sábado, 14 de maio de 2016

O jogo das diferenças

O povo sai para a Avenida, de martelinho apitante em punho, a fazer de alho porro. Os petizes lambuzam-se na gordura das farturas acabadas de fritar. Ali mesmo, de repente, qual estágio para o Santo que se aproxima. 

Toda a gente sabe que vai aparecer aquele senhor, mais o seu carro decorado, camuflado pelas cores que engalanam a Alma: Azul e Branco, como o Sangue, a Paixão e o Céu. 

Transborda a alegria nos abanões aos automóveis que descem lentamente os Aliados. A turba sem classe social, sem profissão determinada, una no grito audaz da voz de todos nós.

A roulote das bifanas estaciona debaixo do viaduto, no local já marcado dos seus pneumáticos. Em casa. Há bandeiras e cachecóis e cachorros manhosos e até cheira a castanhas. Já quase Verão. 

Canta-se na Praça, como se fosse uma bancada. E nem jogo precisa de haver. É uma Nação que se festeja e se abraça. As estrelas acenam, de cima, das varandas que lhes abrirem. 

Mas o herói está cá em baixo. Ombro com ombro com outro soldado, heróis todos. Não se dão as mãos, talvez por pudor aos calos ganhos nas trincheiras a que os condenaram, mas dão-se os espíritos: Tu és meu irmão, hoje.

E sim, pode ser que a velha, muito velha, carteirista, tenha uma noite ainda melhor que os outros. Releva-se. O Porto é Campeão, carago!

...

O trânsito será cortado a partir da hora Charlie, roger. Nessa altura o perímetro tem que estar já seguro e as barricadas montadas, escuto. Ai de quem se esquecer de verificar que todo o possível armamento - mesmo o mais rudimentar e o menos plausível - foi retirado do local, entendido? 

São apenas cinco aberturas para se deixar escoar a multidão. Fortemente guardadas. Edifiquem-se umas torres em caso de necessidade. Toda a gente revistada antes de poder aceder ao espaço do altar. Ou da estátua. As escaramuças devem ser reprimidas pronta e vigorosamente. Todos em estado de alerta vermelho e prontidão máxima.

Comunica-se à população que o embarque só é possível após revista. Não usem mochilas. Não tragam comida ou água. O comércio, os serviços e os transportes estarão fechados, interrompidos, inefetivos, na zona de impacto. Caminhem calma e ordeiramente. Debitado em loop pela voz fanhosa nos altifalantes.

- Porra Xilva, extá outra vejafalar decha coija dojmortoch que caminham?

- Ui, houve um atentado na Capital? Caraças pá...

- Calma, pode ser só um simulacro. Vamos aguardar pela comunicação oficial. Onde ouviu isso, Silva?

- Em todo o lado.

...

Há bom e mau em todas as partes, toda a gente diz. Há melhor e pior, também. E ninguém nos explicou as percentagens, certo? Viva o FCP!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Prato do dia: Empada de peru e o Totobola.


Confecionar uma empada de peru grandalhona, não é propriamente o zénite da arte para um mestre cuca. É até bastante simples, desde que, antes, se tenha feito uma perna de peru assada de estalo. Quer dizer, se o trabalho anterior for bom, não será a embrulhar a coisa em massa folhada, salvo seja, que se vai estragar.

É maijómenos como o Orelhas. Tão bem cozinhadas que foram as nomeações e arbitragens ao longo da época, que dificilmente lhe sai mal a empada no Domingo. Só se a deixar queimar. Mas eu desconfio que terá ajudantes de cozinha em número e qualidade suficiente para não correr riscos.



Pode, portanto, o Pedrocas ir passear descansado para o Colombo. Sem receios de maus encontros.  E poupar no aluguer do helicóptero.


- Oh Silva, ajude aqui no Totobola. Mas só nos jogos que interessam para alguma coisa. 5LB vs Nacional?

- 1.

Começa-se por desfiar, limpa de pele e osso, o que sobrar da perna do bicho. Enquanto se estala meia cebola e dois dentes de alho num fio de azeite. Semítico, o fio. Acrescenta-se um tomate muito maduro, descascado e sem grainha - como se querem os tomates - e feito em cubos. 

Para evitar trapalhadas, é melhor pedirem ajuda na parte do desfianço, não vá queimar-se o estrugido. Parecendo que não, um homem não tem oito braços, nem o dom da ubiquidade do Bruninho. Que tão depressa lança um comunicado como já está a publicar o octogésimo post calimero do dia. Ajuda é sempre preciosa.

Olha o Vitória de Setúbal. Se tem tido alguém que prestasse atenção aos detalhes, tinha evitado a bela pessegada em que se vai meter. Pior, em que vai meter a FPF  e a Liga. O que se deve estar a rir o Fiusa. 

Mas pronto, serenai meu Povo. Ou muito me engano, ou a coisa resolve-se tranquilamente. Com a ajudinha das Beiras.

- Setúbal vs Paços e Tondela vs Académica?

- 1 e 1.

Refresca-se o refogado com umas folhinhas de manjericão e um golo de vinho branco. E deixa-se apurar. No entretanto, salteiam-se cogumelos frescos laminados num pisco de azeite. Quando desatar a meter água como a defesa do FCP, junta-se o peru.

Ao molho de tomate, acrescenta-se um pouco do molho da assadura da ave e tritura-se. Como se fosse o cabrão do Norton de Matos aos manguitos no Dragão. O triturado. Bem feito que acaba na segunda.

- União vs. Rio Ave?

- 2!

Mergulha-se o conduto neste molho, qual Marcelo no Tejo; ou Estoril em Belém.

- Pois, já percebi, Belém vs. Estoril, X.

Junta-se bechamel, sempre a mexer, e deixa-se ferver, em lume muito brando, por uns minutos. 

Depois é só atirar com tudo para cima de uma placa de massa folhada e tapar com outra igual.

Agora, basta morfar a dita, acompanhada de uma salada de rúcula e tomate, com queijo e azeitonas. Mas é aviar à bruta mesmo. Cinco fatias de cada vez. Belo almoço.

- FCP vs. Tótós da Rotunda?

- CINCAZERO, pois claro!

Mas quem disse que isto é tudo cozinhado numas panelinhas? Eu não fui, credo!

...

