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terça-feira, 11 de setembro de 2018

A TascaTV entrevista o senhor Presidente da Câmara



Opá, oh Silva, isto era suposto vir cá só para uns canecos. Bebíamos uma garrafinha de 3 Marias fresquinha e tal e pronto, eu ia à minha vidinha e você ficava praí a discutir a bola com ujôtros bêbados. Ficava toda a gente feliz e já escusava eu de ter de botar este pó-de arroz. Isto é para quê, Silva? É só prágente ficar envergonhado na televisão, poijé?

- Na. É por causa do brilho da penca e assim.

Tem mesmo de ser, não é? Eu havia de aprender a ficar caladinho, a mãezinha sempre me disse.

- Isso é que era serviço!

Desculpe, como disse?

- Olhe, já está a dar.

...

- Viva, muito boa noite a quem sabe as moradas fiscais dos munícipes todos. E então, on fire?

- Está tudo bem, obrigadinho. Sempre ao serviço da população de Pedrogão.

- É capaz. Olhe lá, oh Valdemar, então diz que essa história dos fundos de reconstrução foi cá uma cóboiada e pêras. 

- Completamente falso. Não foi reconstruída nenhuma casa que não tivesse sido afetada pelo fogo.

- Nem a do cunhado do presidente de uma junta, o Manel Jaquim? Segundo consta, o único fogo que por lá se viu foi no fogareiro, até pegarem as brasas para uma sardinhada. Sardinha de Peniche, contam-nos.

- E kéjbêr que isso não é fogo. Você aqui deve assar tiras da barriga com um isqueiro. Ou então mete-as no congelador. Isso é que hão de ficar tostadinhas, com o couro todo ele em torresmo, sim senhor. E depois, eu até fui contra o casamento da irmã do senhor presidente de junta com esse trolha. Logo por aí se vê que sou inocente. A sério, Silva, estava um dótôr enrabichadinho por ela e vai a besta e pumbas, com o Manel Jaquim, Deus me valha. Agora, se o fogo impiedoso lhes deu cabo da morada fiscal, não há outro remédio senão libertar o respetivo dólar. Parece-me evidente.

- É tudo inventado, certo?

- Naturalmente. Pode haver um ou outro caso de dúvida, se quisermos ser muito picuinhas. Mas para não me sarnarem mais a moleirinha, já mandei tudo para averiguações. Um assunto que não interessa para nada, arre. 

- Porque só o fez depois de a comunicação social ter levantado a lebre?

- Oh Silva, essa pergunta é tão parva que tinha mesmo que vir de si. Então se não aparece nos jornais e nas televisões, ajassério, não é esta vergonha, como é que a pessoa há de saber? Irra que é burro. Mas para sua informação, até já assinei uma petição e tudo.

- Verdade. Uma petição contra as alegadas fraudes.

- Ai ele é isso? Então não era para acabar com as touradas em Barrancos? Ora foda-se, agora é que você me está a dar uma bela novidade. Eu a pensar que era para proteger os bois e vai-se a ver... Bem, mas o que importa é que está assinada e é de certeza uma bela causa, porque é promovida pelos dissidentes da oposição. Tudo gente de gabarito.

- Oposição atual que o senhor liderou no mandato passado. É curioso que concorra sempre pelo partido que está no poder em Lisboa, não?

- Epá, mas isso tem algum interesse para o caso? Foque-se mazé em coisas importantes, deixe-se de ninharias.

- Por exemplo?

- O apito dourado! - Bate as palmas. - Disso ninguém fala, tudo abafadinho. Frutinha, hein? Cafézinho com leite, hein? Isso não analisam vocês. Agora fogos, ui, vamos já perguntar coisas ao Valdemar. Tragam cá o Valdemar que a gente saca-lhe tudo. E o Pinto da Costa? Esse nunca tem a culpa de nada, poi'não?

- Hã?

- Agora desconverse.

- ... - A babar.

Entra o genérico.

...

- Que tal, Silva? Eu acho que correu muito bem, não lhe parece?

- Estou sem palavras. - Afundado na cadeira.

- Pois claro, sou muitíssimo eloquente. Estou aqui a reparar, você havia era de fazer uma marquise. Uma coisa assim estilo avançado, toda ela em caixilharia de alumínio, com um vidrinho martelado aí até um metro. Olhe que ficava bem catita e tinha esplanada o ano todo. Por acaso, e sorte sua, conheço o sobrinho de um presidente de junta que tem uma serralharia. Posso dar-lhe uma palavrinha.

- Pois, não sei, acho que não. E depois há o dinheiro para a obra, as licenças e essa trapalhada... - Interrompe:

- Estou a ver, seu malandreco. Sempre me saiu cá um vivaço maijómenos, você. - Dá-me uma cotovelada cúmplice.

- Hã?

- Quer que lhe chegue fogo a uma mesinha das de lá de fora, poijé?

...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A TascaTV entrevista o Juiz

Olhe lá, oh Silva, não seria melhor chamar aquele rapaz da Catalunha? O Belga. Ou um tipo qualquer do sumitt? Desses pode ser ao calhas, ninguém sabe quem são e fica sempre bem. Muito high-tech e tal.

- Na.

E a legionella, hein? Era mesmo bem visto e super atual! Aliás, você não terá isto infestado de legionella? Vai-se a ver, havíamos de evacuar o estaminé. Parece-me até que já vi a bicha por aí.

- Sim, majé bom moço e a gente simpatiza com ele. Para além de que a patroa diz que dá um certo colorido à casa. Acho que é fúcsia.

Ainda perco a cabeça e alego uma gripe forte para escapar a isto, valha-me São João Batista, o decapitado. À conta de uma mulher, já se vê. Era uma mocada naquele focinho que deixava logo as cabeças do desgraçado em paz. Porque é que você não vai antes ver fotos de gatinhos? Olhe, sabe que apanharam um tubarão mais feio que o Herrera? Apanharam pois. É um sinal. As pragas foram lançadas.

- Deixe lá o Antigo Testamento da mão e vamojéspachar isto, sim? - Impaciento-me.

...

- Ora biba quem é um Juiz que mais parece um Inquisidor. Tá bonzinho?

- Vai-se andando. Olhe, como Deus quer.

- Só se fosse parvo é que queria.

- Hã?

- Nada. Conte-me lá, de onde lhe vem essa fixação por mocas?

- Ainda bem que toca nesse assunto, caro Silva. Essa é apenas uma das partes que os media sensacionalistas empolaram, no sentido  de procederem ao meu linchamento público. No fundo, tive azar. Se calha ter começado o summit em antes, ninguém se chateava com a moca. Até aposto que as Capazes se entretinham mais com ajapps do que com isso. Mas pronto, foi assim que Deus quis. - Benze-se. - Era sobre o quê?

- Mocas.

- Ah pois, isso. A gente lê o que por aí se escreveu e fica a pensar: ui, havia de ser alguns 50 quilos de pau, salvo seja, crivado de cavilhas de trinta centímetros, salvo seja, a toda a volta. Tipo um híbrido de moca pré-histórica e pulseira dos Slayer nos 80’s. E não era! A verdade, e eu sei porque vi, é que se tratava de uma humilde moca de Rio Maior, com meia dúzia de rebites em doirado. Das mais pequenas até.

- E isso faz diferença? Não aleija, é?

- Quer dizer, há de aleijar menos qualquer coisa. Mas o mais importante é a dimensão cultural.

- Hã?

- Pois claro. Há ali uma promoção do património cultural Nacional implícita. Na figura da moca que é genuinamente nossa. As gentes de Rio Maior, tantas vezes ostracizadas, sentiriam um piquinho de orgulho ao ver o seu símbolo em tudo o que era jornal. 

- Um piquinho...

- Um rebite, vá. Gostava de ter acesso à evolução das vendas daqueles artefactos, tivesse a media feito o seu trabalho com rigor. Espalhafato, estão lá todos. Dinamização da economia local, valorização do artesanato Português, é esta vergonha. - Abana a cabeça.

- A sério?

- Se não tem mais perguntas, eu ia andando.

- Kéto! Você farta-se de adjetivar a mulher adúltera. Qual é a sua opinião sobre o homem adúltero?

