do Maxi, juntava-se o Filipe e não se renovava com o Marcano e estava feito. Ficavam cá os que foram e iam os que ficaram. Assim é que era bonito, Silva.

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Ventura; David Bruno, André Pinto, Ricardo Ferreira e Lumor; Ruben, Castro e TóZé; Vieirinha, Silva e Hélder Barbosa.

Cofres muito cheios, Somos Porto!
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Nota: O chorrilho de disparates acima é EXCLUSIVAMENTE acerca do que me irrita na atitude de algumas pessoas que, comprovadamente, sabem usar os respetivos cérebros. Refletem e julgam, portanto. A minha opinião acerca dos nossos movimentos no mercado resume-se fácil, fácil:

Está feito, por agora. E fica pago o Adrian, né Jorges? Espera-se é que isso sirva para manter TODA a gente que não esteja aflita para ir dar um giro. De outra maneira, não se compreende.

Os comentários em mau Português que pululam - pululam é uma palavra linda, não é? - pela Ciberlândia afora, de adeptos, eventualmente Portistas, que vivem para as caixas de comentários dos sites generalistas, com nicknames de mijar a rir, irritam um bocadinho. Mas não têm um décimo da relevância de algumas coisas que vou lendo na bluegosfera. Culpa minha, que exijo dez vezes mais a quem acho que é inteligente, mesmo que não os conheça.

Then again, é tinto. Eles pensarão bem pior de mim: Quem? Esse gajo não pensa, burro do caralho.

Caguei.

Curiosamente, postos perante pessoas com responsabilidades, é vê-los dóceis em cumprimentos, comedidos em palavras, impantes em selfies com as figuras do momento. E do passado. E é sempre um ou outro zelota seguidista quem obriga os paineis a repetirem respostas até responderem; e a dizerem coisas de que preferiam não falar. Carneiros, pá.

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Já que estamos nisto de agendas, fiquem sabendo que lá para o inicio da próxima semana estará disponível o segundo A Culpa é do Cavani, cuja agenda inclui o Fair Play Financeiro, o plantel 2017/18 e tudo o mais que nos der na telha. 

Ainda não gravámos, mas posso já adiantar que está espetacular.

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Soundtrack to Agenda: Life becomes your fine

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Porto é Campeão! ou A época B



Wow, lá se arranjou um título para comemorar. Prestigiante, diga-se, mas não oficial. O que não lhe retira o gosto, nem a importância e muito menos o significado. Sobretudo porque é ganho pela mesma equipa que venceu um Campeonato bastante oficial - e competitivo - ainda a época passada.

É pois uma bela altura para concluir e publicar as notas da Tasca, acerca da temporada da nossa B. Bora lá!

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Do contexto

Esta deveria ser a época de reconstrução da equipa. É para isso que ela serve: Completar a formação, em ciclos curtos de 2 anos, e recomeçar com gente nova. A aferição pelos resultados só se faz no segundo ano do ciclo. Pelos vistos, o ano que produz Campeões!

Entre bastos azares - lesões de Omar, Tomás, Xico Ramos, Andorinha e Ismael; uma indefinição na liderança - Castro sai, Castro não sai,  Castro sai sim senhor; e algum mistério- há uma história por contar em relação a Leonardo Ruiz? E Idrisa Sambu?; o facto é que... aconteceu tudo ao contrário.

Acabámos com uma equipa "velha", a disputar com pouca chama - compreensivelmente - o mesmo Campeonato. Tipo, já matei o Boss deste nível e agora volto ao princípio do mesmo nível? Gandamerda de jogo, dass!

Este 11 era perfeitamente exequível no FCP B 2016/17: Gudiño, Rodrigo, Chidozie, Verdasca, Gajo Novo; Omar, Xico, Graça; Ismael, Gajo Novo, Kayembe. Isto é, 8 titulares "fora do prazo", uma vez que Verdasca cumpriria o seu segundo ano a sério na equipa.

Em si, o cenário não seria errado, numa perspetiva de alargamento das opções do plantel A. Os B ficariam em casa, com vista para a equipa principal, numa ligação estreita entre os diversos níveis da nossa formação. 

Ok, podem parar de rir. Eu também fiquei com a sensação que foi apenas por acaso. Provavelmente, uma das cabeças que deveria pensar a estratégia, esteve ocupada a ver alojamentos na China. A outra... sei lá, estaria a ensaiar os "Parabéns " ao espelho ou assim.

O mau começo seria normal, até porque, aí sim, tínhamos um número apreciável de novidades. Depois fomos "envelhecendo", sem que os resultados melhorassem substancialmente. Pelo meio, uma troca de treinadores que não ajudou. Até que chegou Folha.

Sustentado na competitividade que conseguiu incutir à magnífica, mas desfasada, equipa de Campeões do ano anterior, Folha liderou a recuperação e culminou a época com o único título que o FCP comemorará este ano, em Futebol. No processo, a equipa Bicampeã de juniores A, implodiu. Isto dito, tenham lá calma com o Folha, tábem? Para começo, não está mal. Mas é COMEÇO, entendido?

