quinta-feira, 20 de abril de 2017

Coisas e acontecimentos, por Charles Fenêtre


Detesto escrever acerca de evidências. A menos que sejam coisas que me pareçam não serem assim tão claras para as outras pessoas.

Pfff, arrogantezito de merda, vem agora ensinar os pobres de espírito, kéjbêr? Oh sim, grande Mestre Silva, derramai em nós a Luz do vosso supremo Conhecimento. Basicamente composto por uma resma de lugares-comuns; duas paletes de estupidez; meia tonelada de doenças mentais, algumas delas desconhecidas - tonelada inteira, pronto; bastas arrobas de boçalidade, muitas das quais preconceituosas; e uma pitada de bom humor, reconheça-se.

E eu derramo. Que sou bem mandado. Procuro é evitar acertar nojolhos, que diz que arde de caraças.

Agora, assuntos que se me apresentam tão imediatamente evidentes até para uma amiba, não sei pá, parece que a mim é uma cena que não me assiste. Aaah, os clássicos...

Por exemplos, assim ao calhas, todas as questões que vão envolvendo - qual lodo - o panorama fintabolistico nacional. Dizer o quê, senão evidências?

Confesso que me deixa de alguma forma confortável, esta possibilidade de poder ser um burro a olhar para um palácio. E perceber lindamente a estrutura arquitetónica do edifício. Há momentos de tão despudorada transparência - de processos, de intenções, de objetivos e meios para os atingir - que até nós, os burros, conseguimos ver a Luz.

Já se evita que ande a pessoa a derramá-la.

...

Perante isto, tentei abordar os indivíduos que julguei mais adequados, no sentido de escreverem uma posta acerca do assunto ou, em preferindo, darem uma entrevista à TascaTV.

Infelizmente, nem o Donale, indisputado especialista na criação de factos alternativos, que tanto jeito poderiam dar; nem o Prof. Marcelo, cuja omnipresença nos deixaria, por certo, uma visão do interior dos próprios acontecimentos; se mostraram disponíveis para chafurdar nesta lama. Oh well...

Por estes motivos, recorri a um reputado analista independente, de maneira a verificar se, na verdade, o que me parece tão evidente que nem precisa de ser dito, é mesmo como o vejo.

Assim, e com antecipados agradecimentos, aqui vos deixo a visão, enviada por e-mail, de Charles Fenêtre, comentador completamente independente e analista tão isento que chega a meter raiva de coisas e acontecimentos.

...

COISAS E ACONTECIMENTOS DO FUTEBOL EM PORTUGAL
Por Charles Fenêtre


1. Suspensão de Brahimi

Apesar de todo o banzé que pretende o "velho Porto" armar em torno do Conselho de Disciplina, e do seu impoluto líder, o xôtor , trata-se de uma decisão perfeitamente justificável e que, quanto muito, peca por branda.

Estamos perante uma das primeiras manifestações de Islamismo radical em Portugal. Nestas coisas, há que cercear o mal logo no inicio, não vá o cancro alastrar. Reparem que, para além de injúrias de tal forma graves que nem se chegam a perceber, há informação cabal de que o quarto árbitro foi perdigotado.

O recurso agressivo a armas químicas encontra-se bem documentado, sendo ainda agora noticia. Mais uma vez, os verdadeiros Portugueses contam apenas consigo próprios, com a sua Paixão e Determinação, para superarem os mais torpes ataques de que continuarão, seguramente, a ser alvo. Rumo a um numero que agora não me lembra.

Alguns factos muito curiosos que convém não ignorarmos, na sequência do cobarde atentado Islâmico em Braga:

a)   A queda de um avião, em Tires

Há relatos de testemunhas oculares, nomeadamente o estuprador de Cascais, que asseguram que o piloto da aeronave estava cheio de perdigotos. Ao contrário de Tiago Antunes, esta vitima do terror não terá sido educada sob o manto protetor desde pequenina, pelo que deveria apresentar fraca resistência ao agente patológico perdigotado.

b) O surto de sarampo que atinge a Pátria. E as Famílias. Vai-se safando, até ver, o Fado. Do Futebol, estamos conversados.

É curioso que esta questão se apresente precisamente nesta altura. Quantos de nós teremos estado já sob ameaça de múltiplos perdigotos, carregadinhos de sarampo? Vamos acreditar em coincidências?