- Hã? Isso é o quê? Homem quantos? É aqueles que se vestem de gaja e metem mamas e assim? Nunca ouvi falar. Devem ser coisas do Novo Testamento. Ainda vou na primeira temporada, não cheguei a essa parte. A verdade é que o meu tempo de lazer, puf... - Estala os dedos.

- O gajo que, sendo casado, anda a mocar indiscriminadamente com serejumanos com os quais não contraiu matrimónio. Percebeu agora? A esses como os trata? - Enervado.

- Por gandamaluco, fodilhãodocaraças, filhadaputadesortudo e assim.

- Adúltero não? - Espantado.

- Naaa. O homem não comete o adultério, já se sabe. Deus Nosso Senhor criou o homem de maneira a que ele não pudesse fazê-lo.

- Hã? - Já a babar.

- Naturamente. Repare que o homem vem munido de uma única carga. Aquilo dispara-se uma vez e pronto, já está. Passa a coisa a servir exclusivamente para o seu fim mais importante.

- Que é... - A babar abundantemente.

- Excretar.

- Hã?

- Mijar, pronto.

- Não pode! - À beira do aneurisma.

- Claro que é assim Silva. Falo-lhe por experiência própria. Está cientificamente comprovado. Uma vez. Shuuáá. - Faz um movimento de fonte com os braços. - Agora, está claro que o macho é um bicho que gosta de se gabar. É por isso que andamos sempre a dizer que fizemos e acontecemos e tal. No fim do dia, nada. Só na noite de núpcias com a sua legítima. E chega bem, Deus me livre.

- ...

- Já a mulher não. É dissimulada e bastante lúbrica. Está sempre a pensar naquilo. Para ela, os sentimentos importam pouco. Está sempre disposta a humilhar e enganar o pobre do cônjuge, nomeadamente com o suíno do quinto direito. E o do segundo frente, segundo consta na rua toda. É evidente que, devêjenquando, lá há um que perde um bocado a compostura e lhejavia uma mocada ou outra. Repare, isso não está bem, nada de confusões, mas percebe-se. Então quando os rumores já passam da rua e vão no bairro todo, já envolvendo o senhor do talho e dois seguranças do hipermercado da zona, percebe-se ainda melhor. Puta do caralho.

- Como??? Está a falar de quê, homem?

- Da natureza da nossa espécie, Silva. Acontece a todos. E a todas. Pumbas. - Fecha o punho numa moca imaginária e faz o gesto de bater.

- Ai não acontece não! 

- Este caso era particularmente grave. - Prossegue, já sem rédea. - A adúltera, não contente em enganar hipocritamente o esposo, predispunha-se ainda a enganar o pobre coitado com o qual concretizara o nojento ato. Estaremos de acordo, por uma questão de humanidade, que isto não justifica um rapto e agressão. Mas atenua bastante a culpa dos coitados. Só se perderam as que caíram no chão. Vaca. Ainda por cima, comprova o espírito solidário e corporativo do nosso género. Inchem!

- Estou perdido. Parece haver aí uma questão pessoal subjacente... - Interrompe.

- Nem pensar, Silva. Aliás, não lhe admito, nem a ninguém, que insinue dessa forma soez que, dado o facto de eu ser manifestamente impotente, a minha esposa anda a papar tudo o que lhe aparece, icluindo o Paquistanês da loja de conveniência. E a mulher dele. E a filha adolescente. Maijoirmão. Vai pagá-las todas juntas, cumó Spacey.

- Eu cá não disse... - Interrompe.

- É demasiado baixo da sua parte. Fique sabendo que vou obrigá-lo a responder perante as instâncias adequadas. Quero dizer, eu próprio. Logo veremos se pode provar alguma dessas alegações. Isto não é assim senhor Silva. - Abana furiosamente o indicador. - Não se pode dizer o que se quer e lesar dessa forma a honra de um homem de bem. Qual adúltera dissimulada, você tem o desplante de me acusar de tomar decisões por influência das minhas profundas frustrações e recalques? Quem lhe atribuiu essa autoridade? Olhe, Deus não foi, certamente.

- Mas... - Ele levanta-se, muito hirto, como se tivesse engolido um garfo.

- Passar bem! - Sai disparado.

À porta, acerta-lhe uma moca de Rio Maior na moleirinha. O impacto fá-lo cair de bruços, já do lado de fora da Tasca, de focinho em cheio num cocó de cão. Fresco.

Olho para o balcão. Pergunto:

- Foste tu, pá? Onde tinhas a moca? - Tremo ao pensar.

- Não, docinho, não fui eu. Mas tenho pena.

- Já te disse para não me chamares essas coisas. Irra, és muito panasca.

- Pois sou, meu chou. - Pisca-me um olho. Dos da cara, foda-se!

...

- Achas que dá para ir lá buscá-la? - Sussura.
- Vai dar demasiado nas vistas, Senhor.
- Então vê lá se arranjas outra. É engraçado acertar com isto no cocuruto dos estúpidos. Havíamos de nos ter lembrado há mais tempo, Pedro. - Ri baixinho. Riem os dois.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A peneira e o Sol

Eustáquio “Marciano” Silva é o tipo mais distraído do Universo. Não se trata de um exagero, nem de uma figura de estilo, é mesmo assim e qualquer ciência - das exatas às mais obscuramente subjetivas - o poderá comprovar. De tal maneira que, uns minutos depois de o conhecerem, o grau de distração deste rapaz é a sua característica mais marcante. A que o define. Apesar de ser verde e ter antenas no alto da cabeça.

É muito comum, estando o bom do Eustáquio abancado ao balcão, clientes pouco frequentadores da Tasca perguntarem-me: Ele está disfarçado, poijé? E eu não sei sequer do que estão a falar. Quem? Aquêlali, o dajantenas, carago. Ah, o distraído. 

Portanto, não me admirei nada que a estas desoras da madrugada, o verde da pele ainda desmaiado do sono e as antenas em desalinho, me perguntasse entre dois minúsculos golos no seu café:

- Oh Silva, isto está a ferro e fogo, hein? 

Os incêndios, a moção, o Presidente, o juiz mais a sua moca, a Catalunha.

- Hã? Que se passa nisso? Há outras chatices? Não pá, estou a falar da bola. Não há jogo em que não haja porrada velha na bancada, carga policial, árbitros agredidos, pernas partidas, sei lá, trinta por uma linha. Poijé? Até tem o Parlamento que intervir.

...

Vejamos, não. Por ser “não” a resposta, é que não me juntarei ao coro indignado que procura explicar ao Presidente da FPF as questões relacionadas com claques e ilegalidades e legalidades e o caralho que o foda. Seria fazer o jogo dele. Deles. Só se eu fosse verde e tivesse antenas. Eustáquio não sou, de modo que, daqui donde estou, vejo tudo.

A maior ameaça ao árbitro, não chega por sms, chega por e-mail. A greve não é pelo estado das coisas, é para tentar arranjar um ruído que desvie a atenção. Para que se mantenha o estado das coisas. 

A audiência não é para debitar uma série de banalidades, com as quais todos têm que concordar. Ora a Paz no Mundo, a abundância em África, as criancinhas nutridas e protegidas, a proibição de se utilizar o termo fúcsia. Tudo coisas que fazem um Mundo melhor. De acordo. E quem não estará? É como com o bom comportamento nos estádios, a ética no futebol, a transparência na arbitragem e a proliferação dos homens de boa vontade. E de soberbas mamas, acrescento eu pelo meu punho. Que gosta basto de mamas. O punho. Hã?

Para grande tristeza geral, tudo isto não é mais do que um pedaço de verga, com uma pega e múltiplos buracos. Uma peneira, pois claro.

A verdade, como está bom de ver, é que o que se passa é o início da revelação de um poder tentacular - estava aflitinho para usar esta expressão bem catita - que pôs nos cargos os respectivos detentores, que os controla por e-mail, sms ou um simples olhar, como se faz com os putos. Já para o teu quarto Nandinho! Achas bonito, achas? Vai lá pensar em como vais resolver esta pessegada. Ou preferes que conte à mãe o que andas a dizer aos teus colegas de balneário, por sms?