While cooking: Turkey!


quarta-feira, 11 de maio de 2016

É uma Opinião, ohfaxabor!


Há muito quem diga que a opinião é uma coisa muito linda. Há também quem defenda que é uma coisa bastante democrática, porque livre. De uma maneira geral, toda a gente tem boa ideia da bicha. Da opinião, pois claro.

Pessoalmente, acho a Charlize mais boa que a opinião. E estou fartinho de ver gente a ter problemas graves à custa de opinar livremente. Outros são só mal educados. Sem esquecer os estúpidos. Um estúpido com direito à opinião é uma coisa grave. Como por exemplo, deixa lá ver, uma hemorróida. Mesmo que um gajo tente ignorar com muito afinco, diz que incomoda. Sobretudo ao sentar.

Considero que, mais que bonita ou livre, a opinião se assemelha muito à genitália: Cada um tem a sua e, mesmo que não lhe ache particular piada, defende-a com unhas e dentes. Estabeleça-se pois que, na verdade - porque é sabido que a Verdade passa bastante tempo na Tasca - a opinião é uma coisa do caralho. E da vagina também. Peço desculpa à Catarina Martins e a todas, e todos, as Bloquinhas, e Bloquinhos, por não ter escrito "A opinião é uma coisa da cona. E do pénis também". Tiques machistas. Shame on me.

No caso dos hermafroditas - ou serão as hermafroditas? Com esta gente um gajo fica sempre na dúvida - a coisa é capaz de se complicar. Será que têm sempre duas opiniões? E quem tem vinte opiniões sobre cada assunto, tipo eu e o Sousa Tavares, será um multifrodita da opinião? Raios, o que eu gramava de descobrir a minha vagina...

Isto era para quê? Ah, já me lembro! Para vos dizer que eu acho que, no fim do dia, a opinião de cada um se baseia num facto cientifico pouco investigado: O que me está a dar jeito. A gente põe-se perante o problema e a primeira coisa que pensa é: Ora deixa cá ver o que me está a dar jeito. 

E pronto, depois é só arranjar argumentos, com graus de parvoíce diferenciados, que sustentem a opinião. Ou seja, o que nos estiver a dar jeito. A espécie refinou isto a tal ponto que já o fazemos sem passar por estes estádios intermédios de consciência. É como o Aboubakar a falhar golos. O gajo já não pensa "Ah e tal, vou acertar antes num poste". Sai-lhe naturalmente. É o chamado automatismo.

O sucesso das opiniões de cada um tem tantas mais possibilidades de ocorrer, quanto mais o próprio acreditar que se trata mesmo de uma opinião. E não do que lhe está a dar jeito. Deixem-se de merdas, isso de ter opinião sobre coisas que não afetam o indivíduo opinante não existe. Porque tudo nos toca de alguma forma. É-nos inato tomar partido e associar, à velocidade da luz, qualquer facto com o nosso próprio interesse. Seja ele qual for. Parece um bocado cínico, eu sei. Mas hey, não fui eu que inventei a espécie.

- E eu que xempre penchei que uma Opinião era xervecha com grojelha...


...

Para não acharem que isto é um gajo amargo e zangado com a vida, com pouco para fazer e sem acesso aos seus sites favoritos - por força de uma trampa de uma firewall fascista e protopúdica - fui para a rua fazer investigação social a sério. Isto é, fui à concorrência tomar uns copos cujamigos.

- Estou fodido pá, agora vou ter que mudar o puto de escola. Merda maijómonhé, foda-se. Estava o catraio tão bem, habituado às professoras - e olha que há lá duas ou três que até eu me habituava - ao sitio, aos transportes, até da comida gosta, vê lá tu. Ele que é um pisquito a comer. Ainda por cima, aprende. Tem umas notas jeitositas e para a Maria é um descanso. Vêm estes palhaços cagar sentenças e pumbas, tenho que ir meter o miúdo no caralho mais velho de Escola pública a cair de podre. Lá se vai o acompanhamento, lá se vai o entusiasmo, lá se vai o sossego da Maria, lá se vão as quecas à hora de almoço. Se calhar até o futebol vai cucarago, deixa lá ver os aurários...

- Pois, que chato.

- Que chato, mas tem que ser mesmo assim. Olha lá, gosto muito do teu puto, mas a que propósito havia de andar a pagar para ele ter aulas com profs boazonas e isso tudo, enquanto o meu grama com umas velhas jarretas que as mais das vezes nem aparecem? Hein? Achas isso bem? É que é dos meus impostos que sai a guita. Dos de nós todos. Um gajo vai virar um fino à espelunca aqui do Silva, sem ofensa oh Silva - Toca-me no braço. - E uma cagalhésimo de por cento do que paga é para bancar as aulas de Sua Excelência o Príncipe. É muito bonito isso, é...

- Mas pagas o quê, oh palhaço? Pagas tanto como vais pagar quando ele estiver no mesmo pardieiro que o insurreto do teu deliquente, olha que merda.

- Sim, sim, agora vais-me convencer que as mordomias são à borla. É pelos lindojólhos do menino. Deve ser. 

- Não, estúpido. A diferença pago eu do meu bolso, estás a entender? Tu pagas a ponta de um corno, eu pago para o puto andar no Colégio. E acho muito bem que não pagues, era dinheiro mal empregue. Um gajo quando nasce burro e feio não há nada a fazer. Fazes muito bem em poupar a guita.


...

Ora, enquanto estes maduros se pegam à pancada, olhemos para a cunbersa à luz do nosso tema:

É provável que ambos tenham razão. Na verdade, neste assunto a opinião não conta para nada. É uma mera questão de ideologia. Acontece que, hoje em dia, dizer ideologia parece que aleija. Ai foda-se, disseste-me "ideologia" em cheio numórelha, queres apanhar? O problema é que temos uma classe de políticos que se move pela opinião, ou seja, pelo interesse. Ah poijé!

Havia de vir um senhor e dizer-nos: Pá, acabou-se a mama do ensino privado à conta do Estado. Há por aí muito boa escola onde meter os pirralhos, vão-s'amazéfoder. Querem Colégios, paguem do vosso bolso na íntegra. Quero cá saber se são melhores ou dão mais jeito ou assim. Azar. Pode ser que com a guita que pouparmos se consiga fazer uma Escola Pública em condições. A gente depois logo vos diz para onde é que têm que mandar os putos. 

