terça-feira, 14 de outubro de 2014

Primeiro Inverno



É muito cedo e está muito frio. Na verdade, não está assim tanto frio, dizem os termómetros e diz o senhor das notícias, com o seu ar feliz de quem está mais perto de ir dormir do que acabado de levantar. É só que a minha pele ainda se lembra do Sol e os meus pés ainda estão moldados a chinelos de dedo. Por isso, está um gelo querida.

Inspeciono rapidamente os aparelhómetros que elevarão a temperatura e deixarão um cheiro estranho no ar: ena, há que tempos não nos víamos, deixa lá queimar a poeira das ventoinhas. Caminho mentalmente os passos: onde vou sentir frio, onde estará condicionado o ar e haverá conforto. Afinal, não vai ser nada complicado e as horas tratarão de trazer luz e mais calor.

E no entanto, já sei que o dia será gélido. Porque é debaixo desse cobertor, a minha pele nua na tua, embalado na tua respiração, que fica o meu dia quentinho.

É muito cedo e está muito frio, tu dormes perfeita. Eu estou já imperfeito, fora do casulo, um pé e meio dentro do primeiro inverno.

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