O que aguardamos, são os resultados de investigações policiais, de buscas domiciliárias, de diligências que esperamos tenham sido feitas. Queremos, nós os que se preocupam com a bola, que tudo fique claro e transparente. Naturalmente sabemos, porque Eustáquio não somos, que isso custará muito do brilho, mormente internacional, que os Facadinhas desta vida ganharam. Well, karma is a bitch.

O meu caro Cavani Vassalo refere uma demonstração de poder. É isso mesmo! Não se esgota na visita presidencial à casa da Democracia,
                                                                 ( pausa para me mijar a rir )
                                                                                                             inclui a suposta greve de trazer por casa, o tradicional faz de conta mediático, mas também o colinho que mantenha o Nacional 5LBismo mais ou menos tranquilo. Isto é, o Polvo no seu melhor.

Só por profunda distração nos íamos agora dedicar a enfiar a carapuça que o Nandinho Facadas nos quis endereçar. Era o que mais faltava, estarmos a gastar energias em eunãofuis, quando devemos estar concentrados em todos os fostetu que ainda faltam. Este é o Sol. Deal with it bitches.

Há aqui um travo de desespero, isso é certo. Parece que reuniram todas as forças cefalópodes para uma grande - e derradeira? - contra-ofensiva. A ideia é mudar o foco, desviar a atenção, dispersar as tropas atacantes e procurar escapar vivo. Pelo meu lado, falhou. Estou a cagar-me do alto do Burj Khalifa para o que o shôr Presidente da FPF foi dizer para o Parlamento.

Tudo o que não seja investigar o poder corrupto que foi exposto, não merece um minuto do meu tempo. Mas merece um segundo. E em um singelo segundo, consigo dar um contributo maior para que tudo corra melhor, do que o Fernando das Facas em toda a sua dramática, mas vazia, apresentação aos dignatários da República. Que é malta que não tem lá muito que fazer, já se sabe. 

Olha, comecem por legalizar os que têm que ser legalizados. Ou extintos. Empenhem-se nisso e depois falamos. Pois, sim, eu sei que é complicado. Uma chatice mexer com o estado das coisas, não é? É muito melhor tapar o Sol com uma peneira.

...

Faz-me confusão a volatilidade do interesse mediático e público. Infelizmente, são sempre coincidentes. Pensar é como mudar o estado das coisas: parece que aleija um bocadinho.

Como acho que em maijum ou dois dias já ninguém quer saber do juiz e da moca, anuncio desde já que a TascaTV está a preparar uma Grande Entrevista com o próprio. O shôr juiz. 

Pois claro que aceita, quem é que não quer aparecer no mais importante canal de TV, de entre todos os que (não) se emitem a partir de uma tasca? Que é um blogue. Hã?

...

Soundtrack to Mr. Gomes: True friends stab you in the front!
                                                

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Coisas e acontecimentos, por Charles Fenêtre


Detesto escrever acerca de evidências. A menos que sejam coisas que me pareçam não serem assim tão claras para as outras pessoas.

Pfff, arrogantezito de merda, vem agora ensinar os pobres de espírito, kéjbêr? Oh sim, grande Mestre Silva, derramai em nós a Luz do vosso supremo Conhecimento. Basicamente composto por uma resma de lugares-comuns; duas paletes de estupidez; meia tonelada de doenças mentais, algumas delas desconhecidas - tonelada inteira, pronto; bastas arrobas de boçalidade, muitas das quais preconceituosas; e uma pitada de bom humor, reconheça-se.

E eu derramo. Que sou bem mandado. Procuro é evitar acertar nojolhos, que diz que arde de caraças.

Agora, assuntos que se me apresentam tão imediatamente evidentes até para uma amiba, não sei pá, parece que a mim é uma cena que não me assiste. Aaah, os clássicos...

Por exemplos, assim ao calhas, todas as questões que vão envolvendo - qual lodo - o panorama fintabolistico nacional. Dizer o quê, senão evidências?

Confesso que me deixa de alguma forma confortável, esta possibilidade de poder ser um burro a olhar para um palácio. E perceber lindamente a estrutura arquitetónica do edifício. Há momentos de tão despudorada transparência - de processos, de intenções, de objetivos e meios para os atingir - que até nós, os burros, conseguimos ver a Luz.

Já se evita que ande a pessoa a derramá-la.

...

Perante isto, tentei abordar os indivíduos que julguei mais adequados, no sentido de escreverem uma posta acerca do assunto ou, em preferindo, darem uma entrevista à TascaTV.

Infelizmente, nem o Donale, indisputado especialista na criação de factos alternativos, que tanto jeito poderiam dar; nem o Prof. Marcelo, cuja omnipresença nos deixaria, por certo, uma visão do interior dos próprios acontecimentos; se mostraram disponíveis para chafurdar nesta lama. Oh well...

Por estes motivos, recorri a um reputado analista independente, de maneira a verificar se, na verdade, o que me parece tão evidente que nem precisa de ser dito, é mesmo como o vejo.

Assim, e com antecipados agradecimentos, aqui vos deixo a visão, enviada por e-mail, de Charles Fenêtre, comentador completamente independente e analista tão isento que chega a meter raiva de coisas e acontecimentos.

...

COISAS E ACONTECIMENTOS DO FUTEBOL EM PORTUGAL
Por Charles Fenêtre


1. Suspensão de Brahimi

Apesar de todo o banzé que pretende o "velho Porto" armar em torno do Conselho de Disciplina, e do seu impoluto líder, o xôtor , trata-se de uma decisão perfeitamente justificável e que, quanto muito, peca por branda.

Estamos perante uma das primeiras manifestações de Islamismo radical em Portugal. Nestas coisas, há que cercear o mal logo no inicio, não vá o cancro alastrar. Reparem que, para além de injúrias de tal forma graves que nem se chegam a perceber, há informação cabal de que o quarto árbitro foi perdigotado.

O recurso agressivo a armas químicas encontra-se bem documentado, sendo ainda agora noticia. Mais uma vez, os verdadeiros Portugueses contam apenas consigo próprios, com a sua Paixão e Determinação, para superarem os mais torpes ataques de que continuarão, seguramente, a ser alvo. Rumo a um numero que agora não me lembra.

Alguns factos muito curiosos que convém não ignorarmos, na sequência do cobarde atentado Islâmico em Braga:

a)   A queda de um avião, em Tires

Há relatos de testemunhas oculares, nomeadamente o estuprador de Cascais, que asseguram que o piloto da aeronave estava cheio de perdigotos. Ao contrário de Tiago Antunes, esta vitima do terror não terá sido educada sob o manto protetor desde pequenina, pelo que deveria apresentar fraca resistência ao agente patológico perdigotado.

b) O surto de sarampo que atinge a Pátria. E as Famílias. Vai-se safando, até ver, o Fado. Do Futebol, estamos conversados.

É curioso que esta questão se apresente precisamente nesta altura. Quantos de nós teremos estado já sob ameaça de múltiplos perdigotos, carregadinhos de sarampo? Vamos acreditar em coincidências?

2. As  ridículas comparações 

Trata-se da já esperada fuga para a frente do "velho Porto". Não há nada de comparável com, por exemplo, o suposto caso Luisão. Por dois tipos de razão:

a) Nenhum registo sugere que Luisão tenha perdigotado o árbitro, o que afasta imediatamente qualquer suspeita de ataque bioquímico.

Mais, Luisão nem sequer fuma cigarros eletrónicos, irritantes geringonças que expelem cuspo, muito típicas dos aliados dos radicais Islamitas. Esquecem-se esses separatistas asquerosos que a Pátria também tem aliados

b) Há que atentar ao detalhe dermatológico da questão. Luisão é claramente uma pele normal/seca. Já o enviado do Estado Islâmico será, com a maior benevolência, uma pele de tendência oleosa.

Logo aí se vê onde está a maior probabilidade de provocar asco ao visado. Uma coisa é encostar uma testa sequinha a outra; completamente diferente, é a pessoa sentir o sebo Muçulmano a escorrer-lhe para a pele. A reação alérgica passível de ser provocada por esta via, é muito próxima de um choque anafilático. Não exageraremos se considerarmos tal ato como uma tentativa de homicídio qualificado, por nojo.

