sábado, 1 de setembro de 2018

hiperligação | 92º shooter: opus XII - fuck it!



¬ Pai, vais ao Dragão, não vais?
¬ vou, Pi.
¬ eu acho que o FC Porto, desta vez, não vai ganhar. o adversário é muito forte. acho até que vai perder. acho até que vai perder o jogo! – reforçou convictamente no alto dos seus seis anitos (quase sete) e de quem nunca tinha ouvido falar do Vitória SC, até àquela Sexta-feira à noite, no seguimento de uma notícia sobre a partida de ontem, no Dragão.

a garganta secou. fiquei gélido. as palmas das mãos incompreensivelmente começaram a suar. o coração passou a bater descompassadamente. e, como é óbvio nestas situações, neguei tal possibilidade. mas, desde aquele momento, desde aquele veredicto, que efectivamente aconteceu (porque há mais quem a tenha ouvido e possa aferir da sua veracidade), desde aquela sentença que ficou cravada no meu ser, não mais a esqueci. e foi ela que dissipou a Alegria que, até então, tinha por (finalmente!) ir regressar a casa, num jogo oficial do clube do nosso coração.

não sou muito dado a superstições mas, por exemplo, gosto sempre de entrar com o pé direito. e, sim!, tenho o meu cachecol da Sorte – entre outras igualmente tolas e que V. Exas. considerarão fruto de um qualquer devaneio meu, porque nenhum adepto se comporta dessa forma em dias de jogo. assim e pelo exposto (que ainda não esqueci), até a “simples” escolha da pele que deveria vestir revelou-se uma tarefa hercúlea. quando soube que ia ao nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos e que a nossa equipa de ciclismo iria ser devidamente homenageada pelos seus feitos na última Volta a Portugal, ponderei levar o terceiro equipamento da época 2016/2016, com o cachecol dobrado a azul e a amarelo a fazer ‘pendant’. contudo, aquele juízo final veio alterar t-u-d-o. e, no momento da escolha e mesmo em cima da hora para sair de casa com a devida antecedência que um jogo de casa cheia impõe, hesitei:
¬ talvez seja melhor levar o da constelação [daquela mesma época]. ou o habitual. mas quero que o primeiro jogo seja especial, porra! ir sempre com a mesma pele… carago para isto! FUCK IT! vou ‘mazé’ levar o amarelo que foi o que decidi primeiro!

e assim foi. e assim aconteceu. e assim se pode explicar, em parte, o descalabro do passado Domingo, já devidamente dissecado por quem de direito – na Bluegosfera, inclusive a twitteira e a dos Cavanis – mas cujo resultado final ainda me custa a digerir e ainda me causa perturbações no sono.
obviamente que não estou a assacar quaisquer responsabilidades pela nossa derrota ao prognóstico certeiro do meu pikachu – era o mais que faltava! nesta estória e como a Fama já vem de longe, tal como o Constantino, o «pé frio» sou eu e mais ninguém. acima de tudo, não deveria ter vacilado àquele ponto de não saber que pele levar vestida. isso é que é algo inadmissível!
[também conviria à Equipa jogar um pouco mais do que fez e não desperdiçar, pela segunda vez consecutiva, uma vantagem de dois golos face a um adversário que já se sabia que “viria com tudo” porque nada teria a perder, somente a ganhar – nem que fosse um empate… mas isso, agora, não interessa para nhaga, porque são contas de um rosário que já não vale para este totobola.]


em suma:
Domingo lá estarei, no nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos, se Deus quiser (e a esposa deixar – porque, à data e hora destas linhas, ainda não sabe de nada).
e o “manto sagrado” já está escolhido e será o tradicional. porque há “peles” que convém não mexer muito, para não azarar…

post scriptum:
prosa que começou a ser redigida ao início da tarde de Domingo (26-08) e só conseguiu ser concluída às 19h de Quarta-feira (29-08), tamanha é a dificuldade em digerir um resultado onde foram quebrados vários recordes.

“disse!“

Miguel Lima | 92º minuto


(este espaço é sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

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