Isto era bonito. Só que não pode ser dito, não é? Mas esta é a verdade. É uma questão ideológica. O que convencionámos chamar de "Esquerda", considera que o Ensino deve ser público, universal e gratuito. E todo igual. Nivelado por onde houver dinheiro para o nivelar. Mas como dizer isto? Pondo de parte a hipótese de abolir todos os partidos e tomar de assalto a Assembleia da República com um pelotão comandado pelos Capitães de Abril que sobrarem?

É que... como bandeira da Igualdade de Oportunidades - aaaaaaahhhhhhh - é muito pífio. Majentão só a malta com muita guita é que pode ter acesso ao melhor ensino, certo? Ando eu aqui a pagar para os meus cachopos terem o mesmo ensino que os moços do RSI, poijé? Eu até posso pagar um pouquinho mais, porque é que não posso ter melhor? Mesmo que não seja melhor, é o que eu quero. Cortam as pernas aos meus miúdos em nome de uma Ideologia? Porra pá, não digas "ideologia" que me ficam a doer os gémeos, chiça. Cá para mim estão a eternizar a desigualdade de oportunidades e a cristalizar no poder - económico, político, social - uma classe de privilegiados. Que é precisamente o que vocês querem, comunistas da treta, socialistas de fachada, assim-assins invertebrados. 

Ouch, resolvam lá isto. Complicado hã, xôr Costa? Mas a si kelhimporta, você faz um sorriso meio imbecil e recebe o Campeão nos Paços do Concelho e... Ai, espera, já não pode fazer isso. Caraças pá!

Era igualmente interessante que a oposição escolhesse alguém que pudesse dizer: Era o que faltava, então majandámos nós a arranjar maneira de financiar o Colégio da Tia Constança e agora vinham estes bardamerdas e estragavam tudo? E quem paga a muda da água da pi'cina olímpica? Para mais, já se percebeu que tudo em o que o Estado mete o bedelho dá buraco. Ou então dá merda. Ou então dá o Mário Nogueira, que é a mesma coisa. Pá, botamos o dinheiro nas mãos de quem sabe da poda, cada um escolhe o que quiser - ou o que puder pagar - e tá a andar. Mantemos aí umas capoeiras para quem precisar mesmo. De qualquer maneira, não é como se fossem dar grande coisa, né?

Naturalmente que passaria a ser impossível usar a defesa do Estado Social em campanhas eleitorais e afins, o que, tendo em conta que isto é Portugal e nós Portugueses, não daria jeito nenhum. É por isso que só falam de contratos, do Estado enquanto "pessoa de bem" e tal. Como se não tivéssemos já todos, em alguma altura, sentido o quanto o Estado é uma "pessoa de bem" e cumpridora. Bem fundo. 

Sendo uma mera questão ideológica - ui, isso doeu! - a verdade é que por esta via se premeia mais o mérito, se alarga a possibilidade de escolha de uma base mais vasta da população, se nivela por uma média mais elevada a qualidade, provavelmente. Ao mesmo tempo que se condena à categoria de "Excepção Magnifica Com Direito a Medalha e Filme no Youtube e no Telejornal", qualquer puto saído das classes mais baixas que obtenha sucesso. Não se pode assumir isso, pois não? 

É que não dá jeito nenhum. Uma merda.


...

- Olha-me esta vergonha, agora jogamos ao meio dia menos um quarto! Sem dar cavaco a ninguém. Mas isto aceita-se?

- A mim dá-me um jeitaço. Acho espetacular.

- Espetacular? Como assim? Achas bem que ignorem os sócios, os adeptos, a população de uma maneira geral, desta maneira? Achas normal sermos tratados como clientes sem direito a opinião? Isto é uma vergonha. Este aurário é estúpido, cheira mal e é provocatório. Não pode ser. Só se eu fosse um ganda palhaço é que compactuaria com isto! Como é que a pessoa pode almoçar à meia hora, com jogos a começar ao quarto para as? Não dá jeito a pessoas como deve de ser, desculpa lá!

- Olhe, meu senhor, - que eu não andei consigo na escola, publica ou privada - os miúdos da B fartaram-se de jogar a essa hora. Não correu nada mal. Para além de que, não andava por aí uma nostalgia dos dias passados a ver jogar o FCP? A formação, as modalidades, depois o futebol. Ou é uma mera questão de ordem das coisas? Parece-me bastante estúpido isso.

- Está a chamar-me estúpido?

- Não, você não, o argumento sim.

- Kejber um banano nas ventas?

- Manda lá! Anda, manda lá que já levas a sobremesa para o almoço. Deve estar na hora não, oh anormalóide?

Caaaaaaaaaaaaaaaalmaaaaaa pessoal. Não é preciso bater em ninguém, nem falar mal de quem quer que seja, nem inventar motivos para desancar a SAD. A uns dará jeito, a outros não. É apenas isso, como sempre. Ou seja, opiniões...


...

- A reler os Mandamentos, Senhor?

- Só o OITAVO, Pedro. Apenas o impossível oitavo.

- Impossível, Senhor? - Espantado.

- É. Não dá jeitinho nenhum...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

E vão dois!



Sejamos simples e práticos, por uma vez, sim? Sem longas dissertações, pouca filosofia barata, nenhum pedaço de feitiozinho de merda. Consigo? É provável que não. Mas tento:

Passaram dois anos. E a Tasca está longe daquilo para que foi aberta. O que não é propriamente mau, porque também não perdeu de vista o seu propósito. O que nunca me passou pela cabeça é que estivesse a escrever um post de aniversário. 

Não porque tivesse um tempo de existência pré-definido ou algo no género. Apenas porque não podia imaginar que fizesse sentido informar alguém que tinham passado dois anos. Foda-se, já estou a complicar, não estou? É o seguinte: Não esperava que estivesses aí a ler esta porra, pronto. Tu. E tu. Sim, tu aí também. Oh, pois claro, sem excluir Vossa Senhoria. E Sua Excelência. E tu, gandamaluco. Mais vocês todos que não faço ideia quem sejam. Sendo poucos, que somos, são tão mais - e tão maiores - do que era suposto que fossem.

Então, tentei um exercício simples esta manhã, enquanto espalhava o meu espetacular gel de banho ultra-suave pelos muito definidos músculos do meu dorso - ou então é morcela de arroz assada: 

Fiz ao tipo que gere esta espelunca, que é apenas um dos Silvas que aqui mora, uma pergunta simples: E se fechássemos o tasco? 