É aqui que, muito sabiamente, o Conselho de Disciplina separa o atentado de Braga, do reflexo motor do jogador Samaris. Na verdade, o segundo caso quase não merece punição, tratando-se visivelmente de um gesto mecânico na perseguição da bola. No meio de tanta pretalhada, o mais normal era nunca mais se saber do esférico. Daí que, para este caso, seja necessária a audição de muitas e variadas testemunhas, nomeadamente o senhor Luciano Gonçalves.

Não vamos permitir que se coloque no mesmo saco uma tentativa de assassinato, uma troca de impressões tête-à-tête e um gesto reflexo. Lutaremos com todas as forças da Pátria e com a nossa Determinação inabalável e isso tudo, para que tal não aconteça. Se preciso for, chama-se o Governo. Nem tem que se ir muito longe que costumam estar na tribuna.

3. Pirataria

Para os que possam pensar que se trata da Teoria da Conspiração e que não existe uma célula terrorista em plena laboração na Galiza Portuguesa, o último ato de sabotagem dos mais elevados interesses nacionais, está prestes a ser desmascarado. É nos Tribunais, na Justiça, que é cega mas implacável, que estes traidores da Pátria encontrarão o castigo.

Até porque no campo...está mais difícil do que era suposto, chiça...

...

É-me tão difícil entender que tanta evidência junta resulte em menos que um balde de merda, que me predisponho a tomar por boas as explicações acima. Sei lá pá, vai-se a ver, é isto que a Nação pensa.

Eheheh, agora fiz uma boa piada, hein? A Nação pensa, bahahahahahahahahahahahahahahahaha...

... 

segunda-feira, 20 de março de 2017

A TascaTV entrevista NES

Raisparta o Castro, dass...

Já percebi que todos os clubes têm blogues e redes sociais e comentadores residentes em sites desportivos e assim. Isto é, toda a gente usa a Ciberlândia para a catarse, a invectiva, o elogio bacoco, a dança de acordo com a música, a braçada a favor da corrente e o perfeito inverso disto tudo. E também como depósito de mera estupidez, na maior parte do tempo. O que é muito bom, porque, por uma mera aplicação da lei da probabilidade, deve libertar o Mundo de uma quantidade muito apreciável de energia estúpida. Os posts da Tasca, por exemplo.

Felizmente, e como não podia deixar de ser, o FCP é diferente. Não porque nos falte alguma das coisas referidas acima, que não falta, mas porque lhe acrescentamos. Na Ciberlândia Portista, para além de tudo o que ojôtros têm - mas de melhor qualidade, mais quantidade e em bonito - temos ainda a possibilidade de saber de tudo na primeira pessoa, pela voz dos protagonistas. Ah poijé bebé! E como? Através da TascaTV, está claro.

Ora, depois do desafio do balde de ontem, toda a gente tem um trator - não resisto! - de perguntas para fazer. Mas, na verdade, as únicas que me interessam são as minhas. So fuck it, convoca-se o NES para vir responder. Pois claro que vem, qual é a dúvida?

...

GRANDE ENTREVISTA

Por se querer manter equidistante de todos os media e não gostar de ser visto em locais de má fama, o Herlander insistiu em que isto se fizesse por telefone. A mim mimporta.

- Ora biba, companheiro Nuno. Daqui fala a muralha de aço. Não, não é o Jorge, dass. É prákela coisa da TV do Silva, tajabêrohnão?

- Ah, muito bem. Bom dia, boa tarde ou boa noite, consoante a hora local a que me estiverem a ouvir. A todas e a todos e aos entremeados também.

- Deixa-te de salamaleques que eu cá não tenho chamadas ilimitadas. Por isso, se não timportas, vou mazé despachar isto. Olha lá pá, então o que se passou ontem?

- Nada de extraordinário. Mantivemos o foco no jogo, na nossa ideia, e tivemos um bocadinho de azar.

- Lá isso tivemos. Majolha, qual ideia? É que depois de termos acertado as pontas, voltámos ao jogo do bacalhau: Bola prás coubes que pode ser que alguém acerte uma batata...

- É precisamente o nosso modelo para jogos em casa, contra o Rio Ave.

- Hã? Qual Rio Ave? Tásparvo?!

- Então, não foi contra uns de listas verdes e brancas que vieram de um vilarejo piscatório? É o Rio Ave.

- Aaaaah, pois, estou a ver... Já te tinha dito que isso não era para repetir, não tinha? Que acabava por correr mal?

- E então? Toda a gente sabe que o Silva não vê um boi de bola. É só fazer ao contrário do que tu dizes. Deve correr bem.

- Deve, deve. Portanto, andaste a rotinar a malta naquele 433 híbrido, que até já entusiasmava, com Oliver a assistir, Brahimi com apoio e o ataque a marcar aos sete de cada vez, majentretanto apertas tudo para trás, a ver o que dá. A que propósito?

- Isso não é importante. O importante é manter o foco, acreditar na ideia, o resto é acessório. Ainda para mais, havemos de convir que estava a tornar-se um pedacinho monótono. A maior parte dos jogadores a fazerem aquilo que sabem fazer, sem aprenderem coisas novas, sem testarem os seus limites. Pfff, muito aborrecido. Desde que esteja dentro da ideia e se mantenha o foco, até podemos jogar em 1-10, que dá igual.

- Pois dá, sim senhor. Um igual. Em casa, contra o Setúbal.

- Ai era o Setúbal? Opá, bem me quis parecer que o Castro estava mais anafadito. Caraças, haviam de me ter avisado, passei o tempo todo a chamar Luis ao Zé. Que maçada.

- À conta da distração, continuamos em segundo, com um melão do caraças, ao passo que os postes de iluminação respiram aliviados. Lindo serviço...

- Nenhum problema. Acreditamos desde o primeiro dia, nada mudou, continuamos a depender de nós. Foco, Silva, foco.

- Sim, oh Est...Espírito, mas em vez de ganhares em Carnide para teres quatro de avanço, precisas de lá ganhar para passar para a frente. Há uma diferença, não?

- É maijómenos a mema'coisa. Ainda temos muito Rio Ave pela frente. Por outro lado, se uma das nossas principais armas é a alma, até e melhor assim. Vamos a Lisboa jogar a vida. Isso é que é de homem! É preciso é manter o foco, acreditar na ideia.

- Qual ideia?

- Depende do Rio Ave.

- Oh foda-se pá, já te disse que o Rio Ave é para esquecer. Não repete! Entendido?

- Vindo do Silva, é como se me chateasse ter sido eliminado da Champions. Já aprendi que tu não vês um boi de bola, pá.

- Portanto, o estúpido sou eu, certo? E a culpa de termos empatado ontem, por não ouvires o que te digo, também há-de ser minha, não?

- Não. Nesse caso, é do Lápis. Ele é que me está sempre a dizer que o Silva...

- Sim, sim, já sei, não vê um boi blablabla. E agora?

- Agora é manter o foco, já se sabe.

- E se meteres o foco no cu e puseres a equipa a jogar como já percebemos que consegues?

- Fico um pirilampo e somos Campeões.

Cai a ligação, entra o genérico.
... 

Eu penso: Podíamos ter ganho ontem. Bastava muito pouco mais e um árbitro sem medo. A segunda, seria pedir demais ao Oliveira, valham-nos 12 minutos de desconto; a primeira, seria pedir demais à sorte, depois dos quatro ao Rio Ave. 

Mas o murro no estômago dos adeptos, esta desesperança que nos perpassa depois de tão alta expetativa, não se reproduz nos jogadores e na equipa. Se há coisa que Nuno Est...Espírito Santo já provou, é que consegue manter o grupo... focado! E crente. Nenhum reparo à entrega e à alma, mesmo jogando a ponta de um corno, como ontem. Sim, na primeira parte também.

Portanto, parece-me evidente que para quem mais conta - eles! - não seriamos Campeões por ganhar ontem. Como não seremos só por ganhar em Carnide. De igual modo, não perdemos ontem o campeonato e não o perderemos - seja qual for o resultado - no dia 1 de abril. Acreditarão até ao fim, desconfiarão até à última. Isso é mérito - e não é pouco - de NES. Que, aliás, já lhe foi concedido por mais que uma vez, aqui na Tasca.