2. As  ridículas comparações 

Trata-se da já esperada fuga para a frente do "velho Porto". Não há nada de comparável com, por exemplo, o suposto caso Luisão. Por dois tipos de razão:

a) Nenhum registo sugere que Luisão tenha perdigotado o árbitro, o que afasta imediatamente qualquer suspeita de ataque bioquímico.

Mais, Luisão nem sequer fuma cigarros eletrónicos, irritantes geringonças que expelem cuspo, muito típicas dos aliados dos radicais Islamitas. Esquecem-se esses separatistas asquerosos que a Pátria também tem aliados

b) Há que atentar ao detalhe dermatológico da questão. Luisão é claramente uma pele normal/seca. Já o enviado do Estado Islâmico será, com a maior benevolência, uma pele de tendência oleosa.

Logo aí se vê onde está a maior probabilidade de provocar asco ao visado. Uma coisa é encostar uma testa sequinha a outra; completamente diferente, é a pessoa sentir o sebo Muçulmano a escorrer-lhe para a pele. A reação alérgica passível de ser provocada por esta via, é muito próxima de um choque anafilático. Não exageraremos se considerarmos tal ato como uma tentativa de homicídio qualificado, por nojo.

É aqui que, muito sabiamente, o Conselho de Disciplina separa o atentado de Braga, do reflexo motor do jogador Samaris. Na verdade, o segundo caso quase não merece punição, tratando-se visivelmente de um gesto mecânico na perseguição da bola. No meio de tanta pretalhada, o mais normal era nunca mais se saber do esférico. Daí que, para este caso, seja necessária a audição de muitas e variadas testemunhas, nomeadamente o senhor Luciano Gonçalves.

Não vamos permitir que se coloque no mesmo saco uma tentativa de assassinato, uma troca de impressões tête-à-tête e um gesto reflexo. Lutaremos com todas as forças da Pátria e com a nossa Determinação inabalável e isso tudo, para que tal não aconteça. Se preciso for, chama-se o Governo. Nem tem que se ir muito longe que costumam estar na tribuna.

3. Pirataria

Para os que possam pensar que se trata da Teoria da Conspiração e que não existe uma célula terrorista em plena laboração na Galiza Portuguesa, o último ato de sabotagem dos mais elevados interesses nacionais, está prestes a ser desmascarado. É nos Tribunais, na Justiça, que é cega mas implacável, que estes traidores da Pátria encontrarão o castigo.

Até porque no campo...está mais difícil do que era suposto, chiça...

...

É-me tão difícil entender que tanta evidência junta resulte em menos que um balde de merda, que me predisponho a tomar por boas as explicações acima. Sei lá pá, vai-se a ver, é isto que a Nação pensa.

Eheheh, agora fiz uma boa piada, hein? A Nação pensa, bahahahahahahahahahahahahahahahaha...

... 

16 comentários:

  1. Muito bom, apesar de ser como os amarelos para os nossos adversários: só a pedido! :-)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah, não era então uma ordem, menos mal! :)
      És do bom tempo tu, quando ainda saiam cartões a pedido. Nem à bala, quanto mais a pedido...

      Eliminar
  2. Absolutamente incrível. Que prosa brutal! E devo confessar que me ri muito mais do que devia com aquela piada final ahahah.
    Grande abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora, muito obrigado, em nome do senhor Finestra ou lá como se chama o Charles.
      De resto, é tudo suposto ser uma grande piada. Não há outra hipótese...há?
      Abraço

      Eliminar
  3. Como nunca consigo "meter" nada, fica expressa aqui a minha opinião sobre o assunto:
    Saxon: Never Surrender do álbum "Denim And Leather"... de qualquer modo amando o raio do endereço internetiano:

    https://www.youtube.com/watch?v=tCZxGG_4ins

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh Felisberto, a intermete andágozar contigo! Não é que desta vez funcionou lindamente? Gandamalha pá! E é isso, nunca mesmo!

      Eliminar
  4. Existe mais do que uma Nação, começa a ser evidente. É bom termos consciência disso.
    Texto ridículo de tão verdadeiro.
    Saudações Portistas!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Antes de mais, seja bem-vindo Pedro.
      Depois, o problema é termos "ridículo" e "verdadeiro" na mesma frase e isso fazer sentido. É ridículo!
      Não sei se cabem muitas Nações diferentes num país tão pequenino. Mas não tão pequeno que se possa chamar Lisboa e Vale do Tejo. Por muito que desse jeito...
      Por fim, volte sempre!
      Saudações Portistas.