Hã? Se fechássemos. Hã? Sei lá pá, passávamos a botar faladura num caderno ou assim. Isso é estúpido, para quê falar se não for para alguém ouvir? Mas agora somos cineastas franceses obscuros, que filmam para ninguém ver? Hã? Ou é só fitinha mesmo? Tipo, ah e coiso, agora venham cá dizer que não pode ser e assim. Tás parvo? Inseguranças pategas, nós? Sim, malta cheia de biceps e triceps e penticeps. É definidos, é. Tão definidos que fazem lembrar a estratégia de oposição do PSD. Eheh, estiveste bem agora. Não faças as pazes com o Brasileiro, não. Esta semana vai ser a malhar todos os dias. Boa! E exercício? Eheh, agora estiveste tu bem, seu traquinas. Acho que o sacana do gato anda a mijar nos vasos, isso é que é traquinice. É capaz. Será que se pode algaliar um gato? Credo, coitado do bicho. Oh, ao menos não ficava com cara de quem está sempre com vontade de cagar. Parece o Centeno. Eheh, mesmo. Ou enfartado até ao esófago, como o Vitória. Bahahahah, nem ao xôringinheiro do Penta lh'aperta tanto a gravata. Mijões pá. Os gatos? Não, os lamps. Foda-se, olhájóras! Qual era a pergunta mesmo? Hã?

Não é fácil viver comigo. E já faço isto há mais de vinte anos. Pouco mais. Trata-se pois de - mais um! - post inconseguido. Não foi direto, não foi simples, mais pareceu uma jogada de ataque do FCP de Lopetegui. Mas vai dar golo! 

A minha opinião é lei aqui, naturalmente. E na minha opinião, o melhor motivo para a Tasca ter sempre as portas abertas, qual peep show no Soho, é muito egoísta: Se neste tempo já acho que me trouxe tanto, quanto mais ainda vou ganhar nos próximos 20 anos? Xinapá, se calhar estás a esticar-te. Vinte? Não sei, parece um plano a longo prazo tipo pagamento da dívida pública. Eheh, bem visto. Falamos para o ano, sim? Combinado.


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Obrigado a todos, pois claro. E quando digo todos, confesso agora os que me vêm à cabeça, pela exata ordem em que aparecerem (e não "em que apareceram", get it?):

Miguel, Jorge, Vila Pouca, Jorge B., Nuno, João, Ana, Carrela, Lápis, Anónimo, P.Torres, reine, Mr.Fighter, michael, João Moreira, Felisberto, Z., Papá, Imbicto, Mestre, Armando Monteiro, Mega, Reinaldos, Artur Matias, todos os Nomes, o senhor na barbearia que me disse "qual Lopetegui qual caralho. Irra, você parece aquele gajo da Tasca...", alguém que reproduz postas parvas da Tasca no Twitter, Senhor Monteiro da Silva, Berto, o velho dos sapatos e dos papeis, uma moça de olhos claros e o seu petiz, Cremilde, Mafalda, Maria Clara, Katy, Toni, a Santa Paciência e Infinita Compaixão do Senhor e a do Pedro também.

Não menos, a ti, de quem me esqueci. Certamente por culpa tua. E a todos os, não sei se muito poucos ou alguns, que por cá passam com regularidade e se deixam estar calados, metidos nas suas vidas.

Obrigado por uma estranha e inesperada experiência. Boa. Que, partindo de um local obscuro da ciberlândia, é real e palpável. Tanto que, dos acima referidos, alguns não sei se alguma vez vieram à Tasca e de outros tive noticia apenas uma vez. Mas ficou-me. 

Não Miguel, não disse (a)palpável. Mas podia. :)

Cheers!
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Por fim - porque as noivas se fazem sempre esperar - a Ti, por quem a Tasca se pariu, desculpa. Desculpa por não ser uma espécie de santuário. Espero que encontres as clareiras necessárias e suficientes. Sei que não Te surpreende, espero que não Te magoe. A casa é, antes de todos, Tua. Oh well, Tu que vives com os mais diversos Silvas - sua promiscua! - conheces bem as peças. Se algum Te zangar, avisa os outros. Dão-lhe cabo daquele canastro. Promise, hand on heart.


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Soundtrack to Tasca's birthday: Dance me...  

domingo, 8 de maio de 2016

Domingo B para tótós (Atualizado: Já está!)



Hoje jogam os B. Por norma, há posts na Tasca nestes dias, depois do jogo. Hoje faço questão que seja diferente. É antes do jogo.

Antes, porque este jogo não vai mudar nada, nem decidir o que quer que seja. O FCP B vai ser Campeão da Liga de Honra. Que foi? Cada um chama-lhe o que quiser! A mim ninguém paga para fazer publicidade. E anúncios à borla é a maior praga da história da Humanidade. Acreditem.

A grande expetativa à volta do jogo de hoje, é saber se vamos dar uma ajudinha para mandar os lampiões B para a terceira divisão. Yet another, porque já lhes ganhámos este ano. Opá, era lindo!

De resto, tenho lido e ouvido tanto disparate acerca deste jogo, e desta equipa, nos últimos dias, que não consigo ficar calado. Then again, tenho alguma dificuldade em praticar essa modalidade do silêncio. Felizmente. Já viram o que era perder-se a minha versão do Disposable Heroes, no chuveiro? É tão poderosa que nem se notam os pregos do Lars. Para além de que não troco a letra, como o Hetfield no bideócliper que vos deixo. Claro que conto com o meu gato nos backing vocals. O tom desesperado do miar do animal é uma vantagem, por comparação à fraca prestação do Kirk.

Adiante, os adeptos do FCP tiram-me do sério vezes de mais. É porque tenho o rastilho curto, talvez; ou a mania de que sou o dono da verdade, possivelmente; mas seja pelo que for, no fim do dia dá igual: Irrita-me!

Desde pérolas como "Porra pá, é uma vergonha. Então não podiam pôr os putos a jogar no Dragão? Aquilo enchia, era uma festa..." F.C.Festas at his best. Saibam que a média de espectadores no Estádio de Pedroso é de 516! Mas uma vez que podemos ir fazer uma festinha, caramba, o Dragão é pequeno. Até porque esta é que é mesmo a equipa do FCP. Isto é ser Porto. É da B que eles são mesmo, mesmo, mesmo adeptos. Desde pequeninos.