Assim como não é por ser uma besta que acredito que vamos mesmo ser Campeões. É porque desde o Bessa que vejo um FCP que é, de facto, melhor que os adversários. Muito melhor. E os melhores estão mais perto de vencer. Porque andamos ontem para trás? Não encontro nenhuma explicação, para além das que ficaram em cima: Porque sim, para não ser sempre o mesmo, porque deu a travadinha a alguém, para lixar o juízo ao Silva. Tem que ser uma destas. Ou então o Jesualdo ligou a pedir o sistema de volta.

Por faltar o André é que não foi! Estava o Herrera no banco, o Otávio também, e o Teixeira na bancada. Não foi por falta de médios, foi por acreditar na ideia. Não oiças o Lápis, oh Est...Espírito, ele dijaquilo majé a brincar. Vai por mim, a ideia é má. Até preferia que te esquecesses do belo jogo que fizemos contra os lampiões - foda-se, lá se vai a multa! - na primeira volta. Afasta-te da tentação, Santinho.

Se podíamos antes, podemos agora! A onda azul não vai esmorecer. Até porque não há Bascos na costa. Ops, sorry, sou um fraco...
    

segunda-feira, 6 de março de 2017

Resumo da Semana: Emoji


Como sabem, sou um gajo que é maluco por redes sociais. Para mim, se não apareceu no Facebook, é como se não tivesse acontecido. Ai porque me faleceu um familiar e não pude vir trabalhar. Sim, sim, muito lindo isso tudo. E a foto de caixão aberto no Instagram? Um video do falecido com orelhas de coelhinho e bigodes de gato no Snapchat, há? Não? Então é treta! Desconta no ordenado e abre o respetivo processo disciplinar. A mim, ninguém mengana! Nem manda nudes. O que é uma porra! (emoji tristinho)

E assim cheguei a esta condição, em que acredito que o Universo é composto por:
  • Animais domésticos fofinhos, a fazerem coisas fofinhas.
  • Crias Humanas tão fofinhas como animais domésticos, a fazerem coisas ainda mais fofinhas.
  • Flores e Sóis e Luas e montanhas e regatos e florestas, com frases inspiradoras por cima. Muitas vezes com erros ortográficos e que terminam com: "partilha e descobre quem são os teujamigos". Quem não cumprir, para mim é um suíno javardo. 
  • Imagens de Santinhos com orações que eu desconhecia. E que se não partilhares na tua cronologia, estás a habilitar-te ao Inferno. Para além de não seres meu amigo. Suíno javardo.
  • Os Humanos espigadotes, eles próprios subdivididos em categorias:
  1. Hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  2. Triste, deprimido, abandonado, escorraçado, mutilado emocionalmente - e fisicamente no caso de pernetas, por exemplo - mas cheio de força para vos fazer engolir tudo e mostrar-vos quem sou no fundo. Que é um gajo hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  3. Bué intelectual, tájaver? Tipo, bué mesmo. Tipo, digo apparatchick e hipster e eslúvio e, tipo, essas coisas. Hiperintelectual, tipo hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2.
  4. O Pedro Chagas Freitas, o Gustavo Santos e os filhos de um com o outro que povoarão todo o Universo, montados nos seus unicórnios. Que parte dos bichos montarão, é que estou por saber. Assfulness anyone?
  5. Gente que escreve posts a desancar as redes sociais. E depois vai e publica nas redes sociais. Tipo, que depressão fazer parte desta espécie que se aliena nestas emulações do Real, escapando, no fundo, da essência de si mesmos. Porque não conseguem estar à altura do que gostariam de facto de Ser: Gente com força para vencer as adversidades e ser hiperfeliz, hiperconfiante, hiperwahteverdafuckiuwantmi2. Isto é, eu! A propósito do que, vou é administrar um blogue. Inchem, suínos javardos. Hã?
Claro que também há defeitos nas redes sociais. Raros, mas lá se encontra um ou outro. Olha, os emojis do FB que permitem mostrar como a pessoa se sente quando está a postar. São bem catitas, mas insuficientes. Não há meio de haver um de "todo fodido", nem "a cagar-me péssamerdatoda", ou "idapanharnobujom", nem mesmo "cheio de tusa". Isto vindo de um gajo que já tem um espertófone com estes bonecos há prái...um mês. Adoro! 

Enfim, uma lacuna que urge suprir. No entanto, são emojis que dão bastante jeito. Para resumir a semana, por exemplo. 

...

Silva, a sentir-se indignado

Estou indignado - lá está - com o FCP. Epá, todágente sabe que o resultado que uma grande equipa procura é Cincazero. Óspois vem aí a malta toda dizer "ena Silva, cincazero!" e tal; e metem aqueles cêzinhos de marca registada que eu não sei botar e assim. Agora, setazero? Setazero não lembra a ninguém. Assim não, meus meninos. 

Para mim não restam dúvidas que a culpa disto é de NES. Também é um bocadinho do Brahimi e do Oliver e do Silva e do Soares e esses todos, mas sobretudo do NES. E do Presidente também, mas menos. 

Vejam bem, com o resultado certo e a jogar contra 10, o tongo do treinador vai tirar o trinco e botar maijum avançado. Como quem diz: Bora meter mais golos cambada! 

É por causa da moral? É por causa do respeito pelo público? É porque isso é que é o ADN Porto? Não meujamigos, nada disso. É só pra foder o Silva. Acho mal, claro que acho mal.

Por outro lado, nos dias que correm, toda a gente acha que trêzazero é uma goleada. Logo, Cincazero - como é que se bota o cêzinho, caralho? - é um goleada dajantigas. Uma cena à homem: Pimbas, gandarraial de porrada que demos! Somos bons ou não somos? Inchem, suínos javardos. Suáines javeirdes, se vierem de Loster, Laixer, Laister, Coiso. 

Mas setazero? Com setazero desata logo tudo a dizer que ojôtros é que são fraquinhos. Ah, era só gordos que haviam era de estar todojábaliza. Assim também eu. Que pracaso só lhes dei três majé porque mapeteceu.

Pá, setazero não é futebol. É as primeiras duajóras de um jogo de basquetebol entre anões paralíticos e formigas dementes. Pumbas, adversário esmagado! Ai se os tolinhos purojanimais vojapanham, anões de um cabrão. Aposto candam naquelas cadeirinhas a motor, cumákele moço Americano. Caté deu um filme que era ele e isso tudo.

... 

Silva, a sentir-se surpreendido

Estou basto surpreso. Então não é que - finalmente! - alguém encomendou um estudo sério, pago pelo contribuinte, está claro, acerca das Praxes Académicas?

Surpreendeu-me que este estupendo Estudo, feito pela Academia - o que é logo um belo principio - tivesse concluído, mais coisa menos coisa, que as praxes Académicas são uma alarvidade. 

A sério? Wow, quer então dizer que aquelas cenas alarves a que chamam Praxe Académica, no seu conjunto constituem uma alarvidade? Pá, ainda bem que se lembraram de encomendar este Estudo. De outro modo, permaneceríamos para sempre no obscurantismo da dúvida. Eslúvios portanto.

Quem também ficou muito chocado, foi o nosso Ministro da Educação. Fazia lá o homem ideia que se passavam estas coisas. Nem ele, nem ninguém. Muito menos a malta do Colégio Militar. Agora, defender que a humilhação nunca fez parte do espírito académico, é parvo. Faz pois, senhor Ministro, olá se faz. Tu kéjber que temojaki outro que nunca lá pôs os pés

Os autores do Estudo revelaram, em primeira mão, à TascaTV que já receberam, da ASAE, a encomenda do próximo trabalho. Trata-se de uma investigação acerca de qual o Clube da preferência do Silva. O da Tasca. Vai ser mais difícil, majosmoços estão empenhados. É como os contribuintes, também estão empenhadojatéótutano, para pagarem estas coisas importantes todas.

...

Silva, a sentir-se revoltado

Estou revoltado! Não há quem ponha mão nisto? É indecente, pá. Depois de andarem a pintar as paredes do tasco de um senhor que emprenhou uma mulher e, juntos, pariram um homem de bem; estes vândalos continuam a danificar o património alheio. Só que, desta vez, disfarçaram-se de meninos bem comportados, para passarem despercebidos e incriminarem onjanjinhos de Lisboa - coisinhas fofas! Finórios, estes tripeiros.

