terça-feira, 17 de abril de 2018

hiperligação | 92º shooter : opus X - alive&kicking



ambiente próprio de um Clássico, quentinho qb e que se distingue de um ‘derby’ exactamente por isso mesmo.
no exterior estava tudo preparado ao milímetro e com atenção redobrada ao mais ínfimo pormenor, para que não houvesse violações dos perímetros de segurança, tão características por aquelas bandas e tão useiras e vezeiras pelos (in)suspeitos do costume. já no interior, tudo crepitava de calor humano, na ânsia de que o confronto tivesse início o mais rápido possível e os artistas surgissem para lhes satisfazer o seu ”glorioso” Ego. assim aconteceu e não foi preciso esperar muito para se perceber que seria um jogo disputado taco-a-taco.


a partida começou equilibrada, pese embora um maior ascendente dos da casa, apoiados pelo seu público, o qual rejubilava a cada vergastada infligida no adversário. é o que se diz de quem tem ”as costas quentes”…
já os forasteiros evidenciavam um manifesto incómodo por estarem a ser subjugados pelo arqui-rival e manietados na sua forma de jogar, tão característica ao longo deste campeonato (também) feito de E-toupeiras: pressão alta e jogo directo para os atacantes, poderosos no confronto físico com os defesas contrários. como tal não era possível, o pontapé para a frente foi o que mais se viu nos primeiros vinte minutos, para desespero do seu timoneiro, o qual não parou de se insurgir com os seus por não estarem a executar o plano de (pelo menos) uma semana intensa de preparos e de intenso trabalho.
apesar deste incómodo geral, o verdadeiro perigo tardava em surgir, até ao momento em que um deles surge isolado em frente ao último defensor e o obrigou a brilhar, parando um tiro que felizmente foi mal desferido e não causou mossa maior. foi esse o momento para que também houvesse retaliação por parte de quem não era bem-vindo naquela (espécie de) ”arena” e infligisse um pouco de ‘frisson’ na batalha.
chegados ao intervalo da contenda, o domínio da partida estava repartido e ninguém poderia afirmar-se superior ao outro – pese embora uns relatos enviesados de quem está acostumado a desvirtuar a Realidade e/ou a sonegar esta última a seu bel-prazer.


a pausa para retemperar energias foi benéfica para os que vinham de fora, os quais entraram com a ”pica toda”, resolutos em decidir a luta a seu favor. não se pouparam a esforços, impondo a sua lei e fazendo sofrer o adversário onde mais lhe doía: em sua própria casa. conseguiram causar dor, castigando-os com ataques fulminantes que tardavam em se materializar no que era tão desejado: a sua derrota. tal viria a acontecer mesmo no fim, pela parte de quem, em confrontos anteriores, fora alvo de chacota pelos adversários e inclusive de revolta pelos que também lutam pela mesma cor do estandarte. coisas complicadas de se perceber quando, na refrega de um combate, todos os que estão do nosso lado são válidos, para o tão necessário equilíbrio de forças…
em suma e para a História fica o resultado final: seis agentes feridos, sete detenções e o disparo de «tiros de aviso» por parte das forças de segurança.






aqueles números deveriam envergonhar, mais do que o mandante pelo apoio ilegal a esses «grupos organizados de sócios», que «nunca sube» da sua existência e que (literalmente) goza com o pagode – talvez porque usufrui de uma imunidade desportiva e de uma impunidade regulamentar como mais ninguém nesta República de bananas –, deveriam fazer corar de vergonha o responsável político pela gestão deste tipo de conflitos e que há dias afirmou «a Lei das Claques é ineficaz, não funciona. há poucos adeptos registados em relação ao número de clubes. queremos tornar a Lei eficaz». esse pamonha, se tivesse Brio, não só pelo cargo político que (ainda) detém, mas sobretudo pela sua pessoa, há muito que já teria resignado; pelos vistos e como o ”tacho” é apetecível, permanece em funções, num total desplante para com quem tem pedido Justiça neste ”faroeste” em que se tornou o comezinho futebolzinho tuga…


outra personagem menor do panorama político nacional e que se confunde com o desportivo, é o que, em tempos não muito idos, alarvemente disse «os grupos de adeptos organizados do 5lb deveriam registar-se para ficar como os outros [sic] mas, até agora, isso não tem sido um problema para o IPDJ nem para a polícia»…
alguém me pode informar se o sr Baganha já se demitiu ou se alguém já prestou esse favor ao País, no seguimento do que aconteceu nas imediações do antro de Carnide, e que envolveu os ilegais e assassiииos de Sempre? é para sossegar o espírito de alguns que invariavelmente alegam uma «invasão» ao Centro de treinos, na Maia e que, mais do que desconhecer a envolvente ao Estádio Vieira de Carvalho, ignoram a entrevista do actual Presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) ao DN, há um ano e que, entre outros considerandos, referiu que «não podemos dizer que eram elementos dos SuperDragões porque não se identificaram como tal ao Artur [Soares Dias]».



post scriptum pertinente:
para quem tem a paciência em ler os meus rudes considerandos e eventualmente estaria à espera de uma análise ao Clássico, peço desculpa pela desilusão mas há factores que não podem (devem?) ser sonegados porque se relacionam, de forma indelével, com o jogo que é praticado dentro das quatro linhas – e desde que o Caniggia se retirou do Futebol.



“disse!“

Miguel Lima | 92º minuto

(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

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