Mas consta que estarão 8.000 indefectíveis apoiantes em Gaia, mai'logo. Nada contra, pois claro. Eu não estarei, como não estive em nenhum dos outros jogos - fica já dito. Acho até bem que a malta lá vá, mostrar aos miúdos que o povo está com eles. Assim ganhem. Porque de outra forma, lá estarão os 500 verdadeiros, no próximo "jogo grande" dos B. 

Não fico incomodado que uns 6000 dojoito não faça ideia quem são os jogadores, mas fico aperreado quando noto que todos eles acham que estes meninos é que deviam ser o FCP A no próximo ano. Não fazem ideia, não pensam, não querem saber. Por consequência, irritam-me! Mas tudo o que lhes peço é que não assobiem os passes errados. Epá, para isso fiquem em casa. Ou vão ao Dragão no Domingo que vem...

É este peculiar sentido de Portismo que põe o Dragão a assobiar em peso o líder da Liga a sério, porque não joga o André. Ao mesmo tempo, pouco tempo depois, até concorda que se deve emprestar o rapaz a um clube do meio da tabela, mas com bom futebol, para ele amadurecer. Que clube do meio da tabela - isto é, entre o 8º e o 12º, por aí - é que tem um bom futebol, já seria discutível; mas metam lá nessas cabeças duras que craque não se empresta. Olha, os calimeros, há muito anos, planeavam emprestar o Futre ao Portimonense. Sabem o que aconteceu?

Por fim, mas não por menos, Luis Castro. Quem foi lendo os "Domingos B" aqui pela Tasca, saberá que não morro de amores pelo senhor. E continuo na mesma. É por isso que acho graça à caterfa de gente que agora declara o Castro muito bom, sim senhor e tal. Onde estavam há um ano? Ai, espera, já tínhamos equipa B nessa altura? 

Reconheço ao treinador o mérito de, em três anos, ter colocado uma equipa B em lugares de subida duas vezes. É muito bom. Ainda mais, sendo Campeão numa delas. Mas desconto a quantidade de "às" que usamos há dois anos. Assim como tenho claro qual foi a grande diferença do ano passado para este. Nem toda mérito do Luis. Mas isso são contas de outro rosário.

Sim, fica prometido - ou ameaçado - um balanço da época B. Agora, com a vossa licença, vou ver se somos Campeões antes do almoço. Sim, sim, pode acontecer. Não sabiam? A sério?

Oh well, façam uma grande e bonita festa, cumprimentem os miúdos, apareçam na TV, mas depois, por favor, deixem-se estar caladinhozisugadinhos. Or else...


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Soundtrack to bulshit: Or else...


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JÁ ESTÁ! YES, WE ARE! (menos para quem quiser acreditar que vamos perder por dozazero...)

Bem-vindo à 1ª Liga, Grupo Desportivo de Chaves!

E só naquela, quem é o PRIMEIRO Campeão Nacional de Futebol em 2015/16? Ah poijé! O Melhor é sempre o Melhor! Mesmo nas lonas :)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um pedido de desculpa à Mafalda

Faço, com grande sinceridade, um ato de contrição: Desculpa Mafalda. 

No disparate de ontem, terei menosprezado a tua nudez, enquanto manifestação do teu sentimento de felicidade e paz interior. Pensando bem, eu também vivo grande parte dos meus momentos mais felizes todo nu. E acabo por atingir uma grande serenidade algum tempo depois. Umas cinco horas. Ou dois minutos. Uma delas.

Mas eu sei que não levaste muito a sério. Afinal, só mesmo um gandaparvo menosprezaria a tua nudez. E não te reconheceria essa capacidade transcendente de influenciares, assim nua, os homens do teu tempo. E uma série de mulheres também.

Curvo-me - mas respeitosamente - a teus pés descalços. Aqui tens um humilde parvo, que mesmo estando perfeitamente a lixar-se para as tuas mamas ao léu, reconhece - por força da evidência - que o teu statement marca uma época. 

Mais que isso, arvoro-me em purista da tua corrente, em defensor da fé Primordial, no advogado do mafaldino descascanço. E berro: Plágio! Tragam as pedras, tentam copiar a profetiza. Blasfémia!

Porquê? Ora...
...

Amanheço demasiado cedo e desconto isso às cinco mil primeiras coisas que me vêm à tola. Mas a malta que faz notícias não se pode dar a esse luxo. Vai dai, é porque deve ser verdade. Espera, os familiares confirmam. É mesmo!

Luaty Beirão iniciou um novo protesto. Está novamente em greve de fome. Digo já que não percebi exatamente o motivo, mas estou solidário. Porque tenho a certeza absoluta que tem uns cinquenta mil belos motivos para protestar. Não vivesse ele numa ditadura mal encapotada, corroída pelas térmites da corrupção até às fundações. Assim uma espécie de fintabol Português.

Sobrevive, a dinastia, à força de ter conseguido - deixemos por agora os comos - a paz. O que não sendo pouco, também não é tudo.

Para além da fome, o Luaty também aposta no silêncio. Não fala, pimbas. É capaz de ser bem vista esta espécie de psicologia invertida: Toda a gente quer ouvir o que tem para dizer um gajo que não fala! Para além de que reduz substancialmente a possibilidade de dizer disparates. 

Olha eu se fosse mudo. Era um tipo formidável.

E ainda...nudez. Hã? Nudez. Pardonnez?! Nudez. O cachopo recusa-se a vestir o trapinho que for. Epá, um sarong. Na, demodé. Uma parra. Na, demasiado católico. Nu, mesmo.

E pronto, eis como a pessoa pega num ato cheio de significado, mais do que justificado, e o transforma num disparate. Pá, oh Beirão, é estúpido, mano. Vês que aparece logo um parvo como eu que, em vez de fazer eco das tuas inúmeras razões, se centra na parvoíce.

Deve haver um motivo para o Luaty estar todo nu. Deve querer dizer alguma coisa com isso, já que não abre a boca para falar. E nem para comer. Mas ninguém quer saber. Isto é, imagino alguns a elogiarem basto o gesto, só porque sim: 

Ah suprema rebeldia. Oh magnífico postal da desobediência pacífica. Ena, um Lennon do tempo moderno. E africano, yummi. Não lambas as beiças, Katy. Vá que ao que come o moço não deve estar lá muito turbinado.