É por estas e por outras que acho que o milhafre Vitória tem razão. É preciso é armar os seis milhões e dar cabo do canastro a esta gentinha. Se não aprendem a bem, aprendem à porrada. Ai espera, à porrada também não vão lá. Tem que ser a tiro mesmo!

... 

Silva, a sentir-se irritado

Estou muito irritado. Vai por aí um estardalhaço do camandro porque o Nelson Évora não sei o que mais. Pra já, não me parece bem que uma melancia possa participar neste concurso. Quer dizer, andam ojôtros ca tempos a treinar, a treinar, para depois vir de lá um fruto e ganhar a medalha. Se isto é justo, vou ali bater com a cabeça numa parede e já venho. Toda a gente sabe que uma melancia é muito máleve que um marmanjo cheidamúsculos.

Devo, no entanto, reconhecer algum mérito ao Nelson. Para equilibrar a questão do peso, a frutinha salta com uns quatro pares de meias metidos nos calções. Digo, cinco. Menos mal, mas não deixa de ser basto irritante. Pode vir quem quiser - sim, podes vir quem quiseres toda lampeira ver as fotografias do moço naquelas fatiotas de luta grecóromana, a ver s'mimporto! - que para mim continua a ser uma palhaçada.

- Errr...Silva...aquilo não é meias. 

- Claro que é!

- Errr...não, não é...

Pronto, é mesmo como eu dizia: Batota! Haviam de extraditar o tipo para o Tarrafal, sem possibilidade de comutação da pena, nem imagens de video vigilância. Aliás, imagem nenhuma! Então majondékjássviu isto? O gajo faz salto com vara e ganha a medalha do triplo salto? Ora, assim também eu!

...

Silva, a sentir-se recuperado

Entretanto, passou-se o Carnaval. Dada a minha geografia específica, é um período do ano um tanto...errr...exigente, vá. Uma semana depois, já me vou sentido quase recuperado.

Este ano, resolveram erguer umas barreiras aqui na terra, para controlar o acesso da maralha aos sítios da festaronga. Diz que é por questões de segurança e tal, o que é de louvar. Majamim, pareceu-me que o propósito era mais não deixar os putos entrarem co'asbubidas que traziam de casa. Digamos que foi uma medida de estímulo à economia local, à conta de uma série de gente que vem sabe-se lá donde.

Claro que os locals não são parvos nenhuns e trataram de resolver antecipadamente qualquer problema que pudesse vir a ser-lhes criado. Foi só descobrir qual porta estava à guarda do Paulo Núncio e já está. Íamos todos fantasiados de dez mil milhões de euros. Uma limpeza, ninguém olhou sequer para a malta.

...

Silva, a sentir-se com saudades

Estou cheio de saudades. À conta desta pessegada dos milhões de euros, nunca mais soube do Domingues, nem ouvi uma palavra do Centeno, nada. Uma pessoa segue as séries, depois estranha quando acaba a temporada, pois claro que estranha. 

Pareceu-me um golpe muito catita da Direção de Programas, mas as personagens desta nova série - que é suposto fazer-nos esquecer a anterior - são muito menos coloridas. Enfim, é o que temos, pode ser que entretanto dê alguma reviravolta inesperada.

Ainda por cima, já ouvi dizer que afinal a outra série não vai ter mais temporada nenhuma. Que não tarda já ninguém se lembra e fica em águas de bacalhau. A bem de toda a Administração - atual e anteriores - e mais dos acionistas e do resto da pandilha. Porque será?

...

Soundtrack to emoji: Imitation of Life

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

MyTascaTV e uma nota



É um estranho fenómeno, cara doutora desaparecida para parte incerta. Desde Sábado que oiço gargalhadas dentro da minha cabeça. Basta pensar em futebol e pimbas, parece que o Mundo foi todo regado a hélio. Tirando que não se riem fininho. Nem pó. É gargalhadas alarves, não sei se está a ver. É muito incómodo.

Era nesta altura que a senhora doutora me devia dizer: Ora, pense noutras coisas. Tem a certeza que não quer ponderar a minha sugestão de internamento perpétuo? Ou de mudar de psicóloga ou psiquiatra ou lá o que raio sou, que tenho a cabeça feita em papa?

Mas nãããããããoooo, achou muito mais interessante mudar-se ninguém sabe para onde. Pffff. maricas. Ainda assim, vou seguir a sua suposta sugestão e deixar a bola de lado, a ver se isto melhora.

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Sempre à frente do seu tempo, a Tasca TV orgulha-se de ser a primeira estação de televisão emitida a partir de um blogue, a oferecer aos seus espetadores um serviço de adequação da programação às suas necessidades. Confuso? Ele é o seguinte:

Ao subscrever o serviço "MyTascaTV", cada vez que ligar o aparelho de televisão, o telespetador é presenteado com o programa que mais se coaduna com as suas necessidades do momento. Sejam elas de caráter formativo, lúdico ou lubrico. Uma maravilha, portanto. É assim a modos que um Guia TV saído diretamente da cabeça do visionante. É visionário, hein? 

Para que percebam melhor, deixo-vos exemplos de alguns dos primeiros subscritores, referindo o programa que lhes foi indicado.

Assinante: N. Holly S.

Programa: "Noite de Cinema - Como treinares o teu Dragão"

Excelente filme de animação, perfeito para descontrair das agruras do dia a dia. Muito indicado a subscritores com gosto pelas artes visuais. Não esquecer o caráter pedagógico, sobretudo no já mítico trecho que começa assim:

"Isto é uma bola. Agora, vamos tentar metê-la naquela gaiola grandalhona, chamada baliza."

Assinante: Luis G.

Programa: "Shark Tank"

Reality onde malta com ideias, mas sem cheta, procura sacar fundos a galifões que não sabem o que fazer à guita.

Assinante: J.N.Costa

Programa: "TascaTV Memória"

Com o volume no máximo, para se ouvir bem a letra da treta de música que serve de trilha sonora...

Assinante: Malta que acha que acabou a época

Programa: Novela "Essa gorda é falsa!"

E tenham em conta a grande máxima de qualquer novela que se preze: Se não acaba bem, é porque ainda não acabou...

Assinante: Silva

Programa: "Cenas parvas que metam mamas"

Oh yeah!! E nada de bola, certo?

...

NOTA: 

Reparo, em visitas esporádicas às redes sociais, que a malta que, como eu, anda a ser gozada desde Sábado, já entrou em modo "os B é que são! Fora com a escumalha, bês ao poder, já!".

Pá, esqueçam. Ou não vêem os jogos - nada contra! - ou percebem ainda menos de bola do que eu. Segundo o rapazote, isso é praticamente uma impossibilidade.

Este é, supostamente, o ano não dos nossos B. Não há nenhum problema com isso, é assim mesmo que deve ser. Algumas coisas deviam, na minha opinião, ter sido melhor tratadas e lá iremos dentro de pouco tempo. 

Ontem, a equipa B ganhou. Ganhou um jogo em que NÃO foi dominadora, NÃO foi a melhor equipa, NÃO criou mais oportunidades. E, meus caros, NÃO, NÃO queremos que o FCP seja isso. Sorry for the turn off...

E para ser ainda menos sexy, adianto-vos desde já que há uma boa noticia, até agora, nos nossos B: Fede Varela. Sim, aquele que parece que veio com dedo do Xaninho. E não nasceu na Areosa. Raisparta!

...

Reaction to Mr.Silva's football talk: Really??!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A TascaTV: (Yet another) Entrevista ao Presidente

"Foi giro, mas vou andando. É que tenho cenas combinadas com o Silva"
Gamado ao JN, pois claro.

- Oh Silva, usa o filme do JN, que eu estou fartinho de botar faladura. Penso eu de que. - Diz ele, com o sorriso que lhe conheço das televisões e que lhe antevejo na voz das rádios. 

- Nanana, meu menino, aqui é a sério. Nada de repetições ou meias palavras. Aqui diz só, mas diz mesmo, o que lhe vai na alma. E o que a malta precisa sempre de umas palavrinhas claras, bem explicadinhas e sem tretas? Ui.

- E há sopa de peixe a seguir?

- Pois claro!

- Então anda lá, oh murcom.

...

Grande Entrevista

- Boa noite, Senhor Presidente. E seja muito bem revindo à TascaTV.

- Sim, sim, está muito bem. E a sopinha?

