segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Festival da Canção, a Taça de Portugal e um balão.



Nestes tempos sem futebol a sério, temos andado entretidos, aqui na Tasca, com músicas e explosões e assim. Mais parece uma aventura do 007, sem as gajas. O que torna logo a coisa bastante desinteressante.

Gritam-me lá de dentro:

- Gajas o quê?

- Pois nada, docinho. Estava só a incutir algum tino ao Lima. Ai este rapaz...

Mas o verdadeiro problema está, como quase sempre, dentro da minha cabeça. É que depois empreendo nestas coisas e os sonhos dão cabo de mim.

- Sonhaste com quê, hã? Diz lá, anda! 

- Com a Manuela Bravo.

E pronto, assim se arranja uma bela pessegada. O que é basto compreensível. Se a minha cara metade me diz "ah e coiso, vê lá que sonhei com o Khan/Craig/Gajotrainerdoginásiodaskina (riscar o que não interessa), eu chateio-me de inveja. Mas não é nada de especial. Dois estão bastante longe e o terceiro parece-me que gosta mais de mim do que dela. 

Já se a moça se lembra de sonhar com, digamos, o Armando Gama, o mínimo que lhe exijo é que passe a andar com um vestido com um gandalaço como o da Valentina. E o melhor que lhe desejaria era que ficasse a pesar o mesmo que a senhora. Incha, agora sonha lá com o Armando Gama!

O que se passa é que é mesmo verdade: Eu sonhei com a Manuela Bravo:

"Sim, a apresentadora chama-se Manuela. Ou muito me engano, ou a boca da rapariga ainda há-de ser um ícone da nossa TV. E não me parece que aquela carinha laroca se aguente assim muito tempo. Ah, malditos cardos, malditas prosas. Enfim, kerocásaber, primeira fila do Festival. Isso é kimporta.

A coisa bela dos sonhos é que nos protegem. Por exemplo, aqueles pensamentos deveriam ser breves. Coisa para demorar um minuto. Dois, se estivesse à procura dos milhos num cartuxo de pipocas. Mas nem era comum as pessoas irem para salas de espetáculo dar cabo dos nervos dojôtros com o barulho das pipocas, em 1979

O facto é que o meu sonho saltou diretamente daquele intróito para a última canção. Sem passar pela casa de partida, sem receber dois mil escudos e sem gramar com as músicas todas do Festival. Aposto que entrava o Carlos Alberto Moniz e a Maria do Amparo. Dupla que produziu com algum sucesso a Lúcia Moniz. De resto, não fizeram nadinha de jeito.

Mas não nos percamos: Entra a Manuela Bravo, com o seu vestido de noviça à beira de ser aceite num convento em Famalicão. E ataca com inusitada alegria - ainda não devia ter sido mesmo, mesmo, aceite - o raisparta da canção. Pelo palco, passa o Luisão, a rodopiar de olhos postos no teto. À procura. Ceguinho de todo.

Até aqui era um sonho apenas estúpido. Agora é que se torna assustador. A tipa desata a berrar.

(Soooooobeeee, soooooobeeee...)

Eu começo a ver um balão a subir. E quanto mais sobe mais incha. Ela grita. E quanto mais grita mais vermelha vai ficando, já a atirar para o grená. 

(...balão soooobeeeeee. Baaaaaaaalããããõoo....)

Incomoda-me que mais ninguém pareça reparar no já enooooorrrme balão cheio de ar. Nem nas veias latejantes da cachopa.

(...sooooooooooooooooobeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!)

De repente, bum! Explodiu! E eu ria-me..."

- Credo! A cabeça da Manuela Bravo?

- Não. O balão.

- Oh, que desilusão. Um balão a rebentar não é nada de invulgar. Porque te assustaste?

- Era a cabeça do Bruninho...

...

Estou muito contente pelos meus fornecedores de verde de Amarante e pelo Jorge, pelo enrabanço a sangue frio dos Brigueis. Só por causa disso, não passo por cima de uma eliminatória sem grande história, e ainda menos futebol, da Taça de Portugal. Notas brevíssimas:

Uma confirmação: Quando um jogador do Xportém se atira para cima de um adversário, não há nenhuma falta. Nem que seja para cima do Luisão, do 5LB. Notável hein?

Uma dúvida: O Fonseca queixa-se basto do estado da relva em Faro. Diz que aquilo nem foi jogo nem nada. Eu fico na dúvida: Porque raio quer ele um relvado em condições para meter 11 gajos à entrada da sua própria área? Ou tu kéjber que não é sempre assim...

Uma sugestão: Pessoal do Casa Pia, não é boa ideia terem um gajo chamado João Coito. Pá, não é por nada, é só porque coiso, certo? Por exemplo, têm um Didi. Está muito bem. Mas e se o gajo se chamasse Bibi? Ficava Didi na mesma, pois ficava? Chamem Afoito ao João. Ou Oito. Coito é que não me parece boa ideia. Mas isto é eu a pensar...

Um chocolate: O Kinder já está a passar de Bueno a Délice. Ainda bem. Mais um bocado e lá se ia o prazo de validade.

...

O Guiness Book of Records acaba de anunciar que foi batido o recorde de links no mesmo post, na Tasca. Haja paciência. E bons serviços de internet...

9 comentários:

  1. Muito bom, Silva!
    então as notas estão ótimas!

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    1. Obrigado Reine. É sempre um prazer vê-la por cá.

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  2. @ Silva

    muito obrigado! por mais uma gargalhada nocturna - tendo enfurecido a esposa, que já dormitava no sofá, e após um dia bastante merdoso para "ambos os dois".

    abr@ço
    Miguel | Tomo III

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    1. Dias merdosos a dois, são mais suportáveis. Always look at the bright side... ;)
      Abraço

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  3. Em Alcoutim ainda estão a tentar perceber a ligação.

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    1. Lol. Alcoutim, essa bela localidade. Com o seu belo rio, a sua indiferenciada gastronomia, o seu fardo de ser Algarve sem Oceano. Infelizmente, não consta que produza mentes brilhantes, de facto. Oh well, desde que a cabeça seja dura, dá pra fazer rafting e assim ;)
      Mega abraço.

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    2. Fuck, a malta que frequenta a Tasca e que seja de Alcoutim é a exceção, pois claro. São todos brilhantes, esses poucos. :)

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