- Olhe Xilva - E afinfa meia sande de bolinhos de bacalhau de uma vez - Cá pra mim, quem não é pra comer, não é pra trabalhar. Ainda por xima nu. Icho não é protexto, é lanjiche. Ah, de papo pro ar a bronjear as pendênxias...

O Berto pode ser desbocado, mas a culpa deste tipo de argumento não é dele. É do desnudo. Porque havia de se lembrar disto este rapaz?

Ora cá estou eu, em pelota para dar maior força às minhas razões. Só assim, nu, poderá o Mundo perceber quão desesperado está o meu Povo. Ou então é só porque gosto da brisa a dar- me nas partes baixas. Foda-se.

Olha, eu cá também sou assim. Também acho que toda a gente me leva mais a serio quando tiro a roupa. Acho que é medo de levarem com o barrote nas trombas. Deve ser por isso que se riem. É dos nervos. E do cagaço.

Oh well, may the force be with you, moço com apelido de licor. Só não estou a ver onde vais guardar o sabre de luz. Mas hey, cada um sabe de si. Credo.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Resumo da semana: Estiva.

Acho que é gamada ao "Publico"

Os estivadores do Porto de Lisboa - é giro reparar na quantidade de cidades que têm em si um Porto! - estão em greve. Uma greve de estivadores é uma coisa que apela basto ao meu espírito preconceituoso: Imagino um bando de gajos cheios de cicatrizes e tatuagens, encostados a uma parede, a fumar tabaco de enrolar enquanto coçam os tomates e fazem a vida negra a tudo o que é gaja que calhe em passar. Espera, vai-se a ver isso é uma claque da bola. Oh well...

Confesso que prestei alguma atenção ao caso e devo desde já anunciar que estou solidário. Até costumo embirrar com Sindicatos, dada a sua propensão carreirista, mas o discurso da malta da estiva convenceu-me. 

Nem uma vez se puseram com tretas acerca da forma correta de carregar com um contentor, ou da perigosidade de descarregar um monte de caixas ou assim. Lixaram-se para a importância social do transporte da banana e dos componentes para a indústria automóvel. Não desancaram a falta de formação técnica de supostos substitutos e nem dissertaram sobre as inúmeras competências requeridas para enfiar dois bochechos nas trombas de um marinheiro armado ao pingarelho. Ou seja, não inventaram.

A que propósito estão os estivadores em greve? Simples: Os operadores arranjaram uma empresa que fornece braços musculosos a 500 mocas. E assim sendo, ninguém tem por que pagar 1000 mocas pelo mesmo tipo de músculo. Não estando - e muito bem - esta malta disposta a trabalhar o mesmo para receber metade, resta-lhes não trabalhar de todo. A ver se os misters percebem a falta que lhes fazem. Pimbas, bem feito! É que bem vistas as coisas, este pessoal está em clara desvantagem em relação a outras artes, no campo da paralisação. Vejamos:

Os suinicultores arranjaram um banzé do catano. Foram para a Gare do Oriente assar porcos e isso tudo. O que é bastante bom para granjear a simpatia do transeunte. A ver se não fico logo mais receptivo a perceber o ponto de vista do protestante, depois de me enfiar uma sande de porco no espeto nas mãos. À borla. Pois claro que fico.

Já o estivador não pode recorrer a este artificio. Vão fazer o quê? Levar contentores para o Terreiro do Paço e alugar aquilo à hora a casais desesperados? Podia funcionar, sim, mas era arriscado.

- Oh Leandro, olha aqui tu na capa do Lixo da Manhã. A entrar para um contentor de mãos dadas com a tua vizinha do quinto direito. Xinapá...

A Ana Avoila pode ameaçar a população inteira com a sua voz estridente e supremamente irritante: "Não paro de berrar até fazerem o que eu quero, é que não paro mesmo, querem apostar?" Epá, sou o primeiro a assinar o que ela quiser!

E um estivador pode fazer o quê? Ameaçar que não manda piropos a mais nenhum marinheiro efeminado? Que não enfia duas palmadas no rabo às nossas mulheres, mesmo que as apanhem a jeito? Não resulta.

Já se sabe que podiam organizar-se em pelotão e invadir o gabinete da tutela e arrebentar as trombas a uns quantos dirigentes. Isso podiam. E aposto que o fariam com grande competência. Mas se em força acredito que estariam à altura, que isto de carregar e descarregar contentores - em parecendo que não - dá um caparro do caraças; quando se chega à questão do material bélico disponível, o G.O.E. e o Corpo de Intervenção levam grande vantagem.

Vai daí, é assim mesmo. Quem quiser que descarregue as suas próprias bananas. Olha, quem é capaz de ficar feliz é o Orelhas. Que se não dá para transportar a coca nas caixas de banana Chiquita, pode ser que volte à mó de cima a utilização do belo do pneu. Está tudo controlado pelos lampiões, credo!


...

A nossa Bárbara Norton de Matos foi repreendida numa rede social por um autarca. Em resposta a uma queixa que a própria fez, em igual sede, acerca do comportamento de um Policia do dito município. Já se sabe que deveríamos gastar algum tempo a, mais uma vez, analisar as consequências de termos tornado isto das redes no espaço (in)formal de coabitação da espécie. Mas isso não tem interesse nenhum. É mau feitio meu. E alguma vergonha alheia também. Até porque, neste caso, há coisas muito mais importantes!

Então mas porque é que a Bárbara não havia de poder estacionar o seu carrito onde lhe estava a dar jeito? Porque é proibido? Nananana, não me venham com essa! Até pode ser, mas ela está grávida de alguns 15 meses. Não acredito que continue a ser proibido para pessoas na sua condição. É que nem os doentes respeitam! 

- Oh amigo, gravidez lá é doença?

Ok, não será. Mas a rapariga tem pouca mobilidade. Se não querem saber dos doentes, ao menos tenham dó dos paralíticos. É assim que querem contribuir para o aumento da natalidade, é? Felizmente a moça não estava só. Em seu auxilio saiu o próprio progenitor. Da Bárbara, que da criança to be diz que é outro. 