Nada disto me parece bom sinal. Dos negócios precoces, ao fraco planeamento que provoca estagnação em promissores ativos. Tenho esperança que tal seja resultado das múltiplas alterações da estrutura. Há prioridades e não teriam ainda chegado à B. Entretanto, já houve tempo para se alinharem. Só falta saber quem será o interlocutor de Folha no escalão acima. Certo? Certo!

No fim do dia, mais do que tudo, o que se espera da B é que anuncie potenciais reforços para a A. Que conclua a formação, acrescente maturidade e adapte quem necessitar de ser adaptado. As condições logísticas são impecáveis, a estrutura, mesmo quando está distraída, é profissional, os putos só têm que jogar à bola e provar quem é capaz. A esse nível, há boas notícias. E outras menos agradáveis, está claro.

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Do mais importante

Não tenho pachorra para análises exaustivas, jogador a jogador. Por isso, defina-se um critério simples: Destacar-se-ão os miúdos que ganharam o lugar aos "legítimos donos". Aqueles que, dado o contexto acima, não admirava que estivessem no banco e acabaram a ser do melhor que vimos. Siga!


Com Tomás no plantel - raio de azar miúdo! - e Omar a voltar em alguma altura; com Rui Moreira a reclamar tempo para crescer na sua posição; o terceiro médio seria, naturalmente, João Graça. Ele e Omar estariam, pensava eu, de olho em minutos na A. Assim, Sérgio Ribeiro e Fede passariam, de novo, bastante tempo no banco. Tinha pena pelo Fede que, apesar de o(s) nome(s) não ajudar(em), me entusiasmava há uns dois anos. Sem conseguir dizer que conseguiria subir de nível, o suficiente para ser mesmo jogador da bola.

Pois bem, entre as luzes da ribalta de Galeno e Kayembe, posso assegurar que o melhor é... Fede. A mim não engana mais! Soberbo. Ainda mais importante, necessário.

É um 10, pelo que o seu futuro no FCP dependerá muito de quem é o treinador. Aparentemente, o foco está apontado aos extremos e ninguém quer saber do moço, o que seria um erro épico. Como se mandássemos o Deco para o Alverca, estão a ver o estilo?

Varela finta, avança com bola, faz passes de rutura, assiste e marca golos. E faz isto tudo muito consistentemente. Como em: Toda a época. É o filho que Otávio e Oliver ainda vão ter. O que significa que servirá de pouco a NES...

Na modesta opinião da Tasca, é a Estrela da Companhia. O melhor. E acho que é do Xaninho. Ui!


Ninguém estava mais descansado do que eu, quanto ao defesa direito, no jogo na Madeira. Talvez Rui Jorge estivesse na mesma. Talvez.  Sim, podia ter assistido o Silva para golo e isso tinha-nos
mantido na luta. Mas até essa "falha" revela o jogador que ali está. Sem tremer, sem acusar pressão, a tentar fazer golo, porque a posição era ótima. Mesmo de pé esquerdo.

É um lateral completo, embora ataque ainda melhor do que defende. Tendo em conta em que equipa queremos que jogue, está tudo certo. Tem o pulmão do Maxi há 20 anos e é muito melhor que Victor Garcia. Que já de si é bem bom, se já aprendeu a cruzar para dentro do campo.

Se Ricardo Pereira pode render os milhões que nos permitem segurar, sei lá, um Danilo, então é despachá-lo. Temos o Fonseca e, creiam, não ficamos a perder nada. 

Bem sei que o ai Jesus da lateral direita é Dalot. Mas o Fernando está à frente. Um ano à frente. O Diogo vem já a seguir.

Pois, não sei... Digamos que estou num André Silva state of mind. Eu explico: O Silva denotava uma série de qualidades, mas eu não tinha a certeza, longe disso, de que iria ser capaz de se fazer homem. E jogar ao mais alto nível. Já se sabe que o tipo tratou de me esfregar a sua imensa qualidade nas trombas, tornando-se no meu avançado favorito.

O estilo meio desengonçado - está melhor, haviam de ver no início da época - o físico franzino, não pareciam potenciar a única qualidade que lhe detetei de imediato: A velocidade. Mas isso o Ntsunda também tinha. E o Rúben Macedo tem. Sendo que, pela lógica, aquele lugar deveria ser deste.

Castro parecia apostar em Galeno. Tavares também e Folha idem. E não é que o moço somava golos e assistências? Com o decorrer da época, tornou-se mesmo um hábito. Golo de Galeno, passe de Galeno, foda-se, lá vai o Galeno, nunca mais o apanham. Ainda por cima, já não parece que vai cair a qualquer momento.