- Já vai. Olhe lá, isto agora parece que anda, hein? Fomos dos lenços brancos aos cincazero em menos de um fósforo.

- Eu cá não vi lenços brancos nenhuns.

- A sério?

- Está claro. Mas bem, já se sabe que eu de branco só vejo as listas da nossa camisola. O resto parece-me tudo meio acinzentado. Estamos quase no topo, pá. Viemos lá do fundo a toda a bisga, mais pareciamos um foguete, cumcamandro.

- Um pedacinho exagerado isso, não? Estamos fora da Taça, estamos atrás dos lampiões no campeonato...

- Olha, meu filhinho, a Taça está mais entregue que a Maria Madalena enfiada numa pensão com o Jesus. Não pá, o a sério! Não viste a roubalheira kakilo foi? Credo. Mais depressa o gajo do Arouca acredita que o vapor é um líquido, do que o Capela nos deixava ganhar em Chaves.

- É verdade. Mas se tivéssemos marcado os nossos penalties, era complicado arranjarem maneira de perdermos. Para além de que sabíamos da Capelada e ninguém nos ouve a barafustar em antes. Porquê?

- Tens mais perguntas ou já estamos só a aparvalhar mesmo? É que eu estou a ficar com um ratinho...

- Entendido. Gostou de ouvir o Dragão a cantar Pinto da Costa allez, novamente?

- Não cantaram sempre?

- Não. Há uns tempos valentes que não.

- Porque são parvos. Não vejo outra explicação. Tu também não cantavas?

- Oh, eu, já se sabe, sempre caladinho, o jogo todo. - Ele olha-me de lado. - Mas cantarolava baixinho, está claro. Assim para dentro e tal.

- Ah, bem me parecia. Olha, as claques cantaram muito afinadinhas, muito bem acompanhadas pelos verdadeiros Portistas.

- Epá, mas eu estava lá e posso afiançar que nem todo o estádio cantou. Aliás, devo dizer... - Cala-me com um gesto largo da mão.

- Foi o que eu disse. Os verdadeiros, cantaram.

- O Senhor Presidente não pode agora distinguir os Portistas entre bons, que somos os que o gramam, e maus, que são os que o querem ver pelas costas...

- O caraças é que não posso. Espera lá que não posso. Então andam há que tempos a malhar aqui no velho, porque acabou, morreu, tem que dar o lugar aos novos, quer é tacho, está a dar cabo de tudo, buuuu, buuu; e eu não podia desancar nesses filhasdaputa?

- Oh Presidente, são Portistas como nós.

- Pois bem, serão. São uns filhasdaputa duns Portistas, pronto. Era o que me faltava, andar a servr de saco de porrada dos meninos e não lhes dar troco. Nem pensar. Eles que se ponham a escrever em blogues e nessas coisas modernaças, que eu cá vou antes às Assembleias Gerais e concorro a eleições e isso tudo. Inchem. A mim aturam-me enquanto a maioria quiser. Aliás, a julgar pela cambada de cobardolas que por aí pululam, aturam-me enquanto EU quiser. Vá que eles não se chegam à frente. Chega a hora certa e hibernam. Gandajursos pá!

- Se a chicha continuar a entrar, vai ver que toda a gente canta. E aí?

- Aí já são Portistas como deve de ser, está claro. Até te digo mais, ainda vamos ver muitos deles a carregarem o NES em ombros. A mim não carregam que eu não sou nenhuma cruz.

- Ui, acredita mesmo nisso?

- Opá, desde que eu próprio tive que aturar o Vitinho na varanda do Dragão, acredito em tudo. E a malta muda mais depressa de opinião que um central do Feirense se faz expulsar.

- Era sermos Campeões, Presidente...

- Pois. Deixa ver se o Fontelas está para aí virado.

- Não parece que esteja...

- Não, não parece. Mas lá que começaram a marcar penalties a nosso favor, lá isso... E digo-te, sem roubalheiras, com uma das melhores duplas de centrais dojúltimos montes de tempo; mais doijavançados com mais potencial pró golo que a Linda Lovelace prá mamada, ninguém nojagarra!

- Foda-se Presidente, até os comemos, carago!

- Nem mais! E à sopinha de peixe também, poijé?!

- Se um se lesiona é que é o caraças...

- Ora, mete-se o Dieguito Adrián e o mau da história do João e o Pé de Feijão; ou aquele moço que tem nome de snack pouco saudável, o bolycao, acho que é isso; e tándari! - Rimos até à tosse, enquanto damos palmadas nojoelhos. Ficam ojóculos todojembaciados.

- O Presidente não pode dizer isso de jogadores do clube. Contenha-se. - A tentar travar outra gargalhada. 

- Jovem, já te disse antes, mas tu és um bocadito desmentalizado: Antes do resto, sou um adepto. A bem dizer, sou O adepto. Com esta idade, posso dizer o que me der na tola, estou-me bem a ralar...

- E o Alexandre?

- Está bem, obrigado. Olha que simpático da tua parte perguntares. E a família, espetáculo também?

- Não, não era isso. Então mas precisamos de empresários para agarrar miúdos de 14 anos?

- Népia. Mas vou contar-te uma história: A Glória adorava chegar a casa, tomar banho e pespegar-se toda nua à janela. A mãe dizia-lhe sempre: Ai Glorinha, que te constipas, minha rica filha. Ela nunca, mas nunca, se constipou. Um dia, balançava as estupendas mamas ao vento, quando espirrou. Pimbas, constipou-se. 

- Well... Mas é preocupante não podermos despachar Rolandos sem ajuda, certo?

- Opá, eu também acho que Colombianas e Brasileiras deviam conviver harmoniosamente no mesmo leito. De preferência, o meu. Diz lá que não era uma linda aliança latina transatlântica. Acontece que há sempre uma que é o Rolando e tem que se arranjar alguém quem lhe mostre o caminho. Da rua. 

Calo-me bem caladinho. Entra o genérico. 

...

Enquanto a sopa apura mais dois minutinhos, sem levantar fervura.

- Sabe, Presidente, estou fartinho de entrevistas. Parece que virou mania.

- Nem me digas, pá. E o mal que aquelas horas sentado me tem feito à lombar? Mas diz que tenho que falar. E como temos ganho de carreirinha, não tenho outro remédio.

- Podia falar quando perdemos.

- Sim. E também podia fazer uma lobotomia e ser um espinafre.

- Olhe, o que eu gostava era que nos dissesse quais foram os erros que detetou quando "batemos no fundo"; e o que estamos a fazer para os corrigir. Enfim, que nos mostrasse um pouco do plano. Para sabermos que há plano, tá a ver? Em vez de nos pormos blogueiramente a conjeturar.

- Já eu, gostava era que tivesse muitos mexilhões.

- Hã?

- Adoro cricas na sopa de peixe, pá.

...

- Oh Pedro. - Grita.

- Estou mesmo aqui, Senhor, não precisa elevar o tom.

- Ah, pois, isso. Olha lá, pá, isto não é discurso que se tolere a um tipo nesta posição. Vamos exonerar o gajo!

- Hã? Olhe que isto da bola está a tornar-se um vício, com todo o respeito. Agora já Intervimos no dirigismo? Para além de que, onde Foi buscar esse canal? Não faz parte do nosso pacote Super 4G Sumpimpa Multitask, ou lá o que nos impingiram.

- Errrr...é uma aplicação que me ofereceu o Inácio. Já sabes, sempre com oferendas aquele cachopo.

- O da bola?

- Não, o padre. Majolha, qual bola, qual carapuça? Então este não é o Papa? Não é meu empregado, kéjbêr?

- Aaaaah não, Senhor. Este é outro. Isso é só alcunha.

- Ai o impostor! Eu estava a estranhar o gajo não vir com aquele barrete pontiagudo. Aquele assim. - Faz um triângulo com as mãos, sobre a cabeça. - Sabes, Pedro? Aquele, pá, que fica a pessoa parece uma caneta de tinta permanente.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Pai Natal e as abelhas ou a idade dos porquês


A mais nova atravessa uma fase engraçada: Acumula informação maijómenos inútil. Não completamente, porque está a ficar com um arsenal de desbloqueadores de conversa muito apreciável. Por exemplo:

- Oh pai - sim, porque de momento serei progenitor com minúscula, teen oblige. - sabes que os golfinhos são os únicos animais, para além dos humanos - todos eles com minúscula, se acima dos 16 - que matam e violam por prazer? Eu é que não quero nadar com eles!