- E enfiou dois bochechos nas fuças do policia, certo?

Que disparate! Então mas o Luis é algum estivador ohquê? Sacou do Iphone, clicou furiosamente e arrumou a questão com um definitivo "Incha porco, vai já para o Facebook". Oh well, sou eu que estou errado e sou um embirrante de primeira. Trata-se apenas da evolução da espécie, pois claro. De outra forma, como se explicaria que esse fosse o espaço preferido do Bruninho para arrotar a sua patanisca? 


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INTERLÚDIO: Gandhi todo nu

Eu não sei quem é a Mafalda Matos, porque sou velho, certamente. Caso contrário, poderia bem ter andado a puxar lustro ao golfinho à pala da moça, salvo seja e desculpem a porcaria. Que digo? Porra pá, desculpem. Mesmo. Cachalote. Quais golfinho, quais carapuça.

Se não conhecem, eu apresento

(Claro que era a Mafalda. Que pensaram? Credo!)

Exatamente, a Mafaldinha é essa cachopa desnuda da fotografia que ela própria fez questão de partilhar com o Universo. Porque é que alguém o faria? PelamordaSanta, para passar uma mensagem de paz espiritual e desapego material, está claro! Havia de ser para chamar a atenção, uma vez que de outra maneira ninguém lhe liga nenhuma, kéjber?

Se vocês fossem mesmo meujamigos, seriam visita regular da minha hiperativa página no FB. E poderiam ver a foto que vou postar hoje: Silva esplendorosamente descascado. Quer dizer, as partes que cabem numa foto sem grande angular. Qual nariz? Ai o caralho! 

Mas reproduzo o texto desse meu post: 

"Nu pela Paz e pela Natureza e pelo fim da fome no Mundo e por tudo de bom para as criancinhas e para os gatinhos fofinhos e cãezinhos simpáticos e todos os bichos de maneira geral e plantas também e haja saúdinha kéuképreciso."

Incha Mafalda! Olha, um conselho, 'miga: E dedicares-te à estiva?


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Tudo corre bem ao Trump. Não bastava ser candidato a Presidente da maior potência Mundial, sobretudo no que toca ao nível de iliteracia social - ao ponto de fazer corar de vergonha um adolescente - ainda por cima começa a ver as suas hipóteses de ganhar mesmo as eleições a aumentarem significativamente.

- Naaa! Há mais gente a apoiá-lo?

Pelo Contrário. Há gente desta a declarar-se contra. Um gajo pensa logo duas vezes. Era metê-los a todos os três num contentor e enfiá-lo numa balsa deslargada ao largo da Líbia. Não deve ser complicado de carregar. E nem de naufragar. 

Fura-se a balsa, pelo sim, pelo não.


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Eu sei que vocês todos acham que eu tenho qualquer coisa contra as redes sociais. E não tenho. Ok, tenho umas coisinhas. De mau.

Mas, por exemplo, considero fantástico que, hoje, possamos tornar uma imagem num ícone de forma tão rápida e tão marcante. Sobretudo quando usamos esse poder para o bem.

O que me custa é que se fique pela espuma. Dói-me que os media a sério sejam um mero reflexo, em vez de serem a fonte do que circula, sem rédea, pela ciberlândia. Pelo menos, devia ser-lhes assacada a responsabilidade de irem mais fundo, para lá do que é imediato. Pessoas, é para isso que servem! E enquanto não o entenderem, continuarão condenados à morte. Na verdade, acho que já morreram e sabem-no. Cambada de incompetentes preguiçosos.

A imagem acima é forte e é importante e faz uma declaração: You shall not prevail! Again! Mas é igualmente importante - e já não imediatamente visível - o que decorreu da imagem.

- Bateram na mulher? Os porcos nazis bateram na mulher? Esses paneleiros de um cabrão!

Não, fizeram muito pior: Deram-lhe um breve, mas eficaz, empurrão e prosseguiram. Como se faz a uma mosca ou a uma formiga. Siga. Hoje, é essa a relevância que tem quem não se consegue calar. A da formiga. 

É tempo de nos lembrarmos. De tudo. E mais ainda da quantidade de chatices que milhões de formigas conseguem causar. Somos milhões? Hey, formigas, alô?!

Lá está, há gente para a qual nenhum ato carregado de simbolismo terá significado. Mas se os levarmos para um beco escuro - SEM MEDIA - e lhes atiçarmos mil estivadores ociosos, pode ser que a coisa faça plim! Ou a cabeça pum! Tanto me faz. FIlhosdumagandaputa.


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É preciso pensar que em tempos de tanta incerteza, a constância ganha grande importância. Não somos animais talhados para a mudança, isso é cientifico. Mudar é assustador e ninguém gosta, por muito que proclamem que sim.

É pois com grande alegria que a Tasca verifica que há coisas que nunca mudam

Abençoada força progressista que resgataste o meu País das garras da austeridade. Ou vais resgatar em breve, dá no mesmo. Por força da tua política reformista de índole radicalmente socialista, em que as pessoas - o Povo! - vêm primeiro e são, por fim, mais que números em folhas de cálculo de tecnocratas de pila pequena. Frustrados que descarregam o seu complexo de inferioridade genital nos nossos parcos ordenados. Veja-se os estivadores.

Mas ao mesmo tempo nos tranquilizas, amansando a nossa ansiedade pelos amanhãs cantarolantes com esta certeza de um cheiro novo. Para a trampa do costume.


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Soundtrack to stowage: Obviously...

terça-feira, 3 de maio de 2016

Godspeed


É bem verdade que um tipo deve ter algum cuidado com os disparates que diz. Um pouco de ponderação não tira a piada a nada e ajuda as pessoas a comportarem-se num patamar mais elevado. E consequente. 

E depois há pessoal que é de tascas. Às tantas salta-lhes a rolha do pipo - salvo seja! - e lá se vai o fazconta co galheiro... 


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É um case study da Economia a Depreciação do plantel azul e branco. É que nem o Dracma seria capaz de acompanhar. Veja-se:

Até janeiro, o plantel do FCP era o mais caro, o de maior investimento, o plantel de sonho escolhido a dedo pelo Basco mauzão. Um sorvedouro para os depauperados cofres da Nação Portista, para fazer a vontade ao badameco. Desde logo, continha um extremo - Espanhol, pois claro! - que nem no banco do Aljustrelense tinha lugar; um suposto Ferrari que mais parecia um mata-velhos com o escape roto; e uma estrela da Pedra e Rola metido a modelo fotográfico, que para além de receber o salário só servia para encher o Instagram do Sérgio Oliveira.