Para terem uma ideia, acreditava mais no Gleison do que neste tipo. Pela força dos números, agora já não. Sobretudo porque uma bola metida entre o lateral e o central, é meio golo do Galeno. E isso não podemos dizer de Brahimi, nem de Corona, nem de Jota. Tem é que ser pelo chão, o que, vai-se a ver, não se adequa ao modelo NES. Ops, sorry, à ideia de jogo.


Supostamente, este moço deveria passar a época a aprender com o Chidozie e a admirar o Verdasca, uma vez que algum iluminado decidiu recambiar o Palmer-Brown. Que era melhor que os outros dois! Se calhar, foi alguém que conhecia o Fernandes melhor do que eu. Oxalá.

O facto é que este B de primeiro ano sentou o Verdasca. De tal maneira, que até para o Rui Moreira, que é médio, o pobre Diogo já perde o lugar. Em estando o Jorge impedido.

É grande, é calmo, é duro, é inteligente. É tenrinho também. Faz uma grande dupla com Chidozie, mas parece ser capaz de liderar a defesa sem problemas. Claramente o melhor projeto de central, depois de...Palmer-Brown.

Partindo do princípio que no próximo ano a equipa B será pensada e, por isso, Chidozie não fica - precisa de outro nível - este rapaz será o patrão da defesa. Sim, é preciso esperar mais um ano, mas o prognóstico é francamente surpreendente. Pela positiva.

...

Da estagnação

Já discorremos sobre os motivos, mas o facto é que muita gente não melhorou. 

Alguns mantiveram o nível alto que já lhes conhecíamos: Omar, Xico, Chidozie, Kayembe. Mas precisaram de ser abanados, porque estavam naturalmente desiludidos com a puta da vida. Para esclarecer, na minha opinião, Kayembe é tão bom jogador hoje como há um ano.  Assim, a chance que, aparentemente, terá na A, não surpreende, mas também não tem nada a ver com um melhor desempenho.

Outros regrediram: Verdasca perdeu espaço; Graça não deu o salto que precisa de dar; Tomás continua cheio de azar e perde mais um ano. Em todo o caso, apenas Verdasca ainda tem "tempo" para ser B na próxima temporada. E pode igualmente dar-se o milagre de alguém deixar o Rui Moreira jogar no seu lugar. Juro que gramava de saber se temos ali jogador.

Uma nota final para Rui Pedro, que devia ter sido o homem golo desta equipa. E foi, enquanto o deixaram. Foi preciso que jogasse na A? Pois ótimo, é também para isso que existe B. Agora, pelos juniores? E a seguir, A de novo? E volta aos juniores? Treina na B? Alguém se decide? É apenas estúpido, senhores.

Eu ajudo: Se o moço é para ser útil na A, mas nem sempre, então é na B que deve estar. Em exclusivo! Mandá-lo marcar golos abaixo disso é completamente despropositado. Assim, desculpa lá André Pereira, és bom moço, mas o primeiro cativo da B 2017/18 é o 9: Rui!

...

A pergunta de 1 milhão é: Quem pode chegar ao plantel principal?

Já, talvez Fede, dependendo do estilo do novo treinador. Porque teremos um novo, certo? 

Talvez Galeno, se não se ressentir da mudança ou for capaz de manter a assinalável progressão que teve este ano. Caso em que seria um caso... muito sério.

Seguramente, Omar Govea e Fernando Fonseca. A menos que tenhamos planos para Victor Garcia, que tem um ano de rodagem na Liga de avanço. Ou que não se consigam os milhões suficientes por Ricardo Pereira e... Hector Herrera.

Outros manifestam o potencial de lá chegarem. Um dia. Xico, está claro, em primeiro lugar. Também Chidozie e Inácio. Mas têm que ir dar uma voltinha antes.

No fim da lista, Graça, Tomás, Ismael todos desaparecidos durante um ano, pelos mais diversos motivos. Que são promissores - mais Ismael e Tomás do que o João - não há dúvida. Precisam de encontrar um espaço - que até pode ser na II Liga, mas não no FCP B - para jogarem regularmente e provarem, fora da zona de conforto, que podem aspirar a mais do que serem bons jogadores. Exemplos de sucesso nestas condições, temos mais que muitos. Na verdade, quase todos, não é senhores Carvalho, Costa, Couto, Barros?

Já para Gudiño, tem a palavra El Santo. Te quedas hombre?

Ou seja, isso de construir um plantel à volta destes meninos, não existe. Os que acham isso boa ideia, estariam a pedir as cabeças da estrutura inteira em 5 meses. Mas que é possível, com tempo e em tempo, ter muitos na equipa, isso é. Depende é da definição de "muitos" de cada um.


...

Como diria o Lápis, o tasqueiro não percebe um boi de bola. O que significa que há que confiar nos técnicos da estrutura - menos nesse! - na difícil tarefa de avaliar jogadores e lhes traçar o futuro. Mas no que concerne à articulação dos escalões e ao planeamento, malta, oiçam bem: Assim não!