Aprende-se bastante com a parvoíce dos cachopos. Eu, por exemplo, aprendi, mas não muito depressa, que não vale a pena a pessoa ir investigar e perceber se isto é literalmente assim. Pela altura em que tenha informação suficiente para debater o assunto, o máximo que pode esperar do outro lado será:

- Hã? Quais golfinhos? São tão fooooofos! Podemos ir nadar com golfinhos um dia?

O célebre psicólogo Dr. Pimenta "da mula russa" Machado, tem aqui substância para repensar o seu postulado. Digamos que o que hoje é verdade, amanhã não tem interesse nenhum. Desde que sejam poucos a lembrarem-se do que dissemos. Ou velhos. Também dá se forem velhos. Toda a gente sabe que os velhos estão sempre a fazer confusão.

São fases. Tipo a idade dos porquês:

- Oh mãe, quando tu e o pai me fizeram, tinhas uma t-shirt vestida? 

- Sim, filha, tinha. - Exasperada à tricentésima décima sétima pergunta sobre o assunto. Grande mentirosa, tss, tss.

Pelo sim, pelo não, eu cá já decidi que não vou nadar com golfinho nenhum.

- Tem medo que o matem, poiché Xilva?

- Não.

...

Se me ponho a pensar nisto, chego sempre à conclusão que ainda não entrei na puberdade. Não só nunca menstruei, como me mantenho firmemente na idade dos porquês. É muito irritante, mas não consigo evitar.

O que raio leva um gajo, qualquer que seja o seu grau de fanatismo, a pegar num camião e avançar aos tiros pelo meio de uma multidão de desconhecidos? Porque haveria alguém de achar boa ideia terraplanar seres semelhantes? Em nome de quê, de quem? Porquê?

Ao mesmo tempo, tenho até medo da explicação. Porque desconfio que se entrarmos na contabilidade do sofrimento, nunca mais temos as contas feitas. E porque não pode alguém com autoridade mandar parar? Pá, uma mão de fogo nos Céus, um punho de gelo a emergir dos Infernos, o Pinto da Costa, eu sei lá, qualquer coisa que os faça ter tino. A todos. A mim também, pode ser. Porque tem a natureza humana que ser tão golfinha? 

E só nesta parva ingenuidade impossível, só no estúpido conforto de uma utopia deveras infantil, encontro uma bucha de Paz. Um shot de Esperança. Sempre toldadas pela consciência da minha própria adjetivação: Utópica, Irrealizável. Foda-se.

Porque não haverão de me provar que pode mesmo ser? Pelos que começam a perguntar porquê tudo e qualquer coisa, pelos  que desatam a guardar informação ao calhas. Esses ainda não fizeram mal a ninguém. Os que tiveram a sorte de não precisar ou de não ser obrigados. 

...

Depois, inevitável e muito felizmente, a vida prossegue. Ou persegue-nos. E mesmo nesta impotência, ou talvez seja por ela, perante questões tão grandes e prementes, dou comigo reconcentrado nas minudências que me enchem os dias.

Porque é que emprestar o Francisco Ramos está muito bem, mas se for o Rafa Soares, é porque a SAD está podre?

- Porque o Presidente mentiu.

Mentiu? Porque dizem que mentiu?

- Porque disse que o Rafa ia fazer parte do plantel. Do outro não tinha dito.

E não fez?

- Não. Começou a época, fez treinos e assim e depois trataram de emprestá-lo.

Então fez parte do plantel, como disse o Presidente, e o senhor que este ano manda na equipa decidiu que ele não devia ficar. O senhor que treina, não o que preside. Foi isto?

- Não. 

Porquê?

- Porque não! É por causa do Jorge Mendes. Qualquer dia estão a chorar porque não temos ninguém da formação para vender. Olha bem para os calimeros e para os lampiões e aprende o que é ter formação. E rentabilizá-la!

Podíamos vender o Ruben, boa?

- Não! Isso nunca. Para quê ter formação se depois os vendemos? O que vai acontecer aos meninos da B? É isto que temos. Buuu, buu. E um Presidente mentiroso.

Ai, não estou a perceber. Vendemos ou não vendemos? E afinal o homem mentiu porquê?

- Se não vendemos, está mal. Se vendermos, está bastante pior. E sim, mentiu. Se fosse um tipo de palavra, obrigava o treinador a ficar com o Rafa.

E com o Josué, poijé?

- Não, com o Josué não é preciso.

Ah. Porquê?

- Coiso. Chato do caraças, chiça, penico! Está lá o Otávio, já paga o Josué. O Rafa é que não podia ser. Eu se fosse da B, ia já para Lisboa.

Como se fosse o ponto de fuga, o escape da pressão dentro da panela, uma cabeçada na parede, vá. A coisa que nos resgata do desespero de não saber o que fazer, como fazer, para onde fugir. O sorriso no meio dos escombros que me ensina, de novo, o meu lugar no Mundo.

A bola tem destas coisas. Por vezes, no seu detalhe pequeno e mesquinho de ser sem importância, tira-me de uma Nice qualquer, são e salvo, e devolve-me a uma colmeia.


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É sempre a primeira coisa que me ocorre: Porquê? Mesmo que tu aches que é mentira, porque pensas que a minha palavra primordial é não. Verás que o tempo te dará outra perspetiva. Crescerás e passarás a ter Pai, em vez de pai.

Eu continuarei a pensar: Porquê? Por que grande benfeitoria, ou por que bondoso Deus, terei sido abençoado, ou iluminado, com esta possibilidade de te ver crescer? Toda potência. Porque alguém salvará o Mundo, pois salvará? Tu. Porque não?

Ou tu? Meio perdida no fuso de um horário que já não encerra tanta aventura. Todos os caminhos têm troços de muito pó, a descoberto das árvores, no pico do calor. Não é por isso que não haverá um pedaço de bosque, ali, depois daquela curva, com um regato manso de água fresca. Ou um oásis que dê sentido ao deserto.

Há um pote de ouro no fim do arco-íris. Mas que importa isso, quando se pode caminhar ao longo do arco-íris?


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E tu aí, leve no teu vestido florido, feliz no quilograma a menos que te assenta tão bem como dois a mais, porquê?

Porque te vejo sempre linda e confiante e positiva? Não, não, espera, porque dúvidas 
a
                                                                                                         espaços
que és tão linda e podes tanto e toda a Vida te sorri quando passas? Sou eu?

Porque desconheces esta certeza de pés descalços, duas cadeiras de baloiço em madeira gasta, um alpendre aberto sobre um campo de flores amarelas? E chapéus de palha. 

Porque não poderia, então, ver-te igual a agora? No teu vestido florido a voar pelos ombros, no teu sorriso gemido no interior da coxa, nessa confiança de dedos cravados nas minhas costas. Ou na nuca.

Sabes, informaram-me que somos, na realidade, cinco vezes mais feios do que aquilo que nos vemos. Quer dizer que somos apenas bastante bonitos. Os dois. Mas tu és mais.

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Ontem, um querido amigo perguntou-me se eu acreditava no Pai Natal. Hoje respondo-lhe que sim, acredito. Enquanto houver abelhas.

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- Pfff, mão de fogo, mão de fogo, deve pensar que isto é o Tocha Humana, este. Tá bem tá. Oh Pedro, anda cá. - Grita.

- Diga, Senhor. - Curvado.

- Olha lá, hás-de ver se o Nicolau anda a aparecer aos putos fora de época. Às vezes dá-lhe a travadinha...

- A sério, Senhor? Mas porquê?

- Coisa minhas. Faz o que te digo e deixa-te de porquês, rapaz.


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Soundtrack to darkness and light: I believe in miracles.

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Ena, por sorte e extraordinária coincidência, está mêmagora a dar um estupendo documentário, na TascaTV, que vem a calhar para esclarecimento de algumas duvidas entretanto surgidas a pessoal amante do tinto. Mas aparentemente reticente quanto ao estupro. Preferências...

TASCA GEOGRAPHIC: Os Golfinhos

Pouco credível? Como pouco credível? Olhem que não é do CM...