Advento: Espanhol despachado ao pontapé; seguido, em direção a vários destinos, dos 3 moços acima. Chegam dois avançados e um guarda-redes.

O plantel do FCP é uma miséria de proporções bíblicas. Houve zonas do Biafra mais ricas - e bem nutridas - que determinados setores do nosso plantel. Não há treinador que resista a este bando de pernas de pau. É assobiar a SAD, que assobia para o lado e desanca o...Basco. 

Ora aí está a Teoria da Depreciação do Capital em todo o seu esplendor. Para o lado que dá jeito.

Depois vem um atrasado mental numa roda de amigos e diz: Foda-se pá, sofremos mais golos em meia dúzia de jogos do que no resto do ano, puta que pariu o campino. 

Ui, o traste! O saudosista fascisóide! Ide buscar o alcatrão e as penas, ide. Pois se toda a gente sabe que isso acontecia porque não passávamos do meio campo: Bola para trás, para o lado, para o outro, bocejo, para trás. 

Era por isso que não sofríamos golos. E na maior parte das vezes lá ganhávamos, como se contasse para alguma coisa. Agora ao menos corremos para a frente, qual estouro de Gnus em pleno cio. E passamos a bola na direção da baliza certa e levamos golos na baliza errada e todos os que não deixavam entrar assim tantas bolas parecem a equipa de voleibol da República Centro-Africana. Nos Jogos Paralímpicos. 

E porquê? Porque o camurso do Basco deu com isto em pantanas. E vai daí os moços nem sofrer golos como deve de ser sabem. Se calhar estavam à espera que o Zé fizesse milagres e eles não piorassem substancialmente. Pfff.

O zénite da coisa é quando as correntes se juntam e assistimos a uma espécie de epifânia da Lógica Aristotélica:

O outro tinha jogadores soberbos. Com esses, tinha que ganhar a toda a gente, enquanto a movimentação da equipa deixava réplicas dos grandes pintores cubistas sobre o relvado. Ora, é sabido que isso não acontecia. Talvez uma natureza morta ou outra - ainda assim, com reservas - porventura um arremedo da pior fase de Dali, não mais do que isso. Buuu, buu, vergonha. 

Este tem uns vinte anões vestidos em fatos de Zé Colmeia. E é com esses que queriam que o homem fizesse alguma coisa? 

Como os mesmos? Então e o Tello? E o Imbula? E como marcar um golo ao Tondela sem o Osvaldo? Aaaaaah, poijé, disso ninguém fala. Pobre Zé. Colmeia.


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Proponho hoje a fundação de uma nova corrente do saber: A Vãos'afoderamaijáslérias. 

Já sei que não fica muito no ouvido, mas tem um apóstrofo. O que lhe dá logo um ar exótico e modernista. Para além de que as coisas que ficam no ouvido ou são canções do Tony ou é cera. Ou mosquitos. Uma vez entrou-me um mosquito numórelha. Fazia cá um zumbido, credo.

Esta coisa caracteriza-se pela aplicação da Honestidade Brutal à bola. Diga-se que é a primeira aplicação da Teoria HB que pode fazer algum sentido. Todas as outras conduzem, inevitavelmente, a um monte de merda que não lembra. 

Oh experimentem lá ser brutalmente honestos com os vossos mais que tudo. Ou com os vossos patrões. Ou com o cabrão do gajo do bufete que nem uma porra de um cimbalino de jeito consegue tirar. Naaaa, era eu a brincar. Não experimentem!

Mas na bola, mormente no caso do FCP, podemos. Ele é o seguinte:

Esta época foi uma bela merda. O Espanhol, depois do Rio Ave, não tinha mais caminho. Porque andaram um ano e meio a cavar-lhe uma sepultura do tamanho das quatro vias da A25 para Vilar Formoso. Ele próprio deu umajóras à escavação, pro bono. Mais tarde ou mais cedo lá cairia. Foi em janeiro. Godspeed. 

Não havia porra de plano nenhum para substituir o tipo e tivemos que nos contentar com o Zé errado. Esse fez o favor de vir. Pelo seu ar inocente, até acreditava que não vinha para fazer de churrasco. Que era capaz de escapar às chamas e assim. Só que não é. Godspeed.


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Resta ganhar a Taça, seja como for. Ponham o Silva a ponta de lança - sim, eu. Não o André, que isso está muito visto. - a Cremilde a dar a palestra e o Lucho a fazer a equipa. Mas é preciso ganhar! 

E depois entregar a Taça ao Zé e deixá-lo passear com ela em volta do campo de Oeiras. E aplaudirmos todos contentes e muito e entusiasticamente. 

A seguir, baixamos - alguns - ajórelhas e acenamos - olhos no chão, humildes- enquanto um grupo de sábios nos explica que o Zé ganhou mais em seis meses que o Inominável em ano e meio. Acrescentaremos, para gáudio da plateia, que até acaba por ganhar mais que o Jergo Juses. Gerar-se-à alguma tensão, pois que os sábios se ressentirão um pouco do ataque ao seu Profeta. Mas deixarão escapar um sorriso amarelecido da sua bem tratada dentadura Portista.

Por fim, diremos, brutalmente honestos: Agora acabai lá co'a puta da palhaçada. Metam mazé o campino a pastar chocas e arranjai um treinador em condições. Já fomos enrabados que chegue, carago! Godspeed.

Se não abris ojolhinhos, ligo ao meu tio que produz ananases nojaçores.

E grita um lá do fundo:

- Epá, oh Silva, eu tenho um primo que é dono de uma empresa de materiais de construção.

- E isso é fruta? Que tem isso que ver com ananases?

- Gravilha. 

Abençoada conjugação.


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Parece que jogámos no sábado. E provámos dos nossos ananases. Ouch! Godspeed.


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Entre o fim deste post e carregar em "Publicar", o Ranieseiro ou Peseirini ou lá como se chama o moço, foi campeão de Inglaterra. Com o Leicester. E eu penso: Oh moço, mas tu kéjber kera melhor... Naaaaa, not!

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Soundtrack to brutality: Angry again.