terça-feira, 5 de agosto de 2014

Uma flor para a caixa de perdidos


Já não me lembro quem esteve nesta mesa. Havia algum movimento e não reparei na pessoa. Não seria seguramente residente. Era um homem, quase de certeza. O papel ficou, mas não tão amarrotado que possa ser lixo. Guardo-o na Caixa de Perdidos.

"Desfolho a tua flor pelo caminho:

Uma pétala por cada erro repetido
Outra por cada silêncio teu
Mais uma por um mal entendido.
Esta pela palavra que se esqueceu
Aquela pelo amor distraído
E a última que por si só caiu.

Chegado, trago-te as mão vazias.
Dedos de polpas frias
Não seguram as flores que querias,
Mas guardam borras daquelas tantas alegrias
Sementes que me iluminam os dias
A germinar na inevitabilidade das nossas Biologias.

Indistintos no teu sorriso sins ou nãos
Fico preso do lado de fora:
Sabe que houve, ainda agora,
Rosas nas minhas mãos."


Sem comentários:

Publicar um comentário