      Eliminar
  5. O estrupador de Cascais garante que o piloto da Aeronave estava cheio de perdigotos kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Sr. Silva, sujeita-se a um post das virgens nortenhas a acusá-lo de Zandinga do Canelas :))))

    Esperava uma investigação tipo Sandra Felgueiras, com entrevista exclusiva ao saloio da APAF e à boazona que faz a ligação deste com o DOC.

    Não, mantém o estilo desconcertante e único, espelhando a triste realidade com umas goladas valentes de gargalhadas. Eles só merecem isso. A nossa gargalhada de desprezo. Muito bom.

    Nota: Eu não pedi nada. Desafiei e o Sr. Silva não rejeita desafios. A pedir, pedia 50 bilhetes para as criancinhas da minha parvónia, mas como nenhuma dessas crianças está em cursos de árbitros...:))))

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Opá, as virgens não me ligam nenhuma. E as mães delas também não. Uma ou outra avó com cataratas, talvez. Num dia de nevoeiro cerrado..,
      O estilo é do senhor Ventana, já glosado de forma brilhante, por exemplo no "Lá em casa mando eu". Acho que por aqui encontrou foi menos rédea. Culpa do álcool, seguramente. Enfim, Tascas... ;)
      Quanto ao desafio, não era do seu que o Lápis falava. Antes de uma espécie de ultimato que mandou o labrego dele entregar-me. Que quer, simpatizo com o rapazote e tendo a humorá-lo. Também não antipatizo lá muito com o Lápis. :)
      De resto, ja aprendiz com os burmelhos: ele é bilhetes, ele é vouchers, é o que a freguesia quiser. Tudo o que dás, receberás de volta. Em dobro. Ou você acha que a malta que dá o rabo não está à espera de retorno? :)))
      PS. Obrigado pelo elogio. Fico contente, mesmo.

      Eliminar
  6. As avós virgens, estão concentradas em Alcanadas a caminho de Fátima para a canonização dos pastorinhos. É aproveitar a oportunidade para rebentar uns decré_pitos cabaços, sedentos de acção ou não implorassem esse favor, aos mandantes da capital do regime, para realizarem o seu sonho.
    Quando não está apenas focado no seu "Oliver" de estimação, o Lápis é bom rapaz, grande Portista e tem um dos melhores tascos da Muy Nobre e Invicta cidade, mesmo que lhe grafitem a fachada.:))
    O gajo da APAF diz que só deu o flanco, a receber em dobro, deve contar com um regimento de cavalaria.
    É a mim que NES leva da euforia à depressão. O Sr. Silva mantém a bitola dos cincoazero e faz-nos acreditar que é possível. Portanto, deixe-se lá dessa paneleirice dos agradecimentos e vamos lá à goleada. :)))

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ouça lá, se alguém lhe pedisse uma posta, você era moço para aceitar o desafio? É só um suponhamos, pois claro.
      Cincazero à simpática malta da Feira, para passarmos para a frente com um goal average confortável.

      Eliminar
  7. Naaaaaaaa sr. Silva. Não seria bonito de ver,(quanto mais ouvir) o Art Sullivan a fazer as letras para o Lou Reed. :)))

    O Felisberto é um digno representante da minha geração. (Desculpa lá, Felisberto, mas lembrei-me de antanho. Antes de rumar às Antas, tinha que gramar o Festival no Vale Formoso, com o Philips nas alturas, para saltar cedo fora da cama.)

    Não queira conspurcar o seu saudável espaço.(https://www.facebook.com/emanuelmourafado/videos/578425245696521/)
    Aqui, estou como Alice Cooper disse de Chuck Berry: "Ouço as suas músicas e ele (Sr. Silva) conta-me uma puta duma história em 3 minutos".
    Sim, porque a prosa, vem sempre acompanhada duma música à medida do freguês. Mesmo com este mau feitio, não tenho reclamado da pinga, pois não? :)))

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se você tivesse bom feitio, eu não lhe cravava o guest staring :)
      Já sabe, quando quiser...

      Eliminar
  8. Bondade sua no convite, mas não me sinto à altura de tamanha responsabilidade.
    Agradeço as portas sempre abertas e o copo de meio quartilho para o penalty da ordem, antecipadamente no balcão.:)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Garantido. O resto, é repetição: quando quiser.

      Eliminar