sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um pedido de desculpa à Mafalda

Faço, com grande sinceridade, um ato de contrição: Desculpa Mafalda. 

No disparate de ontem, terei menosprezado a tua nudez, enquanto manifestação do teu sentimento de felicidade e paz interior. Pensando bem, eu também vivo grande parte dos meus momentos mais felizes todo nu. E acabo por atingir uma grande serenidade algum tempo depois. Umas cinco horas. Ou dois minutos. Uma delas.

Mas eu sei que não levaste muito a sério. Afinal, só mesmo um gandaparvo menosprezaria a tua nudez. E não te reconheceria essa capacidade transcendente de influenciares, assim nua, os homens do teu tempo. E uma série de mulheres também.

Curvo-me - mas respeitosamente - a teus pés descalços. Aqui tens um humilde parvo, que mesmo estando perfeitamente a lixar-se para as tuas mamas ao léu, reconhece - por força da evidência - que o teu statement marca uma época. 

Mais que isso, arvoro-me em purista da tua corrente, em defensor da fé Primordial, no advogado do mafaldino descascanço. E berro: Plágio! Tragam as pedras, tentam copiar a profetiza. Blasfémia!

Porquê? Ora...
...

Amanheço demasiado cedo e desconto isso às cinco mil primeiras coisas que me vêm à tola. Mas a malta que faz notícias não se pode dar a esse luxo. Vai dai, é porque deve ser verdade. Espera, os familiares confirmam. É mesmo!

Luaty Beirão iniciou um novo protesto. Está novamente em greve de fome. Digo já que não percebi exatamente o motivo, mas estou solidário. Porque tenho a certeza absoluta que tem uns cinquenta mil belos motivos para protestar. Não vivesse ele numa ditadura mal encapotada, corroída pelas térmites da corrupção até às fundações. Assim uma espécie de fintabol Português.

Sobrevive, a dinastia, à força de ter conseguido - deixemos por agora os comos - a paz. O que não sendo pouco, também não é tudo.

Para além da fome, o Luaty também aposta no silêncio. Não fala, pimbas. É capaz de ser bem vista esta espécie de psicologia invertida: Toda a gente quer ouvir o que tem para dizer um gajo que não fala! Para além de que reduz substancialmente a possibilidade de dizer disparates. 

Olha eu se fosse mudo. Era um tipo formidável.

E ainda...nudez. Hã? Nudez. Pardonnez?! Nudez. O cachopo recusa-se a vestir o trapinho que for. Epá, um sarong. Na, demodé. Uma parra. Na, demasiado católico. Nu, mesmo.

E pronto, eis como a pessoa pega num ato cheio de significado, mais do que justificado, e o transforma num disparate. Pá, oh Beirão, é estúpido, mano. Vês que aparece logo um parvo como eu que, em vez de fazer eco das tuas inúmeras razões, se centra na parvoíce.

Deve haver um motivo para o Luaty estar todo nu. Deve querer dizer alguma coisa com isso, já que não abre a boca para falar. E nem para comer. Mas ninguém quer saber. Isto é, imagino alguns a elogiarem basto o gesto, só porque sim: 

Ah suprema rebeldia. Oh magnífico postal da desobediência pacífica. Ena, um Lennon do tempo moderno. E africano, yummi. Não lambas as beiças, Katy. Vá que ao que come o moço não deve estar lá muito turbinado.

- Olhe Xilva - E afinfa meia sande de bolinhos de bacalhau de uma vez - Cá pra mim, quem não é pra comer, não é pra trabalhar. Ainda por xima nu. Icho não é protexto, é lanjiche. Ah, de papo pro ar a bronjear as pendênxias...

O Berto pode ser desbocado, mas a culpa deste tipo de argumento não é dele. É do desnudo. Porque havia de se lembrar disto este rapaz?

Ora cá estou eu, em pelota para dar maior força às minhas razões. Só assim, nu, poderá o Mundo perceber quão desesperado está o meu Povo. Ou então é só porque gosto da brisa a dar- me nas partes baixas. Foda-se.

Olha, eu cá também sou assim. Também acho que toda a gente me leva mais a serio quando tiro a roupa. Acho que é medo de levarem com o barrote nas trombas. Deve ser por isso que se riem. É dos nervos. E do cagaço.

Oh well, may the force be with you, moço com apelido de licor. Só não estou a ver onde vais guardar o sabre de luz. Mas hey, cada um sabe de si. Credo.

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